LAURA
5 anos depois...
ESPANHA - MADRID
Aquele grande vazio sentido por mim durante tantos anos, muita coisa havia mudado, isso é fato, são cinco anos de uma vida amargurada, bebidas, festas e ressacas sem fim.
Devem se perguntar o que aconteceu depois de tudo, como estão todos, e eu os respondo, estão todos ótimos e felizes, menos eu.
Eu nunca mais fui feliz...
Já vai fazer 4 anos que moro na Espanha, aqui vivo uma vida agitada e de curtição, eu passei 1 ano inteiro internada em uma clínica e longe dos meu filhos, depois de todo acontecimento na Itália, eu voltei para França, mas aí as crises pioraram, eu via ele em todos os lugares, não dormia e nem comia.
Assim que saí da clínica me mudei, percebia o quanto fazia mal para as pessoas que me amavam, o que mais me doia de verdade era ter que ficar longe dos meu filhos, não pude vê-los crescer, Lucas controlava-me com mãos de ferro, não fazia nada sem passar por sua aprovação.
Em todos esses anos a relação do meu irmão e Stefane só se fortaleceu, eles tem um lindo menino que se chama Ricardo em homenagem ao nosso pai, moram na França na casa que era de nossa família, se casaram faz dois anos, Dimitri não facilitou muito suas vidas, mais com um grande sermão de Henrique assinou o divórcio.
Depois que saí da Itália, nunca mais tive contato com aquela família, mas não pensem que foi fácil assim, quiseram acusa-me pela morte dele, tive que fugir da Itália e agora vivo sob proteção de meu irmão, seu corpo nunca foi encontrado, o mar havia levado para longe meu eterno sofrimento.
Eu jamais esquecerei aquele dia, matar ele foi como liberta-me e depois joga-me no precipício.
Meus filhos estavam longes e protegidos, quando procuraram e não encontraram seu corpo, vieram atrás de seu herdeiro, Nicola. Queriam levar meu filho para assumir seu lugar por direito, jamais permiti isso, mantendo eles longe por segurança.
Suspiro sentindo a dor de mais uma ressaca, alguém bate a porta e eu reviro os olhos.
__Entra!_Digo para a pessoa do outro lado.
Leila, uma mulher que trabalha aqui em casa entra.
Leila: Telefone para Senhora._diz de forma séria.
__Quem é?_pergunto bebendo um pouco de água.
Leila: O seu irmão, Senhora. Vai atender?
Eu poderia mais uma vez fingir que não estou em casa, respiro profundamente e pego o telefone de sua mão.
Ligação on
__Sim?
__Onde estava? Estou a semana inteira tentando falar com você.
__Já está falando...
__Você vai voltar para França.
__Aconteceu algo?
__Sim, nosso tio Marcos morreu...
Um silêncio se fez presente na linha, meu coração se entristeceu, lágrimas pequenas saiam de meus olhos.
__Morreu?
__Ele estava muito doente, Laura...
__E você só me diz isso agora?
__Eu tentei falar com você a semana toda!
__Como ele está?
__Muito mau, fingindo ser forte...
__Eu embarco hoje mesmo, Tchau.
__Ok, Se cuida.
Ligação off
Soltei o telefone em cima da cama e suspirei triste, Meu tio Marcos era alguém importante para mim, como também era para os outros.
Eu não tive contato com Gustavo durante esses anos, só fiquei sabendo que ele tinha voltado para Rússia levando sua esposa, sei que ele tem uma menina que carrega o nome de sua mãe, Beatriz.
Forço-me a ser forte, seria difícil enfrenta-los depois de anos, tenho plena certeza que a família Greco estaria presente, e eles como sempre jogariam insultos diante de mim.
Entro dentro do banheiro e tomo um banho gelado, escovo os dentes e sigo para o closet, pego uma lingerie preta, uma calça de couro e uma blusa do mesmo material e visto tudo, meus cabelos agora em uma cor mais escura realçam minha juventude, um batom vermelho nos lábios e uma maquiagem marcante, era esse meu estilo agora.
