Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Fantasia > Herança
Herança

Herança

Autor:: Michele Faria
Gênero: Fantasia
Magia é a capacidade de enxergar além do que é colocado a frente dos seus próprios olhos. Nada é totalmente mal, muito menos totalmente bom. E aquilo que já está morto pode ter deixado descendentes...

Capítulo 1 Prólogo

Magia...

O que exatamente significa ser portadora de magia? Eu achava que magia era a capacidade de usar sua áurea pra fazer alterações no tecido da realidade, sendo elas reais ou apenas ilusões.

Que a magia não pode ser boa ou má, apenas obedece a quem a porta... Se é que alguém é realmente capaz de portá-la.

Mas agora encarando essa urna contendo a áurea mágica da minha irmã eu percebo que a magia é um poder forte de mais para quem não capaz de porta-la, é que ela corrompe sua áurea, destruindo de dentro para fora, aquilo que minha Irmã acreditava tornou-se a sua ruína.

Peguei ainda com as mãos tremulas a caixa, ela tinha forma de pentágono e afinava quanto mais perto da base, cinco fechaduras uma em cada lado, era totalmente negra fora os contornos das fechaduras que tinha cores diferentes e embora não pesasse quase nada, não suportava segurá-la, era fria e parecia tenebrosamente solitária, contive as lagrimas em respeito ao meus súditos que ainda estavam em batalha.

Desci o olho pela colina ate encontrar a guerra que acontecia embaixo de mim, tive que fazer um grande esforço para ficar de pé, mas assim que fiquei vi centenas de olhares em cima de mim, eu podia sentir a áurea dos meus soldados banhada em esperança, com o meu trunfo sobre a minha irmã sabiam que a guerra terminaria ali, pelo menos foi o que eu pensei na época.

Hoje sei que ela estava apenas começando...

Capítulo 2 I. Bem-vindos à escola Keiko

**Narração de Chrysalis**

- Bem-vindos a escola Keiko - A nova diretora tinha uma voz firme e confiante - O meu nome é Calissa Klingel, e gostaria de fazer alguns avisos, o primeiro está ligeiramente atrasada.

Eu evitava olhar em volta, não queria que alguém prestasse atenção em mim, mas assim que olhei pra o lado tive conforto nos olhos azuis do meu irmão, ele viu que eu estava nervosa e entrelaçou seus dedos nos meus.

- Você está bem? - Ele perguntou com um tom de voz doce demonstrando preocupação Eu assenti com a cabeça, mas me entreguei apertando forte sua mão, ele sorriu e com a outra mão retirou minha franja, eu me assustei e coloquei a franja tampando meu olho castanho. - Para com isso - Eu disse com uma voz baixa, meu irmão estava acostumado com minha voz e entendia facilmente. Ele deu um leve beijo na minha testa

- Você é maravilhosa.

- Silêncio - A diretora falou um pouco irritada, não sabendo ao certo de onde as vozes vinham. Eu olhei para a Diretora Calissa ela tinha cabelos negros e vestia uma roupa formal azul escura, ela estava conversando com a coordenadora Alyssa.

Calissa parecia muito irritada e pediu algo para Alyssa que saiu correndo. Um barulho alto da porta do auditório sendo fechada se propagou pelo ambiente e todos os olhares se voltaram pra garota que estava na porta.

Ela era maravilhosa e parecia ter gastado toda a manhã trabalhando em roupa e cabelo, ela usava uma saia preta rodada e uma blusa azul clara de mangas longas, seu cabelo ruivo era longo, marcado por ondas e perfeitamente penteado.

- Alyssa, não será necessário - A diretora encarava com um olhar superior a garota - Senta.

A garota procurava por um lugar vazio, ela andava graciosamente, foi quando percebi que ela estava usando um salto cinza escuro. É até admirável como alguém consegue se arrumar tanto para vir para escola, ainda mais considerando que todos iriam prestar atenção em você. Não pude deixar de sentir pena da garota, estavam todos olhando para ela, prestando atenção em cada detalhe nela. Mas afinal o que essa garota está fazendo aqui? É uma reunião apenas com o sexto ano, e ela não fez parte da nossa turma ano passado.

Estava tão distraída em meus pensamentos que quando olhei novamente para garota ela já estava sentada na fileira frente a minha e do meu irmão. Eu mal notei que já tinham todos parado de olhar para ela, e que era a única a olhar pra ela, só notei quando ela se virou para trás e me encarou de volta, notei que os olhos dela tinham uma coloração diferente tinham um tom lilás escuro e emanava magia, a garota sorriu pra mim e desviei meu olhar rapidamente. Eu não tinha forças pra olhar para frente, estava envergonhada, odeio ser notada, principalmente dessa forma, será que ela acha que eu tenho um problema com ela? Ain ela deve estar me odiando.

Busquei conforto no meu irmão, mas ele estava estranho, com uma respiração desordenada e estava inquieto, eu podia sentir um espírito faminto por sangue nele, que eu já não via há muito tempo. Coloquei minha mão suavemente na sua e chamei por ele:

- Castiel - Minha voz demonstrava toda a preocupação que sentia, mas ele nem se quer olhou pra mim - Castiel, você tá bem?

A diretora fez um som com a garganta chamando a atenção de todos na sala, Calissa estava com as mãos juntas e parecia impaciente.

- A pontualidade é uma virtude para poucos - Calissa falava com um tom de desprezo, se referindo à garota nova - No entanto devemos sempre busca-la já que nem toda a elegância... O discurso dela continuou por alguns minutos, mas não prestei atenção, estava preocupada de mais com Castiel.

