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O Sol Que Não Brilhava Para Mim

O Sol Que Não Brilhava Para Mim

Autor:: Bi Anhua
Gênero: Jovem Adulto
No dia em que meu irmão mais novo, Leo, foi enterrado, o sol brilhava intensamente, mas minha mãe não estava lá. Ela estava no hospital, cuidando do filho do meu padrasto, Miguel, que tinha apenas um tornozelo torcido. Eu só precisava de um pouco de conforto, mas a voz dela me cortou, fria e distante. "Estou ocupada, Pedro. O Miguel está com febre alta." "Ele só tem febre," eu disse, a voz tremendo. "O Leo está morto!" Houve um silêncio pesado, antes que ela desligasse apressadamente, chamando meu padrasto para a febre "urgente". Meu irmão Leo morreu em um acidente de carro, um acidente que poderia ter sido evitado. Ele me ligou desesperado, encalhado na estrada, mas minha mãe me forçou a levar Miguel ao hospital. "Chame um guincho! O Miguel está com dor! Ele é seu irmão!" ela gritou. "O Leo também é seu filho!" eu gritei de volta. No final, cedi. Agora, enquanto o corpo do meu irmão jazia na terra, minha mãe e seu novo homem discutiam por uma febre. Eu os encarei no quarto de Leo, a voz embargada pela dor e traição. "Você o trocou por eles!" eu gritei, a amargura de anos explodindo. Ricardo se interpôs, exigindo respeito, reivindicando a casa, a qual ele insiste que pagou – uma mentira, pois a casa pertencia ao meu pai. Num instante, vi a verdade nos olhos da minha mãe: ela tinha feito sua escolha. Não era eu. Não era o Leo. Eu me senti completamente sozinho. Então, Ricardo me proferiu a maldição mais cruel: "Você vai acabar sozinho, exatamente como seu pai." Minha mãe simplesmente olhou para o chão, sem dizer uma palavra, sendo arrastada para fora da minha vida. Como eles puderam me abandonar, o filho que restou, o filho que sacrificou tudo por eles? Mas quando a voz suave da Sofia, namorada de Leo, me alcançou e ela me entregou uma carta escrita por ele na noite do acidente, tudo mudou. "Pedro, é a sua vez. Volte a sonhar." As palavras de Leo, seu amor incondicional e a revelação de seu maior sonho me atingiram como um raio, acendendo uma faísca. Agora, era a minha vez. Minha vez de não só sobreviver, mas de viver, de transformar a dor em arte e de encontrar meu próprio caminho, sem esquecer a promessa que fiz ao meu irmão.

Introdução

No dia em que meu irmão mais novo, Leo, foi enterrado, o sol brilhava intensamente, mas minha mãe não estava lá.

Ela estava no hospital, cuidando do filho do meu padrasto, Miguel, que tinha apenas um tornozelo torcido.

Eu só precisava de um pouco de conforto, mas a voz dela me cortou, fria e distante.

"Estou ocupada, Pedro. O Miguel está com febre alta."

"Ele só tem febre," eu disse, a voz tremendo. "O Leo está morto!"

Houve um silêncio pesado, antes que ela desligasse apressadamente, chamando meu padrasto para a febre "urgente".

Meu irmão Leo morreu em um acidente de carro, um acidente que poderia ter sido evitado.

Ele me ligou desesperado, encalhado na estrada, mas minha mãe me forçou a levar Miguel ao hospital.

"Chame um guincho! O Miguel está com dor! Ele é seu irmão!" ela gritou.

"O Leo também é seu filho!" eu gritei de volta.

No final, cedi.

Agora, enquanto o corpo do meu irmão jazia na terra, minha mãe e seu novo homem discutiam por uma febre.

Eu os encarei no quarto de Leo, a voz embargada pela dor e traição.

"Você o trocou por eles!" eu gritei, a amargura de anos explodindo.

Ricardo se interpôs, exigindo respeito, reivindicando a casa, a qual ele insiste que pagou – uma mentira, pois a casa pertencia ao meu pai.

