"Any, tia de Maquini sempre foi uma mulher livre para fazer o que bem quisesse, mas tudo pirou quando ela assumiu a responsabilidade pela guarda da sobrinha.
Aos 17 anos Maquini conheceu seu primeiro namorado, Martin, que na época tinha já tinha 20 anos. Se entregou a ele de corpo e alma e acabou entrando no mesmo caminho que o dele. Começou bebendo e depois desandou de vez quando começou a fazer o uso de entorpecentes. Aos 18 anos foi internada em uma clínica de reabilitação por já ter se entregue à cocaína. Maquini perdeu a noção da vida aos 17. foi quando tudo Martin a deixou para trás para casar com a filha de uma amiga de seus pais, tudo por dinheiro."
Maquini
- Maquini, eu vou precisar sair mas volto antes das onze, tudo bem? - A voz manda, a maquiagem pesada e um olhar soberbo, ela jamais me enganou.
- Tudo bem. A senhora nunca volta mesmo, não vejo necessidade em me falar nada. - Não quis soar ríspida, mas não havia outro jeito de ser.
- Mas hoje eu voltarei, quero jantar com você. Faz tempo que não temos um momento em família. - É, ela é uma tremenda ridícula.
- Como se a senhora se importasse com isso. Eu também vou sair um pouco, chegarei antes das dez e faço o nosso jantar, sei que não vaa chegar antes disso mesmo. - Não havia mentira em minha palavras, conheci bem a peça com quem eu moro.
Eram dez da manhã e eu não durmo já faz alguns dias. Minha tia saiu mais uma vez sozinha, sem amigos, sem namorado, sem ninguém...
Às oito eu já estava em casa, preparei uma torta de maçã, coloquei no forno e fui tomar um banho sem coragem e ânimo algum. Meu corpo está todo anestesiado pelo tanto que eu usei hoje. Saí do banho e coloquei um vestido florado, soltei os cabelos e fiquei esperando por Any.
- Boa noite sobrinha, achei que não estivesse falando sério quando disse que voltaria. O cheiro está maravilhoso, mal posso esperar pra provar. Ah, você está linda com essa roupa, te dar uma aparência bem melhor assim. - Agradeci e ela saiu cambaleando até seu quarto, visivelmente bêbada e dissimulada.
Sempre foi desse jeito. O cheiro forte de cerveja me dá ânsia de vômito. Meia hora se passou e nada da Any vir para a mesa, fui até o seu quarto e ela dormia em um sono pesado, sair batendo a porta e fui pra fora de casa, olhar um pouco para as pessoas felizes que, riem como se a vida fosse tão boa leve e boa. Enquanto eu tragava o cigarro que havia acabado de acender, a chuva começou a cair e as fitas escorre. Senti meu nariz escorrendo, passei a mão e como eu havia pensado, era sangue. Entrei, tomei um analgésico e dormir profundamente.
Acordei sendo amarrada em uma camisa de força, minha tia só me olhava com desprezo e não havia nenhuma expressão de compaixão em seu rosto
- O que estão fazendo comigo? - Gritei sem entender o que estava acontecendo.
- Me desculpe Maquini, eu não tive escolhas. Prometi aos seus pais que cuidaria de você, mas eu fracassei e não suportaria te ver morrer de overdose qualquer momento. Me desculpa por tudo que eu não pude te dar durante esses dez anos.
- Dez anos... Dez anos foi muito tempo pra senhora me perguntar como eu estava, mas acontece que você nunca se importou comigo, me manteve em sua casa porque eu herdei uma boa grana e não pense que isso vai ficar assim. Um dia eu estarei nas ruas novamente e nós duas conversamos melhor, pessoalmente e quem sabe com mais juízo. - Não imagino qual seja o meu destino, mas suponho que será bem longe dessa casa.
- Podem levá-la! - Ordenou em alto tom, deixando seu ódio transparecer em meio a um sorriso cínico.
No grande portão de entrada havia dois policiais e uma ambulância pronta pra me levar. Um deles aparentava ser novo, mas o mesmo só não me matou ali mesmo porque ainda não tinha esse poder, estava estampado o ódio em sua face o ódio por mim.
- Até quando irei ter que lidar com esse tipo de situação? - Perguntou o cara mais jovem, enquanto anotava meus dados em uma prancheta.
Permaneci calada até o momento em que me doparam. Adormeci sem perceber e quando acordei já estava em um quarto todo branco, segundo eles o branco transmite a paz, mas paz estava longe de ser presente em minha vida.
