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Coração Partido, Alma Endurecida

Coração Partido, Alma Endurecida

Autor:: Youran Qianwu
Gênero: Jovem Adulto
Na nossa comunidade, o cheiro de feijão na panela e as risadas eram a trilha sonora da paz que eu, Júlia, tanto amava, sonhando com um futuro ao lado de Mateus, o policial que prometeu nos tirar dali. Mas o barulho das sirenes e helicópteros rasgou a calma, antes que a porta fosse arrombada por policiais mascarados que invadiram nossa casa, empurrando a todos. Minha mãe gritou, meu pai foi atingido e caiu sangrando, enquanto eles reviravam tudo, gritando por algo que não tínhamos e me atirando contra a parede até a escuridão me engolir. Acordei sozinha no silêncio mortal da casa destruída, minha família tinha sumido, e eu fui arrastada para fora, acusada de roubo e associação com o crime, com um artefato indígena que nunca tinha visto como "prova". Mateus surgiu, com o rosto de preocupação, me abraçou e disse que cuidaria de mim, me deu dinheiro para fugir e prometeu limpar meu nome, e eu acreditei, me escondi nas sombras da cidade. Semanas depois, liguei para um número de emergência que ele havia dado, e para meu horror, era ele, com uma voz relaxada, conversando com outra mulher, Camila, a irmã do chefe de polícia. Ela perguntou: "E o artefato?" e ele respondeu, com uma adoração que nunca me deu: "Eu te disse que conseguiria para você. Qualquer coisa que você quiser." O choque da traição me tirou o ar, percebi que toda a minha vida fora destruída, que minha família havia morrido, para que ele subisse na vida e agradasse uma mulher rica. A promessa de "Juju e Tetéu para sempre" me queimava agora, cada lembrança virou veneno, e a dor era um buraco negro, mas dele nasceu uma chama fria e dura. Júlia, a sonhadora, morreu naquele beco, e a mulher que sobrou, endurecida e furiosa, prometeu fazê-los pagar por tudo o que tiraram dela, porque a vingança não era mais um desejo, era uma promessa.

Introdução

Na nossa comunidade, o cheiro de feijão na panela e as risadas eram a trilha sonora da paz que eu, Júlia, tanto amava, sonhando com um futuro ao lado de Mateus, o policial que prometeu nos tirar dali.

Mas o barulho das sirenes e helicópteros rasgou a calma, antes que a porta fosse arrombada por policiais mascarados que invadiram nossa casa, empurrando a todos.

Minha mãe gritou, meu pai foi atingido e caiu sangrando, enquanto eles reviravam tudo, gritando por algo que não tínhamos e me atirando contra a parede até a escuridão me engolir.

Acordei sozinha no silêncio mortal da casa destruída, minha família tinha sumido, e eu fui arrastada para fora, acusada de roubo e associação com o crime, com um artefato indígena que nunca tinha visto como "prova".

Mateus surgiu, com o rosto de preocupação, me abraçou e disse que cuidaria de mim, me deu dinheiro para fugir e prometeu limpar meu nome, e eu acreditei, me escondi nas sombras da cidade.

Semanas depois, liguei para um número de emergência que ele havia dado, e para meu horror, era ele, com uma voz relaxada, conversando com outra mulher, Camila, a irmã do chefe de polícia.

Ela perguntou: "E o artefato?" e ele respondeu, com uma adoração que nunca me deu: "Eu te disse que conseguiria para você. Qualquer coisa que você quiser."

O choque da traição me tirou o ar, percebi que toda a minha vida fora destruída, que minha família havia morrido, para que ele subisse na vida e agradasse uma mulher rica.

A promessa de "Juju e Tetéu para sempre" me queimava agora, cada lembrança virou veneno, e a dor era um buraco negro, mas dele nasceu uma chama fria e dura.

Júlia, a sonhadora, morreu naquele beco, e a mulher que sobrou, endurecida e furiosa, prometeu fazê-los pagar por tudo o que tiraram dela, porque a vingança não era mais um desejo, era uma promessa.

