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O Cheiro do Engano

O Cheiro do Engano

Autor:: Freya
Gênero: Fantasia
O cheiro de charuto e perfume barato nunca deveria estar junto, mas naquele dia, Ricardo o sentiu no ar do seu pequeno apartamento. Parado à porta, sacola de compras na mão, ele viu Juliana, sua noiva, nos braços de Gustavo, o filho arrogante de um magnata. A sacola caiu, as laranjas rolaram, e Juliana se virou, não com culpa, mas irritação: "Ricardo? O que você está fazendo aqui tão cedo?" Gustavo riu, puxando-a para mais perto, enquanto Ricardo sentia o chão sumir sob seus pés. "Não seja dramático, Ricardo," ela disse, antes de soltar a bomba: "Eu e Gustavo estamos juntos." Aquela revelação, que já era um soco no estômago, se transformou em humilhação pública quando a família dela-mãe, pai, irmão-saiu do quarto, revelando uma emboscada. Eles não só esperavam que Ricardo aceitasse a traição, mas que se casasse com Juliana para encobrir o caso, garantindo a "aliança poderosa" com Gustavo. "Vocês querem que eu seja um 'chifrudo' de fachada?" ele cuspiu, sentindo a dignidade ser pisoteada. Sônia, sua pseudo-sogra, prometeu fortuna, mas Ricardo viu apenas a ambição fria nos olhos de Juliana e a lembrança de todos os seus sacrifícios por eles se transformou em raiva. Ele foi usado como um peão, um investimento, e agora, um obstáculo. Mas o Ricardo ingênuo havia morrido naquele jardim. "Não," ele disse, a voz firme, "Eu não vou fazer parte dessa sua sujeira." Eles o subestimaram. Ele não tinha mais nada a perder. No entanto, a humilhação escalou: Gustavo, com um cruel sorriso, atacou o velho jardineiro André, uma das poucas pessoas que Ricardo estimava. Ao tentar defender André, Ricardo foi espancado pelos seguranças de Gustavo, e Juliana, com um chicote nas mãos, adicionou mais golpes na sua pele já marcada. "Você vai se casar com Juliana. Você vai sorrir para as câmeras. E você vai ficar quieto enquanto eu faço o que eu quiser com ela," Gustavo sibilou. Mas enquanto a dor o abatia, uma nova chama se acendeu: a busca pela verdade de quem realmente era, e uma promessa silenciosa de vingança. Ele não seria um peão. Ele seria um jogador.

Introdução

O cheiro de charuto e perfume barato nunca deveria estar junto, mas naquele dia, Ricardo o sentiu no ar do seu pequeno apartamento.

Parado à porta, sacola de compras na mão, ele viu Juliana, sua noiva, nos braços de Gustavo, o filho arrogante de um magnata.

A sacola caiu, as laranjas rolaram, e Juliana se virou, não com culpa, mas irritação: "Ricardo? O que você está fazendo aqui tão cedo?"

Gustavo riu, puxando-a para mais perto, enquanto Ricardo sentia o chão sumir sob seus pés.

"Não seja dramático, Ricardo," ela disse, antes de soltar a bomba: "Eu e Gustavo estamos juntos."

Aquela revelação, que já era um soco no estômago, se transformou em humilhação pública quando a família dela-mãe, pai, irmão-saiu do quarto, revelando uma emboscada.

Eles não só esperavam que Ricardo aceitasse a traição, mas que se casasse com Juliana para encobrir o caso, garantindo a "aliança poderosa" com Gustavo.

"Vocês querem que eu seja um 'chifrudo' de fachada?" ele cuspiu, sentindo a dignidade ser pisoteada.

Sônia, sua pseudo-sogra, prometeu fortuna, mas Ricardo viu apenas a ambição fria nos olhos de Juliana e a lembrança de todos os seus sacrifícios por eles se transformou em raiva.

Ele foi usado como um peão, um investimento, e agora, um obstáculo.

Mas o Ricardo ingênuo havia morrido naquele jardim.

"Não," ele disse, a voz firme, "Eu não vou fazer parte dessa sua sujeira."

Eles o subestimaram.

Ele não tinha mais nada a perder.