- Castiel o que você está sentindo? - Perguntei sendo novamente ignorada. Tentei tocar delicadamente em seus cabelos castanhos ele tirou bruscamente minha mão e segurou meu pulso com força, meu coração se acelerou e meu olhar focou em meu irmão seus olhos não estavam azuis estavam em um tom de castanho avermelhado, ele levantou sem olhar para mim e saiu com pressa do auditório batendo com força a porta, a diretora lançou um olhar para Alyssa que saiu atrás do meu irmão. Minha vontade era de ir atrás do meu irmão, mas sei que se eu saísse do auditório teria problemas, permaneci ali ainda com o coração acelerado, a voz da diretora ecoava pelos meus ouvidos.

- De pé - Ela falava se referindo a garota que se levantou graciosamente - Essa é Clarisse Starlight, ela irá entrar no sexto ano de cara, um tanto injusto se me perguntar, mas a família dela já está acostumada a privilégios, eles se acham mais especiais...

- Eu não me acho mais especial que - Clarisse tentou interromper a diretora, mas acabou sendo interrompida também.

- No entanto vou fazer questão de mostrar a ela que não existem benefícios - A voz de Calissa tinha ficado em um tom mais alto tentando demonstrar superioridade. - Nem mesmo pra você.

- Você não me conhece para... - Clarisse foi novamente interrompida por Calissa. - Silêncio, sente senhorita Starlight.

Clarisse revirou os olhos, mas obedeceu quase em silêncio, ela olhou novamente para trás e seus olhos tinham tomado um brilho diferente, como se a magia dentro deles tivesse saído do controle, focando melhor em suas mãos eu pude ver uma áurea lilás em torno de seus dedos, a áurea girava e fazia circos com forme os dedos de Clarisse mexiam.

- Agora o segundo aviso - A voz da diretora voltará ao normal, mas ela ainda olhava para Clarisse com um olhar superior - A política da escola sofreu uma pequena alteração, mais especificamente no último ano, ou seja vocês serão nossos ratinhos de laboratório. Os alunos começaram a se entre olhar, pelo jeito esse vai ser um ano agitado. - Vocês serão divididos em três salas, e dessas três salas... - A diretora fez uma pausa olhando nos olhos de alguns alunos - Só uma irá formar. A preocupação tomou conta de todos os alunos, assim como ela estava em mim, além disso, se me separarem do Castiel um de nós pode não formar, só, por favor, que nós coloquem na mesma sala.

- Com todo o respeito, mas vocês perderam o juízo? - A voz de Karin destacou em meio a todos os outros sussurros Karin era a chefe do jornal da escola, eu sentia admiração por ela, por conseguir fazer algo incrível como o jornal da escola e ainda conseguir falar em público com tamanha confiança. Karin estava com seus cabelos loiros presos em um coque, usava um cachecol mesmo não estando fazendo frio, na verdade era comum Karin usar cachecol ou algo do tipo, um óculos quadrado e preto cobria seus olhos negros. Sempre tentei ser amiga de Karin, desde o primeiro ano sentia muita admiração, mas acho que ela mal deve saber da minha existência, assim como todo mundo na escola, meu único amigo aqui é meu irmão, e nem sempre ele está comigo, já que ele também tem os amigos dele.

- Como? - A diretora parecia irritada ou surpresa por desafiarem sua autoridade.

- Depois de ficarmos confinados nessa escola e nessa ilha por seis anos, agora ainda corremos o risco de não formar? - Karin deveria estar irritada, mas falava cada palavra com calmaria demonstrando sua inteligência - E como isso vai funcionar?

- Vocês terão aulas normais, e de vez em quando será realizado competições em que vocês vão acumular pontos, serão competições desde a shows de talentos a duelos, essas competições valeram pontos, ao final do ano a sala com mais pontos forma, as demais irão reprovar automaticamente. Karin anotava algo em seu caderninho, certeza que essa conversa ia parar no blog dela, e no jornal da escola, que basicamente era um resumo do blog dela.

e não era nada mais que um resumo das notícias mais acessadas, mas toda a fofoca em tempo real e atualizada era no blog da Karin.

- E como a senhora spera que recebemos o conteúdo necessário do sexto ano? - Karin olhou nos olhos da Diretora e voltou a anotar algo.

- Fico feliz que tenha perguntado - A diretora tinha um ar provocativo, algo me diz que ela não gostava de ninguém ali - Mas a verdade é que vocês já estão destinados a isso desde que entraram na escola, estão recebendo conhecimento extra desde o primeiro ano, esse ano vocês receberam apenas um treinamento especial.

- "treinamento especial?" - Karin fez aspas com uma das mãos.

- Sem mais perguntas, senhorita Flora - A diretora se virou para sair, mas deu meia volta - Eu me lembro da sua ficha estava escrito "Futriqueira" então imagino que essa conversa vá parar no jornal da escola, certo?

- É claro, espero que isso não seja um problema - Karin disse falsamente, já que ela preferiria que a notícia fosse um problema - E eu prefiro o termo "bem informada".

- Problema nenhum, Karin - Calissa pronunciou cada palavra com calma - Senhorita Starlight seja muito bem vinda a escola Keiko, espero que seu ano letivo seja... - Calissa fez uma pausa enquanto juntava as mãos - Agradável...

