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A Vida com os Garotos Anderson

A Vida com os Garotos Anderson

Autor:: XmysterysmileX.
Gênero: Jovem Adulto
Winter Monroe já pensou muito sobre seu último ano em Cambree High. Ela se misturaria à multidão, continuando a estudar duramente e ficar longe de problemas. Mas desde que sua mãe foi para a África e ela teve que morar na casa de um amigo da mãe, tudo mudou completamente. Sem esperar nada importante, Winter estava pronta para concluir seu último ano no colégio sem fazer nada, exceto o que uma boa garota deveria fazer. Mas o que acontecerá quando ela percebe que no lugar que ela vai ficar por um ano há quatro garotos que dominam Cambree High? Quando você fica com os quatro garotos maus, você sabe que sua vida vai tornar miserável em um segundo, e Winter não estava nada preparada para isso. Winter pode viver bem com os quatro garotos e ficar fora de problemas? Ou os garotos causarão problemas a esta boa menina?

Capítulo 1 N°

PONTO DE VISTA DE NADINE:

Eu andei em direção ao meu armário e imediatamente franzi o cenho ao notar a primeira e única Andréa Vaz encostada contra ele, sorrindo para mim como se eu fosse um triste exemplo de garota.

Eu a ignorei e comecei a mexer em meu armário, abrindo-o e começando a pegar os livros para a minha primeira aula. Fechei meu armário e, ao me virar, percebi que Andréa havia desaparecido. Eu franzi minhas sobrancelhas, confusa, mas mentalmente eu estava dando socos no ar em comemoração.

Será que aquele era o dia em que Andréa Vaz deixaria o desafio pra lá? Será que ela finalmente sairia da minha vida? Eu sorri e me virei para caminhar em direção à minha primeira aula, mas parei no meio do caminho ao ver o grupo de amigas de Andréa paradas atrás da capitã das líderes de torcida, também conhecida como Andréa.

"O que você quer, Andréa?" Eu perguntei a ela, o sorriso desaparecendo do meu rosto. Ela jogou seu cabelo loiro por cima do ombro e me entregou um envelope.

"Hoje é segunda-feira, você esqueceu?" Ela sorriu para mim e eu suspirei, ciente de que meus planos para aquele dia estavam arruinados, assim como acontecia toda segunda-feira.

Eu assenti com a cabeça e ela afagou minha cabeça, como alguém afagaria a cabeça de um cachorrinho que é obediente ao seu dono... e isso é o que eu sou.

Eu sou a empregadinha de Andréa Vaz. A garota que entrega bilhetinhos de amor para o nerd Bruno Serra. Toda segunda-feira, eu recebo um novo envelope com o nome "Bruno" escrito na frente com a caligrafia perfeita de Andréa.

Eu acho que você está se perguntando por que estou fazendo aquilo? Bem, para resumir, eu fui desafiada a fazer qualquer coisa que Andréa quisesse, por quanto tempo ela quisesse, e a primeira coisa que ela me disse foi: "Eu quero que você entregue isso a Bruno. Toda segunda-feira haverá um novo bilhete e você fará a mesma coisa nesse dia, até que eu finalmente esteja ficando com ele. Entendido?"

Eu tinha que fazer aquilo e agora eu estou nesta situação: entregando bilhetinhos de amor como se fosse uma mensageira. É quase como se eu fosse um carteiro!

Andréa foi embora, suas amigas indo logo atrás dela, rindo como se aquilo fosse uma grande piada para ela. Soltei um breve suspiro e guardei o envelope em meu livro. A sirene da escola ecoou pelos corredores e eu me peguei suspirando novamente.

Era hora de fazer aquilo.

Fui andando em direção à escada. Assim que cheguei ao primeiro degrau, lembrei-me de repente que estava usando uma saia, então segurei a parte de baixo para que ninguém pudesse ver a minha calcinha rosa de coraçõezinhos.

Sim, eu ainda sou uma garotinha! Não me julgue!

Eu finalmente terminei de subir as escadas e entrei na sala de aula. Notei que Bruno estava sentado na parte da frente da sala de aula, começando a anotar o que a professora estava escrevendo no quadro. Comecei a andar em sua direção e tirei o envelope de dentro do meu livro, colocando sobre a mesa dele.

Ele olhou para mim com a mesma carranca que ele sempre fazia quando me via segurando um envelope. Eu dei de ombros e andei em direção ao fundo da sala de aula.

Eu me sentei num canto do fundo da sala, ao lado da janela, e coloquei meu fone de ouvido, colocando o capuz do moletom sobre a minha cabeça enquanto tentava abafar o barulho de todos os outros que começavam a entrar na sala de aula.

