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A coroa de gelo

A coroa de gelo

Autor:: Michele Faria
Gênero: Fantasia
Thornicy é uma ilha afastada do continente de Axiria assombrada pelo inverno eterno. Outrora fora extremamente pobre e desinteressante, em que até mesmo a nobreza enfrentava grandes dificuldades. Agora que a ilha está sobre nova regência cresce a cada dia despertando interesse e cobiça de outros reinos. A nova rainha terá que se proteger contra a ganância de outros reinos e até mesmo de seus próprios súditos.

Capítulo 1 I. O convite

​O sol pairava no centro do céu, iluminando o ar com a promessa de derreter a fria neve que cercava Thornicy, uma promessa que se mostrara impossível ao longo dos milênios que o inverno eterno cai e assombra a enorme a ilha. Já se passara metade do dia, a ilha inteira parecia se calar sobre o tinir de aço contra aço. ​Os negros cabelos de Nessy dançavam enquanto ela rodopiava com sua espada, jogou toda sua força em um golpe que atingiu abdômen de Colin com força.

- Você está morto - Nessy disse adorando tirar o sorriso sarcástico da face de Colin.

- Não pode me matar com uma espada de treino, Nessy - Colin afirmou fazendo um esforço para substituir a expressão de dor por um sorriso.

- Não ouço objeções de uma pessoa morta. Rhanessy ficou surpresa após Colin desferir uma série de golpes com a lâmina contra ela, mas ainda assim conseguiu se defender de todos de forma não tão graciosa quanto gostaria, em seguida o-atacou ficando irritada quando ele defendeu. Os dois dançaram ao som da música das espadas sob o chão de pedra cinza com o céu aberto do pátio de treino principal, até que Colin deu um golpe violento com a lâmina sobre o chão que Nessy pisava que desequilibrou fazendo suas costas encontrarem rudemente o chão. Nessy olhou para o céu e viu que caia finos flocos de neve que se derretiam molhando seu rosto e se misturando com o suor. Substituiu essa visão por Colin que estava bem a sua frente, apontou a espada e passou-a delicadamente do seu peito ao final de sua barriga fazendo cócegas.

​- Você está morta. - Disse com aquele sorriso sarcástico no seu rosto, que Nessy amava, mas amava mais fingir que odiava. ​

- Você não lutou de forma honrosa. - Nessy disse de forma irritada. ​

- Eu não luto como um cavaleiro. - Colin fez uma pausa e sorriu - E não ouço objeções de uma garota morta. ​Nessy apertou com força a espada que estava em sua mão, sentindo a neve que caíra sobre o cabo, estava prestes a levantar para bater a lâmina sem corte bem forte na cabeça de Colin quando ouviu sons altos de alguém descendo desajeitadamente as escadarias de mármore e gritar: ​"Majestade, Majestade" ​Colin estendeu a mão para ajudar Nessy a se levantar e toda sua ira desaparecera quando sua mão tocou na dele, que fez força para ajudá-la a se erguer. A respiração de Nessy falhou quando percebeu que ele havia entrelaçado seu braço em volta de sua cintura, estava tão próximo dela que Nessy podia ouvir seu coração acelerado da emoção da luta e o suor escorrendo por sua face, o brilho de seus olhos verdes quando ele dava aquele sorriso estupido. "Fria como o gelo" Nessy se recordou do lema de sua casa, e se afastou gentilmente de Colin para ver seu primo Pieter Harris quase tropeçando em seus próprios pés enquanto descia a escada. Ao olhar de relance para Nessy, Colin percebeu que ela não estava mais lá, ou melhor ainda, ao seu lado estava a mesma garota de pele pálida, olhos azuis tão claros quanto um lago congelado, longos cabelos negros ondulados, lábios e bochechas rosadas, possuía o mesmo nariz fino, esnobe e levemente pontiagudo, vestida com uma placa de peito de metal entalhado pequenos flocos de neve na borda, um elmo que acabara de ficar um pouco amassado quando se estatelou no chão, e ainda usavas os mesmas sais rodadas e curta azuis escura, botas curtas de couro sujas de terra e poeira branca das pedras sobre as quais estavam lutando. A mesma aparência bela e arrogante de sempre, mas algo havia mudado, no seu jeito de piscar seus volumosos cílios, na sua postura as emoções e o calor do seu rosto sumiram. Não era mais Nessy ao lado de Colin, ao seu lado tinha a enorme honra de contemplar: Rhanessy Miraclyn, Rainha de Thornicy e do mar Estige, Ceifadora da última Manticora e Protetora da Campina. Pieter Harris era um garoto de quinze anos ou talvez mais, com uma capacidade mental de um garoto de onze ou talvez menos, possuía cabelos castanhos claros e ondulados, como uma donzela – na opinião de Colin – olhos azuis claros semelhantes aos da rainha que herdara de sua mãe, Olivia Miraclyn irmã mais nova de Cynthia Miraclyn mãe de Rhanessy e rainha antes dela. Apesar de ser da família real Pieter não emanava realeza, era tímido esguio e parecia sempre com medo de falar, principalmente com a prima Rhanessy. Possuía um rosto e uma físico particularmente normal, apesar de ser muito magro, não chegava a ser muito atraente, mas rapidamente se tornava muito bonito aos olhos de qualquer donzela que fosse lembrada de que Pieter Harris era primo da rainha.

- Ma-majestade - O tímido garoto fez uma desajeitada reverencia - Lorde Colin - Para Colin foi dado uma curta saudação com a cabeça, e esperou que Rhanessy dissesse algo, quando viu que ela o olhava sem dizer nada seu rosto assumiu um tom que o faria ser confundido facilmente com um tomate - Minha rainha, os grandes conselheiros a esperam para uma reunião na sala do conselho. ​

- Estarei lá em uma hora - Rhanessy falava de forma calma e em um tom baixo, mas sempre era ouvida com clareza.

​- M-majestade eles já estão todos lá - Pieter parecia ter medo de que a prima ordenasse que contassem a cabeça dele se fosse muito impertinente - Com exceção de lorde conselheiro real, que foi informado e já está a caminho. ​

- Certo - Rhanessy disfarçava seu tom, mas estava irritada, era a rainha e as reuniões do conselho não deveriam ser feitas sem seu consentimento - Só irei vestir algo mais adequado. ​

- Meu pai... quer dizer... Lorde Harris pediu que fosse assim que a encontrasse estão na sala a mais de uma hora - Pieter viu que teria dito algo errado pois sua prima deixou transparecer que estava com raiva e tentou amenizar - Se puder... Majestade. ​

- Como estão a uma hora me esperando se só fui avisada agora? ​- E-Eu... não a encontrava - Pieter ficou ainda mais assustado, se era possível - Majestade. ​Rhanessy pensou seriamente se poderia colocar a cabeça do primo em uma estaca e contratar um mensageiro melhor, já que qualquer pessoa no palácio saberia que essa hora ela estaria no pátio principal treinando com Colin, a ideia a divertiu até se lembrar que ele tinha o sangue dela, poderia não ser um Miraclyn mais ainda era seu parente e filho de seu contador real, e apesar de não gostar muito de Stevan Harris valorizava seus serviços. ​A rainha dirigiu um olhar para as duas mulheres que estavam sentadas em um gelado banco de metal assistindo a todo o treinamento dos dois, e elas vieram de imediato, se tratavam das irmãs mais novas de Colin: Zara e Zarina. Rhanessy não fazia ideia de qual delas era Zara ou qual era Zarina, na verdade nem Colin sabia diferenciar as gêmeas. As duas tinham cabelos loiros escuros e olhos verdes em um tom bem mais amarelo que de seu irmão mais velho. Usavam vestidos parecidos uma delas um vestido longo roxo com detalhes rosa claro, e a outra um vestido rosa com detalhes roxo. Colin sempre dizia que as gêmeas herdaram a aparência materna, por não se parecerem quase nada com ele. ​Rhanessy deu instrução as suas damas de companhia gêmeas, que foram buscar os itens solicitados, enquanto elas não voltavam Rhanessy entregou seu elmo e espada de treino a Pieter e começou a trançar seu próprio cabelo para disfarçar que o mesmo havia ficado oleoso de suor. ​

- O que acha de substituir sua majestade em seu treino Pieter? - Colin falou em tom sério. ​

- Seria uma honra, Lorde Colin - Pieter ficou nervoso e balançou a cabeça em negativa - Mas não poderia, sou apenas um mensageiro.

