Na minha vida passada, a notícia da morte de João Pedro chegou enquanto eu estava na delegacia.
"Ele se foi", disseram, "em um acidente terrível."
Mas eu sabia que era mentira.
Eu ri. Ri tanto que acharam que eu tinha enlouquecido de dor.
Ele não estava morto; ele tinha roubado a identidade do irmão gêmeo, Pedro João, e se preparava para se casar com minha cunhada, Ana Lúcia.
Tentei gritar a verdade, mas ninguém acreditou.
Eles me chamaram de louca, de promíscua.
João Pedro, agora vivendo como Pedro João, usou seu poder e influência para me destruir.
Perdi meu negócio, minha confeitaria construída com tanto suor.
O pior de tudo: ele tirou Sofia, nossa filha, de mim.
Fui jogada na rua, sem nada, enquanto minha filha era criada por ele e Ana Lúcia.
No fim, me espancaram até a morte em um beco escuro, e meu corpo foi abandonado.
Mas eu acordei.
De volta ao hospital, no dia em que recebi a "notícia" da sua morte.
Ele estava ali, à minha frente, fingindo pesar.
"Luz", disse ele, a voz embargada, "o João Pedro... ele se foi."
As lágrimas rolaram pelo meu rosto. Não mais de dor, mas de uma raiva fria e calculista.
"Não... não pode ser", eu solucei, agarrando a mão dele. "João... meu João..."
Por trás da minha dor falsa, eu planejaria minha vingança.
Ele não notou o pequeno detalhe: a pinta no lóbulo da orelha esquerda que seu irmão, Pedro João, não tinha.
E o homem que me abraçava não tinha.
O jogo havia começado. E desta vez, eu não perderia.
Na minha vida passada, recebi a notícia da morte do meu noivo, João Pedro, enquanto estava na delegacia.
Eu não chorei.
Em vez disso, eu ri.
Ri tanto que o comissário de polícia me olhou com pena, pensando que eu tinha enlouquecido de dor.
Eles me disseram que João Pedro tinha morrido em um acidente de carro terrível, seu corpo carbonizado e irreconhecível.
Mas eu sabia a verdade.
Eu sabia que ele não estava morto, ele apenas tinha trocado de identidade com seu irmão gêmeo, o empresário de sucesso, Pedro João.
Ele fez isso para poder se casar com a noiva de seu irmão, minha cunhada, Ana Lúcia.
Eu tentei contar a todos a verdade, mas ninguém acreditou em mim.
Eles me acusaram de insanidade, de promiscuidade.
João Pedro, agora vivendo como Pedro João, usou todo o seu poder e influência para me destruir.
Ele me humilhou publicamente, me fez perder meu negócio, minha confeitaria que eu construí com tanto esforço.
E o pior de tudo, ele tirou de mim a guarda da nossa filha, Sofia.
Eles me jogaram na rua, sem nada.
Minha filha, Sofia, foi entregue a ele e a Ana Lúcia.
No fim, eles me espancaram até a morte em um beco escuro e depois jogaram meu corpo em um terreno baldio.
Mas então, eu acordei.
Abri os olhos e me vi de volta ao hospital, no dia em que recebi a notícia da "morte" de João Pedro.
O cheiro de desinfetante encheu minhas narinas. O som de um monitor cardíaco apitava ao meu lado.
Olhei para o lado e vi a figura alta e sombria parada ao lado da minha cama.
Era João Pedro, mas ele estava vestido com as roupas caras de seu irmão, Pedro João.
Seu rosto estava pálido, seus olhos vermelhos, fingindo uma dor que ele não sentia.
"Luz", ele disse com a voz embargada, "tenho uma notícia terrível. O João Pedro... ele se foi."
Ele estava ali, na minha frente, mentindo descaradamente.
Na minha vida passada, eu gritei, chorei, o acusei, e isso selou meu destino trágico.
Desta vez, eu não faria isso.
Desta vez, eu faria diferente.
As lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto. Lágrimas de dor, mas também de uma raiva fria que se instalava no fundo da minha alma.
"Não... não pode ser", eu solucei, agarrando a mão dele. "João... meu João..."
Ele me abraçou, um abraço falso e vazio. Senti seu corpo tenso. Ele estava nervoso.
"Eu sei, é horrível. Eu também perdi meu irmão", ele disse, tentando parecer consolador.
Eu olhei para ele, meus olhos embaçados de lágrimas.
