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Acordes do Coração

Acordes do Coração

Autor:: Luna caetano
Gênero: Jovem Adulto
No último ano do ensino médio, Luna sonhava apenas em se formar e seguir cantando com sua banda, "The Loyal". Mas quando amizades estremecem, amores florescem e traições ameaçam tudo ao seu redor, ela percebe que crescer dói - e que o amor verdadeiro pode surgir onde menos se espera. Ravi chega de mansinho, com o baixo nos ombros e um coração cheio de intenções. Entre ensaios, segredos e silêncios compartilhados, ele e Luna constroem algo que nenhuma distância ou intriga pode apagar. Mas o caminho até a felicidade é repleto de desafios: rivais que não sabem perder, boatos que machucam e escolhas que podem mudar tudo. Em meio a notas musicais, mensagens trocadas na madrugada, e beijos cheios de saudade, Luna precisa decidir quem ela quer ser - e com quem. Entre palcos e promessas, ela descobre que o amor, assim como a música, exige coragem, entrega e um pouco de fé. Acordes do Coração é uma história de amadurecimento, romance e superação - onde cada batida do coração é um novo compasso de uma melodia inesquecível.

Capítulo 1 Notas Vivas

O som dos instrumentos preenchia os corredores do Colégio Notas Vivas, um lugar onde os dias eram marcados por ensaios improvisados, partituras rabiscadas e corações pulsando no ritmo da música. Era o último ano do ensino médio, e para Luna, cada batida no bumbo da bateria ou acorde no violão significava mais do que uma simples melodia: era sua essência.

Luna caminhava pelos corredores com seus fones pendurados no pescoço e o caderno de composição abraçado contra o peito. O cabelo preso em um coque bagunçado, a camiseta da banda favorita desbotada... Ela era o tipo de garota que não precisava se esforçar para ser diferente. Ela apenas era.

Na sala de ensaio da escola, Noah já afinava sua guitarra com a precisão de quem conhecia cada detalhe da música e do coração de Luna - embora nunca tivesse coragem de dizer isso em voz alta.

- Achei que ia se atrasar hoje - disse ele, sorrindo de lado ao vê-la entrar.

- E perder o solo que você ensaia há duas semanas? Nem pensar - respondeu Luna, jogando a mochila em um canto e pegando o microfone.

Maya, sempre pontual, já estava no teclado, os olhos brilhando de empolgação.

- Vamos começar com "Horizonte Azul"? - sugeriu ela. - O festival de bandas tá chegando e a gente precisa estar impecável.

Mas antes que o primeiro acorde soasse, a porta se abriu com um estalo. Olivia entrou, carregando seu jeito presunçoso e os olhos finos fixos em Luna.

- Que coincidência encontrar vocês aqui, de novo - disse, como se não soubesse exatamente onde estaria a banda.

- A gente ensaia aqui todos os dias, Olivia. Não é coincidência, é rotina - respondeu Luna, sem perder a compostura.

Olivia sorriu, mas havia veneno por trás do gesto.

- Só vim ver se Noah ainda estava por aqui. A gente vai sair depois da aula.

Luna congelou por um segundo. O olhar de Noah cruzou o dela, e por um momento, o silêncio falou mais alto que qualquer acorde.

Foi ali, naquele instante, que as primeiras rachaduras começaram a surgir.

E foi também naquele dia que Ravi apareceu.

De mochila nas costas, baixo pendurado no ombro, e um olhar curioso de quem queria entender o mundo à sua volta, ele entrou na sala como quem tropeça no destino.

- Aqui é a sala de ensaio da banda The Loyal? - perguntou, com um leve sotaque e um sorriso aberto.

Luna foi a primeira a responder. E mal sabia ela que aquele encontro mudaria tudo.