​- Mensageiro ou não, aprender a se defender é essencial - Colin sorriu tentando parecer amigável - E não sou um lorde, diferente do senhor. ​Rhanessy havia feito de Colin um lorde no ano passado, uma honraria vazia já que o mesmo não construirá em suas terras e nem escolheu o nome, símbolo e lema de sua família típicos de um lorde, mas ainda era chamado de lorde. Que o incomodava por ser de um nascimento muito pobre, muitos diziam a palavra lorde como uma zombaria. ​Zara e Zarina voltaram com uma toalha branca, com um pouco de água em uma taça de prata e a coroa da rainha. ​

- Se agradar vossa majestade - Pieter disse torcendo para que a prima não permitisse - E- Eu ficaria honrado em treinar com o senhor, Lor... Colin. ​Rhanessy bebeu toda a água da taça, sentiu ela esvaindo todo o calor da luta e assentiu concordando com o treino, tentando não parecer contente com a ideia de seu desajeitado primo treinando com Colin, a lâmina nas sombras. Pegou a toalha limpou todo seu suor do rosto, pescoço e braços. ​

- Tente não machucar meu querido primo - Rhanessy disse demonstrando sua preocupação falsa o melhor que pode enquanto colocava sua coroa, que parecia vários ramos de cristais trançados um no outro, distribuído entre os ramos de cristais havia pequenos flocos de neve de cristais com safiras no centro em toda circunferência da coroa, e bem no centro havia um floco de neve maior que os outros, no centro desse havia uma safira bem polida em forma de raposa das neves, o símbolo da casa Miraclyn. ​Rhanessy dirigiu-se em direção as escadas, as gêmeas foram com ela, mas a rainha as dispensou, e todos se curvaram enquanto sua rainha se retirava. Ela caminhou sozinha por toda a escadaria na entrada havia guardas que a saudaram com uma reverencia seguida por "majestade" e todo criado que ela encontrava em seu caminho fazia o mesmo e ela os saudava com um sorriso e as vezes seu nome, caso ela lembrasse. ​Passou pelos jardins, não era um jardim muito comum, os reinos ao norte tinham um ditado: "O Jardineiro em Thornicy é o ser mais infeliz do mundo", quem dizia isso certamente nunca tinha ido a Thornicy, apesar da neve cair constante, principalmente à noite. A enorme ilha contava com inúmeros aquíferos termais subterrâneos tornando o solo quente e úmido, o próprio Palácio do inverno havia sido construído sobre uma, o que tornava quente se comparasse com os outros locais da ilha. O jardim principal não possuía uma cobertura, o que permitia que a neve caísse livremente sobre o jardim, fazendo apenas algumas flores sobreviverem, como Prímulas, azaleias, cravos e algumas especes de lírio, havia pinheiros cuidadosamente podados como se fossem esculturas e no centro do jardim havia uma fonte de que jorrava água do mar Estige e uma estátua de mármore chamada "morte da besta", foi um presente do lorde da campina pelo seu feito de matar a última Manticora, na escultura Rhanessy apontava uma lança para a Manticora que estava aos seus pés rugindo. "Uma estátua gloriosa, completamente oposta de como aconteceu mesmo" Rhanessy pensou e seguiu seu caminho até a entrada principal do palácio, onde se deparou com a sala do trono. O trono de gelo era simples e imponente inspirando na barreira de espinhos da ilha, era completamente formado por cristais que imitavam grossos espinhos de gelo, bandeiras penduradas com a raposa das neves bordada em um fundo azul claro estavam penduradas por todo o salão. Rhanessy seguiu por seu caminho subindo as escadarias de mármore. O castelo de gelo era completamente branco, trabalhado em mármore e granito azul, as cortinas eram lilás, o chão era de mármore polido até refletir quase como um espelho. Seguiu pela torre do conselho até chegar a uma grande porta de madeira de longe viu dois guardas na porta e lorde Stevan Harris que andava impaciente de um lado para o outro, estava murmurando algo que parecia reclamações quando viu que a rainha vinha a frente se calou imediatamente e fez uma reverencia, que ao contrário de seu filho, Stevan sabia como fazer. Seu tio era um homem de meia idade, por volta de uns quarenta anos, tinha cabelos grisalhos bem penteados para trás, seus olhos eram ríspidos de tons castanhos avermelhados. Usava um gibão vermelho e uma calça preta, e seu manto preto estava preso por duas serpentes de ferro verde – a serpente é o símbolo da casa Harris, que para Rhanessy combinava bem com seu tio. – Em seu peito estava preso o broche do seu cargo de contador real o coelho dourado, simbolizando a fortuna.

- Majestade - Stevan disse levando a mão da rainha a seus lábios, sempre era muito cortes, um bajulador nato - Está adorável como sempre, minha querida sobrinha. Espero que Pieter não tenha tido problemas para te localizar - Stevan abriu a porta para que ela entrasse na sala do conselho.

- Mas teve, Lorde Harris - Rhanessy disse com o sorriso mais amigável que conseguiu enquanto se dirigia a sua cadeira na mesa do conselho, em uma mesa de marfim grande que se situava no centro da clara sala, a direita da mesa havia uma enorme janela de vidro que ia quase do chão ao teto, em sua vista dava para ver parte da cidade e da enorme barreira de espinhos de gelo que davam nome a ilha de Thornicy. Assim que a rainha entrou na sala todos os conselheiros que estavam presentes se levantaram e a saudaram, ela se sentou e todos a acompanharam, mas apenas quatro de seus cinco conselheiros estavam lá, tornando o lugar a sua direita vago.

- Então podemos começar. - Stevan começou, mas rapidamente foi interrompido por Rhanessy.

- Onde está o Conselheiro Real? - O conselheiro real era chefe de todos os conselheiros, o conselheiro governava junto com a rainha e por vezes na história chegara a governar na ausência da Rei ou Rainha, inclusive seu conselheiro que também era seu avô Eason Miraclyn havia sido seu regente quando ela era nova demais para governar, após a morte de sua mãe.

- Eu mesma o chamei, Majestade - Tanásia afirmou, ela usava um vestido simples cinza de mangas longas, seu cabelo vermelho como o fogo estava preso em um coque alto e alguns fios escapavam, sua escolha de batom era sempre um preto assim como suas roupas sempre eram de tons apagados, em seu ombro o broche da coruja de prata indicava que era sua conselheira da sabedoria - Mas ele ainda não chegou.

- Posso ir atrás de Lorde Miraclyn se lhe agradar, Minha Rainha - Sir Arthur era o mais devoto a coroa de todos os conselheiros, ou melhor, a Rhanessy, jurou sua espada a ela e dar a vida pela dela. Sir Arthur era muito alto e forte, possuía cabelos loiros bem cortados uma pele acobreada clara e olhos castanhos, um outrora escravo da rainha Cynthia, liberto e condecorado cavalheiro pela atual. O broche de bronze em forma de escuto indicava que era conselheiro de guerra. Rhanessy estava perto de consentir quando Príncipe Gregory invadiu a sala do conselho, carregando uma serie de pergaminhos, pena e tinta. Deixou cair alguns pergaminhos e pegou de imediato, logo depois, arrastou a cadeira do conselheiro real e sentou-se arrumando seus papeis e caneta sobre a mesa. Todos os outros conselheiros o saudaram com "Alteza".

