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Alma Antiga, Novo Corpo

Alma Antiga, Novo Corpo

Autor:: Bantang Kafei
Gênero: Fantasia
A memória do meu pai, José, sempre esteve atrelada ao cheiro de sal e peixe, de frente para o mar que nos deu tudo. Mas essa vida simples ruiu quando Bruna, uma mulher ambiciosa e com um sorriso que não alcançava os olhos, surgiu e o cegou com sua beleza e falsas promessas de progresso. Vi com meus próprios olhos minha mãe, Ana, ser expulsa de casa com uma mala e o coração em pedaços, enquanto meu pai dizia que ela "não se encaixava mais naquele mundo". Minha vida virou um inferno com Bruna e seu filho mimado, enquanto observava a parasita drenar a fortuna da minha família e meu pai, cego, cair em suas armadilhas. Tentei alertá-lo, mostrei as provas de desvio de dinheiro, mas ele só via ciúmes em mim, até o dia em que levantou a mão para me mandar embora, preferindo Bruna à própria filha. A última coisa que vi foi um par de faróis antes da escuridão, e o diagnóstico: coma. Eu era uma prisioneira no meu próprio corpo, ouvindo os sussurros de Bruna sobre como ela cuidaria de tudo que era "meu". O ódio me deu força. Eu precisava proteger minha mãe e fazer Bruna pagar. A escuridão cedeu, mas a luz que vi não vinha de um hospital. Acordei em outro corpo, velho e enrugado. Era o corpo da minha avó paterna, a única pessoa que meu pai ainda ouvia e respeitava. Eles me deram uma segunda chance numa nova identidade. Bruna, você não perde por esperar. O jogo apenas começou, e a vingança está apenas começando.

Introdução

A memória do meu pai, José, sempre esteve atrelada ao cheiro de sal e peixe, de frente para o mar que nos deu tudo.

Mas essa vida simples ruiu quando Bruna, uma mulher ambiciosa e com um sorriso que não alcançava os olhos, surgiu e o cegou com sua beleza e falsas promessas de progresso.

Vi com meus próprios olhos minha mãe, Ana, ser expulsa de casa com uma mala e o coração em pedaços, enquanto meu pai dizia que ela "não se encaixava mais naquele mundo".

Minha vida virou um inferno com Bruna e seu filho mimado, enquanto observava a parasita drenar a fortuna da minha família e meu pai, cego, cair em suas armadilhas.

Tentei alertá-lo, mostrei as provas de desvio de dinheiro, mas ele só via ciúmes em mim, até o dia em que levantou a mão para me mandar embora, preferindo Bruna à própria filha.

A última coisa que vi foi um par de faróis antes da escuridão, e o diagnóstico: coma. Eu era uma prisioneira no meu próprio corpo, ouvindo os sussurros de Bruna sobre como ela cuidaria de tudo que era "meu".

O ódio me deu força. Eu precisava proteger minha mãe e fazer Bruna pagar.

A escuridão cedeu, mas a luz que vi não vinha de um hospital. Acordei em outro corpo, velho e enrugado.

Era o corpo da minha avó paterna, a única pessoa que meu pai ainda ouvia e respeitava.

Eles me deram uma segunda chance numa nova identidade. Bruna, você não perde por esperar. O jogo apenas começou, e a vingança está apenas começando.

Capítulo 1

A memória do meu pai, José, está amarrada ao cheiro de sal e peixe, um cheiro que impregnava suas mãos calejadas e a casa que ele construiu com a minha mãe, Ana, tábua por tábua, de frente para o mar que lhe deu tudo.

Ele era um pescador humilde, mas com uma ambição que o oceano não conseguia conter.

Essa ambição o levou para longe do mar e para os braços de Bruna.

Bruna era mais jovem, com olhos famintos e um sorriso que não alcançava esses olhos.

Ela não amava meu pai, amava o que ele tinha se tornado, um homem de negócios com uma pequena frota de barcos de pesca, um nome que começava a ser respeitado na cidade.

