A dor aguda na minha barriga me acordou, e a primeira coisa que vi foi o familiar teto do meu quarto na Mansão do Príncipe. Por um instante, confusa, me perguntei: eu não deveria estar morta?
A lembrança da minha vida anterior me atingiu como um maremoto: o fogo que me consumiu, a fumaça que sufocou meu corpo e meu filho ainda não nascido; e Clara, minha irmã adotiva, com um sorriso de triunfo distorcendo seu rosto enquanto eu morria, sussurrando sobre como uma bastarda não a dominaria. Ela me apunhalou pelas costas. Recusou o casamento arranjado com o Quarto Príncipe, Lucas, e eu, a filha adotiva sem importância, fui forçada a casar em seu lugar.
Para a surpresa de todos, engravidei logo depois. O que deveria ter sido uma bênção se tornou minha maldição. Clara, vendo o status e o poder que eu havia conquistado, se arrependeu. Ela voltou, fingindo ter conhecimentos médicos para me "ajudar" na gravidez, e usou essa desculpa para se aproximar de Lucas. Ele, ambicioso e superficial, caiu em sua armadilha. Me traíram, juntos. Aquele "remédio" que Clara me dava todos os dias não era para proteger meu filho. Era veneno.
Minha mão instintivamente foi para minha barriga. Estava lisa. Plana. Por que eu sentia a dor da perda de um filho que ainda não havia nascido? Eu mal podia respirar, sufocada pelo ódio e pela injustiça. De repente, a porta do quarto se abriu. Lucas, o Quarto Príncipe, entrou com um sorriso radiante no rosto. Ele segurava um papel nas mãos. "Sofia! O médico acabou de confirmar! Você está grávida! Vamos ter um filho!"
Olhei para ele, para o sorriso em seu rosto, e meu estômago se revirou. Este era o dia. O dia em que descobri a gravidez. O dia em que minha tragédia começou. Mas desta vez... desta vez seria diferente. Um sorriso lento se formou em meus lábios. Eu não seria mais a vítima subestimada. Eu seria a caçadora. "Que notícia maravilhosa, meu Príncipe", eu disse, minha voz soando doce e submissa, escondendo a tempestade dentro de mim.
A dor aguda na minha barriga me acordou.
Abri os olhos e a primeira coisa que vi foi o teto familiar do meu quarto na Mansão do Príncipe. A luz do sol entrava pela janela, suave e quente.
Por um momento, fiquei confusa. Eu não deveria estar morta?
A lembrança da minha vida anterior me atingiu como um maremoto, fria e avassaladora. Lembrei-me do fogo, da fumaça que sufocava, e da dor lancinante quando meu corpo foi consumido pelas chamas. Lembrei-me do meu filho, ainda não nascido, morrendo comigo.
E lembrei-me de Clara.
Minha irmã adotiva, com seu rosto lindo e distorcido pelo triunfo, olhando para mim enquanto eu morria.
"Como posso deixar uma bastarda me dominar?" A voz dela ecoou na minha cabeça, cheia de veneno. "A culpa é dela e daquele bastardo por estarem no meu caminho!"
O ódio me sufocou. Cerrei os punhos com tanta força que minhas unhas cravaram na palma da minha mão.
Clara. A irmã que minha família adotiva acolheu, a quem dei tudo, me apunhalou pelas costas. Ela recusou o casamento arranjado com o Quarto Príncipe, Lucas, porque dizia estar apaixonada por outro homem, Miguel.
Eu, a filha adotiva sem importância, fui forçada a casar em seu lugar.
Para a surpresa de todos, engravidei logo depois. O que deveria ter sido uma bênção se tornou minha maldição. Clara, vendo o status e o poder que eu havia conquistado, se arrependeu. Ela voltou, fingindo ter conhecimentos médicos para me "ajudar" na gravidez.
Ela usou essa desculpa para se aproximar do meu marido, Lucas. E ele, o homem ambicioso e superficial, caiu em sua armadilha. Eles me traíram, juntos. Aquele "remédio" que Clara me dava todos os dias não era para proteger meu filho. Era veneno.
Minha mão foi instintivamente para minha barriga. Estava lisa. Plana.
Então, a porta do quarto se abriu. Meu marido, Lucas, o Quarto Príncipe, entrou com um sorriso radiante no rosto. Ele segurava um papel nas mãos.
"Sofia! O médico acabou de confirmar!" ele disse, com uma alegria que agora eu sabia ser completamente falsa. "Você está grávida! Vamos ter um filho!"
Olhei para ele, para o sorriso em seu rosto, e meu estômago se revirou. Este era o dia. O dia em que descobri a gravidez. O dia em que minha tragédia começou.
Mas desta vez... desta vez seria diferente.
Um sorriso lento se formou em meus lábios. A dor e o desespero da minha vida passada se transformaram em uma calma gelada. Eu não ia mais ser a vítima subestimada. Eu seria a caçadora.
O que não se tem é sempre o mais desejado, não é? Na vida passada, Clara desejava Lucas porque ele era meu e representava poder. E Lucas desejava Clara porque ela era a beleza inatingível que ele não podia ter.
Pois bem. Nesta vida, eu daria a eles exatamente o que eles queriam. Eu os uniria. E assistiria de camarote enquanto eles se destruíam.
"Que notícia maravilhosa, meu príncipe", eu disse, minha voz soando doce e submissa, escondendo a tempestade dentro de mim.
Lucas se aproximou, seu rosto exultante. "Precisamos contar a todos! Vou convocar toda a casa, anunciar a boa nova!"
