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Cavaleiro Negro

Cavaleiro Negro

Autor:: Antónia Rosa
Gênero: Fantasia
Ela é algo desconhecido, algo considerado impossível. Ele é temido em todos mundos, o mais forte de todos os seres. Cataleya sempre viveu escondida do mundo pelos seus pais que temiam pela sua segurança. No entanto, sempre quis conhecer outros lugares além da sua alcateia, mas isso era quase impossível. Depois de muito pedir os seus pais cederam, só que ninguém imaginava que essa pequena liberdade que ela teve seria o ponto de partida para uma mudança radical na sua vida. Maxon é temido por todos, mas o tipo de todas menos dela, porque ela não tem um tipo. Maxon é tão frio quanto a sua segunda forma, ele quer continuar livre sem preocupações, mas não pode. Ele terá de ir em busca da sua prometida e levá-la ao seu povo. E para isso ele terá de usar a sua segunda forma. Quebrando um juramento que fez, terá de libertar o Cavaleiro negro.

Capítulo 1 Prólogo

– Tens que ir atrás dela – diz a minha irmã pela centésima quarta vez.

– Eu sei – dou de ombros, colocando os meus pés por cima da mesa do escritório e encaro os seus olhos azuis pegando fogo.

– "Eu sei", foi o que disseste há dois anos e até agora nada.

Meche as mãos nervosamente.

– Eu sei o que disse – Solto um suspiro passando a mão pelo meu cabelo nervosamente.

– Então? – Levanta a sobrancelha para mim.

Leslie é tão irritante que se não fosse minha irmã já a teria matado há muito tempo, só pela boca grande.

– Então, que ainda não é a hora – Levanto e caminho em direção a janela do escritório, de onde posso ver todo o meu reino.

– Eu não escutei isso – dá uma risada amarga. – Eles irão atrás dela, e mesmo assim você fica aí sentado, nessa cadeira, sem se preocupar com a sua prometida.

Eleva o tom da sua voz, mais baixa assim que a encaro.

– Eu não me preocupo com aquela piralha, mandei os meus homens a protegerem. Isso já basta! – digo e ela balança a cabeça discordando.

– Você está se esquecendo de algo, todos nós dependemos dela e o nosso povo está perdendo as esperanças – me viro para ela.

– Oque achas que eu deva fazer?

– Ir atrás dela e trazê-la para nós. Nunca viste sequer uma foto dela – diz e mexe nalgo na bolsa em cima da mesa.

– Eu não preciso de ver uma foto dela. Minha opinião não irá mudar sobre ela –digo exasperado sem olhá-la.

– Estás mais frio, não pareces o meu irmão e sim o Cavaleiro Negro que todo o mundo teme.

Com um rápido movimento a prendo na parede com a minha mão ao redor do seu pescoço bloqueando a respiração.

– Nunca mais me chame assim aqui dentro, você sabe o que acontece quando eu perco o controlo. – digo rugimente, sentindo os meus olhos tentarem mudar de cor. Olho para Lesley e vejo medo em sua face. Os seus olhos estão brilhando com as lágrimas acumuladas. Solto o seu pescoço e ela o acaricia olhando-me magoada.

– Eu estou a voltar para o nosso irmão que está lá, a cuidar da sua prometida e da nossa empresa.

Diz séria levando a sua bolsa e indo embora. Caminho em direção a janela, mas algo me pára no caminho chamando minha atenção à mesa. Caminho até lá e vejo uma fotografia. "Deve ter sido a Leslye que esqueceu" – sobressalta-se em mim este pensamento.

Pego na foto e viro-a. Espanto, admiração e um pouco de orgulho, são os sentimentos que me tomam assim que vejo a sua foto. A sua beleza era tão surreal, sensível e tão inocente que me perguntei se ela era para mim.

Que a pora de destino está brincando comigo por me dar como prometida alguém tão oposto!

Mas de uma coisa eu tinha a certeza. Eu iria buscá-la, porque me pertence. Nem que eu tivesse que mostrar ao mundo quem é o Cavaleiro Negro de verdade.