No entanto, a humilhação escalou: Gustavo, com um cruel sorriso, atacou o velho jardineiro André, uma das poucas pessoas que Ricardo estimava.

Ao tentar defender André, Ricardo foi espancado pelos seguranças de Gustavo, e Juliana, com um chicote nas mãos, adicionou mais golpes na sua pele já marcada.

"Você vai se casar com Juliana. Você vai sorrir para as câmeras. E você vai ficar quieto enquanto eu faço o que eu quiser com ela," Gustavo sibilou.

Mas enquanto a dor o abatia, uma nova chama se acendeu: a busca pela verdade de quem realmente era, e uma promessa silenciosa de vingança.

Ele não seria um peão.

Ele seria um jogador.

Capítulo 1

O cheiro de charuto caro e perfume feminino barato misturava-se no ar do pequeno apartamento, era um cheiro que Ricardo conhecia, mas que nunca deveria estar junto.

Ele parou na porta, com a sacola de compras ainda na mão.

Dentro da sala, sua noiva, Juliana, estava nos braços de outro homem.

O homem era Gustavo, o filho arrogante de um magnata da indústria, uma figura que Ricardo só via em colunas sociais.

Eles não o viram.

Estavam rindo, e a mão de Gustavo descia pelas costas de Juliana, parando perigosamente em sua cintura.

A sacola de compras caiu da mão de Ricardo, o som das laranjas rolando pelo chão de madeira quebrou o silêncio.

Juliana se virou bruscamente, seus olhos se arregalaram.

Ela não mostrou culpa, apenas irritação, como se Ricardo tivesse interrompido algo importante.

"Ricardo? O que você está fazendo aqui tão cedo?"

Gustavo, por outro lado, sorriu, um sorriso lento e presunçoso. Ele não fez questão de se afastar de Juliana, ao contrário, a puxou para mais perto.

Ricardo sentiu o sangue sumir de seu rosto, o choque era como um soco no estômago, tirando seu ar.

Ele olhou para Juliana, a mulher com quem planejava passar o resto da vida, e não a reconheceu.

"O que está acontecendo aqui, Juliana?" a voz dele saiu rouca, quase um sussurro.

Juliana se soltou de Gustavo e ajeitou o vestido, a expressão de irritação se transformou em desprezo.

"Não seja dramático, Ricardo. Gustavo e eu estávamos apenas conversando."

"Conversando?" Ricardo riu, um som amargo e sem alegria. "É assim que você chama isso agora?"

Ele apontou para a maneira como Gustavo a segurava, a intimidade óbvia entre eles.

Gustavo finalmente falou, sua voz era suave, mas cheia de veneno.

"Parece que o seu noivo é um pouco lento, querida. Talvez você devesse explicar as coisas para ele."

Juliana suspirou, como se estivesse lidando com uma criança teimosa.

Ela caminhou até Ricardo, mas não para confortá-lo, ela parou a uma distância segura, os braços cruzados.

"Olha, Ricardo, as coisas mudaram. Eu e Gustavo estamos juntos."

Cada palavra era uma martelada no peito de Ricardo.

"Juntos? Nós estamos noivos, Juliana. Íamos nos casar em três meses."

"Exatamente," ela disse, e agora sua família inteira entrou na sala, saindo do quarto onde deviam estar escondidos, esperando o momento certo. Sua mãe, seu pai, seu irmão, todos com a mesma expressão fria e calculista.

Era uma emboscada.

A mãe de Juliana, Sônia, foi a primeira a falar, sua voz era falsamente doce.

"Ricardo, querido, tente entender. Esta é uma oportunidade única para nossa família, e para você também."

Ricardo olhou para eles, confuso e traído. "Oportunidade? Que oportunidade?"

Foi o pai de Juliana, Alberto, quem respondeu, direto e sem rodeios.

"Juliana vai se envolver com o senhor Gustavo. É uma aliança poderosa. Mas a sociedade não pode saber disso agora, por razões de negócios da família de Gustavo. Então, o casamento de vocês vai acontecer como planejado."

Ricardo sentiu uma náusea subir pela garganta.

Ele olhou de Alberto para Juliana, e depois para Gustavo, que assistia a tudo com um divertimento cruel.

