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O Zumbido do Arrependimento

O Zumbido do Arrependimento

Autor:: Nikolos Bussini
Gênero: Fantasia
Maria e Pedro, um turbilhão de amor e ódio que incendiava a cidade, de repente foi silenciado. Num dia fatídico, após uma briga pública e humilhante em que ela o mandou ir embora, o telefone tocou. Uma voz fria anunciou o impensável: Pedro estava morto, vítima de um assalto brutal. O mundo de Maria desabou, as cores vibrantes de suas pinturas se esvairam, restando apenas um zumbido ensurdecedor de arrependimento. Mas o que ninguém sabia era que, segundos antes de sua morte, Pedro ligou para ela, e Maria, cega pela raiva e pelo orgulho, recusou a chamada. Aquele toque ignorado tornou-se um fantasma assombrando sua alma. Contudo, a verdade era ainda mais sombria: Pedro não se recusava a partir. Em um ato desesperado de amor e ódio, ele obteve uma chance única para que Maria dissesse as palavras que ele tanto ansiava: "Eu te amo". Ele retornou, uma figura etérea e sólida, no mesmo dia em que seu corpo jazia sem vida. Chegando, encontrou Maria nos braços de João, seu amigo de infância, que a consolava com falsa compaixão. As primeiras tentativas de Pedro foram repelidas com desprezo e acusações. Maria, envenenada pelas mentiras de João, o humilhou e o rejeitou, convencida de que ele era o monstro em sua vida. Pedro, em sua nova forma, testemunhou o homem que o invejava roubar seu lugar. O tempo era um carrasco, os cinco dias se esgotavam e as palavras "Eu te amo" pareciam cada vez mais distantes. Maria, consumida pela dor, pela fúria de João e pela loucura de Pedro, o empurrou para uma piscina gelada. Então, Pedro desistiu. Ele não lutaria mais. Ele se afastou, deixando Maria atordoada e um grito de agonia ecoando naquele cemitério de almas. A vingança de Maria por João e a redescoberta de seu amor por Pedro começam agora.

Introdução

Maria e Pedro, um turbilhão de amor e ódio que incendiava a cidade, de repente foi silenciado.

Num dia fatídico, após uma briga pública e humilhante em que ela o mandou ir embora, o telefone tocou.

Uma voz fria anunciou o impensável: Pedro estava morto, vítima de um assalto brutal.

O mundo de Maria desabou, as cores vibrantes de suas pinturas se esvairam, restando apenas um zumbido ensurdecedor de arrependimento.

Mas o que ninguém sabia era que, segundos antes de sua morte, Pedro ligou para ela, e Maria, cega pela raiva e pelo orgulho, recusou a chamada.

Aquele toque ignorado tornou-se um fantasma assombrando sua alma.

Contudo, a verdade era ainda mais sombria: Pedro não se recusava a partir.

Em um ato desesperado de amor e ódio, ele obteve uma chance única para que Maria dissesse as palavras que ele tanto ansiava: "Eu te amo".

Ele retornou, uma figura etérea e sólida, no mesmo dia em que seu corpo jazia sem vida.

Chegando, encontrou Maria nos braços de João, seu amigo de infância, que a consolava com falsa compaixão.

As primeiras tentativas de Pedro foram repelidas com desprezo e acusações.

Maria, envenenada pelas mentiras de João, o humilhou e o rejeitou, convencida de que ele era o monstro em sua vida.

Pedro, em sua nova forma, testemunhou o homem que o invejava roubar seu lugar.

O tempo era um carrasco, os cinco dias se esgotavam e as palavras "Eu te amo" pareciam cada vez mais distantes.

Maria, consumida pela dor, pela fúria de João e pela loucura de Pedro, o empurrou para uma piscina gelada.

Então, Pedro desistiu.

Ele não lutaria mais.

Ele se afastou, deixando Maria atordoada e um grito de agonia ecoando naquele cemitério de almas.

A vingança de Maria por João e a redescoberta de seu amor por Pedro começam agora.

Capítulo 1

Maria e Pedro viviam como cão e gato, uma relação de amor e ódio que consumia os dois. Ela, uma artista de rua com um talento explosivo, pintava os muros da cidade com a mesma intensidade que amava e brigava. Ele, um jogador de futebol em ascensão, com um futuro brilhante pela frente, a provocava constantemente, testando seus limites, mas sempre voltava, sempre estava lá. As brigas eram homéricas, cheias de gritos e portas batendo, mas as reconciliações eram igualmente intensas, um furacão de paixão que parecia apagar todas as mágoas, até a próxima explosão.

