"Por que você está fazendo isso comigo?" Lágrimas escorreram dos meus olhos enquanto eu segurava seu colarinho. Em contrapartida, seus olhos me encaravam com simples frieza. Um dia, eles costumavam ser tão cheios de amor. Mas hoje eles eram como piscinas negras e vazias. Isso não podia ser real. Eu estava vivendo um pesadelo? Será que algum dia acordarei desse sonho doloroso?
"Sinto muito, não posso te tornar minha companheira, Sandra. Você sabe que eu não tive escolha neste assunto. Eu devo apenas obedecer ao conselho."
"Mas eu sou sua companheira! Como o conselho pode decidir quem pode ser sua companheira? Você sabe que sou eu! Seu lobo sabe que sou eu!" Tentei raciocinar. Limpei as lágrimas teimosas com as costas das minhas mãos. Eu conhecia as regras, um Alfa só poderia acasalar com um Alfa ou um Beta de alto escalão se fosse necessário. E eu era uma Ômega. Embora meu pai tivesse sido promovido a Beta, ele era um Ômega de nascimento, assim como eu. As regras da matilha eram rígidas.
Embora meus esforços fossem inúteis, eu continuamente me agarra a esperança firmemente.
Todas as memórias que tivemos, aquelas belas esperanças e sonhos, de repente tudo estava indo embora num piscar de olhos. Parecia tão surreal.
Meu companheiro estava realmente me deixando. Ele estava prestes a me rejeitar. Gustavo olhou para mim. Seus olhos estavam tão inexpressivos como nunca.
Seu rosto bonito conseguia suavizar um pouco essa falta de emoção, enquanto ele tentava ler meus pensamentos.
"Pare de tentar ler meus pensamentos!" Eu gritei, já um pouco desestabilizada.
"Eu não estou lendo seus pensamentos, Sasa. Estou apenas tentando confortar você." Ele sussurrou. Então, se aproximou de mim, mas recuei um passo para manter a distância. Eu não queria ser tocada por ele. Eu não conseguia lidar com isso.
"Por favor, não me toque. Por favor, não torne isso mais difícil do que já está sendo para mim." Diversos sentimentos cresciam dentro de mim, estava furiosa, ferida e quebrada internamente. "E, por favor, não me chame assim... nunca mais." Rosnei para ele, afetada pela situação.
"Eu amo você", ele sussurrou, finalmente sua voz esboçou algo, uma pitada de dor e desejo. Ele quebrou a distância ao dar um passo adiante e me abraçou. Toda a minha energia havia se esgotado com aquela conversa, logo não pude resisti-lo. Permiti a mim mesma descansar a cabeça em seu peito largo e chorei. Ele contornou meu corpo com seus braços fortes, me segurando com força.
"Eu eternamente amarei você Sasa, mas não dessa forma. Eu não posso te tomar como minha companheira. Eu terei que rejeitar você. Por favor, me perdoe por isso." Ele sussurrou.
Minha loba se submeteu ao Alfa, eu não poderia desafiá-lo. Isso significava que se ele estivesse me rejeitando, eu teria que simplesmente aceitar a rejeição. Era inevitável, mesmo que isso partisse meu coração ou me fizesse chorar, eu não tinha escolha.
Senti seus lábios tocarem a minha testa e depois minha têmpora. Ele estava espalhando breves beijos em meu rosto. Sua mão rastejou ao redor do meu cabelo e seus lábios alcançaram minhas bochechas. Ele começou a beijá-las, pouco antes de alcançar meus lábios e enfim beijá-los também. Eu me afastei.
"Não!"
Ele pareceu chocado com minha atitude repentina. "Sasa..." Ele começou a dizer.
"Não! Eu não sou mais sua, não somos mais companheiros. Você não pode me tocar, Gustavo Abreu." Eu me debati e o empurrei.
"Eu não queria te machucar, Sasa..."