Desço para o café da manhã e encontro Leila no final da escada, ela trabalha para meu irmão e é sua espiã, conta todos os meus passos.
__Pode arrumar uma mala com roupas para mim._Passo por ela e me sento na mesa.
Leila: Sim, Senhora._diz de forma forçada.
Meu apetite pela manhã não costuma ser grande, então como apenas uma maçã e tomo uma xícara de café, Leila desse as escadas segurando uma pequena mala.
Leila: Aqui está...
Agradeço com um aceno de cabeça e passo por ela pegando a mala, lá fora um táxi já me espera, o homem me ajuda com a mala e entramos no carro, o caminho é silencioso até o aeroporto, fico mexendo no celular e vendo algumas fotos que Teresa me mandou dos meus filhos.
Ela cuida deles, Teresa é de total confiança e ama meus filhos como se fossem dela, eu nunca soube a localização exata de onde estão, Lucas sempre escondeu isso de mim, segundo ele porque eu poderia ir atrás e entregar onde estão.
Ele nunca me perdoou por aquele dia.
Saio de meus pensamentos quando o motorista avisa que chegamos, pago sua corrida e desço pegando minha mala, o aeroporto está cheio de pessoas para lá e para cá, pessoas com problemas, vícios e segredos, e eu era só mais uma ali.
Compro minha passagem para Paris e aguardo o vôo que sairia em exatamente 20 minutos.
Compro uma água e me sento em uma cadeira, minhas mãos começam a tremer e meu corpo a transpirar, corro para o banheiro sabendo que uma de minhas crises se aproxima, lavo o rosto e tento respirar com calma, pego dentro de minha bolsa uma cartela de remédios, tomo um e espero seu efeito acontecer.
Fiquei ali dentro um bom tempo, até que escuto que meu vôo vai sair, saio do banheiro e sigo para a fila de embarque, já dentro do avião minha mente parece me atormentar ainda mais, tomo outro remédio para tentar relaxar.
Depois de um tempo o efeito caí sobre mim, meus olhos pesam e adormeço.
Acordo quando escuto a aeromoça me chamando, abro os olhos um pouco cansada, acho que exagerei na quantidade de remédios.
__Sim?_pergunto sonolenta.
Xxx: A Senhorita gostaria de alguma coisa para comer?
__Não, muito obrigado.
Ela abre um pequeno sorriso e se retira, olho para o meu colo e uma rosa vermelha está em cima do mesmo, pego-a e observo as pessoas que nem parece reparar o que acontece.
Sinto uma sensação terrível, mais logo me obrigo a parar de pensar sobre isso.
FRANÇA - PARIS
Não demora muito e pousamos, procuro algum rosto conhecido mas não vejo ninguém, até que vejo um homem ao longe parado com um cartaz na mão, o meu nome está nele.
Me aproximo parando de frente para o mesmo, ele abaixa a cabeça em respeito.
Xxx: Senhora Vincent, Seja Bem-Vinda!
__Obrigado...Não veio mais ninguém?_pergunto olhando para o lado.
Xxx: Não Senhora. O Senhor Lucas pediu para que viesse te buscar.
__Que seja!_Digo bufando e entrego minha mala para ele.
Saio na frente um pouco chateada, tudo bem que eu não esperava uma grande festa, mas apenas que minha família estivesse aqui, entramos no carro e vamos embora.
Não demora muito para que eu veja de longe o lugar que evitei voltar já faz anos, lembranças da última vez que estive aqui me assombram, lembranças dele.
Xxx: Chegamos Senhora.
Saio dos meus devaneios.
Desço do carro e logo uma pessoa corre me abraçando, aquele abraço caloroso e amigável, não fazia idéia de como tinha sentido falta de minha amiga.
Stefane: Mon ami..._Diz de forma carinhosa em francês.
(Minha amiga...)
__Olha só...Falando francês, Mon Cher._brinco com a mesma.
(Minha querida.)
