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BOX FILHOS DA MÁFIA - SÉRIE NOSSOS FILHOS

BOX FILHOS DA MÁFIA - SÉRIE NOSSOS FILHOS

Autor:: A.Fagundes
Gênero: Jovem Adulto
Sinopse: Eles nasceram cercados por luxo, poder e segredos. Filhos dos mafiosos mais temidos do mundo, cresceram à sombra de decisões sangrentas e alianças perigosas. Agora, adultos, enfrentam seus próprios dilemas entre o amor, a lealdade e a herança de um império marcado por crimes e paixão. Em Box Filhos da Máfia, Angelinna Fagundes apresenta histórias intensas e emocionantes, onde cada casal precisa lutar contra o peso do sobrenome, enfrentar inimigos do passado e descobrir se é possível construir um futuro diferente sem negar quem realmente são. Prepare-se para viver romances explosivos, reviravoltas arrebatadoras e o drama daqueles que carregam nas veias o legado da máfia... e no coração, o desejo de um amor verdadeiro.

Capítulo 1 1

Sinopse:

Eles nasceram cercados por luxo, poder e segredos. Filhos dos mafiosos mais temidos do mundo, cresceram à sombra de decisões sangrentas e alianças perigosas. Agora, adultos, enfrentam seus próprios dilemas entre o amor, a lealdade e a herança de um império marcado por crimes e paixão.

Em Box Filhos da Máfia, Angelinna Fagundes apresenta histórias intensas e emocionantes, onde cada casal precisa lutar contra o peso do sobrenome, enfrentar inimigos do passado e descobrir se é possível construir um futuro diferente sem negar quem realmente são.

Prepare-se para viver romances explosivos, reviravoltas arrebatadoras e o drama daqueles que carregam nas veias o legado da máfia... e no coração, o desejo de um amor verdadeiro.

Nota da Autora

Escrever esta série foi uma verdadeira viagem entre o passado e o futuro. Aqui, mergulhei nas vidas dos filhos daqueles personagens que vocês já aprenderam a amar ou odiar. Ver esses jovens crescerem, se apaixonarem, enfrentarem seus próprios demônios e construírem seus caminhos foi tão emocionante quanto doloroso.

Cada história deste box carrega uma parte do meu coração. São tramas que exploram o peso da herança, o amor proibido, os conflitos internos e a eterna luta entre o certo e o necessário. Espero que vocês se envolvam com cada casal, vibrem com cada descoberta e se emocionem com cada recomeço.

Obrigada por me acompanharem até aqui. Sem vocês, leitores fiéis e apaixonados, essas histórias não teriam vida.

Com amor,

Angelinna Fagundes

Capítulo 2 AMOR PROIBIDO LIVRO 1 ANNA CAVALLARO

Sinopse

O amor é um inconveniente para o qual Anna Cavallaro não tem tempo.

Ela só tem um objetivo: se tornar uma designer de moda. A elite de Chicago já copia seu estilo religiosamente, até porque ela é filha do notório chefe da máfia da cidade.

Quando ela é aceita em um instituto de moda mundialmente famoso em Paris, a condição de seu pai é levar seu guarda-costas junto.

Anna definitivamente não se importaria com algumas semanas de diversão sem compromisso com seu protetor taciturno

Santino Bianchi tornou-se o executor da Outfit porque gostava da emoção de caçar e matar.

Cuidar da filha de seu capo é uma tarefa honrosa que ele não pode recusar.

Seus pensamentos sobre Anna? Não tão honrados.

Santino ignorou o flerte persistente de Anna por anos. Agora, longe dos limites de casa eles começam a se confundir. Mas Santino não tem nenhuma intenção de ser o motivo de um noivado fracassado e do escândalo que se seguiria.

Uma aventura de verão em Paris.

Apenas duas coisas estão no caminho de Anna. A vontade de ferro de Santino.

E... seu noivo.

Capítulo 01

Eu era um soldado leal.

Ser Executor para a Chicago Outfit tinha sido uma questão de orgulho. O fato de gostar de quebrar ossos e minha tarefa me permitir fazê-lo era um bônus adicional. Eu era bom nisso. Eu gostava.

O que eu não gostava era de ouvir a conversa fútil de uma adolescente.

Infelizmente, meus talentos brutais levaram meu Capo a me pedir para ser o segurança pessoal de sua filha.

Brincar de guarda-costas e babá de sua filha mais velha nunca foi minha ideia de servir à causa.

- Você não pode dizer não, - meu pai argumentou, seus olhos arregalados de alarme quando lhe disse que estava pensando em fazê-lo.

- Não sou como você, pai. Não tenho paciência para ficar ao lado de uma mulher da máfia mimada e ouvir suas reclamações sem fim com suas amigas. Sou um soldado, não uma babá.

- Você não pode dizer não ao seu Capo. É uma honra.

Balancei minha cabeça. - Quero trabalhar com as mãos.

Quero quebrar ossos. Quero destruir nossos inimigos.

- Você deveria reconsiderar sua decisão, - papai disse implorando. - Se o seu Capo lhe pedir para se tornar o guarda- costas da filha dele, há apenas uma resposta viável, Santino, e é sim.

Não tinha absolutamente nenhuma intenção de reconsiderar minha decisão ou dizer sim, não importa o que papai dissesse. Arturo e eu formávamos uma boa equipe. Nós trabalhamos juntos como Executores por anos e ainda assim nunca ficou chato. Por que desistiria disso por um trabalho que, sem dúvida, desprezaria?

Não importa o que Dante dissesse, me manteria firme e permaneceria como Executor.

- Por que você não vem até nossa casa para me falar sobre sua decisão? - Dante havia dito durante nossa breve ligação. - Cinco horas.

Ele desligou antes que pudesse lhe dar minha resposta pelo telefone. Suspirando, me resignei a uma reunião estranha com meu Capo. Dante tinha jeito com as palavras e uma sutil astúcia que fazia as pessoas fazerem o que ele queria.

