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Fortemente quebrados

Fortemente quebrados

Autor:: Karol Bernardo
Gênero: Jovem Adulto
Sophie é uma garota que adora redes sociais, mas mais do que isso, adora Bratt Watson. Sempre achou seu amor platónico, e Bratt sempre achou que ninguém merecia ele. Ambos pensavam que a situação não ia mudar. Mas estavam enganados. Quando Bratt começa a se interessar por ela, Sophie percebe, mas também percebe que está se afastando dela relutantemente. Sophie tenta descobrir o que ele esconde e cada passo para frente, a deixa cada vez mais destruída. Sophie acaba se perdendo e mesmo perdida, tem de libertar Bratt do inferno.

Capítulo 1 Prólogo

Bratt

- Você tem certeza que quer fazer parte dos красная пантера? (krasnaya pantera - panteras vermelhas) - Jacob pergunta. Olho para os três homens, incluindo Jacob, vestidos de preto fazendo uma roda, me colocando no meio.

- Eu tenho. - Digo.

- Você tem de provar sua lealdade antes de levar a nossa marca no seu sangue. Vamos pedir que faça algumas coisas antes de ser oficialmente um pantera vermelha.

- Entendido. - Respondo.

- Não pode se relacionar com ninguém que não pertença aqui. Se não cumprir com as regras será castigado, se nos trair será morto. - Eles giram, mas eu continuo no meio deles.

- Entendido.

- Tem de estar disposto a roubar e até matar pelos seus novos irmãos. Não há limites quando se trata dos panteras vermelhas.

- Entendo.

- Se entrar, não sairá. A única saída é a morte.

- Entendo.

- Vamos agora beber o sangue de pantera. - Ele me entrega um cálice, e eu franzo a testa para o líquido vermelho. Será mesmo sangue de pantera? Os russos são estranhos!

Eu bebo e fico feliz por saber que não é sangue. É doce e parece ser uma fruta. Só não faço ideia qual seja.

Todos bebemos e Jacob apaga as vinte velas. - Terminamos a nossa reunião. - Ele diz e os outros homens nos deixam sozinhos.

- Esse ritual acontece sempre que têm um novo membro? - Pergunto quando estamos sós. - Pensei que éramos mais.

- Você ainda não é bem um pantera vermelha. Sim, fazemos sempre esse ritual e somos mais de duzentos.

- Claro! - Uau!

- Você vai conseguir seguir as regras? Tem de esquecer das mulheres que fazem parte do seu antigo mundo e olhar para as mulheres do seu novo mundo.

- Eu acho que não consigo fazer isso por qualquer mulher que seja. Depois de Elisa, eu não quero mais ninguém.

- Você não sabe o que vai acontecer. Cuidado para não se ferrar. Aqui não perdoamos!

- Não se preocupe! Posso ir para casa? Eu tenho que ir para a universidade amanhã.

- Esteja à vontade! - Ele abre a porta para mim e eu saio.

Sento no bar e peço uma cerveja. Felizmente Liam não trabalha mais aqui senão quebrava a cara dele. Eu nunca vou perdoar o que ele fez.

Olho para trás e vejo algumas mulheres olhando para mim. Eu não posso me relacionar com ninguém. Não fiquei com ninguém depois de Elisa. A última pessoa que beijei foi Blaire e antes dela, foi Sophie. Obviamente, pessoas que não ficariam comigo mesmo que não tivesse me metido nessa merda que acabei de me meter.

Uma garota de vestido preto me chama atenção quando começa a caminhar com seus saltos altos em minha direção. É Sophie. A melhor amiga da Jolene e da Blaire. E ela está bêbada.

- BRATT! - Ela grita e cai nos meus braços.

- O que você faz aqui?

- Eu não sei. Blaire está em Massachusetts com Lambert, Jolene também está com Paul e eu estou sozinha. - Ela diz.

- Eu vou levar você para casa! - Eu coloco ela no meu colo e saímos para fora. Sophie começa a rir e me abraça.

- Eu sempre sonhei ser levada assim. - Ela coloca o nariz no meu pescoço.

