Demi Lovato Heart Attack
So I'm putting my defenses Up
'Cause I don't wannna fall in love
If I ever did that U I think I'd
have a heart attack
Aos sonhadores e amantes de seus sonhos.
Lobisomens
Infelizmente não há muito o que falar destes seres. Há tão pouco que o quê mais se ouve é o seguinte verso:
"Mesmo aquele de coração puro
Que a noite faz suas preces
Pode tornar-se um lobo
Quando a cone florescer
E a lua de outono brilhar'
Sempre há uma ou outra lenda como aquela que diz que após a mãe der á luz a sete filhas e o oitavo nascer homem, este será lobisomem. Também há aquela que contam sobre uma bruxa ter amaldiçoado um menino que se considerava superior a todos.
O mistério é tão intenso e profundo que nem mesmo a ciência ousa explicar. Mas há um fato que todos 'afirmam' o de que todo lobisomem é inimigo declarado dos vampiros.
O mundo já mudou muito, e as lendas já se transformaram de várias formas até virarem apenas mitos. Agora eu vou lhes dar uma nova versão mais humanizada, porém, não menos sanguinária. Agora eu vou mostrar a vocês que cada um de nós, lá no fundo, tem um quê de lobisomem e vampiro.
Prólogo
Lacrimal city 1846
Havia algum tempo que Magnus –o macho Alfa da matilha de lobisomens Drakus – e dono de belos olhos azuis escuros junto á sua família; os dois filhos charmosos Leonel e Augusto e sua bela esposa Sheila e toda a sua matilha que vieram de Valência na Espanha e fixaram estadia na floresta de Lacrimal city.E desde que chegaram, uma guerra silenciosa for a travada com outras matilhas, mas
até então nenhum humano for a atacado ou sequer ferido. Mas infelizmente nunca houve uma guerra tão violenta e brutal como esta. E inevitavelmente, chegara aos humanos.
Era noite de lua nova e chovia intensamente, mas nem toda água que caia seria capaz de apagar as chamas que lambiam as casas, carros e amontoados de lixos e pessoas que corriam pelas ruas.
Uivos e gritos se misturavam e deixavam marcas na densa e pegajosa camada de sangue que se espalhavam por todos os lugares.
Corpos estavam se empilhando de ambos os grupos, humanos e lobos.
As mães tentavam esconder seus filhos e outras se entregavam a morte para não verem os filhos serem dilacerados ou devorados.
A fúria lupina não via e nem ouvia nada a não ser aquela necessidade incontrolável pelo poder maior de dominar aquela cidade. E fora num desses muitos massacres que Magnus teve a certeza de que humanos e lobos jamais viveriam em plena paz, pois sempre havia um para pender a balança para o lado da guerra. Mas em toda guerra sempre há um inimigo pior.
Nesse momento, Sheila e seus filhos agarrados a sua saia olhavam com fúria e medo para o inimigo á frente.
– Deixe minha família em paz, maldito sugador –rosnou Magnus e, então as presas do inimigo brilhavam junto a raios no céu conforme o rosto do filho do diabo sorria.
-É bom revê-lo, Magnus – disse Julio Cesar com escárnio. Sinto muito em não querer dizer o mesmo – rebateu Magnus se transformando em lobisomem e partindo para o ataque ao inimigo.
Lacrimal city
Floresta das Cavernas do Norte
Dias atuais
A um dia Soraia, Augusto, Amy e Marcus haviam saído do acampamento – mas estes não faziam ideia de que a escolta dos protetores de Amy e alguns lobos fiéis de Augusto os seguiam na encolha – mas a noite chegara e era hora de parar.
Sonolenta Soraia ergueu-se e abriu seus olhos para ver o semblante sofrido de seu lobo e, ao tocar-lhe o rosto o sentiu gélido como um vampiro – o que para um lobisomem fogoso como Augusto ou qualquer outro lobisomem era um insulto tremendo.
' Augusto e Leonel já são adolescentes e como todo lobo nesta fase, atrai olhares das fêmeas, e estão praticando lutas sob o olhar atento delas e do pai, quando surge uma bela loba de olhos de esmeralda que, pra infelicidade de Leonel que ficou babando, ela olha fixo para seu irmão que a olha.'
Sem querer, Amy e Marcus acordam e veem Soraia debruçada a sacolejar Augusto e perguntam o que houve.'.
- Augusto está gelado como um iceberg e não acorda de jeito nenhum- dissera preocupada.
Amy então concentra seu olhar a Augusto- agora com o seu novo poder de ver auras é ótimo- e vê uma aura cinza abraçada ao corpo de Augusto como um cobertor.
-O que você vê?
-Uma aura cinza deitada sobre o corpo de Augusto.
É isso que o está deixando assim. Soraia se desespera – eu não sei o que fazer - então, movida pela vontade de senti-lo quente e lhe agarrando, ela lhe agarra o rosto e lhe beija com sofreguidão.
' Augusto está deitado no colo da mãe que lhe afaga os cabelos – por causa da tal loba dos olhos de esmeralda, ele e o irmão brigaram feio. Leonel foi arranjar briga pra esfriar sua raiva e, Augusto viera procurar o carinho da mãe- e agora ouvia suas palavras com atenção.'
