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Amor Traído, Alma Vingada

Amor Traído, Alma Vingada

Autor:: Red
Gênero: Fantasia
O cheiro de desinfetante e mofo sufocava minha rotina, lavando pratos por uma miséria para pagar a faculdade e meu aluguel. Minhas mãos estavam vermelhas e enrugadas, e meu estômago roncava, quando o celular vibrou. Era meu pai, pedindo 500 reais "urgente" para o "remédio" da minha mãe. Meu coração afundou, ele pedia quase tudo o que eu tinha. De repente, linhas de texto transparentes flutuaram à minha frente, como comentários de uma transmissão ao vivo: "Doente? A Sra. Silva acabou de postar uma foto no spa de luxo." Em seguida, um link azul brilhante apareceu, me chamando. Com a mão trêmula, toquei-o, e meu celular revelou um pesadelo: meus pais e minha irmã Carolina em uma mansão luxuosa, comemorando, brindando e rindo de mim. Minha mãe, que se dizia "doente" , ria: "A Ana Paula é tão ingênua. Continua trabalhando duro para nos mandar dinheiro. Que idiota." Meu pai, que pedia "remédios" , gargalhava: "Um brinde ao sucesso da nossa Carolina! E à nossa 'criação pobre' que está funcionando tão bem!" Carolina, triunfante, dizia: "Ainda bem que ela é a trabalhadora. O dinheiro dela paga minhas bolsas e viagens." Eu era a vítima de um reality show cruel, "A Vida Dura de Ana Paula" , onde meu sofrimento era monetizado, minha vida inteira uma farsa. A dor da traição era indescritível, mas a tristeza deu lugar a uma raiva fria e cortante. Eles iriam pagar por isso.

Introdução

O cheiro de desinfetante e mofo sufocava minha rotina, lavando pratos por uma miséria para pagar a faculdade e meu aluguel.

Minhas mãos estavam vermelhas e enrugadas, e meu estômago roncava, quando o celular vibrou.

Era meu pai, pedindo 500 reais "urgente" para o "remédio" da minha mãe.

Meu coração afundou, ele pedia quase tudo o que eu tinha.

De repente, linhas de texto transparentes flutuaram à minha frente, como comentários de uma transmissão ao vivo: "Doente? A Sra. Silva acabou de postar uma foto no spa de luxo."

Em seguida, um link azul brilhante apareceu, me chamando.

Com a mão trêmula, toquei-o, e meu celular revelou um pesadelo: meus pais e minha irmã Carolina em uma mansão luxuosa, comemorando, brindando e rindo de mim.

Minha mãe, que se dizia "doente" , ria: "A Ana Paula é tão ingênua. Continua trabalhando duro para nos mandar dinheiro. Que idiota."

Meu pai, que pedia "remédios" , gargalhava: "Um brinde ao sucesso da nossa Carolina! E à nossa 'criação pobre' que está funcionando tão bem!"

Carolina, triunfante, dizia: "Ainda bem que ela é a trabalhadora. O dinheiro dela paga minhas bolsas e viagens."

Eu era a vítima de um reality show cruel, "A Vida Dura de Ana Paula" , onde meu sofrimento era monetizado, minha vida inteira uma farsa.

A dor da traição era indescritível, mas a tristeza deu lugar a uma raiva fria e cortante.

Eles iriam pagar por isso.

Capítulo 1

O cheiro de desinfetante e mofo se misturava no ar do porão onde eu trabalhava.

Era um trabalho ilegal, lavando pratos para um restaurante que me pagava uma miséria por hora, mas era o único jeito de juntar dinheiro para as taxas da faculdade e para o aluguel do meu minúsculo quarto.

Minhas mãos estavam vermelhas e enrugadas de tanto ficarem na água quente e gordurosa.

A cada prato que eu esfregava, sentia a dor nas minhas costas aumentar.

Meu estômago roncava, eu só tinha comido um pão seco o dia inteiro.

Justo quando eu pensava que o dia não podia piorar, meu celular velho vibrou no bolso.

Era uma mensagem do meu pai.

"Ana Paula, preciso de 500 reais. Urgente."

Meu coração afundou. Quinhentos reais era quase todo o dinheiro que eu tinha guardado com tanto sacrifício.

Eu digitei uma resposta, com os dedos trêmulos.

"Pai, eu não tenho esse dinheiro todo. Preciso pagar a faculdade."

A resposta dele veio quase instantaneamente, fria e dura.

"Se vira. Sua mãe está doente de novo, precisa de remédio. Você não se importa com a sua família?"