Toquei a campainha, olhando para o meu Camaro preto 1969, esperando estar de volta dentro dele, correndo pelas ruas de Chicago em breve. Esses tipos de compromissos sociais eram a ruína da minha maldita existência e geralmente os evitava.

Não foi Dante quem abriu a porta, nem uma empregada. Na minha frente, sorrindo de maneira sofisticada e educada, estava

Valentina Cavallaro. Ela era alta, com longos cabelos castanhos e olhos verdes que te prendiam como um gato fazia com um rato. Que ela pudesse me fazer sentir como uma dessas pequenas bolas de vermes me deixou ainda mais cauteloso para trabalhar em sua casa.

Dei-lhe um aceno de cabeça e recebi um sorriso educado em troca. - Seu marido me pediu para vir.

- Ah, eu sei, - disse ela. - Achei que seria uma ótima ideia que você encontrasse nossa filha imediatamente. Por que esperar? Limpei a garganta, prestes a dizer o que vim dizer, quando Dante apareceu atrás de Valentina e colocou a mão em seu

ombro. - Santino, - disse ele com um aceno curto.

- Estou feliz que Anna terá um guarda-costas tão capaz ao seu lado, - disse Valentina, sem perder o ritmo, me dando o sorriso de uma mulher que tinha um jeito sutil de conseguir o que queria, e vendo isso soube exatamente por quê.

- A coisa é, - comecei enquanto Valentina me conduzia para dentro. Tanto Dante quanto Valentina olharam para mim.

- Sim? - Valentina perguntou.

As palavras do meu pai circularam o meu cérebro como uma mosca irritante que não se pode espantar. De pé na mansão dos Cavallaro e vendo seus rostos expectantes, percebi que não havia como recusar sua oferta. Pelo menos ainda não. Talvez pudesse trabalhar como guarda-costas por um ou dois anos e depois pedir a Dante para voltar a tarefa de torturar as pessoas para conseguir informações.

- As crianças geralmente não me suportam, - disse, o que não era realmente a verdade. As crianças eram atraídas por mim como moscas na merda, mas eu não tinha a paciência necessária para suportar sua presença.

Valentina riu. - Ah, não se preocupe. Anna se dá bem com todos. Ela é uma garota muito social e empática.

É claro. Porque os pais sempre achavam que seus filhos eram um presente de Deus para a humanidade, altruístas, altamente talentosos e bem comportados, quando a maioria deles eram pirralhos irritantes, mimados com tendências egocêntricas e uma propensão à honestidade que beirava a crueldade.

- Tenho certeza que ela é.

Passos soaram no andar de cima e um flash de cabelo castanho apareceu no topo da escada. Anna Cavallaro praticamente desceu as escadas brincando, seu rabo de cavalo balançando de um lado para o outro da maneira mais irritante possível. Como cereja no topo do bolo, ela estava usando um traje xadrez que até uma mulher na casa dos cinquenta se sentiria velha. Ela me deu um sorriso. Seus olhos brilhavam de excitação. Ela empurrou a mão na minha direção, olhando para mim. - Prazer em conhecê-lo.

Forcei um sorriso que parecia realmente congelar sobre a porra dos músculos do meu rosto. - Prazer, - soltei. Era uma mentira, mas pelo brilho em seus olhos, ela não percebeu. Dante, no entanto, parecia enxergar através de mim. No entanto, ele não parecia descontente com a minha falta de entusiasmo ao conhecer sua filha. Ele sabia que minha capacidade de protegê-la não dependia de simpatia. Soltei sua pequena mão no segundo que a educação permitiu. Outra coisa que odiava pra caralho: ter que ser adequado. Agora que passaria meus dias por aí com a filha de Dante, meus xingamentos desenfreados e explosões de raiva eram coisas do passado.

- Vai ser divertido, - disse Anna.

Talvez ela achasse que seria seu amigo ou seu companheiro de brincadeiras pessoal. A garota teria uma surpresa desagradável esperando por ela. Eu a protegeria. Essa era a extensão do nosso vínculo.

- Então você vai me proteger com sua vida? - Ela perguntou com uma inclinação curiosa de sua cabeça, seus olhos azuis tentando me colocar no lugar e testar minha sinceridade.

E pela primeira vez hoje, não tive que mentir. - Vou te proteger até dar meu último suspiro.

Ou até que seu pai me mostre misericórdia e me tire da minha miséria.

A primeira vez que encontrei Santino, quase explodi de emoção. Só o tinha visto brevemente antes, mas mesmo assim, sua altura e rosto bonito fizeram meu estomago vibrar pela primeira vez na minha vida.

Estava animada por ele me proteger. Ele parecia ser divertido de estar por perto e não tão rígido com as regras. Achei que ele e eu nos daríamos bem.

Logo percebi que não seria o caso.

No começo, Santino ainda tentou disfarçar seu aborrecimento por ter que me proteger, mas ficou claro muito rapidamente. Ele não gostava de crianças, ou de pessoas em geral. Ele não gostava quando falava com ele. Ou quando ria muito alto. Ou quando respirava muito perto dele. Ele mal tolerava minha existência.

E tinha certeza que apenas seu senso de dever o impedia de estrangular Leonas ou eu.

Eu estava com raiva. Realmente com raiva. Fui criada para ser bem comportada, educada e pensar antes de agir. Mamãe e papai eram ambos equilibrados e controlados em público. Eles eram o que eu aspirava ser.

Santino estava sentado à mesa na guarita com seu pai e o segundo guarda-costas de mamãe, Taft. Engoli em seco quando entrei na sala, mas tentei esconder meu nervosismo.

- Posso ter uma palavrinha com Santino? - Perguntei, minha voz firme. Senti-me orgulhosa de quão confiante e adulta tinha soado. As pessoas sempre me diziam que eu era uma velha alma escondida no corpo de uma criança de doze anos. Isso não os impedia de me tratar como uma criança.

A boca de Taft se contraiu e ele se levantou. - É claro.

