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Kendra - O Destino da Fênix

Kendra - O Destino da Fênix

Autor:: Maju Sadowski
Gênero: Fantasia
Após se levantarem dos destroços e se restabelecerem como podem, o povo de Rowena começa a ver a luz no fim do túnel ao conhecerem verdadeiras lendas vivas. Como nem tudo são flores, esses mesmos aliados trazem notícias que apenas confirmam o pior medo da Rainha. Vivendo diversas aventuras pelo reino, reviravoltas, descobertas e traições, Aidan e Rowena se provocam e não cedem ao sentimento: A rainha lançou a faca já sabendo que ia acertar (levemente) o alvo. "Ai Wena! Sou eu" - Aidan gritou. Ele leva a mão à bochecha, há sangue brotando ali. "Eu sei" - ronronou a rainha. Mal contendo o sorriso. "E atirou a adaga mesmo assim? Eu estou sangrando!" "Significa que está vivo, não é?" Em meio a essa trama, será possível que os dois possam finalmente se acertar? O que o destino reserva para eles? Descubra comigo, todas as respostas para essa trama em Kendra - O Destino da Fênix.

Capítulo 1 PARTE 1 - O REI

Querido leitor, saiba que o primeiro livro foi para introduzir e familiarizar vocês com o Reino de Kylanir, e de agora em diante, com poucas pausas para respirar... O Destino da Fênix!

ALERTA DE GATILHO: essa obra pode conter conteúdo sensível em relação a tortura e crueldade. Contém cenas de sexo e violência.

Me sigam no Instagram - @majusadowski - para ter acesso a conteúdos exclusivos e em primeira mão sobre nossas bruxinhas preferidas, e me conta... Qual sua classificação? Eu OBVIAMENTE seria a 13... Tá, ou a Celeste.

OBS: não esqueçam de avaliar, É MUITO IMPORTANTE PARA MIM!

CAPÍTULO 1 - Adaga

Lanço a faca já sabendo que não vou acertar meu alvo.

- Ai, Wena! Sou eu - Aidan sibila, a voz alarmada.

Ops.

Ou vou.

Ele leva a mão à bochecha, há sangue brotando ali.

- Eu sei - ronrono. Mal consigo conter o sorriso.

- E atirou a adaga mesmo assim? – Ele encara a própria mão, manchada com sangue. O cheiro almiscarado e picante me atrai de alguma forma. - Estou sangrando! - constata, indignado.

Minha risada ecoa na tenda. Baixa e melódica. E um pouco maléfica.

- Significa que está vivo, né?

- O quê? - questiona, franzindo as sobrancelhas.

- O que, o que, Aidan? - pergunto, já perdendo a paciência e o olhando por entre os cílios. Não tenho tempo para isso.

- O que tem a ver o sangue e estar... Ah...

Sorrio de novo, ele entendeu, afinal.

- Não é tão lerdo quanto pensei, principezinho.

- Para sangrar basta estar vivo, não é? - sua voz tem um toque de mágoa.

- Exatamente.

- Ainda não acredito que você fez isso – ele rosna, a mágoa dando lugar ao ressentimento. Cerro os olhos e o encaro.

- Não seja dramático. É o que acontece quando você entra na tenda de uma rainha sem ser convidado – novamente, ele parece se magoar diante de minhas palavras.

Não ligo. Ele me magoou primeiro. Que peça para sua noiva lamber as feridas. Diante de seu silêncio, questiono:

- E agora, o que quer? - minha voz soa impaciente.

Mas não é exatamente assim que me sinto. Estou... curiosa, e talvez um pouco saudosa. Eu sei, é contraditório. Mas não posso me dar ao luxo de me apegar ainda mais a ele ou nutrir falsas esperanças. Ele escondeu coisas de mim. Coisas muito importantes.

- Eu... É...

Somos interrompidos por Celeste. Que está linda como sempre. A roupa de couro colada ao corpo musculoso. Resultado do treinamento pesado que vem tendo com bruxas e homens. Seus cabelos estão trançados e bem presos à cabeça, revelando suas feições angulosas e as maçãs do rosto altas e salientes.

