Marina.
Consegui me esquivar furtivamente dos braços do Sam e segui em direção a porta, antes dele ir viajar resolvi preparar uma surpresa. Como sei que ele ama os pastéis da minha mãe, peguei a receita com ela e resolvi fritar seus deliciosos pastéis, não somente isso como vou preparar um delicioso bolo de chocolate com cascas de banana. Estranhamente tive vontade de comer algo doce logo cedo. Procurando rapidamente algo para me vestir, meus olhos capturaram instantaneamente o vestido de noiva que usei no dia do nosso casamento.
Foi sem dúvida um dos melhores dias da minha vida, meu sorriso entreabriu e tive uma ideia, que tal experimenta-lo?! Quem sabe sentir a sensação que tive ao me ver tão linda para meu esposo, também posso tirar algumas fotos e colocar na mala para o Samuel não esquecer da sua adorável esposa, longe de mim estar mandando algum tipo de sinal oculto de que ele é um homem casado. Sem pensar duas vezes apoderei-me do pacote e corri para o banheiro.
Com todo cuidado do mundo tirei o mesmo do plástico. O tecido estava tão macio e cheiroso como se nunca tivesse sido usado, comecei a me vestir e então percebi que ele começou a entrar com certa dificuldade. Como assim? O pano encolheu de tanto ficar guardado? Como isso é possível? Comecei a me contorcer como uma lagartixa com câimbra e com muito custo subiu. Porém, não acabou por aí! Eu não conseguia fechar o zíper, voltei a me contorcer me olhando pelo espelho tentando fecha-lo, o vestido subiu até a metade e enroscou, lembrei-me das caixas de ferramentas do Sam e agachei pegando no armário.
-Vamos Marina, é agora ou nunca! Certeza de que esse zíper está emperrado. - Respirei fundo e com o alicate mirei no espelho, contei até três e subi de uma única vez.
-Consegui! Eu consegui! - Sorri para mim mesma olhando o vestido fechado e quando meus olhos fixaram no alicate em minha mão direita o zíper estava entre seus dentes. Arregalei os olhos.
-Impossível... - Comecei a notar que meu vestido estava apertado demais e que fiquei sem ar -Meu Deus, eu vou morrer asfixiada -Joguei o alicate no chão e corri imediatamente em direção ao quarto. Samuel ainda dormia sereno esparramado na cama, comecei a bater nele com o travesseiro.
__Sam, me ajuda! Samuel, socorro! - Gritei apavorada tentando acordá-lo.
__Marina? Calma, o que foi? - Esfregou o rosto atordoado.
__Arranque esse vestido de mim agora! - Franziu a testa me olhando confuso.
__Você quer que arranque seu vestido? Eu tenho que viajar em poucos minutos amor - Deu um sorrisinho.
__Não nesse sentido - Nego piamente- Eu fui experimentar o vestido e quebrei o zíper olha - Aponto para minhas costas - Acho que o vestido encolheu de tanto ficar guardado - Falei manhosa.
__Ou você engordou - Comentou e girei o rosto em trezentos e sessenta graus.
__O que disse Samuel? - O olhei de forma desafiadora.
__O que? - Esbugalhou os olhos.
__Você me chamou de gorda? - Engoliu seco.
__Eu? Claro que não amor - Nega com a cabeça.
__Por acaso só porque engordei você vai deixar de me amar? - Minha voz saiu embargada.
__Não, claro que não. Eu te amo do mesmo jeito - Afirma apreensivo.
__Você não negou, admitiu que eu engordei - Bradei irritada e saí correndo do quarto segurando o vestido para não tropeçar, escutei Samuel me chamar e ignorei. Antes de me trancar no quartinho dos fundos roubei um pote de Nutella da geladeira. Tranquei a porta e me sentei no piso frio chorando enquanto saboreava o pote de Nutella, limpando as lágrimas. Ele nem veio atrás de mim imediatamente, o que me deixou cem vezes mais irada, minutos depois o escutei bater na porta.
__Marina, abra essa porta, precisamos conversar - Falou seriamente.
__Não. Você me chamou de gorda - Resmunguei chorosa.
__Você não está gorda - Respondeu - Apenas ganhou um pouquinho de peso nem dá para perceber, juro.
__Sei, não acredito. Então por que não quer me levar com você? Por acaso tem vergonha de mim? Porque estou gorda?
__Marina, chega de baboseiras e abra a porta. Logo tenho que viajar, temos poucas horas para ficarmos juntos - Como se um alarme tocasse na minha mente dando um choque de realidade, desajeitadamente destranco a porta e o abraço apertado.
__Não me deixe Sam, me leva com você - Imploro - Prometo me comportar, você nem vai notar que vou estar lá - Explico em tom de súplica e o escuto rir.
__Como se fosse possível, o furacão Marina não ser notado - Ele segura meu braço delicadamente me afastando - Olha para você, cheia de chocolate - Passa o polegar na minha bochecha, limpando e em seguida lambendo o dedo.
__Eu prometo que vou me comportar, Sam. Me leve para você, digo com você - Ele sorri de canto.
__Impossível, Marina. Você tem que cuidar da empresa enquanto eu estiver fora, esqueceu? E também, o que vou resolver lá é rápido. Voltarei para seus braços, eu prometo - Segura meu rosto entre as mãos. E sorri derretida.