Capítulo 1

O cheiro de feijão cozinhando e o som de risadas enchiam o pequeno barraco. Minha mãe, com seu sorriso cansado, mexia a panela enquanto meu pai consertava a cadeira quebrada da cozinha. Meu irmão mais novo, Léo, corria pela casa, imitando o som de um avião. Era mais um dia normal na nossa comunidade, um dia de paz. Eu amava esses momentos.

Eu estava sentada na janela, olhando para o emaranhado de casas e sonhando com o futuro. Meu namorado, Mateus, era a minha maior esperança. Ele era um policial, um homem que prometeu nos tirar daquela vida. Ele dizia que me amava, que amava minha família.

De repente, o som familiar da comunidade foi quebrado por sirenes. O barulho cresceu, ficando mais alto e mais próximo. Helicópteros começaram a sobrevoar, o som de suas hélices abafando tudo. As pessoas começaram a gritar na rua.

Meu pai levantou-se, o rosto tenso.

"O que está acontecendo?"

Antes que alguém pudesse responder, nossa porta foi arrombada. Policiais fortemente armados invadiram nossa casa. Eles usavam máscaras, seus olhos eram frios e impessoais. Eles nos empurraram, gritaram ordens que não conseguíamos entender no meio do pânico.

"Polícia! Mãos na cabeça, todo mundo no chão!"

Minha mãe gritou, agarrando Léo, que começou a chorar. Meu pai tentou protegê-los, mas um policial o atingiu com o fuzil. Ele caiu, o som do seu corpo batendo no chão ecoou em meus ouvidos.

Eles reviraram tudo. Gavetas foram arrancadas, colchões rasgados, a comida da panela jogada no chão. Eles procuravam por algo com uma violência desnecessária.

"Onde está? Sabemos que está com vocês!" um deles gritou para o meu pai, que sangrava no chão.

"Não temos nada," meu pai sussurrou, a voz fraca.

Eles não acreditaram. A violência aumentou. Vi minha família ser destruída na minha frente, em nossa própria casa. Fui jogada contra a parede, minha cabeça bateu com força. A última coisa que vi antes de a escuridão tomar conta foi o rosto assustado do meu irmão.

Quando acordei, a casa estava em silêncio. Um silêncio mortal. O cheiro de sangue e poeira estava no ar. Minha família... eles não estavam mais lá. Em seu lugar, no meio da sala destruída, havia um objeto que eu nunca tinha visto: um artefato indígena, um colar de penas e pedras que brilhava fracamente.

A polícia me arrastou para fora. Os vizinhos olhavam, alguns com pena, outros com medo. Fui acusada de roubo, de associação com o crime. O artefato era a prova. Minha família, disseram eles, morreu em um confronto. Eles resistiram.

Eu estava sozinha, algemada, sendo levada como uma criminosa. O mundo que eu conhecia tinha acabado.

No meio do caos, Mateus apareceu. Seu rosto mostrava preocupação. Ele correu até mim, afastando os outros policiais.

"Júlia! Graças a Deus, você está viva!"

Ele me abraçou. Seu uniforme cheirava a pólvora e a algo mais, algo que não consegui identificar.

"Mateus, minha família..." eu soluçava em seu peito.

"Eu sei, meu amor, eu sei. Foi horrível. Mas eu estou aqui. Vou cuidar de você," ele disse, sua voz era um bálsamo para minha dor. "Eles te incriminaram. Você precisa fugir, se esconder. Eu vou limpar seu nome, eu prometo. Mas você não pode ser pega agora."

Ele me deu dinheiro, um endereço de um lugar para eu me esconder. Ele era meu salvador, minha única luz naquela escuridão. Eu acreditei nele. Acreditei em cada palavra.

Fugi, me escondi nas sombras da cidade, vivendo como um rato. Cada dia era uma luta pela sobrevivência, mas a promessa de Mateus me mantinha viva. A esperança de que ele provaria minha inocência e a de minha família era tudo o que eu tinha.

Semanas se passaram. Uma noite, escondida em um beco sujo, consegui um celular descartável e liguei para um número que Mateus me dera para emergências. Era o telefone de um colega dele, alguém que supostamente me ajudaria. Mas quem atendeu não foi o colega. Foi Mateus. Sua voz estava diferente, relaxada, feliz. Ele não sabia que era eu.