Santiago
Minha profissão exigia um certo esforço e hoje foi um longo dia após ter que lidar com uma deliquente, o agente que deveria estar fazendo o serviço, infelizmente não pôde vir e eu tive que cobrir seu lugar hoje. Aí mensio, tudo foi calma e tranquilo, a garota também não parecia nenhuma louca.
Preparei um jantar à luz de velas ao chegar em casa, estava pronto para pedir a Maya em casamento. Mas, ao entrar no nosso quarto, me deparo com uma cena deplorável que eu já tive a infelicidade de ver. Maya cavalgava em cima do Juliano, meu amigo de trabalho, o que não estava se sentindo bem. Sem pensar duas vezes, puxei a arma e disparei contra os dois, vendo ambos os corpos caírem juntos da cama.
- Eu ouvi o barulho de longe, o que aconteceu, Sant? - Danira me pergunta nervosa e espantada, me olhando sem acreditar.
- Não vem atrás de mim. Amanhã eu te ligo, preciso sair um pouco, você faça o mesmo que eu. Preciso limpar essa bagunça que ficou no meu quarto. - Danira me olhava séria e desconfiada, com a mão na boca e sem reação. - Quando voltar, arruma suas coisas, vamos partir em breve...
No dia seguinte assumi o crime, paguei a fiança e saí. Peguei a Danira e a levei comigo para bem longe de onde eu pudesse fazer mais alguma merda. Ter dinheiro proporciona algumas coisas aí seu favor e isso não era problema para mim. Chegamos a nossa nova casa e Danira gostou, pelo menos isso...
- San, o que houve lá dentro? Você estava tão feliz, iria até pedir a lambisgóia em casamento.
- Ela era uma vadia Danira, só quis me fazer de idiota, para que no final ela fosse transar com meu colega de trabalho. Aquele dia eu havia feito um jantar pra nós dois, você sabe que eu nunca fui romântico, mas por ela, eu tentava, mas quando cheguei em casa vi ela trepando com outro, não pensei duas vezes e acabei perdendo a cabeça ali mesmo. Agora vamos comer que o dia foi longo.
- Tudo bem. Vamos sair depois? Tem um pessoal Mexicano ali na frente que nos chamaram pra se juntar a eles, parecem bem animados, mas sem você eu não vou!
- Cala a boca e come, você fala demais. - A única coisa que eu naok tava querendo era me meter em uma festa agora.
Depois do jantar eu resolvi fazer o que Danira me pediu, mas não demorei muito com os cucarachas porque são chatos pra um caralho. Deixei ela lá e fui pra casa. Através da janela eu observa a felicidade da minha irmã. Segurando a barra da blusa e rodando, dançando alegremente e feliz. Coloquei em um canal de esporte, abrir um cerveja e estava decidido dormir ali mesmo.
Cinco anos depois...
Maquini
Um barulho infernal às 6hrs da manhã me despertava, parecendo que eu estava vivendo todos os dias pagando meus pecados. Minha vida mudou completamente depois que eu vim parar nessa droga aqui, meus dias só não são mais tediosos por causa da Kate, que me faz companhia há três anos. Depois daquele dia minha tia nunca me procurou, mas não a culpo por nada do que eu fiz, afinal, eu mereço estar em uma clínica de reabilitação sem poder sair.
- Vamos logo Mack, a gente vai ficar sem jogar hoje. - Kate invade o quarto e eu já estava pronta, mas pensava parada tentando enxergar através de algum pensamento.
Jogamos alguns jogos de cartas sempre que o pessoal permite. Esses dias veio um advogado me procurar para que eu assinasse alguns papéis sobre minha herança. Ao menos quando eu sair daqui não vou precisar da ajuda de ninguém pra sobreviver lá fora, ou não... não faço idéia de como funciona esse lance de herança.
- Então como foi a conversa com a sua mãe? - Perguntei a Kate, que não estava com uma cara das melhores que já teve.
- Foi tranquila. Ela disse que quer conhecer você, disse que eu já estou bem melhor que antes. - Disse desanimada.
- Realmente você está. Diz pra ela que qualquer dia desses a gente se conhece pessoalmente. Quando você sair daqui o que pretende fazer? - Eram tantos sonhos, mas nenhum deles concretizados. Kate é talentosa e esforçada, sem dúvidas vai sair daqui uma outra pessoa.
- Ah... eu quero fazer tudo diferente, Maquini. Vou terminar os estudos e quero trabalhar pra ver o sorriso de orgulho da minha mãe, e você? Vai voltar a morar com seus pais ou vai ficar por aqui mesmo? - Aqui evitamos falar sobre a nossa vida pessoal, nunca disse nada sobre meus pais a ninguém, a falta deles ainda me fere até os dias de hoje.
