"Lembre-se de não evitar aquilo ao que está predestinado, erga-se e lute pelo que é certo, não deixe as trevas prevalecerem, muito menos em sua frente. Você não está mais sozinho, erga sua tocha, e o encontraremos nesta escuridão."
Capítulo 1
Mil anos atrás.
Point of View - Ishtar.
A brisa soprava de forma calma, até que doce contra meu rosto, por um instante pude me sentir livre, um tanto quanto leve, mas então o cheiro do ambiente preencheu meu nariz novamente, um cheiro forte de ferragem que foi trazido por mim e meus aliados. Meus olhos se abrem na direção do céu, a primeira coisa que avisto é os pássaros da morte, voando a espera de uma oportunidade para devorar a carne dos soldados no chão, as nuvens se encontram avermelhadas, refletindo o que se encontra no solo.
Meu olhar desceu, capturando um mar de corpos ao meu redor, a solidão me invade, juntamente com o sentimento de culpa, culpa por ter matado tantas pessoas, me pergunto se era realmente necessário tanta carnificina em troca de uma terra que nem se quer é nossa, por que River faz tanta questão de derrubar aqueles que se opõe a ele? Um rei não pode mandar no mundo inteiro, pela primeira vez me encontro questionando meu superior, mas como não questionar se ele prefere matar a todos e tudo que está contra ele apenas para ter o que deseja? Ele não é um líder, é um monstro.
- Está na hora de partimos. - Ouvi a voz de Luna soar séria como sempre costuma soar, olhei uma ultima vez para o céu e me virei, saindo daquele cenário cruel e macabro na qual eu fiz parte, quando retornei ao meu lar, tentei conversar com meu pai sobre o ocorrido no vale da terra sul, no entanto, ele me disse o que sempre dizia, que eu fui feita apenas para a organização Fênix, uma ordem que serve diretamente a River, sem questionar ou opinar em suas decisões, os anciões nós treinaram para sermos imbatíveis.
Nós criaram para colocar o mundo aos pés dele, porém, era o certo a se fazer? Tantas crianças sofrendo por conta da fome, sem os pais ou alguém para dar auxílio a elas, tantos jovens tendo suas vidas jogadas fora para tentar manter seu povoado seguro, tudo em vão, pois nada nem ninguém pode parar a Ordem da Fênix, e por muito tempo eu me orgulhei disso, mas já não sinto mais o mesmo, a cada dia River fica mais cruel e persiste na ideia de dominar o mundo todo.
- Talvez após mudar o mundo todo ele mude querida...- A voz doce de Ella soou, me trazendo uma calmaria, a calmaria que eu precisava, Ella é a única coisa que me mantém neste lugar, ela também é da ordem, e sei que ela pensa da mesma forma que eu, mas não temos o que fazer, ou pelo menos, fingimos que não tem, por medo, não de River, mas do que podemos encontrar lá fora. - Um dia isso mudará...- Suas mãos um pouco gélidas acariciaram meu rosto, me fazendo sorrir de forma leve encarando seus olhos roxos turquesa.
- O mundo vai ser destruído até lá. - Retruquei de forma calma,mas soei o mais seria que consegui, pois o assunto requer isso. - Quer mesmo destruir o mundo só por que ele deseja? - A questionei enquanto ela acaricia as maças do meu rosto com delicadeza, sei que ela não quer falar sobre o assunto, consigo ver o receio em seus olhos, entendo sua dor interna, também não quero duvidar de River, pois eu nasci para servi-lo, é o mesmo que duvidar do motivo pelo qual estou viva.
- Devemos aguardar...- Ela falou de forma suave e abriu um sorriso mínimo, por um instante ficamos em silêncio, aproveitando-o e nos deliciando com a presença uma da outra, a sensação de tê-la ao meu lado é revigorante, odeio quando estamos em batalha, saber que a mulher que eu amo pode ser ferida me dói na alma, mas sei que ela também luta para conquistarmos...aquilo que ele quer. - Mas se necessário, iremos nos rebelar. - Ela falou de repente, cortando o silêncio com uma promessa arriscada, mas sensata.
Meus olhos se arregalaram, encontrando a feição serena enquanto ela encara a lâmpada acima de nós, seus olhos se tornaram mais claros, como violeta com a luz refletida neles, eles carregam um ar sério e determinado, diferente de sua expressão, me fazendo entender que ela realmente se rebelará contra River se necessário, Ella sempre foi uma mulher que luta por justiça, sempre a vejo chorar após a batalha ao encontrar o corpo de alguém muito jovem, ela é boa demais para fazer o que eu faço, não duvido que se martirize todas as noites por matar pessoas, diferente de mim.
- Não o deixarei destruir nações inteiras por puro capricho. - Foi a ultima coisa que ela falou naquele dia, causando um frio em minha barriga e fazendo meus olhos se encherem de lágrimas satisfeitas, pois ali eu percebi que diferente do que meu pai havia me dito, ainda há esperanças de lutar pelo que é certo, ainda podemos mudar caso for necessário, temos a chance de mudar o destino que River está forçando ao mundo, e me sinto grata por Ella me fazer ver isso, eu a amo como nunca amei alguém.
A era de prata acabou com sangue e lágrimas sendo derramados, e com a chegada da era de ouro eu tive a ilusão de que tudo melhoraria dali em diante, mas eu estava enganada, quando a era de ouro chegou, River decidiu que já havia dominado recursos o suficiente e que já estava na hora de dominar terra para expandir seu reinado, eu torci para que ele ordenasse uma exploração em terras desconhecidas ou inabitadas, mas não foi isso que aconteceu, ele ordenou um ataque direto a tribo pacífica da floresta, pessoas inocentes que mal sabiam segurar uma espada.
O resultado? Um massacre, as arvóres estavam tão radiantes quando chegamos, as plantas cheias de vida e os animais vagando de forma tão graciosa..E nós estragamos isso, a primeira pessoa que avistamos foi uma criança, apenas uma menina e seu sangue foi o primeiro a manchar aquela floresta, não demorou meia hora para todos naquele lugar estarem com seus corpos ensanguentados no chão, estragando a plantação, sujando as árvores e espantando os animais, o brilho da floresta sumiu, assim como as vidas que ali habitavam, tudo ficou cinza, então eu percebi que River não estava construindo uma nação, ele estava destruindo todas.
- Todos estão de acordo? - Luna tomou a iniciativa de perguntar ao notar a feição temerosa de nosso companheiros, não posso julga-los, se voltar contra River não foi uma decisão fácil de se tomar, e muito menos decidida da noite para o dia, mas estamos sem tempo. - As provas estão claras, bem a frente de vocês..- Luna apontou para os percaminhos nas mãos de todos e um arrepio cortou minha espinha ao lembrar do conteúdo ali, me virei de costas, querendo evitar a sensação de culpa por ter lutado por um homem como River por tanto tempo.
Quando ainda jovem, River fazia parte de uma Ordem, uma Ordem poderosa que era descendente do primeiro de muitos mestres dos elementos, não duvido que seja tão antigo quanto os elfos das florestas, era poderoso mas também bondoso, sempre foi admirado e respeitado e ao morrer, criou uma Ordem para manter a paz, e lhe deu o nome de Ragnarok. River era um dos Ragnarok, mas seus poderes mágicos não se comparavam com os dos seus parceiros, e seus ideias eram tão sombrios quanto a noite, então, ele repleto de inveja e rancor no coração por não ser tão forte ou se quer ouvido por seus companheiros..
Tomou a decisão de fazer algo horrível com os mesmos, River usou sua magia de absorção de encantamentos para absorver as magias de seus aliados, retirando deles a magia em si, tirando a essência daqueles que deveriam ser sua família, por puro prazer, após isso ele tomou o poder do reino no qual vivemos hoje e decretou a sentença de morte aos seus antigos companheiros, infelizmente o povo não teve muita escolha, ali a primeira Ordem do Ragnarok acabou, mas assim como a Ordem da Fênix, quando a ordem anterior acaba, outra nasce, e agora compreendo que é isso que ele deseja.
