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O Alpha Quebrado e a Luna do Gelo

O Alpha Quebrado e a Luna do Gelo

Autor:: T.H. Bab
Gênero: Fantasia
A única regra de Arion, o Alpha Quebrado de Blackwood, era clara: nunca mais amar. Assombrado pelo trauma de ter perdido sua Luna anterior, ele se recusa a aceitar Elara, a mestiça de sangue Bruxa-Loba que o Destino lhe enviou. Quando Elara é marcada como sua Mate, Arion a tranca, lutando contra a atração primitiva e a certeza de que ela será sua maior fraqueza. Mas a paixão explode em segredo. Tudo muda quando a Alcateia Shadowfang, a mesma que caçava a linhagem ancestral de Elara, emerge. Com a rival Morgana liderando o ataque, Elara precisa abraçar o poder da Luna do Gelo para lutar pela vida que Arion tentou roubar, e pelo amor que ele se recusa a aceitar. O destino deles não é sobre amor, é sobre sobrevivência. E Arion terá que se curar para que o Gelo não congele tudo.

Capítulo 1 🐺 Capítulo 1: O Cheiro do Destino (Com Passado)

O Passado de Elara e a Cabana

A caixa de papelão pesava nos braços de Elara, mas não tanto quanto a dor vazia em seu peito. Seis meses haviam se passado desde que sua Avó Sofia se fora, e a cabana em Redwood Creek era a única herança que restara de sua família. Não era apenas uma propriedade velha; era o único lugar onde Elara sentia que a memória de Sofia permanecia real.

Sua avó sempre falava de Redwood Creek com uma reverência estranha, mencionando "a força da floresta" e "a vigilância das estrelas". Elara, uma jovem prática e cética, ignorava as histórias místicas de Sofia na metrópole. Agora, fugindo da monotonia e da dor da vida urbana, ela se viu seguindo as pegadas da avó.

Ela precisava de um recomeço. Ela precisava entender por que Sofia havia escolhido morrer sozinha neste lugar isolado.

A Chegada e o Sentimento de Estar Sendo Observada

O ar de Redwood Creek era pesado e cheirava a pinho molhado e algo mais, algo selvagem e indescritível que Elara não conseguia ignorar – era o mesmo cheiro de musgo e terra que impregnava as cartas antigas da avó.

Ela abraçou a caixa, sentindo o frio da noite de outono penetrar suas roupas enquanto tropeçava na varanda da nova e velha cabana. Sua mudança, uma tentativa de honrar a memória de Sofia e fugir da dor, já parecia um erro impulsivo.

Um movimento na escuridão da floresta, a poucos metros, fez seu coração saltar. Não era um animal pequeno. Era grande, forte, e os olhos, que ela mal conseguiu distinguir, pareciam observá-la com uma inteligência fria, quase... possessiva.

- Só pode ser o cansaço, ela tentou se convencer, acalmando a respiração. Sofia, o que você escondeu aqui?

O Encontro com o Alpha

Ela girou a chave enferrujada e empurrou a porta da frente, aliviada pela fraca luz interna. Foi quando o cheiro a atingiu.

Não era o cheiro da floresta ou do mofo da cabana. Era algo mais profundo, mais inebriante, como uma mistura de terra recém-revirada, cedro queimado e, estranhamente, pimenta. Era o cheiro mais potente e viciante que ela já havia sentido. Ele era a própria escuridão, e vinha de dentro da casa.

Ela largou a caixa com um baque surdo, e no mesmo instante, o som de um copo caindo na cozinha fez ecoar o silêncio.

"Quem está aí?" A voz de Elara saiu fraca, quase inaudível.

Do batente escuro da cozinha, emergiu a silhueta imponente de um homem.

Ele era o caos e a ordem em forma humana: a camisa escura apertada nos músculos e os jeans surrados. Seus cabelos eram da cor da noite e os olhos, de um intenso azul gélido, pareciam carregar a severidade de mil anos. Ele tinha a postura de um rei, e a mera presença dele parecia roubar o oxigênio do lugar.