- O conselheiro real pediu para que viesse em seu lugar e o informasse sobre a reunião - Gregory era mais velho que sua irmã Rhanessy, seu rosto tinha feições delicadas que lembravam um pouco as das Rainha, também tinha os mesmos cabelos negros, mas seus olhos eram de um azul mais escuros que os dela e seu tom de pele era um pouco mais escuro devido a convivência nas terras ao Norte.

- Então começaremos - Rhanessy estava irritada com a presença do irmão, mas não demonstrou, e manteve o tom baixo e calmo "Fria como o gelo" - Qual o assunto tão importante?

- Hoje pela manhã chegou uma ave mensageira, minha rainha - Tanásia tomou a fala, era a responsável por administrar a envio e recebimento de cartas - De Goldencrown, uma carta do rei das terras ao norte. A Rainha franziu as sobrancelhas e Tanásia entregou a carta a ela. Rhanessy passou o dedo sobre o selo de cera dourada quebrado da família Bryant, um sol brilhante nascendo sobre uma coroa. Significava que todos ali sabiam o conteúdo da carta exceto a rainha. Ela abriu o envelope e tirou um pequeno papel grosso e levemente dourado:

"A Rainha Rhanessy, de Thornicy;

Vejo que nesses tempos tão conturbados um grande império pode se erguer tão rápido quanto outro pode cair, por tanto quanto mais alianças conseguirmos mais seguros estamos desse triste desfecho. Sendo assim gostaria muito que pudéssemos por nossas desavenças de lado e reinarmos juntos pelo bem da paz dos reinos, sejam eles ao norte ou a sul. Portanto lhe convido para que venha até Goldencrown para a celebração do vigésimo primeiro aniversario meu primogênito Príncipe Henry Bryant dentro de trinta dias. Terei um enorme prazer de hospedar vossa graça e companhia no castelo real. Tem a minha palavra que estará tão segura sob minha hospitalidade quanto em seu próprio castelo, juro pela minha honra.

Rei Rain Bryant, rei do território de Axiria" Rhanessy pousou a carta sobre a mesa quando acabou de ler, e voltou seu olhar para seus quatro conselheiros e seu irmão.

- Não deve ir, Majestade - Eric Ethan disse de imediato, Eric tinha cabelos cacheados e castanhos claros, olhos pretos, se vestia como um nobre, com um gibão azul escuro e um mando azul claro. A família Ethan sempre foi guarda da cidade antes mesmo do nascimento de todos os conselheiros presentes ali e Eric Ethan não era exceção, seu broche de platina que indicava sua posição no conselheiro era o próprio símbolo de sua família dois espinhos de gelos cruzados, simbolizando a barreira de gelo de Thornicy - Pode ser uma armadilha.

- Seria um desdém enorme recusar, minha rainha - Seu tio rapidamente colocou seu ponto de vista pensando apenas no lucro - Uma aliança com Axiria seria esplendido para o reino, se recusar o rei pode afirmar que vossa majestade não está interessada na paz, e o rei Rain deu sua palavra que estará segura.

- A palavra de um usurpador, Lorde Harris - Tanásia logo deu sua opinião, com seu sotaque das ilhas para lá dos reinos do Norte - Não deve confiar nesse falso rei, sua honra não vale nada.

A cerca de um milênio atrás Axiria possuía vários reinos e vários reis, até que os antepassados de Rei Rain, unificaram as terras, por meio da guerra e de fraudes fizeram os demais reis colocarem suas coroas de lado e proclamarem um único rei. Aos que se uniram a casa Bryant foi lhes concedidos os títulos de protetores, onde podiam governar e tomar conta de suas terras, mas não eram mais reis, apenas lordes protetores. Aos que não se uniram foram conquistados por meio da guerra onde os reis e suas famílias eram destruídos e alguém de confiança era proclamado lorde protetor. Thornicy era uma terra castigada pelo inverno eterno e muito pobre na época, o suficiente para não despertar interesse em ser conquistada. Rhanessy era rainha a seis anos, seis anos que mudaram Thornicy do gelo ao ouro, ela investiu na mineração, descobrindo que a ilha é rica em ouro e pedras preciosas e com ajuda de Tanásia encontraram junto as fontes termais e estufas uma forma de tornar possível a agricultura. A dois anos Axiria foi lembrada da existência de Thornicy, após Rhanessy levar seus exércitos para defender a campina destroçando completamente as forças dos exércitos bárbaros quando o protetor da campina não via mais esperanças, pela ajuda prestada Bruce Walker abandonou a coroa do Rei Rain e se ajoelhou para sua salvadora e nova rainha: Rhanessy.

- Minha rainha, se for de sua vontade ir a Goldencrown - Sir Arthur disse de forma respeitosa - Eu mesmo a acompanho, a manterei segura de qualquer mal com minha vida se necessário.

- Acha que um único cavaleiro pode mantê-la segura contra uma cidade ou melhor contra um país? - Lorde Ethan disse com zombaria - Se acha isso é um tolo ainda maior do que julguei. Rhanessy fez o que sempre fazia nas reuniões do conselho, deixou que todos falassem e escutou atentamente refletindo sobre o ponto de vista de cada um, porem seus conselheiros não entravam em um consenso, e seu avô não estava lá para ter a opinião considerada.

- Não irei tolerar insultos neste conselho. Todos têm considerações validas - Rhanessy sempre falava com um tom baixo de proposito, de forma que para ouvi-la prestavam atenção somente nela - Mas gostaria de ouvir a opinião do conselheiro real, darei minha conclusão sobre o assunto quando for possível. Algo mais? Seus conselheiros não ficaram satisfeitos com a resposta, mas sua função era apenas aconselhar, nada podiam fazer nada contra a vontade da própria rainha. Lorde Ethan colocou em questão algumas melhorias que deveriam ser feitas na capital para o festival das flores daqui a três meses, seu tio Stevan discutiu sobre os custos por um tempo e Rhanessy aprovou as melhorias.

- Majestade - Eric começou o que seria a ultima discussão da reunião - Lorde Mett Hughes me pediu permissão para comparecer em sua próxima audição. É sobre o ataque da sua ursa.​- Eric fez uma pausa, aparentemente desconfortável em falar - Ele pretende exigir a cabeça da fera como forma de justiça.

- Diga que não tem permissão - Rhanessy não se importou em disfarçar a irritação em sua voz. - Mas Majestade - Seu tio tentou acalma-la, mas sabia que quando ela fazia essa voz decidida não adiantava discutir - Lorde Hughes tem uma posição importante, se ele dizer que sua graça o negou justiça o povo pode se compadecer pela causa dele, gerando um problema ainda maior, não seria melhor cortar esse problema quan...

- Não me importo - Rhanessy perdeu completamente seu tom calmo - Layka nunca atacou ninguém em seis anos que vive no palácio, tenho certeza que se ela atacou lorde Hughes teve um motivo.

- É um animal selvagem - Seu tio a olhava e via a criança despreparada para o trono que ele achava que era.

- Eric, diga a Lorde Hughes que se ele exigir justiça quem perdera a cabeça será ele - A rainha tentava manter o tom calmo, mas a seus olhos a entregavam - Essa reunião está encerrada, saiam.

Todos se levantaram, fizeram uma reverencia e saíram às pressas para a porta antes que ela se irritasse mais.

- Você fica, príncipe Gregory - Se referiu a seu irmão quando viu que ele se levantava. Esperou até que o ultimo de seus conselheiros fechasse a porta. - Toma-me por sua irmã mais nova, Gregory?