- River não quer dominar o mundo para criar um lugar melhor...- Ella começou a dizer com uma voz firme que atraiu meu olhar, seus cabelos negros agora estão soltos, seu rosto fino está demonstrando frustração, até decepção, o que é completamente compreensível perante a situação. - Ele quer dominar o mundo para achar a nova Ordem Ragnarok, ou para tê-la em suas mãos quando nascerem. - Ela terminou e eu me virei para o resto de meus companheiros com esperança, esperança de que aceitem ficar ao nosso lado e lutar pelo que é realmente certo.
- Vocês são minha família..- Fiona foi a primeira a se pronunciar, e após suas belas palavras, ninguém precisou falar mais alguma coisa, pois todos ficaram de acordo no mesmo instante. - Somos uma família, nunca lutamos por ele, e sim por nós ! - Foram suas palavras, palavras que motivaram os outros a se juntar a causa e motivar a mim, Ella e Luna a seguirmos em frente e os liderarmos para uma luta na qual sabíamos que poderemos não voltar com vida, eu temia a vida de Ella, mas nunca a impediria de lutar, pois ela jamais pararia de lutar pelo que é certo e eu a amava por isso.
No segundo verão da era de ouro, a Ordem da Fênix se viu a frente de seu maior desafio, não havíamos voltado para o castelo naquela semana, e é claro que River descobriria rápido do por que, não demorou para ele perceber que os percaminhos sobre sua história haviam sido roubados, quando atravessamos o campo, um exercito enorme estava a nossa espera, ele não nos subestimou, toda sua frota disponível estava lá para nós enfrentar, eu sabia que teríamos trabalho e que um de nós poderia morrer, havia muito Firewalkers e Earthons no meio do exercito de River, criaturas que ele comandava mentalmente.
- Sem Medo ! - Foi a ultima vez que ouvi a voz de Ella em minha vida, lutamos ferozmente contra o exercito de River, tendo em mente que se derrotassemos seu exercito, o seu reinado iria a ruínas, mas ele parecia desesperado, tanto que ordenou aos invocadores que trouxessem dragões a batalha, e ao ver as enormes criaturas voadoras rosnarem dos céus, batendo suas asas com tanta força que tremiam a terra, eu entendi que River não quer os poderes da nova Ordem Ragnarok, ele a teme, a teme pois eles sim poderão derrota-lo.
- Meu amor...- Ella sussurrou passando as mãos fracas em meu rosto, me sujando com seu sangue, meu coração se apertou ao encara-la caída no chão, com uma batalha acontecendo ao nosso redor, forcei a agua a formar uma barreira para nós proteger, mas não durará para sempre, meus olhos lacrimejaram no mesmo instante. - Precisa seguir em frente, você sabe o que fazer, e sei que fará bem, os ache e...- Ella não pode terminar sua fala, pois a morte a ceifou, seus olhos se fecharam e seu corpo amoleceu, a mão em meu rosto caiu juntamente com o meu chão, o que eu faria sem Ella ao meu lado?
Meu coração parou por um segundo e de repente se congelou, meus olhos transbordaram perante a sensação horrível e esmagadora presente em meu peito, não me importei no momento, mas pude ver meus cabelos loiros se tornarem brancos, como gelo, pude sentir meu interior esfriar como se tudo aqui dentro tivesse se tornado um eterno inverno, toquei o rosto de minha amada pela ultima vez, deixando uma gota de minhas lágrimas caírem em seu rosto e logo se tornarem uma pequena e delicada pedra de gelo, seu ultimo suspiro sentenciou River, pois eu jamais pararei até vê-lo morto.
Naquele campo, minha vida se tornou um eterno inverno, frio e sofrido, não ganhamos aquela batalha, perdemos Ella e Jaxon acabou ficando para trás quando decidimos bater em recuada, não conseguimos voltar para salva-lo, aquele dia me destruiu por completo, me mudou por inteira, cada parte do meu ser se tornou frio, tão frio que chega a queimar meu coração ao me lembrar daquele dia, mas se River achou que havia ganhado, se enganou, nós reagrupamos, recrutamos e nos aprimoramos com o tempo, não havia como vencer River em sua força total, então montamos estratégias que destruíram suas tropas que estavam espalhadas pelo mundo.
A Ordem da Fênix equilibrou a guerra e deu a chance para aqueles que se escondiam dele, que o temiam de revidar, gerando a grande guerra fria que ainda acontece até os dias de hoje, conseguimos conquistar uma boa quantidade de terra para os aliados que tínhamos na época, fizemos River recuar mesmo estando em vantagem, hoje ele se quer sai de seu castelo e envia apenas seus mais legais servos para cumprir suas tarefas sujas, e por muito tempo eu as enfrentei de frente, mas tudo mudou o nascimento das sete crianças, uma feiticeira previu o nascimento da nova Ordem, e eu e meus companheiros já sabíamos o que deveríamos fazer.
- Eu fico com a do Sul. - Falei de forma determinada, fazendo meus companheiros me encararem de forma curiosa, não decidi aleatoriamente, está criança nascerá no mesmo lugar em que eu e Ella nascemos, espero que seja um sinal de que eu estou seguindo meu destino, fazendo o correto e lutando ao lado certo, era isso que Ella queria, ela sabia que eles nasceriam e que River estaria a os observando, apenas a espera para os matar, não posso proteger a todos, mas darei meu melhor para ensinar e criar está criança, como Ella faria. - Boa sorte a todos. - Desejei assim que sai da sala de reuniões, decidida a encontrar e cuidar desta criança.
- Aonde iremos chefia? - Elijah surgiu assim que sai do da caverna onde é nosso esconderijo atual, Elijah é um orfão que virou meu aprendiz após eu salva-lo de um dos esquadrões de River, infelizmente seu vilarejo foi devastado, mas consegui salva-lo a tempo, o treinei para se defender desse tipo de ataque e hoje age como meu braço direito. - Verdade que acharam eles?
Não respondi Elijah naquela tarde, continuei meu caminho de forma misterios, pois não podia avisa-lo para onde estava indo, pois sabia o quanto River estava desesperado para achar aquelas crianças, então precisávamos encontrar as grávidas antes do parto, contar a muitas pessoas geraria muitas fontes de informação, correndo risco de uma das feiticeiras de River nós rastrear a tempo de nós pegar, eu não correria aquele risco, nem mesmo com Elijah. Consegui chegar ao sul em uma noite de lua azul, três dias após a reunião, caminhei pelo vilarejo, sentindo a neve tocar minha pele de forma leve, há nuvens no céu escuro, juntamente com estrela brilhantes, uma noite linda de presenciar.
Ao caminhar pelo chão de pedra parcialmente coberto por uma camada fina de neve, consegui ouvir resmungos de dor vindo de uma cabana do vilarejo, virei meu corpo e soltei um suspiro podendo vê-lo no ar, abri a porta sem ser convidada, não esperarei nenhum convite, encontrei um homem presente, a grávida na cama de palha improvisada e duas mulheres que ajudam no parto, todos me encaram de forma confusa, menos a mãe da criança, ela sabe do por que me encontrava ali, sabia que sua filha precisava sair o quanto antes daquele lugar, pois o esquadrão da morte de River estava a caminho.