O pai de Santino lhe lançou um olhar que não entendi antes de se levantar também. Com um breve sorriso para mim, os dois homens saíram. Santino recostou-se na cadeira, uma sobrancelha inclinada para cima de uma forma que provavelmente pretendia me insultar também. Aprendi a ler as contrações de seu rosto

como uma forma de expressar o que ele não podia dizer em voz alta.

Não aguentava mais. - Se você me odeia tanto, por que concordou em se tornar meu guarda-costas? - Foi-se o equilíbrio e a confiança. Soava magoada e infantil, mas não pude evitar.

Santino soltou um suspiro momentâneo e praticamente pude ouvir seus pensamentos "Aqui vamos nós..."

- O que te faz pensar que te odeio?

- Porque você acha tudo que faço e digo irritante.

Ele não negou, e isso também doeu. Não tinha certeza de porque queria sua aprovação. Ele era apenas meu guarda-costas.

Santino se inclinou para frente, seus antebraços casualmente apoiados em suas coxas. - Você não sabe o que é ódio se acha que te odeio. E não te odeio.

- Mas você não gosta de mim.

- Não tenho que gostar de você para protegê-la.

Apertei meus lábios, sentindo uma ardência traiçoeira em meus olhos. - Você não deve proteger alguém que não gosta. Você deveria ter dito 'não' ao meu pai se odeia tanto o trabalho.

- Você não diz não se seu Capo te pede para proteger sua prole.

As pessoas raramente me diziam a verdade, a menos que fosse agradável ou mesmo lisonjeira.

Santino nunca poupou meus sentimentos. Era o que gostava nele, mas também detestava porque queria que ele fosse legal comigo porque também gostava de mim.

Afastei-me sem outra palavra. Não queria chorar na frente de Santino. Provavelmente só iria aborrecê-lo e me envergonhar, e já tinha feito o suficiente disso.

Passos pesados rondaram atrás de mim. - Anna, pare.

Não parei, nem reduzi a velocidade enquanto seguia pelo novo túnel subterrâneo que ligava nossa casa à guarita. Santino me alcançou em nosso porão, seus dedos agarrando meu braço. Parei e olhei para sua forma alta.

- Caso esteja preocupada que farei um trabalho ruim te protegendo porque não adoro o chão em que você pisa, não precisa se preocupar. Levo meu trabalho a sério. E vou te proteger com minha vida, mesmo se você me irritar.

- Isso é um consolo, - falei, deixando a zombaria que normalmente só mostrava para Leonas passar. Se Santino não se incomodasse em ser educado, eu também não o faria.

No começo, seu desinteresse por mim e sua falta de conversa me incomodaram, mas eventualmente aprendi como tirar uma reação dele, qualquer tipo de reação realmente. Tornou-se meu passatempo favorito irritar Santino até que ele não pudesse mais ignorar minha existência.

Capítulo 3 3

Sentei-me na grama e arrastei o lápis sobre o papel. O sol da tarde aquecia minhas costas.

Levei horas convencendo Santino a me levar até a natureza para que pudesse desenhar algo além do interior de nossa casa ou quintal. Ele acabou me levando a um parque perto de casa e desde então agia como se eu fosse o ar.

Lancei outro olhar para ele. Ele estava alguns passos à minha direita com os braços cruzados enquanto observava nossos arredores. Qualquer um com meia mente saberia que ele era meu guarda-costas.

Risquei o lápis sobre o papel enquanto tentava acertar a linha afiada de sua mandíbula e a carranca de mau presságio. Santino já era meu modelo favorito há algum tempo, claro, ele não sabia. E podia imaginar o que ele diria se soubesse que todas as nossas viagens para locais diferentes tinham sido inúteis porque era sempre ele que eu desenhava. Às vezes tomava liberdade com suas roupas e as trocava por roupas de outro século fazendo minha criatividade fluir. Hoje escolhi um chapéu e botas de cowboy como sua roupa.

Seus olhos cortaram para mim e, como de costume, o brilho áspero neles enviou um arrepio agradável pelas minhas costas. Ninguém mais me fazia sentir assim, definitivamente não os meninos infantis da minha idade.

As pessoas queriam me agradar. E não tinha problemas para trazer as pessoas para o meu lado, mas minhas habilidades sociais eram completamente inúteis contra a teimosia de Santino. Ele queria odiar o trabalho e, assim, não gostar de mim, e não se permitiria sentir diferente.

Eu não era estúpida. Sabia que minha paixão por Santino era completamente ridícula por vários motivos, o principal deles era que ele era dez anos mais velho que eu. Ainda assim, às vezes sonhava em como seria quando eu fosse mais velha.

Voltei meu foco para o meu desenho, sombreando as calças de caubói. Perdida em pensamentos, percebi tarde demais quando uma sombra caiu sobre mim. Minha cabeça disparou para encontrar Santino olhando para mim e meu desenho dele.

- Você não deveria me desenhar, - ele rosnou, arrancando o papel da minha prancheta.

- Você tem uma mandíbula muito proeminente. É um objeto atraente, - falei.

Pude ver que Santino achava que eu era louca. - E por que diabos você me fez parecer um caubói?

Dei de ombros. - Está ficando chato te desenhar de jeans, camisa e jaqueta de couro o tempo todo.

Santino balançou a cabeça, murmurando algo baixinho, e rasgou meu desenho.

- Ei! - Gritei enquanto pulava e tentava arrancar os restos do meu trabalho de suas mãos. Foi inútil. Santino simplesmente me bloqueou com seu lado e amassou calmamente os pedaços de

papel em uma pequena bola. - Não me desenhe, Anna. Se tiver que responder ao seu pai porque ele encontrou desenhos meus em seu quarto, vou ficar chateado.

- E como isso é diferente do seu humor habitual? - Perguntei com altivez. - Você é praticamente Grumpy Cat1 em forma de mafioso.

Santino apenas me encarou, mas estava acostumada com sua expressão sombria, e teimosamente olhei de volta. - Vamos voltar para casa agora e você vai me entregar todos os seus desenhos meus, entendido?

- Entendido.