●●●

Eu peguei minha bandeja e andei em direção à fila que estava rapidamente se formando. Nossa, aquele pessoal estava faminto! Eu olhei para o cardápio do dia e revirei os olhos.

Bolo de carne.

Gemendo baixinho, eu comecei a olhar em volta do refeitório, tentando ver se poderia me sentar com alguém dessa vez; porém, como de costume, ninguém iria querer que eu me sentasse na mesa deles, já que eu era patética. Eu não era popular nem especial como as outras pessoas.

A senhora que trabalhava no refeitório me encarou e eu lhe dei um sorriso gentil. Ela sabia que eu não gostava do bolo de carne, então apenas assentiu com a cabeça e me entregou um sanduíche de queijo e presunto que estava na geladeira e um refrigerante. Eu lhe agradeci e saí da fila.

Eu caminhei devagar pelo refeitório, suspirando ao perceber que ficaria sozinha novamente naquele dia, assim como em todos os outros dias.

Deixei o refeitório e caminhei em direção à quadra, que era um lugar que costumava ser silencioso e tranquilo. Aquele era o lugar onde eu costumava almoçar, mas eu gostava daquilo, pois ali eu não incomodava nem era incomodada por ninguém, nem mesmo a Andréa.

Me sentei na arquibancada e comecei a almoçar, ignorando a sensação de aperto no estômago que eu sentia ao pensar na minha vida.

●●●

O tempo passou, rápido como de costume. Eu estava pegando meus livros do armário e os guardando na mochila. Assim que terminei de pegar do que eu estava precisando, fechei a porta do armário e saí da escola.

Todos estavam indo embora, conversando, sentados nos tetos de seus carros e fazendo o que costumavam fazer todos os dias. Eu virei meu olhar em direção ao estacionamento e avistei o SUV preto da minha mãe. Comecei a andar em direção ao carro e, quando o alcancei, abri a porta e entrei.

"Oi bebê, como foi o seu dia?" Minha mãe perguntou com um sorriso e eu apenas assenti com a cabeça em resposta, enquanto colocava meu cinto de segurança.

"Tranquilo." Eu respondi, e minha mãe acenou em resposta, manobrando para fora do estacionamento.

"Você parece estar estressada, querida. Você está bem?" Minha mãe questionou, e eu lhe ofereci um olhar tranquilizador.

"Eu estou bem, mãe." Eu respondi e ela sorriu docemente para mim antes de ligar o rádio.

Eu fui cantarolando no ritmo da música pelo caminho de volta para casa. O percurso foi silencioso como de costume, e assim que chegamos em casa, eu saí do carro e fui em direção à porta de casa.

Assim que minha mãe destrancou a porta, eu entrei e me joguei no sofá. Minha mãe riu e colocou sua bolsa preta no balcão.

"Nadine, eu posso conversar com você por um momento?" Minha mãe perguntou, fazendo com que eu virasse meu rosto em direção a ela e observasse enquanto ela se servia um copo de suco de laranja.

Eu saí do sofá preguiçosamente e fui até o balcão, sentando em um dos banquinhos. Minha mãe me ofereceu o copo de suco e eu dei uma golada.

"Querida, você sabe que eu tenho estado ocupada com meu emprego e tudo mais..." Minha mãe começou a falar e eu assenti com a cabeça enquanto dava outra golada. "Bem, eu estou indo para o continente Afredo amanhã...", aquilo fez com que eu imediatamente me engasgasse com o suco de laranja.

Aquilo não podia estar acontecendo!

Minha mãe deu um tapinha nas minhas costas e, quando me acalmei, ela se sentou no banquinho ao lado do meu. "E vou passar um ano lá." Ela terminou e eu literalmente senti vontade de me engasgar com a minha bebida novamente. Eu lentamente tomei um gole do meu suco, pigarreei e fiz uma careta para a minha mãe.

"Em primeiro lugar, por que tão repentinamente? E em segundo lugar, com quem eu vou ficar? Ninguém da nossa família vive aqui e eu não vou de avião para o outro lado do mundo para morar lá por um ano." Eu expliquei com toda a seriedade. Minha mãe acenou com a cabeça e esfregou suas mãos.

"Bem, o meu chefe pediu para que eu e o meu grupo fôssemos para o continente Afredo pesquisar sobre uma determinada doença que está reduzindo a população do país Queno. E em segundo lugar, eu vou deixar você com a Carla." Eu mantive minha expressão completamente séria, sem fazer ideia de quem minha mãe estava falando.

"A minha amiga da época do colégio?" Eu continuei a encarar minha mãe, ainda sem saber quem seria essa tal de Carla.

"Você a conheceu no casamento da tia Sabrina, lembra?"