- Ande logo com isso ! - Gritou a mulher enfurecida para as outras presentes que voltaram a seus afazeres, o homem teve a intenção de se erguer, mas a mesma mulher o puxou e cochichou em seu ouvido, um sorriso inaudível e misterioso que pareceu acalmar o homem, não questionei ou me envolvi no que faziam, apenas me movimentei pelo local, sentindo o frio presente ali, me lembrando da época em que Ella reclamava disso, sorri levemente e encarei uma lamparina antiga e suspirei novamente, podendo ouvir os resmungos e esforços da mulher para dar a luz aquela criança. - Vamos filha ! - A mulher gritou em um ato de coragem e se esforçou novamente.
Meus olhos se arregalaram quando o lugar ficou em silêncio por alguns segundos, mas logo um choro agudo do bebê cortou o ambiente, girei meu corpo na direção da criança sendo segurada agora pela mãe que sorria de forma alegre para o pequeno ser empacotado em seus braços, me aproximei novamente, sem ser convidada, os pais da criança me olharam de forma triste, sabendo que terão que se despedir de sua filha, mas não me importei, peguei o embrulho em meus braços de forma cuidadosa e a encarei pela primeira vez, olhos azuis brilhantes como a lua que está no céu nesta noite e ao encara-los, meu coração se aqueceu pela primeira vez em muito tempo.
- Esperança...- Eu sussurrei em um suspiro a encarando, era isso o que esse pequeno ser trouxe consigo, a esperança que eu precisava para continuar, o milagre que eu pedi para me mostrar que valeu a pena tudo o que eu sofri no passado, e ali estava ela, em meus braços me encarando de forma pura e inocente, consegui sentir seu mana correndo em seu corpo, uma quantidade enorme para um bebê, me fazendo lembrar que assim como River, ela é descendente do homem mais importante da história, traz consigo um poder incrível que salvará os mundos das mãos dele. - Qual o nome dela? - Perguntei querendo pelo menos que a mãe tenha a oportunidade de nomear sua filha antes da morte certa.
A mulher arregalou os olhos azulados encostada ao marido e se virou para mim com os olhos lacrimejados, ela sorriu de forma tão alegre que encarei aquilo como um agradecimento pelo meu ato, ela ergueu a mão pálida e fina até sua boca, parecendo indecisa sobre sua decisão, pensei em apressa-la ao sentir presenças indesejadas se aproximando do vilarejo, mas ao sentir o leve toque da criança em meus braços em meu cabelo, soube que ela merecia pelo menos ser nomeada por sua mãe, merecia saber que sua mãe lhe batizou, já deixarei seus pais morrerem, não posso a privar disso também.
- Silena. - A mulher falou com confiança e encarou o embrulho em meus braços, abriu um sorriso feliz e seus olhos transbordaram com lágrimas de tristeza, ela ergueu o olhar para meus olhos azuis e gélidos, eu gostei do nome, Silena tem vários significados, e um deles é Lua, o que combina perfeitamente. - Obrigada. - Ela agradeceu, não havia me comovido, poucas coisas me comoviam, então eu acenei com a cabeça levemente e caminhei para fora do lugar, trazendo a pequena Silena em meus braços, ouvindo sua mãe chorar de forma inconsolável.
Ao sair da pequena cabana, acelerei meus passos até me encontrar correndo para longe do vilarejo na direção contrária ao que senti as presenças se aproximando, puxei minha capa e cobri Silena por conta do frio gélido trazido pelas gotículas de gelo que cai sobre nós, após deixa-la segura abaixo de meu manto, comecei a correr de forma rápida e saltei montanha acima para voltar de onde eu havia vindo, em cima da montanha, virei-me, a Lua está enorme e reluzente com sua luz azul florescente, ao longe consigo ver fogo e sombras grandes se movendo no vilarejo, indicando que River enviou monstros como o covarde que é.
- Vamos Silena, temos um caminho longo pela frente...- Falei me virando novamente e caminhando na direção oposta do calor que o fogo está emanando, segurei Silena com meus dois braços abaixo do manto e persisti minha caminhada contra o vento, sentindo meus cabelos voarem contra ele, juntamente com minha capa.
O vento e o frio estão furiosos, mas agora que a tenho em meus braços, não pararei por nada.
Tribo Do Norte.
Capítulo 2
Tempos Atuais.
Point Of View - Ishtar.
Sinto um frio passar como uma navalha pelo meu corpo e abro os olhos rapidamente, o teto de madeira ainda está escuro, então ainda é noite, viro minha cabeça na direção da cama de Silena e a encontro dormindo tranquilamente agarrada a seu travesseiro de forma possessiva, não pude me conter e acabei revirando meus olhos ao observar a cena, ergo meu corpo e me retiro da cama, caminho lentamente até a janela mais próxima e observo o exterior da casa, consigo avistar o lago a nossa frente, calmo e sereno.
- Ishtar? - Ouvi a voz sonolenta de Silena e prontamente virei minha cabeça para ela e coloquei meu dedo indicador acima de minha boca lentamente, a pedindo silêncio, ela acenou positivamente com a cabeça e pegou a espada ao lado de sua cama, o ato me fez sorrir levemente, aos poucos ela está aprendendo, é rápida nisso apesar de não perceber.
Caminho em direção a porta de forma lenta e cuidadosa voltei meu olhar para Silena que arregalou levemente os olhos, acenei para ela, a lembrando do nosso combinado, ela fez uma careta, obviamente não concordando com o que eu planejei, como de costume, mas acenou de volta, me fazendo suspirar despreocupada. Toquei na porta de respirei fundo, consigo sentir o ser em cima da casa, andando, nos farejando. Posicionei meus pés com força no chão, e com um impulso, quebrei a porta com os meus dedos e avancei com uma velocidade considerável para o lago.
Toquei com meus pés na água fria, mas graças a minha magia, não afundei no lago, girei meu corpo enquanto deslizo na água e parei, avistei o grande ser em cima da casa e me surpreendi ao perceber que sem um formato humanóide, fazia tempo que não via um monstro dessa forma, talvez ainda tenha consciência, o que é extremamente perigoso, mas não cometerei erros. Como o esperado, a me ver saindo da casa, o ser saltou do telhado e caiu no inicio do lago, causando um leve tremor no local, pude ver Silena aparecer na porta e acenei para ela, ela saiu da casa e correu na direção do norte, onde Elijah se encontra, como planejado.
Levei minha mão até meu bolso, e de lá retirei uma pequena moeda de ouro com um símbolo da flor de lótus nela, a girei entre os dedos no mesmo instante em que o ser monstruoso rosnou em minha direção com fúria, apertei a moeda entre meus dedos e ela se transformou em uma enorme espada de metal Elfiano, o monstro avançou, girei a espada com rapidez em minhas mãos e a gravei na água, bem a minha frente, o ser bateu o crânio com força na espada, preparei meu punho para acertá-lo, mas fui obrigada a me afastar quando chifres de fogo surgiram em sua cabeça.
- Um transmorfo de fogo? - Perguntei retoricamente após parar de deslizar sobe a água, ergui o tronco e encarei o transmorfo que corre em minha direção com fúria, ele é visivelmente rápido, explica como chegou a nós no meio da noite, sendo que previ que ele chegasse apenas amanha à tarde, estou realmente surpresa com isso. Com a aproximação do monstro, ativei minha magia de água, não há o que fazer com um monstro transmorfo de perto, a maneira mais eficaz é usar magia.
Ergui uma de minhas mãos com leveza, sentindo a pressão do meu mana em ação fazer meus cabelos, agora curtos, flutuarem levemente, como se uma brisa estivesse passando por eles, três mãos gigantes se formaram no lago escuro, uma surgiu bem abaixo do monstro, a mão o ergueu até uma altura considerável, estalei os dedos e as outras duas se juntaram a ela, apertando o monstro, o esmagando entre elas, o vi começar a se debater e a tentar esquentar a água com sua fraca magia de fogo, soltei um riso nasal me divertindo com a cena, que foi cortada por um flash de luz.