"Pedro João... o que vamos fazer agora?", perguntei, usando o nome que ele queria ouvir.
Um brilho de alívio passou por seus olhos. Ele achou que eu tinha acreditado.
Ele não sabia que, por trás das minhas lágrimas de viúva de luto, eu já estava planejando minha vingança.
Ele não notou o pequeno detalhe que o entregava.
João Pedro tinha uma pequena pinta no lóbulo da orelha esquerda.
Pedro João, não.
E o homem que me abraçava, o homem que fingia ser Pedro João, não tinha a pinta.
Eu me agarrei a ele com mais força, escondendo meu rosto em seu peito para que ele não pudesse ver o sorriso frio que se formava em meus lábios.
As memórias da minha vida passada vieram com força.
Lembrei-me do dia em que ele me disse que ia "morrer".
Estávamos no nosso pequeno apartamento. Sofia, com apenas três anos, brincava no tapete.
"Luz, preciso te contar uma coisa", ele disse, sério. "Pedro João está muito doente. Os médicos dizem que ele não tem muito tempo."
Eu senti um aperto no coração. Apesar de Pedro João ser distante, ele era o irmão do homem que eu amava.
"Meu Deus, João. O que podemos fazer? Existe algum tratamento?"
Ele balançou a cabeça. "Não. Mas... eu tive uma ideia. Uma forma de manter o legado dele, a empresa dele... tudo."
"Que ideia?", perguntei, ingênua.
"Eu vou assumir o lugar dele. Vou me tornar Pedro João. E para que isso funcione... João Pedro precisa morrer."
Eu o encarei, chocada. "Você está louco? Você quer forjar a própria morte? E quanto a nós? E quanto a Sofia?"
Seu rosto se tornou frio. "Você não entende, Luz. Isso é maior do que nós. Ana Lúcia precisa de mim. A empresa precisa de mim."
"E eu? E sua filha?", gritei, sentindo o pânico crescer.
"Você vai ficar bem. Como viúva de João Pedro, você terá uma pensão. Sofia estará segura."
"Eu não quero uma pensão! Eu quero você!", eu chorei.
Ele me olhou com desprezo. "Pare de ser egoísta, Luz. Já está decidido."
Ele se virou e saiu, me deixando com o coração em pedaços e uma filha que logo perderia o pai.
Depois, vieram os piores dias da minha vida.
A humilhação pública. As acusações falsas.
Lembro-me de Ana Lúcia, com um sorriso de escárnio, testemunhando no tribunal que me viu com outros homens.
Lembro-me de Dona Rosa, a mãe deles, dizendo ao juiz que eu era uma mãe instável e negligente.
Lembro-me do olhar de terror nos olhos de Sofia quando os oficiais do tribunal a levaram para longe de mim.
E lembro-me da dor física. Dos chutes, dos socos, do sangue em minha boca quando me espancaram no beco.
Tudo isso inundou minha mente enquanto eu chorava nos braços do assassino da minha vida passada.
"Vai ficar tudo bem, Luz. Eu cuidarei de você e de Sofia", ele sussurrou em meu ouvido.
Eu me afastei dele, enxugando as lágrimas.
"Obrigada, Pedro João. Você é tão bom."
Eu sabia que ele não cuidaria de mim. Ele me destruiria.
Mas desta vez, eu estava preparada.
Desta vez, eu seria a caçadora, e não a presa.
Ele queria jogar um jogo?
Ótimo.
Eu jogaria também. E eu venceria.
"Preciso ver o corpo", eu disse com a voz fraca. "Preciso me despedir."
O pânico brilhou em seus olhos por uma fração de segundo antes que ele o escondesse.
"Luz, não é uma boa ideia. O acidente... foi muito feio. O corpo está irreconhecível. É melhor você se lembrar dele como ele era."
"Eu não me importo!", insisti. "Eu preciso vê-lo. É meu direito."
Ele hesitou, claramente pego de surpresa.
"Vou... vou ver o que posso fazer. Agora descanse. Você precisa ser forte... por Sofia."
Ele se virou e saiu apressado do quarto, claramente para consultar sua cúmplice, Ana Lúcia.
Eu me recostei nos travesseiros, o coração batendo forte.
O jogo havia começado.
E eu não perderia minha filha novamente.
Eu não perderia minha vida novamente.