– Nenhuma delas está em seu destino, meu filho, somente uma vai fazer seu coração bater mais forte e, ela não está aqui.
– E onde ela está?
– Em algum lugar a sua espera.
–E como vou saber que ela é ela?
Sheila sorriu – seu coração vai te dizer – concluiu ao pôr sua mão sobre o coração do filho e, então uma luz branca envolta num calor sem forma apagou tudo,'
Nesse momento, Augusto acorda trazido do passado pelo beijo de Soraia e Amy no mesmo segundo viu a aura se dissipar de cima do corpo do amigo.
– Bem-vindo de volta – sorriu Soraia.
– Precisando, basta me beijar – e todos riram aliviados.
A floresta abriu-se como um corredor de eucaliptos, desde que eles saíram da caverna onde dormiram.
O cheiro era muito agradável mas, infelizmente não bastava para apagar os sonhos terríveis que atormentavam a mente de Augusto. Ele tentava disfarçar, mas a cada encontro de olhar com Soraia, ele via que ela percebia seus tormentos.
O ar estava carregado, palpável e, a que mais sentia isso era Amy que evitava olhar para Augusto, pois quando o fazia via uma aura translucida o acompanhando e, imediatamente, fechava os olhos e enterrava o rosto no pescoço de Marcus que a abraçava e trocava um olhar cúmplice com Soraia que estava ficando louca com a situação.
Abruptamente, Soraia passou por Augusto e estacou a sua frente, fazendo-o colidir com o seu corpo- mas não caíram- e encararam-se.
– E então, vai me contar o porquê dessa cara? – exigiu ao postar suas mãos naquele peito sólido e, soube de algum jeito paranormal que Augusto iria mentir.
– Nada- mentiu na cara dura.
–– E o sonho de ontem não é...
-Eu já disse – está mentindo - que não é nada –sabia que não iria adiantar nada mentir ou tentar pelo menos, principalmente de Soraia que parecia entrar em sua alma e desnuda-la.
– -Por favor, me conta que sonho é esse que te deixou tão perturbado? Será que não vê como tô preocupada? E a Amy – olhou para a amiga – mal consegue te olhar, por que vê algo te cercando!
– Augusto suspirou e, com sinceridade, pediu desculpa aos amigos pela situação.
– Por que você não se abre conosco? – incitou Marcus ao apertar o ombro do amigo em sinal de apoio.
-Por que não é só um sonho, e, sim uma lembrança que há muito tempo eu não revivia.
– De sua família?
– Principalmente com meu pai e meu irmão. Eu sinto que algo tá pra acontecer, mas não sei o que é.
Augusto caminhou de um lado para o outro aflito e terminou por sentar-se sobre uma pedra, dobrar os joelhos e apoiar os cotovelos ali e esconder o rosto nas mãos.
Soraia parou a sua frente, retirou seu rosto de suas mãos e o trouxe a si –fala comigo, eu estou do seu lado pro que der e vier – mas ele apenas pegou suas mãos e as beijou junto com a frase- vamos deixar pra outra hora – e levantou-se levando-a consigo aos amigos de novo.
Não pense que vou desistir. Se ele é um lobo cabeça dura, eu sou a vampira cabeça dura.
Os amigos seguiram em frente, em busca da mãe de Soraia e, quanto a Amy tinha de ir disfarçando suas expressões já que continuava vendo aquela aura a cercar o amigo.
Ezequiel o lobo dos cabelos ralos e olhos de azeitona que sempre cuidara de Augusto como um irmão mais velho mal conseguia se aguentar de vontade de mandar tudo pro inferno e ir até o grupo e arrasta-los de volta para o acampamento, mas a cada vez que tinha este intenção, Vandressa o impedia com -você sugeriu que os seguíssemos de longe – este longe deveria ser de mais de 2
quilômetros para que o vento não os denunciasse então faça cumprir o seu pedido-lembrou ao olhar de Ezequiel para os demais protetores e de volta a ele que mesmo rosnando permaneceu no lugar. O caminho era longo, mas de onde estavam viam a
cadeia de montanhas e cavernas e, para alívio de Soraia a brisa trazia ás suas narinas o cheiro que, embora fraco, ela reconhecia como sendo o da mãe.
-Deus permita que minha mãe esteja bem – orou em prece ao olhar para o céu celestial acima de suas cabeças.
-Soraia – Augusto lhe pegou o rosto e o virou para si- sua mãe tem o mesmo sangue que corre em suas veias.
-Forte, ousado e destemido – lembrou Amy ao ir até a amiga e abraça-la.
- Mas minha mãe se privou da vampira nela a anos.
-E ninguém é capaz de se privar do seu próprio sangue – rebateu Marcus.
O sol já estava baixo no horizonte, seu brilho alaranjado se infiltrava por entre as montanhas como um lençol na brisa calma.
-Está tudo tão calmo que me assusta – murmurou Soraia com os braços cruzados e os olhos a vaguear pelos arredores como se procurasse algo. Amy estava ao seu lado e concordou- até o vento parece estar morto por aqui – e olhou para os lados como
se algo fosse sair e ataca-los.
Augusto e Marcus vinham lado a lado e vez ou outra espreitavam aqui e ali, pois compartilhavam do sentimento de vigia. E bem faziam eles, afinal olhos se esgueiravam por entre as árvores também em vigia.