"Você já fez o suficiente, meu Alfa. Acabou. Aceito sua rejeição, Alfa Gustavo." Me curvei assim que soltei minhas palavras furiosamente. Seus olhos castanhos me encaravam fixamente. Ele parecia perplexo, como se não esperasse por essa resposta.
Sem olhar para trás, eu apenas corri para a floresta. Os vestígios das minhas roupas sopravam com o vento, conforme rasgavam enquanto eu me transformava em meu lobo branco prateado. Corri até chegar ao penhasco mais alto da floresta e uivei noite adentro.
Sandra Caminha, de 15 anos, abriu os olhos quando os raios de sol da tarde entraram pela janela do carro e atingiram seu rosto. Ela murmurou um gemido sonolento e esfregou seus olhos, o cochilo não foi longo o suficiente. Ela checou seu iPhone, eram 14:30 de uma tarde de sábado e eles já estavam na estrada já fazia seis horas, numa viagem. Ela lentamente sentou-se no banco e espreguiçou seus braços ao alto, seus músculos estavam rígidos devido à posição estranha que dormiu.
"Onde estamos, mãe?"
"Chegaremos em cerca de 20 minutos. Você precisa acordar apropriadamente e se recompor, querida. Seu cabelo está totalmente bagunçado." A mãe da jovem sorriu enquanto olhava para Sandra. Valdinéia Caminha era uma mulher deslumbrante. Seus traços faciais eram angulosos, ela tinha longos cabelos loiros que caíam direto no meio das costas, combinando com sua tez pálida. Mesmo com 35 anos, seu corpo aparentava ter apenas 25. Sua aparência jamais revelava que ela tinha muito mais 25 anos.
"Estaremos chegando lá em meia hora ou mais ou menos isso."
A família estava voltando de umas férias muito necessárias. José Caminha, o recém-promovido Beta da Matilha da Lua de Prata era uma figura imponente, mesmo sentado atrás do volante.
Ele mal cabia no banco do motorista com seus quase dois metros de altura, e pesava 108, 86 kg de músculos e ossos sólidos. Seu cabelo castanho claro estava preso em um topete perfeitamente reto e alinhado.
"Sim, pai, nós já entendemos. Vamos assistir à coroação do novo Alfa." Ela disse.
Ela não tinha tantas expectativas de voltar tão cedo. Mas aquela cerimônia era extremamente importante para as matilhas.
O Alfa Joaquim morreu repentinamente, deixando Gustavo, de 18 anos, como o herdeiro. O rosto de Sandra automaticamente corou ao pensar em Gustavo, ele era fofo. Todas as garotas da matilha tinham uma queda por ele. Ela ponderou a respeito dele, se perguntando quem seria sua sortuda companheira. Sandra tinha apenas 15 anos, levaria mais três anos para encontrar seu companheiro.
Fazia parte do protocolo restrito das matilhas levar filhos e filhas não acasalados de Alfas e Betas a todas as cerimônias. Restavam apenas alguns deles, afinal os acasalamentos são muito importantes para sua sobrevivência.
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Sandra agachou o corpo, seus olhos rapidamente fixaram em sua 'presa', então ela deu um salto e se lançou com os dedos abertos. Beatriz, sua melhor amiga, gritou surpreendida e assustada enquanto ambas rolavam na encosta e caíam em uma poça de lama. Elas riram e brincaram de jogar lama uma na outra, como se aquele fosse apenas mais um dia normal na propriedade. Restavam poucas horas para a início da cerimônia. Como as meninas estavam entediadas, decidiram continuar brincando.
"Oh, céus! Mamãe vai me matar", Sandra lamentou ao analisar o próprio vestido que usava, agora ele estava arruinado.
"Não se preocupe, vamos para minha casa, você pode pegar emprestado um dos meus vestidos", Beatriz ofereceu.
Distraídas, elas não perceberam que um par de olhos as observavam à distância.