Capítulo 2 1

– Por favorzinho, eu prometo chegar cedo Mãe. – Faço a cara mais fofa que tenho encarando meus pais. Estou há uma semana implorando para ir a uma festa com a minha amiga Selena e meus irmãos, mas meus pais são muito rígidos com a minha segurança e dos meus irmãos. Mais rígidos ainda para com a minha segurança por eu não ser igual a eles. Os meus irmãos podem até sair de vez em quando. Mas e eu? Para mim é um "Não" na certa.

Eu quero tanto ir para nessa festa. Quero ver como é uma... se é como meus irmãos e a Selena falam.

– Não podemos ariscar a sua segurança princesa, você sabe disso – diz meu pai a olhar-me cheio de pena e amor.

Meu pai é o melhor, sempre carinhoso, fazendo nossas vontades, nos mimando muito. Ele é o coração mole que nos defende sempre que aprontamos alguma besteira. No entanto a minha mãe é outra história. Ela é a que nos põe na linha, que nos faz pagar por cada trapaça que fazemos. Ela nos ensina a ser fortes para podermos enfrentar o nosso mundo.

– Eu não vou arriscar a sua segurança, você não vai e acabou o assunto. – Diz a senhora minha mãe me dirigindo um olhar decidido, o que significa que acabou o assunto. Mas hoje não, hoje não irei aceitar. Estou cansada disso tudo.

– Por que não mãe? Eu quero ver pela primeira vez na minha vida como é uma festa de adolescentes. Estou cansada de passar a vida trancada nesse lugar, de não poder ir aonde quero, de não poder fazer o que quero, por causa da minha segurança. Eu tenho vinte anos mãe, já sou maior de idade, posso cuidar de mim mesma sozinha. Estou cansada de ouvir dos meus irmãos mais novos como é uma festa, como é na cidade, como é tudo que não posso ver, por causa da minha segurança. Eu aceitei tudo que vocês mandaram por vinte anos e quando vos peço pela primeira vez para ir a uma festa, vocês negam? Deveria fugir como me disseram? Foi errado eu vos pedir permissão como me ensinaram? – Digo tudo de uma vez e vejo eles de olhos arregalados e arrependidos me encarando.

– O que foi isso?

Eu nunca falei desse jeito com ninguém e vou logo falar assim com os meus pais. Que tipo de filha estou a tornar-me?

O arrependimento chega e baixo a cabeça arrependida, olhando o meu All Star vermelho.

– Desculpem-me, eu não queria dizer isso tudo -digo baixo sentindo minhas bochechas corarem de vergonha. – Já não quero ir à festa – digo isso sem encará-los. A sentir-me mal por brigar com eles por causa de uma festa.

– Podes ir à festa. – Levanto a cabeça sem acreditar e encaro a minha mãe.

– Sério? – Questiono sem acreditar e minha mãe acena em concordância sorrindo, os meus lábios também abrem-se em um grande sorriso e abraço a minha mãe.

– Obrigada mãe. Amo-te! – Digo abraçando-a forte e ela devolve o abraço na igual intensidade.

– Eu também te amo querida – diz sorrindo, mas logo fica séria.

– Eu estou a deixar você ir porque disse tudo o que estava a sentir e eu quero que converse com a gente sobre o que se passa nessa cabecinha e nesse coração.

– Diz séria, mas sorri quando vê a cara de papai se fechar quando ouviu a palavra "Coração".

– Isso mesmo querida. Eu e sua mãe não sabíamos como te sentias em relação a isso. E lembre-se que somos os seus pais e não seus inimigos. – Diz papai se juntando ao nosso abraço. – Esquece a parte do Coração só daqui a 30 milénios – resmunga me fazendo rir baixo.

– Eu te amo papai. – Sinto o sorriso de papai próximo.

– Eu também te amo, agora vai se arrumar afinal a festa é daqui a três horas. – Assim que ele acaba de falar solto-me deles subindo escadas às pressas e ouvindo ainda os seus risos. Apesar da obsessão deles pela nossa segurança, eles são os melhores pais do mundo e os melhores Alfas que já existiram.

Assim que abro a porta do meu quarto me deparo com três pares de olhos me encarando. – O que fazem aqui? – Pergunto a Selena e meus irmãos David e Katrina.

– Eu não sei, só quero que isto acabe logo, estava a fazer algo importante - diz David jogado na minha cama entediado.