Depois de vários minutos de um silêncio gritante ao redor, um toque de celular ecoou. Era o de Soraia que tão concentrada que estava demorou a perceber o toque de seu celular-Shania Twain- em seu bolso e, quando o pegara viu o rosto da tia Malvina.
-Oi, tia?!
-Por que demorou tanto pra atender, menina? -perguntou em tom de preocupação.
-Desculpa, é que o clima a nossa volta não inspira conforto – explicou-se.
Malvina andava de um lado para o outro em frente a sua frente – ainda estava na delegacia e eram quase 8:00 horas -e seu turno estava quase encerrando.
-E então, já encontrou sua mãe?
-Não -disse triste- mas o cheiro de seu sangue já chegou até mim e está cada vez mais forte. Malvina umedeceu os lábios com a ponta da língua e, disfarçadamente enxugou uma lágrima que teimou em rolar por sua bochecha.
-Assim que encontrar, por favor, me ligue.
-Claro- dissera apenas e ambas desligaram.
Malvina estava tão atenta a voz de sua sobrinha para não perder uma palavra sequer, que nem percebera a entrada de Sergio e Sofia na sala.
-Oi, Malvina – Sofia veio ao seu encontro e a abraçou e beijou –a cheia de carinho. Sergio se manteve distante, embora quisesse muito abraça-la e beija- la...mas não na bochecha, então perguntou:
- E então, quais são as notícias? Sua sobrinha achou Katrina?
-Não, mas Soraia disse que falta pouco para acha-la. Eu pedi que assim que acontecer que me ligue.
-Sabe, seu horário já está encerrado –replicou Sergio gesticulando para o relógio em forma de folhas á parede a mostrar 8:00 horas – que tal jantar conosco?
-Por favorzinho – implorou Sofia com um sorrisinho, as mãos em prece e olhar de abandono. Malvina suspirou.
-Eu aceito.
-Uhuuu! - comemorou Sofia. Sergio riu ao pegar a bolsa de Malvina sobre a mesa, deixando ela perplexa quando a empurrou porta á fora.
Maya estava vomitando no banheiro – ela passava a maioria do tempo na casa de Verônica, mas sempre se escondendo dos pais da mesma – e isso vinha acontecendo a alguns dias. Os dois casos.
Verônica estava cansada de repetir a mesma coisa, e agora o fazia de novo - Maya, vá ao médico. Eu posso estar enganada, mas acho que você pode estar grávida.
Maya então saiu do banheiro enxugando o rosto em uma toalha.
-Eu não posso ir ao médico. Esqueceu de tudo o que fiz, a primeira coisa que me aconteceria seria a morte.
-E a segunda coisa, seria você matar a todos –confirmou Verônica ao pegar sua bolsa prateada e prepara-se para sair.
-Onde você vai?- perguntou-lhe Maya.
-Já que você não pode ir a um médico, então vamos recorrer ao bom e velho teste de farmácia.
Maya sorriu em agradecimento e abraçou a amiga-muito obrigado por você existir e estar do meu lado – e sorriram.
- Mesmo sendo contra muitas coisas que você faz, eu te considero demais para te abandonar.
-Agora – se afastaram – me espere aqui, eu já volto – Maya sorriu e Verônica saiu.
Algum tempo depois, Verônica já andava de um lado para o outro em frente a porta do banheiro, ansiosa para que Maya saísse logo.
Maya estava em frente ao espelho, seu sorriso era diabólico ao constatar que, de fato, estava grávida.
Qualquer garota estaria feliz e preocupada, mas Maya estava muito feliz- pena que pelos motivos errados- e preocupação era um sentimento longínquo
-Julio Cesar, você não vai representar nada perto do que o meu filho irá fazer no mundo- murmurou.
-Maya, qual foi o resultado? - ecoou uma voz preocupada e curiosa do outro lado da porta. Maya riu.
Raina e Ivan se hospedaram na casa de Malvina e com toda a tensão do desaparecimento de Katrina,
Raina deitou-se cedo- bem antes do marido- que optou por distrair-se com um filme. Pela expressão de seu rosto-segundos antes tranquilo algo a estava atormentando.
Bem como a Sheila que também se recolhera mais cedo por não estar com seu filho, a saudade levando-a a exaustão.
No instante em que Maya gritou –estou grávida!
Raina e Sheila tiveram um sobressalto em suas casas e rezaram no silêncio do quarto – que Deus nos ajude – pois ela souberam que tempos de crueldade ainda mais sangrentas estavam por vir.
Soraia estava enfraquecendo, ela sentia isso em seus nervos, tendões, veias, mas não entendia o porquê, afinal ela era uma vampira – e não qualquer vampira, mas a Rainha Kaxal.
A cada passo parecia que ia cair em um buraco, seus olhos estavam ardendo e embaçados e seus sentidos fracos.
Amy riu de algo que Marcus dissera a Augusto e, quando olhou para Soraia para compartilhar o sorriso viu uma aura vermelha cruzar pelo corpo da amiga e antes mesmo de conseguir falar para Augusto, Soraia tombou ao chão.
-Amy, você vê algo em Soraia? - perguntou Augusto já com Soraia em seu colo, tentando acorda-la com beijos e lhe chamando.