Kate era alcoólatra e viciada em cocaína. Se internou com 19 anos e, atualmente está com 22, ela é uma boa amiga, aliás, a única que eu tenho. Tomamos nosso café da manhã e fomos fazer os nossos afazeres daqui, hoje o meu dia é de lavar os banheiros. O dia que eu mais detesto na semana.
- Maquini, eu posso falar com você? - Lilian perguntou e eu rapidamente a seguir até sua sala, já que ela é a diretora daqui, não tinha porquê perguntar ou esperar o momento oportuno.
Entrei e pude notar alguns papéis em sua mesa, todos já assinados por ela, uma pilha enorme como se fosse a legalização de algo muito grave.
- Por que me chamou até aqui? Fiz algo errado novamente, vou tomar alguma advertência mais rígida dessa vez? - Perguntei calma, reparando em seus livros na estante.
- Por isso mesmo que está aqui. Porque não há mais nada de errado com você, portanto seu tempo aqui dentro acabou. - Ela virou-se na cadeira e deu um largo sorrisos. - Preciso que assine esses papéis onde estiver marcado X, pode ler todos se quiser. Você ainda ficará aqui até a noite, agora retorne ao que estava fazendo e não dê motivo de conversas às demais.
- O que são exatamente esses papéis? - Eu não sou nenhuma burra, mas quero ouvir de sua boca que estou finalmente liberada para sair daqui, finalmente!
- Sua saída, Maquini. Agora está livre para viver, estou feliz por você! - Ela levanta e anda até mim me dando um abraço, confesso que fiquei muito surpresa com tal gesto mas retribui.
Antes de sair eu não expressei muitos sentimentos, mas por dentro estava gritando de felicidade. Hoje não sou mais aquela garota boba de cinco anos atrás, aprendi muitas coisas e jamais quero voltar aqui algum dia. Guardei os papéis embaixo do colchão da minha cama e fui fazer a minha "tarefinha da escolinha".
Santiago
Há três dias, Danira não aparece em casa, não sei mais onde procurar ela. Limpei armas enquanto estava bebendo uma cerveja, ouvindo uma boa música.
- Olha só quem está em casa a essa hora do dia. - Ouço a doce voz de Danira e em seguida ela fecha a porta, ainda com a mesma roupa que saiu, toda suja e embriagada.
- Onde você estava até essa hora, Danira? Você só pode ter perdido o juízo de vez. Sabe que comeremos riscos aqui, minha irmã.
- Calma, Sant, eu sei me cuidar, tá legal!! Eu só fui esfriar a cabeça um pouco, mas já estou aqui em casa viva e inteira. Pode continuar aí fazendo suas coisas, vou tomar um banho e fazer o nosso almoço. - Ela não esperou resposta, jogou a bolsa em cima da mesa e subiu as escadas correndo.
Há algum tempo me envolvi com a ANC e desde então tenho um grande papel dentro da máfia, porém, não gosto de expor isso, prefiro as coisas sigilosas como elas são. Faço trabalhos para quem me paga maior valor, sabem do meu potencial.
O meu melhor cliente é o Marcone, porém, ele mora em outra cidade atualmente. Hoje meu alvo veste vermelho e usa maquiagem. É filha de um grande filha da puta, traiçoeira como nunca vi igual, espero que ela seja apenas um rostinho bonito.
A comida da Dan é horrível, mas eu sei que ela fez com uma boa vontade enorme e me vejo no direito de omitir, dizendo que está ótima.
Desde que chegamos na França que, Danira começou a desandar. Sempre saindo com uma amiga dela que eu nunca cheguei a conhecer e depois disso foi só de mal a pior. Já não me escuta mais e toda noite quando eu vou dormir ela sai pra usar drogas. Não sou mais o irmão que ela tanto admirava, mas sou a única pessoa que ela tem e eu não tenho a menor intenção de morrer agora.
- Então Sant, sentiu minha falta? - Ela pergunta com a boca cheia e me olhando por baixo.
- Quem bateu em você? - Pergunto ao ver o rosto dela todo machucado. - Essa maquiagem ridícula não vai esconder isso. Quem fez isso com você, Danira? Por que está se maltratando desse jeito? Eu já te disse inúmeras vezes que estou ao seu lado.
- Eu cai, Santiago. Bebi demais e acabei caindo, essa é a verdade. Mas, não se preocupe com isso, eu estou inteira. Agora me fala quem é o alvo de hoje?