Stefane: Tive que aprender.
Ela olha para mim avaliando-me.
Stefane: Está linda! Os anos parecem não ter passado para você.
__Nem para você, sua boba...
Entramos para dentro da casa, observo tudo atentamente, algumas coisas haviam mudado.
__E o meu irmão?_pergunto sentando no sofá.
Stefane me olha sem jeito e se senta ao meu lado.
Stefane: Ele teve que resolver umas coisas, reuniões infinitas por aqui._Diz com um sorriso no rosto, mas não precisaria de muito para saber que ele me evitava.
__Que recepção calorosa.
Stefane: Mas então, como anda sua vida na Espanha?_pergunta tentando amenizar o clima.
__É legal.
Ela me olha e franze as sobrancelhas, minha resposta deve ter sido bem vaga.
__É divertido Ste, lugares diferentes, culinária espetacular.
Stefane: Não anda bebendo, né?_pergunta com receio.
Engulo em seco, odeio mentir para ela.
__Não! Estou seguindo tudo que a psicóloga indicou.
Stefane: Que bom, amiga. O seu irmão vai ficar tão orgulhoso.
__É...Eu estou um pouco cansada, vou subir para tomar banho e descansar um pouco.
Stefane: Tudo bem, o seu quarto ainda é o mesmo.
Me levanto do sofá e subo as escadas, assim que entro em meu antigo quarto, uma nostalgia me invade, é como se eu vivesse o dia que fui pedida em casamento de novo.
Meu coração parece acelerar ainda mais, escuto sua voz em minha mente, talvez esteja ficando doida, a ilusão que queria sentir de viver uma farsa.
Fecho os olhos e espanto todos os pensamentos, caminho para o banheiro e tiro toda minha roupa, um banho será mais que necessário para me ajudar, a água gelada bate em meu corpo, com a água se mistura minhas lágrimas solitárias, nem em mil anos esqueceria aquele dia.
Saio do banheiro e abro minha mala em cima da cama, pego um vestido branco que marca todas as minhas curvas e uma lingerie da mesma cor, arrumo meu cabelo em um coque preso no alto da cabeça, um batom vermelho desenha meus belos lábios.
Saio do quarto e desço as escadas para ouvir exatamente a voz do meu irmão, que ótimo.
Lucas: Eu irei pegar leve, não se preocupe.
__Aposto que o assunto sou eu._falo olhando para ele.
Seus olhos se voltam para mim, um sorriso brota em seus lábios.
Lucas: Minha irmã..._abraça-me.
Seu abraço é caloroso, sentia muito falta dele.
__Vejo que sentiu minha falta._falo brincando.
Separamos o abraço e olho para ele sorrindo.
Lucas: Fico feliz que tenha vindo, nossa família precisa estar unida.
__Como mamãe está?_pergunto sentando-me no sofá.
Stefane e Lucas fazem o mesmo.
Lucas: Bem mau, Gustavo disse que ela senti muito sua falta.
__Também sinto falta dela.
Stefane: Ela ficará muito feliz com sua presença._diz sorrindo.
Uma empregada nos serve chá.
__Obrigado. Agora não consigo entender o motivo de mamãe ainda morar na Rússia...
Lucas: Sabe como foi difícil para ela a morte de nosso pai, essa casa trás lembranças.
Engulo em seco, outra culpa que paira sobre mim.
__Quando vamos?_pergunto mudando de assunto.
Lucas: Hoje mesmo, então peço para que se comporte.
Stefane olha apreensiva para ele.
__Não farei nada que envergonhe você._abro um sorriso debochado.
Lucas: Sabe que não foi isso que quis dizer...
__Nunca é...Quero perguntar sobre os meus filhos, quero vê-los._falo firmemente.
Lucas: Não é hora para isso, conversaremos depois._fala se levantando.
__Não vai fugir dessa conversa, são os meus filhos!_digo irritada.
Ele olha para mim com raiva.