- Tomo-a por uma rainha, Nessy - Gregory não parecia ser capaz de olhar para o rosto da irmã então dirigia seus olhos azuis para suas anotações no pergaminho. - Olhe pra mim quando eu falar com você - Rhanessy não gostava de ser chamada de Nessy, ainda menos quando estava irritada

- Nunca mais entre em uma reunião do conselho sem minha autorização, você pode ser um príncipe, mas não é um membro do conselho, e menos ainda é capaz de substituir nosso avô.

- Não irá se repetir, Majestade - Gregory a olhou nos olhos se levantou - Com sua licença. Rhanessy olhou o irmão sair pela porta a deixando sozinha na sala que rapidamente ficava escura pela falta da luz solar. A rainha não sabia quanto tempo ficara lá sozinha até olhar para a janela com vista para o jardim onde viu Layka brincando de rolar sobre a neve que caíra na grama. Saiu da sala, passou pelo corredor e havia criados acendendo as velas para iluminar todo o castelo durante a noite. Rhanessy caminhou ate chegar ao jardim principal, sentiu-se melhor com o frio da neve que invadiu o fim da tarde trazendo o frio da noite consigo. Layka veio correndo em sua direção assim que a viu. Layka era um urso-das-neves, mesmo nas quatro patas ainda era maior que Rhanessy, seu pelo era branco e grosso o suficiente para esconder a mão da rainha quando ela acariciou Layka, a ursa posicionou seus olhos dourados sobre ela e lambeu a ponta do nariz de Rhanessy fazendo ela sorrir.

- Rainha Nessy - Ela não o viu mais sabia que era Colin atras dela. - Vai acabar pegando um resfriado se ficar aqui.

- Meu lorde - Nessy provocou, sabia que ele não gostava desse tratamento. Colin olhou a ursa abocanhando flocos de neve no ar com a boca e se frustrando quando eles caiam no chão.

- Quando eu tirei a Layka de cima dele, Zarina estava lá, ela saiu correndo quando olhei para ela - Colin contou fazendo uma pausa, esperando que Nessy falasse, quando viu que não aconteceria perguntou:

- Quer que eu faça uma visita a Mett Hughes? Esse era o trabalho de Colin, era um assassino a serviço da rainha, o melhor de todos, bastava um nome e alguém morria, sem testemunhas, sem pistas e sem suspeitos. Nessy não podia dizer que não estava tentada em dizer que sim, mas sabia que não podia fazer desta forma. "Fria como o gelo" disse para si mesma.

- Fale com sua irmã - Nessy olhou fixamente nos olhos verdes como esmeralda que a penetravam em busca de suas vontades - Terei que dar outro fim a essa história e não pode ser assassinato... Terá que ser justiça.

Capítulo 2 II. Um novo conselheiro

Rhanessy despertou assustada com barulho das cortinas se abrindo, forçou a abertura de seus olhos, mas a claridade oprimia sua visão e quando percebeu a dor na sua cabeça os fechou novamente.

- Majestade - Rhanessy não conseguia distinguir de quem era a voz - Não pretende dormi o dia todo, né?

A rainha abriu os olhos rapidamente para espiar que era Tanásia, ela estava sentada na beirada da sua cama, tocava delicadamente seu corpo em cima da coberta.

Rhanessy suspirou e levantou rendendo-se a suas obrigações reais que provavelmente a estavam esperando e não ligavam se ela tinha dormido bem a noite ou não. Tanásia sorriu para ela, seu olho direito sem visão parecia olhar dentro da alma dela de forma que Rhanessy não conseguia olhar muito para o olho sem cor.

- A senhora disse que iria dar um passeio com lorde Ethan a cerca de meia hora atrás - Tanásia falava de forma calma e lenta para que uma Rhanessy sonolenta entendesse. - Ele está impaciente na sala do trono.

Rhanessy estava com enormes olheiras e seus olhos estavam vermelhos e ela parecia ignorar Tanásia enquanto se levantava e olhava seu reflexo no espelho da penteadeira, pegou a escova e começou a escovar seus cabelos.

- Tomei a liberdade de chamar as gêmeas - Tanásia apontou para Zara e Zarina que estavam ao lado de um lindo vestido rodado verde claro com detalhes bordados em verde escuro. - Elas já prepararam sua roupa para o passeio.

- Não - Rhanessy disse de forma simples e baixa.

- Como? - Tanásia não parecia tão surpresa com a resposta.

- Vou treinar com as Calçadoras

- Majestade, disse que iria olhar as melhorias que precisavam ser feitas com lorde Eric.

- Você vai olhar!

- Majestade, o Conselheiro da cidade é um homem orgulhoso - Tanásia tentava convencer Rhanessy, mas sabia que era uma causa perdida - Foi lhe prometido uma rainha, eu sou uma estrangeira e nem da nobreza sou, ele ficara muito ofendido.

- Zarina - Rhanessy chamou após dar um longo suspiro - Diga a Lorde Ethan que eu sinto muitíssimo por não poder comparecer ao nosso passeio, mas que não quero desperdiçar seu precioso tempo que reservou para isso, portanto enviarei A Conselheira da sabedoria, minha hospede no castelo e preciosa amiga Tanásia em meu lugar.

Zarina saiu para dar o recado da rainha para Eric enquanto Tanásia sorria de forma boba com os adjetivos impostos a ela e Rhanessy sorriu de volta.

- Zara - A rainha ordenava - Ajude a me vestir para o treino. Zara ajudou Rhanessy a vestir a roupa das caçadoras, uma longa túnica vermelha com fendas até o final de cada perna, um cinto de bronze e grossos braceletes de bronze. As caçadoras normalmente usam um em cada pulso, mas Rhanessy só usou no direito para poder ficar com a pulseira da sua mãe. Por fim Zara escovou seus cabelos e prendeu em um alto rabo de cavalo.

- Obrigada, Zara - Rhanessy agradeceu e saiu do quarto. Desceu as escadarias da torre da rainha, passou pelo corredor que não levaria a sala do trono onde Eric estaria.

- Rainha Nessy...

Rhanessy virou-se para a esquerda e viu Colin encostado na parede do corredor dos serviçais. Sentiu sua respiração a traindo quando encontrou seus olhos esmeraldas, ele estava usando um gibão cinza, calças pretas e um manto cinza, seu cabelo castanho avermelhado estava bem penteado e Colin exalava um perfume forte e agradável que dominou os pulmões de Nessy.

- Está muito elegante, lorde Colin - Rhanessy sorriu de volta

- E vossa majestade esta muito gostosa. - Ele disso indo até ela.

Rhanessy ficou em choque com as palavras de Colin e olhou para os lados para certificar que ninguém além dela ouviu. A túnica das Caçadoras era justa e bem fina e se ajustava perfeitamente as curvas do corpo de Nessy. Ela sentiu seu rosto ficar quente e a túnica parecia ter exposto ainda mais seu corpo.

- Ei, não precisa corar que nem uma princesa, Nessy - Colin disse aproximando seu corpo do dela e aprendendo na parede, tocou com o polegar delicadamente o rosto de Nessy. Rhanessy pisou forte no pé de Colin que se afastou dela de imediato com uma expressão de dor.

- Aí, Nessy - Colin parecia surpreso com a agressão mais voltou a sorrir rapidamente.

- É Rhanessy - Ela ainda estava vermelha e não conseguia olhar para o rosto de Colin - E eu sou A Rainha!

- Ei, não precisa ficar nervosinha...

Rhanessy não deu tempo para que Colin terminasse sua frase e saiu de lá de imediato em direção ao pátio de treino onde as caçadoras estavam. Sua cabeça estava tão distraída que só percebeu que estava no pátio quando sentiu a brisa do inverno invadir seu rosto.

