KAY YAMAZAKI
"Eu vou fazer todos pagarem! vou tirar tudo dele até não restar mais nada que o torne humano, só assim ele saberá como eu me sinto"
12 Anos
Ser criança era uma droga, ainda mais quando você era obrigado a usa roupas apertadas e pentear o cabelo como um mane! Toda casa estava repleta de alegria, meu querido irmãozinho aquele que tirou tudo que deveria ser meu iria completar 10 anos. Eu não gostava de barulho, muito menos de pessoas desconhecidas transitando pelo meu quintal, mais infelizmente ainda era muito novo para fazer alguma coisa.
Minha mãe evitava olhar pra mim, na verdade, ela sequer falava comigo, eu ainda era muito novo para entender porque ela me odiava tanto, isso até ouvir ela falando para o meu pai que desejava que eu tivesse morrido no lugar dele. Minha mãe me culpava pela morte do meu irmão gêmeo, na verdade ela me culpava por ser parecido com meu avô, meu pai era um covarde que fugiu do nosso país de origem porque não queria envolvimento com a máfia.
Sendo assim, já que eu não poderia ter o amor ou atenção deles eu fazia de tudo para sempre ser melhor que meu irmão. Kaio teve tudo que deveria ser meu, meu pai até que tentava demostrar que me amava mais até isso se parecia forçado, vendo agora como eles olham para o filhinho querido me dá náuseas, eu sempre fui diferente e isso assustava minha mãe. Como se soubesse que estou os observando me encara, aqueles olhos verdes que não se parecem em nada com os meus devolve o olhar com desconfiança, desprezo, uma parte do meu cérebro gosta desse olhar, faz com que eu me sinta poderoso.
Eu me sentia cada vez mais distante de todos ao meu redor, de repente todo desejo de fazer com que meus pais me amassem se tornou sem sentido, eu queria que eles sofressem queria causar dor neles assim como me causaram, meu irmão Kaio sorrir do cachorro que ganhou da família Valentine, um casal de velhos que tinham uma garotinha de olhos grandes e pele pálida, era ridículo como eles tratavam aquela coitada, a menina não podia cair que a mãe já estava em prantos, eu me perguntava se todos os casais de gente velha que tinham filhos eram tão patéticos como eles.
Meu irmão sorria enquanto brincava com novo mascote, ele e a garota eram como um pequeno casal de revista mirim, perfeitos um para o outro. Talvez eu devesse me juntar a eles, me aproximo ainda com as mãos no bolso da calça, percebo que todos ao redor ficaram desconfiados, eu começo a gostar do que minha presença causava nas pessoas.
-- Kay, veja o que seu irmão ganhou! Meu pai diz, quebrando o clima tenso que estava. Dou alguns passos em direção ao pug pequenino que estava nos braços do meu irmão, o cachorrinho joga a cabeça para o lado quando afago seus pelos. Minha mãe respira aliviada, o que ela pensa que irei fazer? quebrar o pescoço do pulguento, talvez eu devesse fazer isso.
-- Que nome irá dar para ele Kaio? A garotinha Valentine sussurra com uma voz tão melosa que me dá vontade de gritar com ela só para ver como ficaria chorando.
-- Buck!! Meu irmão diz. O nome não poderia ser mais idiota, meu irmão era idêntico a minha mãe, a única coisa que tínhamos em comum era os cabelos negros, características orientais do meu pai, aquelas que ele queria esconder com tanto afinco. Cansado de todo clima meloso em volta do meu irmão me afasto sem me importar com meu pai me repreendendo.
Toda festinha idiota estava ocorrendo da maneira mais chata possível, crianças sorrindo e comendo doces, meu irmão correndo igual um bobo pelo jardim atras do pulguento sem rabo, meus pais rindo e conversando com seus amigos idiotas de como suas vidas eram perfeitas. Meus olhos procuram a pequena Valentine, era raro ver ela longe dos pais ou do meu irmão, avisto ela em um canto mais afastado olhando para as escadas da minha casa da arvore, em fim algo divertido.
-- Por que não sobe as escadas? Pergunto fazendo ela se assustar, me encara curiosa.
-- Eu tenho medo de altura. Rio em desdém, garota patética, sempre cercada em uma jaula dourada pelos pais, apostos que nunca soube o que é arranhar um joelho.