"Ah, Carla Anderson!" Eu desse, estalando meus dedos. Eu tinha finalmente colocado minha cabeça para funcionar.

"Essa mesmo. Olha, eu preciso que você comece a fazer suas malas, porque você não vai voltar para esta casa por um ano inteiro." Minha mãe falou, me lembrando mais uma vez daquela situação, e eu me levantei e subi as escadas.

Bem, parece que aquele dia estava ficando cada vez melhor, não é?

●●●

"Pronto!" Eu disse com um sorriso no rosto, fechando a minha mala. Eu tinha acabado de arrumar as minhas coisas e, nossa, parecia que eu tinha empacotado todo o meu guarda-roupa!

"Nadine! Nós temos que ir logo para a casa da Carla, então se apresse!" Eu escutei minha mãe gritar e revirei meus olhos antes de me levantar e descer as escadas. Eu notei que minha mãe estava terminando de tomar seu suco de laranja com o telefone pressionado contra a sua orelha.

Ela assentiu e desligou o telefone, pegando suas chaves. "Vamos." Ela disse enquanto eu descia as escadas e ia em direção ao carro.

Trinta minutos depois, nós chegamos a uma bela mansão, cercada por altos portões pretos. Ao observar aquela vista, um sorriso apareceu em meus lábios.

Uau.

Nós saímos do carro e eu peguei minha mala e caminhei em direção à porta. Minha mãe bateu na porta e se afastou, esperando pacientemente que Carla atendesse. Alguns segundos depois, a porta se abriu e eu dei de cara com a mulher loira que conheci no casamento da minha tia.

"Olá, Amanda. Nadine!" Carla nos cumprimentou alegremente, me puxando para um abraço, o que me pegou de surpresa. Quando ela me soltou, eu dei uma risada.

"Entrem!" Ela falou e nós obedecemos. As paredes cor de creme combinavam com o tapete, e os sofás pretos me fizeram sussurrar baixinho para mim mesma: "Uau."

De repente, uma figura alta desceu as escadas, sendo seguido de perto por três outras pessoas igualmente altas. Os meninos olharam rapidamente para mim, o que fez com que eu abaixasse a minha cabeça e olhasse para o chão.

"Mãe, é essa, a garota?" Um dos rapazes perguntou e eu mordi meu lábio inferior, ainda olhando para baixo. Eu senti uma mão segurar o meu queixo suavemente, levantando o meu rosto para olhar em direção aos garotos que eu jamais imaginei estar tão perto assim.

Eram os garotos rebeldes do Colégio Capeor!

Foi naquele momento que a realidade me atingiu como uma rocha...

Eu vou viver com esses garotos rebeldes por um ano inteiro!

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Capítulo 2 N°

PONTO DE VISTA DE NADINE:

Minha mãe ficou conversando com Carla, então ao mesmo tempo, eu suspirava de estresse, uma vez que, agora ficarei presa cuidando desses garotos. Cauã está cutucando minha bochecha do lado direito do meu rosto, enquanto Leonardo cutuca a esquerda, Douglas permanece quieto e apenas sorri para mim, porém Guilherme está mexendo no meu facebook usando meu telefone que roubou das minhas mãos a poucos instantes.

"Será que vocês podem parar com isso, por favor?" Gritei olhando para Cauã e Leonardo. Ambos simplesmente olham para mim e começam a sorrir.

"Você é muito chata." Guilherme comentou demonstrando frieza na voz e na sua expressão facial, quanto a mim, somente aceno com a cabeça para ele, confirmando sua crítica.

"Sim, sou mesmo, muitas pessoas já me disseram isso." Quando eu disse isso, ele sorriu e voltou sua atenção para o meu facebook.

Ao olhar para Douglas, ainda o encontro sorrindo e olhando no meu rosto. Rapidamente levantei minhas sobrancelhas de forma questionadora, mas a expressão de riso da face dele não mudou.

Não suportando mais ficar ali com eles, virei minha cabeça em direção à cozinha e procurei encontrar minha mãe. "Mãe, posso dar um passeio?" Gritei bem alto, esperando poder me afastar dos meninos.

"Os garotos já mostraram o seu quarto?" Minha mãe perguntou, então olhei para eles e vi que agora todos estavam sorrindo para mim.

Bem que gostaria, mas não tive a chance de responder, já que Leonardo, Cauã e Guilherme agarravam meus braços e começaram a me puxar escadas acima. Olhei para Douglas e vi que me olhava como quem está se divertindo muito com minha maneira de agir e falar.

Realmente, tenho a impressão de que algo estranho está acontecendo com ele.