"Ei Vitor, quem são elas?" Gustavo Abreu, de 18 anos, perguntou curiosamente; seu olhar seguiu as garotas enlameadas e risonhas indo embora. "Elas são tão divertidas."
Vitor olhou minuciosamente as garotas que gradualmente se afastavam.
"Essas são Sandra e Beatriz, elas são Ômegas, garotas muito travessas, sempre tramando alguma coisa", ele respondeu balançando a cabeça em desaprovação.
"Veja só, elas até mesmo quebraram a fonte do gramado da frente enquanto estavam brincando de esconde-esconde uma vez, aquelas garotas são uma ameaça!"
Gustavo bufou com discordância. "Elas parecem inofensivas para mim!"
"Ah, elas são inofensivas o suficiente, apenas muito travessas." Vitor disse enquanto esboçava um grande sorriso: "Mas hoje você deve se concentrar em sua coroação, você se parece tanto com seu pai. Ainda me lembro de quando ele se preparava para sua própria coroação." A voz de Vitor se encheu de orgulho.
"Ele ficaria tão orgulhoso de você, Gustavo."
O garoto suspirou. "Espero conseguir liderar a matilha como ele. Sinto falta dele."
"Todos nós sentimos." Vitor concordou com a cabeça.
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Valdinéia empurrou a filha para o banheiro.
"O que farei com você, Sandra?" Ela perguntou enquanto tirava o vestido enlameado e rasgado de sua filha. Ela abriu a torneira da banheira.
Para o azar de sua filha, Valdinéia estava visitando os Dorneles quando Beatriz Dorneles voltou para casa com sua amiga igualmente suja. Como esperado, Valdinéia ficou furiosa e Sandra foi arrastada pela mãe de volta para casa.
"Vá logo se limpar, em breve começará a coroação e você além de completamente suja, arruinou seu vestido! Apresse-se ou vamos acabar nos atrasando." Sua mãe alertava enquanto pegava o vestido sujo e o jogava no lixo.
Sandra fez beicinho quando sua mãe saiu do banheiro e a trancou lá dentro. Ela não poderia sair até que se limpasse totalmente. Ela encarou a água quente na banheira por alguns segundos.
"E quem quer ir para essa cerimônia chata de qualquer forma?" Ela resmungou, mas para evitar que sua mãe ficasse ainda mais nervosa, Sandra logo entrou na banheira e se divertiu espirrando a água.
"Não perca seu tempo brincando, Sandra Caminha!"
Sua mãe gritou do outro lado da porta, então Sandra fez beicinho novamente.
"Seu pai acabou de ser promovido, mas essa garota não tem vergonha! O que o Alfa Gustavo vai achar da nossa família?" Sua mãe resmungou para si mesma.
Sandra odiava quando sua mãe a disciplinava, mas ela estava certa. O que Gustavo acharia? Espero que ele não tenha me visto brincando na lama. Ela pensou.
Sandra pegou um frasco de xampu, despejou um pouco na palma da mão e começou a esfregar o próprio cabelo, até surgir espuma. 'Isso é um saco', ela pensou enquanto ensaboava seu corpo com um sabonete de fragrância doce. Eu deveria estar apresentável para o Gustavo.
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Sandra observava com infelicidade sua mãe dar os retoques finais em sua maquiagem.
"Mãe, eu não sou uma boneca Barbie", a garota resmungou alto, encolhendo-se ao apertar as mãos contra o tecido de seda rosa de seu belo vestido.
"Bobagem, Sandra", sua mãe respondeu despreocupadamente enquanto aplicava brilho labial nos lábios carnudos. Então ela parou por um momento, encarou o reflexo no espelho e sorriu sentindo-se satisfeita com o resultado. Ela se virou e olhou sua filha. "Você está deslumbrante esta noite, Sandra."
A garota revirou os olhos.