Lucas: Eu sei...Foi de você que os protegi o tempo todo.
Stefane: Lucas...
__De mim?_solto uma risada áspera.
Sinto meu coração acelerar e sei que preciso me acalmar.
__Conversaremos outra hora, mas não fugirar desse assunto.
Ele suspira e saí com raiva.
Stefane: Me desculpe por esse comportamento, ele não deveria dizer tal coisa para você.
__Não se preocupe, isso não me atinge.
•••••
Não sei exatamente quantas horas passaram depois de nossa pequena discussão, já estávamos no avião da família que saia direto para outro martilho.
Foram exatamente 3 horas e 55 minutos de viagem, assim que pousamos em Moscou descemos do avião e carros já estavam a nossa espera.
Vesti o casaco por causa do frio e caminhei até um dos carros entrando, meu irmão e Stefane fizeram o mesmo, no caminho dava para observar a neve caindo, com certeza seria um mês frio por aqui.
Sinto o carro parar e observo a propriedade em minha frente, um lugar grande e bonito, até mesmo um pouco medieval, descemos do carro e entramos na casa, logo na entrada uma família aparentemente feliz nos espera.
Queridas leitoras, como senti saudades.
Esse é o primeiro capítulo do 2 livro, comentem tudo que acharam.
ANA LIZ
RÚSSIA - MOSCOU
Eu deveria compreender a dor de ser infeliz, parar de lutar por um casamento fracassado, é difícil amar alguém que não te ama, e era assim que me sentia todos os dias.
Não tinha o seu amor e nem um olhar carinhoso de sua parte, nossas únicas conversas eram sobre nossa filha, seus dias e noites eram longes de casa, eu não havia setenciado só a mim, como também a ele.
Éramos dois infelizes.
Eu não estava disposta a abrir mão dele e da minha família, não para deixar para ela, a mulher que roubou tudo de nós, que fez o meu irmão morrer, sentia culpa por ter dito o que ele não queria ouvir, apaguei a memória daquele dia, culpa era o que sentia, mesmo que não quisesse assumir.
Hoje era um dia triste nessa casa, meu sogro, pai de Gustavo havia falecido, ele estava muito mau com sua partida, amava o pai como ninguém, mas pior que isso, era ter que aturar quem estava para chegar. A família Vicent logo chegaria a Rússia, e como não poderia faltar ela estaria junto, odeio a idéia de ter que olhar e engolir as duas mulheres que tramaram contra minha família dentro de minha casa, mas Gustavo já havia me dito que não tolerará desrespeito com os seus.
Estou organizando tudo para a chegada de todos, essa casa não anda sem mim.
Xxx: Senhora?_diz abaixando a cabeça.
__Hum?_Arrumo um vaso de flores.
Xxx: O Senhor Ivanov pediu para que fosse até o escritório.
Olho para a mesma pela primeira vez, cabelo preso e cabeça abaixada em sinal de respeito, observo que ela é um pouco mais nova que eu.
__Quem te contratou?_pergunto olhando para os olhos da mesma.
Ela me olha confusa.
Xxx: Os meus pais trabalham aqui, Senhora._diz.
__Pode ir!_observo a garota sair apressada.
Não confio em nenhuma empregada muito nova, da última vez tive problemas com uma querendo dar em cima do meu marido, mas logo coloquei ela em seu devido lugar, ainda corre sangue de uma Greco em mim.
Caminho lentamente para o escritório e bato na porta assim que chego, escuto sua voz autorizando minha entrada.
__Mandou me chamar, marido?_pergunto docemente.
Ele se quer me olha e continua mexendo no notebook.
Gustavo: Sim, sente-se._ordena.
Faço como mandou e espero que se pronuncie.
Gustavo: Sabe que o Lucas e sua família estão vindo para cá...
__Sim, sei._ele me olha como se ainda não tivesse terminado de falar.
Gustavo: Sua família também estará aqui, não quero conflitos de ambos. Pesso que controle sua família, principalmente Dimitri se resolver aparecer aqui._diz de forma autoritária.
