Mentira! Tento pensar nisso, enquanto desço e rebolo com um top e um micro shorts, em um pole dance. Engolindo todo nojo e mágoa, tento sorrir, da forma mais sexy que posso, pro cara que está pagando a maior grana pra me ver dançando na frente dele.
Engulo a bílis que se forma em minha garganta, só queria chorar e voltar pra casa, pros braços dela, da minha mãe, mas ela já não é mais a mesma, o câncer tirou todo brilho, toda a cor, e estava tirando a vida dela, pouco a pouco...
Minha mãe estava morrendo, eu não conseguia entender por quê eu era tão sem sorte assim, eu nunca tive nada de tão bom na minha vida,a única coisa boa que eu tinha, estava sendo arrancada de mim!
Eu faço um esforço por ela, o tratamento da minha mãe era bem caro, ela já tinha feito dois empréstimos do banco, que estavam super atrasados, para custear o tratamento. Eu olho ao meu redor e vejo todos esses homens cheios de dinheiro, esbanjando grana, enquanto cada centavo que eu recebia, era contado pra pagar as contas dos empréstimos e do hospital.
Nem eu sempre trabalhei como dançarina, eu preferia chamar assim, antes de aceitar a vaga, eu trabalhava servindo as bebidas. Era horrível, pois esses velhos tarados sempre encontravam um jeito de passar as mãos na minha bunda, ou debaixo do micro vestido que eu tinha que usar, pelo menos as dançarinas não seriam tocadas, não sem o nosso consentimento. Minha mãe nem sonhava que eu estava fazendo isso, há alguns meses atrás, eu conheci um garoto na escola, que fazia identidades falsas, tive que sair algumas vezes com ele e fingir que ele era meu namorado, é claro que ele não tocava na mercadoria, mas já que eu era considerada a vadia da escola, eu liguei o botão do foda-se.
Tudo porque eu não aceitei transar com um dos caras da equipe de basquete da escola, o que resultou em várias fofocas sobre mim. O idiota espalhou pra todo mundo que havia transado comigo, e que eu não passava de uma vadia que trabalhava em um clube de stripper, então eu usava meu belo rosto e meu corpo ao meu favor, eu sei o quanto atraio a atenção do sexo oposto, por isso eu aceitava sair com babacas e fingir transar com eles por dinheiro, eu sei o quanto isso é horrível, mas que escolha eu tinha? Minha mãe estava doente, eu não tinha um pai e precisava de grana. Dou mais um giro e me inclino na frente do homem que está me devorando com os olhos, sério, esse cara tem idade para ser meu pai.
Pai? Esse pensamento me faz rir, fala sério, o cara só transou com minha mãe e meteu o pé, ele viajou com os pais dele, como se nada tivesse acontecido, talvez fosse um daqueles babacas, filhinhos de papai, como os da minha escola, eu já tinha aceitado meu destino, uma completa fudida!
Mamãe o conheceu na faculdade. Um sonho que está a cada dia mais distante de mim, e acreditem, eu consegui uma bolsa de estudos em Princeton, uma das melhores universidades de Nova Jersey, eu não me surpreendi por terminar pelo menos o ensino médio, eu detestava cada aluno daquela escola.
Assim que a batida acaba, dou meu melhor sorriso e saio da sala, o dono da boate me cumprimenta com um olhar nojento, descendo seus olhos por cada pedacinho do meu corpo.
Ernesto era um cara nojento e violento,na casa dos quarenta anos, eu não entendia porquê me contratou, agora vendo seu sorriso asqueroso pra mim,percebo que não foi por pena da minha história, ele, assim como todos que se aproximavam de mim, só queriam me usar.
Eu tinha herdado alguns atributos da minha mãe, antes do câncer tirar toda beleza dela e a luz dos seus olhos.
"Minha menina você foi incrível." Ernesto passa a mão no meu rosto, e o simples gesto faz calafrios subirem pela minha pele, e não eram bons, ele tinha olhos azuis tão vazios e frios, bonitos de uma forma assustadora.
Ele me entrega um envelope com meu pagamento, dinheiro que eu me agarrei com todas as forças.
__Obrigada, Ernesto-eu digo, virando e me afastando dele, mas antes que eu chegue à porta, ele segura meu braço em um aperto quase firme demais.
__ Você sabe que se aceitar minha proposta,receberá mais que isso, não sabe?- Eu concordo.
__Prometo que vou pensar.- Ele me encara por mais alguns segundos, e me solta, eu respiro aliviada, e saio do lugar o mais rápido possível!
Pego minha jaqueta velha, e saio pelo fundo do clube, já que eu sou menor de idade, não posso trabalhar como as outras dançarinas, seria muito arriscado pros negócios de Ernesto, como se ele se importasse, eu penso, mas não poderia reclamar, quem daria um emprego melhor pra uma adolescente como eu, com apenas dezoito anos e com a fama de agredir o gerente do meu antigo trabalho. O cara tentou me estuprar, e é claro que ninguém acreditou em mim, ele falou pra polícia que eu me insinuei pra ele por dinheiro. É, eu cortei o dedo dele com uma faca de açougue... Até hoje eu me pergunto como minha mãe fez pra ele não prestar queixa, agradeça ao meu pai, se ele não tivesse abandonado minha mãe, ela não passaria tanto tempo com caras drogados e babacas e talvez eu não fosse tão violenta, enquanto tentava manter esses caras nojentos longe do meu quarto, mas não podia reclamar, era assim que minha mãe conseguia dinheiro pra pagar aulas de música e de desenho pra mim, culpava meu pai por tudo de ruim que tinha acontecido na minha vida, eu o odiava!
Por causa dele, minha mãe era desesperada pra me dar um pai, desde caras viciados em drogas a aspirantes a cantores de bandas de Rock, sempre tinha uma figura distorcida de um pai em casa, era melhor quando as mãos deles estavam longes de mim, é claro que minha mãe não sabia, ela sempre me deixava longe dos namorados fracassados dela.