__Você promete? Promete que vamos ter um jantar romântico e vamos ver as estrelas juntos? - Assentiu sorrindo.
__Até que não é ruim. Está bem, eu aceito - Falo convicta.
__Essa é minha garota - Beija minha testa - Agora vamos tirar esse vestido apertado, não quero que sufoque nosso filho - Rolo os olhos.
__Eu não estou grávida, Sam. Pare de me chamar de gorda - Falei e me abraça rindo alto.
__Sabe que existe uma possibilidade - Beija minha bochecha.
Samuel me ajuda a abrir o bendito vestido. Estou fuçando nas roupas do meu marido, quando alisa minhas costas eu me viro de repente, quase caindo para trás se não fosse o guarda-roupa.
__Aii que susto! Afaste de mim essa tentação - Bradei alto dando de cara com Samuel molhado apenas de calça jeans e sem camisa com a toalha no ombro.
__Você viu minha camiseta? - Pergunta e olho para ele tampando o rosto e espiando no buraco.
__Em cima da cama - Aponto por instinto, sem conseguir ver direito.
__O que houve? Por que está tampando o rosto? Não tem nada aqui que não tenha visto - Diz em um tom brincalhão.
__Eu queria perguntar se posso pegar uma das suas roupas, é mais confortável para poder cozinhar - Me justifico roboticamente tentando focar apenas no seu rosto.
__Claro, pegue. Mas primeiro, encontre minha camiseta - Repuxa os lábios me fitando sedutor com o braço apoiado no armário - Gostei desse detalhe do vestido, muito bom - Alisa minhas costas com o dorso da mão.
__Sam! Você não facilita as coisas - O reprendo e passo por baixo dele indo para o outro lado do quarto. Pego a camiseta em cima da cama, o olhando de relance de baixo para cima, que belo homem o Senhor me presenteaste. Pego a camiseta e jogo para ele que agarra no ar.
__Obrigado - Pisca, soltando a toalha na cama.
__Samuel, espera. A toalha molhada na cama, pode pegar. Quantas vezes tenho que repetir a mesma coisa - Aponto brava e me imita fazendo careta indo em direção a porta.
__Claro madame - Sorri amarelo e o fuzilo com o olhar.
-Olha para você! Que mulher tarada se tornou.
-Não, eu não fiquei o secando. E se fiquei, ele é meu marido, não é?! O que tem de errado?
-Não seja assim, se comporte. Esse homem vai viajar e você tem que ser forte.
-Dessa vez você tem razão. Agora saia da minha mente já! Você só me confunde - Choramingo - Volte para realidade Marina - Dou batidinhas nas minhas bochechas.
__Falando sozinha de novo Marina?! - O escuto gritar e ignoro.
Me troco, vou para cozinha e começo a fazer o café da manhã. Faço o bolo de chocolate com cascas de banana, resolvo por baunilha, chantili etc. Começo a fritar os pasteis, cantarolando. Minha mãe disse que tem que esperar ficar dourado, ergo com a espumadeira analisando.
__Que cheiro bom é esse? Acho que meu estomago está roncando - Sam me abraça e sorri.
__Os pastéis da minha mãe. Vão ficar deliciosos, olha - Sorri abertamente apontando para frigideira.
__Mal posso esperar - Ele aspira o cheiro, se afastando - Eu poderia te ajudar, mas hoje prefiro comer. Estou com fome - Esfrega a barriga e senta-se à mesa - Já está dourado, pode tirar - Avisa sorrindo e assenti.
Sirvo o Samuel e me sento ao seu lado apoiando a mão no queixo o olhando hipnotizada, o apreciando comer os pasteis.
__Está bom? - Pergunto jogando charme.
-Hmm. Sim, muito bom, exceto o fato de estar muito temperado - Murmura.
__Que bom que gostou. Sorri.
__Espera, estou sentindo um cheiro estranho, por acaso tem algo queimando? - Pergunta confuso e escancaro os olhos.
__O Bolo! - Brado e me viro para o fogão.
__Bolo? Você fez um bolo? - Samuel pergunta enquanto abro a gaveta procurando as luvas, afobada -Deixa que eu pego, não quero que se queime - Puxa as luvas da minha mão e mordo o lábio inferior, envergonhada - Samuel abre o forno com cuidado enquanto abano com a tampa para tirar a fumaça preta que toma conta do local. Ele coloca a assadeira na pia rapidamente, tira as luvas e ambos encaramos o bolo, em seguida olhamos um para o outro.
__Parece que passou um pouco do ponto, não acha? - Questiona sério.
__Você acha? Eu fiz com tanto carinho - Falo prestes a chorar novamente.
__Quero dizer, essa parte está um pouquinho escura, mas olha essa outra até que está boa. Nem parece queimada, quem dá importância para a aparência, não é?! Vamos ver o gosto dessa coisa - Ele disse pegando uma colher e tirando um pedaço, o comendo.
__Cuidado está quente - Digo atrasada quando ele geme de dor.
__É o sabor que importa, e isso está muito, muito doce. Hmm casca de banana, bem peculiar. É assim que você gosta né?
__Sim, eu amo doce - Sorri sem graça, porque sei que deve estar horrível e Sam só está tentando me agradar porque estou emotiva.
