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A Vingança da Prima Invejada

A Vingança da Prima Invejada

Autor:: Betty
Gênero: Jovem Adulto
O cheiro de açúcar queimado pairava, mas minha prima Clara não veio pelos doces. Ela me olhou de cima a baixo, o celular em riste, a voz escorrendo falsidade enquanto me filmava, exibindo a prima "simples" para sua legião de seguidores. Por anos, vivi à sua sombra, vendo-a cobiçar e tomar para si tudo que era meu: namorados, amigos, até a atenção dos meus pais. Lembro de Pedro, um bom rapaz, que Clara seduziu descaradamente, postando fotos românticas e me deixando para trás com o coração partido, enquanto minha mãe celebrava a "conquista" dela. Eu estava exausta de ser seu degrau, de ser comparada, de ser empurrada para ser alguém que não era. "Estou pensando em fazer uma matéria sobre pequenos negócios locais", ela disse, aproximando o celular do meu rosto, um sorriso vitorioso nos lábios. Foi nesse momento que tudo mudou. "Tenho um encontro", eu disse, tirando meu avental, um sorriso perigoso brotando. "O nome dele é Ricardo." Eu o escolhi a dedo: um chef charmoso e predador, o tipo que Clara acreditaria ser seu prêmio final, a peça central da minha armadilha. Ela não sabia, mas esta vez, o jogo viraria. "Ela é mais do que intensa, Ricardo", eu disse, quando ele me buscou para nosso falso encontro. "Ela é previsível. E a obsessão dela por você será a ruína dela." A isca foi mordida, e a caçada estava apenas começando.

Introdução

O cheiro de açúcar queimado pairava, mas minha prima Clara não veio pelos doces.

Ela me olhou de cima a baixo, o celular em riste, a voz escorrendo falsidade enquanto me filmava, exibindo a prima "simples" para sua legião de seguidores.

Por anos, vivi à sua sombra, vendo-a cobiçar e tomar para si tudo que era meu: namorados, amigos, até a atenção dos meus pais.

Lembro de Pedro, um bom rapaz, que Clara seduziu descaradamente, postando fotos românticas e me deixando para trás com o coração partido, enquanto minha mãe celebrava a "conquista" dela.

Eu estava exausta de ser seu degrau, de ser comparada, de ser empurrada para ser alguém que não era.

"Estou pensando em fazer uma matéria sobre pequenos negócios locais", ela disse, aproximando o celular do meu rosto, um sorriso vitorioso nos lábios.

Foi nesse momento que tudo mudou.

"Tenho um encontro", eu disse, tirando meu avental, um sorriso perigoso brotando. "O nome dele é Ricardo."

Eu o escolhi a dedo: um chef charmoso e predador, o tipo que Clara acreditaria ser seu prêmio final, a peça central da minha armadilha.

Ela não sabia, mas esta vez, o jogo viraria.

"Ela é mais do que intensa, Ricardo", eu disse, quando ele me buscou para nosso falso encontro. "Ela é previsível. E a obsessão dela por você será a ruína dela."

A isca foi mordida, e a caçada estava apenas começando.

Capítulo 1

O cheiro de açúcar queimado ainda estava no ar quando minha prima Clara entrou na minha confeitaria. Ela não veio pelos doces. Clara nunca vinha pelos doces.

Ela parou no meio da loja, o celular na mão como uma arma, e me olhou de cima a baixo. Eu estava com o avental sujo de farinha e uma mecha de cabelo grudada na testa por causa do suor do forno.

"Nossa, prima," ela disse, com a voz escorrendo falsidade. "Trabalhando duro, como sempre. Que admiração."

A câmera do celular dela estava ligada, transmitindo ao vivo para seus milhões de seguidores. Eu sabia o que ela estava fazendo. Era o jogo dela. Mostrar a prima "simples" e "batalhadora" para que seus seguidores a elogiassem por ser tão "humilde" e "ligada à família" .

Eu apenas dei um aceno com a cabeça e continuei a limpar o balcão. Anos de humilhação me ensinaram a não dar a ela a reação que ela queria.

Clara foi a neta favorita, a filha perfeita, a prima popular. Eu era a sombra dela. Tudo que eu tinha, ela cobiçava e, na maioria das vezes, tomava para si. Namorados, amigos, até mesmo a atenção dos meus próprios pais. A última vez foi com Pedro. Um bom rapaz, engenheiro, que gostava de mim de verdade. Clara o seduziu em uma festa de família e, na semana seguinte, postou uma foto dos dois em uma viagem romântica, com a legenda: "Às vezes, o amor simplesmente acontece" . Eu terminei com ele pelo telefone, enquanto ouvia minha mãe ao fundo dizendo para minha tia como Clara finalmente tinha encontrado alguém de valor.