- Você está bêbada.

- Meus pais não podem me ver assim. - Ela fecha os olhos. - Posso dormir com você?

Suspiro. - Não quero que seja expulsa também. Tudo bem.

Eu coloco ela no chão para abrir a porta do carro e deixo ela entrar primeiro. Sophie coloca o cinto e eu reviro os olhos. Mesmo bêbada é certinha.

Conduzo até o meu novo apartamento e levo Sophie para dentro. O único problema é que ela não pára de falar. Estou cansado das suas conversas.

- ...foi a primeira vez que bebi. Você acredita? - Pergunta.

- Sim, eu acredito. - Coloco ela na minha cama, mas ela levanta. Que bêbada mais estranha!

- O que você quer, Sophie? Durma! - Eu digo. - Eu trago um café bem forte para você.

Ela se aproxima rindo e me beija. Não vou mentir que gosto do beijo e que não a afasto, mas também estou aliviado por ela estar bêbada. Se ela sentisse alguma coisa por mim, ambos estaríamos além de quebrados. Estaríamos mortos.

Capítulo 2 O princípio de tudo

Inexistente.

É isso que os meus sentimentos são para ele. Bratt não percebe os sinais que dou para ele todos os dias. Ele não percebe que eu estou completamente apaixonada por ele e que quero ser sua namorada. E depois daquele dia que acordei no apartamento dele, as coisas ficaram estranhas. Faltem às aulas por uma semana.

Jolene acha que eu sou louca por ter passado as minhas férias fazendo investigações sobre Bratt. Eu só precisava saber onde ele ia estudar para poder persegui-lo. E claro que eu descobri tudo.

Bratt conseguiu uma bolsa de estudo na Universidade de Nova Iorque e eu consegui convencer o meu pai a estudar aqui também. Pode não ser uma Ivy League, mas Bratt está aqui.

O melhor de tudo é que não vou mais usar uniformes. Posso usar minhas calças justas, botas e as blusas que eu quiser. Mas tenho a certeza que as pessoas vão implicar comigo por causa dos meus óculos.

Eu entro na sala de aulas e os outros alunos ricos parecem não estar muito interessados. No ensino médio era completamente diferente. Tudo chamava atenção.

Eu sento perto de uma garota loira que também usa óculos. Ela está lendo uma revista de moda, e eu me lembro de Jolene. Minhas melhores amigas estão longe demais e eu estou morrendo de saudades delas.

- Oi, eu sou a Sophie. - Estendo a mão para ela.

- Tudo bem? Eu sou a Kathleen. - Ela aperta a minha mão.

- Prazer. Então, você gosta de arquitetura? - Pergunto.

- Adoro!

- Eu também. - E seria muito bom se Bratt também gostasse. Não sei o que ele escolheu.

Não sei mais o que dizer. Jolene é boa com pessoas, eu não. Eu sou pior que a Blaire. Prefiro que elas venham falar comigo.

Pego no meu celular e entro no meu mundo das redes sociais. Meus seguidores aumentam a cada dia, mas eu sei que nunca vou chegar ao nível de Chloe Rogers. Ela tem imensos.

Estou tão concentrada no celular que nem me apercebo do garoto que fala comigo. Às vezes, eu oiço, mas não escuto. Só identifico a voz depois de um minuto.

- Esse lugar está ocupado? - Pergunta uma voz masculina.

- Não. - Eu não sei, mas respondo ainda concentrada no celular, mas depois de algum tempo, eu reconheço a voz.

Bratt Watson em carne, osso e muita beleza.

Ele está com uma camiseta com gola em V branca, calças jeans e botas pretas de couro. Posso ver uma parte das suas tatuagens no peito. Seus cabelos loiros estão penteados, está com a barba por fazer e para melhorar tudo, ele está sorrindo.

- Oi! - Ele sorri mais ainda e senta ao meu lado. Eu vou desmaiar!

- Oi! - Digo. Seus olhos azuis são hipnotizantes.

- Eu nunca imaginei que você gostava de Arquitetura. Eu também adoro.