Eles não sabiam amar de outra forma.

Naquele dia, o dia que mudaria tudo, a briga foi pior do que o normal. Maria estava inaugurando um novo mural, uma obra que era a sua alma exposta em cores vibrantes. Pedro apareceu, atrasado, com o cheiro de cerveja e a arrogância de quem acabara de ganhar um jogo importante. Ele criticou uma cor, fez uma piada sobre um traço, e o mundo de Maria desabou. A discussão foi feia, pública, cheia de palavras duras que nenhum dos dois queria realmente dizer. Ela o mandou embora, gritando que nunca mais queria vê-lo. Ele saiu, batendo a porta do carro, deixando para trás um silêncio pesado.

Horas mais tarde, o telefone de Maria tocou. Era um número desconhecido. Uma voz fria e oficial do outro lado da linha informou sobre um "incidente". Pedro havia sido morto, uma facada no peito durante o que parecia ser um assalto. O mundo de Maria ficou mudo. O barulho da rua, as cores do seu mural, tudo desapareceu. Só restava um zumbido no ouvido e a imagem do rosto de Pedro, sorrindo de forma provocadora, como ele sempre fazia. A notícia na TV confirmou o pesadelo: "Jovem promessa do futebol morre em tentativa de assalto". Uma tragédia banal, uma vida roubada por nada.

O que a notícia não dizia, o que ninguém sabia, era que minutos antes de morrer, com a mão pressionando o ferimento no peito, Pedro tentou ligar para ela. O telefone de Maria tocou, era ele. Ela viu o nome dele na tela e, cega pelo orgulho e pela raiva da briga mais cedo, recusou a chamada. Desligou na cara do homem que amava, sem saber que eram seus últimos segundos de vida. Aquele toque de celular ignorado se tornou o som fantasma que a assombraria para sempre. O arrependimento era uma ferida aberta, muito mais profunda do que qualquer briga que eles já tiveram.

Em um lugar sem tempo e sem espaço, uma escuridão sem fim, a alma de Pedro se recusava a seguir em frente. A imagem do rosto de Maria, a última lembrança, a chamada não atendida, o prendiam àquele limbo. Uma figura surgiu da névoa, uma senhora de olhos antigos e sábios, Dona Fátima. Ela olhou para o jovem espírito com uma mistura de pena e severidade. "Sua hora chegou, mas seu coração não partiu", disse ela. "Você tem um amor não resolvido, um ódio que te prende aqui." Ela lhe ofereceu um acordo, uma chance que raramente era dada. "Você terá cinco dias. Cinco dias para voltar e fazê-la dizer as palavras que precisa ouvir. Faça-a dizer 'Eu te amo'. Se conseguir, talvez encontre a paz. Se falhar, sua alma se perderá para sempre no esquecimento." A esperança, frágil e desesperada, acendeu no peito de Pedro. Ele aceitou, sem hesitar.

Pedro abriu os olhos e estava de volta ao seu próprio apartamento. O cheiro de sangue e morte pairava no ar. No chão da sala, seu próprio corpo jazia em uma poça de sangue seco. A visão era macabra, irreal. Ele, em sua nova forma etérea, mas sólida, teve que enfrentar a tarefa horrível de limpar a cena do seu próprio assassinato. Arrastou o corpo para o banheiro, limpou o sangue do chão, escondeu qualquer vestígio da tragédia. Era um segredo que ele precisava guardar, uma corrida contra o tempo que acabara de começar. Cada segundo era precioso.

Com o corpo escondido e o apartamento limpo, Pedro correu para a casa de Maria. Ele a encontrou na sala, desolada, sendo consolada por João. João, seu amigo de infância, o amigo que sempre esteve por perto, agora abraçava a mulher que Pedro amava, com um olhar de falsa compaixão. A cena revirou o estômago de Pedro. Ele entrou sem bater, o desespero estampado em seu rosto. Maria e João o olharam como se estivessem vendo um fantasma. E, de certa forma, estavam.

Ignorando o choque no rosto de Maria e o olhar estranho de João, Pedro foi direto ao ponto. Ele a agarrou pelos braços, seus olhos fixos nos dela, a urgência queimando em sua voz. "Maria, você precisa dizer. Diga que me ama. Por favor, apenas diga." Maria, ainda em choque pela notícia de sua morte e agora confrontada com sua aparição impossível, o empurrou. "Você ficou louco? O que é isso? Uma brincadeira de mau gosto? Eles me disseram que você estava morto!" A primeira das cinco chances estava se esvaindo, e o desespero de Pedro só aumentava.