Eu estremeci com as palavras da diretora Calissa, estava preocupada com meu irmão e agora corríamos risco de nem ser da mesma sala, eu não vou saber lidar com uma sala sem meu irmão, simplesmente não vou conseguir sem meu irmão.

** Narração de Clarisse**

- Dispensados - Aquele pinguim ambulante que se acha diretora falou com um tom seco e todos levantaram de suas cadeiras e foram em direção à porta.

Eu me levantei e pude sentir todos os olhares em mim, passei a mão pela minha saia para deixar tudo Okay, passei pela porta e comecei a olhar para os corredores, o que eu tenho que fazer agora?

- Senhorita Starlight - Uma voz feminina me chamava, quando me virei vi que era daquela moça que estava ao lado da diretora, permaneci no mesmo lugar e ela veio ate mim. Odeio que me chamem pelo sobrenome, me faz lembrar a minha mãe...

- Eu sou Alyssa Wright, sou coordenadora e disciplinaria - Ela se apresentou formalmente - Seja muito bem vinda, é uma honra ter uma Starlight em nossa escola. Começou...

Se falar algum feito da minha família eu vou te deixar falando sozinha.

- Pode me acompanhar, por favor? - Ela continuava mantendo o tom formal. Eu assenti com a cabeça e começamos a andar pelos corredores, a escola era toda trabalhada em mármore, vidro e alguns detalhes de cristais, deixando tudo em um tom branco e azul, a escola era enorme e incrivelmente silenciosa, acho que isso se dava ao fato de serem pouquíssimos alunos. Chegamos ao final do corredor e Alyssa parou e se virou para mim.

- Esses são os banheiros desse andar, estamos no segundo andar, sua sala de aula fica no ultimo. - Alyssa tinha um tom de voz doce, ela parecia ser uma boa pessoa - Vou te mostrar o campus pelas vidraças.

Fomos andando um pouco mais ate chegar as escadarias, era um salão redondo com uma escadaria nas paredes, entre as escadas tinha uma enorme janela de vidro, ela quase chegava a altura do teto. Alyssa foi ate a janela e eu fiquei ao seu lado e pude ver todo o campus, era enorme, não tive tempo de reparar por estar atrasada, mas o campus era maior que o maior dos shopping, tinha uma enorme fonte esguichando jatos de água continuamente, era coberto de uma grama perfeitamente aparada, tinha algumas arvores e jardins, sua calçada era trabalhada em pedras lisas que mantinham o mesmo nivelamento, basicamente o campus parece uma praça gigante.

- Aqueles são os dormitórios - Alyssa chamou minha atenção para dois prédios em lados opostos - O prédio leste é o feminino, e o oeste Masculino.

Pera eles separam as garotos em um prédio diferente? Aff que clichê.

- O primeiro andar é bem parecido com esse, porem as salas não são de aula, são cantina, secretaria... Diretoria - ela mantinha o sorriso quando falava - Se quiser eu te mostro. Diretoria?

Não obrigada...

Eu estava preste a dizer que não precisava quando um vulto branco veio correndo e me abraçou, eu quase desequilibrei, era uma garota ela tinha longos cabelos cacheados e brancos, perfeitamente brancos, era como olhar diretamente para a neve. Ela me soltou e me encarou com um sorriso radiante, ela tinha olhos cinza bem claros, quase brancos.

- Desculpa a pergunta - Eu disse tentando não parecer indelicada - Mas eu te conheço?

- Não - A garota disse de maneira rápida e crua que ate me surpreendi, mas mantendo o sorriso

- Meu nome é Flitter Fire, seja muuuuito bem vinda a nossa escola, qual seu nome?

Eu abri a boca pra falar e fui rapidamente interrompida.

- Eu to brincando, bobinha - Ela tinha uma voz elétrica e voltando a me abraçar - Eu sei o seu nome eu ate escrevi no seu convite, inclusive esse aqui é seu. Ela me entregou um cartão branco, bordado por letras laranja com detalhes na borda lilás, nele tinha escrito: "Red party As 19:00 horas no 28 – leste Boas vindas da Clarisse Starlight Prato principal: arco-íris e vodka"

- Você gostou do convite? - Ela perguntou ao perceber que eu terminei de ler - Eu fiz pra combinarem com seus cabelos e olhos.

Olhei de novo para o convite e para as pontas do meu cabelo e percebi que eles tinham exatamente o mesmo tom.

- É fofinho - Assim que disse essas palavras ela começou a saltitar feliz - Mas um tanto psicopata, você sabia que eu vinha?

- Não - A mesma negação rápida e direta de antes - Eu comecei a planejar sua festa de ultima hora.

Eficiente... Botei fé

- Flitter. - Alyssa chamou de uma maneira doce, tinha até me esquecido que ela estava lá - Eu estava mostrando a escola pra Clarisse.

Ah ela parou de me chamar pelo sobrenome.

- Up - Flitter deu vários pulinhos sem sair do lugar - Eu posso fazer isso.

Flitter me pegou pelo pulso e saiu me puxando pelas escadas ela era muito rápida eu fiquei tonta ao olhar para os meus pés em uma tentativa de não tropeçar.

- Flitter Fire - Alyssa gritou fazendo Flitter descer as escadas em uma velocidade quase normal. - Eu tenho que entregar umas coisas a Clarisse.

- E porque não fez isso antes de eu começar a correr? - Flitter perguntou com um sorriso, acho que ela não estava sendo sarcástica. Alyssa ignorou o comentário de Flitter e começou a procurar coisas dentro da sua pasta preta de couro, enquanto ela procurava eu tentava recuperar meu fôlego, não sou acostumada a correr, ainda mais nessa velocidade.