Assim que chego no hospital as enfermeiras me olham com um olhar solidário, tipo aqueles que querem dizer" coitadinha, vai ficar órfão tão cedo"...
Avancei sem cumprimentar ninguém, e entrei no quarto da minha mãe.
Ela estava pior do que a última vez que a vi, sua pele, que outrora tinha sido bronzeada como a minha, agora estava tão branca, que era possível ver as veias roxas no seu rosto.
Os olhos que tinham uma coloração linda, verdes claros, agora estavam com uma nova cor sobre a Iris, meio amarelos e sem brilho, mas o que era pior pra ela era o cabelo, minha mãe tinha uma grande vaidade pelos cabelos, que eram de um castanho meio avermelhado, em ondas bem grossas e sedosas, que caíam até a sua cintura, assim como os meus.
Éramos tão parecidas que era como ver uma outra versão mais velha e cansada de mim.
Bem devagar, ela abriu os olhos, e deu um pequeno sorriso.
__Mel... Como foi no trabalho?
Tentando disfarça a minha voz embargada falei:
__Ótimo,mamãe! Eles pagam bem.
Mentira! Mas não poderia dar a ela essa decepção, minha mãe, que sempre deu a vida pra me dar tudo que podia, trabalhando até tarde em uma lanchonete, e à noite em um clube de dança da cidade, tudo isso pra comprar matérias para as minhas aulas de artes, essa era minha grande paixão, desenhar, é como se eu entrasse em um outro mundo, onde só existia o pincel e as tintas.
__Mel .... Preciso te falar uma coisa...
Ela começou a tossir
descontroladamente. Coloco um dedo sobre seus lábios, para que ela não se esforce demais.
__Mãe, calma... Não se esforça, eu já sei tudo que preciso saber.
__Não. -Ela falou quase sem ar-
__É sobre seu pai...
Meu pai? Não queria desperdiçar os últimos momentos da minha mãe, com um cara que nunca deu a mínima se eu existo ou não, a menção do nome pai me dava certa revolta e raiva, coisas que eu já tinha me esforçado pra esquecer.
__Mãe eu sei,não é culpa sua, você foi mais que um pai poderia ser, mesmo que eu não tenha crescido com um, você sempre compensou.
__Não...
Ela agarrou meu braço com tanta força, que deve ter custado muito dela,pois ela demonstrou, seu rosto estava contorcido de dor.
__Ele.... Ele está vivo querida, me perdoe por mentir, é culpa minha que você não tenha crescido em um lugar melhor, e com um pai que te ama.
Mas eu não queria saber se ele estava vivo ou morto, ele nunca deu a mínima pra nós duas, por quê falar disso agora.
__ Ele pode cuidar...
Mais tossidas,e agora com sangue.
Não me controlei, e deixei as lágrimas escaparem, em grandes gotas redondas, pelo meu rosto.
__Mãe... Mãe não quero saber nada sobre meu pai ,eu já superei,eu não quero criar esperanças de novo, só pra elas serem arrancadas de mim."
Ela me interrompeu.
__ Eu menti, querida,todos esses anos!
Ela devia estar fazendo muito esforço pra falar, pois estava custando cada grama de força que ela ainda tinha, o aperto no meu braço se intensificou.
__Ele não sabe de você, nunca veio te procurar, porque não sabe que você existe, eu fugi dele,achando que era o certo, mas você tem que ir até ele meu amor, ele pode dar pra você tudo que eu não pude, escuta Melany, seu pai não te abandonou como eu fiz você acreditar, tem tantas coisas que eu preciso te falar e eu não tenho tempo, a caixa debaixo do meu armário, pegue-a.
__Mãe eu não quero nada, eu quero só que você seja forte, pra gente voltar pra casa, comprar nosso apartamento, aí você vai voltar a fazer fotografia e eu vou fazer artes, como a gente tinha combinado,lembra?
Minha visão já estava mais que embaçada, meus soluços já estavam frenéticos, eu não conseguia pensar com clareza, era como se meu coração estivesse parando junto com o dela.
__Shii...-Minha mãe falou, colocando os dedos finos e pálidos, sobre meus lábios.
__ Eu sei querida e eu não trocaria nenhum momento desse por nada no mundo, eu sempre sonhei em te levar pra longe dessa droga de lugar, dessa droga de vida, entrar com você na faculdade. Eu sei que não fui uma boa mãe, eu fiz coisas que você não aprovaria e não merece saber, mas eu quero que você saiba que, não importa o que eu fiz, ou o que falarem de mim, eu amo você mais que minha própria vida!
__Por isso você tem que saber, me prometa que vai perdoá-lo,promete?
Os olhos dela estavam agora suplicantes.
__Mãe.... Eu, não...- Ela estava chorando, o que partiu meu coração, então eu fiz a única coisa que poderia fazer no momento, eu menti
__Eu... Prometo!
Ouvindo isso, ela soltou meu braço e deitou na cama.
__Você me perdoa?
__Claro mãe, eu te perdoei, mas você tem que ser forte, vamos sair dessa, o doutor disse que você é bem forte e tem grandes chances...
Ela me interrompeu.
__Não garotinha, minha vida já está escapando de mim a cada dia, não tenho mais forças pra lutar, nem sei se quero prolongar essa dor e o seu sofrimento, você tem dezoito anos, deveria estar na faculdade, como todos seus colegas, não aqui trabalhando de garçonete, pra pagar essa merda, sendo que eu já perdi.
__Não, mãe,para! Não fala isso,
Eu posso fazer uma faculdade comunitária, ou um curso EAD, não é grande coisa...
__Não-Ela agarrou meu braço bem forte.
__Você vai pra Princeton fazer Artes como combinamos, você conseguiu a bolsa, e nada no mundo me daria mais desgosto, do que você desistir dos seus sonhos por mim.
