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A maldição dos Sales

A maldição dos Sales

Autor:: Danivences
Gênero: Fantasia
Lucy Sales recebeu a notícia que sua avó paterna faleceu, e deixou para ela uma grande fortuna, porém existe uma condição, ela precisa ir morar na cidade onde seu pai cresceu. Ela só não sabia que seu caminho iria se cruzar com os de Cedrik. Um garoto..... Mas aquele era um amor proibido por seus ancestrais, uma maldição havia sido lançada séculos atrás "todos queimarão como nós!" e agora eles pagariam pelos erros de seus antepassados. Um amor proibido pelo destino, dois adolescentes tentando quebrar a maldição para poderem ficar juntos. Eles só tem até a meia-noite!

Capítulo 1 Prólogo

A chuva caia fortemente, no céu apenas a luz dos relâmpagos clareiam a cidade, e em um campo ao longe tem uma mulher que está sob o corpo de um homem no chão, ela chora desesperadamente, implorando para ele voltar á vida, mas ele estava imovél assim como a outra mulher ao seu lado. Um carro se aproxima deles, e então uma senhora sai do carro, ela olha para seu filho ao chão.

- Eu disse para ele, que não conseguiria sozinho. - Sua voz fraca e cheia de emoção fez a mulher de longos cabelos vermelhos se erguer para olhar a senhora.

- O que faço agora? - A mulher olha para dentro do carro, onde um bebê dorme, sem ao menos saber que havia perdido o pai.

- A leve! - A senhora diz mostrando a chave para moça. - A tire daqui, eu vou suportar o máximo que eu conseguir, para que ela não precise voltar.

- Se eu for, eu não volto, não importa o que diga, minha filha não vai salva-los. - A mulher pega a chave é olhar para o homem no chão, e ela sabia que acabava de perde parte de si.

- Ela tem que voltar, não se esqueça de quem ela é.

- Não, isso acaba aqui e agora, ela não será como vocês.

- A maldição é clara querida, mas darei o máximo de tempo que eu puder para ela. - A senhora olha para criança. - Eu lamento nunca mais a vê-la, agora vá e não se esqueça que um dia ela terá que voltar.

Capítulo 2 Herdeira

Uma garota se senta de frente ao espelho, ela segura uma faca com os olhos cheios de lágrimas, pressiona a faca em sua pele, respira fundo, e solta a faca. Ela tinha ensaiado tantas vezes aquilo, que era como se ela já soubesse que não seria capaz de chegar ao fim.

- Você não tem nada a perder Lucy Salas. – Ela diz para seu próprio reflexo no espelho. Seu cabelo liso e avermelhado caia até sua cintura, seus olhos castanhos e vermelhos, estavam cansados, ela parecia está preste a cair de sono, ela seca as lágrimas e se levanta para olhar para seu corpo magro tocar em sua pele clara, respira fundo e pensa "Você consegue, você não aguenta mais". Outra vez coloca a faca em seu pulso e pressiona um pouco, a faca começa rompe a sua pele, ela fecha os olhos imaginou como seria assustador para sua mãe encontrá-la ali sem vida, em um tapete velhos desbotados de frente a um espelho rachados ao meio então ela solta a faca e sorri. - Sou mesmo um fracasso! - E sussurra pra si mesmo.

Ela balança a cabeça, pega um pano e pressiona sobre o pequeno corte, e vai até a janela, a chuva cai graciosamente, o vento mexia as árvores, que pareciam estar em sincronia. Ela sorri, talvez fosse por isso que ela não seguia ir em frente, ela amava a vida ou pelo menos, algumas coisas nela "como uma noite chuvosa ou um dia ensolarado" essas pequenas coisas às vezes a fazia querer viver, ela não sabia se era porque era uma covarde, e se apegava a essas coisas para não seguir enfrente ou era de fato algo que ela não queria deixar para trás.

Lucy não temia a morte, talvez se a morte aparecesse em sua frente, ela a convidasse para tomar uma chá, o que Lucy temia era a vida. O continua para ela era assustador.

O celular toca, ela pula na cama e pega o celular.

(Mamãe) estava escrito na tela, ela olha para a faca no chão, e respira fundo.

- Alô. – Ela fala ansiosa.

O homem do outro lado da linha, olha para mulher caída no chão, percebe que a voz que o atendeu é de uma menina, e se sente mal por ter que falar aquilo para ela.