- Toma essa! - A voz de Elijah cortou o ambiente, ele surgiu repleto de raios pelo corpo e atingiu o transmorfo com os dois pés no rosto, abri a boca de forma indignada ao ver o monstro cair com força na direção do lado após seu ataque, resmunguei irritada e procurei Silena com o olhar, podendo sentir meu coração acelerar ao saber que ela está sozinha, a encontrei do outro lado do lago com sua espada em mãos, ele deveria ter ficado ao lado dela e a proteger, mas parece que pra isso ele não serve. - O que achou desse ataque?
- Ridículo! - Retruquei de forma irritada em sua direção, ele me encarou com um olhar culpado e abriu um sorriso nervoso, revirei meus olhos pela idiotice alheia do garoto e comecei a caminhar na direção de Silena, podendo ouvir o som da água, indicando que o monstro emergiu, mas agora já não é problema meu, Elijah decidiu que queria enfrentá-lo, então permitirei que ele faça isso sozinho. - Boa sorte!. - Desejei erguendo uma mão e acenando, ao abaixar minha mão, as mãos de água formadas no rio se desfizeram.
- Vai deixá-lo sozinho? - Silena perguntou quando cheguei à margem do rio, encarei seu rosto sonolento por um instante, ainda acho impressionante o quanto ela se parece a Ella, até seu olhar piedoso na direção daqueles que estão em perigo, respirei fundo, controlando a sensação que insiste em se instalar em meu peito ao pensar nessas coisas, não posso sentir isso por Silena, tenho uma grande responsabilidade com ela. - Ishtar? - Ela me chamou novamente, me aproximei dela e a abracei de lado, está frio e diferente de mim, Silena o sente e é afetada por ele.
- Ele ficará bem. - A tranqüilizei enquanto acaricio seus braços, aquecendo a ela e ao meu coração ao mesmo tempo, não consigo evitar esse tipo se sensação. - O que importa agora é você. - Falei de forma calma e a encaminhei até a casa novamente, adentramos e eu fiz uma porta de água após avistar Elijah jogando raios contra o transmorfo. - Pegue sua mochila e coloque mais agasalhos, estará frio pra onde vamos também. - A avisei e Silena prontamente pegou sua mochila já pronta e foi à procura de seus casacos.
- Pra onde iremos desta vez? - A ouvi perguntar de algum canto da casa, continuei a olhar para a porta improvisada de água que impede o vento gélido de adentrar e incomodá-la, através da água, apenas consigo ver flashes de luz criados por Elijah e sua magia de raios, lembro-me de quando o encontrei, tinha um grande potencial mágico, mas o usava apenas para roubar comida, mas agora é capaz de enfrentar um transmorfo de fogo por conta própria, fico feliz em ver a evolução dele, saber que ele ficará bem caso algo aconteça. - Sai do mundo da lua!
- Sim? - Perguntei de maneira confusa ao virar a cabeça para Silena ao meu lado, ela riu de maneira doce e divertida, e acabei sorrindo com sua doçura, ergui minha mão e acariciei sua bochecha, preciso evitar tocá-la, é uma sensação viciosa. - Iremos para a tribo do norte, eles são um pouco hostis, mas lutam contra River também. - Respondi sua pergunta anterior e ela ficou seria, me encarando com seus olhos azuis brilhantes, nesta noite há um aro roxo dentro deles, meu coração acelerou com a intensidade de seu olhar.
- Estamos nós mudando demais ultimamente... - Ela começou a dizer e eu suspirei, sabendo onde ela iria chegar. - Tem haver com eles? - Ela perguntou e vi o brilho de seus olhos se tornarem tristes, eu sei do que ela está falando, mas evitei pelo tempo que consegui, a exatos seis meses um dos Ragnarok foi encontrado por River, o seu guardião tentou conter as tropas enviada, mas River está com um novo esquadrão da morte, cruéis e mortais, tanto o guardião quanto o Ragnarok foram mortos, eu vi o sofrimento de Silena no dia, ela tem uma ligação com os outros, não tive reação ao vê-la chorar e gritar.
- Tem, temos que ser mais cautelosas. - Respondi de forma seria, desfiz a porta de agua e sai da casa para evitar mais perguntas da jovem curiosa que eu conheço bem, Silena sempre tenta tirar o máximo de informações possíveis de mim, não a julgo por isso, na visão dela eu sei que aparento ser bem misteriosa, mas fiz coisas horríveis e vivi vendo outras piores ainda, não há nada que eu quero que ela saiba, muito menos agora. - Vamos rápido. - Falei a fazendo apertar o passo, Silena não é tão rápida quanto eu, mas chegaremos lá ao amanhecer com sorte.
Espero que sejamos bem recebidas pelos nosso colegas do Norte.
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Point Of View - Silena.
Paro de caminhar ao finalmente avistar a enorme floresta da qual Ishtar avia falado, sinto meus pulmões arderem por conta da corrida noturna que tivemos que fazer, eu simplesmente odeio quanto Ishtar me força a esse tipo de coisa, ela tem ciência de que não sou tão rápida quanto ela, mas ainda sim me faz tentar alcançá-la, entendo que ela quer que eu evolua o mais rápido possível pelo que aconteceu há seis meses, mas ela está levando isso ao extremo, não entendo do por que tanta fixação com treino, sempre tento alegrá-la, mas nos dias atuais não é mais possível, na maioria do tempo ela está seria e fria.
Sempre me questionei no por que ela é assim, mas Ishtar é misteriosa demais quando se trata de seu passado, isso dá um charme a mais a ela, que já é incrivelmente bela, mas agora me sinto mais instigada a saber tudo que aconteceu no passado, e principalmente do meu futuro, nunca encontrei com River, mas sei que o odeio pelo que ele faz com as pessoas, ouço histórias sempre sobre como ele invade, rouba e mata pessoas de vilarejos que nunca fizeram nenhum mal a ele, apenas para conquistar aquilo que almeja, não duvido que seus seguidores obedeçam a suas ordens por terem medo, ou por serem iguais a ele, a maioria não terá meu perdão.
- Parece cansada. - Ouvi a voz de Ishtar soar divertida, virei à cabeça em sua direção e cerrei os olhos a encarando, ela soltou um riso nasal e olhou para a floresta. - Evite falar, não faça movimentos hostis e sempre fique próxima a mim até segunda ordem. - Ela falou de forma séria e eu suspirei, finalmente acalmando minha respiração, acenti a contra gosto e ela voltou a caminhar na direção da floresta, e me vi obrigada a segui-la, às vezes me incomodo com o fato dela me tratar como um bebê. sei que não sou tão poderosa quanto ela, mas tenho noção das coisas ! E ela finge que não.
Segui Ishtar sem dizer nenhuma palavra, eu imaginei que adentraríamos a floresta de forma simples, mas ela mostrou ser ao contrário, já estamos a dez minutos andando ao redor da floresta, no começo fiquei confusa, mas conforme observei as árvores, percebi que não conseguia ver o lado de dentro da floresta por algum motivo, então constatei que se trata de uma barreira mágica e Ishtar está à procura da entrada, ou já sabe onde fica, pois está caminhando de maneira confiante, consigo ver suas costas perfeitamente alinhadas, não há tensão, seus cabelos balançam pouco, mostrando que seus passos estão suaves.
- Chegamos. - Ishtar disse de repente, me tirando de minha bolha de pensamentos, retirei meu olhar de suas costas e o levei até a enorme entrada da floresta, meus olhos se arregalaram ao contemplar a abertura feita apenas de árvores e folhas, as raízes entre as árvores formas pequenos desenhos aleatórios que dão uma beleza ainda maior a vista, olho para cima, não consigo avistar o céu, apenas as folhas das enormes árvores usadas para construir essa especiosidade. - Também reagi dessa forma em minha primeira vez.
