Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > História > Depois que eu te conheci
Depois que eu te conheci

Depois que eu te conheci

Autor:: Oliveira,G
Gênero: História
Marcos após sofrer um grave acidente acaba se casando com uma desconhecida por conveniência, e enquanto procura sua noiva desaparecida ele acaba se apaixonando por sua esposa.

Capítulo 1 Um

"Bang!" O som seco ecoou pela mansão silenciosa, quebrando a paz da madrugada. Clara, assustada, correu para a sala segurando uma vassoura como se fosse uma arma improvisada. Ao seu lado vinha Rosa, a fiel empregada que trabalhava para a família havia mais de vinte anos. O coração de Clara batia acelerado, cada passo ecoava no corredor escuro, e o medo de encontrar algo terrível a consumia.

Ao entrar na sala, Clara ouviu um choramingo familiar. Com mãos trêmulas, acendeu a luz e a cena se revelou diante dela: sua irmã mais velha, Júlia, caída no chão, com um corte profundo na perna. O sangue escorria pelo tapete caro, tingindo de vermelho o tecido claro.

- Júlia, minha filha, o que aconteceu? - A voz aflita da mãe de Júlia, que também era madrasta de Clara, ecoou pelas escadas. A mulher desceu apressada, o rosto marcado pela preocupação. Ao ver o sangue, lançou um olhar rápido para Rosa, que já discava para a ambulância, e para Clara, que permanecia imóvel, observando a cena com uma mistura de choque e impotência.

- Clara, você não vê que o chão está cheio de vidro quebrado? Se apresse em limpar tudo antes que sua irmã se machuque ainda mais! - ordenou a madrasta, com um tom ríspido que não deixava espaço para hesitação.

Clara correu para a cozinha, pegou a pá e começou a recolher os cacos de vidro. Cada pedaço refletia a luz da sala, como pequenas lâminas prontas para ferir. Enquanto limpava, sentia o olhar de Júlia sobre si. A irmã, mesmo ferida, sorria. Era um sorriso estranho, carregado de malícia, e Clara sabia, melhor do que ninguém, que aquele sorriso era um prenúncio de problemas. Mais uma vez, ela seria a culpada.

Pouco depois, o pai chegou em casa. Antônio entrou apressado, os olhos azuis arregalados de preocupação. Ao ver Júlia e a esposa, correu até elas.

- Como isso aconteceu, filha querida? - perguntou, a voz carregada de emoção.

Júlia, que até então sorria, começou a chorar. Mas não era um choro de dor, era um choro teatral, diferente, calculado. Clara observava de longe e não conseguiu conter um sorriso amargo. Para ela, era evidente como o pai e a madrasta se deixavam enganar pela encenação da filha.

- Não chore, filha. Rosa já ligou para a ambulância, logo eles chegarão - disse a madrasta, tentando acalmar Júlia.

O som de um carro estacionando do lado de fora interrompeu a cena. Uma enfermeira entrou rapidamente, tratou o ferimento de Júlia com eficiência e partiu sem demora. O corte, embora profundo, não era grave.

- Clara, você deve ajudar sua irmã com o curativo todos os dias até que ela esteja boa novamente - disse Antônio, com indiferença. Para ele, Clara não era mais do que uma estranha sob o mesmo teto.

- Farei o meu melhor para que ela esteja boa - respondeu Clara, engolindo a mágoa.

Júlia foi levada ao quarto, onde ficaria de repouso. Clara, exausta, foi até a cozinha beber água. Rosa se aproximou.

- Clara, você deveria ter dito ao seu pai que conseguiu um emprego - comentou, com um olhar preocupado.

- Ele não se importa. Desde que eu esteja aqui para servir à esposa dele, nada mais importa. Além disso, já desisti da vaga - respondeu Clara, com resignação. Era jovem e bonita, mas nunca reconhecida. Sua irmã, mesmo menos atraente, era sempre exaltada como a "senhora perfeita" da família Sue.

- Não pense nisso, menina. Somos apenas empregadas. Quando não quiserem mais nossos serviços, seremos descartadas - disse Rosa, com amargura.

Clara sabia que Rosa tinha razão. Fugir da mansão era impossível. Sem dinheiro, sem apoio, sua vida fora dali seria ainda mais dura.