- Tem alguém mais velho com você? - Ele pergunta calmo.

- Não, o que aconteceu? - A menina fica nervosa, afinal nunca se sabe o que vai acontecer quando se tem uma mãe alcoólatra.

- Tem uma mulher aqui, ela está bêbada e caída no chão, achei seu número no celular dela.

- A onde vocês estão? - A menina se levanta, e pega a chave em cima do criado-mudo.

- De frente ao bar da Relly.

- Obrigada estou indo para aí. - A menina entra no seu velho carro azul de 1965 nem ela sabia como aquilo ainda aguentava andar.

Ela para o carro, olha para a bela mulher de cabelos ruivos e de rosto perfeito, encostada numa parede, junto com um homem com capa de chuva, cai uma lágrima antes dela sair do carro, ela seca e vai em direção do homem.

- Obrigada! - Ela diz ao homem robusto de cabelos negros a sua frente.

- De nada, ela é sua mãe? - O homem, olha para menina que parecia cansada, mas ainda sim muito bonita, seus cabelos estavam molhados, como suas roupas.

- É sim. - A menina diz que vai ao encontro de sua mãe.

- Ela estava arrumando briga com o dono do bar, sorte que passei aqui antes de ir trabalhar porque a coisa ia ficar feia para o lado dela.

- Nem sei como agradecer. - A menina diz tímida para o homem à sua frente.

- Não precisa só a mantenha longe de brigas, e seu pai está no trabalho? - O homem não consegue, se segurar, não podia acreditar que aquela garota, cuidava da sua mãe sozinha.

- Ele está morto, é esse o motivo pelo qual ela bebe. - Lucy diz incomoda, ela não gastava de fala sobre sua vida, ainda mais para um estranho.

- Você precisa de alguma ajuda?

- Não, obrigada! Já estou acostumada. – O homem percebe que a garota, parecia ter feito aquilo mais de uma vez.

- Fique com Deus. - Ele diz e vai embora.

A menina olha para sua mãe ainda desmaiada e dá um tapa de leve em seu rosto.

- Mamãe a corda! - Ela fala, mas os olhos de sua mãe não abrem, ela então a puxa até o carro e a coloca no banco de passageiro.

A garota arrasta a mãe para o chuveiro, aquilo era quase um trabalho diário, todos os dias sua mãe aparecia incapaz de poder falar, nem ao menos tomar o seu próprio banho, após colocar sua mãe na cama, ela se senta ao chão, como sempre coloca a cabeça entre o joelho e chorar. Lucy só queria ser normal, ter uma família como todas as suas amigas. Após um bom tempo chorando, ela se troca e vai até a geladeira, descobre que não há nada ali, a sua pensão estava atrasada há semanas, ela pensou em pedir fiado na venda do Eli mas sabia que não venderia.

Ela se deita ainda com fome, se vira de um lado para o outro na cama, até o sono vencer a fome. Pela manhã ela corre para o quarto de sua mãe lhe dar um beijo no rosto, mesmo sabendo que sua mãe nunca retribuirá o gesto de carinho. Desce as escadas e correndo para chegar a tempo na escola, ela podia pegar o carro, mas se gastasse toda a gasolina não teria como buscar sua mãe mais tarde.

- Oi, Lucy! - Uma garota loira, magra e alta fala.

- Verônica, como te deixaram entrar assim?! - Lucy diz para sua melhor amiga, que usava uma mini saia vermelha, e uma blusa branca.

- Eu sou a melhor aluna que eles têm, porque me expulsarão? - A garota tira os óculos, mostrando seus lindos olhos verdes.

- Por que você acha que tá indo para uma balada, e não para a escola.

- Me deixe ser feliz, mas e você teve problemas de novo? - A aquela conversa não era confortável para Lucy, então ela encolhe os ombros.

- Como sempre. - Lucy diz desanimada, Verônica abraça sua amiga.

- Saber que meu pai ia adorar se você fosse morar com a gente.

Quando o mundo de Lucy desabou, ela recebeu uma proposta. "Se torna irmã de Verônica" mas isso queria dizer que sua mãe ia para uma clínica, a diriam que ela era incapaz de cuidar de uma garota de treze anos, "o que era verdade" Lucy se negou, tinha uma promessa a cumprir e cumpriria.