A primeira coisa que Bruna fez foi convencer meu pai a expulsar minha mãe de casa.

Ana, minha mãe, uma mulher de poucas palavras e muito trabalho, que dedicou cada segundo de sua vida a ele e a mim, foi posta na rua com uma mala de roupas e o coração partido.

Eu vi tudo, a humilhação no rosto da minha mãe, a frieza no de meu pai.

"É para o seu bem, Ana. Você não se encaixa mais neste mundo", ele disse, sem sequer olhar para ela.

Minha mãe não chorou na frente dele, ela apenas me abraçou forte e sussurrou no meu ouvido: "Seja forte, minha filha. Por nós duas."

Depois que minha mãe se foi, Bruna e seu filho mimado se mudaram. A casa que antes cheirava a maresia e comida caseira, passou a ter o cheiro de perfume caro e desinfetante.

Bruna era inteligente, manipuladora.

Pouco a pouco, ela se infiltrou nos negócios do meu pai.

Contratou amigos, demitiu funcionários leais, fez investimentos arriscados que ela chamava de "modernização".

Meu pai, cego pela paixão, assinava tudo que ela colocava na sua frente.

Ele a via como uma parceira de negócios, uma mulher sofisticada que o elevava.

Eu via uma parasita, sugando a vida e a fortuna que meu pai e minha mãe construíram com suor e sacrifício.

Eu tentei avisá-lo, mostrei as contas, as inconsistências, os nomes estranhos na folha de pagamento.

"Maria, você está com ciúmes", ele dizia, rindo. "Bruna só quer o nosso bem. Deixe de ser criança."

A última discussão que tivemos foi a pior.

Eu tinha acabado de descobrir um desvio de dinheiro enorme, uma transferência para uma conta no nome de Bruna.

Confrontei os dois na sala de estar.

Bruna se fez de vítima, chorando e dizendo que eu a estava acusando injustamente.

Meu pai, como sempre, ficou do lado dela.

"Chega, Maria! Peça desculpas a Bruna agora mesmo!"

"Eu não vou pedir desculpas por dizer a verdade. Ela está te roubando, pai! Você não vê?"

Ele levantou a mão para mim, mas parou no ar. Seus olhos estavam cheios de uma raiva que eu nunca tinha visto.

"Saia da minha casa. E não volte até aprender a respeitar a minha mulher."

Eu saí, batendo a porta com toda a minha força.

Liguei para minha mãe, que estava morando em um pequeno apartamento alugado, e disse que estava indo para lá.

Peguei meu carro, minhas mãos tremendo no volante, as lágrimas cegando minha visão.

A última coisa que eu vi foi um par de faróis vindo na minha direção em alta velocidade.

Depois, escuridão.

O som de um bipe constante e distante.

Uma voz abafada.

"O acidente foi grave... ela está em coma."

Eu podia ouvir, mas não conseguia me mover, não conseguia abrir os olhos.

Eu era uma prisioneira no meu próprio corpo.

Os dias se transformaram em uma névoa de vozes e sensações.

A mão quente da minha mãe segurando a minha.

O choro dela, baixo e constante.

A voz do meu pai, uma única vez, cheia de um remorso superficial.

"Me desculpe, filha."

E a voz de Bruna, sussurrando perto do meu ouvido quando ela pensava que estava sozinha.

"Foi uma pena o que aconteceu com você, querida. Mas não se preocupe, eu cuidarei muito bem do seu pai e de tudo que era seu."

O ódio me deu força.

Um ódio tão puro e intenso que parecia queimar através da névoa que me prendia.

Eu lutei, lutei com cada fibra do meu ser para acordar, para voltar.

Eu precisava proteger minha mãe.

Eu precisava fazer Bruna pagar.

E então, um dia, a escuridão cedeu.

Mas a luz que eu vi não era a luz branca e estéril de um quarto de hospital.

Era a luz amarelada de um abajur antigo, filtrada por uma cortina de renda.