"Mãe, vou sair um pouco para tomar ar fresco", afirmou ela antes de sair rapidamente, nem mesmo esperando a resposta da mãe.
Quando empurrou a porta e caminhou com seus saltos altos pelo corredor; vários membros da matilha passaram por ela. Eles riam e conversavam a respeito da coroação desta noite. Todos pareciam lindos e atraentes, vestindo seus ternos de pinguim e vestidos longos e colados de várias cores.
Ela apressou seus passos até a grande escadaria de mármore; seus saltos faziam barulho a cada degrau, tilintando até o primeiro andar. Ela sentiu imensa vergonha, ao ponto do seu corpo estremecer, mas tentou ignorar a todo custo a sensação avassaladora de ser observada, que a deixava ansiosa.
Ela sabia que sua beleza não se comparava com qualquer uma daquelas lobas mais velhas. Eles tinham curvas perfeitas e seios fartos e saltados. A garota se questionou naquele momento se algum dia ela teria uma beleza tão perfeita assim.
Enfim ela empurrou a porta principal e desceu correndo os pequenos degraus da entrada com cautela. Por mais que os saltos a incomodassem, ela não parou de caminhar por nenhum segundo, até encontrar um lugar que a acalmasse. Sandra foi direto para a floresta.
A floresta estava escura. Os últimos resquícios da luz do sol mal podiam penetrar a densa vegetação que cobria a garota. Mas Sandra era capaz de enxergar bem tanto à luz do dia quanto à noite sem nenhum problema. Um humano comum teria se andaria ali como um rato cego, esperando para ser pego por uma coruja faminta. Mas os sentidos aprimorados de lobisomem facilitavam para que a jovem caminhasse despreocupadamente no escuro. Então ela evoluiu a velocidade dos passos, ao ponto que chegou a correr, sentindo o vento bater livremente em seu rosto, mas uma raiz de árvore perdida a fez perder o equilíbrio e ela caiu no chão, caindo de cara.
A garota gemeu, ficando no chão imóvel por um momento, antes de se recuperar e tirar a sujeira de seu vestido caro. Ao perceber que havia rasgado a bainha do vestido, seus olhos se arregalaram horrorizados.
'Mamãe vai me matar', ela pensou ansiosamente enquanto examinava a bainha rasgada. Sandra suspirou. 'Prefiro correr na minha forma de lobo do que me vestir como uma boneca Barbie', ela pensou com veemência enquanto se sentava no tronco de uma árvore caída.
Ela respirou fundo o ar refrescante. A sensação era boa, o ar estava frio ao seu redor.
Sandra chutou seus sapatos para perto de uma árvore caída e sentiu sua loba surgir, assumindo o controle. Ela não era autorizada a se transformar sem supervisão.
Os lobos jovens podiam se descontrolar com facilidade, por isso eles não eram autorizados a se transformar sozinhos, a não ser que estivessem acompanhados de adultos confiáveis. Mas, como loba, Sandra era mais veloz e seus sentidos eram mais apurados do que os de um ser humano normal. Ela respirou fundo, tentando relaxar e então, inesperadamente, disparou a correr em direção à floresta, ainda em sua forma humana. Era mais devagar do que em sua forma de lobo, mas era quase tão bom quanto.
Enquanto corria, ela sentia os galhos finos e as folhas mortas murchas sendo esmagados sob seus pés. Ela adorava a sensação do vento frio em seu rosto. Ela podia ouvir a cachoeira à distância, era o seu esconderijo secreto. Ela diminuiu a velocidade e escalou uma rocha. Ela podia ver ao longe o riacho fluindo em uma linda cachoeira. Dando um passo para trás, ela deu um salto. Seu vestido rasgou mais um vez. Ela xingou. 'Mas que droga?!' Ela pensou. 'Com certeza, já estou de castigo.' Ela pulou através do riacho e aterrissou do outro lado.