__Já posso ir?
Ele acena com a cabeça, caminho até a porta e paro.
__Tem uma empregada nova, ela não passou por mim._falo olhando para ele.
Gustavo: O que tenho haver com isso, sou eu que contrato os funcionários?_pergunta com tédio.
__Não, mas sim sua tia._ele olha para mim.
Suspiro cansada disso tudo.
Gustavo: Já chega, Ana Liz. Não seja infantil...
__Sabe muito bem o que aconteceu da última vez, não confio em uma empregada tão nova.
Gustavo: Já pedi desculpas, não posso fazer mais nada por você._seu olhar é vazio, como suas palavras.
__Pedir desculpas por dormir com a empregada...
Gustavo: Saia, tenho trabalho para fazer._fala irritado.
Saio com raiva e bato a porta com força, caminho em passos pesados para o meu quarto, Beatriz chegará mais tarde junto com meus pais, eles haviam pedido para que ela ficasse um pouco com eles, no começo foi difícil convencer Gustavo.
Entro dentro do banheiro com total estresse, já não basta ter que aguentar empregadinhas por aqui, ainda vou aguentar a Laura chegando, eu mereço mesmo.
Tomo um banho relaxante de banheira, vou direto para o closet e pego um vestido florido, deixo meu cabelo solto mesmo e paço uma leve maquiagem.
Desço as escadas e encontro Gustavo já arrumado, o que me faz pensar que ele tomou banho em outro banheiro.
__Ainda não chegaram?_falo com tédio.
Gustavo me olha e toma um gole da vodka que estava em suas mãos.
Gustavo: Já chegaram, estão a caminho.
Respiro bruscamente.
Se passam quase 20 minutos e um silêncio reina na sala, quando somos avisados que eles chegaram.
Ficamos em pé um do lado do outro esperando, assim que passam pela porta, meu olhar caí exatamente em Laura, que agora está completamente diferente de antes.
LAURA
Suportar o peso de um olhar duro e decepcionante sobre mim, era assim que Ana Liz me olhava, aquela que um dia foi minha amiga e que eu tinha como irmã, olhava para mim como se quisesse me matar.
Gustavo se aproxima de nós e confesso que quase perco o ar, não sabia o sentimento exato que sentia naquele momento.
Gustavo: Família..._diz de forma carinhosa.
Ele e Lucas se abraçam, logo cumprimenta Stefane, e quando vai falar comigo me dar um abraço.
__Sinto muito, Gustavo...Meus pêsames._falo de uma forma triste e carinhosa.
Gustavo: Obrigado, princesa. Sua presença aqui é muito importante para mim.
Me afasto do seu aperto, Ana Liz olha para mim com nojo, mas logo disfarça e vem até mim com um sorriso no rosto.
Ana Liz: Cunhadinha..._me dar um abraço.
Um nó se forma em minha garganta.
__Como vai, Ana Liz?_falo secamente.
Ana Liz: Bem, apesar de estarmos passando por dias difíceis._diz de forma triste olhando para Gustavo.
__Meu tio era mesmo muito querido, vai fazer muita falta._falo sincera.
Gustavo: Vamos entrar, devem estar cansados.
Entramos na grande Sala de estar e sentamos Stefane, Lucas e eu em um sofá, Gustavo e Ana Liz em outro em nossa frente, a babá subiu com Ricardo que estava dormindo.
Lucas: Onde está minha mãe?
Gustavo: Ela deve estar descendo, tudo anda sendo bem difícil para ela._fala perdido em pensamentos.
Assim que ele termina de falar, ela desce as escadas, mamãe estava ainda mais linda, seus cabelos agora um pouco mais grande, trajava um belo vestido azul marinho.
__Mamãe..._corro te abraçando.
Meu coração parecia que tinha corrido uma maratona, lágrimas pequenas caiam de meus olhos, uma saudade grande que sentia da mesma.