__Prometa pra mim, Melany- Ela fala, insistentemente, enquanto aperta, mais forte ainda, meu braço.
__ Prometa!
__ Mãe... Eu prometo, prometo que vou pra faculdade, e você vai comigo, vamos escolher meu alojamento juntas, você vai me mostrar em que salas estudou, em que dormitório ficou.- Ela balança a cabeça em negação, o que faz com que eu derrame mais lágrimas ainda.
__Dentro do meu guarda roupa tem uma caixa, lá tem o endereço do seu pai e telefone dele, você vai ligar pra ele, e falar com ele, você vai adora-lo, ele vai te mostrar tudo, onde estudamos, onde nos conhecemos, lá tem mais coisas sobre minha família que você precisa saber.
Eu nunca iria fazer isso, que se dane toda grana dele, cadê ele quando mais precisávamos, eu sei que estava sendo egoísta e idiota, meu pai nem sabia que eu existia,ele não tinha culpa, mas por quê eu estava sentindo essas sensação de abandono?
Eu tive que ver minha mãe chorando sozinha,dentro do quarto,olhando pra uma foto surrada, de um cara que eu não conhecia.
__Você é teimosa como ele, sabia? Por isso já falei com ele. Ele está vindo pra buscar você, ele deve chegar dentro de dois dias, você não imagina como ele ficou quando falei de você, ele queria te ver imediatamente.
__O quê ?
Toda cor sumiu do meu rosto, como minha mãe poderia achar que eu iria deixá-la, e viver uma vida que não era minha, com um pai que eu mal conhecia,tudo era novo pra mim, eu não sabia o que pensar, eu sempre quis um pai, então por que não estava feliz? De alguma forma eu estava culpando-o por minha mãe estar morrendo,porque se o cara era rico,ele poderia salva-la,eu sei, é egoísta, mas e daí,foda-se ele.
Eu não seria uma daquelas garotas mimadas da escola, que eu tanto odiava, nunca, se ele acha que vai ser fácil me comprar, está muito enganado, eu iria fazê-lo gastar cada precioso centavo dele me procurando, eu era boa nisso, boa em fugir!
__Não, eu não....
Minha mãe começou a tossir descontroladamente, aumentado ainda mais meu desespero.
__Mel ....
Ela tentava falar em meio às tossidas.
__Eu ... Amo você, nunca esqueça disso"
__Mãe,eu também te amo, por favor não me deixa.
Só que senti que era uma despedida,minha mãe já estava prevendo seu fim.
__Doutor Socorro, por favor, a ajudem .
Eles entraram na sala correndo
Alguém me tirou lá de dentro, mas não pude identificar quem era, pois estava gritando e sufocando com as lágrimas, que não paravam de vir.
Horas depois quando acordei em um quarto todo branco, com um aparelho grudado em minha veia.
As memórias vieram tão rápido que um bipe bem agudo soou do meu lado, despertando a enfermeira que estava mexendo em um prontuário.
Assim que olhei nós olhos dela, já sabia o que estava por vir.
Essa era a expressão que via todos os dias nos rostos dos médicos, quando davam uma notícia de óbito pra alguém.
Desabei na cama.
Com uma dor tão grande,como se estivesse sido apunhalada no peito...
Quis gritar,espernear, mas isso não iria trazê-la de volta, ela já estava preparada, mas eu não...
Não poderia estar nunca.
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Você deve estar se perguntado porquê eu estou fazendo isso, porquê estou fugindo do meu pai, quando eu sempre quis conhecê-lo, rebeldia, eu acho,revolta, raiva, bom, tudo isso!
Eu pego meu kit de pincéis,embora eu não saiba se terei chance de usá-los de novo,minhas roupas, eram poucas, minha necessaire de maquiagem, e alguns tênis. Eu tiro minha mala da Louis Vuitton, que tinha ganhado de um dos meus namorados falsos, e a encho de coisas, não tinha como levar tudo, então eu deixo a caixa de coisas da minha mãe no armário,e só pego o necessário, eu faço uma promessa de voltar e pegar depois.
Meu pai era um prestigiado advogado em Nova Jersey, eu pesquisei na internet,ele era casado e tinha dois filhos, eu tinha irmãos, a ideia não me animou tanto quanto antes, eu não pertencia à família dele, eu fiquei apavorada, intimidada. E se essas pessoas não gostassem de mim, como todos da minha escola...
Com certeza o universo conspirava pra que eu não fosse feliz, o que ele quer comigo, que se dane ele, que se dane a droga do dinheiro, se quer me encontrar vai ter que suar, e gastar muito mais do seu precioso dinheirinho. Sento na beira da cama e tento não chorar de frustração e raiva... Ok,sim de medo também, permito-me cinco minutos de auto piedade, eu não sabia o que fazer,eu saberia lidar com um pai desconhecido,agora, eu não sabia lidar com pessoas ricas.
Dane-se o universo, dane-se meu pai.
Meu telefone toca, era Ernesto, ele estava insistindo pra que eu aceitasse sua proposta de mudar de cidade, eu estava apavorada,e se eu fosse vendida em um leilão pra velhos ricos...
__Então, sobre a proposta, você tem uma reposta, olha, esse é meu último convite, confie em mim, eu já tive motivos pra te enganar? .- Ele pergunta sério.
__ Não, é que...- ele me interrompe.
__ Olha se você não gostar da cidade,pode voltar... É pegar ou largar, o que me diz?- Eu sei que me arrependeria do que ia fazer, mas eu estava com medo de ver meu pai,eu não conseguiria perdoá-lo,embora ele não tivesse culpa. Agora sim,eu estava morta, minha única amiga do clube,Pâmela, me disse pra ficar longe de Ernesto, mas uma vez que ele bateu os olhos em mim, não parava de me procurar e oferecer muito dinheiro pra que eu dançasse, eu sei, era o fim do poço, todo mundo sabia que ele não era confiável, ele comandava um prostíbulo na cidade,mas quem iria denunciar o cara? Os policiais eram visitantes constantes do local. Mas eu tinha prometido a mim mesma, que só ficaria até conseguir dinheiro pra mudar de cidade, mas como eu iria fazer isso agora...