– Cala a boca David, desde quando pegar uma vadia é importante? – Pergunta Katrina irritada o fuzilando com seus grandes olhos verdes. Katrina é a que mais se parece com a mamãe, os cabelos castanhos pouco cacheados e os olhos verdes. Já eu e David temos os mesmos olhos castanhos de papai, como os cabelos morenos, mas os de David são pouco mais claros.

– Calem-se os dois - diz Selena e levanta da cama. – Estamos aqui para organizarmos tudo para a Cat. – Diz sorridente e a olhamos sem entender.

– Hoje a Cat irá para uma festa de verdade em vinte anos. – Assim que ela acaba de falar oiço o grito dos meus irmãos.

– Não brinca – grita Katrina pondo a mão no peito. – A mamãe deixou? – Aceno em concordância e eles começam a saltar de um lado para o outro falando coisas.

David pega minha cintura, me girando e a rir pelo quarto.

– Nos iremos divertir muito maninha – me dá um beijo na bochecha me fazendo rir.

– A gente tem que procurar uma roupa perfeita. – Diz Katrina eufórica e Selena concorda.

– Por favor, gente. Eu quero vestir-me do meu jeito. – Digo e elas olham-me desanimadas.

– Mas o seu jeito é delicado demais, Cat. – Diz Katrina e aceno negativamente com a cabeça.

– Não, Cat, eu quero ir do meu jeito. – Dou a minha palavra final e elas concordam mesmo relutantes.

– Eu gosto do seu jeito delicado mana – David diz sorrindo. – Aliás, todos homens gostam. – Pisca um olho para mim, fazendo-me corar e todos riem.

– Saiam daqui, eu quero me arrumar – digo isto empurrando-os até a porta.

– Fica bem gatinha mana, talvez você desencalhe hoje. – É David a falar-me essas palavras, a sorrir e piscando o seu olho direito para mim.

Fecho a porta na sua cara e oiço David reclamando da minha falta de educação. Sorrio pelo que ele disse e vou me preparar

***

Olho o meu reflexo no espelho e gosto do que vejo. Escolhi um vestido branco com estampas de Cataleyas, como o meu nome e minhas sapatilhas brancas com um laço dourado. Os meus cabelos estão lisos e pintei um gloss rosa clarinho. Saio do quarto e desço até à sala onde já todos me esperam.

David foi o primeiro a ver-me e fez o de sempre, deixar-me envergonhada.

– Oque é isso maninha, quer matar o papai do coração? – Exclama alto fazendo todos olharem para mim. Baixo a cabeça corada e ponho um pouco meu cabelo atrás da orelha.

– Está linda Cat! – Selena e Katrina dizem ao mesmo tempo e eu levanto a cabeça encarando meus pais.

– Está linda bebé, uma verdadeira princesa - diz a minha mãe beijando minha testa e sorrindo para mim.

– Está linda princesa, prometa-me que se vai controlar, e que não vai deixar nenhum adolescente chegar perto.

Me encara com os seus olhos castanhos idênticos aos meus com espectativa.

– Eu prometo pai, eu só quero me divertir. – Digo sorrindo e ele sorri também, beijando minha testa.

– Estamos atrasados – diz Selena e nossos pais se despedem beijando a testa de cada um e dizendo para os meus irmãos cuidarem de mim, como se eu precisasse de ajuda. Sim! Eu sou orgulhosa, mas não muito.

– Cuidado crianças, amamos vocês... – dizem parados na porta nos vendo entrar no carro.

– Nós também vos amamos – dizemos em coro e David dá partida, já que ele pode conduzir pois fará dezoito anos proximo mês, junto com a Katrina. Sim, eles são gêmeos, mas não idênticos. Isso deu pra notar.

– Hoje vamos arrasar Cat. – Grita Selena do banco da frente e sorrio para ela entusiasmada.

***

– Chegamos! – Anuncia David, parando o carro no meio de tantos outros.

Assim que saio do carro não gosto do que vejo. Pessoas vomitando no chão, outras fazendo coisas com homens que dá nojo.

– Vamos mana – diz David me guiando até a entrada.

– Mais eles estão bem? – Pergunto preocupada ao ver eles a vomitar.