- Aqui está a chave do seu quarto - Ela me entregou uma chave dourada estava um pouco enferrujada nela tinha preso uma plaquinha de plástico escrito "25 – leste" - E a do seu armário, mas a diretora não sabia qual era a chave do cadeado dele então você vai ter que testar todas as chaves. Que merda é essa? Ela me entregou uma argola de ferro com umas cinquenta chaves tinha um papel escrito 15E... Diretora vagabunda.

Flitter já estava agarrando meu pulso quando Alyssa disse:

- Quase me esqueci - Alyssa me entregou um papel quadrado e pequeno.

- O que é isso? - Perguntei virando o papel.

- É uma notificação de atraso - Ela disse com um sorriso no rosto e pude ouvir risadas abafadas da Flitter, ela passou uma prancheta para mim com um papel parecido com o que eu recebi

- Você precisa assinar para comprovar que recebeu a notificação. Eu revirei os olhos e assinei com a caneta presa na prancheta.

- Flitter, fale pra ela sobre as normas da escola - Alyssa deu um sorriso doce - Ate logo meninas.

Flitter pegou meu pulso e começou a me puxar novamente, ela diminuiu o ritmo, mas ainda estava difícil não tropeçar, rapidamente subimos as escadas e fomos parar em um corredor cheio de armários azuis, tinham alguns alunos nele.

- Esse é andar do terceiro e quarto ano - Flitter não estava nem um pouco ofegante pela corrida - E esses são Adam... Karolyn... Charlie - Flitter falava mais dúzias de nomes que eu com certeza não vou lembrar, estava ocupada de mais tentando recuperar meu fôlego, ela ia ate as pessoas sorrindo e entregava convite da minha suposta festa.

Depois ela veio ate mim e me pegou pelo pulso e começamos a corrida de novo, Flitter cumprimentava todo mundo que encontrava no caminho, sabendo o nome de todo mundo, mas o mais estranho era que ninguém achava entranho estarmos correndo como se estivéssemos em um tiroteio.

Rapidamente estávamos no quarto andar, nesse andar a vidraça ficava no lado oposto, então a vista deveria ser da parte de trás da escola, eu andei ate a vidraça e me surpreendi lá em baixo tinha um estacionamento, uma quadra enorme e simplesmente a maior piscina que eu já tinha visto, era ainda maior que a piscina da casa de campo da minha família.

- Porque uma piscina tão grande? - Perguntei para Flitter.

- As Sereias e Náiade frequentemente tem treinamento nela - Flitter fez uma pausa - O resto da escola raramente tem aulas nela.

Olhei novamente para a vista, mas especificamente para o limite da escola, daquele lado só dava para ver as florestas um pouco do mar, mas se a janela ficasse no mesmo lugar que a outra daria pra ver a cidade...

Eu sempre morei aqui, em Andrômeda, depois do ano passado tudo mudou... Quando minha mãe se foi, não consegui morar com minha avó, ela era um pouco "controladora", fui morar na Califórnia, não sei a onde meu irmão foi morar e minha avó foi morar com as outras pessoas do nosso clã.

- Clarisse, ta tudo bem? - Flitter perguntou pondo a mão no meu ombro. Acho que deixei transparecer que fiquei abalada.

- Sim, ta tudo bem - Tentei me reconstituir e olhei para meu reflexo no vidro - Não, não ta, olha o meu cabelo.

- Deve ter sido a corrida - Flitter disse rindo - Eu te levo no banheiro. Flitter agarrou meu pulso e começou a me puxar, eu fiz força e puxei de leve a mão dela.

- Dessa vez eu te puxo, ta bom?

Flitter assentiu com a cabeça e eu peguei seu pulso fui puxando-a e andando em um ritmo normal, não tão rápido como antes chegamos ao banheiro, ele estava vazio, perfeitamente limpo, dava pra sentir o cheiro agradável de desinfetante, fomos até bancada de granito tinha umas quatro pias redondas na mesma bancada. Flitter se sentou na bancada e dei minha bolsa pra ela segurar, olhei para ela antes de olhar no espelho, ela estava mexendo no celular.

Olhei para o meu reflexo e tive uma surpresa nada agradável, não era só o meu cabelo que estava horrível, meu rosto tinha suado derretendo meu rimel, mais linda impossível. Lavei meu rosto na pia tentando tirar ao máximo todo o resíduo de maquiagem.

- Flitter - Chamei-a com os olhos ainda fechados - Pega uma toalhinha na minha bolsa. Ela me entregou a toalhinha e sequei meu rosto, em seguida peguei minha bolsa e procurei pela escova de cabelo. Desembaracei cada fio do meu cabelo ate ele estar perfeitamente penteado. Olhei para Flitter e ela estava me encarando.

- Que foi? - Perguntei guardando a escova na bolsa.

- Seu cabelo e tão alaranjado - Ela disse deslizando a mão pelo meu cabelo. Ignorei os comentários da Flitter e fiz uma maquiagem leve, olhei para o espelho, satisfeita com meu trabalho, Flitter me aplaudiu então acho que ficou bom.

- Olha só, você ta no blog da Karin - Flitter colocou o celular próximo ao me rosto, o titulo da matéria era "Um novo rosto no sexto ano" e tinha uma foto minha de quando entrei no auditório, onde que essa garota arranjou tempo pra tirar foto de mim?

- Quem é Karin?