Eu pisquei, confusa.

Tentei levantar a mão, mas o braço que se moveu era velho, enrugado, coberto de manchas da idade.

Olhei para baixo.

Meu corpo não era o meu.

Era um corpo frágil, pequeno, vestido com uma camisola de algodão.

Havia um espelho na parede oposta.

Com um esforço enorme, me levantei da cama.

Meus joelhos estalaram, minhas costas doeram.

Caminhei lentamente até o espelho e olhei para o meu reflexo.

O rosto que me encarava de volta não era o meu.

Era o rosto da minha avó paterna.

A mãe de José.

Uma mulher que eu mal conhecia, uma matriarca forte, respeitada, mas que sempre colocou o filho acima de tudo e de todos, inclusive da minha mãe e de mim.

Ela tinha morrido há uma semana. Eu ouvi as enfermeiras comentando.

Um calafrio percorreu meu novo corpo.

Eu não estava apenas acordada.

Eu tinha renascido.

Eles me deram uma segunda chance.

Um novo corpo, uma nova identidade.

A identidade da única pessoa que meu pai ainda ouvia e respeitava.

A mãe dele.

Um sorriso lento se formou nos lábios enrugados que agora eram meus.

Bruna, você não perde por esperar.

Pai, você vai aprender da maneira mais difícil o que significa trair sua família.

Mãe, eu vou te devolver a sua dignidade, eu vou te dar a vida que você merece.

Meu nome é Maria, mas agora, para o mundo, eu sou a matriarca.

E a vingança está apenas começando.

Capítulo 2

Os primeiros dias no corpo da minha avó foram uma lição de paciência.

Tudo era lento, difícil.

Vestir-me era uma tarefa que levava uma hora.

Caminhar até a cozinha parecia uma maratona.

Mas eu usei esse tempo para observar, para me acostumar com a casa, com os sons, com as rotinas.

A casa da minha avó era um santuário para meu pai, cheia de fotos dele em cada fase da vida, desde bebê até o empresário de sucesso que ele se tornou.

Não havia uma única foto minha ou da minha mãe.

Isso confirmou o que eu já sabia, a avó nunca gostou de Ana, sempre a considerou simples demais para seu filho ambicioso.

E eu, a neta, era apenas uma consequência dessa união que ela desaprovava.

Meu pai, José, vinha me visitar todos os dias.

Ele sentava ao lado da minha cama, segurava minha mão enrugada e falava.

"Mãe, a senhora precisa ficar boa logo. Eu preciso da senhora."

Ele parecia genuinamente preocupado, mas eu via através dele.

Ele não estava preocupado com a saúde da mãe dele, ele estava preocupado em perder a sua rocha, a sua fonte de aprovação incondicional.

Eu apenas ouvia, com os olhos fechados, fingindo estar fraca demais para falar.

Eu estudava seu tom de voz, suas palavras, a maneira como ele suspirava quando falava de negócios.

Ele estava estressado, a falência que Bruna estava orquestrando já mostrava seus sinais.

E então, eu decidi que era hora de agir.

A primeira pessoa que eu queria ver era a minha mãe, Ana.

Em uma manhã, quando José veio me visitar, eu abri os olhos e falei com a voz fraca e rouca da minha avó.

"José, meu filho."

Ele pulou da cadeira, seus olhos se arregalaram.

"Mãe! A senhora acordou! A senhora falou!"

"Chame... chame a Ana para mim. Eu quero vê-la."

José ficou paralisado.

Sua expressão era uma mistura de choque e confusão.

"A Ana? Mãe, por que a senhora quer ver a Ana? A senhora nunca..."

"Apenas faça o que eu digo, José. Chame-a."

Minha voz era fraca, mas firme, carregada com a autoridade da matriarca que ele sempre obedeceu.

Ele hesitou por um momento, mas depois assentiu e pegou o telefone.

Minha mãe chegou uma hora depois.

Seus olhos estavam vermelhos e inchados de tanto chorar.

