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Deixe Queimar

Deixe Queimar

Autor:: Kai D'angel
Gênero: Fantasia
Em um mundo assolado por conflitos e marcado pela incessante luta pela sobrevivência, o reino de Lucis se vê à beira de uma guerra iminente. Diante desta ameaça, os irmãos Aziv embarcam em uma jornada crucial para reunir um exército capaz de enfrentar as forças adversárias. Durante sua busca desesperada por aliados, Apollo Aziv descobre indícios de que o lendário reino de Dragons, outrora considerado destruído há mais de quatro décadas, pode ainda existir. Impulsionado por essa revelação, Apollo retorna a Lucis determinado a desvendar o paradeiro de Dragons e buscar seu apoio para assegurar a vitória na guerra que se aproxima.

Capítulo 1 Epílogo

Carta:

Reino de Lucis, sou Katherina Dragons. Escrevo para pedir ajuda. Meu reino está sob ameaça de guerra e meu marido, o rei Damon, se encontra terrivelmente doente. Por favor, nos ajudem. Eu e meu reino seremos eternamente gratos à vossa ajuda em um momento tão difícil. É preciso ajudar, para juntos a ameaça derrotar. Uniremos forças e assim, quando vocês precisarem, estaremos aqui também para ajudar.

Ass: Rainha Katherina Dragons.

Aquele dia fatídico... As memórias ainda me assombram, pintando meus sonhos com tons de vermelho e cinza. "Eles não vieram..." As palavras ecoam em minha mente, um mantra amargo que define o abismo de solidão em que fomos lançados. Poucos reinos atenderam ao nosso chamado, poucos se importaram com o sangue que manchava nossas terras. Aquele dia, o dia em que meu mundo ruiu, permanece gravado a ferro e fogo em minha alma.

A imagem de meu pai, a espada cravada em seu coração, a vida esvaindo-se em um rio carmesim, me persegue implacavelmente. O horror da decapitação de minha mãe, a frieza da lâmina que silenciou sua voz para sempre, me assombra em cada pesadelo. Foi um banho de sangue, um massacre brutal que ceifou vidas e sonhos, um inferno que se abateu sobre nós sem piedade.

Naquele dia de horror, eu era apenas uma criança, uma espectadora impotente da carnificina. Escondida com meus dois irmãos em um armário empoeirado, meus olhos infantis testemunharam atrocidades que nenhuma criança deveria presenciar. Através de uma pequena brecha, vi a brutalidade que ceifou a vida de meus pais, a selvageria que transformou nosso lar em um palco de horrores. O medo me paralisou, silenciando meus gritos, enquanto assistia, impotente, ao nosso mundo desmoronar.

Por pouco escapamos da morte. A sorte, ou talvez a magia ancestral que corre em minhas veias, nos protegeu da fúria assassina que varreu nosso reino. Mas a marca daquele dia permanece, uma cicatriz invisível que moldou quem sou.

E, contra todas as probabilidades, vencemos. Mesmo à beira do abismo, com nossas forças esgotadas e um exército dizimado, Dragons se recusou a sucumbir. A chama da esperança, por mais tênue que fosse, persistiu em nossos corações. Nós vencemos!

Eu e meus irmãos, crianças de 9, 7 e 5 anos, fomos forçados a amadurecer em meio ao caos. A dor da perda nos moldou, a responsabilidade nos fortaleceu. Tivemos que ser fortes, não apenas por nós mesmos, mas por todo o reino que dependia de nós.

Nasci com o fogo do dragão correndo em minhas veias, um legado ancestral que me predestinava a liderar. Sou a herdeira, a principal na linhagem, destinada a assumir o trono de Dragons. E assim o fiz, com a determinação de uma leoa protegendo seus filhotes.

O reino de Dragons, outrora um farol de esperança, foi envolto em magia, ocultado do mundo exterior. Para garantir nossa sobrevivência, espalhei boatos pelos vilarejos próximos, proclamando nossa destruição. A notícia se espalhou como um incêndio, e o mundo acreditou que Dragons havia caído.

Mas, nas sombras, começamos a reconstruir. Lenta e cuidadosamente, ressurgimos das cinzas, como a fênix renascida. Aqueles que permaneceram leais, os que carregavam Dragons em seus corações, juraram segredo, comprometendo-se a nunca revelar a verdade sobre nosso reino. Não iríamos estender a mão àqueles que nos abandonaram em nossa hora mais sombria. A lição daquele dia fatídico estava gravada em nossa alma: a partir de agora, Dragons protegeria apenas a si mesmo.