"Vocês... vocês querem que eu me case com ela, sabendo que ela está com ele? Vocês querem que eu seja um 'chifrudo' de fachada?"

A palavra saiu com nojo, com toda a humilhação que ele sentia.

Sônia fez uma careta. "Não use essa linguagem vulgar, Ricardo. Pense nisso como um acordo de negócios. Você se casa com a Juliana, mantém as aparências por um tempo, e nossa família vai te recompensar generosamente. Você terá uma vida que nunca sonhou."

A proposta era tão absurda, tão insultuosa, que por um momento Ricardo ficou sem palavras.

Eles não estavam apenas admitindo a traição, estavam pedindo que ele fosse cúmplice dela, que vendesse sua dignidade por dinheiro.

Ele olhou para Juliana, buscando qualquer sinal de remorso, qualquer vestígio da mulher que ele amou.

Não havia nada.

Seus olhos estavam frios, calculistas, cheios de ambição.

Ela não o amava, talvez nunca o tivesse amado. Ele era apenas uma peça no jogo dela, uma ponte para o poder e a riqueza que ela tanto desejava.

Ele se lembrou de todos os sacrifícios que fez por ela e pela família dela.

Ele trabalhou em dois empregos para ajudar a pagar as dívidas de Alberto, ele deu a ela o pouco dinheiro que tinha para que ela pudesse comprar roupas caras e frequentar os círculos sociais certos.

Ele fez tudo isso por amor, e para eles, era apenas um investimento, um peão a ser usado e descartado.

A dor no peito de Ricardo começou a se transformar em uma raiva fria.

A ingenuidade que o definira por tanto tempo estava se quebrando, sendo substituída por uma clareza dolorosa.

Ele não era parte da família deles, ele era uma ferramenta.

E agora, essa ferramenta havia se tornado um obstáculo a ser contornado da maneira mais humilhante possível.

Ele pensou no noivado, um evento que deveria ter sido feliz. Agora ele percebia a verdade.

O noivado não foi uma promessa de amor, foi uma estratégia.

O pai de Juliana o pressionou a pedir a mão dela, dizendo que era a coisa certa a fazer, que solidificaria sua posição na família.

Ricardo, ingênuo e apaixonado, concordou.

Ele gastou todas as suas economias em um anel, um anel que agora parecia queimar no dedo de Juliana.

Ele se lembrou de como eles comemoraram, a família dela o tratando com uma cordialidade forçada, enquanto ele se sentia o homem mais sortudo do mundo.

Que tolo ele tinha sido.

Ele olhou para os rostos à sua frente: a noiva traidora, o amante arrogante, a família gananciosa.

Eles esperavam que ele baixasse a cabeça, que aceitasse a humilhação em troca de migalhas de sua futura riqueza.

Eles o viam como um homem humilde, sem poder, sem opções.

Eles estavam errados.

Naquele momento, algo dentro de Ricardo mudou para sempre. A dor ainda estava lá, mas a raiva era mais forte.

A necessidade de lutar por sua dignidade, por sua honra, tornou-se a única coisa que importava.

Ele ergueu a cabeça, e pela primeira vez, olhou para eles não como um noivo traído, mas como um inimigo.

"Não", ele disse, a voz firme e clara, cortando a tensão na sala. "Eu não vou fazer parte dessa sua sujeira."

O sorriso de Gustavo vacilou por um segundo.

A família de Juliana o encarou, chocada com sua audácia.

Eles não esperavam resistência.

Mas Ricardo não tinha mais nada a perder, eles já tinham tirado tudo dele.

Tudo, menos sua dignidade.

E por isso, ele lutaria até o fim.

Capítulo 2

Ricardo voltou para o seu pequeno quarto nos fundos da propriedade da família de Juliana, o único espaço que ele podia chamar de seu.

O ar estava pesado, carregado com a humilhação que ele acabara de sofrer.

Cada objeto no quarto, cada livro, cada peça de roupa, parecia zombar dele, um lembrete de sua vida ingênua e de seus sonhos destruídos.

Ele se sentou na beirada da cama, a cabeça entre as mãos, a raiva e a dor lutando dentro dele.

Ele se sentia impotente, encurralado.