- Eu adoro... - Adoro você. - Arquitetura.

Ele sorri.

- Não converso com você desde a despedida da minha irmã e do meu cunhado. A última vez que nos vimos você estava bêbada. - Ele diz.

Que vergonha!

- Eu estava um pouco ocupada. - Eu não sei o que dizer para ele além de "sou apaixonada por você".

- Isso vai ser interessante. - Ele abre um livro de geometria.

- Sim. - Eu guardo o celular para poder olhar para ele.

- O que você faz depois das aulas? - Ele pergunta ainda olhando para o livro.

- Bem, desde que as minhas amigas foram embora, eu não tenho nada para fazer. Meu celular é a minha única companhia.

- Eu sei que você adora o seu celular, mas não faz mal substituir ele por mim. Quer comer alguma coisa depois da aula?

- Sim. Claro. - Como posso dizer não para ele?

Eu me aproximo um pouco mais dele e o professor entra na sala de aula. Eu não sei como vou prestar atenção quando estou sentada ao lado da figura masculina mais deslumbrante do mundo.

Todo mundo controla as horas quando vai fazer alguma coisa importante. Eu conto os segundos na minha cabeça para poder ir com Bratt aonde quer que seja.

Vinte...vinte e um... vinte e dois... vinte e três...

O professor está arrumando as coisas para sair.

Vinte e oito... vinte e nove... trinta.

- Você está bem, Sophie? - Bratt pergunta colocando a mochila no seu ombro.

- Estou. - Errei na minha conta.

- Vamos. Eu preciso trabalhar depois. - Ele diz.

Arrumo as minhas coisas e sigo ele para fora da sala de aula. Caminhámos pelo corredor muito próximos um do outro. Nossas mãos quase se tocam.

- É estranho você gostar de Arquitetura.

- Porquê? Porque Blaire gosta de Direito e Jolene de Medicina?

- Sim. Por isso. - Ele olha para mim.

- Você gosta de arquitetura, mas Paul gosta de gestão empresarial e Lambert de medicina.

- Não se esqueça do Scott. Ele também está fazendo medicina aqui. Eu tenho um pouco de medo dele usando agulhas.

Rio. - Eu não quero ser paciente dele no futuro.

Olho para as nossas mãos mais uma vez. Quero tocar ele, mas não sou capaz. Eu nunca consigo mostrar o que sinto por ele.

- Me deixa passar! - Alguém me empurra, me afastando de Bratt para passar no meio e sorri quando olha para Bratt.

- Tudo bem? - Ela fica na frente de Bratt.

- Oi! - Ele sorri.

Só Bratt para não conhecer o demónio, a rainha das vadias, a maldade personificada. Cabelos castanhos compridos, olhos verdes e roupas que valem milhões. Sim, Chloe Rogers.

- Os loiros são os meus preferidos, sabia? - Ela caminha com Bratt.

Porquê toda garota que gosta de um cara lindo tem de passar por isso?

Eu me aproximo deles. - Não sei se você reparou, mas eu estou com ele.

- O quê? Sua namorada? - Chloe pergunta para Bratt.

- Não! - Bratt diz imediatamente.

Uau! Isso doeu mesmo!

- Somos amigos. - Digo.

- Mesmo que você fosse a namorada, eu não ia me afastar. - Ela beija a bochecha de Bratt.

- Nos vemos amanhã. - Bratt diz e se afasta dela.

- Vou estar esperando. - Ela dá meia volta e desfila com os seus saltos altos para o corredor.

- Entendo porquê não tem namorada. - Digo. Estou perto de Bratt agora. - Ela já dormiu com quase todo mundo.

- Acredito.

- Então, aonde você vai me levar?

- Você pode escolher o que quer comer. Qualquer coisa.

- Podemos ir no Barnes's ou comer um hambúrguer. - Digo.

- Podemos ir no Barnes's. Tenho saudades de Kate.

- Eu também. Está bem. Vamos para o Barnes's. - Agarro a mão dele e saímos do edifício.