Eu tinha acabado de concordar de mudar pra Flórida, teria uma ID falsa, um novo passaporte, e eles me pagariam mais, era isso,não tinha como fugir, uma vez que concordei estava presa a Ernesto, eu já tinha ouvido histórias horríveis de garotas que não cumpriram suas
promessas,desaparecerem, e quando eu falo desaparecer, isso quer dizer que,ou elas eram mortas, ou viravam prostitutas!
Eu tinha perdido minha chance de estudar, minha mãe iria ficar tão decepcionada, ok, tento não pensar nela.
Preciso de dinheiro, e único jeito de conseguir é esse! Boulevt's, é um pequeno clube de stripper,na saída da cidade, meu serviço antes, era apenas servir bebidas, já era insuportável ter que lidar com caras bêbados, tentando pegar na sua bunda, agora ficou pior, eu tinha que dançar pra esses caras asquerosos. O clube tinha uma vasta lista de opções, desde pole dance a dança em jaulas, ninguém falava nada,mas eu sabia que algumas garotas se vendiam pra conseguir dinheiro, esse era o destino de quem ficava muito tempo por aqui.
Eu tinha prometido não voltar pra aquele lugar, desde a morte da minha mãe, mas agora, com toda essa confusão em minha mente, eu não tinha escolha, eu iria sair da cidade, mas Ernesto me ameaçou, nosso contrato era de um ano, então a única chance de fugir, era mudando pra Flórida, pra outro clube onde ele gerenciava.
Eu tenho o corpo da minha mãe, exceto pela altura e a cor dos olhos somos idênticas, pernas grossas e definidas cintura fina e seios grandes, meu cabelo era comprido e encaracolado com cachos grossos que caiam no meio até a altura do quadril.
Ernesto me disse que eu era linda, ele me chamava de Barbie, nomes aqui eram proibidos, eu tinha uma identidade falsa, que dizia que eu tinha 31 anos e me chamava Christina Anderson, mas é claro que eu não tinha cara de uma mulher de trinta e um anos, mas as pessoas aqui preferiam ignorar.
__ Barbie, você mudou de ideia, sabia que não conseguiria resistir à minha proposta.
Ernesto fala perto do meu rosto, o cheiro forte de cigarro faz meu estômago embrulhar, ele era um cara assustador, eu já vi a forma como ele tratava algumas garotas e tinha medo dele fazer o mesmo comigo,caso eu mudasse de ideia.
__ Então vamos sair hoje à noite,eu já tenho tudo preparado, Natan irá com você, eu tenho certeza que com um rostinho desse, você vai me dar muito dinheiro.- Minha pele começa a suar, e minha mente grita pra correr atrás do meu pai, e pedir pra ele me tirar dessa vida, mas meu destino já estava feito, eu tinha feito um trato com o diabo e agora teria que cumprir!
__ Você só terá essa abertura hoje à noite, depois disso pode se preparar pra sua nova vida.
__Eu...Quanto? -Minha voz sai baixa e trêmula, eu estava a ponto de desmaiar.
"Quanto, o quê?" Ele diz perto de mais do meu rosto, me causando enjôo.
__Dinheiro, você disse que seria apenas uma dança que me daria muito dinheiro."
__Quatrocentos dólares, e também pode ficar com as gorjetas, e não pense que você dita as regras, garota, você assinou um contrato, eu mando aqui, está entendendo? a dança vai ser nas salas privadas, se for uma boa menina, vou te dar cem pela dança, esse cara é muito rico, e está oferecendo uma fortuna pra ver você.
Eu concordo, e corro para o banheiro pra despejar tudo que comi no vaso, eu odiava ter que fazer isso, já era nojento demais ter caras velhos e nojentos olhando pra você, uma vez na semana, todos os dias, seria demais. E o que ele quis dizer com ele que manda, ele iria me fazer dormir com alguém? A simples ideia me faz vomitar mais ainda.
Lavo o rosto e saio do banheiro.
Guardo qualquer pensamento e desconforto, bem atrás na minha mente, esse não é o momento pra debate interno de moral, até porquê, a minha já estava se arrastando no chão.
Tudo bem garota, você consegue, depois disso você some pra bem longe desse lugar!
A chegada do meu pai na cidade, estava me matando, ainda mais agora, que ele descobriu onde eu vivo, é que não fui embora da cidade, como dei a entender, semana passada eu comprei uma passagem pra Colorado e entreguei pra uma pessoa qualquer, é claro que eles comeram a isca, eu tive paz por semanas, mas
agora eu estava com medo dele me encontrar, em qualquer lugar que eu fosse, o cara era podre de rico, provavelmente já tinha comprado até o prefeito da cidade, eu não entendia o porquê desse interesse repentino na minha vida, ele não poderia continuar ignorando minha existência,como já tinha feito nos últimos dezoito anos...
Quem ele pensa que é? E por que ele acha que tem algum direito paterno sobre mim? Eu me arrependo de pensar isso na mesma hora, ele não sabia, eu tento dizer, mas a dor no meu peito não me faz aceitar, quando eu vi as fotos dos filhos e da mulher dele, eu senti um pouco de inveja, eles tiveram um pai que eu não tive, essa mulher poderia ser a minha mãe, e eu poderia estar naquelas fotos.
Mamãe sempre falou que ele estava morto pra nós, que dizer, até aquela noite, quando ela abriu o jogo, mas eu não conseguia ter raiva dela por mentir, se ela me escondeu a existência dele, era porque ele tinha feito alguma merda, não é?
Cadê ele quando precisei, quando quebrei o pé em uma brincadeira no parque, ou quando meus colegas me humilhavam, por eu não ter o dinheiro que eles tinham, ele nunca estava lá pra me defender, e esperei no fundo da minha mente, que ele viesse e jogasse na cara daquelas crianças idiotas, que eu também tinha um pai como elas, esperei com todas as forças, mas agora cansei de esperar!