-- Eu te ajudo pequena Cassie! Ela me encara desconfiada, não era segredo que ela e meu irmão sempre tiveram medo de mim, aliás eu extirpei um filhote de pássaro que caiu de uma arvore no nosso jardim na frente deles a um tempo atras. Foi divertido, exceto pelo sermão que levei do meu pai e as visitas ao psicólogo toda semana. Ela olha ao redor finalmente consciente de que estamos sozinhos.
-- Eu acho melhor eu voltar. Diz sem olhar pra mim, a voz dessa garota me irritava, tudo nela me irritava, o laço gigante cor de rosa nos cabelos perfeitamente alinhados, o vestido impecável também na cor rosa, até os sapatos dourados, tudo nela gritava perfeição.
-- Tem medo? Você é uma bebe chorona, porque não corre para o colinho da sua mãe. Seus olhos azuis se enchem de lagrimas, e meu peito vibra com essa sensação.
-- Eu não sou uma bebe chorona! Ela grita. Ouvir sua verdadeira voz depois de anos era algo divertido, por um momento eu até achei ela bonitinha.
-- Então sobe. Ela me lança um último olhar e vai em direção as escadas, sobe devagar, sempre olhando para baixo.
-- Não olhe para o chão sua medrosa! Só suba. Eu grito logo atras, não perderia a oportunidade causar medo a ela por nada no mundo.
-- Se não andar mais rápido eu vou te pegar, e sabe o que eu vou fazer? Te jogar no chão. Ela arregala os olhos e começa a subir mais rápido, a adrenalina me consome, eu sempre gostei da sensação do perigo, o coração batendo mais rápido o sangue pulsando nas minhas veias, já estávamos na metade da escada eu já conseguia ver a casa da arvore a as argolas logo a frente.
-- Eu quero descer! Ela diz chorando. Empurro seu corpo para cima.
-- Suba pequena Cassie, a casa da arvore tem uma ótima vista.
-- Não! Eu já disse, quero descer. Bate o pé quase acertando meu rosto, seguro sua perna e começo a puxar, ela grita pedindo para que eu a solte mais eu estava me divertindo vendo seu medo.
-- Kay! Solte ela. Meu querido irmão intervém. Olho para baixo e já posso ver que os gritos da princesinha também chamaram atenção dos adultos.
-- Tudo bem! Só estávamos brincando não é Cassie. Ela não responde, apenas seca as lagrimas do rosto. Começo a descer devagar olhando para garota medrosa acima de mim, ela encara o chão em choque sua pele branca estava igual uma vela.
-- Eu... eu não consigo. A garota chorona murmura, meu irmão cheio de bondade se oferece para ajudá-la. Ele coloca o pequeno cachorro no chão e vem em direção as escadas, antes que se aproxime seguro na perna dela e a forço a descer, isso faz com que a idiota escorregue e caia em cima de mim. Empurro seu corpo para longe, ela me olhar em pânico enquanto chora por ter machucado o pé.
-- Qual é seu problema? Minha mãe diz se aproximando da princesinha que agora estava sendo consolada pelo meu irmão. ela segura meu braço forte o sulficiente para deixar uma marca, não digo nada, ou demostro qualquer coisa, meu pai segura em seu braço e ela me solta desconcertada.
Olho para o rosto da minha mãe com desinteresse e saio de perto daquele circo, pelo menos eu tinha ensinado ela perder o medo de altura.
UM ANO ANTES DO PLANO
Acendo o cigarro e dou uma ultima tragada antes de entrar na mansão dos meus queridos papais, desde que consegui a bolsa de estudo na Universidade Stanford decidi sair de casa, não que isso fosse uma opção meus pais já não estavam me aguentando mais. Eu particularmente não tinha qualquer interesse em me forma, mais desde que descobri que meu irmãozinho mais novo queria cursa medicina na Stanford, fiz disso minha meta.
Estou do jeito que minha mãe reprovaria, botas pretas assim como minhas vestimentas, e novas tatuagens no pescoço, e braço. Eles estavam na mesa como uma perfeita família feliz, minha mãe com seus cabelos loiros bem alinhados, combinando com seu vestido vermelho, e meu pai ao lado dela igual um bobo apaixonado. Se tornou um frouxo por causa de uma boceta.
