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Justiça Distorcida

Justiça Distorcida

Autor:: Bantang Kafei
Gênero: Fantasia
Na nossa cidade, o sobrenome Silva sempre foi sinônimo de poder e mistério. Eles casavam seus herdeiros doentes com noivas "de sorte" para transferir vitalidade. Mas minha irmã Clara, a primeira dessas noivas, foi encontrada morta no dia seguinte ao casamento, seu corpo irreconhecível, como se toda a vida tivesse sido sugada. Oito anos se passaram, e oito outras noivas de Pedro Silva tiveram o mesmo destino macabro, enquanto ele, milagrosamente, ficava cada vez mais forte e saudável. A cidade, aterrorizada, chamou-o de monstro, sussurrando sua lenda urbana. Ninguém parecia capaz de deter a família Silva. Eles abafaram os casos, as autópsias eram inconclusivas, e até meu próprio pai, um médico respeitado na cidade, que arranjou o casamento da Clara, manteve um silêncio assustador sobre isso. Eu implorei por respostas, mas ele me ignorava, me afastando da verdade. Eu não entendia por que ninguém ousava enfrentar os Silva, por que meu pai, que deveria me proteger, parecia tão ausente. Por que as mortes continuavam impunemente? Quando os Silva procuraram a nona noiva, a cidade inteira me chamou de louca por me apresentar. Eles não sabiam que a primeira vítima, Clara, era minha própria irmã. Eu sou Sofia, e me ofereci para ser a próxima noiva. Não por sorte ou dinheiro, mas para desvendar a verdade e fazer justiça.

Introdução

Na nossa cidade, o sobrenome Silva sempre foi sinônimo de poder e mistério.

Eles casavam seus herdeiros doentes com noivas "de sorte" para transferir vitalidade.

Mas minha irmã Clara, a primeira dessas noivas, foi encontrada morta no dia seguinte ao casamento, seu corpo irreconhecível, como se toda a vida tivesse sido sugada.

Oito anos se passaram, e oito outras noivas de Pedro Silva tiveram o mesmo destino macabro, enquanto ele, milagrosamente, ficava cada vez mais forte e saudável.

A cidade, aterrorizada, chamou-o de monstro, sussurrando sua lenda urbana.

Ninguém parecia capaz de deter a família Silva.

Eles abafaram os casos, as autópsias eram inconclusivas, e até meu próprio pai, um médico respeitado na cidade, que arranjou o casamento da Clara, manteve um silêncio assustador sobre isso.

Eu implorei por respostas, mas ele me ignorava, me afastando da verdade.

Eu não entendia por que ninguém ousava enfrentar os Silva, por que meu pai, que deveria me proteger, parecia tão ausente.

Por que as mortes continuavam impunemente?

Quando os Silva procuraram a nona noiva, a cidade inteira me chamou de louca por me apresentar.

Eles não sabiam que a primeira vítima, Clara, era minha própria irmã.

Eu sou Sofia, e me ofereci para ser a próxima noiva.

Não por sorte ou dinheiro, mas para desvendar a verdade e fazer justiça.

Capítulo 1

Na nossa cidade, o nome Silva é sinônimo de poder, de dinheiro, mas também de um medo profundo que corre pelas ruas como um veneno.

Dizem que o herdeiro da família, Pedro Silva, é um gênio dos negócios, um homem que transforma tudo o que toca em ouro.

Mas sussurram também que ele é um monstro.

Um monstro que se alimenta da vida para sustentar a sua.

Pedro sempre foi uma criança doente, pálido, frágil, um sopro de vida que os médicos diziam que não passaria dos vinte anos.

A família Silva, com todo o seu poder, não podia comprar a saúde do filho.

Desesperados, eles arranjaram um casamento de "boa sorte" para ele.

Uma tradição antiga, bizarra, que dizia que o casamento com uma noiva jovem e saudável poderia trazer sorte e transferir vitalidade.