Mas desta vez seria diferente. Eu estava cansada. Cansada de ser o degrau para a autoestima dela, cansada de ver minha mãe me comparando com ela, me empurrando para ser algo que eu não era.

"Estou pensando em fazer uma matéria sobre pequenos negócios locais" , disse Clara, aproximando o celular do meu rosto. "Dar uma força para você, sabe? O que acha?"

Eu parei de limpar e olhei para ela. Nos olhos dela, vi a mesma satisfação de sempre. A satisfação de quem está no controle.

"Acho uma ótima ideia, Clara" , eu disse, com um sorriso que não chegava aos meus olhos. "Mas hoje estou um pouco ocupada. Tenho um encontro."

A sobrancelha dela se arqueou. Interesse. Era sempre assim.

"Um encontro? Com quem?"

"Você não o conhece" , eu respondi, tirando o avental. "O nome dele é Ricardo."

Eu sabia o que aconteceria a seguir. Ela iria pesquisar cada detalhe sobre ele. E o que ela encontraria a deixaria louca de inveja. Ricardo era um chef de cozinha em ascensão, dono de um dos restaurantes mais badalados da cidade. Ele era charmoso, bonito e, para o mundo exterior, o partido perfeito.

O que Clara não sabia era que eu tinha escolhido Ricardo a dedo. Eu passei meses pesquisando, procurando a isca perfeita. Ricardo tinha uma reputação impecável na mídia, mas nos bastidores, as histórias eram outras. Fornecedores não pagos, ex-sócios que saíram no prejuízo, mulheres que falavam de sua manipulação. Ele era um golpista charmoso, um predador que se escondia atrás de uma fachada de sucesso.

Ele era exatamente o tipo de homem que Clara acreditaria ser seu prêmio final, o homem que a colocaria em um novo patamar de status. E ele era a peça central da minha armadilha.

Naquela noite, o plano começou. Ricardo me buscou na confeitaria. Ele abriu a porta do carro para mim, um sedã de luxo que ele provavelmente alugou para impressionar.

"Você tem certeza disso, Sofia?" , ele me perguntou, enquanto dirigia. "Sua prima parece... intensa."

Nós tínhamos um acordo. Eu pagaria uma quantia generosa a ele, o suficiente para cobrir algumas de suas dívidas mais urgentes. Em troca, ele fingiria ser meu namorado. O objetivo era simples: ser tão irresistível que Clara não descansaria até roubá-lo de mim.

"Ela é mais do que intensa, Ricardo" , eu disse, olhando para as luzes da cidade passando pela janela. "Ela é previsível. E a obsessão dela por você será a ruína dela."

Ele riu, um som baixo e confiante. "Eu gosto do seu estilo, Sofia. Você não é como as outras."

"Eu sei" , respondi. "É por isso que este plano vai funcionar."

Chegamos ao restaurante dele. Era elegante, minimalista, com o tipo de ambiente que Clara adorava exibir em suas redes sociais. Jantamos, conversamos sobre trivialidades. Ricardo era um ator talentoso. Ele me olhava com uma adoração fingida, segurava minha mão sobre a mesa, me fazia rir.

Eu postei uma única foto nossa. Uma foto discreta, apenas nossas mãos entrelaçadas na mesa, com a legenda: "Noites simples" .

Não demorou nem dez minutos. Meu celular vibrou. Era uma mensagem de Clara.

"Onde você está? Esse lugar parece incrível!"

E logo depois, outra.

"É o restaurante do Ricardo? O chef? Como você o conheceu?"

A isca tinha sido mordida.

O jantar de domingo na casa da minha mãe era um ritual de tortura semanal. Era o palco principal para a competição silenciosa entre minha mãe e minha tia, a mãe de Clara. E o placar era sempre desfavorável para o nosso lado da família.

Naquela semana, a tensão era ainda maior. A foto com Ricardo tinha circulado entre os parentes.

"Sofia, querida, sua tia me contou que você está saindo com aquele chef famoso" , disse minha mãe, assim que eu entrei. A voz dela tinha um tom de aprovação que eu raramente ouvia. "Por que você não me contou nada?"