Antes essa bruxa era uma gostosa e cheia de curvas, agora é uma montanha de músculos. Das duas formas ela é de dar inveja. Mas seu rosto está um pouco pálido e sua expressão alarmada, o que é algo atípico dessa bruxa tempestuosa. Ela traz algo na mão.

- Majestade, você não... – ela para de súbito ao ver o Príncipe.

Ela desvia o olhar dele, e se dirige a mim:

- Preciso falar com você.

Estalo a língua.

- Parece que todos estão se sentindo no direito de invadir meus aposentos hoje – comento, mas não estou reclamando, gosto da movimentação.

- Me desculpa – ela abre um sorriso e solta o ar. – É muito importante.

- Certo – desvio o olhar para Kenom. – E então? O que você queria?

Ele pisca ao perceber que está sendo dispensado. Mas não pode me culpar por isso, nunca fez parte do meu conselho.

- Melhor deixar para um outra hora – ele diz. E começa a se retirar.

- Pensei que tivesse mandado ele de volta para o pai dele, Majestade – Celeste provoca e seguro o riso. Celeste, Celeste...

- Você fala demais – ele responde.

A expressão dela se torna letal e quando abre a boca para responder, corto:

- Ele insiste em ficar – respondo. – E acolho a todos.

- Escute sua rainha – Kenom faz menção de ser sarcástico.

Amo quando se alfinetam, mas não tenho tempo para isso, estou curiosa para saber o que há de tão importante.

- Principe, recomendo que não provoque minha general. E me faça um favor? Chame Lana, Misty e ... – sou tomada pela dor ao me lembrar que uma delas falta.

- Já entendi, suas meninas.

Ele se retira, mas antes:

- Ah e Kenom? - chamo.

Ele coloca a cabeça para dentro dos meus aposentos de novo.

- Quem é Wena? - pergunto.

Queria que o apelido não me afetasse, mas afeta. E não vou permitir. Abro um sorriso presunçoso, que está longe de ser verdadeiro. Arqueio as sobrancelhas.

- Voltamos as formalidades, então? - ele questiona antes de se retirar.

É. Parece que sim. E isso me magoa mais do que eu poderia esperar. Quando ele se recusou a ir embora, a sair de perto de mim. Eu desacreditei. E quanto mais eu bato, quanto mais eu forço a barra, mais resignado ele se mostra.

Ele não passa perto de Ólive. Eu sei porque pedi para Misty observá-los em sua forma de Encantadora, me sinto patética mas o sentimento faz isso. Ela diz que ele a rejeita de todas as formas, e parece sentir nojo. E muito, muito a minha falta.

Neste momento não consigo sustentar a máscara que criei, a armadura contra essa torrente de sentimentos que ele me causa. E o ditado é verdadeiro, para ambos os lados: você sangra para saber que vive.

- Eu é... – havia me esquecido de Celeste.

Coloco a cabeça entre as mãos.

- Vou te dar uns minutos e esperar as meninas aqui do lado de fora. Se recomponha.

E com isso, ela se retira. Sempre dando ordens... Ela é uma general, afinal. As meninas entram uma a uma alguns minutos depois. Lana, Misty, Gen, Flora e Celeste. E se sentam comigo na mesa de jantar.

Minhas juradas de sangue.

- E então? – Lana questiona. – O que é tão importante?

- Também quero saber – digo.

Celeste coloca um pergaminho lacrado à minha frente.

- O que é isso? – questiono, estendendo a mão em direção ao pedaço de papel.

- Estamos prestes a descobrir – Celeste responde, mas engole em seco.

Ela sabe de algo.

Lanço a ela um olhar questionador, mas ela apenas maneia a cabeça em direção ao pergaminho.

- Que brasão é esse? – Gen pergunta, não mais do que um delicado sussurro.

O papel está quente em minhas mãos, em um tom amarelado e com cheiro de... que cheiro é esse? Levo o pergaminho ao nariz. Penas? Franzo a testa. Girassol e... lírios? O que é isso?

O selo da insígnia é uma águia cortada por duas flechas. Sinto meu estômago pesar. Meu sangue congela. Não poderia ser... poderia?