__Semente de melancia? - Ele tira nas pontas dos dedos mostrando e assopra as demais. Sorri amarelo - O que mais colocou nesse bolo? - Pergunta sério.
__Quer água? Deve estar com sede - Disfarço me desviando do seu olhar julgador.
__Marina, espera - Samuel agarra minha mão.
__O que? - Me viro preocupada.
__Você é péssima fazendo doces, mas está exagerando. Está errando em quase tudo que cozinha, colocando ingredientes estranhos. Não se sinta ofendida, mas eu te conheço mais que você mesma e posso jurar que está gravida, você não tem tomado os remédios adequadamente, é uma possibilidade e mesmo que te assuste tem que encarar a realidade.
__Sam - Engulo seco.
__Toma - Tira um embrulho do bolso e me entrega- eu comprei isso, pode fazer o teste depois que eu ir viajar. Não tenha pressa, apenas faça quando se sentir à vontade
Dessa vez eu sabia que não poderia escapar. Grávida? Eu? Meu Deus, não sei cuidar nem de mim, como vou cuidar de uma criança?
(...)
Samuel iria me deixar na empresa antes de pegar o voo, me aprontei e fiquei aguardando no quarto usando minha última tentativa de fazer me levar junto com ele. Sento-me em cima da mala com um enorme laço vermelho amarrado na cabeça. Samuel entra no quarto de óculos escuros e jaqueta de couro.
__Marina, o que está fazendo? - Me olha curioso.
__É um presente para você, pode levar, é todo seu - Retruco firme, ele curva os lábios e caminha até mim sorrindo, Sam abaixa os óculos me fitando intensamente.
__É o presente mais lindo que já recebi - Ele desfaz o nó sorrindo e o miro abobalhada __Só que minha resposta continua sendo "não". Você não vai comigo Marina, não insista - Segura meu queixo e como um ato de desespero pulo no seu colo entrelaçando as pernas em volta dele.
__Me leva, eu quero ir, por favor Sam. Se você me ama vai me levar junto - Imploro agarrada no seu pescoço, enquanto Samuel tenta me segurar para eu não cair.
__Marina larga de ser teimosa, é claro que eu te amo - Alisa meu cabelo enquanto me carrega no seu colo até a saída da casa, indo em direção a caminhonete. Ele abre a porta e me coloca no banco e cruzo os braços emburrada.
__Estou vendo como me ama, me abandonando sozinha - Minha voz sai melancólica.
__É só alguns dias, eu vou voltar está bem? - Ele segura a lateral do meu rosto me fitando profundamente e meu coração se aperta novamente.
__Você promete Sam? Eu posso estar grávida e não pode me deixar sozinha com seu filho, ele não pode crescer sem um pai e uma mãe louca como eu - Ele abre um sorriso terno que não consigo acompanhar.
__Prometo, eu voltarei para vocês dois - Sam pousa a mão sobre meu ventre e cola nossos lábios em um beijo cheio de ternura e paixão, com esse beijo veio uma angústia repentina pairando sobre meu peito e tomando todo o ar dos meus pulmões. Talvez eu já estivesse pressentindo o que aconteceria dias depois.
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O céu tinha amanhecido nublado e sem brilho, havia uma melancolia solta pelo ar, sem contar que faziam três dias que tentava entrar em contato com Samuel e nada. Contudo, Alex me informou que onde Sam foi era difícil ter sinal, o que pareceu aquietar meu coração por um momento. Continuei orando e pedindo para que Deus tirasse aquele sentimento ruim do meu coração. Vesti meu sobretudo e peguei o carro indo para empresa, sim eu tirei carteira de motorista por incrível que pareça, reprovei três vezes, mas isso é um pequeno detalhe.
Tirei a chave do contato e entrei na empresa, atravessando as portas de vidro. Foi quando percebi que o clima estava diferente, todos olhavam atenciosamente para algo que passava na TV de LED pendurada na parede, assim que notaram minha presença, Sandra cutucou Natan que pegou o controle de forma atrapalhada e desligou-a repentinamente.
__Good moorning a todos - Cumprimentei sem muito ânimo.
__Bom dia Marina - Responderam em uníssono. Estudei a expressão de cada um, eles estavam forçando um sorriso, no entanto existia uma ruga de preocupação em cada uma das suas faces.
__É impressão minha ou desligaram a TV assim que cheguei?
__Que isso, é só impressão - Erick riu, nervoso.
__Pois, eu acho que não, Natan me dê o controle - Estendo a mão.
__Marina, é melhor não - Me mirou com pesar.
__É uma ordem, Natan - Tento parecer firme e Sandra acena.
__Está bem, a escolha é sua... - Me entrega o objeto e aperto o botão olhando para TV no meio da empresa. O monitor acendeu, estava noticiando um acidente aéreo de um avião de porte pequeno que tinha se chocado com uma montanha no meio da floresta, causando uma explosão deixando assim possíveis vítimas fatais e entre elas estava quem eu menos esperava. Tudo começou a girar em câmera lenta e minha audição começou a ficar confusa, enquanto o nome do piloto e do Samuel apareciam no canto do monitor.
__O que está acontecendo aqui? Meu Deus, Marina! - A voz do Dylan soou distante, minhas pernas perderam a força e fui amparada pelos seus braços enquanto meu mundo começava a desabar.