"Não era nada sério, mãe" , eu menti.

Clara e sua mãe chegaram logo depois. Clara usava um vestido de grife que provavelmente custava mais do que o meu faturamento de um mês na confeitaria. Ela me deu um abraço apertado e falso.

"Prima! Fiquei tão feliz por você!" , ela sussurrou no meu ouvido, mas seus olhos diziam outra coisa. "Ricardo é um sonho. Você tem tanta sorte."

Durante o almoço, Clara não parava de falar sobre Ricardo, como se ela o conhecesse. Ela mencionou prêmios que ele ganhou, artigos que saíram sobre ele. Ela tinha feito a lição de casa. Minha mãe e minha tia ouviam, fascinadas.

"Você precisa trazê-lo aqui um dia, Sofia" , disse minha tia. "Adoraríamos conhecê-lo."

"Sim, Sofia" , concordou minha mãe, ansiosa. "Não seja egoísta."

Eu olhei para Clara. Ela estava sorrindo, vitoriosa, como se já tivesse ganhado. Ela achava que eu era a mesma Sofia de sempre, a garota insegura que ela podia manipular. Ela não tinha ideia de que o jogo tinha mudado.

Naquela noite, eu me encontrei com Ricardo novamente. Desta vez, no meu apartamento, um lugar simples acima da confeitaria.

"Sua família é exatamente como você descreveu" , ele disse, olhando ao redor.

"Eles são parte do motivo de tudo isso" , eu respondi.

Eu entreguei a ele um envelope com a primeira parte do pagamento. Ele contou o dinheiro rapidamente.

"A próxima fase do plano começa agora" , eu disse. "Clara vai começar a se aproximar. Ela vai te mandar mensagens, vai aparecer nos lugares que você frequenta. Ela vai tentar te seduzir."

"E o que eu faço?"

"Inicialmente, resista. Seja leal a mim. Mas não a bloqueie. Dê a ela esperança suficiente para continuar tentando. Faça-a sentir que está te conquistando aos poucos. Ela precisa acreditar que está no controle."

Ricardo sorriu. "Isso eu sei fazer muito bem. Mas me diga, por que tanto trabalho? Por que não apenas se afastar dela?"

Eu olhei pela janela, para a rua silenciosa abaixo.

"Porque se afastar não é o suficiente. Eu não quero apenas escapar dela, Ricardo. Eu quero que ela pague por tudo o que me fez. Quero que o mundo veja quem ela é de verdade, por trás dos filtros e das legendas inspiradoras. E para isso, eu preciso que ela caia do pedestal mais alto possível. E você, meu caro chef, será quem a levará até lá."

Ele me estudou por um momento, seus olhos de predador analisando sua presa. Mas pela primeira vez, eu não me senti como uma presa. Eu era a caçadora. E a caçada estava apenas começando.

Capítulo 2

Como previsto, Clara começou a agir. No dia seguinte ao jantar de família, Ricardo me encaminhou uma captura de tela. Era uma mensagem direta dela no Instagram.

"Ricardo, foi um prazer 'quase' te conhecer através da Sofia. Admiro muito seu trabalho. Se um dia precisar de uma força na divulgação, me avise. Tenho alguns contatos ;)"

Ricardo respondeu com um simples "Obrigado, Clara. A Sofia é uma mulher incrível, tenho sorte."

Foi a resposta perfeita. Educada, leal a mim, mas não totalmente fechada. Deixava a porta entreaberta.

Ele me mostrou a troca de mensagens quando nos encontramos para um café. "Ela é persistente" , ele comentou, com um ar de diversão.

"Você ainda não viu nada" , eu disse.

E eu estava certa. Dois dias depois, Clara apareceu no restaurante de Ricardo. Sozinha. Ela se sentou no bar, pediu o coquetel mais caro e ficou lá, mexendo no celular, mas seus olhos estavam sempre atentos, procurando por ele. Ricardo, seguindo minhas instruções, a cumprimentou brevemente e depois a ignorou pelo resto da noite, focando sua atenção nos outros clientes e na cozinha.

Eu sabia de tudo porque uma das minhas funcionárias, a Laura, estava jantando lá com o namorado. Ela me mandou mensagens durante toda a noite.

"Sua prima está aqui. Ela parece um falcão esperando para atacar."

"Ricardo nem olhou para ela. Ela parece estar ficando irritada."