As Caçadoras estavam todas no pátio principal e se curvaram assim que viram a rainha. Eram todas mulheres jovens a mais velha delas não deveria ter nem vinte e sete e todas usavam vestimentas iguais às que a rainha usava.

- Rainha Rhanessy - Nix, a líder das caçadoras veio em sua direção.

As Caçadoras eram um grupo de cerca de quinhentas mulheres, a serviço da coroa, pelo menos desde que a coroa pertence a Rhanessy. No geral são mulheres de origem humilde, de nascimento baixo. A própria Nix antes de ser uma Caçadora era uma meretriz, além de irmã mais nova de Sir Arthur. Era uma escrava presa em um prostibulo até que Rhanessy acabou com a escravidão em Thornicy, Nix foi acolhida no castelo e começou a se interessar pelos treinos com arma e até treinava com a rainha, até que criou as caçadoras, no começo eram menos de dez, mas aos poucos mais mulheres com histórias parecidas com a de Nix juraram suas lanças a Rhanessy e até a acompanharam na guerra da Campina Cintralis.

- Está se sentindo bem, minha rainha? - Nix perguntou preocupada, seus cabelos loiros estavam presos em um rabo de cavalo e sua pele acobreada clara ficava destacada na túnica vermelha.

- Sim - Rhanessy pegou a lança de madeira para treino que Nix a entregou - Só não dormi bem, esta noite. - Essa parte não era completamente mentira, mas Rhanessy estava mais abalada pelo cheiro de Colin que estava impregnado em sua roupa.

- Quem sabe eu posso distrai-la - Nix disse com a voz ríspida que tinha e girou a lança de madeira em sua mão.

- Faça seu melhor. - Rhanessy retrucou e esperou o ataque de Nix.

Príncipe Gregory olhava da janela o pátio de treino, de longe todas pareciam formiguinhas lutando com palitos de dente, mas Gregory reconhecia a irmã girando enquanto atacava.

- Príncipe Gregory...

Gregory virou-se para trás e viu lorde Colin, ele tinha um rosto muito sério quando não estava sorrindo, mas só costumava fazer isso para a irmã do príncipe.

- É muito silencioso, Lorde Colin - O príncipe fez uma saudação com a cabeça.

- Uma característica útil em um assassino e não sou lorde, meu príncipe - Colin ficou ao lado de Gregory e olhou Rhanessy lutando com Nix pela vidraça. - O senhor luta?

- O suficiente para me defender de um lutador muito ruim - Gregory soltou uma leve gargalhada - Não conseguiria matar uma Manticora, por exemplo.

- Sua irmã quase morreu para matar uma.

- Preferiria não correr o risco - Gregory olhou para a irmã e imaginou ela sendo tão pequena contra uma besta do tamanho de Layka e não conseguiu evitar de pensar no quanto ela deve ter ficado assustada - Mas soube que você a salvou neste dia.

- Um exagero, minha função é protege-la, mas eu me perdi dela, quando eu consegui vê-la. - Colin fez uma pausa sem tirar o olho de Rhanessy pelo vidro - Vi a fera pulando em cima dela, fui correndo banhado na febre da batalha, me disseram que matei mais de dez bárbaros para chegar até ela.

"Mas só lembro de fazer uma enorme força para tirar a Manticora de cima da rainha, naquele momento achei que eu tinha falhado com meu dever de protege-la, mas ela estava viva e a besta morta, não por mérito meu, então tive certeza que tinha falhado. Mas não tive tempo para pensar nas minhas falhas, ela tinha sido ferroada e morreria envenenada em pouco tempo. Não sei onde roubei o cavalo, mas eu levei a rainha tão rápido até o acampamento que Tanásia estava que quase matei o cavalo. Tanásia fez uma poção para o veneno e Rhanessy ficou desacordada por sete dias e eu não consegui sair de perto dela por um minuto."

- Tanásia sabe fazer antidoto para veneno de Manticora? - Gregory sorriu como o príncipe que era - Talvez eu peça para que me ensine caso minha irmã venha a precisar de novo. Rhanessy foi para o seu aposento e pediu por um banho as gêmeas, elas encheram a banheira com agua quente e a esfregaram a rainha até que ficasse rosa, lavaram seus cabelos. Em seguida ajudaram a rainha a se vestir, primeiro apertaram um espartilho sobre sua cintura e sobre ele um vestido longo e leve de ceda lilás com flocos de neve bordados em linho azul, Rhanessy optou por um simples colar de perolas rosadas e brincos que combinassem. Sentou-se na penteadeira enquanto Zara e Zarina secavam seus cabelos com uma toalha grossa e escovaram até que seus cabelos negros brilhassem, sobre ele as gêmeas colocaram sua coroa.

Ao agradecer Rhanessy notou que uma das gêmeas não parecia muito bem, dirigiu um sorriso caloroso para esta.

- Vai ficar tudo bem, querida - Rhanessy disse tocando gentilmente no ombro de Zara, ou talvez no da Zarina, não sabia ao certo qual gêmea estava tranquilizando.

Os passos de Rhanessy a levaram até a torre dos conselheiros, em especifico na biblioteca, afinal sabia que seu avô não estaria em seu quarto.

A porta da biblioteca era feita de carvalho e entalhada com a raposa dos Miraclyn estava prestes a abrir a porta quando ouviu alguém a saudá-la.

- Minha Rainha - Sir Arthur se ajoelhou para ela - Será que a senhora poderia me conceder alguns minutos do seu tempo?

- É claro, Sir Arthur - Às vezes o excesso de devoção de Sir Arthur a deixava desconfortável, não era esse tipo de rainha, sorriu de forma tímida - Pode se levantar.

Sir Arthur levantou-se como se sua negra armadura não pesasse absolutamente nada estava com sua espada do tamanho de Rhanessy presa em seus ombros e segurava seu elmo negro. Sir Arthur era líder dos Paladinos da Lua, cerca de quatro mil soldados, outrora escravos da falecida rainha Cynthia, era costume da mesma escravizar seus inimigos derrotados os que eram fortes e altos o suficiente ganhava um lugar na sua vanguarda e um escudo e espada do tamanho de Rhanessy, o treinamento era rigoroso e alguns morriam, mas os que eram capazes de sobreviver teriam o prestigio de ser um Paladino da Lua. Mas para a rainha atual não havia prestigio nenhum em ser um escravo, ela libertou todos, deu terras e casas para morarem e a escolha de servirem a rainha por vontade própria metade deles abandonaram seus escudos e espadas, mas os quatro mil que restaram a servia infinitamente melhor a seu ver como homens livres.

- Minha Rainha - O cavalheiro desviou seu olhar para qualquer coisa que não fosse sua rainha, e tirou uma pequena capsula de vidro de dentro de seu elmo - Eu vi isto no mercado hoje e imagineis que vossa graça fosse apreciar.

Ele entregou com as mãos um pouco tremulas a capsula de vidro a Rhanessy, ela observou a cápsula era arredonda no final com a base feita de ouro, e dentro havia uma linda rosa vermelha, Thornicy não tinha rosas era frio demais para elas.

- Não deveria gastar seu dinheiro comigo - Rhanessy disse de forma ríspida e fria, mas uma parte dela apreciava o gesto do cavalheiro de olhar para algo e pensar nela.

- Pouco um antigo escravo sabe o que fazer com o dinheiro, Majestade - Sir Arthur confessou meio envergonhado.

- Deve-se gasta-lo com coisas que você queira.

- Como fazer minha rainha sorrir. - O cavaleiro a olhava com brilho nos olhos - O mercador disse que a rosa sobrevive por dois anos dentro dessa capsula especial.

Rhanessy corou de imediato, não esperava por essa resposta que a deixou tão desprovida de palavras. Até que ouviu uma voz que a tirou do transe.

