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Alem da Escuridão

Alem da Escuridão

Autor:: Tatiane B Simões
Gênero: Jovem Adulto
Medson era uma adolecente determinada e cheia de sonhos, mas sua vida foi virada de cabeça para baixo quando, ao descobrir a traição de sua mãe, sofre um terrível acidente, onde perdeu completamente a visão. Com medo da rejeição ela se afasta de Fabrício, seu primeiro e único amor. Anos se passou, Medson teve que seguir enfrentando o desafio de viver em um mundo escuro e desconhecido, ela se vê confrontada com obstáculos inimagináveis que testarão sua coragem diariamente. Enquanto tenta se adaptar à sua nova realidade, Medson descobre que sua vida está entrelaçada com uma teia de traições e segredos que a cercam desde sempre. O destino guarda uma cruel surpresa para Medson, quando sua própria mãe a vende para Miguel, um mafioso sem coração, que assim que coloca seus olhos nela ficou completamente obcecado. Ele está decidido a ter ela a qualquer custo, aproveitando-se de sua vulnerabilidade e cegueira. No entanto, contra todas as expectativas, alguém inesperado do seu passado surge disposto a lutar por ela. Fabrício é filho de um dos mais temidos mafiosos, mesmo contra a vontade do pai ele se tornou um implacável policial e faz até o impossível para esconder filho de quem é. Ao percebe que Medson é bem mais do que uma mera vítima que o destino lhe trás e sim a mulher que por anos procurou, Fabrício não medirá forças para vingar tudo que Miguel fez com ela e será capaz de se tornar tudo aquilo que seu pai deseja para protege-la. Entre as sombras da escuridão, ela encontrará a luz que a guiará para a vitória. A luta pelos seus sonhos e pela própria vida começou.

Capítulo 1 Ele não teve escolha

Medson estava sentada no chão frio daquela casa que hoje se faz seu cativeiro. As suas veste rasgadas, seu rosto machucado e as lágrimas que já não escorria mais, presas em seus olhos, sentindo a brisa sombria e o medo que a persegue abraçar seu corpo. Ela se lembrava vividamente do dia em que tudo mudou. A primeira vez que sentiu seu coração disparar, quando enfim se declarou para Fabrício, a traição da mãe, o acidente que tirou sua visão e o primeiro contato com o homem que destruiu a sua vida.

Ela tentava se reerguer, mas parecia que o peso de todas as adversidades era esmagador demais. A voz de sua mãe ecoava em sua mente, as palavras cruéis que ela disse quando descobriu a traição com o melhor amigo de seu pai.

Medson se perguntava como poderia seguir adiante. Naquele tempo a escola parecia tão distante, ela havia se afastado dos seus amigos, pois acreditou que eles fossem incapazes de lidar com a nova realidade de sua vida. Ela se sentia sozinha, uma solidão que ela mesmo se colocou, perdida na escuridão que agora era sua constante companhia.

Mas hoje com sua nova realidade, estar sozinha, era a melhor opção.

Como ela poderia imaginar que aquela ida mais cedo para casa, iria lhe trazer tanto medo e dor? Como ela poderia imaginar que sua própria mãe lhe venderia sem sentir o menor remorso?

Medson não conseguia entender o que a levou a estar naquela situação. Ainda tentava processar a traição de quem ela tanto precisou de proteção. Ela se sentia traída, abandonada e perdida. Tudo o que ela queria naquele momento era voltar no tempo e consertar o que estava quebrado, mas ela sabia que isso era impossível.

Enquanto estava imersa em seus pensamentos, ela ouviu passos pesados se aproximando. O coração de Medson acelerou com o medo do que estava por vir. Ela já sabia o que esperar, sabia que por mais que tentasse lutar, ela não conseguiria se livrar dele... o homem que destruiu a sua vida.

Enquanto a porta se abria lentamente, Medson se encolheu abraçando fortemente seu próprio corpo e respirou fundo, preparando-se para mais um dia do seu pior pesadelo.

Os passos se tornam cada vez mais próximos, Medson estava com misto de sentimentos, mas o medo e a angústia a consumia a cada soar das batidas dos sapatos no chão, até que de repente um toque delicado a fez tremer e uma voz que até então era desconhecida, soou aos seus ouvidos.