Rompo o selo e abro a carta, agora com pressa.

"Exijo uma audiência com a Rainha das Bruxas, Rowena, a Treze das Treze.

Estaremos aguardando seu sinal.

Rei do Clã das Águias do Céu."

Ele não escreveu o próprio nome, o desgraçado. Mas sabe o meu, e quero saber como. Eles devem ter Encantadores entre eles. Esse clã é antigo, é forte. E era apenas uma lenda. Sou tomada por uma náusea forte.

- Onde você conseguiu isso? – questiono a Celeste, mais ríspida do que eu gostaria.

O alarme em minha voz faz com que todas fiquem inquietas. Se forem inimigos, estamos ferradas. Não há como lutarmos contra os humanos e os pássaros do céu.

- O que é isso? – Misty pergunta.

A ignoro e encaro Celeste. Sua expressão é estranha. Meu sangue começa a ferver com sua quietude. Essa bruxa nunca mantém a língua dentro da boca, e agora está silenciosa?

- Te fiz uma pergunta Celeste – meu tom é para poucos amigos. – Isso é muito sério.

- Eu não vi, tá legal? É como se tivesse caído do...

- Céu – completo.

Ela me olha, semicerrando os olhos, uma interrogação no olhar. Entrego a carta a ela. Ela lê e me encara buscando por uma confirmação. Faço que sim.

- O que?! – Misty está perdendo a paciência.

Celeste passa o recado para ela, que lê em voz alta.

- Pensei que fossem apenas uma lenda – Flora verbaliza o que todas pensamento.

- Parece que não – Celeste responde.

- Como pretende responder? – Lana pergunta para mim.

- Eles simplesmente soltaram a carta nas minhas mãos... Como esperam que responda? – Celeste completa.

- Tenho uma vaga ideia – abro um sorriso. O primeiro verdadeiro em dias.

Saio da tenda para o acampamento e, para a surpresa de todos – e assustando alguns no processo, flexiono os joelhos e elevo os braços para o céu, lançando uma bola de fogo no ar. Ela se eleva sobre nós e quando explode, revela uma imagem:

Uma águia cortada por duas flechas.

- Não pensou em nos consultar sobre isso antes? – Celeste chia, baixinho em meu ouvido. - Eles virão em peso para o nosso acampamento!

Olho dentro de seus olhos violeta-prateados e com um grande sorriso, respondo a ela:

- Deixe que venham.

Não terei medo. Dou as costas às minhas juradas de sangue, que estão no momento, boquiabertas e revezando entre olhar para o céu e para mim, enquanto assumo minhas vestes de rainha, deixando que o fogo me consuma.

Capítulo 2 Pássaros do Céu

Eles chegam em centenas. Para não dizer milhares. São muitos e estão por toda parte, tomando o acampamento. Estou os aguardando no centro, com Elanor ao meu lado esquerdo, Aurora empoleirada em meu ombro direito e minhas de sangue ao redor. Aidan Kenom se recusou a sair de perto também.

- Não estou gostando nada disso - Celeste grunhe, os dentes à mostra.

- Até ontem eles não passavam de uma lenda, e agora...

- Estão pousando no nosso quintal - Misty completa a frase de Lana.

Uma águia gigantesca, acredito que a maior delas, pousa à minha frente - suas garras são do tamanho da minha cabeça, e deve ter pelo menos cinco metros de altura e, nesse momento, está grasnando em minha cara. Queria estar ofendida como a pequena bebê dragão que está cravando as próprias garras em meu ombro, mas estou só... maravilhada. O clã dos pássaros do céu não passava de uma lenda sobre guerreiros que atiram flechas montados em águias gigantes.

Aurora solta um pequeno rosnado e Elanor se coloca em posição de ataque no momento em que um homem muito alto desce da ave. Quando se aproxima, percebo que é muito, muito alto mesmo. Bem maior que a maioria.

Uau.

Ele parece uma montanha de músculos, diferente de Aidan, que é esguio. Esse homem tem uma densidade natural. Sua estrutura é grande. Esse deve ser o Rei.

Cosmo. - Os ventos sussurram em meus ouvidos.