Ravi parecia deslocado - não por insegurança, mas pela natural timidez de quem acabava de mudar de cidade. Seu olhar corria de instrumento em instrumento com uma reverência quase sagrada, e quando seus olhos encontraram os de Luna, houve um breve instante de silêncio. Como se ela reconhecesse nele uma nota perdida de uma música que ela ainda não sabia estar compondo.

- É aqui sim - respondeu ela, sorrindo gentilmente. - Você toca?

- Baixo. E um pouco de guitarra, quando sobra tempo - ele respondeu, ajustando a alça do instrumento no ombro.

Noah se aproximou, estendendo a mão. Havia algo em Ravi que lhe pareceu familiar.

- Noah. Vocal, guitarra e... dono da banda, eu acho.

Ravi apertou a mão dele com firmeza.

- Ravi. Novo na escola, tentando entender onde me encaixo.

Maya sorriu.

- Se toca baixo, já está na frente de metade dos alunos daqui. Falta baixista na maioria das bandas.

- Bom saber - ele disse, sem tirar os olhos de Luna. - E você?

- Luna. Vocal. E letrista - respondeu, cruzando os braços, curiosa.

Olivia pigarreou do canto da sala, visivelmente incomodada com a atenção que Luna e Ravi estavam trocando. Aproximou-se de Noah e o puxou discretamente pelo braço.

- Amor, a gente vai sair ou não? Achei que você já tivesse terminado aqui.

Noah pareceu hesitar. Seus olhos pousaram por uma fração de segundo em Luna, que desviou o olhar e voltou-se para Ravi.

- Quer mostrar o que sabe? - ela ofereceu, apontando para o baixo reserva encostado na parede.

Ravi assentiu, sentando-se com naturalidade. Em poucos segundos, os dedos dele deslizavam pelas cordas com a confiança de quem já conversava com a música há muito tempo. Ele improvisou um riff suave, envolvente, que fez até Olivia parar de reclamar por um instante.

- Uau - disse Maya. - Esse garoto tem groove.

Noah não conseguiu esconder o sorriso.

- Acho que encontramos o que faltava na banda.

- Bem-vindo ao The Loyal - declarou Luna, erguendo a mão para um toque.

Ravi retribuiu, o sorriso largo nos lábios.

Mas enquanto os cinco riam e começavam a ensaiar juntos pela primeira vez, Olivia observava de longe, os olhos semicerrados. O lugar que Luna ocupava - no palco, no coração de Noah, na amizade de todos - era algo que ela não estava disposta a dividir.

E o que era apenas uma fagulha de inveja... estava prestes a se tornar um incêndio.

Os primeiros acordes ecoaram com força pela sala. Com Ravi assumindo o baixo, a banda parecia finalmente completa. A música fluía com uma energia nova - os vocais de Luna e Maya se entrelaçavam como ondas suaves, enquanto Noah conduzia tudo com seu timbre seguro e seu talento inegável. Ravi, mesmo sendo novo, tocava como se estivesse ali há anos.

Mas Olivia não conseguia se concentrar na música. O jeito como Luna sorria para Ravi, a forma como todos pareciam encantados com o novo integrante... Aquilo a incomodava mais do que gostaria de admitir.

Ela encostou-se à parede, tirou o celular do bolso e enviou uma mensagem rápida. Minutos depois, a porta se abriu mais uma vez.

- E aí, maninha! - exclamou Livia, entrando com seu jeito descontraído, cheia de pulseiras coloridas, batom vermelho e um brilho nos olhos que misturava perigo e diversão.

Luna estreitou o olhar ao vê-la. Conhecia Livia de vista, e a fama dela no colégio não era das melhores.

- Vim conhecer o novo prodígio - disse Livia, cruzando a sala até parar ao lado de Ravi. - Então é você o cara do baixo?

Ravi, pego de surpresa, assentiu com um sorriso educado.

- É... sou eu.

- Hmm... interessante - respondeu ela, lançando um olhar que misturava flerte e desafio.