- Ela é do sexto ano, chefe do jornal da escola, e esse é o blog dela, depois te mando o link. Revirei os olhos, pelo menos sai maravilhosa na foto.

- Olha, ela ta divulgando sua festa - Ela colocou o celular de novo na minha cara. Ignorei e comecei a guardar minhas maquiagens na bolsa, sem querer deixei a chave do meu quarto cair, Flitter saiu da bancada e foi pegar a chave, ela analisou a plaquinha na chave.

- Uau, quarto 25 - Ela parecia admirada - É que quando o prédio Leste foi construído fizeram um quarto do tamanho de um apartamento pequeno, é simplesmente o melhor quarto, mas nunca colocaram ninguém naquele quarto, você deve ser mesmo influente. Mas se o quarto tiver no mesmo estado que essa chave você ta numa roubada.

Ela esticou a chave para mim e eu peguei-a enquanto Flitter segurava a plaquinha, olhei para chave enferrujada e me concentrei no ferrugem, como se eu tivesse controle sobre a chave, senti como se ela fizesse parte de mim, uma áurea lilás envolveu a chave e todo o ferrugem foi derretendo e desintegrando, quando a áurea lilás saiu da chave a mesma tinha um tom dourado reluzente, como se tivesse acabado de ser comprada.

Os olhos de Flitter se encantaram como os de uma criança vendo uma casa de doce.

- Faz de novo? - Ela tirou uma pulseira do seu pulso e estendeu-a pra mim - Com isso, agora. Eu peguei a pulseira e analisei, não dava nem pra ver se era de prata ou o que, tinha mais ferrugem do que pulseira. Tem terra seca nisso? - Mas isso aqui ta num estado deplorável, querida - Eu olhei mais uma vez pra pulseira - Isso é sangue seco?

- Talvez, pelo menos tenta.

Soltei um suspiro, e coloquei a pulseira na minha palma e cobri com a outra mão, fechei meus olhos para ajudar a me concentrar e tentei sentir a pulseira como parte de mim, tentei buscar imagens de quando ela era ainda bonita. Meio difícil nesse estado se me perguntar. Quando retirei minha mão da pulseira ela estava com um brilho prateado perfeito, entreguei para Flitter ela estava mais animada que o normal, sua pupila tinha dilatado.

- Você é muito mágica - Ela disse animada abotoando a pulseira no seu pulso - Você é tão mágica quanto a Karin, não a Karin é ilusionista, você é Tipo a Raya, mas a Raya levita pedras. Você levita pedra?

- Depende da pedra, já joguei um piano na minha avó. Isso deve contar né?

Flitter riu - Eu tenho que ir mostrar para todo mundo. O que é você? A pergunta de Flitter foi meio vaga, e me fez refletir.

- Descendente de unicórnio.

Capítulo 3 II. Bem-vindos a escola Keiko parte 2

**Narração de Clarisse**

Flitter saiu correndo rápida como uma lebre, eu me diverti com a comparação, peguei minha bolsa e sai do banheiro.

Um sinal tocou, olhei as horas no meu celular e era 10:30, até que as horas passaram rápido com a Flitter e era estranho o silencio, já que ela não parava de falar. Fui até os armários e procurei um que tinha uma marcação escrita 15E, encontrei e percebi que ele era um pouco mais largo que os outros armários, e a diretora disse que eu não teria benefícios por ser uma Starlight.

Peguei a argola de chaves e imediatamente me senti contrariada. Já estava na décima chave e já queria morrer eu tinha que ir pra aula e ainda nem sabia qual era minha sala.

- A coruja de saia não foi com a sua cara mesmo - Uma voz feminina disse próximo a mim.

Olhei para a minha direita para ver uma garota de cabelos lisos e tingidos de vermelho sangue, ela tinha olhos tão negros que eu não conseguia ver a diferença entre íris e pupila, ela vestia um jeans rasgado, uma blusa cinza, uma jaqueta de couro preta e botas de couro que pareciam ter a minha idade.

- É uma vaca - Deixei escapar irritada.

- Não é melhor quebrar o cadeado e depois comprar outro? - Ela sugeriu apontando para o cadeado.

- Como eu vou quebrar isso? - Eu ate tinha um cadeado na minha bolsa.

A garota veio ate meu armário me fazendo recuar um pouco, ela pegou o ferro do cadeado com uma mão e a base com a outra puxou delicadamente ele se quebrou como se fosse feito de papel, ela colocou o cadeado quebrado na minha mão e foi até seu armário que era do meu lado e pegou um caderno.

- Obrigada... Éee - Eu agradeci e nem perguntei nome dela

- Raya LaRu - Ela deu um sorriso seco - Por nada.

Eu fui tentar abrir meu armário, mas a porta tava agarrada, Raya deu um riso e puxou a porta para mim fazendo um barulho alto. O armário tinha quatro prateleiras muito bem empoeiradas, passei a minha tolha pra limpa-lo, eu vou ter que lavar essa toalha depois, coloquei algumas maquiagens que pretendia deixar ai, alguns livros que tinham recebido, peguei minha bolsa no armário, meu fichário e o cadeado que tinha trago, fechei a porta e coloquei o cadeado, ele era de senha, ou seja nada de chave. Estava quase saindo quando um garoto chegou passando o braço no ombro da Raya, ele tinha cabelos castanho claro e olhos azuis delicados, usava roupas rasgadas mais ou menos no estilo das roubas da Raya, em seu rosto tinha um sorriso safado.