Eles precisavam de um herdeiro, e o tempo de Pedro estava se esgotando.

A primeira noiva foi escolhida.

Uma jovem linda, cheia de vida.

Na noite de núpcias, algo terrível aconteceu.

Ela foi encontrada morta no dia seguinte.

O corpo, diziam os poucos que viram, estava irreconhecível, desfigurado, como se toda a vida tivesse sido sugada dela, deixando para trás apenas uma casca seca e vazia.

A cidade ficou em choque, o horror se espalhou.

Mas um milagre aconteceu.

A saúde de Pedro Silva melhorou da noite para o dia.

Ele, que mal conseguia sair da cama, agora caminhava com vigor. A palidez doentia foi substituída por um brilho saudável no rosto.

A família Silva usou seu dinheiro e influência para abafar o caso.

A morte da noiva foi declarada um acidente trágico e infeliz, um mal súbito.

Ninguém foi punido.

Nos oito anos seguintes, a história se repetiu.

Oito vezes.

A cada ano, uma nova noiva de "boa sorte" era arranjada para Pedro.

E a cada ano, uma jovem morria na noite de núpcias.

Oito noivas mortas.

Nenhuma delas sobreviveu à primeira noite na mansão dos Silva.

E a cada morte, Pedro se tornava mais forte, mais saudável, mais poderoso.

Ele viveu além dos vinte anos, chegou aos vinte e oito, um homem robusto e imponente, a imagem da saúde perfeita.

A maldição, ou o milagre, continuava.

O boato se tornou uma lenda urbana macabra.

As pessoas diziam que Pedro não era um homem, mas um demônio que consumia a vida de suas esposas para se manter vivo.

Detetives de fora da cidade foram chamados.

Eles investigaram por meses, reviraram a mansão, interrogaram a família, os empregados, todos.

Não encontraram nada.

Nenhuma prova. Nenhuma pista. Nenhuma arma do crime.

As autópsias eram inconclusivas, apontando para causas naturais que ninguém conseguia explicar.

A cidade entrou em pânico.

O nome Silva se tornou um tabu.

As jovens solteiras fugiam da família como se fossem a própria praga.

Nenhum pai em sã consciência ofereceria sua filha para o monstro da mansão.

A fonte de "noivas da sorte" secou.

E então, para o choque de todos, quando a família Silva anunciou que procurava a nona noiva, alguém se apresentou.

Voluntariamente.

Essa pessoa era eu.

Sofia.

Eu me ofereci para ser a nona noiva de Pedro Silva.

A cidade inteira me chamou de louca. De tola. De gananciosa.

Eles não sabiam a verdade.

Eles não sabiam que a primeira noiva, a primeira vítima, cujo corpo foi encontrado desfigurado há oito anos...

Era a minha irmã.

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Capítulo 2

O nome dela era Clara.

Minha irmã.

Ela foi a primeira. A primeira noiva de "boa sorte" de Pedro Silva.

Eu me lembro dela, não como uma estatística ou a primeira de uma lista macabra, mas como ela realmente era.

Lembro do seu sorriso, que iluminava qualquer lugar.

Lembro da forma como ela cantava desafinadamente pela casa enquanto ajudava nosso pai.

Lembro da noite em que ela me contou que ia se casar com Pedro.

"Sofia, eu sei que parece estranho", ela disse, sentada na minha cama, os olhos brilhando de uma mistura de nervosismo e esperança.

"Mas a família Silva é muito boa. E o Pedro... ele é gentil. Ele só está doente. Papai disse que este casamento pode ajudar."

Ela acreditava naquilo.

Ela acreditava que seu amor e sua vitalidade poderiam, de alguma forma, curá-lo.

Ela acreditava na bondade, na sorte, no amor.

Nosso pai, o Dr. Ricardo Alves, um médico respeitado na cidade, foi quem arranjou tudo.