Luna observava a cena com uma leve inquietação. Algo naquela aproximação tão repentina a incomodava - e ela não sabia explicar o porquê.

Maya percebeu e se aproximou.

- Aquela ali é confusão com salto alto - sussurrou.

-Eu sei - respondeu Luna, sem desviar os olhos.

Enquanto isso, Noah desligava a guitarra, animado com a química musical que haviam alcançado.

- Acho que a gente precisa repetir isso fora da escola. Um ensaio mais tranquilo, sem interrupções. O que acham de ensaiar lá em casa no sábado?

- Sábado parece perfeito - disse Maya.

- Eu topo - respondeu Ravi, sem tirar os olhos de Livia, que já brincava com uma palheta do bolso dele.

- Claro, por que não - disse Luna, embora uma nuvem de dúvida começasse a se formar em sua mente.

- Eu também vou - interrompeu Olivia, sorrindo como se tivesse vencido um jogo invisível. - Você não se importa, né, amor?

Noah hesitou, mas respondeu:

- Não... claro que não.

Luna apertou os lábios, o coração batendo um pouco mais rápido. Algo naquele convite, naquela aproximação entre Ravi e Livia, e na presença constante de Olivia, parecia uma combinação prestes a explodir.

E no fundo, ela já sabia: aquele seria um ano diferente. Um ano de descobertas, desafios e acordes que talvez não encontrassem harmonia tão facilmente.

Mas a música... a música sempre falaria mais alto

Capítulo 2 Entre Cordas e Silêncios

O sol do sábado invadia a sala ampla da casa de Noah, projetando feixes dourados sobre os instrumentos espalhados pelo chão. No centro, o sofá empurrado para o canto abria espaço para amplificadores, pedestais, guitarras e um velho tapete onde os cabos se emaranhavam como raízes de uma árvore antiga.

Luna chegou com Maya, ambas com mochilas penduradas nos ombros e sorrisos empolgados.

- Isso aqui parece um estúdio de verdade - disse Maya, girando sobre si mesma. - Um dia a gente vai lembrar dessas bagunças com saudade.

Noah apareceu na porta com duas garrafas de refrigerante e um sorriso um pouco mais tímido ao ver Luna.

- Que bom que vieram cedo. Precisamos montar o setlist do festival.

- Tamo dentro - respondeu Luna, pegando uma das garrafas e se sentando ao lado da bateria.

Pouco depois, Ravi chegou, desta vez sem mochila, mas com o mesmo olhar curioso. Trazia seu baixo pendurado no ombro e um brilho nos olhos que misturava entusiasmo e... distração.

- Luna, Maya, Noah... - cumprimentou com um gesto de cabeça. - E aí? Prontos?

- Prontos - respondeu Luna, embora seu olhar se fixasse por um breve instante no vazio - como se tentasse evitar pensar no que sabia que vinha a seguir.

E, como previsto, a campainha tocou.

Olivia entrou como quem já se sentia dona do ambiente, seguida de perto por Livia, que vestia um short curto demais para um ensaio e um olhar de quem sabia que atraía atenção.

- E aí, grupo - disse Olivia, puxando Noah pela mão. - Que aconchegante aqui...

Luna desviou o olhar, tentando se concentrar no afinador do microfone. Mas bastou um segundo para ver Livia se sentando ao lado de Ravi, tão próxima que os joelhos quase se tocavam.

- E aí, baixista... já decorou meu nome? - provocou ela, mordendo o canudo do copo que trazia.

Ravi riu, sem perceber o desconforto que se espalhava pelo ar.

O ensaio começou.

Primeira música: Horizonte Azul. Luna fechou os olhos, tentando se concentrar na letra. A voz de Maya harmonizava perfeitamente com a dela, e Noah, apesar de visivelmente distraído com Olivia em seu colo, mantinha os dedos firmes nas cordas.

Mas o som estava diferente. Algo não encaixava. Não na música, mas entre eles.