- Oi, minha princesa - Ele disse e tentou dar um beijo na bochecha dela, mas ela pegou o braço que ele colocou nela e apertou até ele cambalear e se afastar dela.

- Você é muito bruta.

- Não, eu só não gosto de você mesmo - Ela disse com uma cara de nojo. Ele ignorou o comentário dela e focou seus olhos em mim, aquele mesmo sorriso voltou a estampar seu rosto.

- Oi, novata. Eu me chamo Castiel Mabberton - Ele pegou a minha mão e encostou em seus lábios. Achei um tanto incomum, até que senti seus dentes roçando na minha mão, eu retirei-a rapidamente por impulso, por algum motivo os dentes dele me causaram uma sensação incrivelmente desconfortável.

- Calma, princesa, eu não mordo - Ele se aproximou de mim rapidamente e passou a mão pela minha cintura, seus lábios estavam perto do meu ouvido - Só se você pedir.

Eu gelei, minha vontade era de arremessar ele pra bem longe de mim, tudo nele me causava sensação de perigo. Senti-me aliviada quando Raya colocou a mão no ombro dele e o jogou no chão.

- Idiota - Ela disse e deu um chute na região da costela dele, deu pra ver a cad de dor em seu rosto, cheguei a quase ficar com pena quando me lembrei do que ela fez com o cadeado, quase.

- Vem Clarisse. Raya saiu andando e eu a segui, depois de ter visto suas demonstrações de força não ia querer que ela precisasse me puxar.

Depois Raya se separou de mim e eu fui procurar minha sala, tinham três salas pra olhar, as listas estavam do lado da porta, eu fiquei na sala 4 junto com Flitter e a Raya, entrei na sala já esperando vários olhares o que não aconteceu. Tinham apenas três pessoas na sala, um garoto que estava dormindo na mesa, um que tava com cara de que ia matar todos os humanos e aquela garota que estava me encarando no auditório. A sala possuía duas fileiras com cindo mesas, me sentei atrás da garota e do lado do psicopata, admito ele era bonito, tinha cabelos negros, olhos verde esmeralda e uma barba por fazer, usava um jeans escuro e uma blusa de mangas longas cinza. Acho que meus olhares foram percebidos, seus olhos verde estava me encarando como se ele fosse me matar, me recusei a desviar o olhar e dei um leve sorriso, ele fechou a cara e voltou a olhar para frete. Que moço simpático... Percebi que a garota de cabelos negros estava meio inquieta, resolvi tentar ser legal.

- Você está bem? - Perguntei e ela olhou pra mim e se escondeu em seu cabelo, mas pude perceber que ela tinha olhos da cor do Castiel.- Seu cabelo é lindo.

- O-obrigada - O tom de voz dela era extremamente baixo, se a sala não estivesse vazia seria difícil ouvir.

- Era você que estava me olhando no auditório né? - Eu falei com um tom de brincadeira. - Desculpa

- Ela se virou pra mim, ainda parecia tímida. Ficamos um tempo nos olhando em um silencio desconfortável, ate que resolvi me apresentar. - Meu nome é Clarisse Starlight. A garota continuava em silencio... - Qual o seu? - Eu já estava me arrependendo de ter conversado com ela.

- Chrysalis Mabberton - A voz dela parecia ter ficado mais confiante.

- Você é irmã do Castiel?

- Você viu meu irmão? Como ele estava?

- A Raya deve ter quebrado algumas costelas dele...

- Ah, só um dia normal na escola Keiko.

Soltei uma leve gargalhada e percebi que a sala já estava cheia e Flitter e Raya estavam próximas de mim. Uma mulher de aproximadamente uns 26 anos entrou na sala, ela tinha cabelos castanhos escuros e cacheados, colocou suas coisas na mesa e foi até o centro da sala.

- Bom dia - Ela tinha uma voz suave a agradável - Eu sou Clara Mendes e eu vou ser a professora principal dessa turma.

Clara explicou que daria aulas teóricas para a turma toda nos primeiros horários, mas que o restante dos horários seria definido de acordo com o "tipo" do aluno.

- Eu gostaria que cada um de você viesse aqui na frente e falassem um pouco de vocês - Clara tentava olhar nos olhos de cada um enquanto falava - E uma demonstração de quem vocês são...

Apesar de ser uma escola para descendentes, ainda é uma escola, apresentações clichê.

- Então quem vem primeiro? - Clara falava com tanto animo que parecia anunciar um premio - Alguém?

- Começa por mim - Flitter ficou de pé animada. - Por favor!!!

Clara apenas assentiu com a cabeça e Flitter foi até a frente da turma, enquanto a professora sentou-se em sua mesa.

- Meu nome é Flitter Fire - Ela falava animada como sempre - E eu vou dar uma festa de boas vindas para Clarisse e ta todo mundo convidado.

Flitter já estava indo para o seu lugar quando a professora indagou:

- Flitter, ficou faltando sua demonstração de poder.

- Verdade, verdadeira - Flitter sorriu e deu uma corrida incrivelmente rápida pela sala - Sou descendente de Lobisomem!!!

Flitter rapidamente estava em seu lugar, pelo jeito ela era ainda mais rápida do que me mostrara. Clara escolheu a próxima a se apresentar, uma garota loira... Sua áurea imediatamente me deu repulsa... Fada!

- Karin Flora - A garota ajeitou seus óculos no rosto - Eu sou chefe do jornal da escola, e uma descendente de fada.