-Sim, mas mal deu tempo de falar. A sombra cruzou por seu corpo e ela caiu - disse Amy ao tocar o rosto da amiga e chama- la.
Marcus levou seus dedos aos olhos de Soraia e os viu humanos sem o consentimento dela, o que quer dizer que o corpo humano precisa de sangue pra ativar o vampírico.
-Soraia precisa se alimentar – disse convicto.
-E como você sabe? - perguntou Augusto com um tiquinho de ciúme por outro conhecer mais sua Soraia do que ele próprio.
-Por que para nós, vampiros, não é bom sinal nossos olhos voltarem a cor humana sem permitirmos, que é o caso de Soraia.
Augusto abriu os olhos de Soraia - estão negros –constatou.
-A cor dos olhos humanos dela sem ela requisita-los.
-Mas todo vampiro esconde seu olhar de criatura sob o humano – constatou Amy.
-Sim – concordou Marcus – mas abra os olhos dela novamente e fique observando. E assim Amy o fez e todos viram os olhos de Soraia ficarem mudando do negro para o vermelho constantemente .
-O sangue dela está fraco e não sabe qual identidade assumir- demandou ao levantar-se. -
-O que você vai fazer?- perguntou Amy encarando-o.
-Vou procurar algum animal – disse ao ver Augusto abrir e fechar a boca, mas acrescentou- eu vou, pois algo me diz que essa floresta não é nada segura.
-E você ainda quer ir sozinho? - repreendeu Amy.
Marcus agachou-se a sua frente, tocou seu rosto e deu-lhe um beijo breve- não se preocupe, afinal eu sei voar- e transformou-se em morcego antes que o olhar de Amy o fizesse ficar.
-Amy- Augusto a chamou de volta ao presente, pois ela ficara olhando para o morcego que sumia por entre as árvores - ele vai voltar, pelo amor de vocês dois.
-Eu espero, porque, do contrário, eu vou atrás dele e o mato- brincou em tom sério.
Como exímio caçador, minutos depois, Marcus voltara com um 'improviso de prato' - um pedaço de árvore, com certeza ele o 'moldou' com as próprias garras para se parecer com um prato e o encheu de sangue.
Marcus ajoelhou-se ao lado de Soraia e pôs o recipiente em frente ao rosto dela erguido por Amy, para que sentisse o cheiro agridoce, quente e fresco do sangue. Assim que o fez, recobrou aos poucos os sentidos e com a ajuda da amiga e Augusto,
agora, a amparando por trás, bebeu todo o sangue que até escorreu pelas laterais de seus lábios enquanto seus olhos explodiam em deleite. Da vampira para a Rainha e da Rainha – com consentimento –para o humano.
-Melhor?- perguntou Augusto ao limpar com delicadeza, com os próprios dedos, o sangue dos lábios e queixo de Soraia que lhe sorriu
. -Nem mesmo a Rainha tem o privilégio de não precisar de sangue – comentou Marcus ao jogar o recipiente fora.
-Já percebi – brincou ao apoiar-se em Augusto que a puxou contra seu corpo- ambos adoraram e trocaram olhares que Marcus e Amy bem perceberam - só para levanta-la..
- Olhem para trás- recomendou Amy sorrindo e quando fizeram todos sorriram felizes.
-Finalmente, as Cavernas do Norte! - exclamou Augusto cheio de alívio e felicidade.
-Mãe - chorou Soraia saindo dos braços de Augusto e correndo para dentro da primeira caverna,
rezando para que a mãe estivesse ali.
Depois de entrar em quatro cavernas e ver a frustração nos olhos de Soraia, Augusto agora a detinha pela mão em frente a quinta caverna. Será que Soraia não via que ele sofria junto com ela a cada vez que ela não encontrava sua mãe.
-Augusto-Soraia o olhou de canto - é melhor eu entrar logo do que ficar adiando – argumentou. Adiando outra frustração- rebateu.
-Ou talvez o reencontro com minha mãe- e dito isso, ela puxou seu pulso da mão de Augusto e entrou na caverna escura e úmida como as demais, mas uma coisa era diferente nesta - sua esperança.
Uma emoção tão forte tomou conta do coração de Soraia quando ela avistou sua mãe deitada no chão; ela estava tão pálida e mortuária como quando Soraia quando estivera grávida do filho de Julio Cesar – sendo drenada de dentro pra fora – ficando
velhinha e fraca.
Soraia nem percebera que estava chorando, somente quando as lágrimas começaram a cair no rosto da mão algo que ela também não percebera, sua aproximação e a de seus amigos á suas costas-e a mãe praticamente morta em seus braços. -Por favor, alguém me ajude – pediu aos prantos, olhando em especial para Augusto que desmoronou por dentro, e acariciou o rosto frio da mãe.
-Vamos leva-la para a parte mais clara da caverna –dissera Marcus ao aproximar-se e pegar Katrina nos braços, enquanto Augusto para disfarçar suas lágrimas, saiu para procurar madeira para acender uma fogueira.
Amy percebera, mas optou por manter-se calada e abraçar Soraia e seguirem Marcus. E assim que ele colocara o corpo de Katrina sobre uma colcha que Amy trouxera, Soraia correu para o lado da mãe e, sem perder tempo, transformou-se em vampira. A
única que poderia salvar sua mãe.