Seus cabelos pretos, um pouco grisalhos, balançam com a brisa. Ele abre um sorriso travesso. Seu dente é levemente entortado para a esquerda, o que poderia ser considerado um pequeno defeito. Algo que a natureza deve ter colocado ali para não criar algo perfeito. Um charme.

- Eles sussurraram para você, não é? - sua voz é grossa e grave, exatamente como o esperado.

Ele escuta os ventos também? Responde a eles? Ele pisca para mim – como se soubesse exatamente em que estou pensando, antes de se voltar para a águia e estender a mão para ajudar uma mulher – sua Rainha, a desmontar.

Não que ela precise, mas aceita o cavalheirismo como a dama que é. A mulher também é alta e musculosa, mas seu corpo é magro e atlético, diferente do dele. Seus cabelos são brancos como a neve, e ela usa uma coroa simples e ornamentada, remetendo a asas de águia.

Quando finalmente encontro seus rostos, dois pares de olhos azuis-prateados me encaram de volta. A semelhança entre os dois é assustadora, mas quando olho ao redor, fora os meus, todos têm cabelos escuros, cinza ou branco, e os característicos olhos.

Paro de encará-los quando os monarcas inclinam levemente a cabeça em uma reverência a mim. Repito a formalidade.

- Majestade – a Rainha cumprimenta, sua voz é melodiosa, canto para meus ouvidos. - É um prazer para nós estarmos em sua presença, sou Lua - ela parece sincera. Abro um sorriso para eles.

- O prazer é meu, não é sempre que bilhetes caem do céu - não consegui evitar soltar essa pra quebrar o gelo. Há uma onda de tensão às minhas costas.

Seu sorriso simpático chega aos olhos, bem como aos do rei.

- Que belas criaturas têm aqui, em? - ele maneou a cabeça em direção aos meus "animaizinhos de estimação".

- Posso dizer o mesmo sobre as suas, senhor.

- Elas são incríveis, sim - ele responde.

- Podemos entrar? - convido, fazendo um gesto em direção à minha tenda.

- Como quiser - Cosmo inclina a cabeça em concordância.

Começo a me virar quando um grasnado chama minha atenção. Me viro a tempo de ver uma águia imperial - muito diferente e menor do que as outras - dando um rasante no acampamento. Em um ágil e rápido movimento, um homem de cabelos brancos se materializa exatamente à minha frente.

- Majestade - ele toma minha mão rapidamente e deposita um beijo ali.

Fico sem fôlego, e pego Aidan olhando de cara feia.

O moço olha para a própria mãe e leva uma mão ao coração.

- Não acredito que começariam sem mim - seu tom de voz me faz abrir um pequeno e discreto sorriso. A rainha revira os olhos.

- Você não tem jeito mesmo, não é moleque?

- Moleque? - ele dá uma risada deliciosa. - Poucos me chamariam de moleque - ele desvia o olhar para mim. - Pela idade sabe? - dá uma piscada.

- E quantos anos você tem? - Misty questiona.

Ele a ignora. Me olhando de cima à baixo e diz:

- Você é mais bonita de perto.

O que isso quer dizer?

- Meu Deus, é demais pra mim! - a rainha levanta as duas mãos em sinal de rendição. - Vamos entrar antes que sejamos expulsos ou pior.

O homem cai na risada e me olha com expectativa – esperando que eu entre.

- Vamos lá, então - digo e adentro a tenda.

Tudo foi arrumado para recebê-los. Desde a melhor comida até a decoração. Tudo remetendo ao fogo. Nos acomodamos em volta de uma mesa improvisada, o homem de cabelos brancos se senta ao meu lado, o Rei à minha frente e Kenom... do meu outro lado. Me viro para o rei:

- E então? Você pediu uma audiência, cá estamos.

- Direta ao ponto, gostei disso – o príncipe fala.

Aidan bufa, o que rende um olhar mortal vindo de mim, e um de curiosidade do homem águia.

- Pediu não, exigiu - Lana pontua, ela é sempre tão calma, firme. E seu tom de voz revela desconfiança.