Por um segundo, eles apenas se encararam. O mundo exterior desapareceu. Elara sentiu um calor agonizante se espalhar pelo seu ventre, uma urgência primordial de se aproximar e, ao mesmo tempo, de fugir. O instinto gritava para ela se submeter. O ar entre eles crepitou, denso, pesado, intoxicante.

O homem cerrou a mandíbula, seus olhos fixos nos dela em uma mistura de repulsa, desejo predatório, e algo mais... algo que parecia memória.

"Você tem os olhos dela," ele rosnou, sua voz grave e autoritária, cheia de uma raiva que parecia ter vindo de anos de mágoa. "O cheiro da floresta, a mesma fraqueza..."

Elara estremeceu. "Eu não sei do que você está falando. Esta cabana é minha. Eu sou Elara."

O nome não o acalmou; o atingiu. Ele deu um passo em sua direção.

"Eu sei quem você é, humana," Arion corrigiu, a voz baixa e perigosa. "A neta de Sofia. Eu senti o cheiro de seu sangue vindo da cidade. Sua avó me atazanava a vida com as profecias dela. E agora, ela me manda a única coisa que eu não posso ter."

Ele parou a centímetros de distância, tão perto que ela podia sentir o calor emanando de seu corpo. Ele se inclinou, e a escuridão de seus olhos azuis gélidos parecia engoli-la. A atração era tão forte que Elara teve que apertar as mãos para não tocá-lo.

"Eu sou Arion, o Alpha. Seu maior problema. E, infelizmente para nós dois, o seu Mate," ele respondeu com uma intensidade fria e possessiva, antes de se virar e sumir pela porta dos fundos como se nunca tivesse estado ali.

Mas Arion não era o único a ter notado a nova presença.

Longe dali, no coração da floresta, uma loba alta de pelagem negra parou seu patrulhamento. Morgana levantou o focinho para o vento, sentindo a mesma fragrância recém-chegada – o cheiro doce de humano misturado, de forma revoltante, ao odor inconfundível do seu Alpha.

A loba bufou, os olhos vermelhos brilhando com desprezo e ódio. A Deusa da Lua devia estar brincando. Após anos de lealdade, força e espera, Arion estava sendo ligado a uma simples humana fraca, que cheirava a medo.

Capítulo 2 💥 Capítulo 2: As Três Regras e a Descoberta

A Noite em Claro e as Memórias

Arion havia sumido na escuridão, mas o cheiro de pimenta e cedro, a essência dele, ainda pairava no ar da cabana. Elara cambaleou até o sofá empoeirado, caindo sobre ele. O medo era real, mas, para seu horror, a excitação era ainda mais avassaladora.

Ela tentou se acalmar, fechando os olhos e buscando a única coisa que lhe trazia paz: a memória de sua Vó Sofia.

Lembrança: Elara se viu na cozinha quente de seu apartamento na cidade, enquanto Sofia, com seus olhos gentis e sábios, passava as mãos sobre a madeira áspera da bengala. "Nossa cabana é diferente, minha querida. Ela fica na floresta de Blackwood, um lugar de força bruta. Se um dia você for para lá, precisa ter coragem. Você vai sentir o destino em sua pele." Sofia sempre sorria, mas havia uma tristeza distante em seus olhos. "Lá, os animais não são apenas animais, Elara. E os olhos de lobo de lá carregam a verdade mais antiga do mundo."

Elara abriu os olhos no escuro da cabana. Aquelas histórias sempre pareceram fantasiosas na cidade grande. Mas agora, depois de encarar o azul gélido de Arion, o Alpha com um cheiro viciante, a memória não era mais uma fábula. Era um aviso.

Elara se levantou do sofá, sentindo-se desorientada. O medo e a confusão estavam tomando conta de sua mente, e ela precisava desesperadamente de algo palpável para se ancorar. Ela tateou no escuro até encontrar a cozinha e a torneira, enchendo um copo com água fria e bebendo-o rapidamente. A frieza temporária ajudou a dissipar um pouco da névoa.

- Pense, Elara. Racionalize. Foi um sonho. Um delírio.

Mas o cheiro de pimenta e cedro dele ainda estava ali, e isso era inegável.