- E interná-la em uma clínica?! Não V, não posso fazer isso. - Os pais de Verônica viam a mãe de Lucy como um problema, e ela nunca fez parte do convite, isso complicou muito para Lucy.

- Você está se destruindo com ela! - Verônica diz irritada. A garota que era simplesmente, a pessoa mais manipuladora do colégio, se irritava em não poder fazer nada para ajudar sua amiga.

- Ela é minha mãe, prometi a minha vó que cuidaria dela. - A lembrança de sua avó implorando que ela fosse forte por sua mãe a atingiu.

- Você só tem 16 anos, devia ter alguém que cuidasse de você, não ao contrário. - Verônica sabia da promessa absurda que Lucy fez aos 13 anos.

- Vamos mudar de assunto, estou ficando triste. - Lucy disse se afastando da amiga.

- Vai amanhã para praia, não vai? - Verônica pergunta sorrindo, Lucy tinha prometido.

- Minha mãe está insistindo para que eu vá, mas não sei se vou. - ela Achava estranho como sua mãe tinha insistido que ela fosse, normalmente ela simplesmente não liga, para onde Lucy vai ou deixa de ir.

- Ela está certa, você não sai de casa.

- Mas se eu for, quem vai tomar conta dela?

- Ela prometeu que não ia beber. - Como se um alcolatra cumprisse alguma promessa.

- Ela prometeu isso para minha vó e não adiantou nada! - Ela queria confiar em sua mãe, queria ao menos ser uma adolecente que não teme voltar para casa e ver a casa em chamas. Isso já aconteceu uma vez.

- Vai fazer o que hoje? - Verônica pensa em chamar a amiga para o shopping.

- Vou ao banco, já faz tempo que minha pensão não cai. - Verônica ver a expressão de preocupação de sua amiga.

- Quer que eu vá junto?

- Não precisa.

As duas garotas entram na sala.

- Bom dia professor! - O professor, abre um largo sorriso para ela.

- Olha como ele te seca. - Verônica sussurra aos ouvidos de Lucy.

- Eca é meu professor. - Lucy olhar para o homem de cabelos negros e olhos azuis, ele é lindo, mas ela não via, dessa formar.

- Se ele desce acima de mim, como dar de você, eu pegaria.

- Quem você não pegaria? - Lucy diz maldosamente.

- O professor Verón. – Verônica faz uma cara de nojo.

- Só uma doida ficaria com ele. – Lucy sorriu fazendo Erik suspirar.

O garoto loiro de sardas no rosto era, sem dúvida, o maior admirador de Lucy, que nem o olhava, não como alguém que pudesse ficar.

- Bom dia Erik! - Ela fala para o garoto que a olhava feito bobo.

- Sem chance! - Verônica, bate na cabeça dele, que apenas se preocupa em responder a Lucy.

- Bom dia Lucy! - Ele diz todo animado.

- Outro! - Verônica diz e se senta.

- Maldosa. - Verônica, ver o pequeno curativo no pulso da amiga.

- De novo! - Lucy a olha sem entender, mas percebe que o curativo está à mostra.

- Não! - Lucy diz, olhando para a frente.

A aula termina, todos saem da sala, mas Lucy ainda estava guardando as suas coisas.

- Precisa de ajuda? - O professor se coloca em sua frente.

- Não obrigada!

- Sabe que sempre que precisar estarei aqui? – Ele diz pegando na mão de Lucy, que puxa rapidamente, mas ele vê o curativo.

- O que foi isso?

- Obrigada, mas tenho que ir! – Ela diz indo para outra aula.

As aulas passavam rápidas, Verônica às vezes a olhava, irritada, quando enfim a aula termina, Lucy corre, para ir ao banco, também não queria ouvir o que Verônica tinha a dizer.

Mas Verônica era mais esperta, pegou e agarrou o braço de Lucy.

- De novo sério?

- Não me olhe assim! - Lucy, segura as lágrimas.

- O que seria de mim? Já pensou nisso? – Verônica, puxa o ar e balança a cabeça. - Tem certeza que não quer que eu te leve? - Lucy pensa um pouco, mas sabia que Verônica não tocaria mais no assunto.

- Tá bom, vamos?

As duas entram no carro novo de Verônica, ao contrário de Lucy os pais de Verônica eram ótimos pais, e bem ricos também.