- Não fica me perguntando sobre isso, Danira, não é coisa da sua conta. Eu quero apenas que você se cuide e não saia pra ir muito longe. Não quero que se envolva nos meus negócios, só vamos morar aqui por mais alguns meses e depois nós dois vamos para outro lugar. Enquanto isso, tente não se meter em confusão.
- Eu sei disso, só não quero ter meu irmão morto. E não, eu não juro nada, não sou nenhuma santa.
- Tudo bem, agora vamos agilizar que eu tenho hora pra chegar. Quanto a você, eu vou está de olho...
Almoçamos em silêncio e eu só ouvia o barulho dos teclados do celular dela, ela não me olhava mas sorria tentando esconder alguma coisa que haviam lhe enviado. Danira só me esperou dar as costas pra sair novamente. Estamos morando em Estrasburgo e hoje está nevando. Pego o casaco mais grosso e quente que eu eu tenho, uma touca ninja e os outros acessórios na mochila. Estava pronto para o "caça a grana", era tudo ou nada!
Danira
Mania do Sant se preocupa comigo como se eu fosse uma criança, às vezes isso chega a ser insuportável, mesmo já tendo a certeza que eu sei me cuidar muito bem sozinha.
- Oi Dan, aquele convite pra hoje a noite ainda está de pé? - Samuel exibiu seu lindo sorriso genuíno ao me ver.
- Eu mal estou conseguindo ficar de pé quem dirá sair, Samuel. Eu tenho que descansar um pouco, meu corpo não é feito de aço.
Samuel é minha melhor companhia para todas as horas, sem ele eu me vejo perdida nessa cidade tão deprimente e solitária.
- Tudo bem meu amor. Podemos ao menos jantar hoje? Só dois, sem álcool...
- Hoje também não vai dar, meu anjo. Se eu ficar mais uma noite fora de casa eu não duvido nada que meu irmão descubra onde você mora e vá me buscar lá, então, é melhor deixarmos para outro dia, outra noite e outra hora. - Jamais duvidei da capacidade de Santiago.
- Por que você tem medo dele? Ele te ameaça ou algo do tipo? Sei lá, você às vezes fala como se ele fosse um monstro ao invés de seu irmão.
- Não é medo, eu respeito ele, só isso. Somos apenas nós dois no mundo e eu o amo mais que tudo nesse mundo, porém não quero despertar a fúria dele em momento algum.
- Por que não me apresenta a ele? - Já pensei nisso algumas vezes e sei que não daria certo, além de Samuel ser um tremendo medroso e boca aberta às vezes.
- Qualquer dia desses, eu juro. Agora vamos ao shopping comigo que eu preciso comprar algumas coisinhas...
- Ah não, Danira. Vamos lá pra casa aproveitar a tarde comigo, depois a gente vê isso.
- Eu irei, mas antes você irá comigo.
Eu quero mostrar ao Sant que eu me importo com ele, por isso comprei um escapulário de Ouro branco e um relógio pulso de Ouro branco também.
A tarde com o Samuel foi perfeita, assistimos filme a tarde inteira, nada de sexo, foi só amor e carinho. Tudo que eu estava precisando mesmo nesses últimos dias. Às oito eu tinha que estar em casa, quero deixar tudo pronto para quando meu irmão voltar, vai ser uma noite maravilhosa, assim eu espero.
Maquini
Quando tudo já estava brilhando eu pude finalmente tomar um banho. Às seis era hora do jantar, mas eu ainda estava me trocando, saí do banheiro e levei um susto ao ver a Kate sentada na minha cama lendo todos os papéis.
- Droga, o que tá fazendo aqui ainda? - Perguntei puxando da mão dela aqueles documentos.
- Quando iria me dizer Maquini? - Seu olhar frustrado me analisou de cima para baixo e me fez sentir o peso na consciência.
- Eu soube hoje Kate, e como você pode ver eu ainda não tive tempo de ler e muito menos assinar nada. Agora que você já sabe é melhor ir jantar com o pessoal, antes que a Madame entre aqui dando um show.
- Por mim ela pode dar até um baile. O que vai ser de mim sem você aqui, Mack? As outras garotas não simpatizam comigo, eu vou ficar perdida aqui dentro sem você.
- Olha, Kate, eu passei dois anos sem amizade nenhuma aqui dentro, logo mais você sairá também. Além disso, sua mãe sempre vem te ver, não vai ser tão difícil assim. Eu juro que ligo pra cá pra falar com você, eu vou te escrever sempre também. Promete pra mim que você não vai fazer nenhuma merda aqui dentro? - A Kate é sensível demais e já estava chorando.