-Soraia, o que você vai fazer? -perguntou Augusto assim que terminou de acender a fogueira. Soraia o olhou de relance – minha mãe precisa de sangue, mas não tem forças nem para abrir os olhos, que dirá invocar a sua vampira – e olhou para a mãe
novamente.
Marcus olhou nos olhos de Soraia, no relance imediato, soube o que ela pretendia fazer e não gostou.
-Augusto, não deixe Soraia fazer isso, é muito perigoso – implorou em alerta. Augusto arregalou os olhos, mas enquanto pensava em fazer algo, Soraia os alertou nada gentil.
-É bom nenhum dos dois tentar me impedir.
-Marcus, o que Soraia pretende fazer? - perguntou Amy ao encarar todos os olhares hostis, e quando viu Soraia retirar do bolso traseiro de sua calça jeans escura um canudinho clarinho(daqueles de plástico oferecidos em padarias e afins para bebidas) ela entendeu.
-Soraia, você não vai fazer o que estou pensando, vai?
Ela nada disse.
-É claro que vai- irritou-se Marcus, ainda que admirasse o gesto da filha para com a mãe- e isso vai levá-la a exaustão!- e levou as mãos á cintura ao dar de ombros para Soraia.
-Ela não vai fazer nada, por que eu não vou deixar –decretou Augusto nem sabendo o que ela pretendia enquanto ia ao seu encontro, mas só tentou pois Soraia chamou sua Rainha Kaxal e com o seu poder no olhar 'parou' Augusto, ele a encarou
com suspeita, ela o encarou de volta com um meneio de cabeça antes de arremessá-lo de volta para trás e adverti-lo:
-Se tentar vir até mim novamente, vou te arremessar com tudo contra as rochas.
-Está bem – disse magoado e sem nenhum outro olhar a ela, marchou rígido para bem longe da caverna. Mas o peso no coração de ambos ficou descrito em seus olhos.
-Marcus, por favor, vá com ele – pediu Soraia ao fazer seu olhar voltar ao humano com ódio e frustração iguais vistos nos olhos de Augusto, enquanto Marcus assentia e ia atrás do lobo.
-Amy, se quiser ir, tudo bem –disse a amiga ao pegar um canivete pequeno de seu bolso e se preparar física e emocionalmente para o que pretendia.
Amy fora ao seu encontro, ajoelhou-se a seu lado e apertou suas mãos com as suas- somos amigas e amigas enfrentam tudo – Soraia a abraçou e juntas concluíram -juntas.
Miranda estava sentada entre Thiago e Sheila juntos com os demais ao seu redor, ao redor de uma bela fogueira.
Sheila não conseguira dormir depois do pressentimento com Maya, então resolvera despertar seu lado cigana e fazer a simbólica
fogueira de fogo azul e chamou seus 'filhos de alma'(inclui-se também os vampiros).
De repente Miranda que estava rindo de algo que alguém contara calou-se e sua expressão mudou da água para o vinho, literalmente, ao sentir um formigamento no peito e uma pulsação ardida e dolorosa nas veias de seu pulso.
-Miranda, está tudo bem? - perguntou Thiago do seu lado ao perceber a perturbação de coçar seu pulso freneticamente. Então ambos arregalaram os olhos ao verem a ponta dos dedos de Miranda com sangue bem como o seu braço.
-Meu Deus! - gritou Miranda erguendo-se apavorada ao ver mais sangue escorrer por seu braço, deixando todos boquiabertos.
O mesmo sangue que começou a escorrer do braço de Soraia assim que ela o cortou com o canivete para após enfiar o canudinho na veia exposta.
Amy virou o rosto enquanto Soraia fazia o mesmo processo sanguíneo com o braço da mãe, ambas ficando cobertas de sangue.
Sentados na entrada de outra caverna, Marcus e Augusto olhavam a imensidão da floresta e do céu, com os braços apoiados nos joelhos dobrados. E inspiravam no ar o cheiro forte e metálico do sangue fresco de Soraia e Katrina.
-O cheiro de sangue vai atrair aqueles que nos cercam – comentou Augusto ao estreitar os olhos em direção a floresta ao ver os olhos noturnos por ali.
-Mas não é isso o que te preocupa - arriscou Marcus ao encara-lo, mas Augusto desviou o olhar-admita, senão para mim, para si mesmo- aconselhou. Augusto suspirou.
-São as atitudes de Soraia que me deixam preocupado.
-Mas a pergunta é -você não faria o mesmo por sua mãe? E será que Soraia também não sentira a mesma angústia que você sente agora?
Não houve resposta e nem mais perguntas, apenas seus olhares fixos na imensidão negra estrelada do céu.
Uma nova Katrina foi surgindo, literalmente. As várias rugas que adquirira, principalmente na face foram se preenchendo e sumindo, deixando uma pele lisa e radiante; o cabelo acinzentado tornou-se negro e brilhante e o corpo magro pela falta dos
minerais presentes no sangue tornou-se curvilíneo novamente. Quem não estava nada saudável agora era Soraia e isso Amy percebeu assim que encarou sua amiga enfraquecida, em todos os sentidos,
-Pelo amor de Deus, Soraia, para! - gritou Amy ao tocar a pele já enrugada de Soraia e os cabelos não tão mais brilhantes assim, com lágrimas ardendo em seus olhos aflitos.