- Medson... meu Deus, enfim te encontrei.

Anos atrás...

Medson Parker nasceu e cresceu no Texas. Como toda adolescente de 15 anos faz planos de crescer, estudar e trabalhar naquilo gosta. Seu sonho sempre foi ser estilista. Apesar da vida simples que leva, sua vontade de crescer e ajudar o pai era imensa.

Como todos os dias quando o fim das suas aulas chegam, ela senta num banquinho de cimento que tem na praça que fica atrás escola. Seus olhos percorrem entre os adolescentes que ali estavam e param em uma única pessoa. Lá estava ele, seu primeiro amor. Fabrício era um garoto muito gentil e educado. Medson sempre se sentia extremamente feliz por estar com ele mesmo sendo somente como amigos.

- Oi para garota dos olhos verdes mais lindos que já vi.- Fabrício fala a cumprimentando, ele senta ao seu lado e ficam por alguns minutos em um silêncio confortável.- Esse é seu caderno de desenhos?- ele diz puxando das mãos dela.

- Não, devolve, você não vai gostar.- Medson sussurrou tentando pegar, seu corpo se inclina um pouco perto dele e por uns segundos ela sente seu coração acelerar, ela sorri disfarçadamente sentindo seu rosto corar.

- Nossa que incrível os seus desenhos.- ele diz, foleando o caderno admirado com tamanho talento que ela tem, mas para quando em algumas folhas vê que Medson desenhou seu rosto, Fabrício começa a encara-la diferente de todas as outras vezes.

- Você gostou?– Medson pergunta envergonhada.- Acho que preciso melhorar em muita coisa.- Ela sussurra desviando o assunto.

- Melhorar o que? Está perfeito.

- Ah, você sabe! Minha mãe sempre diz que não tenho talento para isso.

- Como não? Sua mãe não sabe de nada. Medson, você é incrível, olha seus desenhos, isso daqui é uma obra de arte! Nem mesmo muitos profissionais conseguem dar tanta perfeição. Ouça, você pode se tornar tudo aquilo que você quiser. Nunca deixe as palavras negativas das pessoas te dizerem ao contrário.

- Você tem razão, minha mãe nunca está satisfeita com o que eu faço mesmo.- Medson desvia o olhar e olha para o chão.- As vezes até penso que ela só me suporta por causa do meu pai.

- Ela não sabe a a garota incrível que tem.- ele leva os braços para cima do ombro dela e a abraça.

- Obrigada, Fabrício...

Os dois se olham novamente com carinho e admiração, Fabrício leva os dedos para o rosto dela e gentilmente acaricia sua bochecha. Novamente Medson sente um arrepio percorrer em seu corpo e seu coração começa a bater mais rápido. Ela nunca havia sentido coisas tão intensa antes.

Sentindo tamanha conexão, Medson se inclina levemente em direção a Fabrício. Seus lábios se aproximam lentamente, como se o tempo estivesse parado naquele momento. O coração de Medson está prestes a entrar em curto quando seus lábios finalmente se encontram em um beijo suave e doce. O mundo ao redor desaparece e tudo o que importa é a sensação maravilhosa de estar perto de Fabrício. Medson sente uma mistura de felicidade e emoção, tudo se misturando em um único momento mágico, o seu primeiro beijo.

O beijo dura apenas alguns segundos, mas parece uma eternidade para ambos. Eles se separam lentamente, saboreando a doçura desse momento especial.

Medson olha nos olhos de Fabrício, seu sorriso tímido revelando toda a felicidade que ela está sentindo. Fabrício sorri de volta, seus olhos brilhando com sinceridade.

- Já tem um tempo que venho pensando em fazer isso.- Diz Fabrício, encarando seus olhos com ternura e admiração.

- Eu não sei o que falar.- ela sorri timidamente, fazendo ele sorrir.

Novamente eles se beijam, um beijo inocente, sem querer precipitar nada. Apesar de Fabrício ter 18 anos, já ter conhecimento de coisas que Medson desconhece, ele se sentiu tão bem com aquela cumplicidade que tiveram.

Enquanto eles se abraçam, Medson encosta a cabeça no seu peito, eles ficam ali apreciando a companhia um do outro até entardecer.