Agora eu não precisava, nem queria vê-lo nunca, mais uma mentira, eu queria com todas as forças que ele me amasse... Mas eu sabia que quando ele olhasse pra mim, se arrependeria de me procurar, eu era uma vergonha, que pai não teria vergonha de ter uma filha como eu, ele não me aceitaria, isso era óbvio, pra quê prolongar o inevitável.
Eu pego a velha foto surrada do bolso do meu jeans, e vejo a foto dele, um cara bonito, olhos azuis, pele bronzeada, maçãs do rosto altas, nariz fino, lábios cheios, como os meus, não poderia negar, o cara se parecia mesmo comigo.
Empurro Stive Parck para o funda da minha mente.
O clube estava lotado hoje.
A noite da jaula é um grande show por aqui. Tinha uns caras ricos entrando na parte vip do clube, estranho, não há muitos ricos em Sedona, Arizona, uma pequena cidade no meio do caminho entre Phoenix e o Grand Canyon, a principal atração da cidade era a natureza.
Quando entro no camarim, me deparo com meninas loiras, morenas, e até ruivas como eu, elas não me olham, algumas tinham marcas roxas sobre o corpo, todos sabiam do que se tratava, mas ninguém tinha coragem de falar nada.
Pâmela, uma mulher mais velha, se aproxima, ela havia me alertado pra tomar cuidado com Ernesto, agora que aceitei o acordo, ela não olhava pra mim, não posso culpa-la,eu perdi minha chance de fugir, agora minha única saída era a morte .
Quando estou saindo, Ernesto segura meu braço.
__ Esse visitante é muito rico, faça ele se sentir bem, e se ele quiser algo mais não recuse.- Lágrimas ameaçam cair do meu rosto, eu queria morrer, me enterrar, por quê eu não ouvi minha mãe? Agora eu estava sozinha.
__Você vai se sair bem!
Ele me dá um tapinha de consolo e sai, minha barriga estava doendo de nervosismo, e se esse cara quiser fazer algo mais, como eu vou fugir.?
Entro na sala vip. É tarde demais,eu estava no fim do poço, se minha mãe estivesse aqui, teria ficado tão decepcionada, ela nunca soube da minha vida dupla em um clube de stripper mal falado da cidade.
Um cara com um paletó preto já está me esperando, ele era alto, branco, cabelos grisalhos, esse cara tinha idade de ser meu pai.
Eu estava quase tendo um ataque de pânico, deslizei com uma confiança que não sentia, eu rebolo na frente do cara, e desço as mãos sobre meu corpo, os olhos dele estão distantes, mas ele olha pra mim, não pro meu corpo, mas nos meus olhos... A música é lenta, e eu continuo fazendo movimentos lentos e sensuais.
Lágrimas picam na minhas pálpebras, mas eu sei que elas não descem, eu treinei pra nunca chorar em público.
A última vez que chorei foi por minha mãe, em seu leito de morte.
Dou um giro e mexo o quadril pro lado, a música para, e o cara continua lá, imóvel, então ele pega um telefone e diz alguma coisa.
__ Toma vista isso.- Eu estava em choque, quem esse cara pensava que era, ele estava me sequestrando?
Eu dou um passo pra trás e ele se aproxima mais de mim.
__Calma, eu não vou te machucar, eu vou te tirar daqui Melany, seu pai está esperando.
Pai? Eu queria gritar e dizer que eu não tinha pai, mas não queria que ele me matasse.
Cenas de tráfico de mulheres vêm na minha mente, não, ele teria que me matar pra fazer isso.
Eu corro em direção à porta, mas ele é mais rápido, ele segura no meu braço e me prende entre a parede e o corpo dele, eu queria gritar, mas a pressão dele sobre mim estava tão forte, que estava difícil respirar.
__ Por favor não faça isso, eu não vou te machucar, eu trabalho pra polícia, eu vou te tirar daqui. -Mas eu não parava de pensar nos policias nojentos que visitavam esse clube, não, esse não poderia ser meu fim!
__ Me larga, você está louco!- grito.
Ele não se move, eu levanto a perna e acerto bem no meio das suas pernas, ele folga o aperto sobre mim, eu tento correr, mas ele é mais rápido, em questão de segundos está sobre mim de novo, dessa vez ele pega algo dentro do bolso, e a última coisa que lembro antes de perder a consciência, é de ver um cara de olhos azuis parado, em frente à porta.
Aquele cara era familiar pra mim, mas minha mente não estava mais formando imagens, eu desmaio.
Quando eu acordo, estava na parte de trás de um carro, minha cabeça estava doendo, e minha visão estava turva, imagens da minha luta com o cara de cabelos grisalhos me vêm à mente.
Meu Deus, estou sendo sequestrada, por um maluco que diz ser um policial, eu passo as mãos sobre meu corpo e vejo que estou com a mesma roupa de quando saí do clube, exceto por uma jaqueta preta que estava sobre meus ombros, eu procuro minha mala, eu a trouxe pro clube mais cedo, eu tinha coisas importantes nela.
Não tinha nada que eu pudesse usar pra me defender, devagar, pra não chamar atenção do cara, eu pego o grampo de cabelo que estava segurando meu penteado, tinha dois homens no carro, o de cabelos grisalhos, que me sequestrou, e o outro cara dos olhos azuis.
Eu puxo a maçaneta da porta, mas a coisa estúpida não abre, eu encaro o homem de olhos azuis, seu rosto estava tenso,ele olha pra mim, e eu desvio a atenção, sim, esse era meu pai!
Vergonha e medo me tomam, o que ele devia estar pensando de mim agora, com essas roupas, devia achar que eu era uma prostituta.
Meu corpo começa a tremer, e sem que eu consiga controlar, eu choro em silêncio, com a cabeça enfiada entre minhas pernas. Se eu tinha alguma chance de me dar bem com esse cara, elas já eram.
O motorista olha pro cara do lado, e os dois fazem aquela coisa estranha de comunicação por olhar...
