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Minha Segunda Chance, O Arrependimento Dele

Minha Segunda Chance, O Arrependimento Dele

Autor:: Viola
Gênero: Fantasia
Um pacto selado com a morte do meu pai ditava que, no meu aniversário de vinte e dois anos, eu me casaria com um Monteiro e coroaria o próximo CEO. Durante anos, corri atrás de Breno Monteiro, convencida de que meu amor não correspondido acabaria conquistando seu coração. Mas na minha festa de aniversário, ele deu a pulseira que era para mim para minha meia-irmã, Juliana, bem na frente de todo mundo. "É melhor se acostumar, Fé", ele debochou. "Estou prestes a me tornar o CEO. Não posso ficar preso a uma mulher só." Ele me chamou de descarada e perversa, uma vergonha para o nome da nossa família. Ele me humilhou, me traiu com Juliana e exigiu que eu aceitasse seus casos se quisesse ser sua esposa. Sua crueldade atingiu o ápice quando ele me deu um tapa em público e até tentou me esfaquear no dia do meu casamento. Na minha vida passada, essa devoção cega me levou a um casamento miserável. Ele me envenenou lentamente, e eu morri sozinha enquanto ele vivia feliz com minha meia-irmã. Mas quando abri os olhos novamente, eu estava de volta àquela festa, momentos antes de ele dar o meu presente para outra. Desta vez, eu sabia a verdade. E sabia que não o escolheria.

Capítulo 1

Um pacto selado com a morte do meu pai ditava que, no meu aniversário de vinte e dois anos, eu me casaria com um Monteiro e coroaria o próximo CEO. Durante anos, corri atrás de Breno Monteiro, convencida de que meu amor não correspondido acabaria conquistando seu coração.

Mas na minha festa de aniversário, ele deu a pulseira que era para mim para minha meia-irmã, Juliana, bem na frente de todo mundo.

"É melhor se acostumar, Fé", ele debochou. "Estou prestes a me tornar o CEO. Não posso ficar preso a uma mulher só."

Ele me chamou de descarada e perversa, uma vergonha para o nome da nossa família. Ele me humilhou, me traiu com Juliana e exigiu que eu aceitasse seus casos se quisesse ser sua esposa.

Sua crueldade atingiu o ápice quando ele me deu um tapa em público e até tentou me esfaquear no dia do meu casamento.

Na minha vida passada, essa devoção cega me levou a um casamento miserável. Ele me envenenou lentamente, e eu morri sozinha enquanto ele vivia feliz com minha meia-irmã.

Mas quando abri os olhos novamente, eu estava de volta àquela festa, momentos antes de ele dar o meu presente para outra.

Desta vez, eu sabia a verdade. E sabia que não o escolheria.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Fé Almeida

O pacto, assinado em tinta e selado com a morte do meu pai, parecia mais uma sentença do que uma promessa. Ele ditava que, no meu aniversário de vinte e dois anos, eu me casaria com um Monteiro e, ao fazê-lo, coroaria o próximo CEO da Inovações Monteiro.

Eu tinha acabado de sair do escritório de Fernando Monteiro, a pesada porta de carvalho se fechando atrás de mim, o peso de suas palavras se acomodando em meus ombros. O ar no grande corredor era denso com o cheiro de dinheiro antigo e arrogância.

Ao virar o corredor, dei de cara com a única pessoa que eu esperava evitar. Breno Monteiro. E ele não estava sozinho. Um bando de seus primos e parentes mais novos o cercava, rindo de algo que ele havia dito.

Eles me viram e as risadas morreram. O grupo se abriu como o Mar Vermelho, deixando Breno parado ali, a imagem perfeita da arrogância em um terno feito sob medida.

"Vejam só o que o vento trouxe", uma das primas, uma garota de traços afiados chamada Zara, zombou.

Sua amiga riu. "Ainda correndo atrás do Breno, Fé? Você nunca se cansa?"

"É um milagre que ela tenha a coragem de aparecer", murmurou outra, alto o suficiente para eu ouvir. "Depois de todas as cenas que ela já fez."

Eles sempre mencionavam meu pai, o lendário cofundador, como se seu fantasma fosse um escudo que eles pudessem usar para me envergonhar.