Ela parecia mais magra, mais abatida do que eu me lembrava.

Meu coração doeu ao vê-la assim.

Ela parou na porta, incerta, olhando para mim com uma mistura de medo e respeito.

"A senhora... mandou me chamar?"

Eu estendi minha mão trêmula para ela.

"Venha, minha filha. Sente-se aqui."

A palavra "filha" a pegou de surpresa.

A avó nunca a tinha tratado com nada além de uma frieza polida.

Ela se aproximou lentamente e sentou-se na beirada da cama, rígida, desconfortável.

Eu segurei a mão dela.

As mesmas mãos que me criaram, que cozinharam para mim, que me abraçaram.

"Eu sinto muito, Ana", eu disse, minha voz embargada com uma emoção que não era fingida. "Eu fui cega. Eu errei com você, com a minha neta."

Lágrimas brotaram nos olhos da minha mãe.

Ela não entendia a mudança, mas a sinceridade na minha voz a desarmou.

"Senhora..."

"Não. Me perdoe. Por favor. Eu quero consertar as coisas."

Ela começou a chorar, um choro silencioso que sacudia seus ombros.

Eu a puxei para um abraço desajeitado.

Foi estranho abraçar minha própria mãe no corpo da minha avó, mas era tudo que eu podia fazer.

"Tudo vai ficar bem, Ana. Eu prometo. Eu vou cuidar de você e da Maria."

José, que tinha ficado na porta observando a cena, estava boquiaberto.

Ele não conseguia processar a transformação de sua mãe.

A mulher que sempre criticou Ana agora a estava consolando.

A confusão em seu rosto era o primeiro passo do meu plano.

Desestabilizá-lo, fazê-lo questionar tudo que ele achava que sabia.

Na tarde seguinte, Bruna apareceu.

Ela entrou no quarto como se fosse a dona do lugar, com seu filho a tiracolo.

O menino, com uns dez anos, era uma cópia em miniatura da mãe, com o mesmo olhar arrogante e entediado.

"Vovó! Que bom que a senhora está melhor!", disse Bruna, com um sorriso falso estampado no rosto.

Ela tentou me dar um beijo, mas eu virei o rosto.

"Não estou com disposição para visitas", eu disse, com uma voz fria.

Bruna ficou sem graça.

"Mas, vovó, nós viemos te ver, trazer um pouco de alegria."

Ela empurrou o filho para frente.

"Diga olá para a vovó, querido."

O menino me olhou de cima a baixo com desdém.

"Oi."

"Seja educado", Bruna sibilou para ele.

Eu olhei para os dois, a víbora e sua cria.

Meu estômago se revirou de nojo.

Mas eu forcei um sorriso fraco.

"Tudo bem, Bruna. É bom ver que você está cuidando do meu filho."

A tensão no rosto dela se dissipou.

Ela achou que tinha me conquistado com sua falsa preocupação.

"Claro, vovó. José é tudo para mim."

"Eu sei. E é por isso que preciso de um favor."

"Qualquer coisa, vovó."

"Eu preciso de alguém para cuidar de mim aqui em casa. José está muito ocupado com os negócios, e eu não quero incomodar a Ana."

Eu fiz uma pausa, olhando diretamente nos olhos dela.

"Eu gostaria que você viesse morar aqui por um tempo, para cuidar de mim."

O sorriso de Bruna congelou.

Cuidar de uma velha doente não fazia parte dos seus planos de vida de luxo.

Mas ela não podia recusar.

Não na frente de José, que tinha acabado de entrar no quarto.

Recusar seria admitir que sua preocupação era falsa.

"Mas é claro, vovó! Será uma honra!", ela disse, com os dentes cerrados.

Eu sorri para mim mesma.

O jogo tinha começado.

Eu a tinha trazido para o meu território, para debaixo do meu teto.

Aqui, as regras eram minhas.

E ela iria aprender, da maneira mais difícil, o que acontece quando se mexe com a família errada.

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