- Caso não esteja muito ocupada com seu soldadinho de chumbo - A voz de Colin parecia irritada e fria - Gostaria de trocar algumas palavras com vossa Majestade.

Colin não a tratava pelo apelido caso não estivesse sozinho com ela, de forma que parecia apenas mais um de seus servos, não tão devoto como deveria ser.

- Claro, Lorde Colin - Rhanessy disse, andou três passos até Sir Arthur e deu um leve beijo em sua face - Agradeço pelo presente, guardarei com carinho, pode se retirar.

Assim que Sir Arthur se afastou, Colin puxou bruscamente Rhanessy pelo pulso até um corredor onde estavam longe dos olhos e ouvidos dos criados ou de qualquer pessoa.

- Não sabia que era seu costume beijar seus guardas - Colin não sorria o que para Rhanessy era uma visão estranha.

- Não foi um beijo. - Rhanessy não entendia porque seu amigo de infância estava tão irritado - Foi apenas um agradecimento pelo presente. - Um presente estupido, você tem um jardim com um milhão de vezes mais flores que esse presente.

- Rosas não crescem e Thornicy.

- Então são ainda mais estupidas que o presente de seu soldadinho - Colin olhou os frios olhos quase brancos de Rhanessy, voltou seus olhos para os lábios rosados da rainha e desvio as esmeraldas em seu olhar para qualquer outra coisa - Tanto faz, só vim lhe avisar que falei com Zarina.

- E o que ela disse? - Rhanessy rapidamente então entendeu porque a criada estava tão desconfortável mais cedo.

- Ela disse que Mett Hughes tentou força-la

- Força-la? - Rhanessy estava surpresa. - Por que ela não disse nada?

- Ela está muito assustada, não contou nem para Zara. - Colin parecia mais calmo agora e também mais distante - Está com medo por ele ser nobre e ela apenas uma criada.

- Diga para Eric Ethan que mudei de ideia sobre Lorde Hughes. Diga que pode vir a audição que darei a ele a justiça que me pediu.

Colin confirmou com a cabeça e se foi. Rhanessy ficou olhando-o andar, sem brincadeiras, sem sorrisos, sem cortejos e sem provocações "apenas um servo cumprindo seu dever para com sua rainha", esse pensamento fez seu coração doer, mas permitiu-se voltar ao que havia ido fazer na biblioteca.

Abriu a porta e adentrou na sala empoeirada, a biblioteca tinha um cheiro forte de papel e dificilmente seria o local mais limpo no palácio de inverno, nem o mais bem iluminado já que as cortinas viviam fechadas, tinha dois andares e diversas estantes com diversos livros e algumas com pergaminhos, possuía uma mesa de carvalho no centro entalhada em si um mapa de todo o continente, incluindo as ilhas das sombras muito além do Norte, ilhas das quais Tanásia viera.

Eason Miraclyn estava sentado em frente a mesa de carvalho lendo um livro enquanto Príncipe Gregory lia um livro em frente a uma estante. Passavam a maior parte do tempo juntos na biblioteca, tanto que em baixo da escada havia uma cama para Eason não precisar andar tantas escadas até seu quarto.

- Gregory - Só quando ela chamou, foi que o príncipe notara sua presença ali - Saia.

- Sim, majestade - Gregory saiu da biblioteca não sem antes dirigir um olhar de preocupação para o avô. Rhanessy voltou seu olhar para o velho na mesa, sua pele era branca e enrugada, sua pálpebra móvel caia sobre seus olhos azuis os poucos fios de cabelo que lhe restavam eram completamente brancos. Usava uma simples túnica marrom com o broche da raposa de ouro branco em seu peito, simbolizando seu cargo de conselheiro real. Rhanessy e Gregory chamavam Eason de avô, mas ele já era avô de Cynthia, e conselheiro da rainha antes da Mãe de Rhanessy. Mas o velho não parecia ser notado Rhanessy, sua visão e audição já não eram muito boas. A rainha caminhou até o conselheiro real e colocou a mão sobre seus flácidos ombros.

- Vovô - Rhanessy chamou delicadamente.

- Pequena Nessy! - O velho deu um enorme sorriso banguela.

Rhanessy não ousou corrigi-lo, o velho também não tinha uma memória confiável nem sempre parecia são, e por diversas vezes achara que a Rhanessy e Gregory eram crianças ou que Rhanessy fosse Cynthia ou que fosse sua filha. - Eu escrevi uma história para você, Princesa - o ancião procurava entre pergaminhos na mesa, quando encontrou sentou-se com dificuldade em um sofá pequeno perto da mesa. - Creio que irá gostar dessa.

Rhanessy sentou do lado do avô, tirou sua coroa e colocou-a sobre a mesa. Ouviu seu avô contar a história de uma raposinha sapeca que teve que crescer muito rápido, por fim ela conquistou o que queria e seus amigos e ela viveram felizes para sempre. A rainha prestou atenção em toda a história com a cabeça no ombro de Eason, quando ele acabou ficaram em silêncio por um tempo.

- Você teve que crescer muito rápido, pequena Nessy - O avô possuía olhos distante - A vida nem sempre é justa.

- Porque não foi a reunião do conselho? Precisei do senhor. - Nessy sentiu-se uma criança de novo, ou apenas uma jovem de dezessete anos, que era exatamente o que ela era.

- Você sempre deixa o que os outros empreste sabedoria quando não a tem. - Eason fez uma pausa - Ser sábio é admitir que o outro as vezes tem um caminho melhor. Mas as vezes segue seu coração quando está decidida mesmo que todos estejam contra - Seu avô tirou uma mecha do cabelo de Nessy que caia sobre seu rosto - O que seu coração quer fazer, Rainha Rhanessy?

- Acho que se não aceitar ir a Goldencrown rei Rain pode dizer que tive medo - Rhanessy ainda não tinha ouvido seu coração, e nem pensado por si mesma sobre o convite do Rei ao norte, até agora - Se achar que tenho medo, vai achar que não tenho poder, se achar que não tenho poder sentira seguro para atacar.

- Acha que Rain Bryant atacaria Thornicy?

- Não seria tolo, teria que ter navios para levar suas forças pelo mar Estige, e sabe que não conseguiria passar pela barreira de gelo e mesmo que passasse, seus soldados do verão não se dariam tão bem com o nosso clima. - Nessy fez uma pausa quando o Ancião segurou sua mão - Mas a campina de Cintralis está perto o suficiente, faz parte dos meus domínios e o clima não seria um problema.

- Permita-se seguir seus instintos, esse é meu último conselho real. - Sua neta o olhou confusa e ele soltou em sua mão o broche de raposa de seu cargo - É uma rainha excelente, Rhanessy Miraclyn, merece um conselheiro a altura.

- Não - Nessy disse de forma rápida e seca. - Não, me fez um juramento, até o final de sua vida.

- Que não deve demorar muito...

- Não. - Nessy sentiu-se uma criança tentando segurar as lagrimas insistentes, não queria admitir que seu avô estava velho, mas a verdade deixa um gosto amargo em sua boca. - Não é justo.

- A vida não tem sido muito justa com você, Pequena Nessy, mas a rainha deve ser justa. - O Avô sempre parecia sábio, mesmo que as vezes não tão lucido - E não é justo com você, não consigo mais subir escadas como antes, tão pouco cumprir as obrigações de um conselheiro real e você sempre terá os conselhos desde velho enquanto me restar vida, mas deve escolher outra pessoa para o cargo... precisa.