De volta a casa, Santino me seguiu até meu quarto como uma sombra estrondosa e observou enquanto eu abria a gaveta superior da minha mesa, onde guardava a maioria dos meus desenhos de Santino. Entreguei-lhe cerca de duas dúzias de desenhos. Ele os folheou, balançando a cabeça ocasionalmente, e uma vez suas sobrancelhas subiram muito alto. Presumi que fosse o desenho dele no guarda-roupa de Luís XIV.

Ele nivelou os olhos em mim e os estreitou. - Há mais. Fiz uma cara inocente.

Santino apontou para o desenho no topo da pilha. - Esse não é tão bom e detalhado quanto o desenho que vi hoje. Isso significa que você progrediu desde então e, como é um pouco perfeccionista, deve ter mantido seus melhores desenhos separados para admirá-los.

1 Meme de gatinho mal-humorado.

Corei e por um breve momento, meu olhar voou para minha mesa de cabeceira. Santino cambaleou em direção a ela e tentou abrir a gaveta, mas estava trancada. Não queria que Leonas conseguisse material de chantagem contra mim. Santino tateou debaixo da cama e então sorriu. Minha boca se abriu quando ele puxou a pequena chave que prendi na parte de baixo da armação da minha cama e abriu a gaveta.

- Isso é privado! - Assobiei, mas ele já tinha pego uma pilha de quinze desenhos dele. O de cima mostrava Santino de mãos dadas com meu eu adulto. Usei um aplicativo de computador para me envelhecer e depois me desenhei ao lado de Santino.

Realmente esperava que ele não me reconhecesse. O olhar que ele me deu esmagou minha esperança. - O que é isso?

Engoli em seco e dei de ombros.

- Sei que deveria ser você, Anna. Reconheço você, sem mencionar a ridícula roupa xadrez da Chanel que ninguém com menos de setenta anos usaria.

- Chanel é moda, não importa a idade, - disse indignada.

- Você não vai me desenhar nunca mais, entendeu? Este é o meu último aviso. - Ele saiu, sem esperar pela minha resposta.

O constrangimento ainda aquecia minhas bochechas e estava à beira de um grito de raiva quando percebi algo: Santino havia prestado atenção suficiente nos meus desenhos para notar as diferenças em meu progresso nos últimos meses.

Um sorriso se espalhou no meu rosto.

- Anna? - Mamãe chamou e empurrou a porta que Santino havia deixado entreaberta, enfiando a cabeça para dentro.

- Posso ter uma palavrinha com você?

Percebi a tensão ao redor da boca de mamãe. Ela compartilhava os mesmos lábios carnudos comigo, mas agora os dela pareciam uma linha dura. Santino tinha me delatado? Não podia imaginar. - Tem alguma coisa errada?

- Oh não, querida, - mamãe disse quando entrou e afundou no banco acolchoado no batente da janela.

Afundei ao lado dela, me perguntando o que era.

- Com seu décimo terceiro aniversário chegando muito em breve, seu pai e eu achamos que agora poderia ser um bom momento para discutir seu futuro com você.

Isso não era completamente inesperado. Como filha do Capo, todos esperavam com a respiração suspensa a quem eu seria prometida. - Sim?

- Seu pai e eu passamos os últimos meses pensando em um possível vínculo. Não queríamos apressar as coisas, principalmente porque o menino que temos em mente para você pode ser alguém inesperado.

Tinha ouvido rumores de que casaria com alguém da União da Córsega para fortalecer a Outfit, mas eu conhecia meu pai. Ele nunca permitiria que eu me tornasse parte de outra família mafiosa. Ele estaria muito preocupado com a minha segurança. Papai nem me deixava sair de Chicago, mesmo que isso limitasse drasticamente meus possíveis futuros maridos. O filho de um subchefe nunca iria querer deixar sua cidade por mim.

- Você conhece Clifford Clark, não é?

Minha boca formou um O. Ele não era alguém que tinha em mente quando se tratava de casamento. - Jogamos tênis juntos.

- Juntos era um termo abstrato neste caso. Ele e eu nunca tínhamos jogado em dupla ou um contra o outro, mas jogávamos no mesmo clube e, de vez em quando, nosso treinador de tênis

criava grupos de alunos para trabalhar certas habilidades. Algumas vezes Clifford e eu estivemos no mesmo grupo, mas além de um rápido 'oi', nunca tivemos uma conversa real. Ele sempre teve um grupo de amigos ao seu redor como uma comitiva.

- Seu pai está trabalhando com o pai dele. A cooperação é importante para a Outfit e estamos tentando criar um vínculo mais forte entre nossas famílias. Ter conexões com a elite política pode ser uma vantagem.

Quebrei meu cérebro tentando lembrar minha última memória dele. Foi há vários meses. Ele e alguns meninos estavam sentados nas arquibancadas enquanto Luisa e eu jogávamos tênis. Clifford era alto e loiro, meio bonito. Se ao menos meu cabelo fosse loiro, todas as pessoas que imploravam por um casal de ouro teriam um dia de glória. Ri, fazendo minha mãe me dar um olhar de perplexidade.

- Só achei que ele seria perfeito para satisfazer os entusiastas do casal de ouro. Mas Leonas provavelmente teria que tomar meu lugar.

Mamãe riu. - Esses rumores de casal de ouro nunca vão parar.

Sabia que muitos queriam que papai se casasse com alguém que não fosse a mamãe exatamente por esse motivo.

Mamãe colocou a mão sobre a minha. - Você está levando isso melhor do que achei que levaria.

Levantei minhas sobrancelhas. - Estou surpresa, mas não vejo por que deveria estar preocupada. Todo mundo tem um casamento arranjado. - Então apertei meus lábios, me perguntando por que mamãe estava preocupada. - Ou você acha que não vou mais pertencer à Outfit se me casar com um homem que não seja relacionado à máfia?

- Querida, você sempre fará parte da Outfit. Seu casamento com alguém como Clifford ajudaria a Outfit, o que todos apreciarão muito. Sua família é muito influente e se seu pai se tornar senador, isso só vai melhorar.