Sempre a mesma desculpa. Minha mãe, segundo ele, vivia doente. E eu, a filha mais nova, tinha que arcar com as despesas, mesmo eles dizendo que estavam separados e ambos passando por dificuldades.

Eu me sentia exausta, uma tristeza profunda tomou conta de mim.

Enquanto eu olhava para a tela do celular, algo estranho aconteceu.

Linhas de texto começaram a flutuar na frente dos meus olhos, como legendas transparentes sobrepostas à realidade.

[ "Doente? A Sra. Silva acabou de postar uma foto no spa de luxo." ]

[ "Essa família é nojenta. Usando a filha mais nova como caixa eletrônico." ]

[ "Coitada da Ana Paula, ela não sabe de nada, né?" ]

Eu pisquei com força, esfregando os olhos.

O que era aquilo? Eu estava tão cansada que comecei a alucinar?

As linhas de texto, que pareciam comentários de uma transmissão ao vivo, continuaram a aparecer.

[ "Eles estão ao vivo agora, comemorando o 'investimento' que a irmã dela conseguiu." ]

[ "Cliquem no link, gente! A hipocrisia precisa ser vista!" ]

Um link azul brilhante apareceu flutuando bem na minha frente.

Meu coração batia descontrolado. Curiosidade e medo lutavam dentro de mim.

Com a mão ainda tremendo, estendi o dedo e toquei no link flutuante.

Meu celular, que antes mostrava a conversa com meu pai, de repente abriu uma transmissão ao vivo.

A imagem que apareceu na tela fez meu mundo desabar.

Lá estavam eles.

Meu pai, minha mãe e minha irmã mais velha, Carolina.

Eles não estavam em apartamentos separados e pobres.

Estavam em uma sala de jantar luxuosa, em uma casa que parecia uma mansão. Uma mesa farta, com lagostas e champanhe, estava posta na frente deles.

Minha mãe, que supostamente estava "doente", usava um vestido de seda e joias brilhantes, rindo alto de algo que meu pai disse.

Meu pai, que me pedia 500 reais para "remédios", segurava uma taça de champanhe e usava um relógio de ouro que valia mais do que tudo que eu possuía.

Carolina, minha irmã, usava um vestido de grife e exibia uma bolsa nova, claramente caríssima.

Eles brindavam, felizes.

"Um brinde ao sucesso da nossa Carolina! E à nossa 'criação pobre' que está funcionando tão bem!" , meu pai disse, rindo.

Minha mãe levantou a taça. "A Ana Paula é tão ingênua. Ela realmente acredita que somos pobres e separados. Continua trabalhando duro para nos mandar dinheiro. Que idiota."

Carolina riu, um som agudo e desagradável. "Ainda bem que ela é a trabalhadora. Assim eu não preciso fazer nada. O dinheiro dela paga minhas bolsas e viagens."

Eu fiquei paralisada, o celular quase caindo da minha mão.

As vozes deles, as risadas, a imagem de luxo... tudo aquilo era um soco no meu estômago.

As linhas de texto continuaram a piscar na minha frente, explicando a crueldade da situação.

[ "É um reality show. Os pais dela criaram um canal chamado 'A Vida Dura de Ana Paula' ." ]

[ "Eles filmam a vida dela secretamente e ganham dinheiro com a audiência que sente pena dela." ]

[ "O plano de 'criação pobre' é só uma farsa para explorar a coitada e mimar a outra filha." ]

Criação pobre.

Reality show.

Exploração.

As palavras ecoavam na minha cabeça.

Toda a minha vida, todo o meu sacrifício, toda a minha dedicação... era uma mentira.

Uma mentira cruel, transmitida para o mundo como entretenimento.

Eu não era uma filha.

Eu era uma ferramenta. Uma personagem em um show grotesco criado pela minha própria família.

A dor que senti naquele momento foi indescritível, uma traição que cortava mais fundo do que qualquer faca.

Eu voltei a olhar para a pilha de pratos sujos, para as minhas mãos machucadas, para o porão úmido e escuro.

Minha vida era um inferno.

E eles, minha família, eram os demônios que o mantinham aceso, rindo e lucrando com o meu sofrimento.

A tristeza deu lugar a uma raiva fria e cortante.

Eles iriam pagar por isso.

Capítulo 2

Eu desliguei o celular, meu corpo inteiro tremia.

As imagens daquela sala de jantar luxuosa estavam gravadas na minha mente.

Minha mãe rindo, meu pai brindando, Carolina exibindo sua bolsa nova.

E eu, aqui, em um porão sujo, com cheiro de gordura e desespero.

Então era tudo verdade.