Quando eu olhei em volta o ambiente havia mudado, estávamos em uma floresta aberta, os detalhes estavam bons, dava para ouvir a floresta, até o cheiro estava lá para tentar te convencer, no entanto não passava de uma ilusão barata. Karin sorriu diante a surpresa de todos e o ambiente voltou a ser escolar.

- Incrível - Clara disse sorrindo - Pode se sentar, Karin. Sou obrigada a fazer melhor que essa fadinha.

A bola da vez era Castiel, ele foi à frente da turma com o mesmo sorriso sínico.

- Sou Castiel Mabberton - Sua voz era rouca e por algum motivo me causava arrepios - Sou descendente de vampiro.

Agora entendi porque ele me assusta, vampiros tiveram uma queda em caçar unicórnios por nosso sangue ter mais "força vital". Não prestei atenção no que o Castiel fez, mas acho que foi uma demonstração de força. O próximo a ser escolhido foi o garoto miss simpatia.

- Axel Hayes - Sem falar mais nada ele colocou sua mão direita voltada para baixo e uma areia negra começou a escorrer dela, essa areia me causou sentimentos de medo, ela assumiu forma de um pequeno furacão que logo se dissipou, a areia parecia entrar novamente em sua pele, após toda a areia sumir ele foi andando lentamente até seu lugar.

- Nossa - Clara disse parecia admirada - Há muito tempo não vejo um desentende de anjo caído. Parece que eles não são de ter filhos.

- Deve ter um bom motivo para isso - Ele sussurrou em seu lugar, duvido que alguém além de mim ouviu.

O lado bom de ser eu e que eu tenho uma espécie de extinto, ele me diz coisas, como fique longe do perigo, tento ao máximo ouvi-lo, e quando me sinto ameaçada parece que isso é respondido de uma maneira mágica. Por exemplo, meus instintos me avisaram sobre a fadinha, sobre o perigo do Castiel, mas ainda não entendi o que eles querem dizer sobre o Axel, eu sei que ele parece atrativo, porem não são meus instintos que dizem isso.

Clara escolheu para ir à frente Raya, ela levantou uma mesa com a mão e disse ser descendente de golem. O próximo era um garoto de cabelos loiros angelicais e olhos azuis, ele vestia roupas elegantes, e as cores favoreciam a cor de seus cabelos, ele disse se chamar Dmitri Armando ele fez basicamente o mesmo que o Axel, porém sua areia tinha um tom de dourado brilhante e ele a usou para dar voltas em torno de si mesmo, logo em seguida disse ser descendente de anjo.

- Exibido - Ouvi Raya sussurrar com uma voz de repulsa.

O próximo garoto tinha cabelo castanho claro e olhos quase da mesma cor, disse se chamar Henrique Wright – O mesmo sobrenome que a Alyssa – e ser descendente de fada, ele fez um truque de ilusionismo menos grandioso que o da Karin. Essas fadinhas tão achando que são gente... Clara me escolheu para ir à frente, eu já tinha em mente o que ia fazer, e tem que ser melhor que essas fadas.

- Sou Clarisse Starlight - Eu disse tentando incorporar a superioridade que meu nome deveria trazer - Sou descendente de unicórnio. Virei-me para a parede da esquerda onde ficava a porta, acontece que a magia que eu escolhi é bem mais difícil do que tirar ferrugem de chaves, eu queria concentrar um raio mágico para destruir a parede, mas agora que eu estava estudando ela era de um concreto mais grosso do que as coisas que minha avó me fazia destruir, mas eu ia tentar.

- Quando quiser, docinho - Clara disse gentilmente visto a minha demora em fazer algo. Estendi minha mão direita rumo à parede, raios mágicos são liberação pura de magia, é a forma mais simples, porem esgota suas forças bem fácil, já que se trata de magia pura. Concentrei em minha mão, senti a magia fluindo do meu corpo e iluminando a sala com um brilho da cor dos meus olhos, o raio mágico estava sendo concentrado em uma forma esférica próximo a minha mão, quando eu liberei um raio lilás e luminoso foi em direção a parede fazendo um barulho e liberando pó de concreto. Quando a poeira baixou eu vi que não destruí a parede por completo, mas o enorme buraco que eu fiz era o suficiente para impressionar a todos.

- Ótimo, põe a escola abaixo - Karin disse, parecia irritada, ou com inveja. Ignorei seu comentário e fui para a segunda parte do meu showzinho, me concentrei nos estilhaços de concreto, senti cada pedacinho deles, como um quebra cabeça, onde eu sabia prontamente aonde ia cada pedaço. Uma áurea lilás os envolveu fazendo se levitarem até a ruptura na parede, assumindo seus devidos lugares que pertenciam, após alguns segundos a parede estava intacta, como se nada tivesse acontecido. Virei-me para a sala com cuidado para não cair, não estou acostumada a usar tanta magia.

- Não tem com o que se preocupar, Karin - Minha voz tinha um tom de arrogância que devo ter aprendido com minha avó - Minha magia vai além de ilusionismo barato.

- Para alguém que nem se quer é realmente descendente de alguma coisa você se acha de mais, não? - Karin tinha um sorriso de deboche. - Do que você tá falando? - Perguntei irritada. - Vocês ficam se achando com esses brilhos e raios, mas nenhum de vocês é realmente filho de um unicórnio, diferente dos demais descendentes a magia de vocês fica mais forte a cada geração, vocês não passam de sanguessugas de magia.

Clara tentou dizer alguma coisa mais eu a interrompi rapidamente:

- Sanguessuga de magia é a sua espécie - Acusei irritada e com um tom de voz alto e rude. - Se você não são sanguessugas, diz ai como conseguiram a magia dos unicórnios?