A Tentação Proibida

Ela voltou para o sofá. O relógio mental de Elara girava. Ela estava exausta, mas a imagem de Arion – a força implacável de seu corpo, a maneira como ele a olhava, como um predador faminto, e o beijo de ar proibido entre eles – invadiu sua mente com uma intensidade esmagadora.

Um calor traiçoeiro se espalhou pelo seu ventre. Ele era o seu Mate. O pensamento era repulsivo e, ao mesmo tempo, deliciosamente corruptor. Ela se mexeu no sofá, sentindo-se presa pela própria atração.

A mão dela subiu, hesitante, até a borda da sua calça, sentindo a urgência da sua nova e assustadora biologia. Seu corpo, acostumado à apatia da vida urbana, estava respondendo com uma intensidade brutal ao Alpha que ela acabara de conhecer. Ela quase cedeu ao toque, à rendição da sua própria carne ao instinto.

Com um gemido de repulsa e desejo, ela se forçou a afastar a mão.

"Estou ficando louca," ela pensou, a testa franzida de confusão. "Ele é um monstro possessivo, e eu estou aqui, sozinha, no escuro, excitada pela memória de um homem que me ameaçou. Isso não sou eu."

O Amanhecer e o Alpha Retorna

Ela não dormiu. Quando o primeiro raio de sol tênue penetrou pela janela empoeirada, Elara já não era mais a cética da metrópole. Ela olhou para a floresta densa e silenciosa, e as palavras da Vó Sofia – "o destino em sua pele" – trouxeram uma certeza fria. Os lobos eram reais. O misticismo era real. E o Alpha era o seu Mate.

Antes que pudesse processar o terror da sua nova realidade, a porta da frente se abriu com um estrondo silencioso.

Arion estava ali. Ele tinha voltado para a cabana, impecável, sem o cheiro de suor da noite, mas com um poder ainda mais concentrado. Ele a viu no sofá – desgrenhada, exausta, e com um brilho de desejo reprimido nos olhos. O cheiro dela, misturado com o calor da noite e a essência da excitação que ela tentara sufocar, era um mapa olfativo que lhe deu uma imagem quase exata da luta interna dela.

O Alpha sorriu de lado, um sorriso frio e cruelmente satisfeito que mostrava que ele sabia exatamente o que ela havia passado.

"Vejo que você teve uma noite de reflexão," ele disse, sua voz baixa e zombeteira. Ele se inclinou sobre a mesa da cozinha, os olhos azuis gélidos fixos nos dela. "O instinto é primitivo e, para um Alpha, quase irresistível, não é, Mate? É uma pena que tenha tentado lutar contra ele. Eu, no entanto, gostei do cheiro da sua rendição incompleta."

O rosto de Elara queimou em um tom escarlate de vergonha. Ela se sentiu completamente despida de sua privacidade.

"Eu... Eu não sei do que você está falando," ela gaguejou, desviando o olhar, mas o cheiro de pimenta dele era um ímã. "Eu estava com medo. É só isso. Você cheira a... a bicho!"

O sorriso de Arion se alargou, revelando uma satisfação genuína que era quase tão perigosa quanto sua raiva. Ele deu um passo lento para longe da mesa, aproximando-se do sofá onde ela estava sentada. Ele parou bem acima dela, dominando seu espaço.

"Você pode tentar mentir para si mesma, Elara," ele sussurrou, a voz grave e sedutora, "mas para o meu lobo, o seu medo cheira a flores, e a sua negação... Ah, a sua negação tem o cheiro mais doce que já senti."

Ele baixou a cabeça, e Elara sentiu a respiração quente dele roçar sua orelha, e ela se encolheu, quase cedendo. Seus instintos clamavam por ele.

Arion se endireitou, afastando-se de repente. A diversão desapareceu de seu rosto tão rápido quanto surgiu, substituída pela máscara de Alpha. A leveza do momento se dissipou como fumaça.

"Mas chega de jogos," ele disse, a voz voltando ao tom de autoridade fria. Ele levantou três dedos, a imagem do predador no controle total.

"Eu te disse ontem que você não é bem-vinda, Mate. Mas você é a minha responsabilidade. Você não é forte, não é esperta e é um farol de problemas." Ele levantou três dedos, a imagem do predador no controle total. "Você precisa de regras."