Balancei a cabeça. A Outfit seria intocável se tivéssemos o apoio de uma importante família política. Sabia que papai se preocupava muito com nossa segurança e a força da Outfit. Se pudesse ajudá-lo, por que não o faria?

- E você teria mais liberdade em um casamento com um homem de fora. Poderia estudar arte, talvez até trabalhar na área. Nossos homens não são tão liberais.

- Você e papai já concordaram com o casamento?

- Não, - mamãe disse imediatamente. - Queria falar com você primeiro.

Mordi meu lábio. Era estranho pensar em me casar com alguém que mal conhecia, ou pensar em casamento. Sempre que passava pela minha cabeça, era uma ideia muito distante. Agora virou realidade. - Posso falar com ele durante o treino amanhã? Quero ter uma ideia dele.

Mamãe sorriu. - Claro, mas ele não suspeita de nada. Sua família não quer divulgar nada a ele até que as coisas sejam mais concretas.

- Não vou dizer nada. Vou encontrar uma desculpa para conversar com ele.

- Você é uma garota inteligente. Tenho certeza de que ele não suspeitará de nada. - Mamãe beijou minha têmpora. - Conte-me como foi, ok?

Luisa parecia mais nervosa do que eu, como se tivesse que se casar com Clifford. Depois de nos vestirmos com nossas saias brancas de tênis e camisas combinando, ela e eu fomos para as quadras. Meu olhar percorreu o amplo espaço até encontrar Clifford na penúltima quadra, jogando contra um de seus amigos, um garoto de ascendência asiática, cujo nome eu não sabia.

A quadra ao lado deles estava vazia, então levei Luisa até lá.

- Pare de olhar para eles como se tivesse algo a esconder, - murmurei quando entramos na quadra. Luisa não tinha um osso enganador em seu corpo. Ela era boa demais. Éramos como o bom policial e o mau policial.

Ela corou. - Não posso evitar!

- Concentre-se na bola, - disse e joguei uma bola de tênis para ela antes de me posicionar do outro lado da rede. Apenas uma barreira baixa separava nossa quadra de tênis da próxima, onde Clifford e o outro garoto estavam envolvidos em uma partida acalorada.

Luisa e eu jogamos de um lado para o outro por um tempo antes de eu atirar a bola para o lado de Clifford. Corri até a barreira. Clifford pegou a bola com uma carranca. - Ei, preste atenção onde está lançando sua bola. Você interrompeu nosso jogo.

Ele jogou a bola para mim, nem mesmo se preocupando em se aproximar. Apertei meus lábios. Rude. Ele era como me lembrava dele, alto, cabelo loiro ondulado e membros esguios.

Sua grosseria me atingiu do jeito errado. Virei-me em um humor azedo.

Luísa deu de ombros. Não me incomodei com outra tentativa de contato, e ouvir a conversa deles era discutível. Eles estavam muito focados em sua partida.

Mais tarde, no bar de sucos, tentei a sorte novamente e me acomodei em uma cadeira de bar perto de Clifford e seu amigo. A conversa deles sobre Lacrosse quase me fez adormecer. Logo mais dois meninos se juntaram a ele e seu amigo.

Nunca tinha prestado muita atenção em Clifford Clark, e agora sabia por quê. Nós não compartilhávamos as mesmas companhias ou interesses. Ele era o mauricinho, usando polos, tipo favorito do professor. Seus registros eram tão limpos quanto seu traje de tênis.

Eu sabia que seus pais tinham seus próprios segredos, mas eles não eram tão sombrios quanto os que os meus carregavam. Clifford e eu vínhamos de mundos muito diferentes. Ele e seus amigos achavam que eram durões. Eu sabia como era a verdadeira dureza. Não tinha certeza se poderia gostar de alguém como ele, muito menos respeitá-lo.

Mamãe perguntou ontem se poderia me imaginar casando com Clifford um dia. Sempre soube que teria um casamento arranjado. Para a filha de um Capo, não havia outra opção. Neste momento, tinha dificuldade em considerar Clifford como qualquer coisa.

Os quatro meninos migraram para uma mesa na sala de jantar do clube de tênis, pedindo sanduíches, batatas fritas e refrigerantes. Pelo menos nesse aspecto, eles não eram tão pretensiosos quanto pareciam. Se Clifford tivesse pedido uma tigela de açaí ou sashimi de atum, teria traçado uma linha.

Santino apareceu na porta, obviamente cansado de esperar.

- Por que você está demorando tanto? Não pode levar seus sucos verdes para viagem?

Revirei os olhos. - Precisamos relaxar após o treino. Dê-nos mais alguns minutos.

Santino se empoleirou em uma banqueta vazia. A garota que trabalhava no balcão imediatamente caminhou até ele, jogando o cabelo de forma sedutora. - O que posso fazer por você? Talvez uma boa vitamina com gengibre? É picante e lhe dará um estímulo extra.

A expressão de Santino quase me fez rir alto.

Santino consegue seus estímulos de uma maneira muito diferente, a maioria deles envolvendo facas e armas.

- Café preto, o mais forte possível.

Ela sorriu quase reprovadora. - Muita cafeína não é favorável à sua saúde.

Sabia o que ele estava pensando: irritar-me também não...

Luisa me cutucou, tirando meu foco de Santino e voltando para a mesa com meu possível futuro marido.

Ainda ouvia Santino e a garota enquanto Luisa e eu observávamos Clifford discretamente.

- Estou bem, - Santino disse rispidamente quando a garota não parou de importuná-lo com sugestões de suco e finalmente entendeu a dica.

- Ele parece bem legal, - disse Luisa, olhando Clifford criticamente.

Ele não era feio. Ele era quase bonito demais para um menino. Dei de ombros. - Ele é um menino. Um menino rico.

- E você é uma garota rica, - comentou Santino.

Pulei, minhas bochechas em chamas. A indignação me encheu quando olhei por cima do ombro para Santino, que se esgueirou atrás de nós. Ele estava sempre perto, mas não pensei que ouviria nossa conversa.