E lá estava ele, meu querido irmãozinho, sua revolta e tristeza me davam combustível, era como uma coisa que eu precisava para viver, sentado na cadeira infeliz por mais uma vez ter seu pedido negado pela universidade, isso fazia meu peito vibrar.
-- Filho, que bom que você veio! Meu velho diz, ele tenta me abraçar meio sem jeito, meus braços permanecem nos bolsos, eu odiava demonstrações de afeto eles perderam esse direito há muito tempo. Isabela Yamazaki permanece imóvel, ela não conseguiu nem fingir que estava feliz por eu conseguir mais uma coisa que seu filhinho querido almejava.
-- Não vai me abraçar mamãe! Aliás, não é sua culpa que apenas o seu filho louco tenha cérebro. Os olhos verdes do meu irmão saltam de fúria enquanto marcha em minha direção, meu peito vibra ansioso para saber o que o pequeno merdinha irá fazer, suas mãos se fecham na gola da minha camisa, um sorriso se estende em meu rosto. Isso mesmo maninho libere esse gênio assassino que também habita em você.
-- Kay por favor! Minha querida mãe intervém, parabéns ela acabou de ganhar o prêmio de mamãe do ano por evitar que eu quebre todos os ossos da cara do meu querido irmão.
-- Por que não se entregou a morte mamãe? deveria ter feito um corte mais fundo, só assim não precisaria viver para ter que olhar pra mim todos os dias, e me culpar por ter deixado seu filhinho morrer. Antes que eu saboreei a dor que causei a ela meu corpo e jogado com força sobre a mesa. Um largo sorriso se estende em meu rosto quando sinto as mãos do meu pai segurando minha camisa e me prendendo no lugar.
-- Qual seu problema moleque? Você quer mesmo ser igual aquele bastardo do seu avô, um doente psicopata. Continuo indiferente, um, dois, socos no meu rosto,o gosto de sangue surge na minha boca, passo a língua nos lábios.
-- Kaito por favor! Solte-o. minha mãe diz em prantos, meu irmão idiota continua lá olhando incrédulo de mais para fazer qualquer coisa, nosso pai nunca havia levantado a mão para ele, já para mim, já tinha conhecido seus punhos algumas vezes.
Ainda com as mãos sobre mim ele respira fundo, por mais que tente negar ele era como eu.
-- Não ouse falar assim com sua mãe, você não pode ser concertado por mais que a gente tente, terapia, medico, nada. Seus olhos brilham de ódio. Isso mesmo papai, mostre quem você é de verdade.
-- Está se sentindo melhor? Pergunto olhando para sua mão que paira no ar, continuo encarando seus olhos escuros como os meus.
-- Eu não entendo, como você pode ser assim! Me solta indo para longe, ajusto minha camisa e olho em seus olhos.
-- Por que vocês me fizeram assim! Sempre me olhou como se eu fosse um assassino, sempre me culparam por não ter feito nada quando ele morreu, eu era uma criança, mas vocês não! Cuspo as palavras com ódio.
-- Você ficou parado Kay, você estava lá olhando enquanto ele se afogava, você o empurrou e ficou olhando. Minha mãe diz com os olhos cheios de lagrimas.
-- Eu tinha sete anos o que queria que eu fizesse? pulasse atras dele? Melhor. Queria que fosse eu no lugar dele. Quando vejo que acertei em cheio o que ela pensava me viro para sair.
-- É uma pena mamãe eu estou aqui.
Não olho para trás quando saio pela porta, eu iria destruir tudo até não restar nada.
KAY YAMAZAKI
"Estou tão perto da escuridão, eu sei que isso pode ser ruim, mais para mim é tão certo"
14 ANOS
Com muita facilidade abro a janela do meu quarto e me esgueiro para fora de casa, eu ia acabar com aquele merdinha do Kaio. Meu querido irmãozinho não tinha filtros naquela boca, quando me viu com um cigarro de maconha foi logo da com a língua nos dentes, meu pai me deu um daqueles belos sermões de papai preocupado, coisa que ele não era, ele me deixou de castigo dentro do quarto como se isso fosse me impedir de algo, no fundo, ele sabia que não serviria para nada mais precisava fingir ser um bom pai.