No decorrer da semana, Medson e Fabrício se encontram na praça da escola. O sol estava se pondo e a brisa suave traz consigo uma sensação de conforto. A amizade entre eles cresceu desde aquele primeiro beijo, e agora, se encontram com mais frequência para conversar e compartilhar momentos especiais.

Sentados no mesmo banco de sempre, Medson e Fabrício sentem-se à vontade um com o outro. A conversa flui naturalmente, como se não houvesse espaço para silêncios desconfortáveis. Eles riem juntos, compartilham seus sonhos e até mesmo seus medos.

Enquanto trocam confidências, Fabrício olha para Medson com admiração e carinho. Seu coração ainda se lembra daquele primeiro beijo, que foi tão especial para ele. Mas agora, ele sabe que precisa agir com cautela, pois Medson é jovem e está começando a explorar o mundo.

- É tão bom estar com você.- Ele diz segurando Levementesua mão.- Só ao seu lado consigo ser eu mesmo, sabe. Sem aquela cobrança do pai com os treinamentos.

- É difícil fazer o que a gente não gosta.

- Muito. Meu pai mora em outro país, porém todos os dias ele deixa seu braço direito me seguindo para ver se farei o que ele manda.

- O que seu pai faz?- ela pergunta curiosa. Fabrício suspira pesadamente sentindo exausto.

- Infelizmente não posso te contar. Ele é tudo aquilo que eu abomino. Mas sei que assim como eu, ele não teve escolha.

- Hum, seu pai é um mafioso?- Ela brinca e Fabrício desvia o olhar.- Seja como for, sei do seu caráter e nada me faria perder essa admiração que tenho por você.- Medson se aproxima e da um leve beijo nele, Fabrício a abraça e suspira aliviado.

Por outro lado, Medson sente-se atraída por Fabrício de uma maneira que nunca experimentou antes. Seus beijos são suaves, gentis e despertam uma sensação de conforto. Ela se sente protegida em seus braços.

Aquelas palavras são um alívio para Fabrício.

- Sua maturidade me surpreende.- Ele brinca e eles começam a rir.- É tão bom saber que posso contar com você, que não tem cobrança em saber coisas que é tão importante. Eu prometo que vou fazer de tudo para que nosso relacionamento seja sempre assim.

- Eu amo você Fabrício, e quero muito nos ver conquistar tudo que merecemos.- Medson da um leve beijo nele e logo separa envergonhada.

- Voce é uma fofa.- ele sorri com as bochechas dela ficando avermelhadas.- Tendo você do lado, não preciso de mais nada.

- Já escolheu a faculdade ou instituição de ensino que ofereça o curso de formação?

- Sim, já me escrevi no curso de formação de policiais.

- Que legal. O que tanto você vai ter que fazer?

- Tanyas coisas, nada que eu já não tenho feito por ordens do meu pai. Vou começar a defesa pessoal, armamento e tiro, primeiros socorros essa semana.

- Hum, vou ser namorada de um futuro policial?- Ela brinca.

- Sim. E futuramente um chefe de polícia.

Medson sorri orgulhosa com a forma que ele fala. Fabrício se aproxima e envolve ela um longo beijo. Um beijo inocente e cheio de sentimentos.

- Agora tenho que ir, namorado.- ela brinca.- Até amanhã.

- Tá bom, namorada. Amo você. Nunca se esqueça disso.

- Não vou esquecer.

Capítulo 2 Um grave acidente

Medson se despede dele, e vai para casa, andando feliz e sorridente pelas ruas pacatas do bairro, sua mochila pesada nas costas, e seu coração cheio de expectativa para contar sobre mais um dia de aula para seu pai. Ela é uma menina inteligente, dedicada e nunca se deixava abater pelas dificuldades que enfrentava por causa da sua convivência com sua mãe. A vida era uma constante luta para ela, mas Medson era forte e não permitia que isso a derrubasse.

Ao chegar em casa, Medson percebeu um estranho clima de tensão no ar. Sentiu o cheiro de café e cigarro, e ouviu vozes abafadas vindas da sala de estar. Curiosa, ele seguiu pelo corredor até a porta entreaberta.

