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Casa de carne: Capítulo 1 - Aprisionada

Casa de carne: Capítulo 1 - Aprisionada

Autor:: Cenira Chollet
Gênero: Fantasia
A vida de Richard e sua família muda drasticamente após sua decisão de terminar sua sociedade com Víbora. Após juntar provas sobre os negócios ilícitos de seu sócio, Richard decide fugir do país e iniciar uma nova vida, mas não há tempo suficiente, seu antigo comparsa descobriu seus planos e arquitetou uma vingança cruel. Para acabar com a vida de Richard e todos os seus familiares, Víbora contrata a organização criminosa Casa de Carne, conhecidos por sua violência e efetividade nos serviços que fazem. Richard e sua família são sequestrados e levados para um cativeiro, onde encontraram torturas, abusos e humilhações. Na organização criminosa Casa de Carne, Max, o treinador de escravas sexuais, vê na chegada daquela família a oportunidade de realizar todos os desejos de sua adolescência com Alexys no cativeiro. Enquanto seu irmão, Ike, um policial infiltrado, tenta de todas as formas libertar aquela família e juntar provas para colocar os membros da Casa de Carne na prisão. Porém, os planos de ambos podem ser frustrados com o retorno dos poderes do chefe daquela organização... O Açougueiro está de volta.⠀

Capítulo 1 Introdução

Oi, meu nome é Goku!

Goku Vinicius, seu amigo que conta histórias de outras dimensões e épocas. Eu acho que lembro de você. Você estava aqui quando contei a história de Morning Star, o Dragão Lendário, um dos sete. Mas se por acaso você não se lembra, não se preocupe, devo ter conhecido alguma outra versão sua, de alguma outra época, de alguma outra dimensão...

Se você ainda não me conhece, vou te contar um pouco sobre mim...

Sou conhecido como um dos viajantes, posso viajar entre as inúmeras dimensões existentes. O tempo é apenas uma ilusão para pessoas como eu. Uma amiga insistiu muito dizendo que eu deveria contar as histórias que conheço e que os outros, aqueles que não podem viajar pelas dimensões, têm o direito de saber a verdade e de julgarem por si mesmos, se acreditam ou não, se tem alguma validade ou não, saber essas histórias.

Ouvi os conselhos dela, não me pergunte exatamente o motivo, mas até agora parece fazer muito sentido. Bom, agora vou contar para você uma história... Não é bem uma história porque são notícias de onde eu moro, então para mim parece estranho tratar os fatos do cotidiano como uma história, mas deixa que eu te explique o que está acontecendo com a dimensão que eu vivo.

As dimensões como as conhecíamos já não existem mais há alguns anos, nunca explicaram exatamente o que ocorreu, mas o fato de outras raças e mundos surgirem junto com o nosso pareceu uma conveniente coincidência para o surgimento do novo plano de governo, onde cada uma dessas terras passou a ter um Imperador ou Imperatriz. Claro que um modelo de governo completamente novo gerou muito questionamento e revolta, e também o aparecimento de "super–humanos" na dimensão humana gerou uma divisão na opinião pública, sobre se essas pessoas deveriam viver em sociedade. Uma série de questionamentos estão surgindo e uma série de problemas... Como grupos que fazem atentados contra pessoas, a criminalidade e a violência, que estão chegando a níveis assustadores.

Dessa vez, vou contar a você sobre um dos Clãs mais poderosos que existem na Terra Antiga, essa é a forma que se refere à dimensão originalmente humana, já que existem outras Terras não necessariamente com humanos. Vou contar sobre uma parte bem específica desse Clã, a organização criminosa Casa de Carne, famosos por tráfico de humanos, venda de órgãos, assassinatos por encomenda, entre outros trabalhos, são muito requisitados por pessoas poderosas e influentes do local.