"O pai dela estaria se revirando no túmulo se visse como ela age", disse Zara, sua voz escorrendo falsa piedade. "Tão desesperada. É uma desgraça para o nome Almeida."

Durante tudo isso, Breno apenas me observava, seus olhos azuis, frios e implacáveis como um céu de inverno. Ele deixou as palavras deles pairarem no ar, cada uma uma pequena pedra afiada atirada em minha direção. Na minha vida passada, as palavras deles teriam me ferido profundamente. Agora, eram apenas ruído.

"O que você está fazendo aqui, Fé?" A voz de Breno cortou os sussurros, afiada e impaciente.

Ele deu um passo à frente, seu olhar me varrendo com desdém.

"Deixa eu adivinhar", disse ele, um sorriso cruel brincando em seus lábios. "Você estava lá dentro com meu avô, não estava? Tentando colocá-lo do seu lado."

Ele gesticulou vagamente em direção ao escritório. "Sabe, essa história de 'filha do sócio falecido' está ficando velha. Você já explorou isso ao máximo."

Suas palavras eram para me atingir, para me fazer sentir pequena e patética. Ele achava que estava me despindo da minha dignidade.

"Você joga esse jogo há anos", ele continuou, sua voz baixa e ameaçadora. "Mas acabou. Você me envergonhou, você se envergonhou."

Ele olhou para sua plateia de parentes sorridentes. "Todo mundo nesta cidade está falando de nós. De como você não me deixa em paz. Estou começando a ter dúvidas sobre essa história de casamento."

Ele se inclinou para mais perto, seu perfume invadindo meu espaço. "E só para deixar claro, correr para o meu avô não vai mudar minha opinião. Nada que você fizer vai."

Seus olhos, cheios de um desprezo familiar, encontraram os meus. Era o mesmo olhar que ele me dera mil vezes em nosso casamento miserável, o olhar que precedia cada traição, cada mentira. Era o olhar que me dizia que eu não era nada para ele.

Lembrei-me do amor não correspondido da minha vida passada, um amor tão cego que me levara à morte. A memória era um nó frio no meu estômago.

Respirei fundo, lenta e deliberadamente, me acalmando. A Fé que ele lembrava teria desmoronado. Ela teria implorado, seus olhos se enchendo de lágrimas.

Mas ela estava morta.

"Você está enganado, Breno", eu disse, minha voz surpreendentemente calma e firme.

Encarei seu olhar sem vacilar.

"Eu não estava tentando colocar o Fernando do meu lado. Foi ele quem me convidou."

Deixei a informação assentar por um momento antes de dar o golpe final.

"Ele vai dar uma festa para o meu aniversário de vinte e dois anos. Aqui. Na mansão."

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Os sorrisos nos rostos de seus primos congelaram, substituídos por queixos caídos de incredulidade.

"Uma festa?" Zara gaguejou. "Aqui? O Fernando vai organizar?"

Eles não podiam acreditar, e eu entendia o porquê. Fernando Monteiro era um recluso. Ele não se envolvia pessoalmente em eventos sociais da família há anos, não desde que sua esposa faleceu. Sua presença era reservada para a sala de reuniões e os mais altos escalões do mundo corporativo.

Para ele, organizar uma festa de aniversário era mais do que um gesto. Era uma declaração.

Era o sinal de que o pacto que meu pai fez com ele estava prestes a se concretizar. A promessa de que, no meu vigésimo segundo aniversário, eu escolheria um de seus netos para ser meu marido. Minha escolha não determinaria apenas o meu futuro, mas também quem herdaria as ações de controle da Inovações Monteiro e se tornaria seu novo CEO.

As apostas eram astronômicas.

Um sorriso lento e zombeteiro se espalhou pelo rosto de Zara enquanto ela se virava para Breno.

"Ora, ora", ela ronronou, "parabéns, priminho."

Os outros entraram na onda, seus tons melosos com falsa admiração. "Parece que você está prestes a assumir o comando, Breno."

"Ela finalmente te pegou."

A expressão de Breno mudou de confusão para uma certeza presunçosa. Ele olhou para mim, um brilho triunfante nos olhos, como se eu tivesse acabado de lhe entregar uma coroa.