Rhanessy o abraçou, sabia que ele tinha razão, sabia disso a muito tempo, mas não ousará admitir. Nessy abraçou seu avô, ele tinha cheiro de conhecimento, algo misturado com idade, livros e um pouco de mel, ficou em seus braços por um bom tempo. Não era mais rainha era apenas uma garotinha abraçando seu avô. Obrigou-se a sair do abraço caloroso de seu avô pegou a coroa que a esperava sobre a mesa e a colocou de volta em sua cabeça, sentindo-se novamente uma rainha e toda a responsabilidade que vinha com a coroa de gelo.

- Obrigada pelos serviços prestados a coroa, Eason Miraclyn. - A rainha fez uma reverencia em sinal de respeito, afinal, Eason já era conselheiro antes mesmo de sua mãe ser rainha - Seu serviço foi uma honra, para mim e para todos os reis e rainhas antes de mim. Rhanessy saiu em direção até a porta quando estava quase fechando ouviu seu avô a chamando.

- Mas uma coisa, Majestade - Eason sorriu para a neta - Acho que seria muito útil em um conselheiro real a capacidade de prever o futuro, não acha?

Capítulo 3 III. A Audição

Os finos flocos de neve caiam sobre o jardim principal, poderia facilmente ouvir eles se derretendo antes de tocar ao chão, uma luz de sol fraco deva um brilho místico aos jardins do palácio do inverno, fazendo com que as finas camadas de neve refletissem, as pequenas gotículas de orvalho congeladas refletiam formando pequenos arco-íris ao serem tocadas pela luz solar.

Tanásia não havia nascido em Thornicy e embora achasse que nunca iria se acostumar ao frio não poderia negar o quanto a ilha era bonita, tinha um certo ar místico como se fosse condenada a ser sempre bela e fria. Tanásia olhava para os detalhes da estátua "morte da besta" havia musgo crescendo no topo da estátua e algumas partes estavam com neve que caíra a noite, mas a água fria do Mar Estige corria livre sem um único sinal de congelamento, dizem que água do Estige é mais fria que o próprio gelo, mas que nunca pode ser congelada, também dizem que este mar é responsável pelo inverno eterno em Thornicy, porém Tanásia não achava que seria por isto.

- Pareço bem grandiosa na estátua, não é mesmo?

Rhanessy descia as escadas de mármore vindo em direção a Tanásia, Layka estava ao lado da rainha que estava vestida para a audição que seria em algumas horas. Rhanessy tomara o cuidado de parecer uma rainha, usava um vestido longo e rodado azul escuro, alguns detalhes bordados em azul claro e dourado, usava luvas de cetim douradas, seus cabelos negros como o breu estava solto com algumas tranças envoltas em fio de ouro, usava joias caras e chamativas de safira e sua coroa de cristal reluzia a fraca luz solar do jardim.

- Sempre quis te perguntar como matou a fera, minha rainha - Tanásia disse quando a rainha estava ao seu lado, tão próxima que podia sentir seu perfume adocicado enquanto a ursa-das-neves saiu correndo para brincar com a pouca neve que tinha na grama. - Acho que nunca ouvi a história de você.

- Não a conto porque a verdade tende a ser decepcionante - Rhanessy olhou para a estátua com um certo desdém - Todos esperam uma luta épica e heroica, mas na verdade eu não me lembro com tantos detalhes, lembro de uma dor lancinante na perna e de perder os sentidos, cai no chão como uma corça indefesa e vi a Manticora saltando em minha direção, ergui a espada com o pouco de força que me restou, a fera estupida fez o resto caindo sobre a espada e eu fiquei desacordada, achei que tivesse morrido, mas quando eu acordei estava viva e me chamavam de Ceifadora da última Manticora, acho que enfeitaram de mais a história.

- Às vezes as pessoas vêm o que querem ver, majestade.

- Na maior parte do tempo. - Rhanessy voltou a olhar para sua amiga, seus cabelos cor de fogo estavam livres e os cachos altos e volumosos faziam o rosto de Tanásia parecer mais jovem, usava um vestido simples rosa pastel e um batom preto, seu olho cego a fitava a rainha a fazendo ficar desconfortável.

- Quero que seja minha nova conselheira real - Rhanessy falou de forma curta e fria olhando para Layka rolando sobre o gramado.

- Seria uma honra majestade - Tanásia se ajoelhou de imediato.

- Levante-se - A rainha dizia de forma indiferente - Não é honra nenhuma é trabalho. - É claro, majestade. - Tanásia havia ficado um pouco envergonhada.

- Estou te pedindo para governar ao meu lado - Não parecia haver uma gota de sentimento na voz de Rhanessy - Um trabalho chato, cansativo e pode ter certeza que não é gratificante, você aceita?

- Sim, minha rainha - Tanásia abaixou a cabeça em sinal de respeito - Juro que irei...

- Guarde seus juramentos para o dia da celebração - Rhanessy a interrompeu - Estarei ocupada com os preparativos da viagem a Goldencrown, significa que organizara tudo sozinha, deve ser antes da viagem então o prazo é curto, envie convites para todos os malditos nobres, mas os portões do castelo devem ficar aberto para todos e organize da forma que quiser.

- Certo, Majestade.

- Mais uma coisa. - Rhanessy olhou bem para sua nova conselheira real - Estamos sozinhas, não precisa me chamar toda hora de majestade. - Talvez prefira Nessy - Tanásia disse com um sorriso amigável.

- Só se quiser ir a seu baile sem cabeça. - Rhanessy deu uma leve gargalhada, mas seu coração apertou um pouco, não via Colin a uns dias, desde aquele dia que Sir Arthur lhe deu a rosa. - Layka, aqui.

A ursa parecia relutante em sair do jardim, mas quando viu com seus grandes olhos dourados Rhanessy se afastar correu para acompanhar sua humana. Tanásia acompanhou as duas adentrarem no palácio, com seu olho cego conseguia ver a ligação de afeto que unia a rainha e sua ursa e estremeceu ao lembrar-se do lorde que viria para as audições para exigir a cabeça de Layka.

Rhanessy sentiu todos os olhares em si enquanto descia cuidadosamente a escadas que levariam a sala do trono, Layka caminhava ao seu lado silenciosa como sempre abrindo caminho entre todos ali presentes que faziam reverencia para a rainha quando ela passava por eles, havia pequenos degraus até o seu trono e ela esperou que Lorde Harris a anunciasse.

- Estão perante Rhanessy herdeira da família Miraclyn, rainha de Thornicy e do mar Estige, protetora da Campina Cintralis e Ceifadora da última Manticora.

- Seu tio fez uma pausa e continuo após Rhanessy sentar em seu trono de espinhos de cristais, Layka deitou no chão próximo ao trono. - Estão todos aqui livres pera pedirem o que quiserem sua majestade, ela os ouvira e avaliara, lembrando que estão sobre juramento de dizer a verdade é um grande crime mentir para sua rainha.

Stevan Harris chamou o que seria o primeiro caso: Lorde Davies era dono de uma mina importante e senhor do Vale da lua, começou a bajular Rhanessy, mas ela não deu importância, seus olhos estavam em outra pessoa.

- Onde você estava? - Rhanessy sussurrou delicadamente de forma que só Colin que estava ao seu lado direito ouviu.

- Onde sempre estive, Majestade - Colin não olhou para a rainha quando falou.

- Faz três dias que não te vejo! - Rhanessy acenou com a cabeça para parecer que prestava atenção na acusação de Davies contra seus vassalos.

- No entanto não faz tanto tempo assim que eu te vi, minha rainha. - Colin sorriu e Rhanessy teve que apertar bem forte os cristais de seu trono para manter-se imparcial - Mas se soubesse que vossa majestade sofria tanto com minha ausência jamais a teria torturado desta forma tão cruel.

Rhanessy sorriu involuntariamente e fechou o rosto de imediato quando viu que Lorde Davies a olhava estranho, voltou a prestar atenção em seu dever.