__Ele prometeu Dylan, por que ele me enganou? Me disse que voltaria... - Meus olhos embaçam enquanto olho perdida dentro dos seus olhos azuis lacrimejados.
__Marina, por favor não fique assim. Eu não vou suportar te ver dessa forma, você tem que ser forte - Nego com a cabeça. Como eu poderia ser forte? Eu não posso perder o amor da minha vida, tem que ser um engano, Samuel não está morto. Começo a perder os sentidos e tudo se transforma em um mar de escuridão.
Desde o desaparecimento do Samuel, Dylan é o novo chefe da empresa. O que posso dizer sobre ele é que após o acidente ele tem se transformado em uma outra pessoa, como posso dizer, ele ainda é o mesmo Dylan convencido como sempre ou talvez pior do que antes, mas aos poucos ele tem mudado até a igreja está frequentando. Porém desde que descobri que o acidente do Samuel não foi uma falha mecânica e sim provocado por alguém, jurei que vou descobrir o culpado mesmo que para isso tenha que ficar perto do inimigo se por acaso for mesmo o Dylan.
Contudo, seu novo "Eu" obcecado por trabalho está espantando os secretários, ninguém suporta o jeito Dylan de ser. Hoje por exemplo, ele fez uma reunião com todos em plena noite de domingo para trabalhar em um dia de folga, e adivinha a única louca que apareceu? Sim somente eu Marina, ainda por cima grávida.
__Aqui está seu hamburguer e suas batatas fritas, compradas especialmente por mim - Aponta para o prato sorrindo irônico.
__Obrigada - Olho de relance enquanto digito algo no notebook.
__Como você consegue? - Apoia a mão no queixo sentando-se ao meu lado.
__O que? - O fito curiosa.
_Não se apaixonar por mim, como consegue?! Sou extremamente lindo, carinhoso, bem-humorado, o melhor chefe que já viu. Se eu fosse mulher eu casaria comigo, mas como não posso dou essa chance a você - Pisca e neguei com a cabeça pegando o lanche e devorando. Lambo os dedos e o olho de repente.
__Simples, você não é o Sam.
__Aí, essa doeu! Como consegue ser tão maldosa? Sabe que sou loucamente apaixonado por você - Coloca a mão no peito ofendido.
__E você sabe que eu amo loucamente seu primo.
__E você sabe que ele está morto Marina - Me olha sério - E mortos não falam, quem dirá amam.
__Não acharam o corpo - Me justifico sentindo meu peito doer.
__Ele está morto Marina, precisa aceitar isso. O avião explodiu, Samuel não conseguiu se salvar.
__Como pode ter tanta certeza disso? Por acaso estava lá?! - Falei exaltada.
__Porque eu sei o que você está passando. Isso se chama negação, eu também perdi quem eu amava e mesmo vendo com meus próprios olhos eu não aceitava sua morte e acredite, se não o deixar ir isso vai acabar te matando por dentro como quase me matou. E não Marina, eu não matei o Samuel - Afirma levemente irritado e desvio o olhar desconfortável - E sabe por que não faria isso? Por você - Dylan descansou sua mão sobre a minha me olhando intensamente, havia um pequeno espaço entre nós. Ele parecia ser honesto, a forma como ele tem cuidado de mim depois que Samuel se foi tem sido uma grande surpresa na verdade. Eu sabia dos seus sentimentos há pouco tempo, mas não sei se um dia poderei retribui-los, porque para mim Samuel não morreu, não acharam o corpo dele somente do piloto e que fé eu teria se não acreditasse em milagres? Ainda não é tempo de desistir, eu sei que não.
Senti uma pontada forte na barriga e agarrei sua mão com força.
__Alii!! - Bradei de dor.
__Marina, o que houve? - Dylan agarrou minha mão preocupado.
__Acho que já vai nascer - Olhei para ele assustada.
__Seu filho?!
__Não, o sol do amanhecer! É claro que é meu filho Dylan, corre! Pega minhas coisas acho que a bolsa vai estourar - Bradei alto, deu um pulo e saiu correndo para dentro, dou um sorriso satisfeita do desespero dele.
__Corre Dylan!! Meu Deus, meu filho vai nascer. Que dor é essa? se seu pai tiver vivo eu juro que mato ele por me fazer passar por isso sozinha. Converso com a minha barriga.
__Aqui está, vamos - Dylan me entrega a minha bolsa e um balde.
__O que significa isso? - Ergo o rosto o fuzilando com o olhar.
__Não quero que urine no meu carro novo, eu mandei limpar ontem - Me olha indignado - Agora vamos - Puxa meu braço enquanto imagino várias formas de o torturar quando estiver em condições, porém sinto uma dor aguda, seguida por um líquido que escorre entre minhas pernas.
__Marina, devia esperar pelo menos chegarmos no carro e posicionar o balde, está vendo? Molhou meu tapete novo - Dylan comenta inconformado.
__Eu juro que vou te matar! Me leva agora para o hospital, estou à beira de ter um colapso. Está doendo muito - Agarro seu braço e Dylan passou o braço na minha cintura me levando rapidamente para o carro.
Ajeitei a postura no banco do passageiro puxando o ar fortemente, respirando e soltando pela boca enquanto Dylan dava a volta e ligava o carro. Lembrei da passagem bíblica que sempre guardo comigo, "Não temas eu estou contigo, não te assombres eu sou teu Deus" Ele estava comigo, e tudo ia acabar bem. Minha filha vai nascer saudável e tudo vai terminar bem.