Na segunda música, Silêncio em Mim, Ravi improvisou um solo no final que fez todos se entreolharem.

- Isso foi... incrível - disse Luna, tentando esconder o brilho nos olhos.

- Valeu - ele respondeu, com um meio sorriso, mas logo foi interrompido por Livia, que passou os braços ao redor dos ombros dele.

- Ele é um gênio, eu falei!

Luna sentiu um incômodo estranho no peito. Ciúme? Desconfiança? Nem ela sabia ao certo. Mas uma coisa era clara: havia algo em Ravi que mexia com ela. E Livia estava começando a perceber isso.

- Vamos fazer uma pausa? - sugeriu Noah, largando a guitarra e se levantando. - Tem pizza na cozinha.

Enquanto todos se dirigiam ao corredor, Luna permaneceu sentada, olhando para o microfone em suas mãos.

Ravi notou.

- Tá tudo bem?

Ela hesitou, mas sorriu.

- Tá sim. Só pensando... em como às vezes o silêncio diz mais que uma letra inteira.

Ravi a olhou por um momento mais longo do que o necessário. E então, com a voz baixa, respondeu:

- Talvez a gente só precise aprender a ouvir.

E naquele instante, entre vozes abafadas na cozinha e acordes ecoando na memória, Luna soube: a música estava apenas começando - mas o coração dela... já estava tentando acompanhar o ritmo.

- Tá decidido - disse Noah, limpando as mãos na calça depois de pegar mais um pedaço de pizza. - Eu não dou conta de cantar, tocar guitarra e bateria. Alguma hora alguém vai sair surdo com minha falta de coordenação.

Maya riu.

- A gente sempre soube disso, mas ninguém tinha coragem de dizer.

- Ei! - fingiu ofensa, Noah. - É sério. A gente precisa de um baterista de verdade. Vamos abrir a vaga segunda-feira, no mural da escola.

- Ou a gente pode fazer um caça-talentos - sugeriu Maya, empolgada. - Tipo... teste ao vivo!

- Adorei - disse Luna, já imaginando a movimentação nos corredores do Notas Vivas.

Olivia, que até então estava distraída no celular, resmungou:

- Mais um pra encher o saco...

- Ou pra tirar o foco - completou Livia, lançando um olhar sugestivo a Ravi, que fingiu não ouvir.

---

Segunda-feira – Colégio Notas Vivas

O anúncio da vaga para baterista se espalhou rápido. Na hora do intervalo, um grupo já se amontoava em volta do mural da banda The Loyal, enquanto os rumores corriam pelos corredores.

Foi quando ele surgiu.

- Dá licencinha, que o talento chegou! - gritou um menino de cabelo bagunçado, óculos pendendo na ponta do nariz e um par de baquetas espetadas no bolso da calça jeans rasgada.

Luke entrou como se fosse uma estrela do rock esquecida nos anos 2000. Usava uma camiseta com um pato tocando guitarra e chinelos coloridos que faziam barulho a cada passo.

- E aí, pessoal do som! Vim salvar a alma rítmica de vocês - disse, jogando uma das baquetas pro alto e quase acertando um professor.

- Você toca bateria? - perguntou Noah, tentando esconder a surpresa.

- Toco, toco teclado, toco campainha, toco terror, toco tudo que faz barulho, parceiro - respondeu com um sorriso debochado.

Luna caiu na gargalhada. Maya bateu palmas.

- Esse eu já gostei.

Olivia, por outro lado, torceu o nariz.

- Ah não... isso aqui virou circo agora?

Luke parou, ajeitou os óculos e imitou a voz de Olivia de forma teatral:

- "Ai não, isso aqui virou circo agora?" - e fez uma reverência. - Desculpa, você é a recepcionista do tédio ou a rainha do recalque?

Os colegas explodiram em risadas. Até Ravi riu baixo, e até Livia se surpreendeu.

- Tá bom... ele é insuportável, mas engraçado - murmurou ela.