Caminhamos por cerca de três minutos até que paramos em frente a uma porta grande de cor rosa claro. Se você assistiu Frozen e viu a porta do quarto da Elsa, deve saber como é a porta de que estou falando.

"Vamos, o que você está esperando? Abra a porta!" Ouvi Cauã dizer com certa ansiedade e quando olhei para trás o vi sorrindo com as duas mãos na boca tentando segurar o riso.

Procurei filtrar sua voz para não entrar em meus ouvidos e lentamente agarrei na maçaneta da porta. Minhas mãos começaram a tremer enquanto girava ela.

Mas, o que há de errado comigo?

"Apresse-se, vamos, abra a porta!" Leonardo começou a sorrir, então neste momento perdi meu foco, tropecei no pé dele e acabei caindo dentro do quarto.

Excelente, excelente! Simplesmente ótimo!

Ouvi as risadas dos meninos ecoando ao meu redor, então já com avançados sinais de estresse, lancei um olhar furioso para eles que continuavam a dar risadas na minha cara. Me levantei rapidamente, olhei em volta do quarto e procurei forças para sorrir, mas não encontrei, assim, de tanto me esforçar, consegui fazer apenas um pequeno movimento com meus lábios.

Sobre a cama tem uma colcha num belo tom de rosa choque, com bordados na cor branca. Ao lado da cabeceira, uma estante com livros da Disney e há outra porta no canto que provavelmente é a do banheiro. Os livros da Disney chamaram minha atenção, assim minha cabeça tornou-se confusa novamente, pois começou a me surgir perguntas sem respostas na mente.

De quem é esse quarto?

Olhei ao redor do resto do quarto e descubri que há uma escrivaninha, um guarda-roupa, um mini sofá ao lado e uma TV pendurada na parede.

"É lindo." Eu murmurei e um dos meninos passou o braço em volta do meu ombro.

"Sim, já foi muito mais bonito."

"Cauã, venha aqui!" Escutei Douglas gritar e Cauã rapidamente me deu um sorriso de desculpas antes de sair correndo do quarto.

Apavorada, olhei em volta e vi que todos os meninos se foram. Ainda meio confusa, fechei a porta lentamente, dei um suspiro melancólico e saí do quarto com muitas perguntas em minha cabeça.

"Nadine, venha aqui!" Ouvi alguém gritar, então desci as escadas correndo e ao chegar na sala, vi minha mãe segurando sua bolsa de passeio e pronta para partir.

Comecei a procurar meu casaco, para ir junto, mas minha mãe me impediu: "Vou ter de pegar sua mala, e estarei de volta antes de você ir para a cama, pois eu sei que você dorme cedo. Fui chamada, infelizmente terei que partir, vou pegar sua mala, deixo ela aqui com você e partirei novamente. Sinto muito, querida." Minha mãe me abraçou e, eu meio confusa com tudo aquilo, dei um sorriso sem graça para ela.

"Tudo bem, não se preocupe, entendo perfeitamente." Comentei meu parecer, rapidamente ela me deu um beijo na testa e saiu correndo porta afora. Meio abalada, passei a mão pelo meu rosto, sem entender muito bem o que estava acontecendo.

Mais uma noite para ir domir mais cedo?

"Ei, Nadinha!" Alguém diz isso atrás de mim, como já estava confusa e no pico do meu estresse, fiz careta e procurei quem foi o espertinho que me chamou desse nome.

Odeio apelidos.

Então, me virei para o lado e vi Cauã sorrindo muito. E, segurando dois controladores nas mãos, ele caminhou em minha direção meio cambaleando e isso me fez sorrir junto com ele.

"Você quer jogar?" Me perguntou Cauã, estendendo o controlador para mim. Estendi o braço sorrindo e peguei o controlador.

"Vamos começar!"

●●●

"Ei, não vale, você trapaceou!" Cauã gritou comigo e soltei uma gargalhada zombando da cara dele.

"Não, é mentira, não trapaceei, você está enganado, isso aconteceu porque sou hábil nesse tipo de jogo. Sempre tive muito tempo livre para jogar, então aprendi alguns truques." Expliquei sorrindo e coloquei o controle no meu colo.

Não me controlei e continuei rindo do ataque de raiva de Cauã até que Leonardo e Douglas entraram na sala. Meio assustados, os dois tinham rostos ilegíveis e isso me deixou incomodada, já que, quando eles entraram, tive a impressão de que algo ruim deve ter acontecido antes.

Por que Douglas reagiu desse jeito? Será que poderia ser algum segredo que eu não deveria saber? Hmm, bem, é óbivio que não confiam em mim, pois acabaram de me conhecer.

