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O Veneno da Vingança, o Doce Amor

O Veneno da Vingança, o Doce Amor

Autor:: Roana Javier
Gênero: Fantasia
Na comunidade onde nasci, a capoeira ditava o ritmo dos nossos dias. Minha avó, Mestra Jurema, curandeira e lenda, possuía um "dom" místico que a tornava a figura mais respeitada. Ela tinha duas netas abençoadas com esse dom: Clara, leitora de búzios, e Sofia, com o poder de curar doenças. E havia eu, Ana, a "inútil", destinada a servir na sombra de suas glórias. Até que o Líder do bairro, um homem poderoso e corrupto à beira da morte, nos convocou. Ele exigiu um casamento de aliança, e minhas irmãs rapidamente escolheram seus companheiros, homens de poder e sucesso. Para mim, sobrou o "ingênuo", um sonhador sem posses. Riram de mim, me chamaram de cega, sem visão. Mas um sorriso misterioso surgiu em meus lábios. Ignorei o destino que me impuseram. "Quero me casar com o senhor, Líder. Desejo a sua proteção." O silêncio foi denso, o choque preencheu o ar. Minhas irmãs me olharam como se eu estivesse louca, querendo me unir a um homem com um pé na cova. Minha avó, aquela que devia ser a mais forte, acabou cega, expulsa e morta pelos cães do palácio do Líder. Toda a sua honra simplesmente se desfez. Mas foi ela quem me contou a verdade: o dom dela era, na verdade, uma trama. O que eu faria? A vingança seria a solução? Eu, Ana, a "inútil" , a "sem dom" , prometi vingança à minha avó. E meu primeiro passo seria a "Boca de Ouro" .

Introdução

Na comunidade onde nasci, a capoeira ditava o ritmo dos nossos dias.

Minha avó, Mestra Jurema, curandeira e lenda, possuía um "dom" místico que a tornava a figura mais respeitada.

Ela tinha duas netas abençoadas com esse dom: Clara, leitora de búzios, e Sofia, com o poder de curar doenças.

E havia eu, Ana, a "inútil", destinada a servir na sombra de suas glórias.

Até que o Líder do bairro, um homem poderoso e corrupto à beira da morte, nos convocou.

Ele exigiu um casamento de aliança, e minhas irmãs rapidamente escolheram seus companheiros, homens de poder e sucesso.

Para mim, sobrou o "ingênuo", um sonhador sem posses.

Riram de mim, me chamaram de cega, sem visão.

Mas um sorriso misterioso surgiu em meus lábios.

Ignorei o destino que me impuseram.

"Quero me casar com o senhor, Líder. Desejo a sua proteção."

O silêncio foi denso, o choque preencheu o ar.

Minhas irmãs me olharam como se eu estivesse louca, querendo me unir a um homem com um pé na cova.

Minha avó, aquela que devia ser a mais forte, acabou cega, expulsa e morta pelos cães do palácio do Líder.

Toda a sua honra simplesmente se desfez.

Mas foi ela quem me contou a verdade: o dom dela era, na verdade, uma trama.

O que eu faria? A vingança seria a solução?

Eu, Ana, a "inútil" , a "sem dom" , prometi vingança à minha avó.

E meu primeiro passo seria a "Boca de Ouro" .

Capítulo 1

Na comunidade onde nasci, a capoeira era mais do que uma dança ou uma luta, era a pulsação da vida, o ritmo que ditava os dias e as noites. Minha avó, Mestra Jurema, era a figura mais respeitada do bairro, não só pela sua ginga, mas pelo seu "dom", uma intuição mística que lhe permitia ver o futuro e a saúde das pessoas. Ela era uma benzedeira, uma curandeira, uma lenda.

Esse dom deveria ter passado para suas netas, mas o destino foi seletivo.

Minhas duas irmãs mais velhas, Clara e Sofia, foram abençoadas. Clara, a mais velha, lia os búzios com uma precisão assustadora, desvendando os caminhos que os orixás traçavam para cada um. Sofia, a do meio, tinha o poder de ver a doença no corpo das pessoas antes mesmo que ela se manifestasse, e sabia curá-las com suas ervas e rezas. Elas eram a luz da família, o orgulho da nossa avó.

E havia eu. Ana.

Para mim, não sobrou dom algum. Nenhum brilho, nenhuma visão. Eu era a "inútil", a que só servia para lavar, passar e cozinhar. Enquanto minhas irmãs eram reverenciadas, eu era a sombra que se movia pela casa, esquecida e desprezada.

Naqueles dias, a comunidade fervia. O Líder do bairro, um político corrupto e poderoso, estava doente, quase no leito de morte, e uma nova eleição para o seu cargo estava prestes a acontecer. A sucessão era o assunto em todas as rodas de conversa, em cada esquina. O poder dele era imenso, e quem o sucedesse controlaria a vida de todos nós.