Capítulo 2

"Dizer que te amo? Depois de tudo?", Maria riu, um riso seco e sem humor, que cortou o ar como vidro quebrado. "Você aparece aqui, depois que todos pensaram que você estava morto, e a primeira coisa que me pede é isso? Você é inacreditável, Pedro." Ela se afastou dele, buscando refúgio ao lado de João, que a envolveu com um braço protetor. Olhando para João, com uma doçura que Pedro raramente via, ela disse: "João, obrigada por estar aqui. Não sei o que faria sem você." As palavras foram um soco no estômago de Pedro. Ela estava oferecendo a João a gratidão e o carinho que negava a ele.

Pedro sentiu o sangue ferver. Ele avançou, tentando afastar a mão de João do ombro de Maria. "Tire as mãos dela!", ele rosnou. Maria se colocou na frente de João, protegendo-o. "Parou, Pedro! Chega! Foi por causa desse seu ciúme doentio que nós terminamos! Você não mudou nada! Nem a morte te conserta!", ela gritou, empurrando-o com força. Cada palavra dela era uma acusação, um lembrete doloroso de seus erros passados, que agora eram usados como armas contra ele.

Naquela noite, a tortura de Pedro continuou. João, com a desculpa de que Maria não deveria ficar sozinha, ficou para o jantar. Pedro foi forçado a sentar-se à mesa e assistir à cena grotesca. João servia Maria, contava piadas que a faziam sorrir, limpava uma lágrima imaginária de seu rosto. E Maria, cega pela dor e pela manipulação, aceitava tudo. Pedro era um fantasma naquela mesa, uma presença invisível e indesejada, testemunhando o homem que o invejava roubar seu lugar, seu amor, sua vida. O silêncio de Pedro era um grito de dor que ninguém podia ouvir.

Mais tarde, enquanto Maria tomava banho, Pedro passou pelo quarto de hóspedes e ouviu a voz de João, baixa e conspiratória. Ele se aproximou da porta e escutou. "O plano deu certo", dizia João ao telefone. "Ele está morto. Mas... algo estranho aconteceu. Ele apareceu aqui. Não sei como, mas ele voltou. Se ele descobrir a verdade... resolva isso. Não quero que ele respire o mesmo ar que eu por muito mais tempo." O coração de Pedro gelou. Um plano? Verdade? A morte dele não foi um acidente. Foi um assassinato. E João era o mandante. Nesse momento, Pedro, sem querer, esbarrou em um vaso no corredor. O som do objeto caindo no chão ecoou pela casa.

A porta do quarto se abriu abruptamente. João apareceu, o telefone já guardado, com uma expressão de pânico que rapidamente se transformou em medo calculado. "Pedro! O que você está fazendo? Me espionando?", ele gritou, alto o suficiente para Maria ouvir do banheiro. Ele agarrou o próprio braço, como se Pedro o tivesse atacado. "Ele está me ameaçando, Maria! Ele disse que vai me matar!", João gritou, com lágrimas de crocodilo nos olhos. Maria saiu correndo do banheiro, enrolada em uma toalha, e viu a cena: João encolhido, parecendo a vítima, e Pedro parado, chocado e furioso. Sem hesitar, ela correu para o lado de João. "O que você fez com ele, seu monstro?", ela gritou para Pedro, a confiança em seus olhos completamente destruída.

Naquela noite, Pedro dormiu no sofá, se é que se pode chamar aquilo de dormir. A dor física da solidão se misturava com a dor emocional da traição. Ele ouvia os sussurros de Maria e João no quarto, o som abafado de risadas. Cada som era uma facada em seu peito já ferido. Ele se levantou e foi até o banheiro, procurando por analgésicos. Encontrou um kit de primeiros socorros. Abriu e viu que estava sendo usado para tratar um arranhão superficial no braço de João, o mesmo braço que João afirmava que Pedro havia machucado. A farsa era tão óbvia, mas Maria não via.

De repente, a porta do banheiro se abriu. Era Maria. Seus olhos estavam cheios de fúria. "O que você está fazendo?", ela perguntou, a voz gélida. Ela o agarrou pelo colarinho da camisa, empurrando-o contra a parede. "Eu te odeio, Pedro. Você entende? Eu te odeio por ter me feito te amar. Eu te odeio por ter me destruído. E eu te odeio por ter voltado para me atormentar mais uma vez." Ela o sacudiu, o rosto a centímetros do dele. "Nunca. Nunca mais espere ouvir 'eu te amo' da minha boca. Para mim, você já está morto e enterrado." As palavras dela foram a sentença final daquele dia, deixando Pedro completamente quebrado, sozinho na frieza do banheiro.

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