Bratt abri a porta para eu entrar e sorri para mim. Ele está muito sorridente hoje, não sei o que se passa com ele. Mas eu gosto do seu sorriso mais do que ter vários seguidores.

Sentamos perto da janela e Kate nos recebe com um sorriso caloroso. Ele nos abraça e voltamos a nos sentar.

- Estou muito feliz por estarem aqui. Peçam o que quiser. É por conta da casa. - Ela diz.

- Obrigado, Kate. - Bratt responde.

- Eu quero uma lasanha e suco de laranja. - Digo.

- Pode ser o mesmo. - Bratt sorri.

Ela se afasta e entra na cozinha. Olho para Bratt mesmo que meu celular esteja vibrando por causa das notificações. Meu Deus! Estou muito apaixonada por ele.

- Então, porquê você gosta de arquitetura? - Pergunta ele ainda sorrindo.

- Porquê eu gosto de desenhos e coisas práticas. - Embora eu não seja prática a maioria das vezes.

- Eu também. Somos muito parecidos. Você não acha? - Ele apoia os cotovelos por cima da mesa e me olha de um jeito bem sexy. Ele está flertando comigo?

- Um pouco. - Minhas pernas estão tremendo.

- É estranho todos que eu conheço terminarem juntos. Não acha? Liam e Blaire, Paul e Jolene? - Ele se aproxima mais um pouco. - Quem será o próximo?

Eu

Vou

Desmaiar!

- Quem sabe? - Digo. Eu odeio a minha timidez. Eu não consigo abrir a boca para dizer que gosto dele mesmo quando parece estar flertando comigo. Sou burra mesmo!

- É! Quem sabe? - Ele sorri com malícia. Eu não consigo fazer nada.

Jamice, filha de Kate, traz a nossa comida, mas Bratt não deixa de olhar para mim. E ela não para de olhar para ele mesmo que esteja se afastando. Eu não quero que outras queiram ele.

Bebo o meu suco.

- Você gostou do beijo? - Ele pergunta e eu engasgo. O que ele está tentando fazer comigo? Quer que eu tenha um ataque ou desmaie?

- Que beijo? - Pergunto. Eu sei muito bem do que ele está falando. Do beijo que dei nele quando estava bêbada. Ou parcialmente bêbada.

- Do beijo que você me deu...

- Quando a gente jogou verdade ou desafio no apartamento de Scott? - Pergunto.

- Não. Do beijo que você me deu no meu apartamento quando estava bêbada. - Ele começa a comer.

- Eu não me lembro muito dessa noite. Não sei porquê fui pra lá. - Minto. Fui atrás dele e bebi. Como sou estúpida!

- Às vezes, a gente faz coisas e se arrepende depois. - Ele está relaxado. Ele mudou muito. Antes ele implicava comigo, agora ele parece mais maduro.

- Muitas vezes.

- Assim como eu me arrependo de não ter estado mais tempo com você antes. Você é uma ótima companhia.

O quê?

Eu paro de mastigar. Não estou entendendo o que está acontecendo aqui. Ele está tentando me enlouquecer?

- Obrigada, Bratt. Você também é. - Digo.

- Faz algum tempo que eu não passo muito tempo com uma garota. - Diz. Espero que não fale sobre Elisa.

- Você tem visto seus amigos? - Quero mudar de assunto.

- Às vezes saio com Scott, mas ele está a maior parte do tempo comendo as mulheres. Grant tem estado mais disponível, mas ele é um pouco chato.

- Eu também sou chata. - Digo rindo.

- Você não é. Garotas não são chatas para mim. Bom, a maioria delas.

- Vou considerar isso como um elogio.

- Considere.

Ele come distraidamente. Eu estou mais preocupada com a presença dele do que em encher no meu estômago. Quando é que ele vai ser meu?

Bratt me deixa na porta de casa. Estamos no seu carro e eu não quero sair. Essa é aquela parte que ele me agarra, me beija apaixonadamente e diz que quer me ver de novo.

- Foi bom estar com você. - Ele sorri para mim. Diz simplesmente isso.

- Também foi muito bom estar com você. - Olho para ele.