Ele nos garantiu que era uma boa oportunidade, que a família Silva era poderosa e poderia nos ajudar, que era apenas uma tradição para dar sorte.

Eu era jovem, mas senti um calafrio. Algo estava errado.

"Por que você, Clara?", perguntei.

"Porque eu sou saudável. E porque eu quero ajudar. E talvez... talvez eu possa ser feliz", ela respondeu, com uma inocência que hoje me parte o coração.

A última vez que a vi viva foi no dia do casamento.

Ela estava linda em seu vestido branco, mas havia uma sombra em seus olhos. Um medo que ela tentava esconder.

Na manhã seguinte, a notícia chegou.

Um "mal súbito".

Eu corri para a mansão dos Silva com meu pai.

Não me deixaram entrar no quarto.

Mas eu vi.

Vi quando tiraram o corpo dela, coberto por um lençol branco.

Vi a mancha escura no lençol.

E vi o estado em que ela estava.

Mesmo coberta, eu pude ver.

O braço que escapou do lençol por um segundo... não era o braço da minha irmã.

Era cinza, enrugado, como o de uma velha de cem anos.

A imagem se gravou na minha mente, um pesadelo que se recusa a desaparecer.

Eu gritei. Gritei até minha garganta ficar em carne viva.

Meu pai me segurou, me arrastou para fora, o rosto dele uma máscara de dor controlada.

"Sofia, se acalme! Por favor, se acalme!", ele implorava.

Mas eu não conseguia. Eu queria arrombar aquela porta, eu queria matar quem quer que tivesse feito aquilo com a minha irmã.

Naquela cena de horror, notei algo estranho.

Meu pai, um médico, o homem que deveria estar exigindo respostas, estava estranhamente quieto.

Ele olhava para o corpo da própria filha com uma dor terrível, mas também com... resignação.

Como se ele já esperasse por aquilo.

Ele não gritou. Ele não acusou. Ele apenas me segurou, me silenciou.

A investigação oficial foi uma farsa.

O laudo, assinado por um médico amigo dos Silva, dizia "parada cardíaca de causa indeterminada".

Caso encerrado.

A cidade sussurrou por algumas semanas e depois se calou, intimidada pelo poder dos Silva.

Mas eu não me calei.

Nos oito anos que se seguiram, enquanto outras sete garotas encontravam o mesmo destino, eu investiguei.

Sozinha.

Eu juntei recortes de jornais.

Anotei os nomes de cada noiva.

Tentei falar com as famílias, mas elas estavam aterrorizadas demais ou compradas pelo silêncio.

Toda vez que eu chegava perto de algo, meu pai intervinha.

"Sofia, pare com isso", ele dizia, a voz cansada. "Você está se machucando. Deixe a Clara descansar em paz."

"Descansar em paz? Ela foi assassinada, pai! E você sabe disso!", eu gritava.

"Não há provas. Foi uma tragédia. Aceite", ele respondia, virando as costas para mim.

Aquele muro entre nós cresceu a cada ano, a cada nova noiva morta.

Eu o amava, ele era meu pai, mas não conseguia mais confiar nele.

Ele estava escondendo algo.

Algo terrível.

Quando a oitava noiva morreu e os Silva anunciaram que precisavam de uma nona, eu soube o que tinha que fazer.

Se ninguém podia me dar a verdade, eu a arrancaria daquela casa.

Mesmo que custasse a minha vida.

Naquela noite, eu fui até o escritório do meu pai.

Ele estava sentado no escuro, um copo de uísque na mão.

"Pai", eu disse, minha voz firme. "Eu vou me candidatar para ser a próxima noiva de Pedro Silva."

Ele não se moveu. O copo em sua mão não tremeu.

O silêncio na sala era pesado, cheio de tudo o que não foi dito por oito anos.

Eu ia entrar na toca do lobo. E eu não sabia se meu próprio pai me ajudaria a sair de lá ou se ele era o único que fecharia a porta atrás de mim.

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