Ouvi a voz de Ishtar dizer, mas não fiz questão de respondê-lo, meu olhar se voltou para as sombras que surgiram além do portão, não sei quem são, usam capas grandes da cor verde, há dois deles, um de cada lado de uma pequena árvore avistada no centro, sinto certo receio em me aproximar, uma tensão se formou, somos visitantes que não foram convidados, agora percebi que isso pode ser perigoso. Ishtar tomou a frente e adentrou o lugar, respirei fundo, controlando meu medo e a segui, tentando parecer confiante.
- Peço que perdoem nossa entrada. - Ishtar foi o primeiro a falar alguma coisa, mas pessoas de capuz não retiraram os mesmos, nem se moveram ao perceber nossa aproximação, mas ainda sim aparentam ser perigosos. - Sou Ishtar, o Water Fênix, da Ordem fênix...- Ela se apresentou e deu um leve aceno com a cabeça, franzi o cenho de forma confusa ao perceber que ele não está se dirigindo as pessoas de capuz, movi meu corpo para poder ver além de Ishtar. - Está é minha protegida, Silena uma Ragnarok.
Ao finalmente avistar com quem Ishtar conversa me surpreendi, ao ver uma mulher posicionada no chão de forma hostil, pronta para a luta, há uma espada em sua mão que está acima de sua cabeça, formando sua posição de luta, seus cabelos são negros e está caído como cascata pelo seu rosto, não há muitas vestimentas, apenas um vestido rasgado nos ombros e nas coxas, seu olhar é severo e me dá calafrios, sua mão abaixo está posicionada de forma graciosa, mas emana uma aura assustadora, indicando que não está pra brincadeira, sua espada é de pedra, mas aparenta ser de metal, não duvido que tenha feito a mão.
Ao ouvir Ishtar, a mulher abaixou a espada, e acabei soltando a respiração que nem havia percebido que segurava, ela se ergueu de maneira cautelosa e se aproximou de maneira rápida, não na direção de Ishtar, mas sim da minha, o que me rendeu em um susto, em segundos seu rosto estava bem próximo do meu rosto, me encarando de forma curiosa, ela está me analisando? Não tenho certeza, vi pelo canto de olho Ishtar entrar em alerta e se aproximar levemente, engoli em seco e a mulher cerrou os olhos em minha direção, por um momento me questionei se ela realmente sabe falar nossa língua.
- Não aparenta ser tão assustadora. - Ela finalmente se pronunciou, soltando uma leve risada, ela ergueu a mão e fez um gesto que fez as pessoas de capas de afastarem, ela abaixou a guarda, me sinto mil vezes melhor dessa maneira. - Não esperava te ver Ishtar, mas qualquer rebelde que tem sede de sangue por River é bem vindo. - Ela terminou de dizer e pude ver um brilho diferente em seu olhar ao mencionar River, acho que todas as pessoas que eu encontrar durante minha vida o odiarão também, não sei como esse homem consegue dormir com tanto ódio direcionado a ele.
- Agradeço por nós receber, as coisas estão piorando. - Ishtar falou de forma neutra, mas o vi guardar sua adaga no suporte, ele finge neutralidade, mas a verdade é que ele já não confia em mais ninguém além de Elijah e eu, isso deveria me deixar triste por ela, mas eu sei que confiança no mundo de hoje nem sempre é uma opção, em nossa situação precisamos pensar bem em quem confiar e a maioria não merece. - Aqui está mais bonito do que me lembro. - Ishtar disse de forma calma enquanto a mulher nos guia por uma trilha.
- Você nunca esteve aqui, não é mesmo? - Ela perguntou ao virar o rosto em minha direção, ergui a cabeça de forma surpresa, não esperava que ela falasse comigo, neguei com a cabeça, evitando falar assim como Ishtar me instruiu. - Está floresta era apenas de nossa tribo no inicio dos tempos, mas após a guerra, abrirmos nosso lar para seres mágicos que fugiam das garras de River...- Ela começou a explicar e abriu os braços, mostrando a floresta, e me permiti observar em volta, meu coração se encheu de alegria ao ver fadas voando livremente, infestando a floresta de pó mágico e luz.
- Thayna é a princesa de seu povo, e fez a maioria dos refugiados se tornarem guerreiros...- Ishtar continou a falar e eu rapidamente virei minha cabeça em sua direção, lhe dando atenção, mas ele permanece olhando para o céu enquanto caminha, enquanto seus olhos azuis que costumam ser claros, estão um tanto mais escuros. - Ela fez o mesmo que fiz por Elijah, agora esse é um dos maiores pontos que a rebelião possui. - Ela terminou de dizer soltando um suspiro triste e eu acenei positivamente com a cabeça. De repente um homem com orelhas pontudas, um Elfo, se aproximou.
- Vossa Alteza. - Ele falou de forma respeitosamente e se curvou graciosamente perante Thayna, que sorriu ao ver a cena, não de forma gentil, pelo brilho de seu olhar, julgo que os dois tem um sentimento a mais do que apenas amizade, Thayna logo o respondeu " Pode se pronunciar Davian. ".
Ele logo se ergueu novamente, me permitindo observá-lo, tem a aparência jovem e bonita, queixo bem robusto, há desenhos em sua testa e queixo, sua boca é avermelhada, mas aparenta ser natural, tem porte médio, mas dá para notar que é um bom guerreiro, lembro-me de Ishtar me contar que Elfos se tornaram guerreiros pois seu povo estava sendo massacrado, sempre quis encontrar com um, ele realmente aparenta ser poderoso. Suas vestimentas são da cor verde, combinam perfeitamente com ele, seus braços estão livres de tecido e em seus pulsos há braceletes de ouro que emanam magia, certamente encantados, consigo ver alguns curativos, provavelmente de batalhas anteriores.
- Há um esquadrão das sombras de River se aproximando pelo Sul. - Ele falou de forma seria e direta, Thayna retirou o sorriso do rosto no mesmo instante, ela e Ishtar ficaram tensos na hora e meu corpo ficou tenso junto ao delas, nunca vi nenhuma tropa especiais de River, que são as das Sombras e o da Morte, a única coisa que sei sobre eles, é que um dos sete de Ragnarok foi morto junto ao seu guardião ao se deparar com tais inimigos, só de saber disso meu corpo gelou, e ao ver Thayna e Ishtar da mesma forma, sei que são inimigos mortais. - Ordens? - Davian perguntou de forma ansiosa.
- Junte nossos melhores guerreiros. - Thayna ordenou, um vento bateu no chão, fazendo folhar voarem ao redor de Davian que sumiu em um passe de magica, respirei fundo e olhei para as duas mulheres a minha frente. - Não imaginava que River nós atacaria de frente dessa forma, não depois de falar nas ultimas vezes. - Thayna comentou mais para si mesma do que para nós, olhei para Ishtar que está pensativo, o conheço o suficiente para saber que ele está analisando as possibilidades, para saber se é melhor ficar ou ir embora.
- Deve ajudá-los. - Me pronunciei pela primeira vez dês de que entrei por aquele portão, Ishtar e Thayna me encaram no mesmo instante, mas meu foco é Ishtar, ele ao perceber que eu falei, me encara surpreso, e antes que ele pudesse retrucar, eu continuo. - Estarei protegida aqui dentro, eles precisam de guerreiros como você, você luta por isso, não fuja como covarde, mostre pra ele que não iremos recuar, não de novo. - Falei de forma decidida, eu já me sinto cansada de fugir sempre que alguém de River aparece, ele deve gostar de saber que estamos fugindo como ratos, não posso me permitir fugir mais, não quando ele pretende destruir um lugar como este. - Lute pelo que é certo!