Luke se virou para Livia e emendou:

- E você, a cópia mal feita da outra? Vocês vêm em pacote de promoção? Uma reclama e a outra ecoa?

- O QUÊ? - gritaram as duas ao mesmo tempo, irritadas.

Luke piscou para Luna.

- Essas duas são o remix da TPM com o drama, né?

Luna precisou se apoiar na parede de tanto rir.

Noah deu um passo à frente, cruzando os braços com um meio sorriso.

- Ok, Luke. Você fez a galera rir, mas sabe mesmo tocar?

Luke ergueu as baquetas.

- Me dá cinco minutos, uma bateria e talvez um copo d'água... e eu faço vocês repensarem a vida.

- Amanhã, no intervalo, na sala de música. Traz as baquetas - disse Noah.

- E o talento, não esquece - completou Luna, ainda sorrindo.

Luke bateu continência de forma desajeitada e saiu marchando pelo corredor, imitando o som de uma bateria com a boca.

Noah virou para Luna, meio rindo, meio sério.

- Esse cara é maluco.

- É... mas às vezes é disso que a gente precisa pra equilibrar o caos.

E sem que ninguém percebesse, os primeiros laços entre eles começaram a se formar. Laços feitos de música, risos, provocações... e de algo que, aos poucos, se tornaria muito mais forte.

Na manhã seguinte, a sala de música do Notas Vivas estava cheia. A notícia do "candidato maluco" que ia fazer teste para The Loyal tinha se espalhado, e até professores apareceram para espiar pela porta entreaberta.

Noah estava encostado na parede, braços cruzados, guitarra nas costas. Luna e Maya organizavam os microfones, enquanto Ravi ajustava os pedais do baixo. Olivia e Livia, contrariadas, estavam no fundo da sala - só esperando Luke fazer papel de bobo.

E então ele chegou.

Luke entrou dançando, com um fone pendurado no pescoço e as inseparáveis baquetas girando entre os dedos.

- Bom dia, meus queridos desafinados emocionais. Preparados pra sentir o chão tremer?

- A gente espera que não seja de vergonha - provocou Olivia, revirando os olhos.

Luke piscou e imitou o tom dela:

- "A gente espera que não seja de vergonha" - e depois encarou a bateria como se fosse um trono.

Sentou-se no banco, estalou os dedos, ajustou o banco e girou os ombros como se estivesse prestes a entrar em uma arena. Quando bateu as baquetas uma na outra, o silêncio tomou conta da sala.

- Vamos nessa - disse Noah.

A música escolhida foi A Linha do Horizonte, uma das mais difíceis do repertório, com viradas rápidas e mudanças de ritmo inesperadas. Luke respirou fundo e... começou.

Em segundos, as piadas sumiram.

O som era firme, preciso. Luke não apenas acompanhava - ele conduzia. As viradas de baqueta vinham no tempo certo, e ainda assim ele mantinha o sorriso no rosto, fazendo caretas engraçadas enquanto tocava, como se estivesse se divertindo num parque de diversões.

Quando a música terminou, houve um segundo de silêncio... seguido por aplausos e assobios dos colegas que assistiam pela janela.

Luna estava boquiaberta. Maya piscava incrédula.

- Ok... isso foi incrível - disse Noah, com um sorriso surpreso. - De onde você saiu?

- De um universo paralelo onde bateria é religião e sarcasmo é idioma oficial - respondeu Luke, se levantando com um gesto dramático.

Ravi bateu no ombro dele.

- Você mandou muito bem, cara.

Até Livia, contrariada, murmurou:

- Ele é irritante... mas tem talento.

Olivia apenas cruzou os braços, emburrada.

Luke se virou para ela com um sorriso travesso:

- Relaxa, princesa do mimimi. Eu vim pra tocar, não pra roubar o trono.

Luna não se aguentou e caiu na gargalhada mais uma vez. Quando conseguiu recuperar o fôlego, olhou para Noah.