- Eu prometo! - Nos abraçamos, era meu abraço de despedida, mas ela não sabia disso. Ela saiu e eu pude finalmente me vestir.
Às sete horas eu já havia lido e assinado tudo. Eu agora estava com dinheiro em uma conta que eu nem sabia que existia. Lilian me deu algumas notas em espécie e disse que eu já poderia ir embora. Ela me deu um sobretudo, uma mochila com três pares de roupas e meus documentos. Sair sem dizer nada mais a Kate, estava nevando e fazia muito frio. Não faço a mínima ideia onde eu vou dormir a partir de hoje, segui pela calçada direto e quando fui atravessar a rua pra ir até uma cafeteria que ficava na esquina, quase fui atropelada por um carro que claramente o motorista estava bêbado. Caída no chão no chão com os faróis do carro na minha cara, me deixando cega, mesmo assim pude ver o homem bem alto de cara fechada, parado com a mão na cintura enquanto me olhava, a cara dele não era nada amigável nem a minha era das melhores.
- Vai levanta daí ou o quê? - Me levantei rápido batendo a neve que ficou grudada na minha roupa.
- Desculpas, não vi que o sinal estava aberto. - Eu só queria correr e sair dali, nem lembrava que ainda existia essas coisas de trânsito e afins...
- Agora está fechado. - Ele disse ríspido, me olhando sério. - Você se machucou?
- Não. - Subi na calçada e antes que ele fosse embora resolvi virar para trás e perguntar: - Sabe onde tem algum lugar eu possa dormir por aqui? Algum pensionato ou hotel?
- Além da minha casa? - Ele deu um sorriso maligno e, vendo que eu não achei a menor graça naquilo, voltou a ficar sério. - Segui direto que lá na frente você vai ver, sabe ler pelo menos?
- Eu sei sim. Obrigada por não me matar. - Agradeci e seguir em frente.
Pedi um café e mais na frente comprei cigarros e alguns salgados. Peguei quatro cervejas e quando andei mais um pouco vi que se tratava de um pensionato com três quartos vagos, paguei as despesas de um mês adiantando, já que eu não poderia gastar o dinheiro com mais bobagens. Só posso usufruir do meu cartão depois de um mês, então é tempo o suficiente para que eu consiga um emprego. Dentro do quarto tinha uma cama, um frigobar, uma TV e um banheiro com banheira dentro. Era bem arrumadinho. Liguei a TV e estava passando um filme de romance, assisti todo o filme enquanto bebia e comia, depois disso tomei um banho e fui pra fora fumar um cigarro. Voltei pra cama e fiquei assistindo até adormecer.
Acordei sentindo um cheiro maravilhoso de café e em seguida ouvi alguém bater na porta. Levantei ajeitando os cabelos e cobrindo meus seios.
- Bom dia chérie, ontem eu esqueci de perguntar como se chama, mas vim te avisar que o café já estava servido e... vem tomar com a gente.
- Muito obrigado Dona... - Eu também não sei como ela se chama.
- Me chame de Louis. Te espero na mesa, não demore.
- Obrigada Dona Louis, meu nome é Maquini. Daqui a pouco eu desço.
Louis usa aliança de certo, é casada. Tomei um banho e quando fui descendo as escadas o cheiro forte de cachaça estava todo no meu quarto, nas escadas também, deve ter alguém por aqui que possa me indicar em um trabalho, quem sabe...
- Bom dia. - Disse escondendo minhas mãos. Há muito tempo eu não sentia essa sensação de liberdade e nervosismo ao mesmo tempo.
- Bom dia! - Todos responderam em uníssono e logo em seguida eu sentei para tomar café da manhã.
Santiago
Hoje quase matei uma louca que atravessava a sua como se estivesse no paraíso. Estava quase chegando em casa quando a Karine me ligou dizendo que iria dormir comigo hoje. Danira e ela se odiavam mas, Danira não dizia nada, ela dormia comigo quando eu estava muito tenso ou só querendo foder mesmo.
Cheguei em casa e ouvi as duas discutindo de longe. Tirei a touca e o casaco e coloquei dentro da bolsa, fui entrando devagar.
- Que bagunça é essa aqui? - As duas deram um pulo quando me viram.
- É a sua irmã, Santiago, ela não suporta o fato de que nós dois estamos juntos. Nunca fiz mal a ela e, sinceramente, não entendo toda essa implicação comigo. Eu sou um doce.
- Eu vou subir quando eu descer não quero ouvir nenhuma reclamação, caso contrário você pode ir para casa e você para o quarto, Danira. - Não estava com cabeça para discussão a uma hora dessas, tinha mais com o que me preocupar.