Meu quarto era no segundo andar, não era difícil sair de casa pela janela, fazia isso com mais frequência do que eles pensavam, assim que aterrisso no chão meus olhos procuram minha vítima, eu sabia que o casal Valentine estava aqui e com eles também devia esta a pequena Cassie, a garotinha chata que meu irmão defendia com unhas e dentes.
Alguns funcionários me vêm mais logo desviam o olhar, espertos. Pena que meu irmãozinho ainda não tinha entendido isso, dou a volta no jardim como um tigre procurando sua presa, nem sinal dos pestinhas, ando em direção à casa da árvore e não os encontro, então entro no bosque, ao lado da cabana que meu pai usava às vezes eu os vejo, e ouço suas risadas irritantes, achei vocês.
A primeira a me ver é a pequena Valentine, seus olhos azuis se arregalam, ela sabia que minha presença nunca era boa coisa, os dois estavam segurando alguma coisa nas mãos ela tenta esconder quando me aproximo.
-- O que vocês estão fazendo? O merdinha do meu irmão fica na frente da namoradinha como se isso fosse impedir algo.
-- Você não devia está aqui. Abro um largo sorriso, sua voz tremula denunciava seu medo, mesmo sendo dois anos mais velho que ele eu ainda era mais alto e mais forte.
-- Você fez algo muito errado maninho, aquele era nosso segredo, você me traiu, agora tem que pagar por isso.
-- O que vocês estão escondendo? O pulguento que eles tentam esconder logo começa a latir, era um cachorro de rua, entrou provavelmente com algum funcionário, pelo jeito o filhote estava morrendo, seu pelo faltava em alguns lugares e seus ossos eram visíveis, sua cabeça pendia de um jeito entranho, um lixo morto de fome, esses dois idiotas não podiam fazer nada provavelmente só iriam prolongar o sofrimento do coitado.
-- Ora, ora! Me dê isso, darei uma morte mais rápida a ele, não vê que ele está sofrendo. Os dois balançam a cabeça incrédulos.
-- Cassie corre para mamãe. Kaio diz me olhando com raiva. Balanço a cabeça desafiando a pirralha a fazer isso.
-- É melhor me ouvir, se correr eu vou pegar você, e não vai gostar do que eu vou fazer. Meu irmãozinho se joga em cima de mim, por essa eu não esperava, jogo seu corpo no chão com facilidade e me viro para fujona. Para uma garota tão pequena até que ela corre bastante, mas eu era mais rápido em questão de segundos consigo alcançá-la, jogo meus braços ao redor do seu corpo, meu irmão grita em fúria atrás de mim.
-- Eu disse que não era pra correr. Seguro seus braços ainda em volta do pulguento e aperto, ela me olha horrorizada, seus gritos se tornam cada vez mais desesperados, com apenas uma mão aperto o pescoço do cachorro até ouvir o estalo. Pronto, acabei com seu sofrimento, largo a garota e ela solta o bicho em pânico.
-- Que pena! Você o matou. Abro um largo sorriso enquanto ela chora, Kaio me encara com ódio, e eu saboreio isso, era apenas o começo, ele nunca seria feliz.
1 MÊS ANTES DO PLANO
Soco com toda força o saco de box que está na minha frente, suor escorria do meu rosto, mas eu não parava, todo esse ódio que crescia no meu peito só aumentava, estava me correndo, era como um câncer me devorando. O demônio na minha mente gritava para que eu o matasse.
Quando vi o nome do pequeno bastardo na lista de calouros hoje pela manhã entendi que precisava fazer alguma coisa, eu tenho que tirar tudo dele até que não reste mais nada, só assim ele entenderá como me sinto. Nem que seja a sua maldita felicidade.
- Seu cuzão do caralho! Se continuar descontando sua fúria psicopata nesse saco, não restará nada para nós. Meu amigo e colega de alojamento diz.
Collin e Elijah eram os únicos idiotas que falavam comigo dessa forma, na verdade, eles eram os únicos que falava comigo nesse lugar. Os outros eram, mas espertos do que eles e se mantinham longe, desde que me mudei para o alojamento da faculdade minha fama se espalhou pelo campus, não só pelo sobrenome do meu querido pai, mais porque eles me temiam e eu gostava disso.
- Porque não vem aqui para eu usar sua cara. Ele sorrir e se afasta.