__Corra Dylan!! Corre mais rápido - Berrei alto enfiando minhas unhas na sua perna e ele rugiu de dor.
__Ei, isso dói - resmungou pisando fundo no acelerador.
__Isso não é nem dez por cento da dor que estou sentindo. O que tenho dentro de mim? É só um bebê inofensivo, como pode doer tanto? - Choramingo.
__Inofensivo? - Ele ri - Você tem uma mini Marina dentro de você, acompanha com a genética do Samuel. Essa criança pode ser tudo menos inofensiva - O olho lançando faíscas dos olhos.
Descemos na frente do hospital, Dylan conseguiu uma cadeira de rodas e me levou diretamente para sala onde iria acontecer o parto. As dores ficaram ainda maiores junto com o medo do que estava por vir, sem Samuel seria difícil ter habilidade suficiente para criar uma criança, existia outra pessoa agora, um ser indefeso sob meus cuidados e isso era totalmente assustador.
__Por favor, não me deixa sozinha - Apertei o braço do Dylan com olhar de súplica prestes a desabar.
__Eu não irei a lugar nenhum, fique tranquila - Aqueceu minha mão e acenei em gratidão. Espero estar errada e que Dylan não seria capaz de provocar aquele acidente. Apertei os olhos, era hora de lutar mais essa batalha.
Meus olhos se encheram de lágrimas quando minha mãe entregou minha bebê para eu segurar. As memorias tão enterradas por mim vieram à tona novamente e tudo que eu mais queria era tê-lo aqui do meu lado, apreciando esse momento tão importante para nós, descobrir minha gravidez foi há minha maior alegria no meio de tanta dor, eu sabia que teria que ser forte e corajosa não por mim, mas sim por ela.
__Ela é tão preciosa. É tão delicada mãe, tem certeza de que não vou machucá-la? Que vou conseguir cuidar dela? - A fitei entre lágrimas tentando segurar aquele pacotinho barulhento no meu colo. A enfermeira me explicou com alimentá-la e fiz morrendo de medo de matar a pobrezinha afogada.
__Sim, minha querida. Seu extinto materno vai mostrar como cuidar da sua filha, e eu estarei aqui para te ensinar - Passa a mão nas minhas bochechas limpando as lágrimas.
__Ela é linda, não é?! Se parece com o Samuel, tem o mesmo olhar dele, ele ficaria tão orgulhoso - Minha voz embarga.
__Ele a deixou de presente para você, sempre terá uma parte dele com você. Deus quis levá-lo Marina.
__Eu sei, mas algo dentro de mim diz que Sam não morreu - Argumento.
__Marina, já conversamos sobre isso - Me mira de forma repreensiva e desvio o olhar para minha filha sorrindo.
__Seu pai vai voltar, ele nos prometeu - Escutamos bater na porta.
__Posso entrar? - Dylan apareceu, seu rosto estava vermelho como se tivesse chorado, ele também tinha algumas olheiras escuras em volta dos olhos.
__Esse homem ficou a noite toda esperando você acordar. Dá para ver de longe o quanto se preocupa com você.
__Mãe - A olho séria.
__Só estou falando, Marina. Não o trate mal por suas suposições - Concordo - Entre querido, já estamos de saída, obrigado por cuidar tão bem da nossa Marina - Minha mãe beija sua testa.
__É um prazer, Dona Vera - Me olha sorrindo fraco.
Dylan se aproximou meio hesitante com as mãos no bolso procurando um sinal de aprovação, dei um sorriso e isso o encorajou a chegar perto. Seu olhar foi direcionado a bebê que estava no meu colo agora dormindo serena como um anjinho.
__Ela está tão quieta, tem certeza de que é sua filha e não foi trocada no berçário? Quer que eu vá verificar? - Gesticula e riu.
__Seu bobo, é claro que é minha filha.
__Estou brincando - Passa as mãos entre os fios negros alisando - Ela é linda! - Me olha gentil, segurando a mãozinha dela - Também, com a genética tão boa quanto a do primo dela.
__Estava demorando - Reviro os olhos. Dá uma risada.
__O Alex e meu tio estão a caminho - Sorriu fraco enquanto olhava para minha filha com seus olhos perdidos e opacos, poderia jurar que vi o mesmo olhar de dor e sofrimento de quando o abracei naquela calçada quando escutou a sirene do carro de polícia.
__Ela estava grávida - Sua voz saiu como um chiado e meus olhos arregalaram.
__Quem? - Perguntei já temendo a resposta. Ele me olhou de volta só que com os olhos cheio de lágrimas.
__Jade - Sua voz saiu rouca. Abri a boca chocada.
__Samuel ele... -Não consegui terminar, ele negou com a cabeça.
__Nunca soube. Ele ficaria muito mal se soubesse, ele não suportaria sempre achou que tudo que de ruim era culpa dele - Sorriu triste - Eu sei que o culpei também, eu errei em culpá-lo, eu fiz isso todas as vezes que nos encontramos. Você não sabe, mas antes de viajar ele veio falar comigo e me pediu para cuidar de você, novamente ele se desculpou e o que fiz? Eu disse que nunca o perdoaria, que só se ele morresse para pagar tudo que ele me fez. E olha o que aconteceu?! Agora eu tenho mais uma morte para me culpar. A culpa é toda minha Marina, eu não mexi naquele avião, mas eu o amaldiçoei com minhas palavras - Engoli seco, sentido as lágrimas frias descerem sobre meu rosto.