O que Medson viu a deixou atônita. Sua mãe estava sentada no sofá ao lado de um homem que ela conhecia muito bem. Vladimir, o melhor amigo de seu pai. Eles conversavam em voz baixa, seus corpos se tocando, os risos, mas percebeu também o olhar preocupado da mãe e a expressão culpada de Vladimir.

Medson se aproximou devagar, tentando conter a avalanche de emoções que tomava conta de si. Com um nó na garganta, ela finalmente encontrou coragem para falar.

- Mãe! O que está acontecendo aqui?- ela perguntou, sua voz trêmula, seu coração estava disparado.

Sua mãe virou-se de repente, surpresa ao vê-la ali. Seu rosto ficou pálido. Ela claramente não esperava que Medson voltasse tão cedo para casa.

- Medson, meu amor.- disse ela, tentando encontrar as palavras certas para explicar a situação.

- Meu amor? Desde quando me chama de meu amor?

- Filha... agora não é hora. O que faz aqui? Eu não esperava que você nos visse assim...

Medson sentiu um misto de raiva e tristeza tomando conta de seu ser. Sua mãe e Vladimir, o homem em que seu pai confiava tanto, estão claramente tendo um caso diante dos seus olhos.

- O que está acontecendo, mãe? Por que Vladimir está aqui?- perguntou novamente, sua voz firme desta vez.- Cadê o papai? Ele está lá em cima?

Seus olhos fixaram-se em Vladimir, buscando respostas. O homem baixou a cabeça, incapaz de encarar Medson diretamente. Ela não queria acreditar que o que imaginava era verdade.

- Medson, é complicado...- Começou a mãe, hesitante. - Depois que seu pai... conseguiu o novo emprego eu e Vladimir nos aproximamos. Mas não é o que você está pensando, nós só... nos tornamos amigos, nada mais.

As palavras penetraram no coração de Medson como facas afiadas. Ela sentiu-se traída e abandonada. A imagem de seu pai feliz por ter conseguido um trabalho com um salário melhor, a dedicação que ele tem pela família. Ela não podia acreditar que sua mãe poderia fazer tamanha traição com quem tanto a ama.

- Como você pode, mãe? Como você pode fazer isso com ele? É como se todos esses anos não valessem de nada.- disse Medson, sentindo as lágrimas escorrerem de seus olhos.

A expressão de sua mãe mudou de falsa culpa para raiva. Ela se aproximou de Medson e colocou suas mãos em seu rosto segurando seu queixo com brutalidade.

- Escuta aqui menina mimada. Você vai entrar no seu quarto como se nada tivesse acontecido. Jamais falará o que você viu para o seu pai. - Cassandra sorri e olha para Vladmir e logo encontra os olhos da filha novamente.- E também, se você contar ele não vai acreditar, seu pai é muito burro e acha que nunca faria isso com ele. - Cassandra fala com confirmação.- Vladmir é um homem de verdade, me dá tudo o que eu quero. Eu mereço bem mais que viver nessa miséria que seu pai me proporciona.

Medson sentiu um turbilhão de emoções dentro de si. Ela amava sua mãe, mesmo com a agressividade que ela a tratava. Ver a mulher que seu pai ama cegamente e o até então melhor amigo dele traindo de baixo do seu próprio teto, foi um golpe entanto para doce Medson.

Ela retirou as mãos da mãe do seu rosto e afastou-se abrutalmente, ainda processando toda a revelação. Olhou para Vladimir, um homem que agora parecia completamente diferente aos seus olhos. Havia perdido a confiança nele.

- Meu pai não merecia isso. Você destruiu sua família por joias, roupas caras? Como você pode ser tão barata mãe!- Madson fala controlando a voz que oscilava pela decepção.- E você Vladimir? Como pode jogar anos de amizade por uma mulher que deixou claro que quer somente seu dinheiro?

- Madson, as coisas não são assim, deixe-me explicar por favor.- Vladimir tenta se aproximar, mas ela corre em direção à rua.

- Volta aqui Medson.- Cassandra grita.- Não ouse falar para seu pai.