- Amanhã a gente se vê.

Eu sorrio para ele. Quero me despedir como deve ser, mas não sou capaz. Devo dar um beijo de despedida?

Ele estica o braço para abrir a porta para mim e seu rosto está a poucos centímetros do meu. Está tão próximo que sinto o seu hálito: carne e queixo.

- É assim que se abre uma porta. - Ele sorri e se afasta. Eu amo muito esse cara!

- Obrigada. - Saio contra a minha vontade e entro em casa sem olhar atrás. Claro que faço isso porque eu sou uma idiota.

Minha mãe está assistindo um filme com o meu irmão. Meu pai ainda não chegou e eu tenho muitas notificações não vistas. Minha noite será cansativa.

- Boa noite, mãe! Yuri! - Digo. Subo os degraus e vou diretamente para o meu quarto acolhedor.

Depois do jantar, eu falo com Jolene e com Blaire por videoconferência. Tenho muitas saudades das minhas melhores amigas.

- O quê? Você está brincando! - Blaire diz. - O Bratt também está fazendo arquitetura? Isso só pode ser o destino dizendo que vocês foram feitos um para o outro, Soph.

- Não sei, é confuso. Ele parecia estar flertando comigo hoje, mas acho que ainda ama Elisa.

- Talvez não. - Jolene responde. Oiço a voz das gêmeas no fundo. - Você precisa fazer alguma coisa! Você quer o Bratt, então é melhor você agir, garota!

- Acho que não faço o tipo dele. - Digo.

- Isso é o que Liam dizia o tempo todo para mim: que não faço o tipo dele. Mas olha só! Estamos casados.

- Bratt não é o Lambert! - Reviro os olhos.

- Claro que não. Liam é mais lindo. - Blaire ri. - Sem ofensa, meninas!

- Sinceramente, Blaire! Cada uma acha que o seu homem é mais bonito. - Jolene responde. - Voltando para a Sophie. - Ela olha para outro lado e sorri. - Chega de ficar babando o meu irmão e não fazer nada. Eu te proíbo de se comportar como uma idiota. Não pense que vai ter a mesma sorte que a Blaire, que não fez nada.

- Ela fez muita coisa! - Digo.

- Você acha que foi fácil aturar o Liam? Sofri demais. - Blaire diz. - DESCULPA, MORENINHO! - Ela grita.

- Sabe de uma coisa? - Digo. - Vocês têm toda a razão. Eu vou deixar a minha timidez e idiotice de lado. Bratt vai ser meu!

Só não sei por onde começar.

Capítulo 3 Me evitando

Durmo muito bem. Eu sei que disse que ia conquistar Bratt, mas quando fico perto dele pareço uma idiota tímida. E agora que eu vejo ele conversando com Chloe, não sei o que fazer.

Bratt está sorrindo e olhando para ela, que está simplesmente linda com saltos altos, blusa com babados e uma calça de coro muito sexy, sem falar dos seus cabelos castanhos em um rabo de cavalo perfeito. Bratt está usando um polluver vermelho, jeans azul escuro e botas pretas.

Olhar para eles me faz sentir mal por ter usado uma camiseta do Rolling Stones, calça jeans e All Stars converse. Para piorar, meu cabelo está num coque bagunçado.

Endireito os óculos e caminho até eles. Eles não me notam até que chego muito perto mesmo. Estou apenas marcando território.

- Oi! - Digo sorrindo.

- Quem é você? - Chloe olha para mim.

- Sophie. - Digo e olho para Bratt.

- Não me interessa. - Ela olha para minhas roupas. - Você foi assaltada por um garoto idiota e trocou de roupa com você? - Ri.

Calma, Sophie, homicídio é crime!

- Você é muito engraçada, Chloe! - Digo e olho para Bratt. - Você me acompanha?

- Estou falando com a Chloe. Depois a gente se fala? - Ele diz.

Sinto como se ambos tivessem me dado tapas. Duas vezes.

- Claro.