__É melhor eu ir embora agora, você já sabe o tipo de monstro que eu sou. Agora poderá me odiar à vontade, adeus Marina - Ele solta a mão da minha filha e antes de sair eu seguro sua mão.
__Jade - Digo subitamente e ele gira o pescoço me olhando confuso - Jade, esse será o nome da minha filha - Repito sorrindo entre lágrimas e ele me olha em transe sem acreditar. Tenho certeza de que era exatamente isso que Samuel faria se estivesse no meu lugar, porque apesar de tudo está claro que Dylan se importava com o primo e agora tenho certeza que ele não é o mandante desse crime.
Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.
Hebreus 11:1
Eu estava deslumbrada, era a primeira vez que eu estava viajando para um lugar tão chique e mesmo sendo uma viajem de negócios, não poderia negar o nervosismo de estar pela primeira vez sozinha em um lugar com o S.r. Dylan. E pior de tudo longe da minha mãe a única que me ajudava a cuidar da Jade e não a colocar em perigo, porém Dylan me garantiu que teremos empregadas a nosso dispor se acaso precisarmos. A entrada principal da mansão que mais parecia um palácio era esplendorosa, sua aparência clássica e moderna, exatamente o tipo de casa que imaginei que Dylan compraria, ainda mais na Itália. As paredes brancas como algodão dava um ar elegante e discreto, havia uma enorme escadaria de concreto, também havia um lindo jardim com árvores e flores, me dando o aroma tropical e me fazendo de alguma forma me sentir em casa.
Passei pelas altas portas, olhando tudo em volta sorridente, enquanto Dylan segurava o bebê conforto. Era de se admirar o homem de negócios que ele tinha se tornado, só essa semana ele irá fechar três contratos com alguns investidores, não apenas isso como irá ter uma festa de negócios, mal posso esperar para ficar trancada no quarto tentando fazer jade adormecer que nem uma louca quando essa festa acontecer. Se bem conheço Dylan terá muitas amigas dele, ele realmente é popular com as mulheres eu sei disso porque sou sua principal secretaria e recebo todos os seus e-mails, Dylan disse que confia em mim quando se trata de assunto pessoal e da empresa, talvez seja por isso que eu neguei o convite de uma tal de Anna que o chamou para tomar um drink e lembrar os velhos tempos.
Não, me desculpe, sabe eu não vou posso tomar Drink com você, tenho uma bebê para cuidar. Isso me torna altamente antissocial.
Não é como se fosse obrigação dele cuidar da Jade, embora ele seja o padrinho dela, e isso o faz ser um grande candidato para ser meu ajudante.
__Dylan, quem é vivo sempre aparece, não é? - Uma garota morena de olhos azuis e maquiagem forte, trajando um vestido preto agarrado desceu as escadas. Nossa parece que beleza é o sobrenome dessa família.
__Daiana, aposto que já está indo para mais uma das suas festinhas acertei?
__Sim, e não voltarei hoje à noite, aliás você é a famosa Marina, não é? Quem te deu permissão de roubar o Sam de mim? - Ela dá um passo na minha frente e recuo surpresa.
__Como é? - Retruco confusa.
__Não liga para minha irmã, ela sempre teve uma quedinha platônica pelo Samuel, mas ele sempre a viu como uma criança birrenta, que é o que ela é - Sorriu irônico
__Muito engraçado. Eu já tenho vinte anos sou uma mulher, olha para ela, não parece muito diferente de mim, como ele a viu como mulher e eu não? - Olhou para o irmão indignada - E ainda tem uma filha dele. Isso é um absurdo, tudo estava bem com Samuel até você aparecer. Me olha acusadora e engulo seco sentindo o mar de dor vir novamente.
__Chega Daiana, você já estava de saída, não estava? Então vá agora! - Exclamou irritado.
__Claro, espero que não destrua a vida do meu irmão também, porque está claro que ele gosta de você - Sai trombando em mim.
__Não liga para ela. E isso porque ela não herdou a genética ruim do meu pai ou seria pior, se bem que seu pai não é muito diferente, minha mãe e seu dedo podre para macho.
__Ela me odeia - Fungo sentindo as lágrimas descerem.
__Daiana odeia a humanidade, o único de quem ela gostava era o Samuel. Perder ele foi muito difícil para ela porque ambos estavam brigados, ela não queria que ele fosse embora por minha causa. Mas ninguém prende o Samuel, a única pessoa a fazer esse milagre foi você - Segura meu queixo sorrindo.
__Acho que não, afinal de contas ele se foi de qualquer maneira - Abaixo a cabeça cabisbaixa.
__Você não acredita nisso, se acreditasse não estaria usando a aliança que trocaram, pendurada no seu pescoço - Seus dedos gélidos descem segurando o objeto e o olhando atentamente, percebo um vestígio de tristeza em seu olhar.