- Eu ainda quebro a sua cara, sua desgraçada. - Após isso, Danira subiu para o quarto e Karine foi para o meu quarto.
Tomei um banho relaxante e fui direto para meu quarto. Ela sabia como me deixar relaxado então o fez. Katine estava nua quando eu entrei e, rapidamente veio até mim tirando minha toalha da cintura e ficando de joelhos, abocanhando todo o meu pau que cabia por completo em sua boca.
- Isso... Chupa gostoso minha puta. - Enrolei os cabelos dela na minha mão enquanto eu soltava alguns gemidos de prazer.
A boca dela fazia massagem no meu pau e nas minhas bolas. Levantei ela ainda segurando em seus cabelos e selei nossos lábios em um beijo cheio de desejo e prazer. Joguei ela na cama e abrir as pernas dela, sem pudor eu me enfiei dentro dela fazendo ela gemer de prazer.
- Sant eu vou... - O grito dela revelava que ela havia gozado.
Fodi com mais força até eu gozar também.
Depois do prazer fomos tomar banho e descemos pra jantar com Danira que, já estava na mesa nos esperando e com uma cara péssima por ter ouvido todos os gritos de Karine, como se não bastasse toda a baixaria ela ainda Esqueceu de fechar a porta, que droga.
Maquini
Todos que moram aqui são muito simpáticos, porém eu ainda não estou muito acostumada com tudo isso e, por isso, optei por tomar café na mesma cafeteria que eu vi ontem. Mas, antes eu conversei com o Fábio, esposo da Louis.
- Então quer dizer que veio parar aqui em busca de um emprego melhor, é isso? - Não deixava de ser verdade!
- Isso mesmo! Se o senhor puder me indicar em algum, ficarei muito grata. Sabe como é... aqui em Lyon, nunca foi muito fácil arranjar emprego. - Ele levantou os olhos e me fitou parecendo confuso com o que eu estava falando.
- Lyon? Minha jovem, você está agora em Estrasburgo. Por quanto você dormiu, tem certeza que está bem? - Suas mãos seguraram meus ombros e me chacoalharam.
- Ôh é claro, me desculpe é que eu sempre me confundo, desde pequena tenho o sonho de morar em Lyon. - É, eu preciso tomar meus remédios antes que eu enlouqueça mesmo, pelo menos eles me deixa livre de crises existências. - Vim para cá apenas com o dinheiro do aluguel, Sr. Flávio, e se o senhor ou a dona Louis puder me indicar algo eu ficarei muito grata.
- Você tem preferência?
- De modo algum, qualquer coisa que vier eu estou aceitando, lembre-se disso. - Ele parecia estar pensando em algo, será que ele vai me ajudar mesmo ou só está fazendo toda essa mudança de expressão pra que eu fique esperançosa?
- Com certeza lembrarei! A noite podemos conversar melhor sobre isso, eu tenho um trabalho pra você, não é muita coisa no começo, mas com o passar do tempo você vai pegando o jeito e quem sabe poderá ganhar muitos Euros.
- O senhor está falando sério? - Peguei-o em um abraço surpresa, mas depois me desculpe por tal ato.
- Então até mais tarde, Maquini. Louis irá te chamar quando eu chegar, ok?
- Certo, Sr. Flávio, muito obrigado por estar me ajudando.
Ele é um homem na faixa dos seus 49 anos mas não é feio, nem descuidado. Jamais olharia pra ele com outros olhos não ser agradecida por ele está me ajudando, nunca fui muito chegado em homem muito velho, afinal, por que eu estou pensando em homem a essa hora do dia?
Peguei meu sobretudo e saí. Pedi um café e algumas rosquinhas, sentei em uma mesa e fiquei folheando jornais enquanto me alimentava e torcia para que a noite chegasse logo.
Santiago
Acordei com beijos no meu tórax, ela ainda estava na minha cama como sempre ficava depois de uma boa noite de sexo.
- Bom dia, Sant, eu acabei de colocar o café na mes... - O olhar de Danira encontrou com o Karine que rapidamente se levantou e mandou beijos pra ela, isso fez ela sair e fechar a porta irada. - Não quero que vá atrás de mim hoje, Santiago. Eu estarei bem e voltarei antes da meia noite. - Ela gritou do outro lado da porta.
Levantei da cama e corri até a porta, gritando por Danira, que é capaz de fazer qualquer loucura com si própria.
- Espera aí Dan, onde você vai? - Gritei seu nome, mas ela parecia ignorar.