Os dias passaram. Clara dedicava-se inteiramente a Júlia: ajudava-a a caminhar, trazia comida, cuidava dos curativos. O ferimento cicatrizava rápido, mas Júlia continuava a exigir atenção. Três dias depois, já andava normalmente, mas reclamava de ter engordado. E, como sempre, culpou Clara.

- Pai, estou assim por culpa dela! - disse Júlia, chorosa.

Antônio, irritado, ordenou:

- Chame Clara no meu escritório agora.

Clara, naquele dia, já havia sido empurrada da escada pela irmã e trabalhado com dores no corpo. Ao ouvir o chamado, respirou fundo. Rosa tentou impedi-la, mas Clara apenas sorriu com tristeza.

- Não se preocupe, já estou acostumada a essa vida - disse, antes de seguir para o escritório.

Ao bater na porta, ouviu a voz fria do pai:

- Entre.

- Pai, por que me chamou? - perguntou, hesitante. Era raro poder chamá-lo de pai, apenas em momentos a sós.

- Pai? Você acha que eu sou pai de alguém como você? Uma bastarda que só faz coisas erradas! - respondeu Antônio, com desprezo.

Clara sentiu o coração apertar. Os hematomas da queda ainda doíam, mas ela se mantinha firme, engolindo o choro.

- Eu não entendo... - murmurou.

Antônio, com cabelos grisalhos e corpo pesado, olhava para ela sem ternura. Seus olhos azuis eram frios, distantes.

- Você é uma simples bastarda. Não sei como aceitei criar você. Era melhor ter deixado em um orfanato. Agora tenta prejudicar sua irmã? - acusou.

Clara não acreditava no que ouvia. Jamais faria mal a Júlia.

- Hoje irei lhe punir. Se repetir algo semelhante, não me culpe. É meu direito como pai educar meus filhos - disse, tirando o cinto.

O couro cortou o silêncio da sala. Clara não gritou, não implorou. Apenas deixou as lágrimas escorrerem em silêncio. Cada golpe era uma marca não apenas no corpo, mas na alma.

Com dificuldade, saiu do escritório e foi para o quarto. Sentou-se na cama e chorou baixinho, tentando não incomodar ninguém. Quando Rosa entrou, Clara rapidamente limpou o rosto e pegou uma toalha para ir ao banheiro. Mas ao se levantar, a toalha caiu, revelando a roupa manchada de sangue.

- Clara, você está bem? O que seu pai queria? - perguntou Rosa, aflita.

- Estou bem. Ele não queria nada... - respondeu Clara, tentando esconder a dor.

Mas Rosa viu. Viu o sangue, viu a verdade. E naquele instante, compreendeu que Clara carregava um fardo muito maior do que qualquer trabalho na mansão.

Capítulo 2 Dois

"Meu Deus do céu, você não está bem... como pode um pai ser tão cruel com um filho desta forma?" - Rosa estava pasma. Em todos os seus anos de serviço naquela casa, nunca presenciara tamanha brutalidade. O coração da mulher se apertava ao ver Clara tão frágil, marcada por hematomas e cortes.