"Alô?"

Eu não respondi, com medo. Ouvi uma voz feminina ao fundo, rindo.

"Quem é, amor?" a mulher perguntou.

"Não sei, deve ser engano," Mateus respondeu. E então, ele disse as palavras que destruíram o resto do meu mundo. "Não se preocupe, Camila. O caminho está livre. A família da favelada já era, e a garota sumiu. Logo serei promovido, e tudo isso será nosso."

Camila. A irmã do chefe de polícia. Uma mulher rica e poderosa que eu só via em revistas.

"E o artefato?" ela perguntou. "É lindo. Ficará perfeito no meu pescoço na festa do meu irmão."

"Eu te disse que conseguiria para você. Qualquer coisa que você quiser," Mateus disse, a voz cheia de uma adoração que ele nunca usou comigo.

Meu coração parou. A traição era tão profunda, tão absoluta, que me deixou sem ar. O roubo. A operação. A morte da minha família. A minha fuga. Tudo tinha sido um plano. Um plano dele. Para subir na vida, para agradar uma mulher rica.

Eu desliguei o telefone, as mãos tremendo. A imagem do rosto preocupado de Mateus, suas promessas, seu abraço... tudo era uma mentira.

Memórias felizes invadiram minha mente, agora transformadas em veneno. Lembrei-me de uma tarde, semanas antes da tragédia. Estávamos sentados no topo do morro, olhando a cidade se acender.

"Um dia, Juju, vamos morar lá embaixo," ele disse, apontando para os prédios de luxo. "Você terá tudo o que sempre sonhou."

Ele me chamava de Juju. Ninguém mais me chamava assim.

"Eu não preciso de tudo isso," eu respondi, encostando a cabeça em seu ombro. "Eu só preciso de você e da minha família."

Ele me abraçou forte.

"Você terá os dois. Eu prometo."

Aquela promessa, que um dia me deu tanto conforto, agora me queimava por dentro. Cada lembrança, cada beijo, cada palavra de amor era uma faca cravada no meu peito. Ele não apenas me traiu. Ele destruiu a única coisa que importava para mim, minha família, e me usou como bode expiatório para seu crime.

A dor era insuportável, um buraco negro no meu peito. Mas de dentro daquele buraco, algo novo nasceu. Uma chama fria e dura. A tristeza deu lugar a uma raiva que eu nunca senti antes.

Júlia, a sonhadora, a ingênua "Juju", morreu naquele beco. A mulher que sobrou era diferente. Endurecida pela dor, movida por um único propósito.

Eles achavam que eu estava derrotada, escondida, chorando em algum canto. Eles estavam errados. Eu iria ressurgir. Eu iria me fortalecer. E eu iria fazê-los pagar. Por minha família. Pelo meu nome. Por tudo o que eles me tiraram. A vingança não era mais um desejo. Era uma promessa.

Capítulo 2

Os dias se transformaram em um borrão de sobrevivência. Eu me movia pelas ruas como um fantasma, meu rosto sempre coberto, meus olhos sempre alertas. A dor da perda da minha família era uma ferida aberta, mas a raiva pela traição de Mateus a impedia de me consumir por completo. Ela me alimentava.

Eu precisava de provas, algo concreto para expor a verdade. Voltei para a favela, disfarçada, arriscando tudo. A comunidade estava assustada. A versão oficial era que minha família era uma quadrilha perigosa, e a operação policial tinha sido um ato de heroísmo. Mateus foi promovido, exatamente como ele planejou. Ele dava entrevistas na TV, com um rosto triste, falando sobre a "perda" da namorada que ele acreditava ter sido "levada pelo mau caminho".

Um velho amigo da minha família, seu Zé, um curandeiro que conhecia as histórias antigas, me encontrou. Seus olhos gentis viram através do meu disfarce.

"Menina Júlia," ele sussurrou, me puxando para a segurança de sua pequena casa. "Eu sabia que você estava viva. O que eles fizeram com sua família... foi uma injustiça. Uma maldade."

Contei a ele o que descobri. Ele ouviu em silêncio, seu rosto se tornando mais sombrio a cada palavra.