- Pra algum lugar onde eu não tenha que suportar isso. Nunca trago ninguém pra cá Sant, além disso você sabe o quanto eu odeio essa mulher. Deveria ter um pouco mais de respeito pela sua irmã. Se quiser transar, ao menos me avise, assim eu passo a noite bem longe dessa casa.
- Essa foi a última vez Danira, eu preciso relaxar mas não vai mais acontecer. Agora pode me dizer onde está indo?
- Vou na cafeteria, não dá pra engolir nada vendo aquela mulher perto de mim. Não sei porque ainda fica com ela, nojenta, vagabunda...
- Danira... Eu não vou mais trazer ela pra cá tá legal, desculpa por isso. Eu vou dar um pulo lá também, me espera tomar um banho e a Karine vai embora. - Karine me olhou e sorriu apenas, ela sabia que Danira não a suportava.
Ela deu um sorriso maligno por conseguir o que queria e me deu um abraço. Karine ainda estava deitada e quando puxei o lençol ela estava nua e se masturbando.
- Qual é, Karine? Agora não porra. Se veste que eu tenho que trabalhar, preciso me entender com Danira, ela é minha irmã. Depois a gente resolve isso, o fogo da sua buceta é eterno, então não tem problema se você esperar até á noite.
- O problema é que eu não quero esperar, Santiago. Além disso ela pode esperar, hoje a tarde eu irei viajar por um tempo e não sei quando voltarei. - Ela dá um longo suspiro e sem perder tempo puxei ela pelo braço a levando comigo até o banheiro.
Encostei ela no box e liguei o chuveiro, não quero que a Danira ouça nada que possa sair daqui. Levantei uma das pernas dela fazendo com que ela ficasse toda dominada por mim, enfiei meu pau dentro dela sem nenhuma palavra dita. Meu copo ferve por essa mulher, eu não amo ela, eu amo o sexo que ela me proporciona.
Com meu pau todo dentro da buceta dela eu cheguei a gozar rápido, ela geme gostoso demais e como ainda é de manhã eu sempre gozo rápido.
- Não demora muito aqui dentro, tenho compromissos sérios. - Ouvir o grito de raiva dela por não ter gozado também, foda-se.
Danira não estava com uma cara nada amigável quando saiu, sabe quando você tá com cara de quem vai fazer merda? Então!
Ao descer as escadas percebi que Danira ainda estava ali, sentada na cadeira giratória fumando um cigarro.
- Estou pronta, podemos ir agora. - Karine desceu as escadas com um vestido longo de alças finas e um salto branco.
- Com você não vamos a lugar algum. Meu irmão também tem uma vida social com a sua irmã, por isso, peço com educação que saia daqui antes que eu enjoei mais ainda dessa sua cara de vadia imunda. - Danira nunca foi uma flor de delicada, sempre gostei desse jeito dela.
- Calma Dan... Que mal te fiz eu? Sempre tento ser sua amiga, mas você faz questão de ser deselegante o tempo todo. - Eu rir porque as duas pareciam mais duas adolescentes que duas mulheres adultas.
- Já deu. Karine vai pra casa e você vai pegar o meu casaco pra gente ir logo. - Danira subiu e eu segurei o maxilar da minha puta com força, fazendo ela me olhar por alguns segundo e depois depositar um beijo em minha boca. - Não aparece aqui do nada, quando eu precisar eu te ligo. Essa foi a última vez que transamos na minha cama.
- Tudo bem, se é assim que deseja, assim será. Só não vou poder fazer muita coisa por você a partir de hoje. Eu ficarei noiva amanhã a noite, essa foi nossa última foda Santiago. Até mais... - Ela saiu como se nada tivesse acontecido, por um momento me senti usado, mas foi um uso bom.
Enquanto estávamos caminhando até a cafeteria meu celular vibrou, vi o nome do Flávio na tela e já sabia que notícias estavam por vir.
Ligação Ativa
- Boas ou ruins? - Pergunto me referindo ao que ele tem a dizer.
- Ótimas, Santiago. Finalmente encontrei a pessoa certa para fazer a passagem dessas malas até o local de embarque.
- Posso saber quem é a pessoa?
- Ah, não é ninguém interessante, estava em busca de emprego e eu apenas ajudei, mas tarde farei a proposta e tenho certeza que irá aceitar.
- Reze por isso, Flávio. Não temos mais tempo pra atrasos e quando mais nós demoramos mais dinheiro é perdido. Tenta conversar com essa tal pessoa ainda hoje e se der pra ir hoje melhor ainda.
- Eu vou tentar... Onze horas eu já estou em casa e vou ver se ela vai está lá também.
- É uma mulher?