Ela suspirou em choque quando pousou, havia outra pessoa ali. Ele estava sentado de pernas cruzadas na mesma pedra em que ela acabava de pular. Ela soltou um grito ao esbarrar nele. Ambos caíram no riacho, com os braços e pernas entrelaçados.
"Mas que droga! O que você pensa que está fazendo?", uma voz masculina ressoou assim que eles reemergiram da água.
"Você perdeu a cabeça? O quê é isso?" Ele resmungou antes de finalmente perceber quem havia pulado sobre ele.
"Quem é você?" Perguntou o estranho.
Sandra olhou para ele, parecia ter entre 21 e 22 anos. Ele era trinta centímetros mais alto do que ela e seu corpo era musculoso, seu cabelo escuro estava molhado enquanto gotas de água escorriam pelo seu belo rosto esculpido. Seus olhos verdes cintilavam de raiva. A loba dela se recolheu para dentro, estava diante de um Alfa.
"Você está me perguntando quem sou eu no meu próprio território? Eu que deveria perguntar, quem diabos é você?" Ela falou sem querer. Sua mãe tinha a alertado sobre estranhos. 'Será que devo avisar a todos?' Ela pensou.
Ele estalou a língua em sinal de desaprovação: "Criando tanta confusão. Você não se cansa de ser tão hiperativa?"
"Você ainda não respondeu minha pergunta, quem é você? E o que está fazendo no território da Matilha da Lua de Prata?"
Ele franziu a testa e então seu rosto se suavizou. Ela parecia ser mais fraca que ele, não fazia sentido assustá-la.
"Eu sou Caio Fernandes, da Matilha Fernandes. Estou aqui a convite do seu Alfa, para assistir à sua coroação. Portanto, se você está pensando em alertar a todos sobre um possível invasor, não se preocupe. Não tenho interesse em invadir esse lixão."
"Ah!" Seus olhos se arregalaram de surpresa. Ela tinha acabado de insultar e derrubar um Alfa visitante!
A matilha tinha convidado várias pessoas importantes, como os membros do conselho e vários líderes de outras matilhas. Caio Fernandes era um dos Alfa mais poderosos, sua matilha era forte e formidável. E agora ele estava bem na sua frente, encarando-a. 'Minha mãe vai me matar!' Ela pensou.
"Eu só estava dando uma corridinha! Eu não sabia que você estaria aqui!" Ela tentou se justificar e começou a caminhar para fora do riacho.
"Opa!" Ela bateu em uma pedra, se desequilibrou e escorregou, puxando-o novamente para a água. Mas desta vez, ele foi mais rápido. Ele a pegou pelo braço e a colocou de pé.
"Você é uma desastrada! Tenha cuidado, seus pés estão escorregadios!" Ele balançou a cabeça em frustração e caminhou para fora da água.
Ela resmungou, mas começou a segui-lo. Ela quase escorregou pela terceira vez, mas ele a agarrou pela sua cintura em tempo de salvá-la. Eles se olharam fixamente, completamente imóveis.
*******
O luar brilhava em seu rosto, acentuando os seus lindos olhos e a curva de seu nariz. Seus lábios eram convidativos, mas ele a soltou imediatamente ao perceber que ela ainda era uma criança. Eles estavam se encarando, ou melhor... Ele a encarava fixamente por todo esse tempo. Assim que sua mão tocou a cintura dela, sentiu seu coração bater de um jeito estranho. Era uma sensação muito peculiar, mas muito familiar. Será que era isso mesmo? Era impossível que ela fosse sua companheira, porém, de alguma forma, ele acabou gostando desse sentimento. Ele procurou pelo seu lobo, que estava de luto há dias. Agora ele estava repentinamente em alerta. Porém, não estava ansioso para reivindicá-la. Estava apenas esperando e observando... Curioso... E intrigado.
"Obrigada." Ela murmurou enquanto saía do riacho, sem nem mesmo olhar para ele. "Eu tenho que ir, preciso voltar e me trocar. Esse é o segundo vestido que eu estrago hoje. Mamãe passou horas online procurando por ele."