- Ela é filha de um Capo, - Luisa disse quase chocada, então sorriu sem jeito.

- Obrigado pelo aviso, - Santino disse. Ele lançou os olhos para o céu, balançando a cabeça e murmurando algo baixinho. - Quanto tempo mais você vai levar para perseguir esses garotos? Não tenho paciência para paixões estranhas de pré-adolescentes.

Ele não se incomodou em baixar a voz. Clifford e os outros caras nos olharam e então o garoto asiático cutucou Clifford com um sorriso e todos começaram a rir.

Fiz uma careta para Santino. - Ótimo, agora ele acha que tenho uma queda por ele.

Pulei da banqueta e fui em direção ao carro, Luisa em meus calcanhares. Santino passeava atrás de nós, quase entediado. - Não é esse o caso?

Empurrei meus punhos em meus lados. - Não, não é. Mamãe e papai estão pensando em me casar com Clifford Clark, o menino loiro. Ele é filho de um político.

Santino me lançou um olhar, seu rosto refletindo tédio. - Tenho certeza de que eles têm suas razões, - disse ele de uma maneira que sugeria que não se importava com quem era, nem que eu me casasse.

Mordi o lábio e calei a boca. Santino tinha um jeito de me fazer sentir estúpida e como uma criança sem realmente me insultar. Seu olhar dizia mais que mil palavras.

O estranho era que, enquanto a grosseria de Clifford hoje me fez querer ficar longe dele, a abrasividade de Santino só me deixava mais ansiosa para estar perto dele.

Quando mamãe entrou no meu quarto naquela noite para falar sobre Clifford, não lhe falei sobre minhas dúvidas. Sabia o quão importante seria para a Outfit e queria fazer minha parte ajudando.

- Isso não se tornará público por muito tempo. E pelo que percebi, os Clark não vão contar a Clifford agora. Eles querem esperar até que ele seja mais velho e possa entender as razões de sua decisão.

Balancei a cabeça. Para pessoas fora do nosso mundo mafioso, os casamentos arranjados eram raros. Seus pais provavelmente temiam que ele não fosse capaz de lidar com a situação ou deixasse algo escapar para os outros por acidente. Tinha que admitir que estava feliz por ele não saber até mais tarde. Dessa forma não teria que falar com ele novamente em breve.

Estava orgulhosa que meus pais sabiam que eu era forte o suficiente para lidar com meu futuro assim. E queria continuar deixando-os orgulhosos, mesmo que isso significasse aturar Clifford.

Cinco anos.

Cinco malditos anos.

Hoje era o aniversário do meu primeiro dia como guarda- costas de Anna Cavallaro, e como se ela tivesse marcado a data, fez o seu melhor para me irritar. Não que não fizesse isso em nenhum outro dia do ano, mas hoje ela foi além.

Podia ver seu rosto presunçoso no espelho retrovisor. Cerrando os dentes, concentrei-me no longo caminho que nos levava a casa do lago da família Cavallaro.

Sentia falta do meu Camaro, das vibrações sutis, do assento desconfortável, do zumbido impaciente do motor. Mas no trabalho, era forçado a dirigir uma Mercedes para que Anna e Leonas estivessem seguros e confortáveis. Não queriam que suas bundas mimadas sentissem a estrada esburacada.

- Você sabe se algum dos guardas fuma? - Perguntou Leonas.

- Acho que um dos guardas de Sofia fuma, - disse Anna, lançando um olhar para mim. Às vezes queria pegar a pirralha, jogá-la sobre minhas pernas e dar-lhe uma surra.

- Se pegar qualquer um de vocês fumando, vou bater nas duas bundas com a porra do meu cinto.

- Excêntrico, - Anna disse, e por um segundo, não tinha certeza se tinha ouvido direito.

Ela realmente disse isso?

Pisei no freio com mais força do que o necessário, fazendo o carro parar prematuramente antes das vagas de estacionamento.

Anna e Leonas saltaram para frente. O último batendo a cabeça contra o banco do passageiro porque ignorou minha ordem de colocar o cinto.

- Porra, por que isso? - Leonas resmungou.

Saí sem dizer uma palavra antes que pudesse fazer algo que Dante me faria arrepender. O carro de Samuel e o guarda-costas pessoal de sua irmã Sofia, Carlo, já estavam estacionados em frente ao alojamento. Samuel era sobrinho de Dante e do tipo taciturno, então não teria que me preocupar com ele me dando nos nervos também.

Anna saiu também, erguendo uma sobrancelha para mim enquanto alisava aquela ridícula roupa xadrez da Chanel que ela usava. - Você parece no limite, Sonny.

Dei-lhe um sorriso afiado, engolindo uma resposta muito

dura.

- Entrem. - Acenei com a cabeça em direção à porta da

frente da grande cabana de madeira. - E levem sua própria bagagem.

Entrei, sem esperar por eles. Atrás de mim, podia ouvi-los brigando por causa da bagagem.

Vozes masculinas baixas vieram da sala e encontrei Samuel e Carlo lá dentro.

- Santino, - Samuel disse com um aceno curto. - Dia estressante? - Ele examinou meu rosto.

- Você não tem ideia.

Anna e Leonas entraram, o último carregando a mala dele e de Anna. Eu só tinha feito uma mala.

- Oi Samuel, - Anna disse com um sorriso brilhante e abraçou seu primo. Então ela deu um sorriso amigável para Carlo e apertou sua mão. Ela podia ser encantadora, tinha que lhe dar isso, a senhorita perfeita.

Passos trovejaram escada abaixo. Presumi que era Sofia, a cúmplice de Anna e irmã de Samuel.

Ela correu para a sala, e olhei duas vezes quando a vi. Ela estava usando um biquíni branco minúsculo e exibia curvas femininas. Quantos anos ela tinha?

Dezessete. Porra. Sempre esqueci que Anna faria dezessete em breve também. Ainda a via como a garota irritante.