-Ainda não - murmurou fracamente.
Thiago a pedido de Sheila que os seguia, levava Miranda para a tenda. Sheila já trocara a faixa do pulso dela pela segunda vez e está já encontrava-se empapada de sangue.
-O que será que está acontecendo com Soraia? -perguntava-se Thiago ao trazer uma bacia com água para perto de Sheila que mergulhou o pulso de Miranda ali.
-Eu não sei – disse Miranda num fio de voz, a água da bacia já vermelha e, então ela tombou na escuridão.
-Miranda!
-Soraia, para!
Gritaram Thiago e Amy em situações opostas; ele acarinhou os cabelos de Miranda; Amy apavorada ecoou sua voz, mediante a teimosia da amiga, que chegou a Augusto e Marcus que se levantaram, entreolhando-se ao sussurrarem – Soraia. Amy – e
correram para a caverna. Quando chegaram ao interior da caverna a cena os paralisou – Katrina ainda desacordada e coberta de sangue, bem como Amy com Soraia desmaiada em seus braços com as roupas e um pouco da pele também coberta de
sangue.
-Deus! - exclamou Augusto ao correr e ajoelhar-se junto com Marcus ao lado das garotas e, ao contrário de Amy, Augusto precisou retirar os canudinhos da veia de Soraia e de Katrina
Thiago também estava preocupado e dava tapinhas no rosto de Miranda, tentando reanima-la em seu colo. Então, do nada, Miranda dera um suspiro e acordou como se estivesse dormindo a dias.
Thiago riu e beijou-lhe a boca, apressado entre suspiros.
Sheila suspirou de alívio, pois já estava com uma pilha de toalhas ensanguentadas a seus pés.
-O que aconteceu com você? -perguntou Thiago ao descolar seus lábios dos dela, que acariciou seu rosto, e ele beijou-lhe a mão.
-Está sentindo algo, querida? -perguntou Sheila e ambas encararam o tanto de sangue seco em seu braço. Miranda meneou a cabeça.
-Não é comigo o problema, é com Soraia – disse ao olhar aflita para Sheila que levou a mão ao coração como se sentisse a preocupação e angústia que Augusto sentia ao pegar Soraia em seus braços e acomoda-la em uma colcha desacordada. Assim
como Miranda, Katrina dera um suspiro profundo e acordou totalmente recuperada e sorriu para Amy e Marcus que estavam sobre seu rosto. Mas algo no semblante dos dois também a preocupou.
-Amy, onde está minha filha?
Amy passou a língua pelos lábios secos e olhou para Marcus em pé a seu lado com as mãos em seus ombros e, sem saber o quê ou como deveriam falar apenas olharam para o lado e, então Katrina que acompanhou os olhares, viu um Augusto curvado,
acariciando o rosto... de sua filha desacordada e muito fraca.
-Soraia! - gritou e, de gatinho fora até a filha, lágrimas pingando no chão e temendo o pior.
Katrina pegou as mãos gélidas e enrugadas da filha entre as suas e as esfregou e beijou-as, bem como a sua testa e bochechas, enquanto Augusto acariciava o cabelo grisalho de Soraia.
Lentamente, Soraia abriu os olhos de vampira que se transformaram em humanas e sussurrou - mãe - e ambas se abraçaram fortemente, enquanto os demais comemoravam.
-Agora você pode beijar a minha filha - gracejou Katrina ao afastar-se de Soraia á Augusto que o fez com prazer e paixão. Marcus riu junto com Amy e beijou-lhe o topo da cabeça e recebeu afagos nas costas.
O dia estava amanhecendo, os primeiros raios de sol se infiltravam na caverna, mas somente um brilho tênue chegava até Soraia e Augusto abraçados , de conchinha, em um canto; Marcus com Amy em seu peito recebendo carinhos nas costas e Katrina em posição fetal bem pertinho das cinzas da fogueira que dava um calorzinho ao ambiente. Havia o 'porém', Soraia não dormiu sem
antes ligar para Malvina e a deixar falar com Katrina e o mesmo aconteceu com Amy e a mãe e Augusto com Sheila que contou o episódio com Miranda que quis falar com Soraia.
Sonolentos foram abrindo os olhos, se espreguiçando e se levantando, menos Soraia que ao levantar-se, tonteou, mas por sorte, Augusto estava ao seu lado e a amparou e ajudou-a a sentar-se no chão novamente. -Eu estou tão tonta que nem consigo me manter em pé - admitiu. Você não vai conseguir sair daqui sem repor, ao menos, um pouco do sangue que dera a sua mãe - disse
Marcus ao vestir sua jaqueta de couro.
-Dessa vez, eu irei atrás de sangue –informou Augusto ao entregar Soraia aos cuidados da mãe.
Uma voz familiar, até agora sem rosto, surgiu e dissera - não será necessário- e quando todos olharam para a entrada da caverna – com exceção de Soraia – todos ficaram boquiabertos ao verem Ezequiel com uma garrafinha de sangue junto com os protetores.
Augusto cruzou os braços - evidenciando seus belos músculos - e chispou os olhos em direção a Ezequiel que limpou a garganta ao gracejar:
-Corro riscos se me aproximar de Soraia?