Mariana: Minha menina...como senti sua falta._diz chorando.
__Também mamãe, não sabe como foi difícil...
Nos afastamos e ela abraça Lucas e depois Stefane, mamãe se senta do lado de Gustavo segurando sua mão.
Mariana: Como estão meus outros netos?_pergunta de forma carinhosa.
Ana Liz: Iria fazer a mesma pergunta, faz anos que não vejo meus sobrinhos._fala sarcástica.
Não era novidade para ninguém que estava afastada deles por causa da família Greco.
__Eles estão bem, mamãe._falo carinhosamente.
Sinto meu celular vibrar na bolsa, olho rapidamente e vejo uma mensagem de Teresa, ela diz que gostaria de falar comigo quando eu tivesse tempo.
Lucas: Tudo bem?_pergunta me olhando.
Faço sinal que sim com a cabeça.
__Se me dão licença._falo levantando.
Caminho para o jardim da casa, ligo imediatamente para Teresa, ela não demora para atender.
Ligação on
__Teresa, aconteceu algo com meus filhos?
__Não senhora. Quero falar sobre outra coisa.
__Ok...Diga.
__Bela andou fazendo perguntas sobre o pai...Não sei muito bem o que dizer.
__Diga que ele morreu, seja cautelosa com eles, fale coisas boas sobre ele.
__Nicola não tem interesse algum, nunca perguntou sobre nada.
__Nem sobre mim?
__Senhora...
__Não precisa explicar, Teresa.
__Era apenas isso que queria falar, tenha um ótimo dia.
__Obrigado...Diga para meus filhos que amo muito eles.
__Pode deixar, Senhora.
Ligação off
Suspiro sentindo-me triste, era difícil toda essa situação.
Sento-me em um banquinho no jardim, meus olhos se voltam para um homem passando, estava diferente, mas não esqueceria suas características marcantes, Gabriel.
Caminho até ele que conversa com outro homem, meu coração bate forte e começo até a tremer.
__Gabriel?
Ele se vira e olha para mim, seus olhos azuis como me lembrava, mas eram mais frios.
Gabriel: Laura...
Sua voz saiu tão doce, como também surpresa.
__O que você faz aqui?_pergunto sentindo o ar me faltar.
Ele fica calado como se pensasse no que responder, não precisaria de muito para saber o motivo de sua presença.
__Você trabalha como soldado? Eu era o seu trabalho?_pergunto com raiva.
Gabriel: Tem muita coisa que você precisa entender._fala calmamente.
Outro homem se aproxima de nós.
Xxx: Senhor, encontramos a localização.
Gabriel: Já estou indo.
Para o homem chama-lo de Senhor, que dizer que ele tem uma patente alta na máfia.
__Quem e você?
Gabriel: A mesma pessoa que você conheceu na ilha.
__Não! Aquela pessoa se quer existia. Todos esses anos você nunca procurou saber sobre mim._falo magoada.
Gabriel: Porque sabia exatamente onde estava, você seguiu sua vida._diz olhando para mim.
Eu abaixo a cabeça frustrada.
Gabriel: Vou te explicar tudo depois, agora preciso ir.
__Então é isso?
Gabriel: Depois, Laura...Você está linda!_abre um pequeno sorriso.
Ele então saí me deixando sozinha, um sorriso brota em meus lábios, o destino nos uniu outra vez.
Era estranho sentir isso, tudo estava confuso para mim, queria saber o motivo das mentiras, mesmo sabendo as respostas. Entro para dentro e encontro todos conversando na sala, menos Stefane e minha mãe.
Lucas olha para mim como se perguntasse quem era no celular.
__Qu'est-ce que vous avez dit.
(Depois conversamos, foi o que disse.)
__Vou subir, estou cansada da viagem.
Antes que eu diga mais alguma coisa, Ana Liz se levanta e caminha até mim.
Ana Liz: Vou levar você ao seu quarto, venha sorella.
Não precisava ser muito esperta para saber que ela tinha outras intenções.