"Ei, meninos." Chamei atenção quando Leonardo e Douglas estavam passando por mim meio desconfiados. Cismado, Leonardo se sentou em uma das cadeiras ao lado do sofá que Cauã e eu estamos sentados.

"Ei, por que você está me olhando desse jeito?" Ele murmurou e eu levantei minhas sobrancelhas. Para não me encarar, ele olhou para a TV como se estivesse tentando me ignorar.

Bem, alguma coisa eles aprontaram, não tinha como negarem.

"Que tal a gente jogar outra rodada?" Interroguei Cauã e ele olhou para mim com um belo sorriso no rosto.

De repente, ouvi as risadas de Douglas, então me virei para vê-lo. "Ei, sua risada está muito escandalosa, hein!" Novamente, ele deu outra gargalhada e eu torci o nariz já com nojo daquele barulho chato.

"Você tem mente poluída!" Apontei o dedo indicador para a cabeça dele e o garoto não fez outra coisa a não ser dar risadas.

"Acho que você quis dizer que tenho uma imaginação sexy." Ignorei seu comentário e voltei para Cauã, tinha uma das sobrancelhas levantada por não suportar a falta de educação de Douglas.

"Será que você pode me deixar vencer pelo menos uma vez?" Ele me questionou com um olhar esperançoso em seu rosto, então dei risadas também.

"Mas nem comecei a jogar de verdade e já venci você várias vezes! Você tem que jogar e não pedir para mim diminuir minhas habilidades para deixá-lo ganhar o jogo?" O questionei com firmeza na voz, então o menino gritou, se levantou e apontou o dedo para mim.

"Você é maldosa!"

"Falo o mesmo para você!" Comentei em tom de brincadeira, mas ele, muito nervoso, revirou os olhos e saiu rapidamente para a cozinha.

Então direcionei o olhar para Leonardo e Douglas que estavam olhando para seus telefones como se estivessem entediados.

Me levantei e coloquei as mãos em meus quadris. "O que a gente pode fazer para se divertir neste enorme castelo que vocês chamam de casa?" Perguntei aos meninos e Douglas olhou para mim assustado.

"Você quer dizer, o que não podemos fazer." Douglas olhou para mim ameaçando dar uma gargalhada, mas franzi a testa e fiquei séria.

"Ei garoto, estou falando sério, fique sabendo que brincadeiras têm hora e local certo. Vocês são muito chatos! É dessa maneira que tratam sua nova hóspede? Acredito que se eu passar um ano fora daqui, quando voltar, provavelmente vou encontrar vocês sentados com suas bundas coladas nessas cadeiras, olhando para a cara do outro." Falei bastante séria e em seguida fui para a cozinha.

Estou nesta casa há cerca de três horas e todos os cômodos que conheço são: a cozinha, a sala de estar e meu quarto.

Então, me sentei no banquinho ao lado de Cauã, que estava com algo fritando no micro-ondas. Fiquei ali por alguns minutos olhando para ele, que estava atento ao tempo programado no micro-ondas.

Subitamente, a campainha quebrou o silêncio constrangedor, assim me levantei rapidamente para abrir a porta. Minha mãe saltou para dentro da sala, e antes de me entregar minha mala, me puxou e me deu um forte abraço.

"Não se preocupe, ligarei para você todas as semanas para certificar de que você está bem. Não precisa ficar perturbada, pois os meninos vão cuidar de você." Ouvi as palavras de minha mãe e soltei um profundo suspiro.

Tenho certeza de que eles não vão cuidar de mim.

Nem concluí meus comentários, porém minha mãe correu e entrou no carro, me deixando paralisada e bastante preocupada com aquela nova realidade de ficar com aqueles garotos. "Vejo você em breve, querida. Comporte-se, hein!" Essas são as últimas palavras de minha mãe que logo ligou o carro e partiu.

Agora estou presa com os Anderson por um ano. Não sei se isso será bom ou ruim.

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Cheguei em meu novo quarto e me encostei contra a cabeceira da cama. Atualmente, estou lendo Diário de um Banana. Amo esse gênero de livro, porque ele é engraçado, sem falar que os personagens são muito fáceis de se relacionar.

A lâmpada sobre a mesa deixava o quarto iluminado e considero isso um conforto. Consegui ficar tranquila e me relaxar.

De repente, alguém bateu na porta, então coloquei o livro sobre a cabeceira da cama e incomodada, franzi as sobrancelhas. "Entre, por favor!" Disse num tom de voz suficiente para que a outra pessoa pudesse me ouvir.

De repente, a porta se abriu e para minha surpresa, Leonardo estava parado na porta com uma camiseta de decote em V branca e jeans.

São 11:00 da noite e será que esse cara dorme de jeans e camiseta?