Um barulho do lado de fora o tirou de seus pensamentos.

Era a voz de André, o jardineiro idoso que trabalhava para a família de Juliana há décadas.

André era um homem simples e leal, e tinha um carinho especial por Ricardo, vendo nele a mesma honestidade e trabalho duro que ele valorizava.

"Por favor, senhor Gustavo, não faça isso! As flores não fizeram nada!"

Ricardo se levantou e foi até a pequena janela.

Do lado de fora, no jardim que André cuidava com tanto esmero, Gustavo estava parado com um taco de golfe na mão.

Ao seu lado, seus dois seguranças, dois homens enormes de terno preto, observavam com indiferença.

Com um sorriso cruel, Gustavo balançou o taco e decapitou uma fileira de rosas premiadas, as pétalas vermelhas se espalhando pelo gramado como gotas de sangue.

André, um homem de quase setenta anos, tentou intervir, colocando-se na frente de um canteiro de tulipas.

"Pare, por favor!"

Um dos seguranças de Gustavo empurrou André com força.

O velho jardineiro caiu no chão, a mão batendo em uma pedra decorativa.

Ricardo viu a dor no rosto de André e sentiu a raiva explodir dentro dele, uma fúria vermelha e quente.

Atacar um homem velho e indefeso, destruir o trabalho de sua vida por puro capricho, isso era mais do que Ricardo podia suportar.

Ele abriu a porta do quarto com um estrondo e marchou para o jardim.

"Deixe ele em paz!" gritou Ricardo.

Gustavo se virou, o sorriso presunçoso de volta ao rosto. Ele parecia estar esperando por isso.

"Ah, o noivo traído veio defender o criado. Que cena comovente."

Ele caminhou lentamente até Ricardo, girando o taco de golfe nas mãos. Seus seguranças se posicionaram atrás dele, bloqueando qualquer rota de fuga.

"Você não gostou do que eu fiz com as flores?" Gustavo zombou. "Elas me ofenderam. Assim como você."

Ele parou bem na frente de Ricardo, o espaço pessoal entre eles inexistente.

"Sabe, Ricardo, eu estava pensando. Juliana tem um gosto péssimo para homens. Olhe para você. Fraco. Pobre. Ingênuo."

Ele se aproximou do ouvido de Ricardo e sussurrou, a voz carregada de malícia.

"Mas eu preciso admitir, ela tem um corpo incrível. Eu me diverti muito com ele, na cama que você provavelmente sonhava em compartilhar com ela."

Ele se afastou e riu, um som alto e arrogante.

Para provar seu ponto, ele tirou do bolso um lenço de seda, um que Ricardo havia dado a Juliana em seu aniversário.

Era o lenço favorito dela.

Gustavo o levou ao nariz, cheirando-o de forma exagerada.

"Ainda tem o cheiro dela. O cheiro de nossa tarde juntos. Você quer sentir?"

Ele estendeu o lenço na direção de Ricardo, um convite à humilhação final.

Aquilo foi o estopim.

A imagem de Gustavo usando o presente que ele deu a Juliana, se gabando de sua traição, zombando de sua dor, quebrou a última barreira de controle de Ricardo.

A dor se transformou em pura fúria.

Os olhos de Ricardo escureceram.

Ele não era mais o jovem submisso e ingênuo.

Naquele momento, ele era um homem levado ao limite, um homem com nada a perder.

Gustavo continuou a provocá-lo, sem perceber a mudança nos olhos de Ricardo.

"O que foi? O gato comeu sua língua? Ou você finalmente entendeu o seu lugar? Você é um nada, Ricardo. E eu tenho tudo. Eu tenho o dinheiro, o poder, e eu tenho a sua mulher."

Ele jogou o lenço no chão, bem aos pés de Ricardo, e pisou nele com seu sapato de couro caro.

"Esse é o seu lugar. Debaixo do meu pé."

A provocação final foi dita.

A tensão no jardim era palpável.

André, ainda no chão, olhava com medo para Ricardo, implorando com os olhos para que ele não fizesse nada estúpido.

Mas era tarde demais.

A dignidade de um homem só pode ser pisoteada até certo ponto.

E Gustavo acabara de cruzar essa linha.

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