A Casa de Carne é um dos ramos secundários do Clã dos Kami, não sendo admitida sua existência abertamente por nenhum de seus Líderes, porém de alguns anos para cá com o aumento de seus trabalhos, o Açougueiro, ou melhor, Akira Fujiwara que alguns antigos comparsas e membros mais velhos de sua organização chamam de "O velho", se tornou alvo de uma investigação policial que deseja a prisão e o desmantelamento de toda a sua rede de atuação e seus contatos. Particularmente, não creio que seria possível, existe gente muito poderosa usufruindo dos serviços dessa organização. Até o momento todos os crimes atribuídos a Casa de Carne nunca foram provados, embora quando interrogados sobre alguns fatos e situações seus membros jamais neguem sua participação.

O que sabemos sobre os Kami por muitas vezes é confuso. A história diz que todos eles são descendentes de um único ser, o Kami original, que os confere os característicos olhos vermelhos de todos do Clã. Esse Clã ficou desaparecido, ou incógnito, por muitos séculos, o primeiro Kami que se tem notícia surgiu na Terra dos Youkai, parece que quando seu companheiro morreu em batalha ele apenas desapareceu. Quase trezentos anos depois, os descendentes humanos desse ser reapareceram na Terra dos Youkai, gerando uma série de situações que acabaram pela destruição completa daquela Terra, mas essa é uma história para outro dia.

A história que vou contar vai deixar você um pouco confuso, eu que vivo nessa dimensão estou confuso com tudo que tem acontecido, mas lembre-se, essa história é longa, e como aconteceu com nosso primeiro encontro, muitos personagens serão vistos em outras histórias e algumas situações serão mais bem explicadas em outro momento.

Vamos falar um pouco também da Zona morta, que é a Terra dos Zumbis, onde moram os zumbis e os Vampiros, não, eles não brilham no sol e não, eles não bebem sangue... Ou até bebem... Eu não tenho certeza, vou perguntar para uma amiga vampira e te conto depois. A Zona morta tem uma história muito interessante, dizem que é um lugar amaldiçoado por um dos Dragões Lendários...

Vamos conhecer algumas das Imperatrizes e seus ministros, e claro, vamos falar também do conselho dos Dragões, esse conselho que regula as regras dentro desse Clã. Além do Conselho dos Dragões vamos falar um pouco sobre A corte e seus membros.

Hoje eu estou falante, não é? Desculpe, não é sempre que eu tenho um amigo, posso te chamar de amigo, não é?... Um amigo para contar as coisas que presenciei e sei. Contexto dado, vou contar a você a história da Casa de Carne e seu último trabalho, os últimos hóspedes recebidos pelo Açougueiro e seus comparsas.

Capítulo 2 Imperdoável

Já caíra a noite enquanto aguardava, sentado sobre o sofá caro do escritório no centro, que seu convidado aparecesse. Estava impaciente, queria que a família de seu ex-sócio pagasse caro pela sua traição, sua cabeça maquinava por onde começaria, iria torturar Richard pelo maior tempo que conseguisse, queria ouvi-lo implorar pela sua vida e pela vida dos filhos, iria matar um a um na frente dele. Tragou novamente o charuto apreciando a sordidez de seus desejos, estava decidido, Richard seria um exemplo para seus inimigos, ninguém mais ousaria traí-lo.

Voltou se irritado para Martino, estava impaciente com a demora:

- Martino onde estão os Fujiwara?

- Estão a caminho, Senhor Víbora.

- Detesto essa demora.

Diz Víbora tragando novamente o charuto. Estava impaciente, tudo deveria ser resolvido naquele mesmo dia, não daria margem para uma fuga. Os seguranças no local se agitam por alguns instantes, logo após Martino anuncia:

- Senhor Víbora, o senhor Otto está aqui.

- O que houve com o velho? Mande-o entrar.

Otto era o segundo no comando da Casa de Carne, como os membros da família Fujiwara se referiam aos negócios chefiados por Akira e seus descendentes. Depois que uma briga interna entre facções rivais dentro da família Fujiwara quase acabou com todos os pertencentes da mesma, abaixo do Líder do Clã estava o chefe da Casa de Carne, Akira, ou como Víbora o chamava, o velho, e abaixo estava Otto, mais jovem que o primeiro e um gênio em arquitetar planos. Aproximou-se discreto como sempre, cumprimentou Víbora, que lhe fez um sinal para que se sentasse na poltrona à sua frente, o mesmo obedeceu, queria saber o que o poderoso empresário desejava de sua família.