Arion se aproximou ainda mais, e Elara não conseguiu mover um centímetro sequer. O calor dele irradiava, e o perigo nunca pareceu tão irresistível.

"Regra Um: Você não sai desta cabana sem a minha permissão, exceto para o essencial. Regra Dois: Você não fala com mais ninguém da Alcateia. Se alguém se aproximar, você me liga. Imediatamente. Regra Três: Você não vai me desafiar. Jamais. Se me desobedecer, eu serei forçado a... ser o Alpha que a Alcateia precisa."

Ele hesitou. Seu olhar caiu para a boca de Elara, mas ele se afastou bruscamente, como se estivesse se queimando.

"Eu voltarei ao anoitecer para ter certeza de que você entendeu. E se Morgana tentar algo, você vai me contar," ele ordenou, o nome da loba rival soando como um aviso final e sombrio.

E, assim como na noite anterior, ele se foi, deixando Elara com o coração acelerado e uma certeza aterrorizante: ela não era livre e estava sob o domínio de um Alpha que a odiava e a desejava na mesma medida

Capítulo 3 📞 Capítulo 3: O Segredo da Origem

A Ligação de Emergência

O cheiro de Arion havia diminuído, mas a ameaça das Três Regras pairava na cabana. Elara passou as horas seguintes vasculhando a cozinha, apenas para confirmar o óbvio: a dispensa estava vazia. Arion a havia trancado ali sem mantimentos

Com o corpo vibrando de raiva pela manipulação do Alpha, ela pegou seu celular. Ela ligou para Ana.

"Elara! Finalmente! Por que você sumiu? Pelo seu rastreador, você está no meio do nada!" A voz de Ana era o caos familiar e reconfortante da cidade. "Você sabe que fugir para a cabana da Vovó Sofia não vai resolver sua dor."

"Não é por causa da dor, Ana," Elara respondeu, suspirando. "Eu... Eu encontrei uma pessoa aqui. Um homem. Ele disse que sou o Mate dele."

O silêncio do outro lado da linha foi seguido por uma explosão de risos. "Mate? Tipo, alma gêmea? Você andou vendo muitos filmes de fantasia, amiga! Aposto que ele é um lenhador barbudo e sexy. Pelo menos ele está te alimentando?"

"Não," Elara disse, e a realidade fria a atingiu. "Ele me trancou aqui e me proibiu de sair. E ele mencionou alguém... uma loba chamada Morgana. Ele a usou como ameaça."

O nome Morgana não significava nada para Ana, mas a situação bizarra sim. A voz da amiga mudou, ficando séria, a leveza da cidade sumindo de seu tom.

A Revelação da Origem

"Droga. Eu sabia que isso aconteceria assim que você pisasse no território Blackwood," Ana confessou. A simples admissão quebrou o disfarce.

"Elara, olha, eu sei que você sempre foi cética com as histórias da Sofia, mas sua avó era... diferente. E tem algo que eu devia ter te contado antes de você ir, mas ela me pediu segredo. É sobre seus pais."

Elara sentou-se, o coração acelerado. "O que tem meus pais? Eu sempre soube que eles sumiram quando eu era pequena."

Ana hesitou. "Seu pai era um humano, mas sua mãe... sua mãe era da linhagem de Bruxas da Lua. E não qualquer bruxa, mas uma ligada às lendas dos Shifters. Pessoas da Alcateia diziam que ela era uma Loba da Deusa da Lua - metade bruxa, metade loba, mas nunca completamente uma coisa só."

Elara lembrou-se do frio que havia sentido na noite anterior. Sua vida normal desmoronava. "O quê? Protetora? Minha mãe..."

"Sua mãe te amava, Elara. Ela me colocou na sua vida para garantir que você vivesse uma vida humana normal e protegida até que fosse tarde demais para o despertar. Eu sou uma protetora, Elara. Sua mãe temia que o destino dela se repetisse," Ana revelou, a voz quase um sussurro. "Seu pai era humano. Você é uma híbrida. É por isso que você tem o poder da Bruxa e o sangue do lobo. E é por isso que sua avó, Sofia, te mandou para a cabana: para forçar o seu despertar."