- E deixar você estragar esse lindo rostinho. Não mesmo! Hoje tem festinha no alojamento das garotas e eu pretendo comer bastante boceta. Collin era um puto de primeira, não que eu não gostasse de uma boa foda, eu só não procurava garotas, elas já vinham até mim sem qualquer esforço da minha parte.
-- Diga logo o que você quer! Esbravejo lançando um olhar mortal para ele, Collin não viria aqui apenas para papear, ele sabia que eu não era muito de diálogos sem sentido.
-- Alex me pediu para avisar você que não é para se aproximar da Clark. Paro de bater no saco e me viro para ele.
-- Agora você virou a porra de uma garota de recados! Porque ele não veio falar pessoalmente.
-- Você sabe! Ele continua irritado. Alex morava no mesmo alojamento que a gente, ele e eu havíamos brigado semana passada, tudo isso porque a vadia da irmã estava doida para ser comida, o que fiz.
-- Eu dei a ela o que estava me implorando! Collin sorri. – Elas acham que você é um cara bonzinho como os da novela Coreana.
-- Vai se foder Collin! Eu não sou coreano seu cuzão. Ele sabia disso, mas continuava me irritando com essas baboseiras.
Desisto de continuar treinando, eu precisava colocar essa raiva para fora e só havia um jeito de fazer isso.
Da última vez que estive na casa dos meus genitores dei a eles algo para lembrar de mim por semanas, eu continuava recebendo ligações e mensagens do meu pai embora ignorasse a todas, como forma de dizer que estava arrependido ele continuava me mandando muito dinheiro, porque isso sempre foi como ele resolvia as coisas.
Quando entro pela porta, outros rostos além dos da minha família me encaram de volta, parece que a noite ia ser bem mais divertida do que eu havia imaginado.
-- Kay! Meu pai diz meio sem jeito, dessa vez ele não tenta se aproximar de mim, já fazia um ano que eu não pisava nesse lugar. Minha mãe me olha de cima a baixo com seu olhar de reprovação, sentando ao lado dela estava o garoto de ouro, parece que ele havia crescido desde a última vez que estive aqui, estava mais forte, o casal de velhos me encara como se eu fosse o demônio em pessoa. Eu não os culpava, eu tornei os dias da filhinha deles bem divertidos quando éramos crianças. Falando nela, eu estava ansioso para ver como a princesinha estava.
-- Fico feliz que veio! Ele diz se aproximando, estava perto demais. Percebendo o que estava fazendo, ele torna a se afastar.
-- Eu não perderia isso por nada. Digo sarcástico, meu pai finge não notar meu tom, mais o garoto de ouro rola os olhos.
-- Não é emocionante seus dois filhos se tornarão médicos, vou ficar feliz em cuidar de você na faculdade maninho. Dona Isabela que estava em silêncio, se meche desconfortável na cadeira.
-- Vamos jantar então. Diz sem olhar em minha direção. Antes que eu abra a boca para falar o que vim treinando durante todo caminho, uma voz suave responde atrás de mim. O perfume adocicado invade meu nariz, meu lado animal fica pronto para a caça. Olho para meu querido irmão e seu olhar idiota me dá tudo que preciso, porque nunca pensei nisso, só existia uma coisa além da faculdade que meu irmão sofreria se perdesse. A pequena Valentine! Aquela coisinha sem graça até que tinha se tornado algo bem apetitoso. Porra! Ela tinha se tornado algo infernal, sem chances que ela seria dele, Cassie Valentine seria minha.
Durante o jantar eu fiz questão de olhar cada detalhe do meu mais novo brinquedinho, ela ainda tinha medo de mim. Era nítido como sempre desviava o olhar ou tentava não falar comigo, os velhos não paravam de me fuzilarem com os olhos, foda-se eles! Queria mesmo que soubessem que eu a queria, e eu a teria.
-- Cassie porque não toca para nós! Minha genitora diz. Relaxo meu corpo na cadeira, e percebo como seus olhos passeiam pelos meus braços, seu rosto fica vermelho quando devolvo o olhar, então ela não era tão imune a mim a final. Meu irmão fecha os punhos, isso mesmo seu merda me odeie, sinta o que eu sinto.
Quando ela se levanta meus olhos passeiam por cada pedacinho do seu corpo, cintura fina, seios perfeitos e uma bunda redonda, meu pau se anima na calça ao me imaginar no meio de suas pernas, eu iria me divertir muito. Com meu plano em mente e feliz com que causei ao meu irmão me levanto para sair.