- Vamos passar no shopping, quando estávamos voltando do banco. - Verônica diz a amiga.

- Há, não! - Lucy odiava ir em shoppings.

- Sem essa.

- Mas...

- Não quero saber. - Verônica aumenta o som, abafando a voz de Lucy que tentava em vão argumentar

Elas chegam ao banco alguns minutos depois.

- Oi, é que preciso falar com o gerente. - Lucy fala para uma moça de cabelo enrolado e sorriso gentil.

- Pode se sentar. - A moça aponta para as cadeiras.

O homem de cabelos castanhos e de terno aparece minutos depois.

- Bom dia! No que posso ajudá-las?

-Sou Lucy Sales, e gostaria de conversar com o senhor em um lugar mais reservado. - Ela diz seriamente.

- Sim, me acompanhe até minha sala. - O homem segue na frente e as meninas logo atrás.

As garotas se sentam e olham a beleza do aquário que fica perto da janela, o escritório era lindo e aconchegante.

- É lindo, não é? – O homem fala orgulhoso.

- Sim, é.

- Mas então o que trás duas belas jovens ao meu escritório?

- Recebo uma pensão, pela morte do meu pai, mas acontece que há semanas que eu espero e não cai nada.

- Como era o nome do seu pai?

- Dick Sales.

- Calma, verei nesse momento, o que está acontecendo! - Alguns minutos se passaram.

- Desculpe, mas tem certeza que recebe uma pensão desse homem.

- Sim! - Lucy diz confusa.

- Pode me dar o número da sua conta?

- Claro.

O homem demora mais alguns segundos.

- Você está confusa, não recebe pensão de seu pai e sim da sua avó paterna.

- Do que está falando? - Lucy se assusta, ela não sabia da existência dessa avó.

- Sim. Você recebe uma pensão de Bethany Sales, mãe de Dick Salem. - Lucy sente uma bola no estômago.

- Mas o senhor sabe por que ela não mandou a pensão esse mês?

- Estranho que o advogado dela, ainda não tenha procurado.

- Porque ele me procuraria?

- Em caso de morte, os bens são congelados, até a abertura do testamento.

- O que o senhor está dizendo?

- Oi. - Verônica levanta a cabeça para encarar Lucy.

- Desculpa o meu mau jeito, mas a senhora Bethany Sales morreu a três semanas.

Por um momento Lucy se sente sem chão, como ela podia perder alguém que nunca conheceu? Ela tinha mil perguntas, mas sabia que o nobre senhor Marvin, não poderia respondê-la.

- E agora o que eu faço? - Ela olha para o homem.

- Ligarei para o advogado de sua avó e verei o que acontecer.

O homem pega o telefone e disca o número.

- Sua avó rica morreu? - Verônica olha assustada e logo sorri.

- O que? - Lucy olha confusa.

- Dinheiro, herança. - Ela sorri, mas para de fala para ouvi a conversa do senhor Marvin

- Alô eu posso falar com o doutor Kinderman? - A moça do outro lado da linha passa para o jovem advogado.

- Bom dia, quem gostaria. – O Senhor Kinderman atende o telefone educadamente.

- Me chamo Marvin, sou o gerente do banco Dalanco.

- Sim, no que posso ajudá-lo?

- É que minha cliente Lucy Sales veio me perguntar sobre sua pensão, e aqui constata que a senhora Bethany Sales faleceu há três semanas, porém sua única neta, não foi avisada e nem convocada para abertura do testamento. Gostaria que o senhor me explicasse o que está havendo?

O homem do outro lado da linha ficou pasmo, ele tinha ligado há duas semanas para casa da única neta de sua cliente.

- Eu avisei a mãe da senhorita Sales da morte da avó, inclusive estou indo ai a manhã para ler testamento da senhora Sales, até marcamos para às nove da manhã.

- Então o senhor me perdoe perturbá-lo, conversarei com a Lucy agora mesmo.

O homem desliga o telefone, ele havia acabado de insinuar que um advogado estava passando para trás uma jovem.

- Senhorita Sales, por que mentiu para mim?

- Senhor, não entendo o que quer dizer! - Lucy fala confusa.

- O advogado avisou a sua mãe sobre a morte da sua avó, inclusive vêm ler o testamento a manhã às nove horas.