__ Melany esse é Stive Pack seu pai.
Eu olho pra eles e me sinto menor ainda, eu não poderia deixar que eles fizessem eu me sentir inferior, eu queria negar que eu nunca tinha visto esse cara na minha vida, mas ele estava lá, olhando pra mim!
Olhos azuis, maçãs do rosto altas, lábios carnudos, cabelos claros, esses olhos, eram iguais aos meus.
É claro que era ele, eu sabia, já tinha passado horas encarando uma foto que minha mãe guardava dele, estava mais novo, mas ainda assim,era o mesmo homem, meu peito dói, eu queria perguntar por quê ele nunca me procurou,ou por quê não deu a mínima pra minha mãe, quando ela estava morrendo, mas me negava a falar qualquer coisa pra ele.
__ Olha senhor, eu não preciso da sua pena,se está aqui só por obrigação, não precisa, eu não tenho seu nome nos meus documentos mesmo, sua mulher não precisa saber que tem uma filha como eu, um cara como você não anda com garotas como eu, isso não vai ser nada bom pra sua reputação, mas o senhor pode me deixar no próximo cruzamento, e eu prometo que nunca mais vai ouvir nada de mim.
Só então ele abre a boca.
__Nunca ouvi tanta besteira na minha vida, acha mesmo que sou uma pessoa tão cruel assim?Eu procurei muito por você, e ainda bem que cheguei antes de você acabar com sua vida, aqueles pervertidos vão pagar pelo que fizeram a você, eu quero todos eles na cadeia, e aquele clube fechado."
Parte de mim ficou radiante de alegria,por saber que ele estava me defendendo, mas a parte ruim, aquela que me atormentava, queria jogar na cara dele todos esses anos que ele fingiu que eu não existia, que tudo que eu estava prestes a fazer,era culpa dele.
Meus olhos enchem de água mais uma vez,só que agora eu me recuso a chorar na frente dele, sendo assim, eu ergo o queixo com uma segurança falsa e digo: __Você já parou pra pensar, que pode não ser meu pai.?- Eu olho pro polícia, buscando ajuda.
__ Olha só, eu agradeço mesmo, por vocês terem me ajudado a sair viva do clube ,mas eu já disse, eu não conheço esse cara, até onde eu sei, ele pode estar trabalhando pro dono do clube,você não pode me entregar a ele.-Nada, o cara continua imóvel, com as mãos no volante.
Stive olha pra mim mais uma vez, e eu desvio o olhar.
Mas meus olhos vão diretamente no dedo dele, onde tinha uma grossa aliança de ouro, deve ter custado uma nota.
Seus olhos acompanham meus movimentos e ele diz:
__ Eu sou casado Melany, você tem dois irmãos.
__ Eu não me importo- Digo irritada, se ele acha que vai me comprar com essa história de família perfeita, está enganado!
__ Sério? Você vai agir como se não estivesse interessada em saber mais sobre mim?
Eu continuo ignorando qualquer tentativa de conversa, eu não estava dando a mínima pra família perfeita dele, quando eu tinha dez anos e minha mãe enfim tinha falado que eu tinha um pai, eu perguntei se eu tinha irmãos, se eles iriam gostar de mim quando me conhecessem, se meu pai iria me buscar pra passar as férias com eles...Agora já tinha superado esses sonhos
idiotas!Ainda mais quando ela falou a história do meu nascimento resumidamente.
__ Desculpa querida, mas seu pai não dá a mínima pra gente, assim que engravidei,ele resolveu ficar com outra mulher, então eu fugi,e nunca mais nós nos vimos.Fazer o quê, eu era uma estudante boba e apaixonada por um cara milionário, que futuro isso teria. Ele sempre escolheria uma pessoa como ele, aliás,os pais dele nunca deixariam."
Meu coração cambaleia de novo, pela ausência dela.
__ Sua mãe desapareceu dezoito anos atrás. Deixando um bilhete dizendo que nós nunca daríamos certo, que eu estava sufocando-a, eu não sabia que ela estava grávida, eu procurei-a durante anos, mas com o tempo,percebi que ela não queria ser encontrada, passei tanto tempo tentando entender o que eu teria feito pra ela tomar essa decisão, ela amava a faculdade, a fotografia...Ela não deixaria isso por nada!
Ele disse isso pensativo.
__Talvez ela não me amasse mais.
Stive dá um suspiro triste, como se estivesse em uma lembrança distante.
__ Você é a cara dela, sabia, linda do mesmo jeito.
De alguma forma essas palavras fizeram a enxurrada de lágrimas, que eu estava háa tanto tempo ignorando,descerem, ele não estava me desprezando, como eu esperava, de alguma forma eu queria que ele fizesse isso, seria mais fácil não me apegar a ele.
Não sei se era o meu psicológico que ainda estava muito afetado pela perda dela, ou descobrir, que esse homem, o meu pai,sempre a amou.
E nunca deixou de nos procurar, agora entendo o porquê minha da mãe não parar de me pedir perdão, e de me fazer prometer perdoa-lo.
Mas perdoar era difícil, muito difícil esquecer anos de abandono, sofrimento,em uma única noite, era impossível, ele teria que se esforçar mais que isso.
Eu caio de volta no assento,querendo saber mais sobre ele e minha mãe.
Mas não hoje, não agora, já tinha passado humilhação demais por uma noite.
Eu estava em silêncio no banco do carro, o policial se despediu do meu pai quando chegamos em uma delegacia eles pararam pra conversar eu aproveitei e troquei de roupa minha mala estava no porta malas do carro pra minha sorte, meu pai falou que logo nós iríamos voltar pra pegar o restante das minhas coisas eu permaneci quieta.
Ele trocou de carro e logo tinha um cara careca dirigindo já estava tarde meus olhos estavam tão pesados que estava sendo difícil saber onde já estávamos.
Stive olha pra mim com um olhar triste e isso me irrita ele já devia estar arrependido de ter me encontrado, como ele iria explicar pra linda esposa onde me encontrou.