-- Vou adorar ouvi-la tocar para mim! Digo olhando em seus olhos. – Em outra oportunidade, é claro! De preferência quando estivermos sozinhos e sem essas roupas. Meu pai engasga e o velho Valentine se levanta pronto para acabar comigo, mais dessa vez o soco vem do meu querido irmão.
CASSIE VALENTINE
"Todas a pessoas concordam que não somos um para o outro, você me trata como lixo, então porque não consigo ficar longe"
DIAS ATUAIS
Meus pais são extremamente protetores e obsessivos com minha vida, eu poderia dizer que tinha tudo que qualquer garota desejava, bom nem tudo! Liberdade. Isso era algo que eu não tinha, desde pequena meus pais optarão por me educar em casa, eu sei isso pode soar bizarro mas a verdade era que sim, era muito bizarro. Eu perdi todas as experiências legais do ensino médio, não fiz sexo oral ou dei beijo de língua, mas estranho que isso foi a forma como eu me masturbei pensando no garoto que me ofereceu droga aos quinze anos, meu único contato com o mundo externo era minha prima Camille e o garoto sexy por quem eu era apaixonada desde criança.
Minha mãe já havia sofrido cinco abortos antes de me trazer ao mundo, depois de muito tratamento médico ela conseguiu levar sua gravidez adiante, já com seus quarenta anos, uma idade bem avançada para se ter filhos, por conta disso quando eu nasci eles me tratavam como uma princesa, algo que poderia ser quebrado a qualquer momento, muito era exigido de mim, melhor educação, aulas de piano, etiqueta, balé e natação. Não estou reclamando, provavelmente outras pessoas pelo mundo adorariam ter meus status, mas a verdade é que eu me sentia uma bomba prestes a explodir.
Graças a minha prima Kamille meus pais haviam deixado que eu entrasse para faculdade, é claro que sob o monitoramento deles, sei que meu pai iria fiscalizar todas as minhas notas. Qualquer passo em falso era minha deixa para o confinamento eterno, ele já havia desenhado meu futuro e a única coisa que me mantinha são era os cinco anos longe deles. Eu iria morar com minha prima e mais uma amiga dela, era um apartamento bem perto da faculdade é claro que com a condição de continuar vindo em casa todos os finais de semana, pretendia negociar isso logo, por mais errado que fosse eu não queria ter que voltar para minha jaula tão cedo. Mais depois do pequeno show que Kay Yamazaki fez na frente deles eu não poderia reclamar, como eu o odiava, se ele tivesse estragado minha única chance de liberdade eu juro que o mataria. Eu não sei que aquele maluco tinha na cabeça ao insinuar que me veria sem roupa, desde pequena eu fugia dele como o diabo foge da cruz. Mais não dava certo, ele sempre dava um jeito de me encontra, tive pesadelos por semanas pelo que ele fez com aquele cachorrinho indefeso, ele era o mau em pessoa e eu fazia de tudo para está bem longe,
Nem tão longe!
Meu subconsciente acusa!
meus pais faziam isso melhor do que eu, até porque todas as vezes que estivemos perto um do outro eu sai no prejuizo, e eu nem falo de um tornozelo torcido, o medo que ele me fazia era surreal.
Mas houve um tempo, quando eu tinha quinze anos eu o vi na chuva encarando o céu, e naquele momento eu vi um lado dele que nunca tinha visto, vulnerável, triste, lindo.
A noite que você quis beija-lo.
A diabinha no meu ombro sussurra, uma merda que fiz a um tempo atras, afasto esses pensamneto para longe, meus pais quase me deserderam por isso.
E não! Eu não me sentia atraída por ele, nunca foi ele! Sempre foi o Kaio, o garoto perfeito o grande amor da minha vida.
Quando Kay estava no ambiente tudo ao seu redor escurecia, olhar para seus olhos era como ficar preso em um buraco negro não tinha nada a não ser o vazio. Mais naquela noite havia algo diferente, desejo, atração.
Eu não entendo o que ele fazia lá naquela noite, Kaio havia me dito que já fazia um ano que ele não voltava para casa, ver ele novamente me trouxe sensações que eu não sabia explicar, seu olhar era perigoso e atraente, e pensar nele me corroía, o idiota sempre foi bonito, mais dessa vez era diferente, ele estava como o um anjo caído, pronto para me levar para o inferno.