Capítulo 2 1

Passos apressados são ouvidos por todo o corredor; o eco dos passos foi diminuindo quando Apollo parou em frente à porta do quarto do irmão.

- Luk?

- Pode entrar - diz Luk, olhando o irmão passar apressado pela porta.

- Acabou de chegar uma carta do norte para você.

- O que ela diz?

- Não abri. Você sempre briga comigo quando abro as cartas - diz Apollo, pegando uma garrafa de bebida em cima da mesa e colocando em um copo. - Abre logo!

Luk abre rapidamente a carta, pega-a e começa a lê-la.

- Então, o que diz? - perguntou Apollo, curioso.

- Moradores do lado norte estão sendo atacados. Suas casas estão sendo invadidas e suas plantações, destruídas. Estão pedindo ajuda.

- Será que são os Selkies? - perguntou Apollo.

- Não tenho dúvidas de que sejam eles. Sempre estão atrás de confusão e fazem de tudo para tentar chegar até o reino - diz Luk. - Amanhã, bem cedo, irei até a área atacada para fazer uma vistoria. Você ficará no comando enquanto eu estiver fora. Ah! Cuida da Luci.

- Aquela pequena lobinha vai estar em boas mãos - diz Apollo.

- Isso é o que me preocupa. Não quero que minha filha tenha nem um mínimo arranhão - diz Luk, olhando ameaçadoramente para o irmão.

- Não se preocupe - diz Apollo. - Agora preciso ir, vou tomar um banho para tirar todo o suor do treino.

- Vou ver se Luci comeu; ela tem a mania de ficar olhando o exército lutar na ala de treino. Eu já a proibi de ir até lá, porém aquela filhote me desobedece.

- Luci é das minhas - diz Apollo sorrindo, porém logo fica sério quando Luk o olha com cara feia. - Melhor eu ir tomar banho.

- Eu também acho melhor você ir, antes que eu enfie essa adaga em você - diz Luk, fazendo Apollo sair rapidamente de sua sala em alguns segundos.

[...]

No dia seguinte...

- Luci! - Luk grita e, em seguida, passos rápidos na escada e risos infantis tomavam conta do ambiente.

- Tio! - grita Luci, correndo em direção a Apollo.

- O que a minha lobinha aprontou desta vez? - pergunta ele, pegando a sobrinha no colo.

- Papai ficou bravo porque pulei na cama dele - diz Luci. - Só que meus pés estavam sujos.

Apollo soltou uma gargalhada.

- Achei você! - diz Luk. - Seu tio não vai te proteger.

- Deixa ela, Luk - diz Apollo. - Ela é apenas uma criança.

- Mas precisa de limites - diz Luk. - Essa é a última vez; se voltar a acontecer, você estará proibida de ter aula de luta.

- Não, papai - diz Luci, com seus olhinhos se enchendo de lágrimas. - Por favor. Me desculpa.

- Será a última vez, não se esqueça disso - Luk se senta e começa a tomar seu desjejum. - Vou partir em alguns minutos, tentarei voltar ainda hoje. Luci, se comporte.

- Sou um anjo - diz Luci, sorrindo sapeca.

- Você é uma loba - diz Apollo.

- Vou te arranhar com minhas garras - diz Luci, mostrando suas pequenas garras para o tio.

- Nossa, que lobinha mais feroz - diz Apollo. - Solta um rugido para o tio.

Assim, Luci solta um pequeno rugido que parecia mais com um miado. Apollo não aguenta e acaba soltando uma gargalhada.

- Você parece uma gata, não uma loba - diz Luk.

- Parem vocês dois! - diz Luci, brava, enquanto cruza os braços.

- Vocês se entendam, eu estou de saída - diz Luk, se levantando. - Apollo, tenha cuidado com Luci. Filha, toma conta do seu tio.

- Vou me comportar, papai - diz Luci, saindo do colo do tio e indo até seu pai, que a pegou no braço e a abraçou fortemente.

- Eu te amo - diz Luk, beijando os cabelos da filha.

- Te amo, papai - diz ela, agora sendo colocada no chão.

- Se cuidem, eu volto o mais rápido possível.

Assim, Luk vai embora, deixando Luci sob os cuidados do tio, ou vice-versa.

[...]

- Tio, me ensina alguns truques de luta?

- Claro, lobinha. Vamos aprender algo muito importante: como se proteger - anunciou Apollo, segurando um bastão de treino.

Luci olhou para o tio com interesse, pronta para absorver cada palavra e movimento.

- Como? - ela perguntou, sua voz cheia de curiosidade.

Apollo se ajoelhou diante dela e começou a explicar os princípios básicos da autodefesa.