Ela suspirou, mas então ela pensou em algo: por que ele estava aqui? Ele deveria estar no salão principal com os outros convidados.
"Alfa Caio, o que você está fazendo aqui sozinho? Não deveria estar lá dentro com os outros convidados?" Ela finalmente perguntou.
Ele continuava completamente imóvel, parado como uma estátua, olhando fixamente para ela.
Ela franziu a testa.
"Caio?" Ela chamou-o. "Você está bem?" Ela o segurou pelo pulso, cutucando-o para ver se ele reagia. Ele não se mexeu.
"Ah, caramba! Eu te transformei em um picolé!" Ela exclamou, esfregando as mãos e tentando aquecer a mão dele.
"Oh, céus! Você pegou hipotermia? Não morra, por favor!"
Ele a afastou para longe, suavemente. "Estou bem." Ele respondeu com a voz rouca enquanto saía do riacho.
"Preciso ir embora." Disse ele e de repente, se lembrou de perguntar algo.
"Qual o seu nome?"
"Sou Sandra Caminha. Mas espere um pouco..." Ela o interrompeu. "O que você estava fazendo aqui sozinho, Caio?" Ela perguntou sem conter a curiosidade, mas então ela mordeu os lábios porque imaginou que tinha passado dos limites ao questionar um Alfa.
"Me desculpe." Rapidamente ela tentou se corrigir.
"Não, não, está tudo bem." Ele respondeu de imediato. Ele realmente precisava ir embora, mas imaginou que poderia ficar por mais alguns minutos para conversar com ela. A garota que fazia seu coração bater de uma forma estranha e feliz.
"Eu estava aqui para refletir sobre... coisas da vida." Ele fez uma pausa. "Estava pensando se sou capaz de liderar minha matilha assim como meu pai fazia, estou preocupado que vou acabar desapontando os membros da minha matilha."
"Não se preocupe. Você vai se sair bem." Ela o encorajou. "Tenho certeza que você será o melhor alfa que eles já tiveram!" E deu um largo sorriso para ele. O seu corpo inteiro estava molhado, suas roupas encharcadas. Seus dentes tremiam.
"Obrigado pelas suas palavras gentis."
Ele se virou e a observou com mais cuidado. Só então percebeu o estado deplorável do vestido dela.
"Sua mãe vai ficar bem chateada quando descobrir que você destruiu o seu vestido." Ele parou e pensou por um momento.
"Sim, eu vou ficar de castigo com certeza." Ela respondeu com tristeza.
"Vamos, venha comigo. Tenho certeza que minha irmã Mirela tem um vestido que ela pode te emprestar."
Ela olhou para ele esperançosa. "Ah, muito obrigada!" Ela disse enquanto corava.
De repente, ele percebeu que gostava de vê-la com o rosto corado. Um largo sorriso surgiu em seu belo rosto enquanto ele oferecia a mão para ela, como um perfeito cavalheiro convidando uma garota para dançar. "Vamos então, a cerimônia de coroação vai começar em breve."
**********
Sandra rodopiava em seu novo vestido sem mangas cor de rosa. Valdinéia a observou com um olhar inquisitório. "Onde foi que você conseguiu esse vestido, Sandra?"
"Eu, hmm... Com um amigo, foi um amigo que me deu." Ela respondeu rapidamente, de toda forma, essa não era uma mentira completa. Ela não queria que sua mãe descobrisse que ela tinha praticamente destruído o vestido caro.
"Valdinéia." Seu pai disse enquanto colocava gentilmente a mão nas costas de sua companheira.
"Precisamos ir agora." Ele concluiu enquanto as direcionava para a câmara onde os outros lobos estavam sentados em seus respectivos lugares. Eles se sentaram com os outros Betas e suas famílias. Foi um momento de orgulho para eles.