Medson está arrasada. Descobrir a traição de sua mãe, foi algo que partiu seu coração em pedaços. As lágrimas corriam incessantemente em seu rosto enquanto ela corria pelas ruas do bairro. Sentindo-se perdida e traída, Medson decidiu que precisava sair de casa para poder processar tudo aquilo que acabara de descobrir.

Enquanto ela corria num destino incerto ela não percebia os riscos ao seu redor, seu foco estava no turbilhão de emoções que preenchia sua mente. Sem perceber, ela se aproximava de uma movimentada avenida. Do outro lado da rua, seu destino a esperava, ela apenas não sabia disso ainda.

Na outra ponta da avenida, estava uma motorista chamada Anastásia. Ela estava imersa em uma discussão acalorada pelo telefone, completamente alheia ao que acontecia ao seu redor. Sua atenção estava voltada para a briga e não notava que estava dirigindo em alta velocidade enquanto atravessava o semáforo. Anastásia não viu quando Medson, em uma decisão movida pela dor, corria atravessar a rua sem olhar para os lados, em um breve momento de distração, o destino se encarregou de mudar drasticamente a vida de ambos.

- Medson... não.-Vladimir grita desesperado.

O som do impacto foi ensurdecedor. Medson foi arremessada para o chão, sentindo uma dor aguda em todo o seu corpo. O mundo estava girando e ela não conseguia abrir os olhos. A voz da motorista ecoava ao longe, misturada com os gritos de preocupação de pedestres e o som da sirene da ambulância se aproximando.

Enquanto era levada às pressas para o hospital, Medson permaneceu inconsciente. A voz de sua mãe e a imagem de sua traição continuavam a rondar seus pensamentos enquanto seu corpo estava ensanguentado e seu coração dilacerado. Depois de dois dias quando ela acordou, Medson percebeu a escuridão que a envolvia, a escuridão que seria sua nova realidade.

No quarto do hospital, a jovem menina que falava pelo cotovelos, agora cega esperava silenciosamente. O cheiro de desinfetante era sufocante e o vazio em seu peito era imenso. Sua família estava reunida ao seu redor, tentando entender e lidar com a situação. Medson se sentia como um animal preso em uma jaula, encarando um mundo que ela nunca mais veria.

Sua mãe se aproximou, as palavras descendo com dificuldade de sua boca.

- Minha filha, me perdoe... eu falhei com você. Eu sinto muito.- Cassandra fala tentando agradar a filha, para não correr o risco dela contar o que viu. Medson virou o rosto, incapaz de emitir sequer qualquer som. O silêncio pairou no ar, uma tristeza profunda e indescritível envolvia o pai da menina.

- Minha filha, por que fez isso? Como pode correr para rua sem olhar?- O pai falava desesperado entre as lágrimas, sem entender como sua amada filha, tão responsável em seus atos, teve um ato tão inconsequente.- O que aconteceu filha, me fala, por favor.

- O senhor quer mesmo saber pai?

- Amor, vamos deixar ela descansar, a Medson está confusa, deve estar ainda com dor.

- Como se você se preocupasse né mamãe?- Ela fala com desdém.- Conta pra ele mãe, por que eu corri sem olhar para os lados.

- Do que ela está falando?- Mauro pergunta um uma certa desconfiança.

- Pai? Quem tanto está aqui?

Ela pergunta com certo desespero por não conseguir saber quem está a sua frente. Um toque quente segura suas pequenas mãos, ela recusa amedrontada.

- Sou eu filha. Todos que te amam estão aqui, sua mãe, seu padrinho Vlad e sua irmã Camila.

- Sai daqui padrinho, sai daqui.- Nesse momento ela se desespera, sentindo uma forte dor atingindo sua cabeça.- Ele tem um caso com sua mulher pai, ele estava com ela na sua casa. Sai daqui seu traidor.- Ela grita mais alto sentindo a dor aumentar.

- O que?- Mauro encara Cassandra e Vladmir, com os olhos surpresos e com uma dor imensurável por ouvir essas palavras.

- Vocês destruíram a nossa família, foi por sua causa mãe que os meus olhos perderam a luz. Mas eu não permitirei que você continue enganando meu pai.

- Ela está delirando amor, você sabe que jamais faria isso com a nossa família. Ela está confusa com tudo que aconteceu. Vlad e eu somos amigos a anos, jamais faríamos isso com você.