-Por que demoraram tanto para aparecerem? -perguntou Soraia assim que recebeu a garrafinha das mãos de Ezequiel e dera um gole que se deliciou.
-Você nos sentiu? - perguntou Lavínia encarando Soraia que lhes sorriu orgulhosa de tê-los descobertos.
-O tempo todo.
-E por que não nos disse nada? - inquiriu Augusto um pouquinho bravo.
-Porque – ela levantou-se já com mais equilíbrio você os teria mandado embora e, eu temi, e ainda temo que algo nos ronda por entre as árvores.
Augusto levou as mãos a cintura, depois ao rosto, bufou, mas nada falou.
-Eu também sinto algo nos espreitando e, seja lá o que for é bem forte – emendou Ezequiel.
-Então eu sugiro irmos embora –concluiu Caio já saindo e Marcus ia ao seu lado com os demais seguindo-os com um grupo de elite.
Bruxelas, Bélgica 6 anos atrás
Floresta de Ardenas
A floresta estava em chamas, lobos de pelagens variadas corriam por todos os lados, uivando para a lua protetora que mandava seu brilho por entre os galhos consumidos ou sendo consumidos pelo fogo. Risadas malignas ecoavam no ar ao verem o desespero dos lobos, muitos se arriscavam a tentar atravessar as chamas e acabavam sendo consumidos por elas, provocando ainda mais risadas dos exterminadores. Só um entre todos permanecia rígido, impenetrável, em seu olhar de aço e se sentindo um Deus de olho em seu traje de borracha reforçada com aço ao fazer sinal de cruz e beijar seu crucifixo de ouro branco como se sentisse pena dos lobos em chamas e outros já mortos.
Seu nome: Todos o chamam de Isca, por que é sempre ele a armar as armadilhas e ficar de Isca, mas seu verdadeiro nome ninguém sabe e/ou ousa dizer.
Dias atuais
Um trailer cercado por rangers rovers e motos, ambos cromados e nas cores pretas a frente, atrás e de ambos os lados como se fosse o presidente em comitiva pelas ruas ou melhor, por uma estrada cercada por uma cadeia de montanhas de um lado
e do outro um paredão de milharal. Ao horizonte atrás da tempestade anterior fora deixada e uma cidade surgia á frente: Lacrimal city. Sim, os exterminadores a pedido de uma voz ainda sem rosto, estão vindo a esta cidade.
Uma batalha está por vir e até a guerra final chegar muito sangue humano e sobrenatural irá rolar pelas ruas. Isso claro nos olhos negros de Isca que está no banco ao lado do motorista, cruel e impassível, de postura ereta.
Londres, Inglaterra
Depois de todo o clima tenso na casa dos pais de Joss, principalmente pelo jeito como o pai a tratara e a dispensara só restara a Joss juntar suas roupas e objetos pessoais, engolir a dor, despedir-se da mãe e do irmão que aceitaram seu abraço e sair de
casa .Definitivamente.
Na janela do andar de cima, seu pai – um pai de coração duro, mas partido-olhava a filha ir embora, esfregava os olhos furiosamente para impedir que lágrimas tão teimosas quanto ele rolassem por seu rosto. Joss deixou as lágrimas caírem por suas
bochechas livres como as da mãe que a abraçava como se nunca mais fosse vê-la novamente. E talvez estivesse certa. Leonel estava a duas esquinas da casa, escondido nas sombras de um beco e sentia a mágoa de Joss apertar seu coração, como outrora ocorrera consigo, e a vontade que tinha era de ir até seu pai, falar-lhe umas boas verdades e bater com sua cabeça contra uma parede para ver se ele enxergava a burrada que estava cometendo com a filha. Mas se conteve, pois sabia que ao fazer isso causaria mais mágoas em Joss e voltadas para si também.
-Será que algum dia nossa menininha vai voltar? -perguntou-se a mãe aflita e chorosa abraçada ao filho que lhe afagava os braços, ambos á porta –espero que sim, mãe - respondeu ele com lágrimas contidas em seus olhos – e viram Joss caminhar vagarosamente pela calçada até sumir na esquina.
Joss já estava passando pelo beco quando uma voz que ela ansiava ouvir, ainda que não admitisse, a chamou e, sem hesitar, ela largou as bolsas no chão e correu para os braços da única pessoa que poderia entender a dor de deixar a família para trás e iniciar outra vida com outras pessoas.
Leonel a abraçou e deixou ela chorar até esvaziar todo o pote de carga emocional sentido nas camadas mais profundas de seu coração. E depois que isso aconteceu, Leonel a largou, deu-lhe um beijo breve, pegou suas bolsas do chão e seguiram para a casa. Sua nova casa.
Na cama, Leonel estava com Joss sob seu peito, estendida metade do corpo sob o seu, mas lembranças começaram a atormentar o sono de Leonel. Lembranças a muito tempo enterradas nos recônditos de sua mente e que agora vieram á tona.
'Leonel e Augusto ainda crianças correndo pelas florestas de Valência como se nada os pudesse deter. Ora seu irmão o ultrapassava e o empurrava, ora ele o fazia, e ambos riam'
'Anos mais tarde, já adolescentes, os dois passariam pela primeira transformação natural- a transformação de sangue – algo que o pai os preparara desde os 10 anos.