No final da noite, Laura me ligou. "Ela foi embora furiosa. Acho que o plano dele de ignorá-la funcionou."

Mas eu sabia que aquilo não a deteria. Pelo contrário, a resistência de Ricardo só a tornaria mais determinada. Para Clara, tudo era uma conquista, um troféu a ser exibido. Um homem que a ignorava era o desafio supremo.

A verdadeira escalada aconteceu no final de semana. Eu estava no meu apartamento, revisando as contas da confeitaria, quando a campainha tocou. Era Ricardo. Ele parecia tenso.

"Temos um problema" , ele disse, entrando sem ser convidado. "Ela apareceu no meu apartamento."

Meu estômago gelou. O apartamento dele era seu espaço privado, seu santuário.

"Como ela conseguiu seu endereço?"

"Eu não sei. Ela simplesmente apareceu na portaria, dizendo que era uma entrega para mim. O porteiro, um idiota, a deixou subir."

Ele andava de um lado para o outro na minha pequena sala.

"Ela trouxe uma garrafa de vinho caríssimo. Disse que queria se desculpar por qualquer mal-entendido. Que ela só queria ser nossa amiga."

"E você?" , perguntei, minha voz mais firme do que eu me sentia.

"Eu disse que não era um bom momento. Que você e eu tínhamos planos. Tentei ser firme, Sofia, mas ela... ela não aceita 'não' como resposta. Ela insistiu, disse que só ficaria cinco minutos."

Eu fechei os olhos. Eu podia imaginar a cena. Clara, com seu sorriso encantador e sua falsa vulnerabilidade, se fazendo de vítima, fazendo Ricardo se sentir culpado por ser rude.

"Ela entrou?" , perguntei, já sabendo a resposta.

Ele parou de andar e me olhou. Havia uma ponta de culpa em seus olhos.

"Por dois minutos. Eu a deixei na porta, disse que realmente precisava sair. Ela me entregou o vinho e me deu o número de telefone dela. 'Caso você mude de ideia sobre a amizade' , ela disse."

Eu me sentei no sofá. Isso era uma escalada significativa. Ela não estava mais apenas testando as águas. Ela estava invadindo. Quebrando barreiras físicas.

Ricardo se sentou ao meu lado. "Sofia, talvez isso seja mais complicado do que pensávamos. Ela é... implacável."

Eu olhei para ele. Para o golpista charmoso que estava acostumado a manipular os outros. E pela primeira vez, eu o vi desconfortável, um pouco fora de seu elemento. Clara era um tipo diferente de predadora, uma com a qual ele não estava acostumado a lidar.

"Eu sei" , eu disse, calmamente. "É por isso que a escolhi."

Mas por dentro, uma parte de mim sentia uma pontada de desapontamento. Ele tinha cedido. Mesmo que por dois minutos, ele a deixou entrar. A primeira fissura na armadura havia aparecido.

Eu senti uma onda de emoções conflitantes. Parte de mim estava satisfeita, porque a fraqueza dele era essencial para o plano. Ele precisava ceder a ela, pouco a pouco, até que estivesse completamente enredado na teia dela. Mas outra parte de mim, uma parte que eu odiava admitir que existia, sentia-se traída. Era uma traição encenada, um relacionamento falso, mas a sensação era real.

Era o eco de todas as outras vezes que Clara tinha invadido minha vida e tomado o que era meu. A sensação de ser impotente, de ver alguém que deveria estar ao meu lado ceder ao encanto venenoso dela.

Eu me recompus rapidamente. Não havia espaço para sentimentos. Havia apenas o plano.

"Está tudo bem, Ricardo" , eu disse, minha voz soando controlada. "Isso era esperado. Agora, a próxima vez que ela te pressionar, você cede um pouco mais. Aceite um café. Diga que é para esclarecer as coisas, para não haver clima ruim entre nós três. Mas faça isso parecer como se fosse ideia sua."

Ele me olhou, surpreso com minha calma.

"Você é fria, Sofia."

"O mundo me fez assim" , respondi, pegando meu casaco. "Agora vamos. Temos um encontro para manter as aparências, lembra?"

Enquanto saíamos para a noite, eu sabia que a armadilha estava se fechando. Não apenas para Clara, mas para Ricardo também. E no centro de tudo, eu observava, calculava e esperava o momento certo para puxar os fios. O desapontamento que eu senti era apenas combustível. Era um lembrete do porquê eu estava fazendo tudo aquilo.

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