__Dylan, eu não sei se um dia vou poder deixar de amá-lo. Talvez se tivessem encontrado o corpo.
__Chega Marina, eu não vou te pressionar a me amar, só não quero te ver iludida achando que um belo dia vai acordar e Samuel vai estar aqui bem na sua frente. Isso não vai acontecer, e você só vai sofrer se não conseguir superar a morte dele e virar a página. Vai por mim, agora vou te mostrar seu quarto.
Dylan carregou o bebê conforto e as malas subindo as escadas e eu o segui sem graça. No fundo sabia que ele estava certo, mas meu coração não queria aceitar, eu o amava demais para perdê-lo de uma forma tão trágica e triste. Dylan destrancou a porta para mim e me entregou minha filha, não sem antes segurar uma mecha do meu cabelo e me olhar profundamente nos olhos.
__Eu tenho que resolver algumas coisas para a festa amanhã, se tiver alguma dificuldade é só procurar minha segunda mãe Valentina - Gesticulou para uma senhorinha de cabelos grisalhos e vestido florado.
__Senhorita Marina, acertei? Que bom finalmente conhecer a mulher que trouxe sorriso novamente para o rosto desse rapaz - Dylan coça a nuca sem graça.
__Dylan é um pouco difícil mesmo - Sorri genuinamente.
__Ótimo, vocês vão ter tempo o suficiente para falarem mal de mim, agora já vou. Não esqueça da lista que te mandei sobre minhas intermináveis qualidades Valentina, faça propaganda de mim como se sua vida dependesse disso - Ele pisca para mim e beija a bochecha dela se retirando.
__Esse garoto. Mas deixe-me ver, essa princesa é filha do Samuel, não é? - Eu aceno tímida.
__Sim, é filha do Sam, quer ver? - Entrego para ela empolgada - É a cara dele não acha? Psiu, não vamos fazer barulho se não ela começa a chorar e não sei como desliga-la - Tiro a manta para mostrar e ela ri olhando para mim curiosa.
__Talvez eu entenda por que Samuel se apaixonou por você dessa forma. Um homem raro como ele...não seria qualquer mulher que tocaria seu coração, e você tem isso, essa individualidade que o menino Samuel sempre teve, ele sempre foi tão diferente do irmão e dos primos - Sorri para ela.
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Eram exatamente 4 horas da madrugada, isso mesmo, foi exatamente nesse horário que jade começou a chorar como se o mundo fosse acabar e o pior, faziam apenas poucas horas que finalmente tinha conseguido fazê-la dormir. Por que ninguém nunca minha avisou que ter filho era tão difícil? Me levantei na força do ódio, com olheiras enormes, descabelada e fui parecendo um zumbi até o berço.
__Jade? O que você quer? Eu já te alimentei, o que você quer? - Debrucei no berço choramingando, ela desviou os olhinhos na minha direção, em seguida voltou a chorar, parece que eu assustei a pobre criança. Esfreguei o rosto e peguei ela com cuidado no colo.
__Vamos dar uma volta pela cozinha. Você deve estar com fome de novo, vou preparar o leite está bem? - Converso com ela que parece entender o que eu disse. Coloco ela no bebê conforto e vou para cozinha, deposito ele em cima da mesa e a viro de frente para mim - Assista sua mãe cozinhando - Posiciono com cuidado.
Agora preciso encontrar os utensílios, pego o leite na geladeira, sua mamadeira e coloco em cima do balcão, agora preciso de uma caneca para esquentar. Aonde um homem organizado como o Dylan colocaria suas canecas, começo a abrir as portas rapidamente, procurando as canecas no meio dos alumínios quando acidentalmente deixo algumas panelas caírem no chão causando um barulho enorme.
__Shiii jade. Não faça barulho tem gente dormindo - Sussurro para minha filha olhando por cima na mesa. E volto a ficar de joelhos guardando as panelas de volta no lugar. Ergui meu pescoço lentamente e avistei as canecas na parte dos vidros no armário. Como eu não vi isso antes? Levantei de uma vez a bati minha cabeça na quina da mesa caindo de bunda no chão.
__Aii minha cabeça - Escutei uma risada e franzi a testa. Me levantei rapidamente olhando para minha filha.
__Não ria, não tem nada engraçado, respeita sua mãe - Falo seriamente e ela continua rindo. É o Samuel purinho, a gente demora nove meses para carregar um filho e ele vir a cópia do pai. Voltei a analisar onde estava as canecas certamente não vou conseguir alcançar, então arrastei uma cadeira para subir em cima. Subo cuidadosamente para não fazer tanto barulho e tento alcançar as benditas canecas, qual a necessidade de colocar no alto - Estou quase lá - Meus dedos estão prestes a tocar na caneca vermelha de alumínio quando percebo um movimento estranho e meu corpo deslocar rapidamente para o lado, estou preparada para o tombo que vou tomar, quando dois braços abraçam minha cintura me puxando para frente antes de cair, assustada, apoio meus braços em seus ombros buscando segurança. O encaro em choque.
__Me desculpa - Gaguejo nervosa desviando meu olhar para outra direção que não seja suas safiras azuis.
__Achei que era um assalto, mas é só a furação Marina como sempre - Ele me desce no chão buscando meus olhos, enquanto encaro meus próprios pés envergonhada.