- Primeiro, precisamos estar cientes do nosso espaço e manter uma postura firme - instruiu Apollo, demonstrando uma posição defensiva.

Luci imitou seu tio, concentrando-se em manter-se firme e atenta.

- Isso mesmo, Luci. Agora, se alguém tentar te agarrar, você precisa saber como se libertar - explicou Apollo, guiando-a através de um movimento de escape.

Eles passaram horas praticando diferentes técnicas de autodefesa, desde bloqueios simples até manobras mais avançadas. Apollo incentivou Luci a se esforçar, elogiando seu progresso a cada novo movimento aprendido.

À medida que o treinamento avançava, Luci começou a ganhar confiança em suas habilidades. Seus movimentos se tornaram mais fluidos e precisos, refletindo a dedicação e o empenho que ela colocava em cada exercício.

Ao final da lição, Apollo olhou para Luci com orgulho brilhando em seus olhos.

- Você se saiu incrivelmente bem, Luci. Estou muito orgulhoso de você - disse ele, abraçando-a com ternura.

Luci sorriu amplamente, radiante com a sensação de realização.

- Obrigada, tio Apollo. Eu me sinto mais forte agora - respondeu ela, sua voz transbordando de determinação.

- Que bom, mas não se esqueça de que ainda terá muito a aprender. Afinal, daqui a alguns anos você se transformará. Será uma grande loba.

- Irá doer, tio? - pergunta ela, com um pouco de medo na voz.

- Você vai conseguir, meu amor; pode até doer um pouco no começo, mas logo você estará correndo na sua forma animal por toda essa imensa floresta. E esquecerá toda a dor que passou. Você vai conseguir.

- Obrigada, tio. Se alguém mexer com o senhor, eu irei mordê-lo - diz Luci.

- É assim que se faz - diz ele, fazendo um "toca aqui" com Luci; ela sorria animadamente.

- Tio, posso ir até a cozinha comer um biscoito? Estou com fome - diz ela, tocando a barriga e fazendo careta.

- Pode ir, traz alguns para mim? - pede ele.

- Claro, volto em alguns minutos.

Assim, Apollo observa Luci correr em direção ao castelo. Andrea, mãe de Luci, morreu durante o parto. Foi muito difícil para Luk; ele sofreu muito e ainda sofre com isso. Mas, gradualmente, o tempo vai curando todas as feridas.

Capítulo 3 2

Era uma noite sombria no castelo de Lucis. Apollo estava na sala principal, absorto em seus pensamentos, quando a porta se abriu abruptamente. Seu irmão, Luk, adentrou, visivelmente ferido e exausto. O rosto de Apollo se contorceu em preocupação ao ver o estado de Luk.

- Luk! O que aconteceu? Você está ferido! - exclamou Apollo, levantando-se rapidamente de seu assento.

Luk apoiou-se contra a parede, respirando com dificuldade.

- Não é nada, irmão. Preciso saber... onde está minha filha? - perguntou ele, sua voz carregada de urgência.

Apollo franziu a testa, confuso com a pergunta.

- Ela está dormindo, como sempre, na ala oeste. Mas o que houve? Por que está tão machucado? - inquiriu-o, avançando para ajudar Luk a se sentar em um dos bancos próximos.

Luk suspirou pesadamente antes de responder.

- Fui atacado... por Selkies. Eles vieram quando eu estava sozinho... disseram que a guerra está próxima - revelou, olhando fixamente para seu irmão.

Os olhos de Apollo se arregalaram com incredulidade e preocupação.

- Selkies? Mas por quê? O que eles querem? - perguntou ele, sentindo um calafrio percorrer sua espinha.

Luk abaixou a cabeça, cerrando os punhos com raiva.

- Eles querem vingança, Apollo. Por causa das terras que ocupamos, eles querem guerra... querem tomar tudo o que é nosso - explicou, sua voz carregada de pesar e determinação.

Apollo ficou em silêncio por um momento, absorvendo a gravidade das palavras de seu irmão. Sabia que a situação era séria e que precisava agir rapidamente para proteger seu reino e seu povo.

- Então é guerra que eles querem... - murmurou Apollo, levantando-se com determinação. - Vou convocar o conselho imediatamente. Precisamos nos preparar para o que está por vir.

Com um aceno de cabeça, Luk concordou.

- Faça o que for necessário, irmão. Mas lembre-se, estamos juntos nesta batalha.

Apollo assentiu, sentindo o peso da responsabilidade sobre seus ombros. Sabia que o desafio à frente seria árduo, mas estava determinado a proteger seu reino e sua família a qualquer custo.

[...]