As vozes estranhas, os comentários flutuantes. Eles não eram uma alucinação.

Eles eram a verdade.

Uma verdade que minha família escondeu de mim por anos.

A ideia de que minha vida era um reality show, que meu sofrimento era monetizado, era tão absurda que parecia um pesadelo.

Mas eu tinha visto com meus próprios olhos.

Eu tinha ouvido com meus próprios ouvidos.

"A Ana Paula é tão ingênua."

A voz da minha mãe ecoou na minha cabeça.

"Que idiota."

Lágrimas quentes começaram a escorrer pelo meu rosto, misturando-se com o suor frio.

Tudo fazia sentido agora.

Por que Carolina sempre tinha as melhores roupas, os melhores brinquedos, enquanto eu usava as coisas velhas dela?

Por que meus pais sempre elogiavam Carolina por sua "beleza" e "charme", enquanto me diziam para ser "trabalhadora" e "não dar despesas"?

Por que, mesmo eles dizendo que estavam separados e passando por dificuldades, eles nunca pareciam realmente sofrer?

Era tudo um roteiro.

Um roteiro cruel onde eu era a vítima sacrificial para que o resto da família pudesse viver no luxo.

Os comentários flutuantes voltaram a aparecer.

[ "Eles não ganham dinheiro só com o reality show. Eles também vendem produtos de saúde falsificados na live." ]

[ "Dizem que são suplementos milagrosos, mas é tudo farinha com corante." ]

[ "Usam a história triste da Ana Paula para ganhar a simpatia do público e enganar as pessoas." ]

Meu estômago se revirou de nojo.

Eles não estavam apenas me explorando.

Estavam enganando centenas, talvez milhares de pessoas, vendendo lixo e chamando de remédio.

Como estudante de medicina, a ideia de alguém lucrar com a saúde e a esperança das pessoas era a coisa mais vil que eu podia imaginar.

E era a minha família que estava fazendo isso.

Meu celular vibrou de novo.

Era uma nova mensagem da minha mãe.

"Sua irmã viu uma bolsa que ela amou. Custa 2 mil reais. Seja uma boa irmã e mande o dinheiro. Seu pai me disse que você tem economias."

A hipocrisia era inacreditável.

Ela estava em um jantar de luxo, me pedindo dinheiro para uma bolsa de grife, minutos depois de me chamar de idiota pelas minhas costas.

Lembrei-me de todas as vezes que liguei para ela, chorando de cansaço ou de fome.

Ela sempre dizia a mesma coisa: "Seja forte, minha filha. A vida é dura. Estamos todos passando por isso."

Que mentira.

Que mentira nojenta.

Minha infância inteira passou diante dos meus olhos.

Carolina ganhando uma bicicleta nova no aniversário, enquanto eu ganhava um par de meias.

Meus pais levando Carolina para viajar nas férias, enquanto eu ficava em casa, "para ajudar a cuidar das coisas".

Toda a preferência, todo o descaso... não era apenas falta de amor.

Era um plano de negócios.

Eu era o produto defeituoso, e Carolina era o troféu.

Movida por um impulso, eu abri o link da transmissão ao vivo novamente.

A câmera agora focava em Carolina, que fazia um discurso para seus seguidores.

"Muito obrigada a todos pelo apoio! Graças a vocês, posso ter uma vida confortável. Enquanto isso, minha pobre irmãzinha, Ana Paula, trabalha duro todos os dias. Ela é minha inspiração."

Ela fingia secar uma lágrima do canto do olho.

O chat da live explodiu em mensagens de apoio para ela e pena por mim.

[ "Carolina, você é um anjo!" ]

[ "Força, Ana Paula! Estamos com você!" ]

[ "Comprem os produtos de saúde da família Silva para ajudar a Ana Paula!" ]

Eu senti meu sangue ferver.

Ela estava usando a minha história, a minha dor, para vender seus produtos falsos e financiar sua vida de luxo.

Eu era a Cinderela da história deles, mas sem príncipe encantado ou fada madrinha.

Apenas uma irmã má e pais cruéis.

Eu olhava para a tela, para o rosto sorridente e falso da minha irmã, para a opulência daquele restaurante, e depois olhava para o meu reflexo no metal sujo de uma panela.

Uma garota magra, pálida, com olheiras profundas e roupas gastas.

A diferença entre os dois mundos era um abismo.

Um abismo que eles cavaram com suas próprias mãos, me jogando no fundo dele.

A dor da traição era imensa, mas algo novo começava a crescer dentro de mim.

Uma determinação fria e afiada.

Eles me transformaram em uma vítima.

Agora, eu me transformaria em sua ruína.

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