- Engraçado por que a manhã às nove horas, estarei na casa da praia de Verônica.- Lucy tinha acabado de perceber o que tinha acontecido, sua mãe não queria que ela soubesse sobre a avó, mas Lucy não entendia o porquê?

- Desculpe senhor, mas eu não tinha ideia, minha mãe não me disse nada.

-Tudo bem.

Lucy olha para Verônica que está o tempo todo no celular e que nem percebeu o que tinha acontecido.

- V vamos!

- Mas já?

- Vamos! – Lucy puxa.

- O que foi Lucy? - Verônica olha para amiga que parecia ter visto um fantasma de tão pálida.

- Nada, vamos! - As duas saem e vão para o carro.

- Está triste porque sua avó morreu?

- Nem sei, sabe, é estranho e vazio.

- Talvez ela fosse uma megera.

- É talvez, mas não tem como saber, eu ao menos devia saber como me sentir com a morte dela, mas sinceramente eu não sei, e eu não sei porque não me permitiram sentir.

- Então é isso?

- Só gostaria de saber que eu tinha uma alternativa menos solitária, sabe? - A voz de Lucy embargou, ela queria muito te conhecido avó, queria ao menos entender porque ela não amou, não aquis.

- Sei.

Lucy entrou no carro e começou a pensar no que diria a sua mãe, e nas coisas que poderia ter sido diferente se ela soubesse da existência de sua avó, ela lembrou que há três semanas atrás ela teve uma grande febre e pensou ter visto alguém em seu quarto.

" Agora é com você querida"

A voz que a acordou naquela noite, podia ser da sua vó, será que ela sentiu a partida da sua avó?

Lucy explica tudo a Verônica que acha que não passa de coincidência, e não discutem o assunto, porque Verônica é cética, criada por dois médicos, ela acredita na ciência e pronto. As duas param de frente a casa de Lucy, porém Lucy não se mexeu, ela olhou para casa e imaginou como começaria aquela conversa. Em como teria que se controlar para não gritar.

- Acho melhor entrar Lucy.

- Ela vai mentir para mim. - Ela sorriu com essa certeza.

- Talvez não.

- Ela vai, ela é uma grande mentirosa, ela me arrastou para isso e não se importou em me dizer que eu poderia ter algo melhor.

- Ela deve ter seus motivos.

- Espero que sejam bons ou não sei se vou perdoá-la. - Lucy respira e desce do carro.

Capítulo 3 Mentiras

Lucy entra em sua casa, sua mãe estava no sofá, vendo TV.

- O que foi? - Mary perguntou, estranhando o olhar da filha. - Lucy respirou fundo, estava furiosa.

- Sóbria? Que novidade mamãe. - Ela ironiza.

- Que tom é esse? Como ousa?

- Por que não me disse que eu tinha uma avó?! - Lucy ver o rosto de sua mãe embranquecer, cada gota de sangue sumir.

- Do que está falando? - Mary recua.

- O que mais esconde? Quem mais eu tenho que esperar morrer, para saber que existe?

- Quem te contou?!

- Ia mentir para sempre?! - Lucy ri, de maneira cansada e gozada. - Ia me prender a você e usar meu dinheiro para seu vício para sempre?

- Eu ia te contar no momento, certo. - Mary se levanta, e tenta chegar perto de Lucy, e que se afasta.

- E quando seria? - Ela diz quase injada. - Quando iria se portar como uma mãe para variar?

- Você não entende. - Mary começa a chorar.

- O que? Quer você é muito egoísta. - Ela vira de costas, não queria ver o teatro de sua mãe. - Já passou pela sua cabeça, que eu quisesse uma avó? Alguém que realmente cuidasse de mim?

- Acredite, foi melhor não conhecê-la, ela pediu que eu partisse com você.

- E por que deixou sua herança para mim? Porque ela pagou a pensão por anos, não parece algo que alguém que me odiasse faria.

- Por que você é a última descendente dos Sales, para quem mais ela deixaria? - Mary respira fundo, não queria discutir. - Ela não tinha escolha.

- O advogado vem amanhã, porque não me disse? - Mary enfim desiste, ela sabia que não tinha como fugir daquela conversa.

- Não queria que soubesse de sua avó, não queria que tivesse que voltar.

- Voltar, voltar para onde?