– Estão Sim! Só não olha – responde Katrina piscando para mim sorrindo e abrindo a porta da casa.

Um som alto preenche a casa fazendo meus ouvidos doerem um pouco pelo volume alto. Vejo muita gente dançando colados, mulheres quase sem roupa, todos bebendo muito. Não foi assim que eu imaginei essa festa. Mas já que estou aqui só posso aproveitar.

– David vai buscar algo para bebermos que nós vamos dançar.

– Diz minha irmã a puxar-me até a pista. Eu gosto de dançar, por isso não reclamei.

***

Estávamos a dançar muito, e eu estava a gostar, não parava de rir com as maluquices de Katrina. David desapareceu depois de ter trazido nossas bebidas. Katrina disse que ele foi pegar vadias. Elas estão a beber muito, e estão um pouco alteradas, porém como elas têm uma grande resistência a álcool permanecem em pé.

– Onde fica a casa de banho? – Altero um pouco a voz por causa do barulho.

– Sobe as escadas e no fim do corredor vira à esquerda, e entra na segunda porta. – Diz katrina a encarar-me com uma careta engraçada. Agradeço e elas me desejam boa sorte rindo de alguma coisa. Empurro os adolescentes no meu caminho até as escadas. Encaro o corredor com alguns adolescentes, e penso em voltar, mas estou mesmo a precisar de ir à casa de banho.

Ponho o cabelo em frente do meu rosto e baixo a cabeça tentando passar despercebida, o que falhou completamente.

– Hey! Vais aonde? – Um dos homens do grupo pergunta num tom alto. Eu levanto o rosto devagar e os encaro. O homem que falou é muito bonito. Cabelos loiros, olhos escuros e lábios vermelhos.

– Ham...Hum... Eu vou ao banheiro. Digo sentido minhas minhas maças do rosto a ficarem vermelhas.

– Eu nunca vi-a por aqui, qual se chama. Vocês já a viram people? – Todos negam e ele me encara arqueando a sobrancelha.

– É a primeira vez que venho aqui. – Esclareço e eles riem. Todos são bonitos.

– Como soubeste desse lugar? Porque ele é para pessoas muito diferentes e de um nível um pouco alto. – Me olham de cima para baixo e eu corro.

Eu vou matar os meus irmãos e a Selena. Elas não me disseram que era uma festa com seres sobrenaturais. Eles não sabem quem eu sou. Eu os entendo, quase ninguém sabe de tanto que fico em casa.

– Qual é o teu nome? – Perguntam de novo.

– Cataleya. – Os encaro e eles sorriem a olhar para o meu vestido.

– O nome completo princesa.

Se eles souberem podem ter um treco. Mas talvez eles não conheçam meus pais, o que seria um milagre porque eles são conhecidos em todos os mundos. Porém eu não quero mentir, eles podem ser meus amigos e amigos não se mentem, – pensei eu.

– Cataleya Winchester McAll.

Fez-se um silêncio total entre eles que se encaram.

– Não se afastem por isso, eu sou muito legal e quero ter muitos amigos – digo e eles sorriem.

– Até que ela é um pouco parecida com o David. – Diz um outro de cabelos cacheados.

– Vocês conhecem meu irmão? – Pergunto e eles assentem.

– Somos brothers, ele é do nosso team.

– Meninos. Eu preciso mesmo ir ao banheiro. Podem procurar o meu irmão e esperarem-me aqui?

Eles concordam e vão procurar meu irmão. Corro para o banheiro sorrindo. Tenho mais cinco amigos. Faço a minha necessidade e encaro o meu reflexo no espelho. Baixo a cabeça e lavo as mãos. Assim que levanto o olhar no espelho vejo um outro reflexo ao meu lado. Uma mulher com um sorriso maldoso no rosto. Olho para o meu lado e não vejo ninguém. Olho para o espelho e vejo a mulher

– Ma...Mas co...como?

A presa finalmente saiu da jaula, vou poder deliciar-me com o seu sangue – diz sorrindo e vejo as suas mãos saindo do espelho.