-- Cassie já está pronta? Meu pai diz entrando no meu quarto, ele da um beijo na minha cabeça e se senta na ponta da minha cama, seu olhar crítico analisa todas as roupas espalhadas sobre a minha cama.
-- Não sei bem o que levar. Ele desce os olhos para a mala arqueando a sobrancelha, eu nunca sai de casa não fazia ideia do que levar, tiver que ver um vídeo no youTube de como arrumar sua mala para faculdade. Ridículo eu sei, mas eu sou uma pessoa perfeccionista avença a sujeira e bagunça, um transtorno mas conhecido como TOC.
-- Você não precisa levar tudo isso! Sua preocupação não deve ser apenas com a aparência, lembre-se seus estudos são mas importante do que roupas, de qualquer forma, se precisa de alguma coisa sempre pode vir buscar, ou me liga que eu levo. Seus olhos azuis como os meus me olham calmos e severos.
-- O senhor está certo! Eu não preciso de tudo isso. Retiro algumas botas que coloquei na mala de sapatos, e substituo por tênis.
Papai mesmo mais velho na casa dos seus sessenta anos ainda era bonito, tinha ombros largos e maçãs do rosto altas, seus cabelos quase cem por cento grisalhos davam a ele um charme vitoriano.
-- Tem que entender que na faculdade você verá de tudo, festas, bebidas, drogas, deve se manter longe disso, eu e sua mãe estamos aqui. Qualquer coisa nos ligue. Meu coração falha uma batida pensando que ele mudou de ideia.
- Você toca piano com perfeição, continue assim que ganhará destaque antes de pegar seu diploma. Como sempre exigindo a perfeição que me sufoca, deixar meus pais me partia o coração, mas me dava uma sensação de alívio ainda maior. Sentia que perdia parte da minha vida sendo um projeto para eles, precisava tomar minhas próprias decisões.
Meu pai possui uma rede de joalherias espalhadas por diversas cidades, escolher música no lugar de administração ou direito foi como uma traição, ele passou semanas sem olhar para mim.
O que acalmou seus ânimos foi a certeza de que Stanford era a melhor faculdade dos Estados Unidos, quando recebi a resposta da minha inscrição eu surtei. A pior parte de tudo foi contar a eles, fiz tudo sem permissão, Kaio não aprovou minha decisão de manter segredo mas optei por ficar em silêncio até ter certeza de tudo.
Mamãe entra logo em seguida com uma xícara de chá para o meu pai, e um copo de café gelado para mim, como eu amava, ser filha única também tinha suas regalias.
-- Não sei como vamos ficar tanto tempo sem você! Minha mãe diz chorosa. Envolvo meus braços ao redor de seus ombros e cheiro seus cabelos, mamãe era da minha altura possuíamos o mesmo tom de pele e cor de cabelos, um castanho quase ruivo e cheio de ondas.
-- Eu não estou mudando de País! E bem perto, e o final de semana esta logo ali, nem vai ter tempo de sentir minha falta. Ela sorri, papai se levanta e fica atras dela.
-- Qualquer coisa pode nos ligar. Diz beijando o rosto da minha mãe.
-- Eu sei que posso. Abraço os dois e deixo que me ajudem com as malas, minha mãe era quem acalmava meu pai, sem ela eu não teria conseguido convencê-lo.
Quando saio dos portões de casa abro minha bolsa e olho se todos os meus itens de higiene estão comigo, eu estava tentando mesmo não ser uma maníaca por limpeza mais a ideia de dividir as coisas com desconhecidos me fazia suar. Borrifo álcool em gel nas mãos e seco com um lenço umedecido, meu pai me encara apreensivo enquanto dirige o carro.
Me despedir deles foi pior do que imaginei, era como se toda segurança que eu tinha ao lado deles fosse quebrado, eu me sentia vulnerável e perdida, envio uma mensagem para minha prima enquanto organizo minhas roupas no armário, o alojamento que estávamos era bem grande, na verdade caberia quatro pessoas facilmente mais meu pai achou melhor apenas três, ele sabia o quanto eu surtaria com tanta bagunça.