Num instante, vi a verdade nos olhos da minha mãe: ela tinha feito sua escolha.

Não era eu. Não era o Leo. Eu me senti completamente sozinho.

Então, Ricardo me proferiu a maldição mais cruel: "Você vai acabar sozinho, exatamente como seu pai."

Minha mãe simplesmente olhou para o chão, sem dizer uma palavra, sendo arrastada para fora da minha vida.

Como eles puderam me abandonar, o filho que restou, o filho que sacrificou tudo por eles?

Mas quando a voz suave da Sofia, namorada de Leo, me alcançou e ela me entregou uma carta escrita por ele na noite do acidente, tudo mudou.

"Pedro, é a sua vez. Volte a sonhar."

As palavras de Leo, seu amor incondicional e a revelação de seu maior sonho me atingiram como um raio, acendendo uma faísca.

Agora, era a minha vez.

Minha vez de não só sobreviver, mas de viver, de transformar a dor em arte e de encontrar meu próprio caminho, sem esquecer a promessa que fiz ao meu irmão.

Capítulo 1

No dia em que meu irmão mais novo, Leo, foi enterrado, o sol brilhava intensamente, um contraste cruel com a escuridão em meu coração.

Eu tinha acabado de chegar do funeral, ainda vestindo o terno preto que parecia sufocar-me.

Minha mãe, Clara, não estava lá, ela se recusou a ir.

Em vez disso, ela estava no hospital, ao lado de Miguel, o filho do meu padrasto, Ricardo.

Peguei meu celular e liguei para minha mãe.

Eu precisava ouvir a voz dela, precisava de algum conforto, mesmo sabendo que era inútil.

"Mãe, o Leo..."

Antes que eu pudesse terminar, a voz dela me cortou, fria e distante.

"Estou ocupada, Pedro. O Miguel está com febre alta, o Ricardo está muito preocupado."

"Ele só tem febre," eu disse, a voz tremendo. "O Leo está morto."

Houve um silêncio do outro lado da linha, um silêncio pesado que dizia tudo.

Então, ouvi a voz do meu padrasto ao fundo, ansiosa.

"Clara, o médico está aqui! Venha rápido!"

"Preciso desligar," minha mãe disse apressadamente. "Conversamos depois."

E ela desligou.

Fiquei olhando para o celular, o silêncio da casa ecoando o vazio dentro de mim.

Leo tinha apenas dezoito anos. Ele tinha um futuro.

Ele morreu num acidente de carro, um acidente que poderia ter sido evitado.

Ele me ligou naquela noite, desesperado.

"Pedro, o carro quebrou no meio da estrada, está chovendo muito, estou com medo."

Eu estava prestes a sair quando minha mãe me parou.

"O Miguel precisa de você," ela disse, o rosto pálido de preocupação. "Ele torceu o tornozelo jogando futebol, não consegue andar. Leve-o ao hospital, por favor."

"Mãe, o Leo está preso na estrada, é perigoso," eu argumentei.

"Chame um guincho para ele! O Miguel está com dor! Ele é seu irmão!"

"O Leo também é seu filho!" gritei, a frustração crescendo.

No final, eu cedi. Levei Miguel ao hospital.

Enquanto o médico enfaixava o tornozelo dele, tentei ligar para o Leo várias vezes.

Nenhuma resposta.

Uma hora depois, a polícia me ligou.

Um caminhão desgovernado. Morte instantânea.

Agora, meu irmão estava enterrado, e minha mãe estava cuidando do filho do homem que destruiu nossa família.

Olhei ao redor do quarto do Leo, suas coisas ainda espalhadas. Um pôster de banda na parede, um livro aberto na escrivaninha.

Tudo como ele deixou.

Mas ele nunca mais voltaria.

A dor era uma pressão constante no meu peito.

Eu não chorei no funeral, eu não conseguia.

Era como se todas as minhas emoções estivessem congeladas, presas sob uma camada de gelo.

A porta se abriu e minha mãe entrou, seguida por Ricardo.