Grito a afastar-me. Mas suas mãos me pegam pelos braços e lança-me contra o box, fazendo um barulho alto. Meu corpo cai violentamente no chão e lágrimas saem dos meus olhos pela dor e sinto sangue a escorrer pelo meu nariz.

– Quem é você? – Pergunto ao ver ela sair do espelho.

– Eu sou o seu pior pesadelo. – Bate a minha cabeça contra a parede expondo o meu pescoço.

– E eu sou o seu, sua vadia bruxa.

– Diz uma voz forte e grossa por detrás dela.

Tento olhar para ver o dono da voz, entratnto gemo de dor e a bruxa me encara. Vejo o seu olhar de medo e o seu corpo treme, mas ela não solta o meu pescoço das suas mãos.

– Quem é você? – Pergunta ela gaguejando. Oiço uma risada fria, potente e seca fazendo-me arrepiar de medo. Eu devia ter ouvido a minha mãe. Agora tem dois seres querendo matar-me.

– Você sabe muito bem quem sou. Agora solta na menina antes que te faça virar pó. – Sua voz grossa soa outra vez.

– Esse homem está a salvar me? – Sinto as mãos da bruxa a soltar o meu pescoço e a virar-se para encarar o tal homem.

– Então é verdade! Voltaste para levar a sua prometida.

Fico confusa com oque a bruxa disse. Como assim "prometida"? Isso ainda existe?

– Por isso não te vou matar. Leve o recado para todos. Estou de volta, ai de quem chegar perto dela, terá que enfrentar o Cavaleiro Negro. E diga a eles que piorei com os anos.

– Ela? – Será que estão falando de mim? – Me interroguei. E como que céptica disse: "Claro que não!". Deve ser uma outra mulher. E aquela mulher desaparece de repente.

Mas eu não estava preparada para o homem que veria atrás dela. Acho que nunca estaria. Cabelos negros, olhos azul-cobalto, com o rosto sério. O seu olhar era tão escuro, tão opaco, sem qualquer brilho. Mas, mesmo assim, a sua beleza é tanta que achei surreal. Ele é alto, muito alto e forte, está todo vestido de preto. Parece a própria morte. Dá passos em minha direção, mas mesmo com a dor insuportável nas costas tento fugir, encostando mais o meu corpo à parede. Lágrimas caem pela minha face, meus lábios tremem. Estou com medo assim que ele está a um passo de mim. Ele se abaixa ficando com o seu rosto perto do meu.

– Por que pareces uma humana frágil? – A sua voz potente e grossa estava carregada de nojo.

– Eeeu não uso a minha segunda forma. – Digo baixo e de cabeça baixa.

– Não baixe a merda da sua cabeça. – Grita-me rudemente. Levanto a cabeça, encarando os seus olhos azuis-cobalto – Porquê não sinto a sua forma lupina?

– Porque eu não sou Lobisomem

– digo e ele me encara sem demonstrar nada. Não sei como, mas eu sei que ele se surpreendeu.

– O que você é?

– Não te interessa. – Digo bruta e um sorriso frio se instala nos seus lábios.

– Ela tem garras. – Diz-me encarando e depois olha para a porta e finaliza – eu tenho que ir.

Abro a boca para dizer algo, mas nada sai.

– Tenho que nos ligar de alguma forma para saber onde estás, então fique quieta.

Sinto o seu rosto no meu pescoço inalando o meu cheiro. Os meus pelos se arrepiam. Sinto suas presas no meu pescoço. Porquê eu não consigo o parar? Porquê eu não quero o parar?

De olhos fechados sinto suas presas perfurando o meu pescoço e sugando o meu sangue. Depois de um tempo sinto os seus lábios molhados com o meu sangue a tocarem os meus. Ele dá-me um beijo, um beijo possessivo e com certeza viciante tirando todo meu ar. Um beijo de sangue. O meu primeiro beijo.

– Eu voltarei pytuca, agora dorme.

E depois disso. Não senti e não vi nada.

Capítulo 3 2

__Eu vou matar o desgraçado que fez isso com a minha menina.

__Calma pai, nós não sabemos oque aconteceu.

Desperto com as voz alterada do meu pai e meu irmão discutindo algo.

Abro os olhos, pisco várias vezes até que me acostume com a claridade.

Tento virar o pescoço mas gemo de dor.