Subimos as escadas silenciosamente, quando chegamos em frente a uma porta que indicava ser meu quarto, Ana Liz puxou meu braço.
Ana Liz: Olha aqui, Laura. Eu não vou deixar que entre em nossas vidas novamente._diz de forma dura.
Olho para ela de cima para baixo, meu olhar para a mesma, era frio como gelo, não sentia medo e tão pouco pena.
__Está preocupada com minha presença aqui? Se esse é o motivo, não precisa..._digo andando para trás da mesma.
Vejo que ela respira bruscamente, sua irritação é perceptível.
__Non voglio tuo marito._digo de forma debochada em italiano.
(Eu não quero o seu marido.)
__Agora se me der licença, sorella._digo entrando no quarto e batendo a porta em sua cara.
Poderia até ser visto como um desaforo de sua parte, mas não tinha mais medo dela, acho que demais ninguém.
Desfaço minha mala e guardo tudo, pego um cigarro e acendo, sento-me na varanda do quarto, hoje a noite será o velório do meu tio e amanhã o sepultamento, lembro-me bem do dia que tive que enterrar meu pai, a dor que senti, sinto sua falta todos os dias.
Já desejei a morte inúmeras vezes, porém não estava preparada para lidar com ela.
Acabo de fumar o cigarro e resolvo tomar um banho, entro debaixo do chuveiro sentindo-me até mais leve, terei que encontrar os Greco hoje a noite, não conseguiria fugir, mas também não abaixaria a cabeça.
Saio do banheiro e visto um vestido leve, deito na cama e me forço a dormir um pouco, depois de uns 10 minutos que parecem uma eternidade, pego no sono.
•••••
Acordo com alguém batendo na porta, coço meus olhos suspirando cansada.
__Pode entrar!_me sento na cama.
Stefane entra com um vestido longo preto, seus cabelos presos em um coque baixo.
Stefane: Ainda não está pronta, as pessoas já começam a chegar._diz caminhando até mim.
__Pronta para quê?_pergunto confusa.
Stefane: O velório, Laura. Já são sete horas.
Me levanto em um pulo, acho que dormi demais.
__Nossa, perdi a noção do tempo. Vou me arrumar agora..._caminho para o closet.
Stefane parece nervosa, ela se senta em um sofá no closet e fica roendo as unhas.
__Está me deixando nervosa agindo assim...O que você tem?_olho para ela.
Stefane: Os Greco estão aqui, chegaram pela tarde._diz cautelosamente.
Engulo em seco.
__Não precisa ter medo, Ste...ele não vai chegar perto de você._seguro sua mão.
Stefane: Tenho medo, Laura...acabo sempre lembrando de tudo._fala deixando cair uma lágrima.
Eu sabia bem qual era a sensação que ela estava sentindo, sentia isso todos os dias.
__Meu irmão está aqui, Dimitri nunca mais chegará perto de você._te dou um abraço.
Pego um vestido preto justo e saltos da mesma cor, começo a tirar o vestido que usava e Stefane me olha.
Stefane: Não sabia que tinha feito uma tatuagem, isso é novidade._diz olhando para a tatuagem no meu braço.
__Tenho outras também._mostro sorrindo.
Stefane: São lindas, Laura...
__Tem grandes significados para mim._falo vestindo o vestido.
Assim que termino de me arrumar, Stefane e eu saímos do quarto, meu coração acelerava a cada degrau que descia, os olhos de algumas pessoas se voltavam para mim com curiosidade, acenei e passei direto.
Tinha muitas pessoas na casa, era até de se esperar, meu tio sempre foi um homem justo e querido por todos, Gustavo conversava com algumas pessoas e direcionou seu olhar para mim, caminhei elegantemente até minha mãe, ela estava com meu irmão.
__Mamãe..._beijou minha testa.
Lucas: Demoraram bastante._diz segurando a cintura de Stefane.
Antes que eu respondesse, paralisei ao escutar sua voz.
Xxx: Laura, piccolo...