Eu faria com que eles pagassem por cada lágrima, por cada gota de sangue, por cada pedaço da minha alma que eles arrancaram de mim.
A vingança seria doce.
Tão doce quanto os bolos que eu costumava fazer.
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O funeral foi apressado, exatamente como eu esperava.
João Pedro, no papel de Pedro João, alegou que o estado do corpo não permitia um velório prolongado.
O caixão permaneceu lacrado.
Ninguém pôde ver o suposto corpo carbonizado de João Pedro.
Era a desculpa perfeita.
Eu me vesti de preto, com um véu cobrindo meu rosto.
Fiquei ao lado do caixão, chorando silenciosamente, desempenhando o papel da noiva de luto com perfeição.
De vez em quando, eu olhava de soslaio para o casal de conspiradores.
João Pedro, com uma expressão solene forçada, recebia os pêsames.
Ana Lúcia, também de preto, estava ao seu lado, parecendo uma viúva em vez de uma cunhada. Seus olhos brilhavam de triunfo.
Eles trocavam olhares cúmplices por cima das cabeças das pessoas, sorrisos discretos que ninguém mais parecia notar.
Mas eu notei.
Eu via tudo.
No meio da cerimônia, senti uma tontura. Era parte do meu plano.
Levei a mão à testa e cambaleei.
"Luz, você está bem?", perguntou João Pedro, correndo para me amparar.
"Eu... eu não me sinto bem", murmurei, e deixei meu corpo amolecer, desmaiando em seus braços.
Causei o caos que eu queria.
As pessoas se aglomeraram, preocupadas.
Enquanto era carregada para fora, para tomar um ar, pude ver os rostos de João Pedro e Ana Lúcia.
Eles não pareciam preocupados.
Pareciam irritados.
Eu havia roubado o foco deles com meu drama.
Mais tarde, em casa, a farsa continuou.
A casa pertencia a João Pedro, mas agora, com sua "morte", tecnicamente passaria para mim e para nossa filha, Sofia.
Eu sabia que eles não permitiriam isso.
Dona Rosa, a mãe deles, entrou no meu quarto sem bater. Ana Lúcia a seguia como uma sombra.
"Maria da Luz", disse Dona Rosa com sua voz áspera, "agora que meu pobre filho se foi, precisamos organizar as coisas."
Eu me sentei na cama, parecendo frágil. "Organizar o quê, Dona Rosa?"
"Bem, você não tem condições de administrar esta casa e as finanças. Você é apenas uma confeiteira", disse Ana Lúcia com um sorriso de escárnio. "Pedro João e eu decidimos que será melhor se eu assumir a administração da casa."
"E você", continuou Dona Rosa, "pode pegar suas coisas e as da menina e voltar para a casa dos seus pais. Nós cuidaremos de tudo."
Elas queriam me expulsar. Queriam tomar a casa e tudo o que era meu por direito.
Na minha vida passada, eu lutei, gritei, e isso só deu a elas mais munição para me declarar louca.
Desta vez, eu sorri por dentro.
"Oh", eu disse, com a voz cheia de tristeza. "Eu entendo. Vocês estão certos. Eu não tenho cabeça para nada disso agora."
Elas se entreolharam, surpresas com minha aceitação fácil.
"Mas", continuei, enxugando uma lágrima falsa, "há um pequeno problema."
"Que problema?", perguntou Ana Lúcia, impaciente.
"João Pedro... ele tinha muitas dívidas. Ele investiu todo o dinheiro dele e o meu, meu dote, em um negócio que faliu. A casa está hipotecada. Na verdade, acho que o banco virá buscá-la em breve."
O silêncio no quarto foi total.
Os rostos de Ana Lúcia e Dona Rosa se transformaram. A ganância deu lugar ao choque e à raiva.
"Dívidas? Que dívidas?", gaguejou Dona Rosa.
"Ele não me contou os detalhes", eu disse, soluçando. "Ele só disse que estava tentando fazer fortuna para nos dar um futuro melhor, mas tudo deu errado. Ele estava tão desesperado... talvez seja por isso que o acidente aconteceu."
Eu estava mentindo, é claro. João Pedro era mesquinho, mas não era tolo com dinheiro. Mas eles não sabiam disso. E a ganância deles os tornava cegos.
"Isso é impossível!", gritou Ana Lúcia. "Ele era irmão de Pedro João! Ele tinha acesso a dinheiro!"