__Ela acordou gente-ouço a voz da Katrina aflita.

__Ohh..meu amor, como te sentes?-pergunta mamãe acariciando meu cabelo

__Um pouco dolorida-encaro os seus olhos verdes-Oque aconteceu?.

__David e Katrina te encontraram no banheiro da casa onde havia a festa, toda machucada-diz calmamente me deixando digerir tudo.

__A bruxa- sussuro me recordando do que ela me fez.

Olhos azul-cobalto

O meu primeiro beijo

__Que bruxa?-pergunta papai se aproximando. Era nítida a sua cara de preocupação e cansaço. Tem grandes olheiras em baixo dos seus olhos.

Olhando bem, todos tem olheiras.

__Por quanto tempo estou desacordada?.

__Quatro dias, por causa da mordida-explica mamãe e arregalo os olhos, levo a minha mão até o pescoço e sinto um curativo.

__Comece a explicar oque aconteceu Cataleya-diz papai sério. Eu nunca o tinha visto sério, até hoje.

Engulo seco encarando meus irmãos que mesmo cansados estão ali, me apoiando.

__Eu fui ao banheiro porque estava apertada, no caminho para o banheiro encontrei amigos do Davi e pedi que o chamassem e me esperassem ali que não demoraria.

Quando eu estava lavando as mãos eu vi o reflexo da bruxa no espelho ao meu lado, mas não tinha ninguém ao meu lado, foi quando ela me lançou contra a parede e quando estava quase me mordendo...-faço uma pausa os encarando.

__Como assim quase?, não foi ela que te mordeu?-pergunta papai confuso.

Abano a cabeça em negação, sentindo minhas bochechas vermelhas.

__Pela lua Cat, foi um homem-grita Katrina espantada, fazendo todos olharem pra mim. Baixo a cabeça completamente envergonhada

__Quando eu disse para desencalhares, eu não estava falando a sério mana-diz David me olhando um pouco espantado.

__Como você pode Cataleya?, eu não esperava isso de ti-diz papai decepcionado.

Lágrimas queimam meus olhos querendo sair. Eu nunca pensei em decepcionar papai.

Eu nunca quis decepcionar minha família.

__Calem-se!-diz mamãe e como sempre todos escutam.- Se acalme querida e continue contando-diz suavemente, ainda acariciando o meu cabelo.

__Ela estava para me morder, quando ele chegou e me salvou. Ameaçou a bruxa e lê deu um aviso e a bruxa foi embora.

Então ele começou a me fazer perguntas sobre a minha segunda forma e disse que tinha de nós ligar de alguma forma para ele poder saber onde estou.

Então ele me mordeu e..e...e- Não consigo acabar de narrar, minhas bochechas devem estar fervendo agora.

Olho para minha Mãe e ela faz sinal para que continue- E ele me beijou e me mandou dormir, depois disso não lembro de mais nada.

__Diga tudo exatamente como aconteceu depois que esse homem chegou, cada fala Cataleya-diz papai sentando do meu outro lado.

Papai parece mais calmo, quando ouviu que ele me salvou.

Olho para os meus irmãos e eles assentem, engulo em seco.

Conto tudo exatamente como aconteceu, cada fala e ação, me calo depois de ter narrado a primeira parte, os meus pais se entreolham como se soubessem de algo e não querem compartilhar.

__Deves estar exausta querida descansa, depois acabas de narrar-diz papai muito calmo, beija a minha testa e chama a mamãe que se despede de nós e sai com ele me deixando com os meus irmãos.

__Que tudo Cat, me conta ele é gato?-pergunta sentando de frente pra mim.

__Onde está Selena?-pergunto tentando mudar de assunto.

__O tio Ray a chamou, e nos deu uma bronca como todos deram por termos te deixado sozinha-diz David levantado e se aproxima acariciando meu rosto.

-Eu fiquei tão preocupado mana, quando te encontramos desacordada naquele banheiro, eu não sei oque seria de mim se te tirassem de mim, A Katrina e a Selena não paravam de dizer que foi culpa minha e eu não tiro a razão delas porque ao contrario de estar contigo eu estava com as minhas vadias me divertindo e você sofrendo naquele banheiro e eu juro pequena que eu irei me culpar todos os dias por isso.