- Pra lá, para aquela maldita cidade! - Mary diz, meio confusa.

- Onde ele morreu?! - Lucy fica confusa, não sabia como seu pai tinha morrido, sua mãe jamais disse algo sobre ele.

- Onde tudo acaba, não vamos voltar, está me ouvindo, não importa o quanto o advogado insista, você nunca vai voltar.

- Mãe, por favor, não me trate como criança, me explique o que está acontecendo?

- Não posso, não é como se eu não quisesse, eu só não posso.

- Por que não?

- Eu não sei, mas não posso. - Mary parece está perdida por um momento. - Só sei que não deve voltar.

- Me poupe dessas mentiras.

- Me respeite! - Mary grita, ela sentia aquela sensação de novo, como se existisse algo que ela precisava lembrar, mas ela não sabia o que.

- Então se dê ao respeito! - Mary, dá um tapa em Lucy que a olha furiosa.

- Ontem eu quase me matei porque não aguento mais! - Lucy mostra os pulsos com um pequeno arranhão.

Mary olha para filha sem acreditar, seus olhos se enchem de lágrimas, ela sabe que é um fracasso de mãe, que Lucy tem sido muito paciente, mas nunca pensou que Lucy poderia pensar em ser matar.

- Filha eu...

- Não venha dizer coisas doces, minha vida é um inferno! Eu vivo por você, e você nem liga.

- Você acha que eu não sei? Eu queria ser forte, mas não sou.

- Então eu tenho que ser forte por nós duas?!

- Vá pro seu quarto! - Mary diz brava, Lucy nunca a enfrentou dessa maneira.

- Não suporta ouvir verdades. -Lucy diz indo pro quarto.

Mary olha para garrafa, em cima de uma mesinha e pensa em tomá-lo, quando a garrafa voa e se espatifa na parede.

- Não há quero nisso, ela não é forte o bastante! - Mary diz olhando para o local em que a garrafa foi jogada.

Lucy chora em seu quarto, não acreditava no que sua mãe foi capaz, e se sente culpada por ter falado tudo que sentia para mãe, mas ela realmente se sentia cansada de tomar conta dela.

Pela manhã Verônica liga para a amiga.

-Tem certeza que não irá? - Verônica diz triste.

- Eu preciso saber mais sobre essa avó que não conheci, e sei que minha mãe não vai me contar.

- Tá bom, mas me ligar para falar o que aconteceu.

- Tá bom.

- Beijos baranga! - Lucy sorrir.

- Beijos coisa!

Lucy desliga o telefone olha para o relógio, iria dá nove horas, ela se levanta logo o advogado chegaria. Um carro preto para de frente a uma casa, de cor azul um tanto desbotada, o senhor Kinderman fica surpreso de uma Sales morasse ali, mas decidiu bater na porta.

Mary abre aporta, ele fica impressionado com a beleza da mulher, mesmo, Mary estando muito magra para uma mulher de sua idade, ela era incrivelmente linda.

- Aqui que mora a senhora Sales, viúva de Dick Sales? - Mary olha para o lindo rapaz de cabelos loiros e olhos negros.

- Sim, sou eu.

- Kinderman advogado da senhora Bethany Sales.

- O senhor poderia entrar? - Mary abre mais a porta.

- Sim. - Lucy desce as escadas e fica surpresa ao ver a mãe, bem vestida e de cabelos presos.

- Bom dia! - Lucy diz olhando ainda admirada para mãe.

- Deve ser Lucy Sales? Herdeira de Bethany Sales.

- É acho que sim. - Lucy diz tímida

- Vamos acabar com isso, tenho que voltar ainda hoje.

- Sente-se! - Mary diz se sentando, Lucy se senta também.

- Bom a Senhora Sales deixou uma pequena fortuna, no seu nome, porém a uma condição para poder ter essa fortuna.

- Qual seria? - Mary diz desconfiada imaginando qual seria a condição.

- Lucy terá que morar na cidade de Cameron.

- Não! - Mary diz assustada com a possibilidade de sua filha ir para aquela cidade.

- E se eu não quiser ir? – Lucy pergunta, ela também está assustada com a possibilidade de ir embora.

- Sua herança será doada para uma casa de órfãos.

- Não há outro jeito? - Lucy diz preocupada, ela não trabalha, ainda não terminou os estudos.