- Vamos tomar um banho e fazer um curativo em suas feridas - disse, auxiliando a jovem a se levantar. Clara mal conseguia andar, mas se apoiava em Rosa como se fosse sua única âncora no mundo. A água quente escorria sobre suas costas doloridas, misturando-se ao sangue seco. Rosa aplicou pomadas e ataduras com cuidado, como se estivesse cuidando de sua própria filha. Depois, suspirou e foi terminar de preparar o jantar da família Sue, como se nada tivesse acontecido. Naquela casa, o sofrimento de Clara era invisível.

~~~

Do outro lado da cidade, em um ambiente completamente diferente, Marcos - um homem de bela aparência e muito famoso no mundo dos negócios - estava em uma sala VIP com amigos e sua noiva, Alana. O contraste era gritante: enquanto Clara sofria em silêncio, Marcos vivia cercado de luxo, risadas e taças de cristal.

- Então, quando vocês vão se casar? - perguntou Paulo, amigo de longa data.

- Em breve - respondeu Marcos, com um sorriso contido. Se dependesse dele, já estariam casados há dois anos. Mas Alana não compartilhava da mesma pressa.

- Daqui a dois anos, quando minha carreira estiver mais estável - disse Alana, dando um selinho rápido em Marcos antes de voltar a beber. Sua voz era doce, mas carregava uma firmeza que deixava claro quem ditava o ritmo da relação.

Os amigos riram, provocaram, mas Marcos apenas suspirou. Ele sabia que Alana não era como as outras mulheres de sua idade, criadas para cuidar da casa e do marido. Ela queria mais, queria independência, e ele aceitava isso, mesmo que lhe custasse noites de ansiedade.

A festa seguia animada até que um telefonema mudou tudo. Marcos saiu às pressas, deixando todos para trás. Apesar de ter bebido, estava sóbrio o suficiente para dirigir. Chegou à empresa e encontrou o pai, Acácio, com o semblante carregado de preocupação.

- Pai, o que aconteceu? - perguntou, já sentindo que algo grave havia ocorrido.

- Os papéis do projeto Verde Sustentável desapareceram - respondeu Acácio. O tom era grave. Se esse projeto vazasse, a empresa perderia milhões.

Marcos imediatamente pensou em soluções. Conferir câmeras, investigar funcionários. Mas ao assistir às gravações, viu apenas Gabriel, seu irmão, sendo o último a sair da sala. Não havia provas, mas a suspeita estava lançada.

- A última pessoa a sair foi Gabriel... - disse Marcos, com frieza. Para ele, negócios eram negócios, mesmo que envolvessem sangue da própria família.

- Não, seu irmão nunca faria isso. Esqueça - retrucou Acácio, confiando cegamente em Gabriel.

Marcos riu, amargo. - O senhor confia demais nele. Se é tão perfeito, por que não deu a empresa a ele? Afinal, ele nunca o tratou como pai verdadeiro.

A discussão escalou. Acácio acusou Marcos de viver em festas, de ser irresponsável. Marcos retrucou lembrando que foi ele quem tirou a empresa do vermelho. O clima ficou insustentável. Quando Pedro, o irmão mais novo, entrou, encontrou apenas silêncio carregado de raiva.

Enquanto isso, na mansão Sue, Clara tentava descansar. A febre queimava seu corpo, e cada movimento era uma tortura. Mas a paz durou pouco. Júlia entrou no quarto, carregando consigo a crueldade que parecia natural em sua alma.

- Clara... levante agora e vá limpar meu quarto - ordenou, jogando água fria sobre a irmã.

Clara abriu os olhos com dificuldade. - Você ficou doida, Júlia? Não percebe que estou doente? Sua mãe me deu um dia de folga...

- Ela não está em casa. Nem sua querida Rosa. Então trate de levantar e fazer seu trabalho antes que eu ligue para o pai e diga que você está me intimidando - ameaçou Júlia, com um sorriso perverso.

Clara sentiu o coração apertar. Sabia que se o pai acreditasse em Júlia, seria castigada novamente. Seu corpo não aguentaria outra surra. Mas também sabia que não podia se curvar para sempre. A raiva e a dor se misturavam dentro dela, criando uma força silenciosa.

Ela se levantou devagar, cada passo uma batalha contra a febre e a dor. Júlia observava, satisfeita, como quem saboreia a vitória sobre um inimigo indefeso. Mas Clara, mesmo frágil, carregava nos olhos algo que Júlia não conseguia compreender: uma chama de resistência, uma promessa silenciosa de que um dia tudo mudaria.

Capítulo 3 Três

- Jhonatan, o que você falou para meu marido? - Iolanda segurava o telefone com mãos trêmulas, os dedos úmidos de suor escorregando pelo aparelho. Sua voz estava embargada, carregada de um desespero que denunciava o pressentimento de que algo terrível havia acontecido. Marcos não voltara para casa, e o silêncio da madrugada parecia gritar em seus ouvidos como um presságio sombrio.