Cassandra leva as mãos no rosto e começa a chorar, ela estava com raiva por ter sido descoberta, eles tem um caso à mais de 24 anos e nunca ninguém desconfiou, Cassandra não queria por tudo a perder. Vladimir nunca quis assumir ela, por isso ela aceitou ser apenas a amante, que se contenta em ser procurada nos momentos de carência, receber em troca disso, muitas jóias e dinheiro.

- Calma filha, tudo ficará bem, eu prometo. -Seu pai segurou suas mãos trêmulas, compartilhando sua tristeza da filha. Mas incapaz de acreditar que seu melhor amigo e a mulher que ama trairiam sua confiança assim.

- Minha filha, nós estaremos ao seu lado em cada passo da sua recuperação. Superaremos isso juntos e encontraremos um novo caminho, vou estar com você filha.- Cassandra faz mais uma das suas atuações, perto de Mauro ela demonstra ser uma mãe amorosa e compreensiva. Nem sabe Mauro o inferno em que Medson cresceu.

Medson decidiu se calar diante a cegueira do pai. E ali ela compreendeu que a vida pode ser traumática e injusta.

Por outro lado, apesar da escuridão que a cercava e a apavorava, ela tentou acreditar que havia um propósito maior aguardando-a. A história de Medson estava apenas começando, e ela estava disposta a enfrentar as sombras mais profundas para encontrar a luz novamente.

Capítulo 3 A escuridão que venda meus olhos

As semanas se arrastavam na casa de Medson,

Mauro não sabia mais o que fazer para que ela saia do quarto e volte a ser a sua doce menina.

- Por favor filha, você não pode ficar assim.

- Como vou viver assim pai? Eu não consigo nem me vestir sozinha! Como vou fazer o mínimo sem ser um incômodo?

- Filha, nunca mais fale isso, você não é um incômodo, eu sou seu pai e serei seus olhos daqui pra frente.

Mauro se aproxima, abraçando fortemente sua filha.

- Está tão difícil viver assim pai.

- Eu sei filha, mas juntos vamos conseguir superar isso. Eu prometo que farei até o impossível para que você volte a enxergar.

Ele sai do quarto cabisbaixo, seu olhos inchados por noites sem dormir pensando em como fará para conseguir o valor do dinheiro para seguir com o tratamento da filha. Sentado na cama ele olha Cassandra penteando seus cabelos.

- Eu vou vender a casa!- Ele afirma desviando os olhos dela.- O médico disse que há esperança dela voltar a enxergar com uma cirurgia...

- O que?- Cassandra fala alto demostrando desaprovação, ela deixa a escova na penteadeira e levanta com cara de poucos amigos.- Está louco? Como vai vender a casa. Vamos morar aonde?

- Existe inúmeras casas para alugar, sem teto que não vamos ficar.

- Você só pensa nela. E na Camila, não esqueça de que ela também é sua filha.

- Por favor, Cassandra, realmente não estou pedindo sua autorização, eu estou te avisando. Amanhã começaremos a preparar a mudança, vou conversar com um colega do trabalho, ele tem uma casa disponível e o aluguel não é alto, poderei nos manter com meu salário.

- Mauro essa casa é minha, você não acha que eu também tenho que concordar.

- Não, essa casa era do meu pai. E chega dessa conversa, já tomei minha decisão.- Ele sai do quarto com a convicção que era o certo a se fazer.

Cassandra sai pisando duro em direção ao quarto de Medson, sem bater ela entra assustando a menina.

- Quem está aí? Pai é você?

- Você só da trabalho sua imprestável, se não bastasse ser insuportável, agora tem que ser uma cega inútil.

- Ah, é você. O que quer?- sentada na cama ela tenta saber para que lado sua mãe está. Cassandra começa a rir debochando da sua deficiência.- Você deve estar se divertindo muito com essa situação, não é mesmo?- Medson fala sem demonstrar o quanto está magoada com a mãe.

- Olha, não tem como negar que esse acidente caiu como uma luva para a situação, só não esperava que você iria dar tanto trabalho. Espero que fique satisfeita, por seu pai estar planejando vender essa casa.- Ouvindo isso Medson abaixa cabeça, incapaz de conseguir argumentar. - Você deveria ter morrido naquele acidente, só da gastos, despesas e agora trabalho.