"Parabéns, Fé", disse ele, sua voz carregada de uma vitória condescendente. "Você finalmente conseguiu o que sempre quis."

Ele se aproximou, seu olhar arrogante me percorrendo. Ele baixou a voz para um sussurro, destinado apenas a mim.

"Mas não pense que isso muda alguma coisa", ele sibilou. "Espero que você não cometa os mesmos erros da última vez."

A menção de uma "última vez" me deu um arrepio. Será que ele também se lembrava?

"Se vamos nos casar", ele continuou, seu tom se transformando em uma lista de exigências, "existem condições. Viveremos em alas separadas da casa. Você não vai interferir nos meus assuntos pessoais. E não vai questionar onde eu vou ou com quem estou. Esses são os meus termos. Aceite ou desista."

Fiquei tão chocada com sua audácia, com o eco de nossa vida passada em suas palavras, que quase não ouvi a voz suave chamando seu nome.

"Breno?"

Uma jovem entrou no corredor. Era Juliana Tavares, minha meia-irmã. Ela usava um vestido branco simples que a fazia parecer inocente e frágil, seus longos cabelos caindo em ondas suaves ao redor dos ombros. Ela segurava o braço, uma expressão de dor no rosto.

O comportamento de Breno mudou em um instante. O homem frio e calculista que acabara de me dar um ultimato desapareceu, substituído por um pretendente preocupado.

"Juliana? O que você está fazendo fora da cama? Você não está bem." Ele correu para o lado dela, sua voz cheia de uma ternura que ele nunca havia demonstrado por mim.

"Me desculpe", ela sussurrou, apoiando-se nele fracamente. "Meu pai insistiu que eu viesse. Ele disse... ele disse que eu deveria estar aqui."

Ele pegou a mão dela, seu toque gentil. "Tudo bem. Você está aqui agora."

Então, seu olhar voltou para mim, e a frieza retornou, mais afiada do que antes.

"Olhe para você", ele zombou, seus olhos cheios de nojo. "Você está perfeitamente saudável, mas ainda precisa de uma comitiva. Juliana está com febre e conseguiu chegar aqui sozinha."

Ele passou um braço protetor ao redor dela, afastando-a como se eu fosse uma doença contagiosa.

Enquanto caminhavam pelo corredor, ele olhou para trás por cima do ombro.

"Não se esqueça do que eu disse, Fé", ele avisou, sua voz uma ameaça baixa. "Comporte-se. Se continuar agindo assim, eu não vou me casar com você."

Uma risada, silenciosa e amarga, subiu pela minha garganta.

Ah, Breno.

Se você soubesse o quanto eu quero que isso seja verdade.

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Capítulo 2

Ponto de Vista: Fé Almeida

A noite da minha festa de aniversário foi um borrão de champanhe, sorrisos educados e o peso sufocante da expectativa. Breno, fiel a si mesmo, só apareceu depois que a maioria dos convidados mais velhos e associados de negócios já tinha partido, com Juliana agarrada ao seu braço.

Suas bochechas estavam coradas, um brilho rosado que não tinha nada a ver com febre. Mas foi a marca no pescoço de Breno que chamou minha atenção, um hematoma escuro e raivoso florescendo na lateral de seu pescoço, logo acima do colarinho.

Qualquer um com olhos podia ver o que eles estavam fazendo momentos antes de chegar.

Na minha vida passada, isso teria me destruído. Eu teria desabado em lágrimas, exigindo saber como ele podia me humilhar assim no meu aniversário, na frente de todo mundo. Eu teria gritado, questionando se meus anos de devoção não significavam absolutamente nada para ele.

Esta noite, eu simplesmente olhei para a marca, meu olhar demorando apenas um segundo antes de eu voltar para a conversa que estava tendo com um primo distante. Eu não lhe dei a satisfação de uma reação.

Eu senti seus olhos em mim, no entanto. Ele viu para onde eu tinha olhado. Ele instintivamente se moveu, tentando bloquear minha visão de Juliana, como se para protegê-la do meu julgamento.

Segundos se passaram. A explosão que ele estava esperando nunca veio.

Meu silêncio pareceu agitá-lo mais do que qualquer explosão poderia ter feito.