Minhas palavras parecem afetar Ishtar imediatamente, seus olhos se tornaram escuros e até nebulosos por um instante, ele mergulhou em lembraças como costuma fazer, minhas palavras soaram como a leveza do vento, mas com a força de uma tempestade dentro dele, ele respirou fundo e me encarou novamente, ergueu a cabeça e uma das mãos para acariciar a maça de meu rosto de forma carinhosa e acenou com a cabeça, após o gesto, ele não precisou dizer mais nada, eu sei que ele está disposto a lutar pelo que é certo, sempre esteve e sempre lutou, mas também sei que silenciosamente ele pediu que eu ficasse em segurança como a pessoa incrível que ele é sempre coloca a mim em primeiro lugar.
- Se eu não tiver voltado até o anoitecer...- Ele começou a falar e se virou para ir na direção a Thayna, não consegui ver seu rosto angelical mais, no entanto, senti um pouco de tristeza soar em sua voz, isso fez meu coração pesar e minha cabeça borbulhar, e se Ishtar não voltasse? O que eu faria? Eu não faço ideia, sempre vivi e precisei de Ishtar para quase tudo, não conheço este mundo e estou longe de conhecê-lo, muito menos saber magias e formas de lutas, não sou párea para aqueles inimigos lá fora e sem Estar, sei que jamais serei. - Precisa seguir para o Norte. - Foi a ultima coisa que ela falou antes de sair em alta velocidade com Thayna.
Coloquei minha mão sobre meu coração e apertei com força minha roupa, na inútil tentativa de minimizar a sensação angustiante que é não saber o que esperar, Estar sempre foi confiante em suas lutas, já a vi enfrentar monstros do tamanhos de árvores sem nem suar, mas o seu tom de voz me fez ter certeza que River possui monstros ao seu lado, monstros que podem matá-lo caso nos pegar a sós, isso me assusta de uma maneira apavorante, o pior é saber que ele morreria por mim, que mesmo sabendo que matarão qualquer um que ficar no caminho dele para me obter... ele continua a lutar por mim. Fui obrigada a colocar uma mão sobe minha boca ao sentir meu estômago revirar, mas me contive.
Mesmo com inimigos tão poderosos, não podemos desistir, eu não posso desistir após tudo que foi feito por mim.
Pois só venceremos amanhã, se não desistirmos hoje.
Esquadrão Das Sombras.
Capítulo 3
Tempos Atuais.
Point of View - Ishtar.
O meu passado é responsável por quem sou hoje, não posso mudar o que aconteceu a mil anos atrás, muito menos trazer Ella e os outros de volta, mas Silena tem razão, eu sempre lutei pelo que é certo, enfrentei River pessoalmente para libertar aqueles que eu amava de suas garras, para trazer paz ao meu povo, eu vivi uma vida falsa dês do momento em que nasci nunca quis aquilo pra mim, mas me obrigaram a aprender a lutar com magia e uma espada, dês de pequena neguei meus desejos verdadeiros, mas hoje eu sei que foi tudo para estar aqui hoje.
Posso ter vivido uma vida que escolheram pra mim, mas foi minha decisão me juntar à revolução contra River, muitas pessoas morreram e eu sei que eu falhei naquele campo de batalha, falhei contra River, mas não me arrependerei do único erro que cometi por decisão própria, aquele erro me trouxe até aqui, e mesmo que não esteja em uma situação favorável, ainda tenho certeza que estou do lado certo nesta guerra, estou ao lado de Silena, e não falharei com ela, não me permitirei falhar, eu escolhi lutar por ela, desta vez eu decidi por quem lutar, então lutarei se ela assim desejar.
Continuei a avançar para o sul com Thayna e suas tropas ao meu lado, consigo sentir a mana temerosa que emana das pessoas do outro lado do campo, são mais poderosos do que eu me lembrava, mas recuar não é uma opção neste momento, ou sairei daqui vitoriosa ou morrerei com honra neste lugar. Paramos ao avistarmos com perfeição nossos inimigos, minha cabeça se virou por instinto na direção da floresta, sentindo meu coração um pouco apertado por ter deixado Silena sozinha pela primeira fez, não deveria ter tido aquelas ultimas palavras a ela, deve estar em pânico.
- Não voltará para ela com pensamentos de arrependimento. - A voz de Thayna soou de forma repreensiva, que me fez voltar o foco para nossos inimigos ao longe, respirei fundo, tentando esquecer por um tempo a sensação que está em meu coração. - Se avançarem, teremos mais uma batalha sangrenta que pode ser evitada! - Thayna gritou para nossos inimigos de forma neutra, ela assim como todos na rebelião, estão tentando ser compreensivos, compreendo suas ações, mas jamais faria algo assim, muito menos com o esquadrão das sombras.
Recebemos como resposta um silêncio frio, cerrei os olhos na direção deles, sabendo que o próximo passo seria o ataque, não há mais nada a se esperar de pessoas como eles. O vento chegou ao campo de batalha, trazendo consigo folhas esverdeadas, o vento e as folhas passaram em frente a minha visão, e no segundo em que passaram, tive a certeza que algo mudou, senti um frio na espinha e me alertei Thayna não aparenta ter visto nada, porém, meus olhos captaram um pequeno brilho vindo do céu, minha mão se moveu por instinto e pegou a flecha que parou a centímetros do rosto de Thayna.
Trouxe a flecha para mim, ignorando a feição surpresa de Thayna, e percebi que a ponta da mesma está em chamas, mas não são chamas comuns, nunca havia visto chamas nesse tom avermelhado antes, são mais poderosas que o normal, como minha magia principal é água, torço para que o usuário das flechas apenas consiga usar esse tipo de magia em objetos como suas flechas, pois se não, terei uma luta pra valer aqui, e não era isso que eu queria, minha estratégia inicial era lutar com vários ao mesmo tempo, cansá-los enquanto os outros agem, mas talvez não seja possível.
- Infelizmente, teremos que dar a eles o que querem. - Thayna falou e acenou para seus guerreiros avançarem, os mesmos avançaram sem medo, confiantes e leais a sua princesa, os gritos ecoaram e nossos inimigos sorriram, animados e ansiosos para derramar nosso sangue, apesar do momento ser ruim, me senti de forma nostálgica. Não avancei com os outros, meu olhar avançou para o arqueiro que ficou para trás, erguendo seu arco com uma flecha em chamas, ele usa uma capa branca e armadura que tem uma mascara como acompanhamento, ele aguarda para lançar a flecha no momento certo, então farei que seu alvo seja eu!.
Aguardei alguns segundos, que pareceram uma eternidade, mas em seguida avancei com metade de minha velocidade, conseguindo alcançá-lo sem problemas, retirei minha moeda do bolso e a joguei para o alto ao nos aproximarmos dos inimigos, vi o arqueiro apontar a flecha pra cima, pronto para atirar em seu alvo, seja lá qual for. Minha moeda se transformou em uma enorme espada, ela possuiu um furo na ponta, com um sino instalado no buraco, eu a usava bastante contra exércitos grandes, mas servirá muito bem.
- Ressonância! - Gritei girando a espada em minhas mãos, segurei seu cabo com uma delas e direcionei minha palma livre para a lamina, dei um golpe forte na lateral no exato momento que nossos inimigos chegaram a nós, o sino tocou com força, ressoando uma forte onda de som na direção de nossos adversários que se desestabilizaram, nos permitindo dar o primeiro e decisivo ataque, meu olhar foi para o arqueiro novamente, agora caído no chão por ter sido pego de surpresa, um sorriso satisfeito se formou em meus lábios, eu ainda sou boa nisso.