"Só queria dar uma olhada em você. Está tudo bem?" Leonardo me perguntou e, então olhei para trás e apontei para o meu livro.

"Estou muito bem."

"Qual livro você está lendo?" Ele me perguntou, porém não movi minha cabeça para longe do meu livro.

"Diário de um Banana." Ao citar o nome, Leonardo riu baixinho.

Levantei apenas uma sobrancelha para ele, fechei outro olho e perguntei: "Tem algum palhaço aqui?" Ele balançou a cabeça, apontando para mim.

"Esse livro é... muito infantil?" Imediatamente, peguei o livro e o fechei rapidamente. Então demonstrei estar estressada o suficiente por aquele dia tão atribulado.

"Não, para mim não é infantil! Mas para você é... Porque você é velho!" Quando disse que ele era velho, zombou de mim no mesmo instante.

"Está louca, sou apenas um ano mais velho que você."

"Como sabe disso se nem me conhece direito." Fui para o contra-ataque e ele sorriu.

"Sim, claro mas já sei o suficiente sobre você." Ele contestou e eu olhei demonstrando que estava de brincadeira.

"Isso não é assustador?" Perguntei e Leonardo bateu no meu joelho e se levantou.

"Durma bem." Leonardo sussurrou, então olhei para ele, mas como estava muito cansada, me deitei de qualquer maneira. Antes de deixar o quarto, ele me olhou novamente e apagou a lâmpada.

Talvez esses garotos não sejam tão maus quanto eu imagino?

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Capítulo 3 N°

PONTO DE VISTA DE NADINE:

Eu escutei o bipe irritante do meu alarme e fechei os meus olhos ainda com mais força, cobrindo meu rosto com o cobertor, enquanto tentei bloquear esse som impertinente. Eu sorri em satisfação, quando o barulho do alarme parou e me aconcheguei em meu travesseiro inebriante.

"Acorda, acorda!", disse uma voz, mas não respondi, fingindo que estava dormindo, para que a pessoa pudesse me deixar em paz e desta forma, eu poderia voltar a dormir mais um pouco. Claro que a pessoa tinha planos diferentes.

"Nadine!" Eu escutei o Leonardo gritar, me fazendo soltar um suspiro pesado.

'Por favor, me deixe sozi...'

"Ah!", um grito saiu da minha boca, quando senti o cobertor sendo retirado do meu corpo. Eu soltei um gemido de descontentamento. Estava tão gostoso debaixo da coberta. Olhei para o que eu estava vestindo e percebi que estava com o meu short de pijama com estampa de coração e uma camisa preta de manga curta.

'Ótima escolha, Nadine', eu pensei, constrangida pelo pijama que estava usando. Quer dizer, eu pareceria uma criança de 8 anos de idade.

"Ei! Mas, por que você fez isso?!" Eu disse, fazendo uma careta e me abraçando para tentar me manter aquecida. Leonardo cruzou os braços sobre o peito em protesto e ficou me encarando.

"Temos aula, Nadine", Leonardo disse, impaciente e eu bufei contrariada, passando a mão pelo meu rosto. Soltei um suspiro e finalmente saí da cama, pegando a roupa que havia escolhido para vestir hoje. Fui em direção ao meu banheiro, amando o fato de ter um quarto com suíte só para mim.

Eu era muito sortuda.

Eu agarrei a maçaneta da porta do banheiro e olhei por cima do meu ombro para ver Leonardo, que está jogando na cama, o cobertor que havia tirado de mim. "Você pode ir agora", eu disse, chamando a sua atenção. "Desço em dez minutos", eu disse, antes de entrar no banheiro.

Eu andei até a pia e apoiei as minhas mãos em suas laterais. Olhei no espelho redondo e suspirei profundamente. Eu não estava pronta para isso. Ainda não conseguia acreditar que havia dormido na casa dos Anderson. Eu tinha que me acostumar com isso... Afinal de contas, esta seria a minha casa por um ano.

Soltei outro suspiro, desta vez com menos intensidade, e comecei a tirar minhas roupas, entrando no chuveiro e fechando o box de vidro, enquanto começava a abrir o registro de água quente.

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Peguei uma maçã na tigela que estava no balcão da cozinha e dei uma boa mordida. Os garotos, em volta da mesa, estavam tomando o café da manhã.

Eu notei Guilherme me encarando como se tivesse alguma coisa errada com o meu rosto e eu franzi a testa, totalmente confusa. Ele percebeu, pela minha expressão, e sorriu, o que me fez levantar a sobrancelha, ainda mais confusa. Ele olhou para a maçã na minha mão e eu ri, finalmente entendendo onde ele queria chegar.