"O que é isso?" ele finalmente disse, caminhando até mim com um sorriso forçado e zombeteiro. "Interpretando o papel da noiva compreensiva? Você está com tanto medo de perder sua chance de se casar comigo que vai fingir que não vê?"

Ele se inclinou, sua voz baixando. "É melhor se acostumar, Fé. Estou prestes a me tornar o chefe desta família, o CEO da Inovações Monteiro. Não posso ficar preso a uma mulher só. Haverá muitas outras."

Ele me deu um tapinha condescendente no braço. "Mas como você está sendo tão... compreensiva esta noite, tenho uma pequena recompensa para você."

Ele enfiou a mão no bolso e tirou uma pequena caixa de veludo. Um suspiro percorreu os poucos convidados restantes que assistiam ao drama se desenrolar.

Justo quando ele estava prestes a me entregar, uma mão pequena se esticou e a arrancou de seu alcance.

Era Juliana.

"Oh, Breno! É a pulseira 'Sussurro do Amante'?" ela exclamou, sua voz cheia de admiração fabricada. "É a edição limitada da Cartier! Eles só fizeram dez no mundo inteiro. Ouvi dizer que era impossível de conseguir."

A mão de Breno, que estava estendida em minha direção, caiu imediatamente. Um sorriso afetuoso se espalhou por seu rosto enquanto ele olhava para ela.

"Você gostou?" ele perguntou suavemente.

Sem esperar por uma resposta, ele disse: "Então é sua."

"Mas... mas é para a Fé", disse Juliana, seus olhos, cheios de engano triunfante, fixos nos meus. Foi uma performance impecável de aceitação relutante.

"Não seja boba", Breno zombou, acenando com a mão em minha direção. "Eu arranjo outra coisa para ela. Além disso", ele acrescentou, sua voz escorrendo condescendência, "qualquer coisa vinda de mim é perfeita aos olhos dela, certo?"

Algumas risadinhas ecoaram na sala. A humilhação era um gosto familiar e amargo na minha boca. Memórias voltaram, nítidas e dolorosas.

Lembrei-me de como eu costumava valorizar tudo o que ele me dava, não importava o quão insignificante. Uma vez, pegos em uma chuva repentina, ele casualmente jogou sua jaqueta sobre meus ombros. Foi um gesto impensado para ele, mas para mim, foi tudo. Guardei aquela jaqueta por anos, escondida como uma relíquia sagrada.

Ele a encontrou, é claro. Ele me encontrou uma noite, segurando-a, respirando o leve cheiro dele que ainda estava impregnado no tecido.

"Descarada", ele cuspiu, seu rosto uma máscara de nojo.

Aquela única palavra esmagou o coração frágil de uma adolescente. Eu fiquei mortificada. Fernando até o atingiu com sua bengala por isso, gritando que ele estava falando bobagens, mas Breno apenas riu.

Mais tarde, ele transformou a história em uma piada, exagerando minha devoção patética para a diversão de seus amigos. Rapidamente me tornei o motivo de chacota do nosso círculo social.

Olhando para trás agora, era tudo tão patético. Meu amor, minha devoção, minha humilhação.

Virei-me para sair, a festa de repente parecendo sufocante.

"Onde você vai?" A mão de Breno se fechou em meu braço, me parando. "O quê, você está com raiva? Não consegue mais manter a farsa?"

Sua voz era um rosnado baixo. "Eu sempre soube que você era uma mulher perversa, Fé."

Seu aperto em meu pulso era dolorosamente forte. Olhei para a mão dele, depois de volta para o rosto dele, minha expressão indecifrável.

Com um movimento brusco e repentino, puxei meu braço para me libertar.

"Breno", eu disse, minha voz perigosamente baixa. "Tenha um pouco de respeito."

Ele congelou por um segundo, pego de surpresa pela minha ousadia. Então ele zombou. "Respeito? Por que eu deveria? Você está desesperada para se casar comigo desde que éramos crianças. Em breve estaremos vivendo sob o mesmo teto. Não há necessidade de fingimentos."

Um sorriso frio tocou meus lábios. "Quem disse que eu vou me casar com você?"

A sala caiu em um silêncio atordoado. Por um instante, ninguém se moveu, ninguém respirou.