- Sim... peço perdão por isso, Vossa Majestade - o Rei diz. - Tive que usar de qualquer meio para ser recebido.

- E por quê? - pergunto.

- Acredito que... bom. Nós vimos o que o rei dos humanos fez com vocês - ele lança um olhar igualmente desconfiado a Kenom. - Sky, meu filho aqui, estava agora mesmo dando uma olhada na região para ter certeza de que estamos seguros.

Sky, esse nome combina muito com ele. Não digo nada, e o rei continua:

- Acredito que a Senhora não saiba exatamente com o que está lidando.

Isso chama minha atenção.

- Ah é? - sinto a seriedade do assunto pairar no ar. O que ele quer exatamente dizer com isso?

- Sinto muito, Majestade, mas sim - Sky complementa a fala do pai. - Nós assistimos tudo de cima, e acreditamos que há uma chance para todos nós dessa vez, se trabalharmos juntos.

Celeste bufa e dá uma risada sarcástica.

- Quem disse que vamos trabalhar com vocês? Que podemos confiar em vocês?

Até que demorou pra ela se meter... Rei Cosmo a analisa por alguns segundos antes de apontar um dedo para mim.

- Ela.

- Como assim? - Misty questiona.

- Ao que reza a lenda, os pássaros do céu também respondem a Treze.

- De fato - diz a rainha deles. - Se eles assim desejarem.

- E nós desejamos, Majestade - Sky completa, sério pela primeira vez desde que chegou.

- É difícil acreditar, visto que não podem existir duas rainhas - Kenom comenta. Sua voz soa inofensiva, mas sabemos que não é o caso.

Capítulo 3 Juramento de Sangue

A tensão se instala diante das palavras de Aidan Kenom. Sky se recosta na cadeira e lança um olhar de puro desprezo ao Príncipe.

- O príncipe dos humanos se senta à mesa, come e ainda pode falar com a gente?

Celeste, que estava bebendo vinho, quase se engasga em uma risada. Quando consegue engolir, fala para mim, os olhos marejados:

- Certo, talvez eu possa gostar desse.

Tento manter a expressão neutra.

- Você é muito abusado, cara - a voz de Kenom soa áspera. Mais uma vez, tento não expressar nada.

- Abusado - Sky sorri, provocativo. - Isso eu sou. Só não sou a porra de um traidor e filho do maior assassino de todos os tempos.

Kenom mostra os dentes. Se pudesse rosnar, acho que o teria feito.

- Isso é você quem está dizendo.

- Chega - Rei Cosmo comanda.

Olho para ele. Aqui ele não é rei. E ele entende o significado do meu olhar.

- Me desculpe, Senhora, eu não quis me intrometer em seus assuntos. É que meu filho... Bem, às vezes ele fala demais. É o espírito livre que habita nele.

- Um homem selvagem, eu diria - Sky acrescenta, inabalado.

Tento não sorrir, é meio difícil não gostar dele. De todos eles. Mas ele é tão galante, tão... bonito.

- Como eu ia dizendo - Kenom recomeça. - Não podem haver duas rainhas - ele olha diretamente nos meus olhos. - E, para mim, só existe uma.

Um peso cai em meu estômago. Mal posso assimilar o sentimento, pois Sky o contra-ataca novamente:

- Quer que acreditemos que, quando for necessário, vai usurpar o trono dos humanos e, então, abrir mão dele? - sarcasmo escorre de sua voz.

- Pensei que visse tudo do céu, "Sky" - jamais ouvi Kenom usando esse tom de voz.

- Chega dessa babaquice - digo aos dois. - E então? - lanço um olhar inquisidor à monarquia à minha frente.

- Nós sabemos disso - Rei Cosmo diz. - Viemos aqui cientes de que só você deve governar. Como meu filho disse, dessa vez, juntos - ele enfatiza. - Talvez tenhamos uma chance. Já perdemos muitos – seu olhar se torna distante. - Tentando fazer algo em favor do reino.

- E estamos dispostos a abrir mão do título, nos curvando a você - a Rainha completa.