__A culpa é sua se quer saber, para que colocar as canecas tão alto olha - Aponto para cima.
__Estou vendo, talvez seja porque não quero que ninguém as pegue? - Sussurra no meu ouvido e passa por mim sorrindo irônico. Suspiro, enquanto ele abre a porta do armário e tira um canecão de alumínio de dentro. Ele passa por mim me fitando e me entrega o canecão.
__Obrigada - Sorri sem mostrar os dentes.
__Pensando bem vou te ajudar a preparar, só por precaução sabe - Pega de volta.
__Você vai preparar o leite da Jade? - Começo rir.
__Está duvidando do meu potencial? Você ficaria surpresa em saber o ótimo cozinheiro que estou me tornando - Se gaba.
__Ah é? Desde quando o impecável senhor Dylan resolveu se interessar por cozinhar e sujar suas belas mãos com isso?
__Desde que te conheci, ver você cozinhando me deu inspiração - Fala honestamente e não consigo evitar de sorrir.
__A propósito, se um dia se casar comigo poderá viver como uma rainha e eu irei fazer questão de cozinhar todos os dias para você - Coloca a água na caneca, enquanto o assisto sentada na mesa apoiando o queixo - Aposto que está tentada em aceitar, não está? Será que você realmente merece um homem como eu? Eu sou muito areia para qualquer mulher - Colocou a mão no queixo pensativo e rolei os olhos.
Dylan prepara o leite da Jade com uma agilidade incrível, como se tivesse treinado para fazer isso, e me entrega.
__Toma, faça bom proveito - Pisca galanteador.
__Obrigada vou testar - Olho para ele sorridente e coloco minha filha de frente para mim. Começo a alimenta-la e Dylan se senta de frente para mim, a olhando orgulhoso enquanto ela come.
__Viu só?! Ela adorou - Sorriu convencido.
__Isso é porque ela estava com muita fome - Desconverso e ri. Jade termina de mamar e pego ela no colo com cuidado para leva-la para o berço, Dylan me acompanha.
__Olha como ela dorme, uma princesinha dormindo - Balanço ela enquanto ele abre a porta para eu entrar.
__Realmente ela dormiu.
__Ela estava com fome. Comeu, a raiva se foi e dormiu como um anjinho - Explico sorrindo. Me curvo para colocar ela no berço, quando estou quase tirando o braço por debaixo dela, Jade começa a chorar pior do que antes.
__O que houve? Ela acordou? - Dylan pergunta, e o olho desesperada.
__O que eu fiz de errado? Eu não entendo - Ergo ela de volta balançando com força e chora ainda mais - Tem algo que a está deixando com raiva, o que eu faço? Será que ela está com dor? Vamos para um hospital agora - Bradei desesperada.
__Posso pega-la? Talvez ela só queira um colo paternal, e não seja nada demais.
__Sim, ela quer o colo do Samuel, mas ele não está aqui - A balanço incansavelmente - E agora Dylan? Como fazemos ela parar de chorar? Podemos entregar de volta para a mãe dela? - A olhei apavorada.
__Marina, você é a mãe dela. Se acalme está bem?
__Verdade. Psiu, eu sou sua mãe, fique quietinha, Jade, Jade!!
__Me dê ela primeiro, vamos fazer um teste - Dylan estica os braços.
__Está bom, mas certamente não vai adiantar. Eu que sou a mãe dela, não consegui fazê-la parar de chorar - Entrego com cuidado e Dylan a segura sorrindo e começa a balança-la, imediatamente Jade parou de chorar e fico o olhando quase hipnotizada. Coloco a mão na boca a chocada.
__Como assim? Ela parou de chorar. Que piada é essa?
__Não disse? Normal, ela está vislumbrada com meu rosto. Aposto que está pensando que sou algum tipo de anjo pela beleza que emana de mim... - Sorri docemente para minha filha e faço uma careta.
__Eu vou me deitar ao lado dela, para ficar mais confortável.
__Dylan não faça isso. Não ouse roubar toda atenção da minha filha - Falo brava.
__Shii Marina, tranquila. Ela certamente vai me querer como pai dela.
__Seu interesseiro, não tente se aproveitar da situação Dylan.
__Boa noite Marina, se quiser pode dormir no sofá ali do lado. Eu se fosse você pegava um cobertor aqui costuma ser bem frio a noite - Debocha e me virei furiosa.
(.....)
Abri meus olhos vagarosamente, incomodada com a claridade, tampei a luz com a mão e me virei para o lado no sofá descansando meu rosto na minha mão. Avistei Dylan dormindo sereno abraçado com a Jade, poderia ser o Samuel, mas ele não está mais aqui entre nós. No fundo acho que Dylan tem razão, Jade já tem seis meses, vai fazer quase dois anos que Samuel morreu, e por mais que odeie admitir é a verdade, minha filha precisa de um pai que a ame e cuide dela. Eu mais do que ninguém sei o quanto a criação de uma família é importante, e porque esse homem não pode ser o Dylan? Não acho que Samuel ficaria chateado com isso, ele sabe que ninguém amaria mais a nossa filha do que o primo dele.
Dylan abre os olhos de repente e me encara de forma profunda e por algum motivo dessa vez eu não desvio o meu olhar do seu, o sustentando por alguns minutos.
Eu vou aprender a te amar.
__Good morning - Mexi a boca para ver se me compreendesse.
__Good morning - Respondeu sorrindo de canto, fazendo meu coração se aquecer por um momento.