Cinco malditos anos e sem fim à vista. Enquanto ela não se casasse, eu seria seu guarda-costas. Realmente esperava que Cliffy tivesse sua própria equipe de segurança uma vez que os dois fechassem seu fadado vínculo.

- Esse biquíni parece quente em você. Boa escolha, - Anna disse quando se soltou do abraço de Sofia.

Leonas assentiu, recostando-se no sofá com um sorriso de comedor de merda. - Sim, você parece um pedaço de bunda quente.

- Cala a boca, - rosnei mesmo que o merdinha tivesse falado a verdade.

Samuel caminhou até Leonas e bateu na parte de trás de sua cabeça. - Cuidado. Você ainda não é Capo, então ainda podemos chutar sua bunda magrela até que suas bolas murchem para o tamanho de passas.

- Como se elas fossem maiores do que isso, - Anna murmurou, dando a Leonas um sorriso presunçoso.

Como se ela já tivesse visto as bolas de alguém. - Não me importa que vocês dois torturem um ao outro. A única coisa que me importa é que voltem para Chicago mais ou menos vivos e que não me fodam.

- Nossos outros guarda-costas não dizem foda porque nossa mãe odeia a palavra, - disse Leonas.

Estava perto de explodir. - Apresente um relatório oficial e veja se me importo. - Virei-me para Samuel e Carlo. - Estou indo para casa da guarda. Vou confiar que vocês os mantenham vivos.

Não voltei para a casa principal até o jantar, o que foi surpreendentemente agradável graças ao fato de que Anna estava ocupada conversando com Sofia e Emma, e não podia se incomodar em me irritar. Isso, e o fato de que não confiava que os outros guardas fizessem um bom trabalho vigiando todos os adolescentes sozinhos, foi por isso me juntei a eles depois que todos se acomodaram ao redor da fogueira. Infelizmente, Anna sentou-se à minha frente e sua expressão prometia problemas.

- Quero dar um mergulho, - disse Leonas com um sorriso que eu conhecia muito bem. Esse garoto era a cara de Dante, mas suas maneiras de causar problemas estavam muito longe da

atitude equilibrada do meu Capo. Quando concordei em me tornar o guarda-costas de Anna, não levei em consideração que seu irmão igualmente irritante faria parte do acordo também.

Samuel me deu uma olhada antes de se virar para Leonas.

- Parece bom. Talvez uma criatura do lago te devore.

Anna encontrou meu olhar em desafio. - Poderíamos nadar pelados.

Quase disse vá em frente. Ela provavelmente teria um ataque cardíaco vendo toda a nudez com seus olhos virtuosos, mas até agora tinha evitado vê-la em qualquer estado de nudez e queria continuar assim. Terminei minha cerveja. - As roupas ficam, e vocês dois não vão brigar como crianças mal comportadas.

- Não sou uma criança, Sonny, - Anna murmurou.

Desejei que meu pai não tivesse me chamado de Sonny por acaso perto dela.

Ela nunca pararia de me irritar com o apelido odioso.

Leonas se levantou de sua cadeira e se despiu, ficando com uma cueca samba-canção. - Estou indo. Continuem batendo papo.

Ele correu pelo caminho até o convés inferior e se catapultou na água preta com uma bomba de bunda.

Samuel seguiu logo depois.

Anna ainda estava me observando com um sorriso ousado. Ela não tirou os olhos de mim quando se levantou e começou a desabotoar o vestido de verão que estava usando. Inclinei-me para trás, tentando manter minha expressão fria. Ela queria tirar uma reação de mim. Se ela achava que seu pequeno strip-tease me irritaria, estava enganada. O último botão se abriu e ela abriu o vestido deixando-o deslizar lentamente pelos ombros.

Simplesmente olhei de volta para o rosto dela. Não era um adolescente que coraria e riria porque a via de calcinha. Claro, ela parecia uma mulher, uma mulher bonita, mas era preciso mais do que isso para conseguir uma reação minha.

Seus olhos brilharam com raiva pela minha falta de reação antes que ela corresse em direção ao lago e mergulhasse.

Balançando a cabeça, levantei-me e puxei minha camisa para fora do meu jeans. - Vou pedir a porra de um aumento salarial assim que voltar a Chicago.

Emma riu como se achasse que era uma maldita piada. Meu rosto parecia que eu estava brincando?

Ignorando-a e a Danilo, desci para o convés inferior, seguindo o riso de Anna e Leonas.

Pulei de cabeça. Precisava me refrescar por várias razões e estava feliz pelo silêncio sob a superfície da água pela primeira vez. Quando emergi depois de quase um minuto, risos e gritos chegaram até mim. Flutuei de costas enquanto me certificava de ficar de olho nos meus dois encrenqueiros.

Meu momento de paz durou pouco quando Anna começou a nadar em minha direção.

- Você nunca se diverte? - Anna perguntou, pairando ao meu lado.

- Sim. Quando não estou trabalhando.

Anna começou a boiar ao meu lado, revelando muito de seu corpo. Lancei meus olhos para o céu. - Você quer dizer quando não tem que estar perto de mim.

Não disse nada. Seu corpo flutuou mais perto de mim e nossos braços se tocaram, e estourei. - Não sou seu amigo, Anna. Sou seu guarda-costas. Mesmo que você não possa agir profissionalmente para salvar sua maldita vida, tenho que fazê-lo.

A expressão de Anna ficou gelada, mas ela não teve a chance de retrucar porque Sofia começou a gritar. Endireitei-me na água, examinando a área enquanto agarrava o pulso de Anna. Ela também parou de flutuar e nadou ao meu lado.

Claro, acabou sendo a porra de uma alga marinha que se enrolou na perna de Sofia. Anna sorriu para mim. Por uma vez sem provocação. - Você imediatamente me agarrou para me proteger.

- Esse é o meu trabalho.

Ela assentiu, mas ainda me deu aquele sorriso estranho. Fiquei feliz quando ela nadou até Sofia para ter uma conversa de garotas.