Apollo e Luk estavam reunidos na grande sala do conselho, cercados pelos nobres e líderes militares do reino de Lucis. O clima tenso pairava no ar enquanto todos aguardavam ansiosamente pela próxima decisão.

O líder do conselho ergueu-se com uma expressão grave.

- Como vimos, a ameaça dos Selkies é real e iminente. Para enfrentarmos essa guerra, precisaremos de um grande exército ao nosso lado.

Apollo assentiu, compreendendo a gravidade da situação.

- Estou ciente, líder Gérard. Mas como vamos conseguir reunir um exército tão grande em tão pouco tempo? - questionou Apollo, preocupado com a logística da empreitada.

Um dos conselheiros mais experientes tomou a palavra.

- A chave está nas alianças, príncipe Apollo. Precisamos buscar o auxílio de outros reinos vizinhos. Juntos, podemos combater essa ameaça com mais força e estratégia.

Luk assentiu, concordando com a sugestão.

- Então devemos partir imediatamente em busca de aliados. Precisamos viajar de reino em reino, pedindo ajuda e formando uma coalizão poderosa.

Todos assentiram, aprovando a proposta.

- É uma missão arriscada, mas necessária.

- Partirei ao amanhecer e não pouparei esforços para garantir o apoio de nossos vizinhos - disse Apollo.

Luk e Apollo trocaram olhares determinados.

- Faremos o que for preciso. Não descansaremos até garantir a segurança de nosso reino e de nosso povo - declarou Luk, erguendo-se com determinação.

Com o conselho unido em seu propósito, os dois irmãos estavam prontos para começarem os trabalhos. Apollo partiu na manhã seguinte em uma jornada perigosa em busca de aliados. Sabia que o destino de Lucis dependia do sucesso de sua missão, e estava disposto a enfrentar qualquer desafio que surgisse em seu caminho.

[...]

O sol já começava a se pôr quando Apollo cavalgava com determinação pela densa floresta. Cada galope do cavalo ecoava entre as árvores altas, enquanto os raios de sol filtrados pelos galhos lançavam sombras dançantes pelo caminho.

Apollo estava tenso, sua mente alerta para qualquer sinal de perigo. A missão de buscar aliados para a iminente guerra pesava em seus ombros, mas ele estava determinado a cumprir seu papel.

De repente, um ruído estrondoso quebrou o silêncio da floresta. O coração de Apollo disparou e ele puxou instintivamente as rédeas do cavalo, fazendo-o parar abruptamente. Seus olhos escanearam o ambiente, procurando pela fonte do som.

Então, emergindo das sombras da floresta, surgiu uma criatura terrível: um Typhon. Era uma besta colossal, com pelagem verde-escura e presas venenosas à mostra. Seu tamanho era assustador, três vezes maior do que qualquer javali que Apollo já vira.

Sem hesitar, Apollo desmontou do cavalo, sua espada em punho. O Typhon investiu com ferocidade, suas presas brilhando à luz fraca do entardecer. Apollo se esquivou ágil, desviando dos ataques da besta com destreza.

A batalha era intensa, cada golpe trovejava pela floresta, ecoando entre as árvores. O suor escorria pelo rosto de Apollo, mas sua determinação permanecia inabalável. Ele sabia que não podia permitir que essa criatura atrasasse sua missão.

Com um movimento rápido, Apollo conjurou suas habilidades mágicas, lançando feitiços poderosos contra o Typhon. Raios de energia iluminaram o ar, enquanto a criatura rugia de dor.

Mesmo ferido, o Typhon continuava a investir com fúria. Mas Apollo não recuou. Com uma determinação implacável, ele canalizou suas energias, concentrando-se em um último ataque.

Com um grito de guerra, Apollo desferiu o golpe final, cortando profundamente no flanco do Typhon. A besta uivou em agonia, antes de cair, finalmente derrotada, aos pés do semideus.

Apollo respirou fundo, sentindo o peso da batalha em seus ombros. Ele olhou ao redor, agradecendo aos deuses por sua vitória. A missão continuava, e ele sabia que enfrentaria desafios ainda maiores adiante. Mas, por agora, ele celebrava sua vitória na escuridão da floresta.

Sem perder tempo, Apollo montou novamente em seu cavalo, que estava um pouco assustado devido à batalha acontecida naquele mesmo momento. Apollo passou a mão pelo pescoço do animal, acalmando-o. Ele falava que estava bem, que não tinha mais nada ali. Assim que o animal se acalmou, eles seguiram viagem, atravessando a floresta sem pausa, mas em um ritmo mais lento para não cansar o cavalo.

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