- Ataquem para matar! - Thayna gritou ao passar por mim como um trovão, sua velocidade é realmente assustadora, ela saltou altamente com apenas um impulso, vi sua mão se erguer enquanto empunha sua espada, ela desceu com força na direção de um homem misterioso que aparenta estar despreocupado com seu ataque, o mesmo puxa sua espada e a joga pra cima, fazendo sua espada e a de Thayna colidirem, causando um leve tremor na terra, mostrando a força usada pelos dois. Nunca havia visto este homem antes, tem uma postura rígida, feição seria e olhos caídos, normalmente eu já enfrentei toda frota de River, mas vejo que está recrutando novos soldados.
Abaixei-me, parando de pensar em coisas desnecessárias no momento, toquei o solo abaixo de meus pés e respirei fundo, podendo ouvir o som ao meu redor se abafar e apenas o som da agua ser escutado, meu coração ficou tranqüilo com o som reconfortante escutado abaixo da terra, abri meu olhos e os ergui na direção do arqueiro, que no mesmo instante disparou uma flecha, passei a língua dentre meus lábios, os umedecendo e abri um sorriso, está na hora de dar meu melhor, Silena está a minha espera afinal. Ergui-me rapidamente, trazendo toda água do solo comigo, o terreno se inundou de água, meu olhar subiu para flecha que foi barrada por uma parede de água, formada apenas para me proteger.
- Flechas são inúteis... - Sussurrei soltando um suspiro ao deixar a flecha atingir o chão coberto de água, a chama se apagou, juntamente com a esperança que o homem tinha de me derrotar. Vi um vislumbre de uma sobra pelo meu olho direito e rapidamente transformei minha moeda em uma espada média para defesa, a girei de forma rápida em minha mão e virei, atingindo a pessoa que veio de forma traiçoeira, atingi seu pulso com força, mas o mesmo usa uma armadura de algum metal mágico, cerrei os dentes e puxei a espada com velocidade para me defender de uma investida sua com uma espada cinza, bem suspeita.
Forcei minha mão que empunha a espada, e ele foi impulsionado para trás com força, avancei contra ele novamente, lhe desferindo um golpe que foi bloqueado por ele de forma rápida, mas algo foi notado por mim, suas mãos vacilaram um pouco no bloqueio, nenhum guerreiro faria isso, pelo menos não em um bloqueio decisivo. Meus olhos percorreram o campo de batalha, e logo avistei uma silhueta feminina, vestindo armadura, com dois outros soldados como este em minha frente ao seu lado, me fazendo entender do que se trata. É magia de fantoche, ela está manipulando apenas um fantoche para lutar ao seu lugar, como a covarde que é nunca gostei de pessoas com tal magia.
- Quanta ingenuidade! - Proferi de forma irritada ao ver mais de três fantoches ao meu redor, essa mulher está se enganando fortemente ao pensar que irá me deter com fantoches, se ela não pretende lutar honrosamente, não há por que eu tratar minha adversária com o respeito que costumo dar. Afastei-me do fantoche e girei a espada no ar, sentindo meu peito bater de forma mais rápida, talvez pela raiva do momento, ou adrenalina que estou sentindo. Os fantoches avançaram em sincronia, e eu prontamente desci a espada na direção do solo e a cravei ali.
A água ali presente se ergueu com fúria, pegando os fantoches de forma desprevenida, todos foram cobertos por ela, a água se formou em um único fluxo em cada fantoche, e escalou o corpo deles como uma serpente faminta, pronta para devorar sua presa. Fechei os olhos por um segundo e suspirei, tanto tempo evitando lutar, havia me esquecido como é bom sentir a magia borbulhar dessa forma em você, retirei a espada do solo, e as serpentes de água apertaram os fantoches, fazendo todos eles se partirem e caírem inertes no chão, de onde é melhor não saírem, ergui minha espada e apontei a lámina na direção da mulher, ela está com um elmo cobrindo seu rosto, não posso ver sua feição, mas vi seus punhos cerrados.
- Bater em retirada! - Um deles gritou e eu franzi o cenho de forma confusa, eles irão desistir desta forma? Os guerreiros de Thayna são bons, mas não acredito que o esquadrão das sombras desistirá dessa forma, sem ter alcançado seu objetivo, ou será que alcançaram?. Arregalei os olhos ao ver o mesmo homem com quem Thayna estava lutando vir em minha direção, com fúria em seus olhos acinzentados, tenho certeza que nunca o vi em minha vida, mas é visível que seu ódio por mim é verdadeiro, não consegui entender e também não tive liberdade para pensar ou questionar.
Sua espada foi jogada no ar e direcionada a mim com força, segurei minha espada com as duas mãos e bloqueei por pura defesa, pensei que havia me bloqueado de forma perfeita, mas com o impacto de sua espada na minha, meu corpo foi arrastado para trás com vigor, senti meus pés retirando a terra molhada do chão conforme foi deslizando para trás, quando finalmente parei, tive a intenção de abaixar minha espada e sair da posição de bloqueio para lutar, mas levei um susto quando meus braços doeram de forma aguda, meus olhos arregalaram e acabei soltando uma grande lufada de ar.
Meus braços pesaram e a espada encostou-se ao chão, ergui os olhos e me senti sortuda por vê-lo recuar assim como lhe foi ordenado, engoli em seco e respirei fundo percebendo que meus batimentos cardíacos estão acelerados, não imaginei me deparar com alguém tão forte fisicamente, aquilo não foi magia, não senti nenhuma gota de mana emanar dele, foi tudo puramente corporal, se não tivessem ordenado recuo, eu poderia estar morta agora, pois meus braços estão dormentes e doloridos, não percebi, mas não usei toda minha força na defesa, o subestimei, pois não esperava ser surpreendida com isso, mas agora ficarei atenta na próxima vez que nos encontrarmos, pode não aparentar, mas ele é um oponente perigoso.
- Quero vigilância redobrada a partir de hoje! - A voz de Thayna soou irritada, me tirando de meus pensamentos sobre o jovem misterioso, virei a cabeça em sua direção, a encontrando debruçada sobre o corpo de um elfo inerte no chão, visivelmente morto, aparentemente o único a vir a óbito nesta batalha, eu considero como uma vitória poderia ter sido um massacre. - Graças a você, evitamos perdas piores..- Thayna falou de forma agradecida quando me aproximei do corpo ao chão, encarei o rosto do Elfo e soltei um suspiro, mais uma vida levada pela ganância e egoísmo de River. - Obrigada. - Ela agradeceu e tocou meu ombro de forma suave.
- Agradeça a Silena. - Retruquei de forma fria e comecei a andar na direção da floresta, ignorando totalmente seu toque amigável em meu ombro, respeito e admiro Thayna pelo que ela faz por essas pessoas, e por lutar contra River mesmo não tempo forças o suficiente, mas não quero que ela me entenda mal, não vim até ela buscar abrigo, pois quero fazer alianças ou amizades, apenas vim para o norte em busca de abrigo temporário para manter Silena a salvo, não há espaço para outra coisa em minha vida, não até River estiver morto, e eu ter presenciado sua morte com meus próprios olhos.
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Não pedi ajuda para encontrar Silena ao voltar para a floresta, ao caminhar pela trilha que liga todo esse lugar, me questionei há quanto tempo não vinha aqui, com certeza a mais de duzentos anos, agora há casas para Elfos, avistei fadas trabalhando na coleta de alimentos e até construções aleatórias onde os seres mágicos apenas sentam e conversam como pessoas normais, Thayna está realmente fazendo um bom trabalho neste lugar, dando a esses seres uma oportunidade de viver a vida sem medo de serem mortos por serem eles mesmos, aqui dentro podem fazer e ser quem quiser, algo que nunca pude fazer.