Madson começa a chorar, cada palavra é como se fosse uma facada no coração. O ódio que a mãe sente por ela é algo que ninguém consegue explicar.

Naquela mesma semana Mauro correu atrás de médicos especialistas na esperança de devolver a visão a filha, fizeram a mudança para uma casa simples, mais afastada da cidade, todos os dias Cassandra e Camila atormentavam ela por ter perdido o único bem da família.

Mauro não se importava com as reclamações e as indiretas que sua mulher lançava contra ele, nem mesmo as inúmeras súplicas de Medson fizeram ele mudar de ideia, naquela mesma semana vendeu a casa e fez um empréstimo no banco para completar o valor. Depois de um mês de muita angústia, a cirurgia tão aguardada aconteceu.

Medson estava sentada no quarto do hospital, nervosa e ansiosa. Seu pai, caminhava de um lado para o outro, tentando controlar a angústia que tomava conta dele. Ambos estavam ali aguardando ansiosamente pelo parecer dos médicos.

Mauro era um homem sofrido. Desde o acidente que tirou a visão de Medson, ele se esforçava diariamente para proporcionar o melhor para a filha. Vender a única propriedade que possuía, foi difícil, era única lembrança que tinha dos pais, ele cresceu naquela casa, suas melhores lembranças estavam todas lá. Mas ele não importava com nada, naquele momento era tudo por Medson, encontrar uma solução para a cegueira dela virou uma obsessão. A esperança de que ela voltasse a enxergar era o que mantinha Mauro de pé.

O médico especialista, Dr. Olavo, finalmente entrou na sala de espera com um semblante sério. Ele se aproximou de Mauro e Medson, a examinou novamente e com a confirmação do diagnóstico, respirou fundo sem conseguir encarar os olhos de Mauro.

- Então doutor, minha filha voltou a enxergar?- Ele fala esperançoso.

- Não estou vendo nada doutor, é normal né? Por causa de estar recente, não é?

- Infelizmente, por mais que tenhamos feito o possível, não obtivemos sucesso na cirurgia. Retiramos as ataduras dos olhos da Medson por definitivo, mas a recuperação da visão não ocorreu.

As palavras do médico caíram como uma bomba sobre pai e filha. Mauro sentiu como se seu coração tivesse sido partido em mil pedaços, e Medson não conseguia conter as lágrimas que escorriam por seu rosto.

- Não é justo pai! Eu estava tão confiante de que voltaria a ver...- Ela fala entre os soluços.

Mauro abraçou Medson e tentou confortá-la da melhor maneira possível, mesmo que seu próprio coração estivesse partido. Ele lutou para encontrar palavras de consolo.

- Minha filha, eu sinto muito. Eu queria tanto que essa cirurgia desse certo. Eu dei tudo o que tínhamos para tentar recuperar sua visão, mas parece que não foi o suficiente.

- Eu não consigo aceitar, papai. Por que isso teve que acontecer comigo? Que mal fiz para merecer isso?

- Medson, entendo sua frustração, mas nem sempre a medicina pode devolver o que foi perdido. Já fizemos testes e cirurgias de última geração, mas em alguns casos a recuperação não é alcançada.

-Eu só... eu só queria voltar a ver o mundo, o rosto das pessoas que amo.

- Eu sei, minha filha. Eu sei. Eu daria tudo para devolver sua visão, mas infelizmente não está em nossas mãos.

Enquanto pai e filha se abraçavam, um sentimento de impotência e tristeza os envolvia. Apesar de todo o esforço e esperança, eles tinham que lidar com a dura realidade da cegueira de Medson.

- Nós ainda podemos tentar outras alternativas, como terapias visuais ou auxílios tecnológicos que podem ajudar a melhorar sua qualidade de vida, Medson. Estarei aqui para dar todo suporte necessário.

- Obrigada, Dr. Olavo. Eu preciso de algum tempo para me recuperar disso tudo, mas talvez, no futuro, eu esteja pronta para uma nova tentativa.- Medson fala tentando passar força para o pai que naquele momento mal conseguia sustentar seu corpo pela tristeza que estava sentindo.

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