Os Fujiwara há séculos eram famosos no submundo, dominavam as apostas, prostituição, assassinatos, entre outros trabalhos. Por um preço alto, podia-se contratar o trabalho perfeito daquela família de marginais perigosos e cruéis. Otto questiona:

- A que devo seu gentil convite, senhor Víbora?

- Otto, eu quero um serviço muito especial... Para meu ex-sócio Richard! Quero que ele e a família sofram muito!

- Toda a família?

- Todos! Não me importa o que farão com eles, apenas desejo a destruição total de sua família e a morte de meu amigo de infância.

O Fujiwara sorri enigmático pegando um envelope das mãos de Martino, Víbora completa:

- Esses são os membros da família, sua esposa, seu filho adotivo, nora, seu neto... Quero todos acabados.

- Quem é a garota?

Pergunta Otto mostrando a foto de uma jovem de cabelos cor de rosa, Víbora ri soltando a fumaça do charuto respondendo:

- É a filha de Suzanna, Alexy.

- Quer ficar com ela, Senhor Víbora?

- Não me interesso por essa criança, mas quero Suzanna como meu bichinho de estimação.

Otto sorri olhando para as fotos da família novamente:

- Entendo o que quer dizer, vamos iniciar o trabalho hoje mesmo. Max vai gostar de treinar essas mulheres.

Víbora sorri frisando antes que o Fujiwara fosse embora:

- Faço questão que Richard assista a tudo.

- Como quiser, Senhor Víbora.

Ri o Fujiwara pegando um envelope branco de papel muito maior que o primeiro em suas mãos entregue por Martino dizendo lhe:

- Como sempre, metade agora, metade na entrega do bichinho do Senhor Víbora.

Otto pega o envelope nas mãos antes de sair se despedindo de Víbora com um aceno no ar, o colocando com cuidado dentro do bolso interno de seu blazer preto de corte impecável. Saiu do prédio seguido por dois seguranças, entrou no carro negro que imediatamente começou a rodar, logo que se distanciou do prédio pegou seu celular dizendo sem rodeios:

- Temos trabalho agora a noite. Reúna os outros, estou chegando dentro de alguns minutos.

Não muito longe daquele local, Ike, Chacal, Cássio, Marino e Eton dedicavam se uma rodada de poker valendo dinheiro como havia sugerido Cássio enquanto aguardavam as ordens de Otto. Os gritos femininos ecoavam pelo local.

Ike odiava os métodos do irmão, aquela mulher estava gritando há horas, porque simplesmente não a amordaçava? Porque não podia demonstrar um pouco de piedade, de decência como qualquer outro ser humano? Chacal, o outro sádico entre eles, não podia evitar sorrir cada vez que ouvia um dos gritos apavorantes ecoando. Cássio irritado com a reação do parceiro de crimes diz:

- Preste atenção no jogo imbecil!

- Estou prestando atenção... Mas esse som é como uma prece em louvor a Jashin.

- Esse Deus sequer existe, seu fanático imbecil...

- Respeite a minha fé, seu zumbi de merda.

Cássio segura Chacal pela nuca batendo sua cabeça contra a mesa várias vezes perguntando:

- O que Jashin acha disso?

- Eu ... vou ... teee... ma..ta..ar.

Os demais apenas olham sem tomar parte nas brigas de Chacal e Cássio. Kamille, uma das únicas mulheres que trabalha para Max, observa aquela briga constatando:

- Vocês dariam um ótimo casal.

Cássio sequer responde, apenas lança-lhe um olhar mortal com seus assustadores olhos verdes. Kamille sabia bem do que Cássio era capaz, não era inteligente tirá-lo do sério. Cipriano, subgerente da família e primo de Otto, entra na sala acalmando os ânimos dizendo:

- Temos trabalho agora à noite. Ike, onde está Max?