Olhei para baixo irritada, eu podia sentir meus cabelos se movimentando, minha magia estava saindo do controle, disparei um raio mágico em direção a Karin sem precisar catalisar, não pude ver direito mais alguém entrou na frente, mas eu não sentia o raio depois que entrava em contato com esse alguém, era como se ele estivesse absorvendo, bom se é isso que você quer, é isso que vai ter. Aumentei a potencia do raio, eu sentia toda a magia saindo de mim em uma velocidade sobre humana, é como se ele estivesse sendo catalisado dentro de mim, eu pude sentir que a pessoa que estava absorvendo meu raio estava absorvendo mais lentamente, em segundos eu conseguiria atingir ele e a Karin.

Pera, o que eu to fazendo? Ouvi uma melodia, ela estava sendo cantada por uma voz doce e suave, a musica me acalmava me fazia sentir como se tudo estivesse bem, como se o sentido de tudo estivesse ali, aos poucos diminui meu ritmo liberando magia, senti uma mão segurando a minha mão que não estava ocupada disparando um raio para matar duas pessoas que não tinham feito nada. Quando parei de disparar raio percebi que não tinha mais magia nem pra entortar uma colher, Chrysalis estava segurando minha mão, pelo jeito foi ela que me acalmou com seu canto. Olhei desesperadamente para Karin e para o garoto que a salvou rezando para que eles estivessem bem, fora alguns danos na roupa do garoto estava tudo bem, foquei meu olhar no garoto ele possuía cabelos cinza escuro e olhos dourados, sua áurea era calma, e eu agradeci por ele existir graças a ele eu não sou uma assassina.

- Clarisse, sente-se - Clara ordenou, sua voz parecia chocada e um pouco surpresa - Isso foi impressionante, é uma honra ter alguém da sua família conosco.

Eu sorri para ela pensando melhor até onde meu ódio tinha me levado, tudo bem que eu odeio fadas mais que qualquer coisa, mas é como se minha magia também a odiasse e tivesse me ajudando a matar.

- Ela tentou me matar e é só isso que você diz? - Karin disse irritada, eu pude notar lagrimas em seus olhos. Clara ignorou Karin e focou seu olhar no garoto que tinha salvado a vida de Karin e em Chrysalis.

- Qual nome de vocês? - Ela questionou ainda em choque.

- Ravage Yggi - Ele tinha uma voz tão calma que parecia não ter acontecido nada.

- Chrysalis Mabberton. - Ela tinha a voz meiga e tímida de sempre.

- Descendente de sereia e de dragão? - Ela perguntou, mas parecia mais uma afirmação provando realmente estar apta para o cargo. - Podem se sentar, chega de demonstrações de poder por hoje.

- Bom trabalho, novata - Raya disse pra mim, mas sua voz não tinha uma gota de sarcasmo - Mas da próxima tenta acertar o alvo por obsequio.

Não pude deixar de sorrir, a Raya deve ser a melhor/pior pessoa que eu já conheci. No restante da aula eu acabei perdendo a consciência, acho que gastei um pouco a mais do que deveria de magia. Clara não me repreendeu nem nada do tipo, acho que ela sabe que eu estava exausta. Tenho que fazer algumas coisas quando a aula acabar, agradecer a Chrysalis e o Ravage, e pedir desculpas para a Karin.

Não deixa pra lá, melhor só agradecer mesmo. Distrai-me com meus pensamentos até cair no sono e acordar com o sinal indicando que as aulas tinham encerrado. Peguei minha bolsa – não tirei nada dela, verdade nem sabia o que tinha acontecido na aula – e fui atrás de Chrysalis e Ravage.

Não achei Ravage e tive que corre atrás da Chrysalis, ela sorriu e perguntou se eu estava me sentindo bem.

- Estou sim. - Devolvi o sorriso - Éee... Obrigada por ter me acalmado, você tem uma voz muito doce.

Ela olhou para baixo e corou um pouco, acho que ela realmente é bem tímida.

- Não tem de que - Seu tom de voz era baixo e delicado, ela olhou para baixo de novo. - Você quer ajuda para achar seu quarto?

- Awn, seria ótimo. - Menti, nem precisava de ajuda, mas queria ficar um pouco com ela. Descemos a escada e encontramos com Raya que falou "Da próxima vê se acerta" ou algo do tipo. Chrysalis e eu fomos conversando durante todo o caminho, já estava quase acostumando com seu tom de voz baixo quando chegamos ao prédio, ele tinha estrutura firme e com vários apartamentos em cada andar, pegamos um elevador e fomos até o terceiro andar.

- Qual seu quarto, Chrys? - Perguntei

- Chrys? - Ela disse sorrindo - fica no quarto andar, quarto 31.

O corredor era bem iluminado, e o piso era de granito escuro, as portas tinham um padrão linear, e eram de madeira entalhada com fadas, sereias, entre outros, imagino que sejam entalhados de acordo com o dono do quarto. Chegamos ao quarto 25, o numero estava em forma de metal acima da porta, olhei para ela e estava entalhado um lindo unicórnio, passei minha mão sentindo seu chifre, eu tinha amado a porta, me lembrava da minha mãe.

- Estou curiosa para ver como o quarto 25 é - Chrys disse me acordando dos meus pensamentos.

Destranquei a porta com a chave e abri a porta bem devagar, logo me surpreendi com o interior. - Que merda é essa?

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022