"Espere", eu o interrompi suavemente.
Ele parou, surpreso. "O que foi?"
"Eu gostaria de contar a notícia para minha irmã Clara primeiro", eu disse, mantendo meu olhar baixo e humilde. "Ela... ela sempre foi tão próxima de mim. Quero compartilhar minha alegria com ela antes de qualquer outra pessoa."
Lucas pareceu um pouco decepcionado com o atraso na ostentação pública, mas a ideia de agradar Clara pareceu suavizar sua expressão. Ele nunca conseguiu esquecê-la.
"Ah, claro. Uma ótima ideia. Sua irmã ficará muito feliz por você", ele disse, sem perceber a ironia cortante em suas palavras.
"Sim", eu murmurei, um sorriso sombrio brincando em meus lábios. "Tenho certeza que sim."
Eu não ia apenas sobreviver. Eu ia virar o jogo. E desta vez, o fogo consumiria eles, não a mim.
No dia seguinte, mandei chamar Lúcia, minha empregada pessoal.
Na minha vida anterior, Lúcia era minha confidente. Eu confiava nela, contava meus medos e esperanças. E ela me traiu. Lembro-me claramente do dia em que a vi sussurrando com Clara no jardim, recebendo uma bolsa de moedas de ouro. Foi Lúcia quem trocou meus tônicos por veneno, sob as ordens de Clara.
Agora, ela estava diante de mim, de cabeça baixa, parecendo a imagem da lealdade.
"Senhora, mandou me chamar?"
"Sim, Lúcia", eu disse com um sorriso gentil. "Tenho uma tarefa importante para você. Como sabe, estou grávida. O príncipe está muito preocupado com meu bem-estar e quer que alguém de confiança fique de olho em mim o tempo todo."
Os olhos de Lúcia brilharam com uma ganância mal disfarçada. Ela provavelmente pensou que seu status na casa iria aumentar.
"Mas", continuei, fingindo hesitação, "eu me sinto mal em sobrecarregar você. E o príncipe... ele também precisa de cuidados."
Fiz uma pausa, observando-a. O brilho em seus olhos diminuiu, substituído por confusão.
"O príncipe tem trabalhado tanto ultimamente", eu disse, com um suspiro. "Eu estava pensando... talvez você pudesse cuidar dele por mim. Garantir que ele coma bem, que descanse. Você é tão atenta e cuidadosa, Lúcia. Ninguém faria isso melhor."
O queixo de Lúcia quase caiu. Servir ao príncipe diretamente era um salto de status que ela nunca poderia ter sonhado. Significava mais poder, mais influência e, o mais importante para ela, mais dinheiro.
"Senhora... eu... eu não sei se sou digna", ela gaguejou, mas seus olhos famintos contavam uma história diferente.
"Bobagem", eu disse, acenando com a mão. "Eu confio em você. Vá, fale com o príncipe. Diga a ele que foi um pedido meu."
Eu sabia exatamente o que estava fazendo. Estava colocando a cobra no ninho do meu marido. Lúcia, com sua ambição desenfreada, seria facilmente seduzida por Lucas. E Lucas, sempre vaidoso e apreciador de um rosto bonito, não a rejeitaria.
Isso criaria uma pequena distração. Um pequeno caos. E o mais importante, daria a Clara um alvo imediato de ciúmes quando ela chegasse.
Mais tarde naquele dia, encontrei Clara no jardim. Ela estava "visitando" para ver como eu estava. Seus olhos percorreram minha figura, procurando sinais da gravidez, uma pitada de inveja já visível.
"Sofia, querida! Fiquei tão feliz quando soube da notícia!", ela disse, me abraçando. O abraço parecia o de uma serpente.
"Obrigada, Clara", eu disse, sorrindo. "Estou tão feliz. E Lucas está nas nuvens. Ele até me deu uma de suas empregadas mais competentes para cuidar dele, já que eu preciso descansar."
Clara ergueu uma sobrancelha perfeitamente arqueada. "Uma empregada para cuidar dele?"
"Sim, Lúcia. Uma jovem bonita e muito dedicada. Eu mesma a escolhi", falei, com a maior inocência do mundo.
Vi um brilho perigoso nos olhos de Clara. Ciúme. Possessividade. Exatamente como eu planejei.
Clara forçou um sorriso. "Que... atencioso da sua parte, irmã. Mas você não acha que um homem como o príncipe precisa de alguém com mais... experiência? Talvez eu pudesse ajudar. Tenho lido muitos livros de medicina, sabe? Poderia preparar tônicos para vocês dois."
Aí estava. A mesma desculpa da vida passada.
Meu coração gelou, mas mantive o sorriso no rosto. "Oh, Clara, você é tão gentil! Mas não quero sobrecarregá-la. Você é uma convidada. Além disso, a saúde do príncipe e do nosso filho é muito importante. Acho melhor deixar para os médicos reais, não acha?"
Recusei sua "ajuda" de forma educada, mas firme. Desta vez, eu não beberia nenhum tônico preparado por suas mãos.
Mais tarde, a mãe de Lúcia, que também trabalhava na mansão como lavadeira, veio me agradecer. Seus olhos estavam cheios de lágrimas de gratidão e um orgulho presunçoso.
"Senhora, muito obrigada! Você não sabe o que essa oportunidade significa para nossa família. Minha Lúcia vai servi-la e ao príncipe com toda a sua vida!"
Eu sorri para ela, um sorriso que não alcançou meus olhos. "Tenho certeza que sim."
A peça estava no lugar. A primeira de muitas. E eu mal podia esperar para ver o show começar.