Foi então que o chamado veio. O Líder, em sua cama, convocou as três netas de Mestra Jurema. Sua voz era fraca, mas a ordem era de ferro. Ele queria que cada uma de nós escolhesse um candidato para se casar. Um casamento que seria uma aliança, uma forma de garantir o apoio da nossa família e perpetuar a sua influência através do novo líder.

Chegamos ao casarão do Líder. O ar era pesado, cheirava a remédio e a poder em decomposição.

Clara foi a primeira a escolher. Ela fechou os olhos, jogou seus búzios num pequeno tabuleiro de madeira e sorriu.

"Eu escolho o que tem o 'axé' mais forte."

Seu dedo apontou para um empresário rico, dono de metade dos imóveis do bairro. Um homem com poder e dinheiro, uma escolha óbvia e segura.

Sofia foi a segunda. Seus olhos, de um castanho estranhamente claro, examinaram os candidatos um a um. Ela não precisava de búzios, ela via a energia, a aura.

"Eu escolho o que tem a 'aura' mais saudável, o mais promissor."

Sua escolha foi um jovem advogado, cheio de ambição e com uma saúde de ferro. Outra escolha inteligente, pensando no futuro.

Todos os olhares se voltaram para mim.

Sobrou apenas um. Um idealista, um sonhador que todos chamavam de "ingênuo". Um homem sem posses, sem sorte, sem um pingo de malícia no olhar. Um candidato que ninguém levava a sério.

Clara riu, um som seco e debochado.

"É claro que sobrou o pior para a Ana. Ela não tem 'visão' para escolher nada. Sua sorte está por um fio, irmãzinha."

Sofia concordou com um sorriso de pena.

"Coitada. Sempre pega as sobras."

Eu olhei para o candidato "ingênuo", depois para minhas irmãs, e por fim para o homem que morria na cama. Um sorriso misterioso surgiu em meus lábios, um sorriso que elas nunca tinham visto antes.

Ignorei o candidato que me foi destinado. Caminhei até a beira da cama do Líder e fiz uma reverência.

"Quero me casar com o senhor, Líder. Desejo a sua proteção."

Capítulo 2

O silêncio na sala foi total, denso como um nevoeiro. Podia-se ouvir a respiração ofegante do homem na cama e o zumbido de uma mosca perto da janela.

Minhas irmãs me olharam como se eu tivesse acabado de anunciar que podia voar. Louca. Era a única palavra que passava por suas cabeças. Querer se unir a um homem que já tinha um pé na cova? Era o cúmulo da estupidez.

O Líder, que parecia quase adormecido, abriu os olhos turvos. Ele se esforçou para focar em mim. Sua voz saiu como um sussurro arrastado, um som de folhas secas se quebrando.

"Ana... eu te pergunto novamente... quem você escolhe?"

A pergunta pairou no ar, uma última chance para eu voltar à razão, para aceitar o candidato desprezado que me restou.

Mas eu não hesitei. Inclinei-me mais uma vez, a reverência profunda e respeitosa.

"Escolho o senhor, Líder. Por favor, me aceite."

A reação dele foi imediata e chocante.

O rosto pálido e doentio do Líder se transformou. Uma alegria assustadora, quase maníaca, iluminou suas feições. Ele ignorou a própria fraqueza e agarrou a mão de sua esposa, a Primeira Dama, que estava ao seu lado com uma expressão de pedra.

"Você ouviu? Você ouviu?" ele exclamou, a voz ganhando uma força que ninguém esperava. "A neta de Jurema me escolheu! Eu sou o verdadeiro líder! Eu ainda tenho muito a viver! Viverei para sempre!"

A Primeira Dama forçou um sorriso, tentando acalmar o marido. Seus dedos apertaram a mão dele com força.

"Meu Líder, suas palavras são sábias. Este bairro é seu, e você viverá para sempre."

Mas as palavras dela soaram vazias, um eco oco na euforia delirante do homem.

Clara, minha irmã, não aguentou. O deboche em seu rosto deu lugar a uma fúria gelada. Ela me via não como uma louca, mas como uma ameaça. A escolha dela, o futuro dela, tudo dependia da estabilidade que a morte iminente do Líder proporcionaria. Minha atitude desequilibrava o jogo.

Ela avançou em minha direção com a rapidez de uma cobra.

"Sua inútil! O que você está falando?"

A mão dela voou e atingiu meu rosto com uma força brutal. Clara, acostumada a lidar com as energias dos búzios e dos orixás, tinha uma força física impressionante. A bofetada me fez ver estrelas, o zumbido em meu ouvido foi mais alto que a voz do Líder.

Ela não parou por aí. Virou-se para o homem na cama, a raiva dando lugar a uma súplica calculada.

"Meu Líder, me perdoe! Minha irmã Ana não herdou o dom de nossa avó, ela é uma inútil! Para não manchar o nome de nossa família, peço que a puna por sua insolência!"

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