"Você quer dar uma mordida?", eu perguntei a ele, circulando a fruta em torno do seu rosto. Ele, então, simplesmente agarrou o meu pulso, imobilizando a minha mão e deu uma mordida na minha maçã.

"Obrigado", Guilherme disse sorrindo, diferente de mim, que não havia gostado nada da sua atitude. Desgostosa, eu procurei a lixeira, entretanto, ele ainda estava segurando o meu pulso. Quando eu olhei para trás, para os quatro garotos, percebi que todos estavam sorrindo para a nossa cena.

"Quer saber de uma coisa, se você não comer isso...", Guilherme disse sua frase pela metade, enquanto eu largava a maçã imediatamente, sem a menor vontade de continuar comendo-a. Ele sorriu, enquanto continuava a comer a maçã que já fora minha.

"Seu ogro", eu murmurei, indo em direção à pia para lavar as minhas mãos. Todos os garotos riram e eu sequei as mãos nas calças, enxugando-as. Depois, eu agarrei as minhas costas, alongando-as e soltei um suspiro.

"Vejo vocês na escola, eu acho", eu disse e antes que eu pudesse sair pela porta para ir para a escola, uma voz profunda chamou o meu nome.

"Nadine, você vem conosco", Douglas disse e eu logo me virei, meu coração imediatamente começou a ficar acelerado, com a possibilidade de ir para a escola, junto com os garotos valentões mais conhecidos da escola. Já fiquei imaginando Andréa, inventando nomes e me chamando de todos os apelidos possíveis por causa de tudo isso...

"Is...sso não está acontecendo", eu gaguejei, enquanto uma careta havia se formado em meu rosto. Eu não poderia ir para a escola com esses garotos, haja visto que, me perguntariam por que eu estava indo para a escola com eles e muito provavelmente eu sofreria bullying. De jeito nenhum, eu poderia aceitar isso! Todos ficariam com ciúmes e com muita raiva. Seria a pessoa mais odiada da escola, se eu já não era!

"Nadinha, confie em mim. Ninguém vai ficar falando besteira, não se preocupe." Cauã interrompeu os meus pensamentos, sendo que, deixei escapar um suspiro de exaustão, pois sabia que ele estava errado.

"Sim, eles vão. Todo mundo vai ficar fazendo perguntas ridículas e eu, com certeza, não vou me colocar nessa situação e você não pode me obrigar!", eu disse com desdém, virando-me e abrindo a porta da frente. Antes que eu pudesse sair, alguém agarrou o meu pulso e quando eu me virei, vi Leonardo me olhando com seriedade.

"Deixe-me ir, Leonardo!", eu disse, tentando me libertar do aperto de Leonardo, sendo que, ele não se moveu nem um centímetro.

"Sem chance", Leonardo disse, com uma expressão séria. Depois de dois minutos de luta, finalmente dei-me por vencida, empurrando tudo de lado e deixando os meus pensamentos invadirem a minha mente, imaginado como seria na escola.

Neste momento, eu era a pessoa mais odiada da escola.

●●●

"Olha, ali está o Igor!", Guilherme gritou e Cauã se inclinou contra a cadeira de Guilherme. "Espere, deixe-me jogar algo nele!" Guilherme acrescentou, então eu olhei para cima e vi quando ele estava segurando uma pedra.

"Mas em que mundo você vive, para achar normal alguém ter uma pedra dentro da própria bolsa?", eu perguntei a Guilherme, sendo que, ele me lançou um sorriso, antes de apontar a pedra para o cara andando com uma mochila bem grande.

"Simplesmente, porque eu faço isso todas as manhãs..." E com isso, ele jogou a pedra pela janela e todos ficaram olhando para ela, voando em direção ao Igor. Um suspiro de insatisfação escapou dos meus lábios, quando ele conseguiu atingir Igor na cabeça.

Desejei que a pedra não fosse pesada...

Os olhos de Igor se voltaram para nós imediatamente e ele segurou a cabeça com a mão, olhando fixamente para nós, com uma expressão de dor. "Guilherme!", Igor gritou e Guilherme levantou o dedo, com um grande sorriso no rosto.

"Foda-se, seu grande esterco de vaca!", Guilherme gritou e subitamente, Igor começou a correr atrás do carro, o que me fez ofegar novamente.

"Pise nesse acelerador, Douglas!", Cauã gritou e imediatamente, fui forçada a recuar no meu assento, quando o carro começou a acelerar na rua, sendo que, Igor já estava completamente fora da vista de todos. Alguns segundos depois, o carro voltou à velocidade normal.

A cerca da escola chamou a minha atenção e eu suspirei. Porcaria. Eu me abaixei, enquanto Douglas dirigia para o estacionamento da escola. Ouvi algumas pessoas gritando os nomes dos garotos, o que me preocupou ainda mais. Mas que confusão eu havia me metido.