-- Cassie! Kamille, grita. Enquanto me aperta em um abraço de urso, atras dela vejo outra garota de pele morena e com corpo bem definido, ela estava com duas malas e gritava alguma coisa para pessoa que havia a deixado na porta.
-- Meu Deus! Como você esta gata, eu nem acredito que a tia Miranda e o tio Izaac deixaram você sair de casa. Kamille era filha da irmã da minha mãe, a única prima mulher e mais próxima de uma amiga que já tive. Ela era alta e definida, com grandes olhos castanhos e um cabelo loiro de dar inveja.
-- Isa vem cá! Diz puxando a morena que acabou de entrar. – Isa, essa é minha prima Cassie, esse é o primeiro ano dela na universidade temos tantas coisas para mostrar.
-- Oi prazer, Cassie ,meu nome é Isabele mais pode me chamar de Isa, a Kamille falou muito de você. Vai estudar música, não é? Concordo, porque meu limite de socialização com outras pessoas já tinha estourado por hoje. Isa era um pouco mais alta que eu, tinha uma pele bronzeada, e cabelos ondulados que estavam bem amarrados no alto da cabeça, deixando apenas alguns fios soltos, ela era lindíssima, com certeza era latina.
-- Eu e a Isa estudamos direito dá pra acreditar. Kamille diz me cutucando. Passamos o restante da tarde arrumando as minhas malas e conversando, depois que guardei tudo percebi o quanto fui exagerada na escolha das roupas, as meninas usavam short e regata, enquanto eu estava com um conjunto de seda da Gucci e uma sandália de salto, comecei a me sentir ridícula.
-- Cass iremos sair! Minha prima diz decidida. Pisco os olhos e me jogo na cama, eu havia acabado de chegar, nem tive tempo de limpar minhas coisas ou higienizar meu quarto.
-- Ela decidiu que iremos a uma boate fora do campus – Isa diz dando de ombros.
-- Nem pense em recusar, temos que aproveitar seu primeiro dia de liberdade, além do mais fiquei sabendo que a turma de calouros de medicina estará lá. – diz me provocando.
-- Eu estou perdendo alguma coisa? – Isa diz sentando ao meu lado, em seguida Kamille faz um resumo de toda minha vida, inclusive de como eu e o Kaio somos perfeitos um para o outro.
-- Espera! Seu namorado é um Yamazaki? – Isa pergunta. É a minha vez de ficar curiosa, eu sabia que a família Yamazaki era conhecida em todo lugar, alias é o nome da maior indústria farmacêutica da nossa cidade.
-- Ainda não estamos namorando, na verdade ele ainda não respondeu a mensagem que enviei desde que cheguei aqui. – Eu não havia percebido o quanto minha voz saiu infeliz até ver os rostos de pena me olhando.
-- Querida, ele deve está estudando. – Kamille diz me consolando, Kaio não deixava de me responder nenhum dia, mais desde que veio para faculdade tem evitado falar comigo.
-- Você namora o Kay, ele é muito gostoso, mas é um galinha, sádico maluco, querida se você namora ele meus pêsames.
-- Eca não! Eu não estou falando do Kay. Meu rosto cora ao falar. – Eu não o suporto, estou falando do irmão dele Kaio. Kamille mais uma vez faz um relatório das nossas famílias, e isso parece interessar bastante a Isa.
-- Caralho garota, morar com você vai ser bem mais divertido do que eu pensava.
-- Kay é algo que devemos ficar longe, ele sempre está envolvido em tudo que acontece por aqui, mais sempre sai impune, ele e os garotos daquele alojamento não são confiáveis, muito menos boas pessoas. Kamille diz.
- Não cuspa no prato que comeu. Isa completa.
- Você é ele já? Ela arregala os olhos e nega.
- Não! Que dizer, foi só um beijo e no máximo um sexo oral. Minhas mãos começam a gelar e meu coração acelerar, a ideia de esbarrar com Kay por aqui me faz perder o folego.
-- Cass?
Não percebo que estavam falando comigo até Kamille jogar um pequeno vestido azul no meu colo.
-- Acho que vai ficar lindo em você. Porque não experimenta, vamos sair. Seguro o vestido na altura do rosto e penso como algo tão curto ficaria bom em mim, decido tomar um banho enquanto as duas não param de tagarelar, sinto um aperto no peito novamente uma sensação ruim, não deixo de pensar o que vai acontecer nessa festa.