O moreno apenas levanta seus olhos até o gerente, suspira cansado, logo seguido por outro grito feminino vindo do segundo andar do local. Cipriano volta seus olhos para a porta que leva àquele local e olha novamente para Ike com uma expressão enigmática. O gerente diz para todos com ar sério:

- Preciso que se preparem.

- Aonde iremos? Qual é o trabalho?

Questiona Eton curioso e ansioso para poder usar seus talentos. Cipriano inicia:

- Ainda não tenho detalhes, logo Otto estará aqui...

Ele é interrompido pela chegada do mesmo, que entra na sala dizendo:

- Senhores! Nós teremos hóspedes, quero que vão imediatamente buscá-los.

- De quem se trata?

Cássio questiona pegando o envelope com as fotos das mãos de Otto.

- Richard e toda a sua família, não sejam vistos, tragam todos vivos para cá. Entenderam?

- Sim.

- Vão!

Dito isso eles partem sem mais demoras para buscar os novos hóspedes. Um grito de mulher chama a atenção de Otto que questiona Cipriano:

- Ele ainda está trabalhando na ruiva?

- Sim.

Otto sorri dizendo:

- Avise que terá novos e belos animais para treinar logo mais... Depois temos de falar.

- Certo, deixe-me avisar nosso gênio que deve terminar a sessão de hoje.

Diz Cipriano subindo para a porta que o levaria até o segundo andar para tentar falar com Max.

Capítulo 3 A última alegria

Era só mais outra quinta-feira à noite na casa daquela família. Suzanna estava dando as últimas ordens para o jantar. Miguel, filho adotivo de Richard e Suzanna, jogava animado com seu filho Neto, Aika a namorada do rapaz e Alexy, sua irmãzinha e alegria de todos naquela casa. Suzanna havia desistido de ter filhos depois de cinco anos fazendo tratamentos de fertilidade sem sucesso algum, foi assim que decidiram adotar Miguel que na época já tinha seus seis anos de idade, quando o menino completou dez anos, a família foi surpreendida com a gravidez de Suzanna que deu à luz a Alexy.

Suzanna já estava começando a ficar preocupada com a demora de seu marido, já havia passado do horário dele chegar e estava com um pressentimento ruim naquele dia, parecia haver um nó em sua garganta. Observava a rua pela grande janela da entrada da casa, as mãos sobre o peito tomado pela angústia.

Ouviu o telefone tocar distante sendo atendido pela governanta, a mesma se aproximou com pressa da senhora entregando-lhe o aparelho e lhe informando ser Richard:

- Alô, Richard? Onde você está?

- Suzanna me escute com atenção! Pegue as crianças, limpe o cofre e se prepare, teremos de viajar às pressas.

- Por que isso Richard? E nossas coisas?

- Querida, com a fortuna que está em meu poder nós teremos uma nova vida... Mas temos de deixar o país, agora.

- O que está acontecendo Richard?

- Suzanna, por favor, faça o que estou pedindo.

- Mas e Miguel, Nina e Neto?

- Irão conosco.

- Mas Richard...

- Suzanna, eu estou chegando, por favor, abra o cofre.

- Tudo bem...

Richard desliga abruptamente o telefone deixando Suzanna ainda mais preocupada, ela olha para os filhos e o neto rindo despreocupados, corre escada acima assustada indo para o escritório para abrir o cofre da casa e pegar os valores que Richard deseja, está com um pressentimento muito ruim em seu coração, um pensamento invade sua mente:

"Deve ter algo a ver com Víbora, será possível?"

Se for isso, faz sentido o desespero de seu marido em deixar a casa e o país, aquele homem lhe dá arrepios. Lembrou-se de todas as histórias que seu marido contava sobre ele, lembrou-se de como Miguel veio para ela, deu graças a Deus pelos poderes mentais que o amigo de Richard colocou no garoto. Seus olhos ficam marejados de repente, não sabe o que faria se o filho soubesse a verdade. Entra no escritório com pressa, fecha a porta atrás de si e se dirige a um quadro onde, atrás, fica o cofre da família.