- Sim, é uma mulher. Mas te garanto que vou passar tudo certinho, vai dar certo.
- Assim eu espero. Só me ligue quando tiver notícias boas.
Ligação Inativa
- Quem era? A vagabunda nem deu tempo?
- Não interessa, Danira!
Chegamos e eu sentei esperando ela voltar com chá e rosquinha. Levantei meu olhar e vi a mulher que eu quase matei ontem, sentada bebendo um café e folheando um jornal. Ela não parece muito acordada pra vida e por um segundo nossos olhares se encontraram, mas ela não parece me reconhecer e logo volta a atenção para o jornal.
- Aqui está seu chá e meu café. Podemos conversar agora, Santiago?
Maquini
O olhar daquele homem estava me deixando um tanto incomodada, levantei e fui pagar a conta, mas fui pega de surpresa quando ouvi a voz grave e rouca atrás de mim.
- Bom ver que ainda está viva. - Ah é claro, ele quase me atropelou ontem a noite.
- É, como pode ver, não me quebro fácil. - Por algum motivo meus olhos percorreram todo o corpo dele até encontrar as tatuagens.
- Procurando alguma coisa?
- Não mesmo. Mais uma vez obrigado o por não me matar. - Ela tinha uma voz doce e meia rouca.
- Achei que iria dizer algo mais convencional... - Que cara folgado, a gente dá a mão ele quer o braço inteiro.
- Tipo o quê? Não me leve a mal, mas eu não estou muito afim de conversar, então se pudesse me fazer o favor de me deixar sozinha eu iria agradecer muito. - Enrolei o jornal e fui saindo, mas senti meu braço ser segurado por uma mão grande e muito pesada.
- Santiago. Não esqueça desse nome, tenho certeza que ainda vamos nos ver muito, mora aqui perto? - Puxei meu braço e fui embora sem olhar pra trás, alguma coisa dentro de mim tava dizendo que havia alguma coisa estranha com esse homem. Desejei nunca mais encontrar com ele.
No caminho para o meu quarto eu vi alguns lugares interessantes de serem visitados, mas no momento eu não posso arriscar, ainda estou com pouco dinheiro na mão. Andei o caminho inteiro torcendo para que o seu Flávio me dê uma notícia boa. Cheguei e me joguei na cama, eu estava cansada sem fazer nada. Me peguei pensando na Kate e disse que jamais esqueceria dela, amanhã tenho que cumprir minha promessa e vou escrever pra ela. Minha tia sumiu mesmo, mas se ela pensa que vai escapar de mim está muito enganada, eu vou caçar ela até no inferno se for possível.
Liguei a TV enquanto não dava meio dia eu fiquei assistindo e preocupando alguma coisa em que eu pudesse escrever, assim eu me mantinha sempre calma. Tomei dois comprimidos e achei um caderno perdido, com alguns desenhos bem tortos, tenho certeza que isso aqui é arte de criança.
Danira
Samuel estava do outro lado da rua então decidi ir lá falar com ele antes que ele viesse até mim e o Sant começasse a interrogar ele. Não conversamos nada demais e quando olhei para o lado vi meu irmão conversando com uma mulher, que por incrível que pareça não era a Karine e isso me deixou feliz, corri pra atravessar a rua rápido mas quando cheguei ela já havia ido embora.
- Quem era ela?
- Ninguém. Com quem estava conversando do outro lado? Aquele é o seu namorado? Por que não o trouxe aqui pra que eu o conhecesse?
- Ah, Sant sem essa a essa hora do dia. Somos só amigos, mas ele é um cara legal e eu posso te garantir.
- Vou acreditar em você. Mas se eu descobrir que foi ele quem fez isso no seu rosto eu juro que vou arrebentar cada parte do corpo daquele cara. Não te criei pra tá apanhando de ninguém na rua, Danira. Na próxima que chegar assim eu casa quem vai te bater sou eu, só assim você aprende a ser gente!
Como sempre meu irmão sendo tão protetor. Tomamos nosso "café da manhã" e ele voltou pra casa, de certo,hoje ele irá passar o dia em casa porque não saiu até essa hora. Quem será aquela mulher e o que será que os dois estavam conversando? Percebi que ele ficou tenso quando eu cheguei, será que ele levou um fora dela? Ai ai... Esses meus pensamentos qualquer hora dessas ainda vão me deixar louca, antes que tudo acabe em ruínas eu vou pra faculdade, já faltei quase o mês inteiro mas lá tenho a Tina que sempre escuta o que eu tenho pra falar, e hoje eu estou cheia de assuntos do interesse dela.