- O jovem Marcos sofreu um acidente na ponte Halim. Eles ainda estão procurando-o na água - respondeu Jhonatan, com o som de sirenes, gritos e motores ao fundo. Iolanda reconheceu imediatamente: ele estava no local, em meio ao caos.

- Encontre-o, Jhonatan! Faça o possível e o impossível para encontrá-lo! - As lágrimas escorriam pelo rosto da mulher, manchando sua maquiagem. Pedro, ao descer as escadas, viu o pai caído no chão, pálido, e a mãe em prantos ao telefone. O coração do rapaz disparou; algo grave havia acontecido, e a casa parecia mergulhar em um silêncio pesado.

- Mãe, temos que levar o pai para o hospital. Levante! - Pedro e Gabriel se apressaram em ajudar Acácio, que parecia desorientado, os olhos perdidos, e o colocaram no carro. Enquanto isso, Iolanda correu desesperada para o local do acidente.

A ponte Halim estava iluminada por refletores improvisados, que lançavam sombras longas sobre o rio turbulento. Viaturas, bombeiros e curiosos se aglomeravam, formando um cenário caótico. O cheiro de gasolina misturado à água do rio impregnava o ar, tornando a atmosfera sufocante. Iolanda correu em direção a uma ambulância, onde viu Jhonatan apressado, com o rosto tenso.

- Meu menino... ele não pode morrer! - gritou, ao ver Marcos sendo retirado da água, ferido, pálido, com os lábios arroxeados. O coração da mãe se despedaçava. Para ela, Marcos era mais do que um enteado; era um filho de verdade, alguém que carregava parte de sua alma.

- Senhora Lin, não se preocupe. Ele vai para o melhor hospital e ficará bem - disse Jhonatan, tentando acalmá-la, embora seus próprios olhos refletissem preocupação e incerteza.

Enquanto isso, Pedro havia chegado ao hospital com o pai. Acácio estava consciente, mas frágil, recebendo soro. Seu olhar estava distante, como se buscasse respostas em um vazio. Perguntava sobre Marcos a todo momento, incapaz de conter a culpa que o consumia. Pedro tentou ligar para a mãe, mas não obteve resposta. A angústia aumentava, como uma pressão no peito.

- Mãe, o que está acontecendo? - perguntou Pedro quando Iolanda finalmente entrou no quarto. Ela segurou a mão do marido, que imediatamente, com voz trêmula, perguntou:

- Meu filho está bem? Já encontraram ele?

Acácio se sentia culpado. Se não tivesse discutido com Marcos na noite anterior, talvez nada disso tivesse acontecido. Ele deveria ter ouvido o filho, investigado o desaparecimento dos documentos. Agora, o peso da culpa o esmagava como uma pedra sobre o coração.

- Ele foi encontrado, mas não tenho notícias desde que entrou na sala de cirurgia - respondeu Iolanda, chorando novamente, as lágrimas caindo sem controle.

Pedro correu até a sala de cirurgia. Ao ver Jhonatan com os olhos vermelhos, soube que era verdade: seu irmão estava ali, lutando pela vida. O corredor cheirava a desinfetante, e o som das máquinas ecoava como um lembrete cruel da fragilidade humana.

- Como isso aconteceu? Ele estava bem ontem à noite... - murmurou Pedro, tentando se convencer de que Marcos era forte o suficiente para sobreviver, agarrando-se à esperança como quem segura um fio prestes a se romper.

- Já mandei investigar. Vamos descobrir o que realmente aconteceu com o jovem Marcos - disse Jhonatan, dando um tapinha no ombro do rapaz antes de se afastar, o semblante carregado de responsabilidade.

Ao entrar em outra sala, Jhonatan encontrou Gabriel. O jovem estava pálido, com uma expressão de culpa estampada no rosto. O secretário não disse nada, mas pensou: Talvez ele seja o culpado. Ainda assim, não havia provas. A única esperança era Paulo, amigo de Marcos, que tinha uma agência de detetives. Eles eram os melhores, e talvez pudessem desvendar o mistério que se escondia por trás daquele acidente.

Enquanto a família Lin enfrentava o caos do acidente, na mansão Sue, Clara também lutava contra sua própria dor. Febril, marcada por feridas, foi acordada brutalmente por Júlia, que jogou água fria sobre ela, o líquido gelado queimando sua pele já sensível.

- Clara, levante agora e vá limpar meu quarto! - ordenou, com crueldade, a voz carregada de desprezo.

Clara abriu os olhos com dificuldade, a visão turva. - Você ficou doida, Júlia? Não percebe que estou doente? Sua mãe me deu um dia de folga...

- Ela não está em casa. Nem sua querida Rosa. Então trate de levantar e fazer seu trabalho antes que eu ligue para o pai e diga que você está me intimidando - ameaçou Júlia, com um sorriso perverso, os olhos brilhando de malícia.

Clara sabia que não tinha escolha. Se o pai acreditasse em Júlia, seria castigada novamente. Seu corpo não suportaria outra surra. Mas, mesmo frágil, havia em seus olhos uma chama de resistência, uma força silenciosa que Júlia não conseguia apagar. Uma promessa muda de que um dia, tudo mudaria.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022