- Então... ele entrou?

Noah fez que sim, sem hesitar.

- Bem-vindo à banda, Luke. Agora The Loyal tá completa.

Luke girou as baquetas e fez uma reverência desajeitada.

- É uma honra ser o caos rítmico de vocês. Vamos fazer barulho, galera!

E ali, no meio de risos, olhares trocados e promessas musicais, a nova formação da banda foi selada. Eles ainda não sabiam, mas aquele seria o início de uma jornada que mudaria a vida de todos - nota por nota, acorde por acorde.

Capítulo 3 Novos Ritmos, Velhos Sentimentos

O sábado amanheceu com céu limpo e uma brisa fresca que atravessava as janelas abertas da casa de Noah. Na garagem, já transformada em estúdio improvisado, cabos, instrumentos e almofadas coloridas estavam espalhados pelo chão. Era o cenário perfeito para o primeiro ensaio oficial da banda com a nova formação.

Luke chegou primeiro - com uma camiseta escrita "Bato melhor que o destino" - trazendo uma sacola de salgadinhos e refrigerante.

- Café da manhã dos campeões - disse, jogando um pacote para Ravi, que o pegou no ar, rindo.

- Isso explica muita coisa - comentou Maya, já com o microfone na mão.

Luna chegou em seguida, com a guitarra pendurada no ombro e o cabelo preso num coque bagunçado. Sorriu ao ver todos reunidos, mas seu olhar parou por um segundo em Noah, que ajeitava o pedal da guitarra com concentração. Ele não percebeu, ou fingiu não perceber.

- Pronta pra destruir corações com a voz, estrelinha? - brincou Luke, fazendo uma reverência para Luna.

- Desde que você não destrua os meus tímpanos com suas piadas.

- Sem promessas!

Quando Olivia e Livia entraram, o clima esfriou. As duas se sentaram de canto, como se estivessem apenas observando - embora seus olhares para Luna e Ravi falassem mais do que qualquer palavra.

- Tá todo mundo aí? - perguntou Noah, batendo as palmas. - Então vamos começar com Sombras Claras. Luke, é a sua estreia. Quer brilhar?

- Nasci pra isso, meu chefe - respondeu ele, girando as baquetas como quem prepara um truque de mágica.

A música começou.

E o que se seguiu foi eletrizante. Luke parecia tocar com o corpo todo, acompanhando os riffs de Noah e os graves poderosos de Ravi com precisão surpreendente. Maya e Luna alternavam os vocais, suas vozes se fundindo como se fossem feitas para cantar juntas.

No meio da canção, Ravi lançou um olhar para Luna. Ela sorriu de volta, quase sem perceber. Noah, por sua vez, viu a troca de olhares - e, pela primeira vez, errou uma nota na guitarra.

- Tudo bem? - perguntou Maya, sussurrando.

- Tudo certo - respondeu ele rápido, voltando a tocar.

Ao final da música, todos aplaudiram. Até Olivia, a contragosto, soltou um comentário:

- Admito... foi bom.

- Isso não foi só bom - disse Ravi. - Foi o melhor ensaio que já tivemos.

Luna assentiu, ainda com o coração acelerado. A música parecia ter acordado algo dentro dela. Algo que vinha crescendo - e que se confundia com os olhares de Ravi, os silêncios de Noah, e as faíscas de rivalidade com Olivia.

Luke, jogado no sofá, gritou:

- Já posso tatuar o nome da banda no braço?

- Espera pelo menos a primeira apresentação - respondeu Noah, rindo. Mas o sorriso durou pouco. Quando seus olhos encontraram os de Luna, o que viu foi a dúvida. E o que sentiu foi o velho medo de perdê-la de vez.

Enquanto todos riam e trocavam ideias para as próximas músicas, Luna saiu por um instante para respirar. Ravi a seguiu, discretamente.