- Lamento que sua avó foi bem específica, ela até escolheu a escola que deveria estudar quando for se mudar. - Lucy estava sem chão, o que ela faria?

- Ela não vai! - Mary fala, agressivamente para o homem.

- E do que acha que vamos viver? - Lucy diz com raiva, ela queria ficar, mas ela não tinha emprego, sua mãe não trabalhava, era impossível para ela sobreviver sem a pensão pelo menos até ela arrumar um emprego.

- Damos um jeito!

- "A é claro que damos". – Lucy fala sem paciência.

- Então o que decidem?- O homem diz olhando para Lucy.

- Iremos!

- Não vou! - Mary grita.

- Então fique porque eu vou. - Lucy sabia que as coisas iam ser diferentes, mas não havia alternativa.

- Mandarei buscá-las amanhã à noite. - Lucy se surpreendeu com a rapidez.

- Por que tão rápido?

- Por que sua avó deu um mês, e como só consegui encontrá-las essa semana, preciso de você segunda de manhã na escola de Cameron ou pelo menos na cidade, para assinar o acordo.

- É muito...

Lucy não sabia o que dizer tudo tão rápido tão confuso.

- Não vamos! Eu sou a mãe aqui! - Mary diz com raiva.

- Então se porte como uma, e se preocupe com o meu futuro. Porque você não pode pagar uma faculdade. - Lucy estava brava com a mãe, parecia que não entendia como as coisas estavam difíceis, e poderia piorar.

- Você não pode ir!

- Engraçado, eu não ligo. - Lucy pensou como seria bom se ela tivesse uma nova vida, e talvez ela precise se mudar para isso acontecer.

Kinderman ficou olhando aquela briga e percebeu que a chegada de Lucy, seria bem mais turbulenta do que ele pensava, mas ele apenas ouvia boatos de fato nunca tinha pisado na pequena cidade.

- E como ela era? - Lucy perguntou para o homem, que levou alguns segundos para compreender sua pergunta.

- Nunca vi sua avó pessoalmente, mas por telefone ela sempre foi muito gentil.

- Sabe porque ela nunca me procurou? - E então o homem encarou aqueles lindos olhos brilhantes e se esqueceu do que estava fazendo ali.

- Preciso ir, não posso ficar mais aqui. - Ele simplesmente se levantou e se foi.

Lucy achou estranho a maneira que o homem ágil, porém preferiu não discutir.

- Então nos vemos amanhã.

Após se despedir, Kindermann marcou as passagens de avião para uma cidade próxima a Cameron e pagou um táxi para buscá-las no outro dia.

- Ele sabia que não devia voltar a vê-las, havia um certeza de que nunca mais ele deveria ver Lucy Sales.

Lucy ligou para Verônica desesperada, ela nem sabia como começar aquela conversa, mas decidiu ser o mais prática possível.

- Eu vou embora! - Ela disse antes mesmo de Verônica dizer "alô "

- Calma o que aconteceu? - Verônica diz se ajeitando na cama, pois ainda estava deitada.

- Eu vou embora amanhã! - Lucy diz como se para si mesmo, como se precisasse acreditar em suas palavras.

- Como assim, explica direito?

- Minha avó deixou em testamento que eu devo voltar, é a única maneira da minha herança ser entregue a mim.

- E você vai?

- Claro , como vou sustentar minha casa?

- Mas tão rápido? - Verônica não queria acreditar.

- É complicado, mas eu tenho que estar lá amanhã.

- Vou ir agora.

- Mas não devia estar na praia? - Lucy pergunta confusa.

- Não, meu pai teve uma emergência de madrugada.

Verônica chega uma hora depois, seu cabelo estava preso em coque, e ela usava óculos escuros.

- O que está acontecendo, estão enlouquecendo ou o que?

- Minha vó quer que eu more lá.

- Lá a onde? - E de repente Lucy percebeu que não lembrava o nome da sua nova cidade.

- Sei lá, isso não importa.

- E sua mãe?

- Não quer ir.

- Então, é melhor que não vá, posso ligar para o meu tio, ele é advogado, consegue pegar seu dinheiro, fique tranquila.

- Mas acho que minha vó, queria que eu conhecesse a cidade onde meu pai nasceu, acho que já fez isso, para que eu tenha um pouco dele comigo, e de certa forma acho que isso me fará bem.