Eu saio e tento me recompor. Entro na sala de aula e ocupo o meu lugar junto de Kathleen. Ela é amiga da Chloe, mas não é má. Só é muito chata.

Abro o meu livro para me concentrar, mas não consigo. Pensar que Bratt pode estar pensando em se encontrar com Chloe e está interessado nela, me deixa agressiva.

Tiro o meu celular e me distraio com as redes sociais. Coloco um like na nova foto do Justin Bieber e do Zayn. Vejo uma foto de Chloe também. Ela está linda. Está com um vestido branco justo e o cabelo liso.

Guardo o celular para não quebrá-lo. Meus pais iam me castigar. E eu não posso ficar um dia sem Internet, sem publicar nada, senão as pessoas vão pensar que eu estou desaparecida.

Bratt entra na sala de aula, mas não senta ao meu lado. Ele senta ao fundo junto de um garoto de cabelos vermelhos e piercing no nariz. É impressão minha ou ele está me evitando?

- Algum problema, Sophie? - Kathleen pergunta.

- Não.

Olho para trás e ele olha para mim sem emoção depois desvia o olhar. Se existe alguém mais complicado nesse mundo, esse alguém é Bratt.

Eu olho para frente para o professor que acaba de entrar e tento não pensar muito sobre isso. Eu acho que estou exagerando.

Eu pego no meu lápis e escrevo algumas coisas no meu caderno. Tenho vontade de olhar para trás e ver se ele está olhando para mim, mas não posso. É uma porcaria estudar longe das amigas.

Aula chata, professor chato, tudo chato. Tiro os meus óculos por um minuto para limpá-los enquanto o professor vai embora. Tento ver Bratt pelos óculos, mas não consigo. Eu não posso deixar ele escapar.

Coloco os óculos e levanto. Caminho corajosamente em direção ao Bratt. Ele continua sentado sem se mover. Parece divertido.

- Oi! - Digo e cruzo os braços.

- Oi! - Ele sorri.

- Vamos comer alguma coisa? - Pergunto.

- Não tenho fome. - Responde. Eu estou morrendo de fome. Obviamente é uma resposta para me evitar.

É melhor eu desistir. Quem sabe amanhã ele volte ao normal ou esteja como ontem. Talvez seja um dia feliz e um dia me evitando. Só não sei porquê está fazendo isso.

Não! Espera! Sei sim. Eu pareço uma nerd idiota. Visto como uma garota idiota, meus óculos pioram o visual e possivelmente porque sou descendente de um oriental. São motivos suficientes.

- Está bem. - Eu pego nas minhas coisas e saio da sala de aulas. Vou para o refeitório e espero na fila.

Vejo Chloe sentada com Kathleen e outro garoto e eles estão rindo muito. Isso me faz lembrar das vezes que Jolene me contou suas maluquices ou quando Blaire comia salada e a gente comia hambúrgueres.

Pego na minha bandeja cheia de comida e sento num canto sozinha. Pego no meu celular e envio uma mensagem para Jolene.

Sophie: "Qual é a do seu irmão? Está me evitando."

Bebo o meu suco e aguardo a resposta. Enquanto aguardo, não resisto à tentação de olhar as fotos de Bratt no Instagram. Talvez ele seja meu amor platônico.

Um garoto de cabelos negros, vestindo uma camiseta preta e calça preta senta ao meu lado e sorri. Eu estou nem aí para seus dentes brancos e tatuagens nos braços.

- Você está sozinha? - Ele pergunta. Detesto quando perguntam o óbvio. - Eu entendo como é.

- Estou acostumada a ser invisível. - Digo.

Ele ri. - Tem graça. Eu também. Digamos que bem invisível mesmo.

Olho para seus olhos verdes muito claros e para cada canto do seu rosto. Seus cabelos pretos parecem ser muito macios e posso dizer que ele é musculoso. Ombros largos, mandíbula forte, mãos grandes, posso dizer que ele está mentindo.

- Você? - Pergunto.

- Porquê não?

- Você já olhou para mim? - Pergunto.

- Estou olhando. - Ele sorri. Até parece que está fazendo publicidade da Colgate. - Você é linda.