"Oi querida então minha filha era mesmo uma vagabunda que estava prestes a se tornar garota de programa." Eu balanço a cabeça não queria pensar nisso por isso preferia a raiva ela me deixava mais forte.
__Boa história Stive, mais eu não estou interessada em nada que você possa me dá, você nem tem certeza se sou sua filha minha mãe tinha vários namorados então você pode me deixar a aqui e fingir que nunca me viu.
Meu suposto pai responde:
__Eu não entendo onde você quer chegar com isso eu entendo que está confusa e chateada, mas se isso realmente importar tanto podemos fazer um teste de DNA assim que chegarmos em Nova Jersey embora já está bem evidente que é minha filha. Ele sorrir sozinho e eu não deixo de sentir raiva toda essa calma estava me deixando confusa eu não sabia o que esperar.
Dou uma risada zombeteira.
__Tudo bem, me diz uma coisa sua esposa não deve estar feliz por descobrir que você pulou a cerca além do mais que está me levando pra casa dela.
Eu sei que isso era cruel mais nem em sonhos que iria facilitar as coisas pra esse cara, ele era um completo desconhecido pra mim. Seus olhos se viram sobre mim.
__Você não vai conseguir me persuadir dessa forma Melany, você não entende toda história, mas se me ouvir eu posso te falar toda verdade assim talvez não me veja como uma pessoa tão ruim. Eu rolo os olhos e ele suspira em derrota, ele fica em silêncio por longos minutos.
__Talvez a gente pode fazer um acordo você me dá uma grana devolve minha identidade e eu vou embora, pense bem não vai ter problemas com sua família. As últimas palavras saem embargadas eu odiava me sentir fraca era difícil está na frente dele depois de anos.
__Não diga isso, eu jamais deixaria você, agora também faz parte da minha família. Ele olha pra minha ID falsa.
__Eu conheço uma ID falsa quando vejo uma, com isso você não conseguiria nem sair dos EUA eu sei mais sobre truques adolescentes do que você imagina. Ele me devolve, eu seguro e coloco no meu bolso talvez não de pra enganar ninguém com ela mais não deixaria que ele pensasse que me ganhou.
Eu olho pra ele com frieza esse homem, mesmo que seja meu pai não estava recebendo nada de mim, eu deixei de esperar por ele a muito tempo ele não poderia chegar agora e tomar as rédeas da minha vida como se já fizesse parte dela.
Escondo meu rosto sobre o vidro do carro pra esconder o flash de dor que se passa pelo meu rosto, eu esperei minha vida toda pelo meu pai agora que ele está aqui eu não suportava a ideia.
Você não vai chorar!
Você não vai chorar!
Stive passa a metade do tempo digitando mensagens e olhando do relógio, ele olha pra mim por alguns segundos mais logo volta sua atenção para o telefone.
__Sua mãe e eu nós conhecemos na faculdade, ela tinha a sua idade adorava tirar fotos de tudo que acontecia, andava o tempo todo com câmera no pescoço, agente namorou por algum tempo, mais meus
pais queriam que eu continuasse com os negócios da família, eu sou advogado caso você não saiba.
Claro que eu sei, penso com amargura.
Ele toma meu silêncio como uma forma de aprovação pra continuar sua história.
__Sua mãe era um espírito livre adorava capturar cada momento com aquela câmera que ela carregava pra cima e pra baixo .
Ela adorava coisas grandes e foi assim que me aproximei dela, ela tinha essa energia que fazia todos quere ficar perto dela, mais no fundo ela era bem sozinha.
Ela não gostava de falar sobre os pais tudo que eu sei é que eles a abandonaram com dez anos em um orfanato em Trento.
Meus olhos se enchem de lágrimas em imaginar que minha mãe cresceu sozinha, até eu nascer, ela nunca quis que eu tivesse o mesmo destino que ela. Completamente alheio as minhas emoções ele continua.
__Me aproximar dela foi a coisa mais difícil da minha vida, ela me detestava, não era como todas as garotas, não ligava pro fato de eu ser filho de um dos caras mais ricos da cidade, é isso era o que eu gostava dela.
Ele dá um pequeno sorriso, como se sua mente estivesse vagando a quilômetros de distância desse carro.
__Uma vez que me aproximei dela não quis sair nunca mais, estava disposto a enfrentar meus pais pra ficar com ela, mais logo descobri que Regina estava gravida, eu não sei como ela soube mais resolveu fugir depois disso, parece que ela não sentia o mesmo por mim. Ela sumiu deixando apenas uma carta.
Queria dizer que minha mãe não o odiava, que depois dele ela não conseguiu ficar com mais ninguém. Mais não estava pronta a ceder.
__Eu posso dá a você assim vai esclarecer alguns mal entendidos sobre mim. Ele diz olhando pra mim.
Era uma provocação horrível o que ele estava fazendo, é claro que queria saber, mais não vou dar esse gostinho a ele.
Abaixei o rosto mais preocupada com minha unha do que com a história dele, eu não iria demostrar qualquer pena ou sentimento de afeto por ele.
Cansado do meu silêncio ele suspira e diz;
__Eu sei que nesse momento você deve me odiar, e tem motivos, mas eu tenho a carta, guardei pra mostrar pra você assim que te encontrasse.
__Tudo bem eu quero ver. Viro meu rosto depressa para ele, seus olhos estavam cansados e tristes e só por um momento me permito ter um pouco de pena dele, aliás o cara tinha acabado de ganhar uma filha desajustada pra criar.
__Tudo bem assim que chegarmos em casa dou a você, agora você devia descasçar um pouco ainda estamos longe. Eu não conseguia mais manter os olhos abertos mais minha mente estava uma bagunça por, mas que eu tentasse não conseguiria dormir.
Você tem vergonha de mim? A minha voz sai por um fio eu estava a todo custo tentado ser forte, mas todas essas informações estavam me matando. Ele me olha surpreso seus olhos insondáveis.