"Acho que ele tinha vergonha de pedir ajuda ao irmão", eu disse, olhando para o chão. "E agora... com a morte de Pedro João, quero dizer, de João Pedro... as dívidas caem sobre mim. E sobre a casa."
Eu as olhei com os olhos mais inocentes que consegui fingir.
"Já que você, Ana Lúcia, se ofereceu para administrar tudo... imagino que você e Pedro João possam assumir a hipoteca, certo? Eu não teria como pagar. Sou apenas uma confeiteira."
O rosto de Ana Lúcia ficou vermelho de fúria.
Ela veio para tomar uma fortuna, não para herdar uma dívida.
Dona Rosa parecia que ia ter um colapso.
"Isso... isso é um absurdo!", ela chiou.
"É a verdade", eu disse, com firmeza. "Os papéis estão na gaveta dele. Podem verificar."
Eu sabia que não havia papéis. Mas a semente da dúvida estava plantada.
A ganância deles se transformou em medo.
Antes que pudessem responder, eu me levantei.
"Se me dão licença, preciso ver minha filha. Ela deve estar tão assustada."
Deixei as duas no quarto, rostos contorcidos de raiva e confusão.
O primeiro contra-ataque foi um sucesso.
Eu não joguei pelas regras delas. Eu criei um novo jogo, um em que a ganância delas era minha maior arma.
Fui para o quarto de Sofia.
Minha pequena estava sentada na cama, abraçando seu urso de pelúcia.
Seus olhos estavam tristes.
"Mamãe, cadê o papai?", ela perguntou com sua voz fininha.
Meu coração se apertou. Esta era a parte mais difícil.
Eu me sentei ao lado dela e a abracei.
"Papai foi para o céu, meu amor. Ele virou uma estrelinha para cuidar de nós lá de cima."
Ela olhou para mim, confusa.
"Não, mamãe. O papai está aqui."
"Não, querida. Aquele é o tio Pedro João."
Sofia balançou a cabeça com a teimosia de uma criança de quatro anos.
"Não. O tio Pedro João tem uma pinta na orelha. Aquele homem não tem. Aquele é o papai fingindo ser o tio."
As palavras dela, tão puras e verdadeiras, foram a confirmação final de que eu não estava louca.
Uma criança podia ver a verdade que todos os adultos se recusavam a enxergar.
Abracei minha filha com força, sentindo uma nova onda de determinação.
Eu a protegeria.
Eu faria com que aqueles monstros pagassem.
Não importava o custo.
Eles queriam jogar sujo? Eles não faziam ideia do quão sujo eu poderia jogar para proteger minha filha.
Mais tarde, na sala de estar, João Pedro me confrontou.
"Luz, que história é essa de dívidas? Ana Lúcia me disse que você falou sobre uma hipoteca!"
Eu o encarei, os olhos cheios de uma falsa dor.
"É a verdade, Pedro João. Eu sinto muito. Ele perdeu tudo."
"Mas e o seu dote? O dinheiro que seu pai lhe deu?", ele perguntou, a ganância brilhando em seus olhos.
"Foi tudo junto. Ele investiu tudo."
Ele cerrou os punhos, furioso. O plano dele de ficar com meu dinheiro estava indo por água abaixo.
"Então, o que vamos fazer?", ele perguntou, com a voz tensa.
Eu dei de ombros, impotente.
"Eu não sei. Acho que terei que voltar para a casa dos meus pais. E você, como irmão dele, talvez tenha que assumir a responsabilidade por essas dívidas para limpar o nome da família."
O rosto dele ficou pálido.
"Eu? Mas... eu sou Pedro João! Eu não tenho nada a ver com as dívidas de João Pedro!"
"Eu sei", eu disse suavemente. "Mas para o mundo, você é o único parente rico que ele tinha. As pessoas vão esperar que você honre a memória do seu irmão."
Eu o encurralei.
Se ele se recusasse a pagar, pareceria um irmão cruel e insensível, manchando a imagem de "empresário de sucesso" que ele tanto queria.
Se ele concordasse em pagar, estaria assumindo uma dívida que não existia, gastando seu próprio dinheiro.
Ele estava em uma armadilha, e ele sabia disso.
O olhar que ele me deu foi cheio de ódio.
Ele estava começando a perceber que eu não era a mulher frágil e estúpida que ele pensava.
Bom.
Que ele percebesse.
Que ele sentisse medo.
Porque isso era apenas o começo.
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