Antes de chegar em casa, Richard precisa fazer outra ligação, tem de ser rápido:

- Alô.

- Hélio?

- Sim, quem fala?

- Richard Manhães... Miguel me deu seu número, na recepção da delegacia tem tudo que você precisa para colocar Víbora na cadeia.

- Por que...?

O som da ligação encerrando chama a atenção de Hélio, que se dirige rapidamente para a recepção da delegacia. Ainda dentro do carro em frente ao portão de entrada, Richard aciona o controle para abri-lo sem sucesso, tenta quatro vezes seguidas, sem conseguir que o portão se mova, vendo que será inútil, desce do carro e vai até o portão para abrir manualmente. Assim que chega, ouve a voz grave de Marino ordenando-lhe:

- Não se mexa, senhor!

Richard levanta as mãos sobre a cabeça virando se devagar para olhar quem lhe assalta, neste momento, percebe Chacal se aproximando dele com pressa seguido de Eton e Aath, o rapaz loiro sequer se detém, apenas coloca um artefato estranho no portão acionando logo depois, Richard nem sequer tenta lutar com os homens que lhe rendem, sabe que será morto se o fizer.

Explodindo o portão, os homens junto com Richard entram no carro, ele sabe que está perdido agora, conhece bem aquelas pessoas, fazem parte da Casa de Carne, ou seja, a gangue que os Fujiwara financiam. Com certeza, Víbora quer vingança. Está perdido, talvez com sorte só levem a ele, lhes oferecerá dinheiro, tem muito dinheiro, dará tudo que tem se não tocarem em sua família, tenta:

- Rapazes, me escutem! Esqueçam isso, posso fazer de vocês homens ricos.

- Ricos?

Responde Cássio, frio.

- Sim, deixe-nos fugir e lhes darei uma fortuna...

- Na mala? Já sabemos senhor Richard, entenda... Víbora pode nos fazer desaparecer... O que adianta ser rico e ter o fim que o senhor e sua família terão?

- Minha família?

- Sim, temos ordens de levá-los todos vivos...

- Sim, vamos nos divertir muito com vocês, principalmente Max...

Diz Chacal eufórico sendo interrompido por Richard:

- Vocês não ousariam tocar na minha família...

Richard rosnou essas palavras enquanto atacava Chacal com socos e pontapés, era o máximo que poderia fazer, não usava mais as habilidades herdadas de sua mãe desde que saíra das ruas e fora ser empresário com Víbora. Estava conseguindo deixar Chacal atordoado com seus ataques quando algo prendeu seu pescoço, Aath, que estava no banco de traz, apenas usou uma pequena coleira para estrangular Richard e imobilizá-lo, ao ver o homem com o rosto vermelho tentando respirar, Chacal gargalhou segurando-o pelo cabelo prateado, socando várias vezes seu rosto enquanto dizia:

- Agora é a minha vez, vovô.

Chacal espancou Richard até ele quase perder os sentidos. Jogou o corpo do homem de bruços no chão do carro, entre os bancos, Eton que estava observando do banco da frente, viu o colega rasgando a parte de trás da roupa de Richard, Eton protestou:

- Seu doente, precisa fazer isso aqui?

- O que foi loirinha, está com ciúmes?

Respondeu Chacal apertando a cabeça de Richard contra o tapete enquanto violava seu corpo sem a menor piedade ou pudor. Os gritos do homem foram abafados pelo som do mp3 do carro, Cássio detestava aquele som, o som da dor e do desespero e não entendia o prazer que Chacal e Max sentiam naquele tipo de violência, observou por um instante Eton se encolher no banco ao seu lado e seu rosto mudar de feições, lembrou se que o loiro já havia passado por aquilo durante muito tempo em sua vida. Disse enquanto suspirava cansado:

- Aguente apenas mais um pouco.

O loiro balançou a cabeça positivamente enquanto olhava para fora e aumentava um pouco mais o volume da música, no banco de traz Aath assistia extasiado Chacal violando o corpo de Richard, apenas advertiu o colega, ao percebê-lo socando as costelas do homem quando socava seu membro violentamente em sua entrada traseira:

- Tente não estuprar este até a morte, precisamos dele vivo.