- Ei... - disse ele, se aproximando do portão. - Você tá bem?

- Tô. Só... tentando entender essa bagunça dentro de mim.

- Se for sobre a banda, relaxa. Você é a alma disso tudo.

Ela sorriu, mas não disse nada.

Ravi hesitou, depois tocou de leve o ombro dela.

- E se for sobre outras coisas... tipo, a gente... eu tô aqui também.

Luna olhou para ele, confusa e tocada.

Do lado de dentro, Noah os observava pela janela entreaberta, sentindo a música silenciar dentro do peito.

---

Mais tarde naquela tarde, após o ensaio intenso, a banda decidiu fazer uma pausa. Alguns estavam jogados nos pufes, outros do lado de fora rindo com Luke, que improvisava personagens esquisitos com um cabo de microfone como peruca. Luna, por sua vez, se afastou discretamente e foi até o quarto de Noah buscar seu caderno de anotações, onde guardava rascunhos de letras e melodias que ainda não tinha coragem de mostrar.

No meio deles, havia uma canção especial. Uma letra que falava de um sentimento guardado há anos. Que falava de olhares trocados sem palavras, de uma amizade que doía de tão intensa, de um amor que cresceu em silêncio, mas nunca teve coragem de florescer.

Era sobre Noah.

Mas Luna nunca dissera isso a ninguém. Nem mesmo para Maya.

Ela voltou para a sala e deixou o caderno sobre a caixa de som, distraída, enquanto ajudava Ravi a organizar os cabos. Maya, curiosa como sempre, não resistiu. Pegou o caderno e começou a folhear, reconhecendo letras já conhecidas... até que algo novo lhe chamou atenção.

"Invisível em teus olhos, forte demais no meu silêncio..." - leu em voz alta, os olhos arregalando.

- Que música é essa? - murmurou, e num impulso, pegou o violão de Luna e começou a dedilhar os acordes intuitivamente.

A melodia parecia já estar viva nas palavras. Quando Maya começou a cantar, todos pararam o que estavam fazendo.

- Que música é essa? - perguntou Noah, se aproximando.

- Eu não sei... tava no caderno da Luna.

Luna se virou na hora, percebendo o que estava acontecendo. O sangue fugiu de seu rosto.

- Maya, não! - ela exclamou, mas já era tarde.

A voz suave de Maya preenchia a sala, dando vida às palavras que Luna jamais pensou em dividir com alguém:

"Você sorri e eu disfarço

Finge que não dói

Mas o silêncio entre nós

Sempre falou demais..."

O ambiente ficou em silêncio por alguns segundos depois da última nota. Luke foi o primeiro a se pronunciar:

- Ok... isso foi lindo. Quem foi que escreveu isso?

Maya olhou para Luna, que ainda estava paralisada, o coração batendo descompassado.

- Foi ela - disse Maya, sorrindo com carinho. - Luna escreveu.

Noah se virou para ela, surpreso. Havia algo diferente em seu olhar. Como se, de repente, estivesse vendo Luna de outro jeito.

- É... sobre alguém em especial? - perguntou, a voz mais baixa.

Luna hesitou, sentindo todos os olhares sobre ela. Podia mentir. Podia dizer que era só uma letra qualquer.

Mas algo dentro dela se recusou.

- É só... uma letra antiga. Nada demais.

Noah assentiu devagar, mas algo em seu rosto mostrava que ele não acreditava totalmente.

Ravi observava tudo em silêncio, mas seu olhar pareceu escurecer por um instante. A conexão entre Luna e Noah era sutil, mas inegável.

- A gente devia ensaiar essa - disse Luke, quebrando o clima tenso. - Tipo... agora. Antes que a inspiração fuja e vire um boleto vencido.

Todos riram, e Luna forçou um sorriso. Por dentro, seu mundo estava girando.

Naquele dia, sem querer, ela deixara escapar um pedaço de si.

E The Loyal acabava de ganhar

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