Não estava mais com vontade de nadar, então fui até a escada. A essa altura, Sofia já havia saído e voltado para casa, deixando apenas Anna no convés. - Você deveria ir para a cama. Não quero ter que cuidá-la quando estiver resfriada, - murmurei.

Ana revirou os olhos. - Estava indo para o chalé de qualquer maneira. - Ela agarrou a escada.

- Deixe-me ir primeiro, - ordenei. Não queria ter sua bunda bem acima da minha cabeça enquanto ela saía. Anna soltou o corrimão com uma carranca e abriu espaço para que eu pudesse subir primeiro. Quando estava no convés e olhei para a água, Anna me deu um sorriso conhecedor. - Gostei muito da vista.

- Saia. - Fiz um gesto para Leonas. - Você também, - Leonas resmungou, mas nadou em nossa direção.

Anna agarrou o corrimão e subiu. Imediatamente arrepios passaram por sua pele. Estava frio pra caralho. Voltei para o convés superior onde deixamos as toalhas e peguei três, em seguida, voltei até Anna, que já estava na metade do convés.

Deixei cair duas toalhas então desdobrei uma e a estendi para Anna. Ela me permitiu envolvê-la em seus ombros e inclinou seu corpo em minha direção enquanto olhava para mim com um sorriso suave. - Obrigada, Santino.

Soltei seus ombros rapidamente e balancei a cabeça enquanto dava um passo para trás. Desejei que papai não tivesse me ensinado a ser um cavalheiro. Na maioria das vezes, conseguia evitar agir como um. Anna não se mexeu, apenas olhou para mim, ainda aconchegada na toalha.

Arrastei meus olhos para longe dela, peguei as outras toalhas e joguei uma delas na cabeça de Leonas.

- Ei! - Ele protestou, então estreitou os olhos para mim. - Por que você não me aconchega com uma toalha?

- Não aconcheguei ninguém, então pare de falar merda, - rosnei. Leonas passou por mim, secando o cabelo com a toalha com um bufo.

Anna também finalmente começou a andar em direção ao chalé. A segui de perto, secando meu cabelo. Quando ela parou abruptamente e se virou, não consegui parar rápido o suficiente e esbarrei nela. Por sorte, ela estava com a toalha enrolada em si mesma.

- Você sabe, Santino, - ela disse com uma voz doce, me olhando através daqueles malditos cílios longos. - Papai não vai te matar por me secar. - Ela pressionou a palma da mão contra o meu peito nu. - Ele pode te matar por todas as outras coisas que faremos em breve.

Que porra? Agarrei seu pulso e empurrei para baixo, então dei um passo para trás. Este era um jogo que não jogaríamos. As apostas eram muito altas. - Nós não vamos fazer nada, Anna, e se me tocar assim de novo, vai se arrepender.

Ela segurou meu olhar e seu sorriso se alargou antes que se virasse e se dirigisse para a casa.

- Porra! - Rosnei. - Foda-se esse maldito trabalho. Foda- se tudo!

- Qual é o seu problema? - Perguntou Samuel.

Fiz uma careta para ele. Ele era primo de Anna, sobrinho de Dante e definitivamente não alguém em quem confiaria.

Este era um assunto delicado, e havia apenas duas pessoas com quem compartilhava esse tipo de coisa. Arturo e papai. Infelizmente, seus conselhos eram geralmente prejudicialmente opostos uns dos outros.

Encontrei-me com Arturo assim que voltamos a Chicago.

Como sempre, o conselho de Arturo era impraticável, então decidi conversar com alguém que não fosse louco e cuja bússola moral não estivesse tão fora de controle. Papai ficou surpreso quando apareci uma tarde. Normalmente, só nos víamos no trabalho ou em festas de família. Como papai morava sozinho, não era como se ele alguma vez tivesse convidado a mim ou minha irmã para jantar ou tomar chá.

- Estou pensando em pedir demissão.

- Sua posição de guarda-costas? - Papai perguntou alarmado.

- Qual outra?

- Santino, - papai começou na mesma voz que usava comigo quando era uma criança pequena.

- Anna está empurrando todos os meus botões. Acho que ela está flertando comigo.

Os olhos de papai se arregalaram em choque, então ele me deu um sorriso incrédulo. - Anna é uma boa menina, Sonny. Ela nunca faria avanços em um homem antes do casamento.

- Ela engana todo mundo.

Papai balançou a cabeça novamente. - Talvez você esteja interpretando mal o comportamento dela. Ela é inexperiente em lidar com homens, então provavelmente não sabe o que está fazendo.

Dei-lhe um olhar. - Confie em mim, pai, ela sabe exatamente o que está fazendo.

A preocupação tomou conta de seu rosto. - Você não aceitou esses avanços, certo?

Ele ainda disse avanços como se eu os tivesse inventado. Porra, Anna era boa. Ela realmente enganava todo mundo. Aquela garota estava me usando para seu próprio entretenimento pessoal. Caramba.

- Claro que não, pai. Você deveria me conhecer melhor.

Ele me deu um olhar oh, por favor. - Você tomou decisões infelizes em relação as suas parceiras sexuais no passado.

Obrigado pelo voto de confiança...

- Ocasionalmente transo com mulheres casadas. Mas há duas grandes diferenças entre elas e Anna. Elas não são minhas protegidas e são maiores de idade. São grandes diferenças para mim.

- Não tinha certeza, para ser honesto. Sua amizade com Arturo me deixa preocupado que você possa esquecer algumas das regras que lhe ensinei.

- Arturo gosta de matar e torturar. Isso não tem nada a ver com minhas preferências sexuais. - Falar de sexo com meu pai era estranho pra caralho, mas se ele não tivesse um problema, eu definitivamente não teria um. Quase nada neste planeta me envergonhava.

- Tenha cuidado, ok? Se você perder o controle, haverá provas.

Quase morri de rir. Provas? Papai realmente achava que eu era como uma cadela no cio. - Não se preocupe. Posso me controlar. Nunca haverá nada físico entre eu e ela.

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