- Não sei vocês - Lana comenta. - Mas não consigo acreditar. Desculpa, mas depois de tudo o que passamos... Por que abririam mão de suas vidas de seu reinado e ainda lutariam por nós? Vocês não estavam bem lá em cima? Sabe-se os deuses onde?

- O que podemos fazer para que acreditem em nós? - Cosmo questiona.

- Que tal contar a verdade? Toda ela. - Celeste diz. - Por que desapareceram?

- Nós éramos caçados. Escravizados... Bom, os humanos são os mesmos desde sempre.

- Como assim? - Misty pergunta. - Vocês não vivem em uma ilha no céu?

- Não, nós passamos a viver em uma ilha no céu. Mas ela nos enfraquece. O ar é rarefeito. Quase não há o que comer para nos manter fortes e em nossa força total. Nossos ossos são maiores, nossos corpos, mais densos - isso explica muita coisa sobre sua aparência. - Há muito tempo, nós vivíamos aqui, entre Noor e Zéfiro. Éramos um povo próspero que estava nas graças das duas das mais poderosas florestas. Os deuses nos agraciaram com alguns filhos de olhos dourados... - o rei desvia o olhar, que se torna cheio de amor para seu filho. - Nossas águias. Apenas alguns de nós têm esse "dom", e era exatamente esses que eram caçados e escravizados, obrigados ao juramento de sangue. Na verdade, basta uma gota do sangue do homem águia para que ele se torne escravo da vontade humana...

Ele para de falar, pois o ar fica suspenso na sala. Cosmo acabou de revelar o que é, possivelmente, o maior segredo de seu povo. Ele sabe o que fez e fala diretamente para mim:

- Eu sei que esses são seus jurados de sangue. Sei que tem a lealdade de todos, exceto a do príncipe.

- Seu segredo não sairá desta sala - prometo a ele. - Continue sua história.

Ele assente e continua:

- Basicamente, foi por isso que nossos ancestrais pegaram as águias que sobraram e vagaram sem rumo, buscando uma vida digna ao nosso povo. Matamos aqueles que foram escravizados, e acredite, foi um favor que fizemos a eles. A águia é um animal selvagem, não nasceu para tal destino.

- E então - uma voz suave como o vento corta seu raciocínio. - Os de olhos azuis são montadores e os de olhos dourados, Encantadores? - Gen questiona.

- Isso mesmo, minha querida - a rainha responde.

Ela dá um leve aceno de cabeça. Ainda me encanto com sua delicadeza. Acredito que qualquer pessoa sente essa fragilidade da moça.

- Então... é isso - Celeste diz. - Acredito na história de vocês. Os humanos são desprezíveis, e vocês, mesmo sendo um povo forte, ficaram vulneráveis perto deles.

- Sim, eles são muito numerosos - Sky responde com certo tédio.

Fecho meus olhos por alguns segundos para me concentrar e acessar memórias antigas. Vejo flashes de montadores de águia vivendo entre as bruxas, e sei que sua história é verdadeira.

- E é por isso que vamos abrir mão de títulos, nosso povo todo está aqui, desceram para ver você. Nossa esperança. Estamos vendo uma oportunidade única de voltar a ser o que somos. O Clã dos Pássaros do Céu finalmente tem a chance de prosperar. De não viver com medo. Uma Rainha para todos é o que queremos - a Rainha fala, seus olhos marejados. - Já foi assim antes, nós éramos apenas mais um clã, que respondia a Treze.

Ela leva as mãos à cabeça e tira sua coroa, pousando-a na mesa. Acredito em suas palavras. Posso ver a verdade, o anseio e a esperança ali. Seu gesto foi incrível. Mas ainda não posso confiar. Falta algo, uma garantia.

- Certo. Eu os aceito aqui, luto por vocês, farei do seu povo o meu, e darei a minha vida para protegê-los, assim como faria com qualquer um presente nesse acampamento - pronuncio as palavras.

- Mas Senhora... - Celeste começa.

Não se intrometa enquanto eu falo - berro em sua mente. Ela se encolhe.

- Mas...

- Sempre tem um mas - Sky contesta. O macho me encara com expectativa. Abro um sorriso felino para ele.

- Quero que faça o juramento de sangue para mim.

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