Ana Beatriz nunca havia planejado aquela tarde de sexta-feira. O dia começara agitado, com a convenção política do partido "Todos por um Futuro Melhor" em São Paulo. Era a primeira vez que ela participava de uma reunião desse nível, um evento para traçar estratégias para a campanha do deputado Felipe. A reunião foi intensa, mas também animada. A política sempre despertou um interesse especial em Ana, embora fosse um mundo repleto de intrigas e alianças frágeis. No entanto, naquela tarde, tudo parecia diferente, mais leve, como se o universo estivesse preparando uma surpresa.
Após o término da convenção, ela decidiu que merecia um momento de prazer simples. Como uma apaixonada por comida mineira, Ana se lembrou da inauguração de um novo bistrô que vira anunciada nas redes sociais. "Por que não ir?", pensou. E assim, sem hesitar, ela chamou um táxi e foi direto para o local. O bistrô, com suas luzes amareladas e decoração rústica, evocava uma nostalgia acolhedora de sua infância em Belo Horizonte, especialmente das visitas às primas que ainda moravam lá.
Ana escolheu uma mesa na área externa, onde podia fumar seu vape com tranquilidade, enquanto apreciava o início de uma noite morna paulistana. Pediu uma cerveja artesanal e uma porção de torresmo. A cada mordida, as lembranças de refeições familiares a invadiam, despertando um sorriso que ela já não lembrava quando fora a última vez que o sentira. Para eternizar o momento, tirou uma foto da porção e a publicou nos seus stories do Instagram, com a legenda: "Nostalgia em forma de alimento."
Cerca de vinte minutos depois, um homem surgiu à sua frente. Ele estava vestido com uma calça jeans escura, tênis preto e uma camisa social preta impecavelmente alinhada. Sua presença exalava autoconfiança. Antes que Ana pudesse processar a situação, ele falou com um sorriso sedutor:
- Olá, Ana Beatriz. Até que enfim te conheço pessoalmente.
Ela ficou confusa por um momento, tentando ligar o nome à pessoa. "Como ele sabe quem eu sou?", pensou. Sua mente começou a correr por todas as possibilidades até que, finalmente, ela respondeu com um sorriso sem graça:
- Olá! Pois é, até que enfim nos encontramos pessoalmente. Mas como você me encontrou?
- Vi que estava na capital, e sua foto do torresmo me deixou instigado - ele disse, sem rodeios. - É crime, Dra., deixar alguém com vontade assim antes das 18h.
Ana corou, sem saber como reagir àquela abordagem ousada. A conotação da frase deixou-a sem fala por um momento, mas antes que pudesse responder, o homem pegou um pedaço de torresmo do prato dela e o levou à boca com um gesto deliberadamente lento e sensual. Depois de mastigar e engolir, ele se sentou ao lado dela, sem pedir permissão.
- Desculpe minha falta de modos, mas quando vi a foto, não resisti. Afinal, como você mesma escreveu, é "nostalgia em forma de alimento". Me permite fazer companhia?
Ela hesitou por um segundo, intrigada e atraída por aquele estranho inesperado. Sentiu um misto de irritação e fascínio, mas o sorriso genuíno dele, combinado com a maneira despreocupada de falar, a desarmou.
- Claro, sinta-se à vontade. Mas você ainda não me disse seu nome.
- João Miguel, ao seu dispor - ele disse, estendendo a mão de forma casual. - Sou empresário, apaixonado por comida mineira e, agora, oficialmente viciado em torresmo de bistrô.
Ana riu pela primeira vez naquela noite, deixando-se levar pelo momento. Ela não sabia, mas aquele encontro mudaria sua vida para sempre.
Ana Beatriz e Marcos começaram sua conexão de forma inesperada, com longas conversas online enquanto ele ainda estava em Toronto. Ambos admiravam o sucesso profissional um do outro e rapidamente encontraram afinidades, como o desejo de estabilidade e a dedicação à carreira. Quando Marcos retornou ao Brasil, Ana ficou animada para conhecê-lo pessoalmente. Logo, os encontros começaram a se tornar regulares, cheios de conversas sinceras sobre suas ambições e sonhos.