Lágrimas caem em cascata pelo meu rosto e antes que eu fale algo David beija minha testa e sai do meu quarto.

Limpo as lágrimas com as minhas mãos e encaro Katrina que está de cabeça baixa.

__O que disseram a ele Katrina?-pergunto com a voz embargada e enfurecida.

__Eu pedi desculpas, foi no momento da raiva eu juro, eu não queria dizer tudo que disse- diz ainda de cabeça baixa sem responder oque a perguntei

__O que disseste Katrina?.

__Eu disse que ele foi irresponsável, que se preocupa mais com as suas vadias do que com as próprias irmãs-sua voz sai baixa, mas o suficiente para que eu oiça.

__Eu não esperava isso de ti Katrina, por favor sai do meu quarto-digo baixo e Katrina levanta a sua cabeça e abre a boca-Queres acrescentar alguma coisa?

__Eu não quero te contrariar mais porque não usas a sua segunda forma?, se a usasses não teríamos esses problemas.

__Você sabe muito bem o que acontece quando a uso, eu sou a morte Katrina e tu sabes muito bem disso-digo a olhando e ela levanta e sai do meu quarto sem me responder.

Fecho os olhos cansada, eu não queria que isso acontecesse.

O David nunca foi irresponsável, ele sempre cuidou de nós mesmo distante e ele é muito cruel com ele e eu sei que oque aconteceu comigo o fará se culpar pelo resto da vida, do mesmo jeito que ele ainda se culpa da minha cicatriz no joelho.

Papai deixou ele me controlar enquanto eu tentava andar de bicicleta e em uma distração minha acabei caindo e ele ainda se culpa por não ter conseguido me segurar. David é muito injusto com ele e eu sei que ele esta sofrendo e isso me doí porque eu não posso fazer nada.

Levanto da cama e vou para o banheiro, preciso urgentemente de um banho.

Encaro o meu closet cheio de vestidos, eu acho que tenho mais vestidos que todas as meninas da alcateia.

Apesar de vestidos, tenho calças, calções, mais em minoria o que tenho demais são vestidos.

Levo umas calças de moletom e uma camisa do David e visto por cima da minha langerie vinho e visto umas meias e já estou pronta.

Saio do meu quarto e passo do quarto de David, paro e bato a porta.

__Pode entrar pequena-grita e abro a porta entrando.

Assim que entro vejo David deitado na sua cama com o braço cobrindo o seu rosto.

Ando até a cama e me deito ao seu lado.

__Tens que parar de roubar minhas camisas, elas estão acabando-diz em uma advertência me fazendo rir

__O que posso fazer se sou apaixonada pelo seu cheiro-digo batendo meu ombro com o dele.

Em um movimento rápido David fica por cima de mim e me observa rindo.

__E eu sou apaixonado pelo riso da minha pequena-diz e começa com as cócegas me fazendo rir alto.

__Po...por...favor...para... Na..vou..ague...tar-digo me contorcendo em seus dedos.

__Quer que eu pare pequena? Então prometa que vai parar de roubar minhas camisas-diz eu abano a cabeça negando sem parar de rir.

Depois de um tempo David para me fazendo voltar a respirar.

__Isso foi injusto, eu sou muito sensível-digo cruzando os braços e olho para David que se deitou de novo ao meu lado.

__Eu estou bem-diz depois de um tempo calado.

__Eu também estou bem-digo me virando de lado o encarando

__Eu juro que não te deixarei sozinha de novo, nem para ir ao banheiro-diz tentando ficar sério.

__Nem ao banheiro?

__Principalmente o banheiro-diz sério, trocamos olhares e começamos a rir.

__Eu estou faminta-digo acariciando a minha barriga

__Vamos descer, foram quatro dias sem comer.-diz levantando e parando de costas para a cama.

Fico de pé na cama e salto para as suas costas enrolando as minhas pernas ao redor da sua cintura e os meus braços circulam o seu pescoço.

__És tão grande David, que as vezes penso que és o mais velho-digo enquanto saímos do quarto

__Porque eu sou pequena, só ainda não aceitaste isso-diz se gabando me fazendo rir.

Eu amo tanto ele

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