- Mora com um monte de chucros? - Verônica não imaginava nada pior.

- Eu tenho que ir, o que posso fazer? - Lucy sabia que não seria fácil, mas era melhor do que passar a vida sem entender sua história.

- Mas assim do nada?

- É o jeito.

- Eu não quero que vá. - Verônica abraça a amiga.

- Eu não quero ir, mas preciso, e pelo que entendi é uma pequena fortuna, posso fazer muita coisa com isso.

- Deve ter outro jeito de conseguir esse dinheiro sem partir

- Não tem, nada que não passasse do prazo que me foi dado.

- Mas o que eu vou fazer sem você?

- Vai ser a mesma de sempre, forte e determinada. – Lucy diz secando as lágrimas da amiga.

- Eu sou uma vaca!

- Uma vaca forte e determinada, nunca vi você se deter a ficar com alguém só porque ele tem uma aliança no dedo. Tem que ter força de vontade para isso.

- Verdade! - Verônica sorri.

- Então que as mulheres cuidem de seus maridos, porque Verônica não tem mais uma amiga para lhe dar um pouco de consciência. - Lucy diz brincando.

- Verdade, sem o meu grilo falante sou um ser perdido, e vou pegar o marido da professora Cindy.

- Não faça isso, ela é uma ótima professora.- Verônica tinha fascínio pelo proibido.

- O marido dela é tudo de bom! - Lucy revirou os olhos, ela não concordava com essa loucura de Verônica.

- Quem vai cuida de você? - Lucy diz chorando, ela realmente temia que Verônica fizesse alguma idiotice antes de terminar os estudos.

- Minha casa tem quartos vazios! - Verônica pisca.

-Não posso ficar na sua casa.

- Porquê?!

- Por favor, não faz ser mais difícil!

- Tá bom, mas como perdemos a virgindade no mesmo dia, se você estiver longe?

- Quantas vezes tenho que te dizer? "VOCÊ NÃO É MAIS VIRGEM!"

- Magoou, saber como perdi minha virgindade e não foi legal.

- Você bebeu todas, e dormiu com um o cara gato.

- Eu sempre quis perder com um homem casado. - Lucy sempre achou que esse fetiche que Verônica tem iria arrumar muitos problemas.

- Preciso arrumar minhas coisas V.

- Que nada vamos organizar uma festa de despedida.

Verônica teve a grande ideia de se despedir de Lucy em uma festa com todos os seus amigos.

-Oi Lucy! -O garoto ruivo fala tímido.

- Oi!

- Eu queria que soubesse que nunca vou te esquecer. - Lucy queria saber o que dizer, mas apenas abraça o garoto.

- Ei! - Uma menina a puxa. - Nova escola, novos gatos, em. – A garota que parecia ter bebido demais começa a chorar.

- Não fique assim Alice. - Lucy a abraça. -Eu vou voltar.

- O que será da doida sem você? - Ela a ponta para Verônica que estava linda e bela dançando de mini saia provocando um garoto.

- Conto com você. - A menina olha bem a Lucy e depois para Verônica.

- Acho que em menos de uma semana, ela estará em um internato.

- Não seja má. - A garota ri.

- Os pais dela só a aguentam por sua causa, eles tinham esperança que você a salvasse.

- Ela é uma pessoa maravilhosa, só é muito sozinha, precisa ficar por perto.

- Ela nunca mais terá uma amiga como você, se eu fosse ela entraria naquele avião junto com você.

- Bem que eu gostaria. - Lucy imaginou como seria maravilhoso ter sua amiga nessa sua nova aventura.

Lucy passou a festa toda chorando, toda vez que alguém a abraçava, ela se sentia menos feliz com a viagem, "e se tudo desse errado? E se ela não tivesse amigos? Tudo era tão rápido tão assustador", após uma despedida digna, Lucy foi para casa, havia tantas coisas para ajeitar.

Lucy se despediu de Verônica, arrumou as malas e se preparou para ir embora, sua mãe não dizia nada, mas também arrumou as coisas para que elas pudessem ir. A mãe de Veronica disse que cuidaria da casa até que elas pudessem voltar. Lucy desceu do avião com um friozinho no estômago, ela sabia que agora tudo mudaria.

Ela não tinha ideia de como mudaria.

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