O carro parou e ouvi a primeira porta do veículo se abrir. Eu olhei para cima para ver Douglas saindo, seguido por Guilherme, então Leonardo e finalmente Cauã. Depois de alguns segundos, entendi que era a minha vez de sair do carro. Eu respirei fundo, pulando para fora do carro. Assim como eu suspeitava, escutei as pessoas suspirarem e a gritaria cessou subitamente.

Eu engoli em seco na minha garganta e tentei ignorar as pessoas me encarando. Todos nós havíamos começado a caminhar em direção ao prédio da escola e deixei escapar um suspiro, quando ouvi o meu nome, sendo mencionado nas conversas dos alunos

Eu parei em frente ao meu armário e acenei para os garotos. Nenhum deles acenou de volta, então a minha atenção foi direcionada para ver um monte de garotas passando. 'Garotas da Andréa', pensei comigo mesmo.

"Eu fico me perguntando, por que será que ela estava no carro com eles?", uma das garotas sussurrou.

"Ela está querendo chamar a atenção, provavelmente. Você sabe, porque ela está sempre sozinha e ninguém a quer."

"Pode ser."

Soltei um suspiro, ignorando o meu coração, que estava batendo muito forte. Eu me virei para encarar o meu armário e inclinei a minha testa contra ele, fechando os olhos, pensativa.

Cauã estava errado.

Eu estava fadada a ouvir besteira das pessoas desta escola.

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Eu andei em direção à fila do almoço e fiquei esperando a minha vez, segurando minha bandeja em minhas mãos. A refeição de hoje era salada de frango, o que me alegrou profundamente.

Quando recebi minha salada e minha garrafa de água, olhei ao redor do refeitório e percebi todos entretidos, conversando. As mesas já estavam ocupadas, o que me fez suspirar. Algumas pessoas no refeitório ainda estavam me encarando e sussurrando, sendo que, eu já estava farta de toda esta fofoca sobre mim. Muitas pessoas vieram até mim, na minha primeira aula e fizeram todos os tipos de perguntas como: "Você está namorando um dos meninos?"

"Você é a nova vagabunda deles?"

"Posso ter o número deles?"

Todos os tipos de perguntas possíveis. Claro que não respondi, porque se eles soubessem que eu iria ficar na casa dos Anderson, tinha quase certeza de que minha resposta iria causar um rebuliço.

Percebi Cauã, Guilherme e Leonardo sentados na mesa do meio, rindo e piscando para as meninas que estavam basicamente babando por eles.

Eu me virei e saí do refeitório. Eu comecei a andar até o meu lugar habitual na arquibancada, quando subitamente esbarrei em um peito musculoso, fazendo-me cair no chão.

Eu fechei meus olhos com força em agonia e soltei um suspiro. Por que será que hoje está sendo um dia tão ruim? Abri os meus olhos, fazendo beicinho, quando vi a minha salada toda espalhada pelo chão.

Minha comida...

"Levante-se", eu ouvi uma voz séria dizer, quando olhei para cima e vi Douglas. Ele estava me encarando com os braços cruzados sobre o peito.

"Eu..."

"Levante-se", Douglas disse sem paciência e eu fiz rapidamente o que ele mandou, não querendo deixar ele ainda mais irritado. "Me siga", ele disse e eu franzi as sobrancelhas, sem me mexer. Ele me lançou um olhar furioso e, assim, comecei a segui-lo em direção às portas de saída da escola.

"Para onde estamos indo?", eu perguntei a ele, sem conseguir uma resposta. Eu bati em seu ombro e seus olhos olharam para mim, aborrecimento e raiva eram demostrados claramente em seus olhos castanhos.

"Cale-se", ele disse, depois de alguns segundos, então eu suspirei. Chegamos ao carro em que estávamos antes, então entramos no carro e eu me sentei no banco do passageiro. Douglas ligou o carro e eu comecei a brincar com os meus dedos. Depois de alguns segundos, o silêncio estava começando a me incomodar, então eu perguntei a primeira coisa que havia vindo em minha mente.

"Douglas, para onde estamos indo?", eu perguntei novamente, na esperança de conseguir uma resposta. Esperando por um esclarecimento, comecei a olhar pela janela.

"Nós vamos almoçar, já que você estupidamente deixou cair toda a sua comida", Douglas disse, com um tom de tédio em sua voz. Eu levantei a minha mão para protestar, mas ele agarrou com facilidade o meu pulso e o empurrou para baixo, de modo que o meu braço bateu na minha coxa.

"Salve, princesa."

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