Como a minha salada e vejo a resposta da mensagem de Jolene.

Jolene: "Você já está acostumada. Vire o jogo."

- A gente tem aulas juntos. - Ele apenas espalha a comida no prato. - Você senta na frente com a loira. Ontem estava usando uma calça skinny, blusa branca. Só não lembro dos sapatos.

- Uau! Agora entendo porquê você é desprezado. - Digo. Quem decora o que um estranho vestiu no dia anterior.

- Eu não disse que era desprezado. Disse que era invisível. - Ele continua rindo.

- Desculpa.

- Não faz mal. Meu nome é James. E você?

- Sophie! - Oiço Scott atrás de mim. Porquê ele é tão chato?

- Oi, Scott. - Não tenho entusiasmo nenhum.

- Oi! Quem é o seu amigo? - Scott pergunta.

- James. Você já pode ir. - Digo.

- Uau! O que se passa com você? - Ele se afasta rindo.

- Némsis?

- Ainda nem descobri. - Digo.

A última aula termina e eu saio sozinha. Não sei o que se passa com Bratt hoje, mas espero que amanhã seja diferente. Não sei se suportaria ser evitada por ele todos os dias. Só de pensar, dá uma vontade de chorar ou sumir para bem longe.

Mal posso esperar para receber o meu carro. Meus pais disseram que eu vou ter um carro, finalmente, mas eu acho que já esqueci o que aprendi no exame de condução. Se essas coisas fossem tão fáceis como fazer snaps seria um mundo melhor.

Chego em casa e vou para o meu quarto porque não vejo ninguém na sala. Tiro toda a minha roupa e entro no chuveiro rapidamente.

Quando termino, visto um vestido justo, faço um penteado lindo e tiro uma foto. Jolene detesta o fato de eu estar sempre nas redes sociais, mas eu sou viciada. Ela não pode mudar isso.

Troco de roupa e antes de publicar a minha foto, eu vejo as notificações.

"JamesBlakke começou a segui-lo."

"JamesBlakke gostou da tua foto"

"JamesBlakke gostou da tua foto"

Vejo as notificações em que JamesBlakke gostou de todas as minhas fotos e decido ver quem é ele. É nada mais, nada menos que o cara que sentou comigo hoje cedo.

Isso está ficando estranho demais.

Mais um dia na universidade e visto minhas calças jeans rasgadas, uma blusa regata cinza, uma gargantilha, minhas botas azuis escuras, um rabo de cavalo e um sorriso no rosto.

Quando eu entro na sala de aula, bato contra Bratt e a gente se encara. Eu fico parada quando seus lindos olhos azuis ficam presos em mim.

- Oi! - Digo.

- Oi! - Ele dá um sorriso tímido. - Como você está?

- Ótima. E você? - Endireito os óculos.

- Estou bem também. - Ele desvia o olhar. Deve estar olhando para outra pessoa.

- Bratt! - Oiço Chloe atrás de mim. Eu odeio ela!

Não digo nada e entro na sala de aula. James está sentado no meu lugar e está lendo um livro de matemática. Eu sento ao lado dele e não digo nada além de:

- Oi!

- Sabia que a luz demora dois milhões de anos para chegar à Via Láctea? - Ele sorri.

- Sabia que eu detesto começar uma conversa desse jeito? - Pergunto.

- Desculpa.

- Você está bem? - Pergunto. - Você me seguiu porquê?

- Você sabe porquê. Não quero explicar o óbvio. - Ele olha para mim.

- Está bem.

- Desculpa ser demasiado intrometido, mas você tem namorado? - Ele pergunta.

- Isso não é da sua conta. - Digo.

- Foi só uma pergunta. - Ele levanta as mãos.

Eu reviro os olhos e saio da sala de aulas. Não quero ficar falando com ele e preciso falar com Bratt. Não posso deixar Chloe ganhar.

Bratt está conversando com Scott, mas não vejo nenhum sinal de Chloe. Ela deve ter ido embora quando Scott chegou. Ele é irritante.

- Oi! - Digo.