- Longe de mim duvidar de sua palavra Lorde Davies - Rhanessy tentava não parecer sarcástica, mas não havia se afeiçoado pelo senhor do Vale da Lua - Mas não espera que condene seus vassalos só porque o senhor diz que são culpados né?

Lorde Davies a olhou como se a rainha o tivesse insultado, talvez a rainha antes de Rhanessy teria condenado vassalos camponeses apenas por um lorde dizer que são culpados, mas a rainha atual precisava de um pouco mais que isso.

- Tenho certeza que alguns dos vizinhos próximos devem ter visto algo, interrogue-os e terá sua prova, majestade - Lorde Davies disse de forma confiante.

"Terei testemunhas manipuladas, você quer dizer" Rhanessy teve vontade de falar, mas achou que talvez não seria próprio de uma rainha.

- Majestade, poderia dar meu depoimento em minha defesa? - Uma mulher deu um passo à frente, parecia ter uns cinquenta anos e usava roupas maltrapilhas, sua pele parecia ressecada e a mulher parecia cansada - Meu nome é Marisa, peço desculpas pela ausência do meu filho mais velho responsável pela fazenda, mas sua noiva esta gravida e não deve demorar muito a ter o bebê, e meu filho mais novo esta doente com uma febre terrível, de forma que eu vim defender minha família da acusação de Lorde Davies.

- Como você declara sua família, Marisa? - Rhanessy perguntou, tentando não demonstrar a pena que sentira da mulher.

- Inocente, Majestade - Marisa olhou para Lorde Davies e depois para o chão de mármore desprovida de coragem - Minha família tem tido um lucro a mais nos últimos meses, mas não é grassas ao roubo, isto eu lhe juro. Meu filho mais velho está dirigindo muito bem a fazenda, neste caderno tenho anotado todas as nossas financias, trouxe para vossa majestade ver que somos inocentes!

Marisa estendeu a mão que segurava o caderno de couro curtido e Rhanessy fez um sinal para ela se aproximar, quando a rainha pegou o caderno da mão da mulher viu que ela tremia e suava muito.

- Pedirei ao meu próprio contador real para avaliar suas finanças, Marisa - Rhanessy entregou o livro ao tio - Também mandarei alguém falar com os moradores das proximidades e um medico para avaliar a doença de seu filho mais novo. Tomarei um veredito sobre o caso quando for possível.

- Muito obrigada, Majestade - Marisa se ajoelhou e tinha lágrimas nos olhos, provavelmente pelo seu filho mais novo doente. Seu tio trouxe o próximo caso: Uma mulher vinda do Norte com um recém nascido no colo, era muito pobre e veio em busca de uma vida melhor em Thornicy, Rhanessy pediu a Madame Alene, governanta do palácio, para arrumar um emprego e um quarto para a moça no palácio. Rhanessy sempre perdia a conta dos casos que resolvia ou prometia resolver, de modo que sempre ficava impaciente para terminar logo, mas ouvia sempre com atenção e tentava aplicar seu senso de justiça sempre, mesmo com Colin tentando distrai-la. Estava exausta quando seu ultimo caso foi anunciado. Mett Hughes lorde do Vale da Aurora, buscando justiça pelo ataque da fera selvagem Layka. A ursa rosnou quando viu o homem e a rainha fez carinho atras das orelhas para acalma-la, Rhanessy pediu para que ele contasse como tudo aconteceu.

- Eu estava em um corredor próximo ao salão principal, Majestade - Mett estava ajoelhado e parecia uma ave ferida com o braço todo engessado - Quando o urso selvagem me atacou, eu gritei por ajuda e graças a Lorde Colin estou vivo, mas carregarei as marcas do ataque da fera para toda a vida, os curandeiros dizem que não tenho mais movimentos nos braços.

- Então afirma que Layka o atacou sem nenhum motivo? - Rhanessy perguntou farta dos dramas do Lorde.

- Sim, majestade - Mett parecia tão confiante que qualquer um julgaria ser verdade.

Mas Rhanessy só se importava com o julgamento de uma pessoa, sobre ser verdade ou não. A Rainha olhou para sua conselheira da sabedoria e futura conselheira real que estava a sua esquerda.

- Está mentindo - Tanásia disse de forma dura e fria ao olhar bem na alma de Mett.

- Majestade juro que o que estou dizendo é a mais pura... - Lorde Hughes tentou dizer de forma suplicante.

- Mentira - Tanásia o interrompeu

- Lorde Colin pode nos contar o que viu? - Rhanessy pediu e Colin veio a frente do trono.

- Eu estava fazendo uma ronda quando ouvi os gritos - Colin começou

- Mentira - Tanásia disse sem uma única expressão no rosto, como se estivesse em transe.

- Estava apostando em jogo de carta - Colin corrigiu sorrindo para Rhanessy - quando ouvi os gritos fui ajudar o nosso lorde aqui, acalmei a Layka e vi minha irmã Zarina no local, ela chorava e quando me viu saiu correndo. Rhanessy esperou a confirmação de Tanásia de que era verdade e chamou por Zarina para depor, a jovem estava assustada e tremia, Rhanessy pediu que ela contasse sua versão e sua criada ficou calada por vários minutos, parecia tentar falar, mas sua voz se perdia no enorme salão.

- Eu estava indo para meu quarto - Zarina olhava para o chão e sua voz tremia junto com ela - quando cruzei com lorde Hughes... e-ele pós a mão dentro da minha saia... Disse que não podia gritar... q-que ele acabaria com minha vida... e que ninguém ia acreditar em mim, que era só uma criada. - A voz estridente da jovem misturada com seu choro era de cortar o coração de Rhanessy - Eu fechei os olhos... a-acho que gritei... tinha tanto sangue e a Layka estava em cima dele e eu voltei correndo para meu quarto. Foi tudo tão rápido.

Rhanessy olhou para Tanásia que consentiu com a cabeça, quando Mett viu isto começou a se ajoelhar.

- Majestade, juro que nunca a toquei - Ele estava nervoso e desconsertado, provavelmente sem crer no rumo que sua audição levara.

- Mentira - Tanásia olhava o lorde com nojo.

- Estava bêbada, minha rainha - Parecia ainda mais desconsertado enquanto ajoelhava. - Não tinha intenção de fazer mal a sua criada.

- Mentira - Tanásia olhava para a rainha esperando sua ação, conseguia ver os horrores que ele faria com Zarina se Layka não o tivesse atacado.

Rhanessy levantou de seu trono e começou a descer lentamente os degraus até onde lorde estava.

- Eu imploro por sua misericórdia, minha rainha - Lorde Hughes ajoelhava e chorava completamente apavorado e havia molhado sua calça.

"Você daria misericórdia a Layka ou a Zarina?" Rhanessy pensou enquanto se aproximava do lorde.

- Pelo crime de tentativa de estupro eu o declaro culpado e lhe destituo de todos os seus títulos e terras, passando o Vale da Aurora para seu herdeiro legitimo. - Rhanessy falava baixo e todos no salão se calaram para ouvi-la - Pelo crime de falsa acusa eu o declaro culpado e o sentencio a um ano nas masmorras do Palacio. - Majestade, por favor... - Seu tio tentou intervir, era costume dele defender o interesse da nobreza. - Talvez haja outra forma de punir lorde Hughes, afinal é apenas uma cria...

- Guardas! - A rainha chamou e dois guardas seguraram o então destituído lorde Hughes - Minha espada.

Pieter Harris trouxe a espada da rainha e a entregou. Rhanessy apoiou-se com a espada virada para baixo fechou os olhos e fez uma prece rápida a qualquer deus que a quisesse ouvi-la.

- E pelo crime de mentir para sua rainha eu o sentencio a morte - Com um único golpe da lâmina Rhanessy pintou o chão de mármore antes branco para vermelho.

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