Então, o silêncio foi quebrado por uma onda de risadas. Começou como uma risadinha de um de seus primos e rapidamente se espalhou, até que a sala inteira estava rindo de mim.

A risada de Breno era a mais alta. "Com quem mais você se casaria, Fé?" ele zombou, seus olhos brilhando de diversão. "Você é obcecada por mim. Nós dois sabemos disso."

Ele gesticulou com desdém pela sala opulenta. "O quê, você vai se casar com ele?"

Ele apontou para o outro lado do salão de festas, onde seu irmão mais velho, Caio, estava sentado sozinho, quase escondido nas sombras. Ele era o único outro filho Monteiro elegível.

"Meu querido irmão?" A voz de Breno estava carregada de um desprezo piedoso. "O programador genial que teve um colapso nervoso e não é o mesmo desde aquele pequeno... incidente de sabotagem corporativa?"

A sala ficou um pouco mais silenciosa, os olhares dos convidados se desviando desconfortavelmente em direção a Caio.

"Ele está sempre doente, Fé", Breno continuou, sua voz cruel. "Quem sabe quanto tempo ele vai viver. E dizem que o incidente... danificou mais do que apenas seus nervos." Ele deixou a insinuação pairar no ar, uma coisa vulgar e feia.

Ele deu um passo mais perto de mim, seu sorriso se transformando em um escárnio vicioso.

"Diga-me, Fé", ele sussurrou, suas palavras um golpe final e devastador. "Você está realmente disposta a passar o resto da sua vida com um homem quebrado que não pode te dar nada?"

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Capítulo 3

Ponto de Vista: Fé Almeida

A sala estava silenciosa novamente, mas desta vez era um silêncio pesado e expectante. Todos os olhos estavam em mim, esperando. Eles estavam esperando que eu desmoronasse, que negasse, que corresse de volta para os braços de Breno como eu sempre fizera antes.

Nesse momento, um criado, claramente agindo sob a deixa cruel de Breno, empurrou a cadeira de rodas de Caio para o centro da sala. Ele parecia exatamente como Breno o descrevera - pálido, magro, confinado à cadeira. Ele não ergueu o olhar, seu olhar fixo em suas próprias mãos que repousavam em seu colo.

Uma onda de sorrisos presunçosos e cúmplices passou entre Breno e seus comparsas. A armadilha estava montada. Minha humilhação estava completa.

Abri a boca, as palavras "Eu escolho o Caio" na ponta da minha língua.

Mas então me lembrei das palavras de Fernando em seu escritório mais cedo naquele dia.

"Fé", ele dissera, seus olhos velhos, afiados e perspicazes, "eu respeitarei sua escolha, não importa quem seja. Mas esta família... é um ninho de cobras. Quando você fizer seu anúncio, não o faça com raiva ou pressa. Deixe a poeira baixar. Quando for a hora certa, todos saberão."

Eu hesitei. Olhei para Caio, tão quieto e silencioso em sua cadeira, e vi um lampejo de algo em seus olhos quando eles encontraram os meus brevemente. Parecia... decepção.

Fernando estava certo. Este era um jogo de poder, e Breno acabara de jogar sua carta. Uma declaração pública agora seria vista como um ato desesperado e rancoroso. Isso me faria parecer fraca e colocaria Caio em uma posição ainda mais vulnerável. O clã Monteiro era vasto, e cada um deles estava faminto por um pedaço do império. Um confronto direto não era o caminho.

Então, fechei a boca. Não discuti. Não me defendi.

Eu os deixei rir.

Então, virei as costas e fui embora.

A viagem para casa foi uma guerra silenciosa. Juliana sentou-se ao meu lado no banco de trás do carro, se exibindo. Ela continuava a inclinar o pulso, deixando os diamantes de sua nova pulseira capturarem as luzes dos postes que passavam. Os flashes de luz eram nítidos, quase dolorosos, me fazendo apertar os olhos.

"Sabe", disse ela, sua voz um sussurro doce e venenoso, "mesmo que você se case com ele, você nunca terá o coração dele."

Para o mundo, Juliana era o epítome da doçura e inocência. Uma queridinha das redes sociais com uma vida perfeitamente curada. Mas em particular, quando éramos apenas nós duas, a máscara caía.