"O artefato que eles roubaram," ele disse, a voz baixa. "Não é apenas um colar bonito. É o Olho de Anhangá. Um objeto de poder, sagrado. Ele protege a tribo a que pertence. Mas nas mãos erradas, ele pode ser usado para o mal. Ele pode criar laços, amaldiçoar."

Seu Zé examinou meus braços, meus pulsos. Ele parou, seus dedos tocando uma pequena marca avermelhada na minha pele que eu não tinha notado antes.

"Ele fez algo com você," seu Zé disse, o rosto sério. "Ele usou um pedaço do poder do artefato para te prender. Uma espécie de feitiço. Para te causar dor, para te controlar, mesmo de longe. É por isso que você sente essa angústia constante, essa fraqueza que vem e vai. Ele está te vigiando através disso."

Medo e raiva se misturaram dentro de mim. Mateus não apenas me traiu, ele me marcou, me acorrentou com uma magia sombria que eu não entendia. Aquela marca era um lembrete constante de seu controle sobre mim.

Seu Zé me deu um amuleto de proteção.

"Não vai quebrar o feitiço, mas vai enfraquecê-lo. Vai te dar um pouco de paz."

Antes de eu ir embora, ele me entregou um pequeno pacote.

"Isto estava na sua casa. Mateus deixou para trás na pressa. Acho que ele não queria que ninguém visse."

Dentro do pacote, havia uma caixa de veludo. Meu coração afundou quando a abri. Era um porta-retratos de prata, caro, algo que nunca teríamos em casa. E dentro dele, uma foto. Não de mim e Mateus, mas de Mateus e Camila.

Eles estavam em um iate, sorrindo. O braço dele estava em volta da cintura dela, de uma forma possessiva e íntima. Ela usava um biquíni caro, e ele a olhava com uma adoração que me revirou o estômago. No verso da moldura, uma gravação: "Para minha rainha, C. Com todo o meu amor, M."

A dor foi física. Todas as dúvidas, todas as pequenas esperanças que eu ainda pudesse ter, foram esmagadas. Aquela foto era a prova. O relacionamento deles não era novo. Ele estava com ela o tempo todo, me usando, rindo de mim pelas minhas costas. O amor que ele jurou para mim era uma mentira, uma ferramenta para conseguir o que ele queria.

Lembrei-me das noites em que ele chegava tarde, dizendo que estava de plantão. Eu preparava sua comida, massageava seus ombros cansados, acreditando em seu sacrifício. Agora, a imagem dele com Camila naquele iate se sobrepunha a todas as minhas memórias. Ele não estava trabalhando. Ele estava com ela. Vivendo uma vida dupla, uma vida de luxo e mentiras, enquanto eu sonhava com um futuro simples ao seu lado.

A ironia era doentia. Ele, que veio de uma família humilde como a minha, que dizia odiar a arrogância dos ricos, tinha se tornado exatamente aquilo. Ele vendeu sua alma, e a minha família pagou o preço.

Eu guardei a foto. Ela era mais uma peça do quebra-cabeça, mais um combustível para o meu fogo.

Eu precisava sair da cidade, me reagrupar. Mas antes, eu queria ver com meus próprios olhos. Fui até o bairro nobre onde Camila morava. Fiquei do outro lado da rua, escondida nas sombras. E então eu o vi. Mateus.

Ele saiu da mansão de Camila, vestindo roupas de grife, parecendo um homem que nunca tinha pisado na poeira de uma favela. Camila o seguiu, e eles se beijaram. Um beijo longo e apaixonado, bem ali, na frente de todos. A cena era tão diferente do jeito que ele agia comigo, sempre discreto, sempre com medo de que alguém nos visse.

De repente, ele parou. Ele olhou diretamente para o beco onde eu estava escondida. Seu sorriso desapareceu. Ele sentiu alguma coisa? A marca no meu pulso ardeu, uma dor aguda e repentina. O feitiço. Ele sabia que eu estava perto.

O pânico me dominou. Virei-me e corri, sem olhar para trás. Corri mais rápido do que nunca, o coração batendo na garganta, a dor no pulso se espalhando pelo meu braço. Eu precisava desaparecer, antes que ele me encontrasse e terminasse o que começou.

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