Procurei por Silena em vários locais, por um momento achei que não a encontraria, mas a trilha me levou a um local belo que não havia visto da ultima vez que estive aqui, há um lago cristalino, consigo ver cristais da água submersos, acima, nas árvores, há pontes que levam as construções camufladas, quase não as percebi se não fosse pelas luzes acesas em seu interior, soltei um suspiro nasal ao observar o local por completo, isso até meus olhos encontraram Silena abaixo de uma arvore com flores brancas, meus olhos se arregalaram levemente ao observar a bela cena, ela toca as flores de forma suave, seus olhos azuis claros estão um pouco apreensivos, vagos, suas roupas mudarão, seus cabelos estão voando contra a leve brisa que bate em seu corpo, juntamente com seu vestido, dando uma graça a mais a cena.
Ela continuou admirando as flores de forma graciosa por alguns segundos, enquanto eu continuei a observando, minha mente gritou que o sentimento que estou sentindo deve ser absorvido, e eu quis retirar meus olhos de Silena, mas é impossível evitar o sentimento que se possuiu meu coração, uma calmaria, a mesma que eu amava sentir após uma batalha intensa, já não consigo sentir mais as dores nos braços, apenas a sensação gostosa de aquecimento que Silena me trás, não consigo descrevê-la em palavras, apenas me sinto como nunca me senti antes, mas sempre busquei sentir, ao ver Silena tão bela, eu me sinto finalmente em casa.
De repente ela virou a cabeça em minha direção, vi seus olhos cintilarem por puro alivio e alegria, alegria essa que me contagiou, abri um sorriso sem nem perceber, meu coração palpitou, ela sentiria minha falta caso eu não voltasse, não como eu sentiria a dela, Silena se tornou meu propósito de vida a muito tempo atrás, sem ela, não há razão para minha existência, é impressionante como dou mais valor a mim, apenas quando estou com ela. Silena não tardou a correr em minha direção, abri meus braços doloridos, lhe dando liberdade para se jogar em meus braços, seu corpo colidiu com o meu me trazendo um alivio enorme e não demorei a agarrá-la.
- Eu fui valente ao dizer aquelas coisas, mas..- Silena começou a falar com uma voz um tanto quanto chora contra meu pescoço, acariciei seus cabelos de forma carinhosa apertei suas costas lhe dando conforto. - Eu fiquei com tanto medo, receio de que não voltasse. - Ela terminou e senti suas mãos me apertarem tão forte que poderiam me machucar, meu coração se apertou e eu encostei meu corto contra seus cabelos e suspirei, sentindo seu cheiro de lavanda leve, soltei uma leve risada e ela me acompanhou. - Nunca te perdoaria se tivesse me deixado.
- Por que eu deixaria pessoa por quem lutei e zelei durante mil anos? - Perguntei de forma neutra e senti Silena se desgrudar de meu corpo, me afastei levemente dela para poder encarar seu rosto, seus olhos estão cristalinos e um pouco molhados, suas bochechas estão avermelhadas, indicando vergonha, eu até poderia sentir tal sentimento, mas não posso, não quando falei a mais pura verdade, e ela já deveria saber disso, por um momento fiquei preocupada com sua reação, mas então um grande sorriso se abriu em seu rosto, como o sol trazendo a esperança de um novo dia, me fazendo perceber que apesar de todas as dores e perdas, mesmo que eu tenha que continuar algo no qual nunca quis fazer parte...
Ela continua sorrindo, continua carregando a esperança que salvará o mundo, então eu sei que...
Tudo valeu à pena.
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Point Of View - Silena.
Sonho On.
Meus olhos estão fechados, tudo está tão escuro, como se nada mais existisse, pensei que estivesse perdida em algum lugar, ou presa, mas de repente senti uma brisa bater em meu corpo que está por alguma razão fraco, tão fraco que quase foi levado pela leve brisa, meus olhos finalmente se abriram, mas logo se incomodaram com a luz forte e fumaça do local, engoli em seco, sentindo minha garganta queimar, abaixei a cabeça e encarei meus pés, descalços por alguma razão, a terra está molhada, criando uma lama avermelhada. Voltei a erguer meus olhos e os abri totalmente ao ver várias bandeiras penduradas em lanças, ao redor há vários corpos jogados no chão.
- O que está acontecendo... - Sussurrei para mim mesma de maneira confusa, é incrivelmente real, não acredito que seja realmente um sonho. Engoli em seco novamente, desta fez fazendo uma careta ao sentir minha garganta queimar, caminhei pela lama manchada de sangue, a procura de Estar, onde ela está? Havia dito que não me deixaria, mas por que estou aqui sem ela? - Oi! - Chamei ao ver uma silhueta feminina ao longe, ao me aproximar me senti um pouco entristecida ao ver a cabeleira ruiva, vestindo uma armadura de bronze. - Olá? - A mulher se virou pra mim e arregalei os olhos, senti uma corrente elétrica passar por meu corpo quando seus olhos se conectaram com os meus. - Sabe como vim parar aqui? Sou Silena.
- Sou Freya, eu não sei onde estamos..- Ela falou olhando em volta de uma forma tão confusa quanto eu olhei, fiz uma careta e voltei a olhar ao redor, não reconheço o lugar e mesmo se conhecesse, eu não o reconheceria com tantos mortos no lugar, sem contar que há focos de incêndio por todo lado, criando uma nuvem enorme de fumaça, o lugar cheira a morte, está coberto de cinzas, poderia dizer que é o purgatório, pois realmente aparenta ser o inferno. - Magnus, onde ele está? - Ela perguntou parecendo entrar levemente em pânico, e então percebi o que está acontecendo, nossas mentes se interligaram.
Estar havia me informado que ao atingir certa idade, a mente dos Ragnarok iriam se interligar aos poucos, isso poderia resultar em sonhos com cenários do qual um de nós já havia estado ou passado, mas não acredito que um de nós já tenha participado de uma batalha tão grande, há milhares de corpos jogados ao chão, batalhas assim aconteciam há anos atrás, e nenhum de nós tem idade o suficiente pra isso, há algo errado, mas sei que se eu entrar em pânico pode afetar minha ligação com Freya, que acabou de ser formada. Segurei a mão dela de forma gentil, seu olhar voou para meus olhos e eu sorri levemente.
- Somos Ragnarok, fomos as primeiras a despertar a ligação Freya. - A expliquei o que está acontecendo, não expressei nenhum sentimento, não faço idéia se isso é algo bom ou ruim de acordo com a situação. Ela pareceu pensar por um instante, e de repente riu e olhou em volta sem o medo que havia em seu olhar antes. - É um prazer finalmente te conhecer, onde você se encontra? - Perguntei soando mais animada, sempre tive a vontade de encontrar com algum deles antes, Estar sempre disse que tenho uma ótima força mental, mas nunca acreditei.
- Estou no Sul, Tem muitos inimigos nessa região...- Ela respondeu após parar de analisar o local, e então me lembrei que o ataque a floresta foi de um grupo vindo do sul, Estar provavelmente vai negar meu pedido de ir pra lá por conta disso, mas será que aceitará ao saber da situação de Freya e Magnus, ele deve ser um amigo dela. - Silena..- Freya chamou meu nome de forma receosa, sai de meus pensamentos e a encarei, mas seu olhar está em algo além de mim, me virei, curiosa para saber o que a fez ficar tão temerosa, mas de repente me peguei me sentindo da mesma forma.
Há um homem forte e alto, bem acima de uma montanha de corpos, seus olhos são roxos e carrega um olhar divertido, em seus dedos há fogo queimando, indicando que ele é o responsável por tudo isso, ele sorri um tanto quanto irônico em nossa direção, seus cabelos são brancos como a neve, parecidos com o de Estar, mas a sensação que ele me faz sentir é totalmente contraria, consigo sentir meus interior se contorcer, implorando para que eu me afaste do homem, minha boca secou e meu coração acelerou, indicando perigo, ele não se apresentou e tenho certeza de que não tem a intenção, mas não precisou se apresentar para que eu e Freya descobríssemos de quem se trata.
É River.