__Por Deus Melany, eu sinto tantas coisas agora mais vergonha isso nunca. Eu estava tentando me agarrar a segurança de suas palavras, ele respira fundo e olha pra mim com um olhar carinhoso e o caroço na minha garganta só aumenta.
__Eu me sinto culpado na verdade, se eu tivesse lutado por sua mãe você não teria que passar por isso. Ele desvia os olhos dos meus.
__Não pense nisso, tudo bem. Eu não digo nada só deito a cabeça sobre o vidro da janela eu não queria mais falar nada.
"Eu vou ficar Bem tudo vai ficar bem continue firme Melany você é forte."
Me sentindo mais confiante eu fecho os olhos.
O resto da viagem foi tranquilo Stive pediu pra para um pouco jantamos em silêncio o restaurante tinha cara de ser super caro eu notei os olhares que os funcionários estavam dando pra mim, provavelmente pensando que eu era alguma prostituta se envolvendo com o cara rico.
Seria mais fácil.
Eu como de tudo minha barriga estava roncando a horas eu nunca tinha comido algo tão delicioso.
Stive termina de comer e pede uma bebida ele coloca em uma taça e leva a boca, ele estava perdido em pensamentos, eu termino minha comida e pego um copo e despejo bebida, em questão de segundos ele toma da minha mão.
__Qual é? Você não acha mesmo que eu nunca bebi na vida eu trabalhava em um clube, bebidas eram como agua. Ele me dá um olhar feio.
__Eu sei que já, mais não na minha frente você ainda é menor de idade, e está sobre minha responsabilidade.
Ótimo! Eu fico calada por que não estava em condições de pedir nada, ele me encontrou em um clube de stripper.
__Ótimo, você que um suco ou refrigerante? Eu balanço a cabeça ainda emburrada.
__Não entendo por que eu não posso beber? Reclamo. Ele deixa a taça sobre a mesa e me encara.
__Essa bebida é muito forte pra você considerando seu estado emocional não seria bom ingerir álcool.
Eu suspiro em derrota, ele tinha uma reposta perfeita pra qualquer baboseira que eu falasse.
Vendo que não tenho outra escolha eu cruzo os braços em frente ao corpo.
Olho para o lado e vejo a quantidade de gente rica nesse restaurante, algumas olham com desprezo pra mim outras curiosidade. Estava tão na cara assim que eu não pertencia a esse lugar?
__Sua mãe te deu esse colar" ele me pergunta me fazendo voltar a realidade.
__Sim, e ela me Disse que era a única coisa que meu pai deixou além de seu nome, e eu, é claro, mas eu não ligo eu não preciso de um, sem ofensa. Ele sorrir, ok eu não queria essa reação dele eu queria que ele percebesse o quanto eu não me encaixava no mundo dele, essa ideia de me levar pra morar com ele era ridícula.
Quero propor um acordo a você.
__Estou ouvindo.
Digo cruzando os braços e olhando pra ele com os olhos estreitos.
__Eu sei que isso é tudo novo pra você e que por mais que tente não demonstrar se sente traída e abandonada mais. querendo ou não eu sou seu pai e estou disposto a fazer de tudo pra compensar o tempo perdido, eu sei que você conseguiu uma bolsa de estudos em Princeton, então o primeiro ponto é esse, você vai fazer.
Eu continuo olhando pra saber até onde essa conversa vai chegar.
__Eu pretendo te dá tudo que você precisa inclusive dinheiro pra que possa comprar suas coisas eu sou seu pai é meu dever. Meu corpo vibra de raiva, como ele ousa, ele estava me comprando...
Pegue todo esse dinheiro e de a alguém que precisa você não está me comprando, eu não preciso do seu dinheiro nunca precisei. Ele me olha apreensivo antes de completar.
__Não haja como se eu fosse um estranho não estou te comprando, pense neste dinheiro como uma mesada, você vai precisar de dinheiro pra comprar seus matérias e pra se manter eu fiquei ausente da sua vida por anos. Ele afrouxa o nó da gravata
__Tudo que eu quero é que você se forme com notas altas, que não desista do seu sonhos, sua mãe disse que você adora artes, ela queria ver você formada, eu já me certifiquei de que você faça a entrevista com o reitor o mais rápido possível , ele é um grande amigo meu.
__Tudo bem, suponhamos que eu acredite em você, eu quero que saiba que eu vou pagar por isso eu não quero nada seu. Ele me olha triste e isso quase me faz mudar de ideia, quase.
__Meu acordo é esse, eu aceito seu dinheiro mais fique sabendo que eu vou pagar.
Ele fica me silêncio por longos minutos antes de completar.
__A questão é, você não vai trabalhar e estudar não vai precisa disso. Eu estava prestes a protesta quanto ele me silencia.
__No entanto, quando você estiver pronta poderá fazer um estágio, não precisa me devolver o dinheiro mais se você se sentir melhor eu não te dou mais mesada, eu quero te mostrar que você é importante pra mim eu só quero o seu bem.
Ele faz uma pausa.
__ Essa é a vida que sua mãe sempre sonhou pra você, eu não pude te auxiliar na infância mais estou disposto a te ajudar no que eu puder.
__Tudo bem, só não crie expectativas Stive, eu não sou uma boa garota, você é um desconhecido pra mim não espere que eu vá correndo te abraça e te chamar de papai, eu já sofri de mas nessa vida pra saber que contos de fada não existem, e mesmo as coisas boas vem com um preço então qual é o seu?
Os olhos de Stive se ampliam
__Você é cabeça dura mesmo não é eu já disse Melany eu não quero nada pra mim além do seu amor. eu sou seu pai, eu só quero cuidar de você.
Não disposta a derramar uma lágrima apenas concordo, eu não queria demostrar qualquer reação pra ele.
__Tudo bem. Digo por fim, ele respira fundo aliviado.
__Está pronta falta pouco. Eu concordo logo estamos no carro e dessa vez eu consigo dormir