Ela não olhou para mim.

Seus olhos foram direto para a foto do Leo na minha mão.

"Por que você não estava no funeral?" eu perguntei, a voz rouca.

"O Miguel precisava de mim," ela respondeu, sem emoção.

Ricardo colocou a mão no ombro dela, um gesto de conforto.

"Pedro, sua mãe já está sofrendo o suficiente. Não torne as coisas mais difíceis."

"Difíceis?" Eu ri, um som amargo e oco. "Meu irmão está morto. E vocês estavam no hospital por causa de um tornozelo torcido e uma febre."

"Não fale assim!" minha mãe finalmente olhou para mim, os olhos faiscando de raiva. "Você não entende."

"Ah, eu entendo," eu disse, levantando-me. "Eu entendo perfeitamente. Desde que este homem entrou em nossas vidas, o Leo e eu deixamos de importar. Somos apenas um fardo."

"Isso não é verdade!"

"Não é? Onde você estava quando o Leo precisava de você? Onde você estava quando eu precisei de você?"

As palavras saíram, carregadas de anos de ressentimento.

"Ele era seu filho. E você o trocou por eles."

Capítulo 2

"Cale a boca, Pedro!" Ricardo deu um passo à frente, o rosto vermelho de raiva. "Você não tem o direito de falar com sua mãe desse jeito."

"Eu não tenho o direito?" Eu me virei para ele, o corpo tenso. "Você entra na nossa casa, rouba a atenção da minha mãe e agora quer me dizer o que eu posso ou não fazer?"

"Eu cuidei de vocês! Dei um teto sobre suas cabeças, comida na mesa!" ele gritou.

"Nós não pedimos por isso!" eu gritei de volta. "Nós tínhamos uma vida antes de você. Talvez não fosse perfeita, mas era nossa. O Leo estaria vivo se não fosse por você e seu filho mimado!"

Minha mãe deu um passo para trás, o rosto pálido.

"Pedro, pare com isso."

"Não. Eu não vou parar," eu disse, minha voz baixando para um tom perigoso. "Eu quero que vocês saiam. Agora."

"Esta casa também é minha," Ricardo retrucou, o peito estufado. "Eu paguei por ela."

"A casa estava no nome do meu pai," eu disse friamente. "Você apenas se mudou para cá. Saia da minha casa."

O rosto de Ricardo se contorceu de fúria.

Ele olhou para minha mãe, esperando que ela me repreendesse, que ficasse do lado dele.

Mas minha mãe apenas olhava para o chão, em silêncio.

Naquele momento, eu vi. Eu vi a verdade em seus olhos.

Ela tinha escolhido. E não tinha sido eu ou o Leo.

"Tudo bem," Ricardo disse finalmente, a voz cheia de veneno. "Nós vamos embora. Mas você vai se arrepender disso, Pedro. Você vai acabar sozinho, exatamente como seu pai."

Ele agarrou o braço da minha mãe e a puxou em direção à porta.

Ela não resistiu.

Ela nem olhou para trás.

A porta bateu, e o silêncio voltou, mais pesado do que antes.

Eu estava sozinho.

Completamente sozinho.

Caminhei até a janela e os observei entrar no carro.

Ricardo estava gritando com ela, gesticulando com raiva.

Minha mãe apenas olhava para a frente, o rosto uma máscara sem expressão.

Eles foram embora.

Eles me deixaram.

Um nó se formou na minha garganta.

Eu andei pela casa vazia, o eco dos meus passos me assombrando.

Fui até a cozinha e vi a louça do café da manhã ainda na pia.

A xícara do Leo, com seu super-herói favorito.

Peguei a xícara, os dedos traçando o desenho desbotado.

Uma única lágrima escorreu pelo meu rosto.

Depois outra. E outra.

Eu caí de joelhos no chão da cozinha, a xícara ainda na minha mão.

E eu chorei.

Chorei pelo meu irmão.

Chorei pela minha mãe.

Chorei pela família que eu perdi.

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