- Sim... Tão apertado! Você tem de experimentar o cú dele Aath.

- Com certeza...

Diz o ruivo, observando ávido aquela cena de violência à sua frente que fez seu membro enrijecer dentro das roupas, mas agora não era o momento para esses pensamentos, deveria voltar antes dos colegas para poder arrumar os detalhes do local.

Na casa, enquanto Suzanna juntava tudo que havia no cofre dentro de uma bolsa com pressa, estava desesperada, precisava sair logo daquela casa, não era mais seguro ali. Escutou uma voz masculina lhe dizer calmamente:

- Senhora, vire devagar.

Suzanna não conseguiu proferir uma única palavra, ouviu o homem lhe dizer:

- Venha até a minha direção.

Ela se moveu devagar na direção de quem lhe falava, observou o rosto do rapaz, moreno, alto, o corpo esguio, os olhos vermelhos lhe chamaram a atenção, com certeza o conhecia, aquele era um dos membros do clã Fujiwara, já havia o visto em sua casa. Por um instante ficou confusa. Baixou os olhos imediatamente, certa vez o marido havia comentado sobre as habilidades daquela família, não havia entendido do que se tratava, mas lembrou que acaso encontrasse com um deles, não deveria olhar em seus olhos.

Ike pegou a bolsa das mãos de Suzanna levando a consigo para fora do quarto, percebeu imediatamente que ela o reconheceu, aproximou se dizendo em seu ouvido:

- Não diga nada... Eu vou ajudá-los...

Suzanna arregalou os olhos, estava assustada e queria saber o que estava havendo quando ouviram o som de algo quebrando no andar de baixo, Miguel ao ver Marino rendendo sua família entrou em uma luta corporal com ele. Miguel era policial e praticava artes marciais, não se deixaria ser rendido por um homem sozinho e aparentemente desarmado, Marino socava o rosto de Miguel que até agora o havia ferido bastante, o loiro estava quase dominando a situação enquanto Nina fugia com os mais jovens para fora de casa, talvez por esse motivo ele não percebeu os homens entrando pela porta, apenas ouviu o som do disparo seguido por sua camiseta se encharcando com seu próprio sangue.

Suzanna ao ver o filho ferido, correu até ele para tentar ajudá-lo, queria ver o ferimento, Marino se afastou dos dois indo na direção de Ike enquanto os demais entravam pela porta com Richard, Neto, Aika e Alexy. Chacal vinha um pouco mais atrás, todos puderam ver quando ele deu uma bofetada em Nina, essa havia tentado correr mesmo depois de ser rendida pelos bandidos. Chacal gritou enquanto ela perdia o equilíbrio:

- Vamos vagabunda, sem mais gracinha.

- Me solta, me deixa em paz!

- Mãe, eles atiraram no pai!

Gritou Neto ao ver sua mãe. Nina olhou desesperada para dentro da sala vendo a sogra junto do marido lhe prestando os primeiros socorros, tentou ir até lá, mas Chacal a manteve presa pelos cabelos junto a si. Sentada no chão, de onde estava, ainda tentando se soltar, pode observar que Richard estava sangrando e muito ferido, não conseguiu entender o que estava havendo, mas algo lhe dizia que aquilo não acabaria bem. Vendo todos os membros da família ali, Cássio questionou:

- E os empregados?

- Presos em pesadelos, a casa está limpa.

Responde Marino. Cássio acrescenta:

- Ótimo, vamos embora.

Suzanna olhou para os homens se aproximando dela e de seu filho ferido, protestou ao ver Cássio levantar Miguel do chão dando lhe um forte puxão:

- Por favor, ele precisa de cuidados médicos.

Chacal levantou a mulher pelos cabelos logo depois de empurrar Nina para perto de Neto, riu dizendo:

- Ele terá muitos cuidados assim que deixarmos esse lugar. Mexam se.

Fazendo todos saírem pela parte de trás da mansão sendo escoltados pelos empregados da Casa de Carne até seu insólito destino.

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