- Oi, linda! - Scott pisca um olho para mim.

- Posso conversar com Bratt? - Pergunto para Scott.

- Claro que sim. Depois a gente continua. - Ele tenta me beijar, mas eu me afasto e então vai embora. Imbecil!

- Então, o que é tão importante que não pode ser dito noutra altura? - Ele cruza os braços.

- Porquê você está me evitando? - Pergunto.

- Não estou evitando ninguém. A gente só não é tão amigos assim. Nunca foi assim e acho que dissemos tudo no Barnes's. O que mais a gente tem para conversar?

- Podemos inventar.

- E você é daquelas que fica grudada no celular o tempo todo. - Ele desvia o olhar. - Somos diferentes. Você é a melhor amiga da Jolene.

- Nem sempre. Eu tenho limites. - Digo. - E qual é o problema de ser amiga de Jolene?

- A gente não pode ser amigos desse jeito? - Ele pergunta.

- Desse jeito? Tipo, como pessoas normais?

- É!

- Eu pensei que a gente estava começando...

- Não.

- Porquê não podemos... - Ele não me deixa terminar.

- Porque eu já expliquei. Você precisa entender.

Eu acho que o meu amor é platônico mesmo. Eu controlo as minhas lágrimas e as minhas palavras. Quero gritar na cara dele que sempre gostei dele, mas só vai piorar.

- Claro. - Digo. Ele só está dizendo isso porque não está sozinho aqui. Ele tem Scott aqui. Jolene e Blaire estão em Massachusetts, me deixaram completamente sozinha.

Eu disse que Bratt ia ser meu, mas começo a achar que isso deve ser platônico. Em outras palavras, ele quer que eu me afaste dele.

Eu deixo ele sozinho e volto para a sala de aulas. Sinto que ele me deu um chute bem forte. Ninguém merece uma coisa dessas. Nem mesmo Chloe Rogers.

Sento ao lado de James. - Oi! - Coro.

- Você sabe que é falta de educação deixar as pessoas falando sozinhas? - Ele está sério.

- Perdão. Eu lamento.

- Não faz mal. Estou acostumado. - Ele sorri. Sinceramente, ainda acho que esteja mentindo.

- O que você gosta de fazer? - Pergunto.

- Gosto de jogar, dançar, essas coisas. Você sabe xadrez? - Olha para mim com um brilho nos olhos.

- Não. Bem, uma vez uma amiga tentou me ensinar, mas eu não consegui. Confundi as peças, as jogadas e perdi. Eu detesto perder.

Ele olha para mim como se eu fosse uma pedra preciosa. - Eu também detesto perder.

A gente conversa sobre hobbies, filmes, essas coisas e quando Bratt entra na sala de aulas, olha para James do jeito mais frio e assustador. Sério que eu não entendo esse garoto.

Ele analisa James por algum tempo e se aproxima. O que eu faço para ele saber que eu estou apaixonada por ele? Porquê ele não sente o mesmo? O que eu tenho de errado?

Isso não pode ficar assim.

- O que você está fazendo no meu lugar? - Bratt pergunta para James.

- Esse lugar está desocupado desde ontem. - James responde.

- Sinto muito, mas você precisa se levantar se não quer uma briga.

- Qual é o seu problema? - Pergunto.

- O meu problema é que eu não gosto de estranhos mexendo com as minhas coisas. - Bratt serra os punhos.

- Do que você está falando? - Pergunto levantando e indo na direção dele.

Ele me encara e por segundos penso que está falando de mim. Ele está com ciúmes ou quer apenas o lugar, que eu pensei que não queria mais? Estou confusa.

- Não importa. - Ele olha para James que se levanta irritado. - Fica bem longe!

- Do que você está falando, Bratt? Ele é livre para sentar onde quiser.

- Não aqui. Eu não quero ele sentando aqui.

- Porquê?

- Porque não. Esqueça isso. - Ele me leva para sentar perto dele, mas continua olhando para James com ódio.

Está com ciúmes ou está preocupado com o lugar? Eu acho que a segunda é mais provável.

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