Olhei para ela, para a garota com quem cresci, e o passado voltou com força. A memória da minha vida anterior era tão clara quanto o diamante em seu pulso. Lembro de entrar no meu quarto e encontrá-la enrolada nos lençóis com Breno. Meu marido.

Ela se encolheu nos braços dele, tremendo como uma criança assustada, e ele a protegeu, me encarando como se eu fosse o monstro. O choque foi tão imenso, tão esmagador, que desmaiei ali mesmo.

Depois disso, meus pais a enviaram para estudar no exterior. Ela acabou se casando com algum herdeiro estrangeiro, sua vida uma história de sucesso brilhante enquanto a minha mergulhava em um fim solitário e prematuro.

Desta vez, pensei, um pequeno sorriso secreto brincando em meus lábios, você pode ficar com ele. Eu estava quase curiosa para ver como seria para ela quando fosse ela a acorrentada a ele.

"Você está certa", eu disse, minha voz calma. A admissão pareceu surpreendê-la.

Virei-me para encará-la completamente. "Qual é o sentido de ter o homem se você não pode ter o coração dele?"

Estendi a mão e dei um tapinha gentil na mão dela. "Espero que você amadureça rápido, Juliana. Então você poderá se casar com o Breno."

Dei a ela meu sorriso mais sincero. "Desejo a vocês dois uma vida inteira de felicidade."

Ela ficou sem palavras por um momento, seus lábios perfeitamente pintados entreabertos de surpresa. Então, ela se recuperou, uma sobrancelha cética erguida.

"Você pode fingir o quanto quiser, Fé", disse ela com uma risada desdenhosa. "Mas eu sei que você só está dizendo isso. Não importa. O Breno me ama."

Alguns meses se passaram. O Dia de Ação de Graças chegou, um dia para a família e gentilezas forçadas. Meu pai, alheio como sempre, me pediu para entregar um presente a Fernando.

No momento em que entrei na mansão Monteiro, eu a vi. Juliana. Ela não ia para casa há dias. Ela estava no hall de entrada, vestida com um vestido de grife e coberta de joias que eu sabia que estavam muito além de sua mesada. Ela parecia elegante, equilibrada e totalmente triunfante.

Ela me viu e um sorriso lento e presunçoso se espalhou por seu rosto.

"Gostou da minha roupa?" ela perguntou, dando uma pequena pirueta. "O Breno comprou tudo para mim. Ele insistiu. Disse que eu era a única que merecia usar coisas tão bonitas."

Uma irritação antiga e familiar me picou. Eu só queria entregar o presente e ir embora. Tentei contorná-la, mas ela se moveu para bloquear meu caminho.

"Eu só queria compartilhar minha felicidade com você, irmã", disse ela, sua voz açucarada. "Por que você está sendo tão fria? Eu sei que você está com ciúmes, mas o amor não é algo que se pode controlar."

Enquanto falava, seus olhos se encheram de lágrimas de crocodilo. Foi uma performance magistral.

Eu já estava farta. Empurrei-a para o lado, não com força, apenas o suficiente para passar.

Ela desabou no chão com um suspiro teatral, as lágrimas agora fluindo livremente.

"Fé, você me bateu!" ela lamentou, sua voz ecoando no hall de mármore. "Como você pôde? Somos irmãs!"

E bem na hora, como se convocado por seu grito de donzela em perigo, Breno invadiu a sala.

"Que diabos você está fazendo?" ele rugiu, seu rosto contorcido de raiva.

Ele apontou um dedo trêmulo para mim, seus olhos ardendo. "Você está agredindo sua própria irmã, Fé? Você não tem coração?"

Olhei do rosto furioso de Breno para a figura soluçante de Juliana no chão, um quadro perfeitamente orquestrado de traição e engano.

Uma pequena risada sem humor escapou dos meus lábios. "É incrível", eu disse, balançando a cabeça. "Ela é tão jovem e já tão habilidosa em se fazer de vítima."

As palavras mal saíram da minha boca quando uma ardência aguda explodiu na minha bochecha.

Ele tinha me dado um tapa.

"Não se atreva a falar dela desse jeito", ele rosnou, sua mão ainda levantada.

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