- É engraçado como nos encontramos, mesmo com toda a distância - disse Marcos, enquanto tomavam um café em Limeira.
- Talvez seja mais fácil confiar em quem já compartilha nossos objetivos - respondeu Ana, deixando transparecer um brilho de expectativa.
Apesar da conexão emocional, Ana ainda não sentia aquela faísca avassaladora. Duas semanas antes de oficializarem o namoro, ela viajou para Belo Horizonte para participar de um julgamento importante e, impulsionada por amigas, decidiu ir a uma micareta para celebrar a vitória no caso.
No meio da festa, Ana foi abordada por um homem atraente e misterioso, que exalava carisma e sensualidade. Ele a olhou de maneira intensa, como se já a conhecesse. O beijo que se seguiu foi cheio de uma química que Ana jamais havia sentido. Era como se o mundo ao redor tivesse parado. A música alta, o calor da multidão e a adrenalina do momento fizeram aquele beijo inesquecível.
- Ei, espera! - gritou o homem, enquanto Ana, ainda confusa, se afastava para retomar o controle.
Ana hesitou, sentindo o peso de suas escolhas, mas decidiu seguir o caminho mais seguro e focar no relacionamento nascente com Marcos. A partir daí, começou a namorar Marcos, tentando enterrar as memórias daquele beijo arrebatador.
Mesmo com o novo namoro, a lembrança da micareta continuou assombrando Ana, especialmente nos momentos mais rotineiros com Marcos.
Ana e Marcos decidiram que era hora de um fim de semana longe da rotina. Campos do Jordão parecia o destino ideal, com seu clima ameno e chalés charmosos. A cidade, cercada por montanhas e com um ar europeu, sempre despertou em Ana uma sensação de romance. Marcos, sabendo disso, organizou tudo com carinho.
Ao chegarem ao chalé, Marcos abriu a porta e revelou um ambiente decorado com pétalas de rosas no chão e velas acesas ao redor do quarto. Ana ficou encantada com o esforço dele.
- Você realmente pensou em tudo, não é? - disse Ana, surpresa, enquanto admirava o lugar.
- Quis que fosse perfeito para nós dois. Você merece isso e muito mais - respondeu Marcos, com um sorriso tímido.
Eles passaram o dia explorando a cidade, jantaram em um restaurante acolhedor, e Ana começou a sentir um calor no peito, algo que ela não experimentava havia tempos. O carinho e a ternura de Marcos eram genuínos, e ela estava disposta a abrir seu coração para o momento.
Mais tarde, de volta ao chalé, os dois se sentaram ao lado da lareira, tomando vinho e trocando olhares mais profundos. Marcos, nervoso, aproximou-se lentamente e beijou Ana de forma suave, mas com um toque de desejo.
- Eu te amo, Ana - ele sussurrou, acariciando os cabelos dela. - Quero que você saiba que este momento é muito especial para mim. Ana sentiu uma mistura de expectativa e ansiedade. Marcos começou a beijá-la com ternura, mas o clima rapidamente se tornou mais tenso. Ele estava nervoso, e Ana também. Quando finalmente se deitaram juntos, o momento acabou sendo apressado demais. Marcos teve uma ejaculação precoce e ficou visivelmente envergonhado.
- Desculpa, Ana. Eu não sei o que aconteceu... - disse ele, com o rosto corado.
Ana tentou ser compreensiva e carinhosa.
- Tudo bem, Marcos. Foi nossa primeira vez. Essas coisas acontecem - ela disse, tentando confortá-lo, mas internamente sentindo uma decepção que não conseguia esconder.
Enquanto Marcos achou que o sexo era uma forma de se conectar ainda mais com Ana, ela percebeu que a falta de química era algo que não poderia ser ignorado. No mês seguinte, ele a pediu em casamento, mas Ana sentiu que era hora de terminar o relacionamento.