"Você já sentiu algo diferente, Elara? Algo como um frio intenso nas mãos em momentos de muita confusão ou pânico?" Ana perguntou, a voz tensa. "A linhagem da sua mãe tem o poder da Nevoa da Lua, que se manifesta como gelo e prata. Você precisa esconder isso pela sua segurança."

"Sobre a Morgana," Ana continuou. "Eu acredito que ela é a Beta mais forte da alcateia de Arion. Ela te odeia porque te acha humana e fraca, e ela quer ser a Luna. Ela é perigosa. Você precisa sair daí. Eu não posso te ajudar se você estiver sob o nariz dele. Arion te avisou. Morgana é a sua primeira caçadora."

"Ele me trancou e me deixou sem comida. Eu não sou um bebê que ele pode guardar em uma jaula," Elara rebateu, a voz cheia de uma nova determinação. "Obrigada, Ana. Mas a partir de agora, eu me protejo sozinha. E eu tenho que comer."

Elara desligou o telefone. A fome era real, mas a afronta era maior. Ela não era uma humana frágil. Ela era a Filha da Lua. Ela tinha o sangue do misticismo correndo em suas veias.

Ela pegou a chave de Sofia e saiu.

O Encontro no Armazém

Elara havia desobedecido a Regra Um e caminhava em direção ao pequeno Armazém Geral no coração da vila. A cidadezinha parecia congelada no tempo, e as poucas pessoas que a viram na rua a encararam com uma curiosidade fria. Elara sentiu que era uma mancha em um quadro que deveria permanecer intacto.

Ela encontrou o armazém e, ao entrar, o sino da porta tilintou. O calor aconchegante do lugar foi imediatamente interrompido por um cheiro forte, diferente do de Arion. Era âmbar e flores secas, um perfume arrogante e doce.

Do lado dos produtos de limpeza, surgiu uma mulher que era a personificação da beleza ameaçadora. Cabelos castanhos escuros, olhos verdes afiados e um corpo atlético. Ela estava vestida com roupas de couro que exalavam confiança.

Os olhos dela encontraram os de Elara, e o calor da loja pareceu cair para zero. A loba não precisou de Arion para reconhecer o cheiro da humana.

"Você é nova por aqui," Morgana afirmou, não como uma pergunta, mas como uma acusação. A voz era sedosa, mas carregada de desprezo.

"Acabei de me mudar," Elara respondeu, mantendo a voz o mais firme possível, apesar do medo.

Morgana estreitou os olhos, avaliando Elara de cima a baixo com um desdém que era palpável. "Eu sei quem você é. Eu conheço o seu cheiro," Morgana rosnou, dando ênfase à última palavra de um jeito que só as duas entenderam o significado. "Você é a aberração humana que o destino tentou empurrar para o meu Alpha."

"Eu não sei do que você está falando," Elara mentiu, tentando passar pela loba para alcançar o corredor dos enlatados.

Morgana se moveu com uma velocidade alarmante e bloqueou o caminho de Elara. Ela era visivelmente mais alta e mais musculosa.

"Você cheira a medo, a fraqueza. E o pior: cheira a ele," Morgana sibilou, inclinando-se para perto de Elara. "Deixe-me ser clara, híbrida. Arion não precisa de uma Mate. Ele precisa de uma Luna forte para a Alcateia, e essa sou eu."

Ela deu um passo para trás e olhou para Elara com um sorriso de escárnio triunfante.

"Você vai se afastar da cabana dele, da vida dele, e da minha Alcateia. Se você não fizer isso, eu mesma vou garantir que a sua curta e frágil vida humana termine mais rápido do que a sua mudança. Você não é a Mate dele. É o obstáculo dele."

Com isso, Morgana deu as costas a Elara, pagou suas compras no caixa e saiu, deixando o sino tilintar e o Armazém Geral em um silêncio tenso. Elara ficou paralisada no corredor, a ameaça de morte pairando no ar. Ela havia desobedecido Arion e acabado de declarar guerra à rival que a odiava. E Arion voltaria ao anoitecer.

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