Já que a primeira transformação ocorre aos 12 anos, na noite de lua cheia dos lobisomens conhecida como noite de lua vermelha.
As 22:00 horas se aproximava era o ponto máximo da lua. Os irmãos já sentiam a tensão e a curiosidade, bem como os demais garotos que também passariam pela experiência. Um nó no estômago e suor nas mãos era o
que antecedia o lobisomem. E quando o relógio da catedral badalou dez vezes e a lua atingiu seu auge percorrendo com seu brilho a floresta inteira a transformação começou.
Uma dor incomensurável percorreu os nervos dos garotos fazendo-os ficar de joelhos no chão, enquanto seus ossos e cartilagens começavam a se alongar bem como seus rostos; pelos e cabelos trocavam de cor.
Uma 'coceira' instalou-se em seus corpos e ao passarem a mão estas já estavam maiores e com dedos longos e garras,
os pelos grossos começaram a nascer.
A lua fora coberta por nuvens e o pouco brilho que alcançava a floresta via- se o nascer dos lobisomens através de suas enormes sombras e, quando as nuvens sumiram, os seres uivaram prolongadamente e correram. Livres.
Leonel começou a suar frio e isso acabou por despertar Joss que sentiu seu coração acelerar num ritmo frenético.
-Leonel? - chamou-o ao tocar seu rosto febril e assustada sacudiu-o
Leonel corria por uma floresta, estava tão irritado que uivava e rasgava as árvores com suas garras.
Augusto o seguia e uivava baixinho como se estivesse a lhe pedir desculpas por ter atraído a atenção da loba que o irmão desejava. Mas fora sem intenção, droga.
-Maldito! - esbravejou Leonel ao acordar num rompante e, sem perceber – Joss gritou- e ele a agarrou pelos braços e com raiva lhe mordeu o pescoço.
-Leonel, não! - pediu ela tentando se soltar e só quando Leonel sentiu o sangue de Joss quente em sua boca – e não o do irmão como sonhara - é que percebera o erro e a soltou de imediato.
Joss afastou-se
– Leonel tentou aproximar-se, pedindo desculpas, mas quanto mais o fazia, mais Joss se afastava.
Leonel com os olhos cheios de lágrimas e a boca a escorrer sangue pedia desculpas a Joss, e sem pensar, jogou-se pela janela aberta tendo por última visão o olhar confuso e amedrontado de Joss e na queda transformou-se em lobo para sumir na noite.
Joss encostada a parede com a mão no pescoço, mas já sem ferimento, apenas com o sangue seco, deixou-se escorregar ao chão chorando ´por ela e por Leonel.
Em uma das muitas florestas de Lacrimal city, sentados ao redor de um lago, jogando pedrinhas que quicavam na água antes de afundar, estão os lobos do novo bando de Lucas e Lucian(mais cheios de segredos do que nunca), estes estão sentados sobre o tronco de uma árvore, distanciados dos outros, a conversar.
-E então, o que vamos fazer agora que conseguimos entrar de novo em Lacrimal city? - perguntou Lucas com as mãos por trás da cabeça- a pose evidenciando seus músculos bem maiores e até o abdome sarado exposto por falta de uma camisa, á sua frente seu irmão com os braços descansando sobre os joelhos dobrados, que o olhou com o seu único olho- uma cortesia de Augusto.
-Vou fazer aquele lobo desgraçado pagar por isso –rosnou apontando para o tapa-olho que cobria o buraco sangrento onde outrora houvera um olho.
-Vai enfrentá-lo de peito aberto para perder o outro olho?
-Claro que não. Assim não tem graça. Quero vê-lo desesperado, e quando o estiver, serei sua misericórdia - riu.
-Você será louco o suficiente para enfrentar Soraia?
-Não falo de Soraia, seu idiota. A mãe de Augusto servira mais do que aquela bruxa.
-E você se esquece de que vai ter de passar não só pela matilha dos lobisomens mas como também pelo clã dos vampiros – lembrou-o, mas ele riu.
-Armadilhas servem para isso, meu irmão.
Armadilhas – e com isso a conversa encerrou.
O dia se passou 'normal' para os acontecimentos de uma cidade habitada por humanos, lobisomens e vampiros em guerras uns contra os outros e entre si mesmos.
Os exterminadores já estão instalados em uma sede do governo em Lacrimal city, mas até agora ninguém os viu, apenas ouviu falar de carros, motos e um trailer estranhos na cidade. Afinal a pessoa que os chamou pediu sigilo, pois o momento de suas aparições já estava próximo de acontecer.
Os três lobos que a polícia prendera estão indignados, pois nos constantes interrogatórios são tratados como cães de rua e estão ficando cansados disso(e isso não é nada bom). Mas se Lucas e Lucian não derem um jeito de tirarem-nos dali – pois qualquer movimento deles é monitorado e se tentarem algo, os jatos liberaram pó puro de prata.
O que ainda não sabiam é que Lucas e Lucian já planejavam o resgate e, assim mostrariam a todos a que vieram( e se transformaram).
No acampamento desde o episódio com Miranda que Sheila ligara para Augusto e contara tudo, ela exigiu que ele lhe ligasse ao menos três vezes ao dia lhe informando tudo.
Nesse momento, passado um pouco das três da tarde, eles se falavam, mas até agora nada acontecera. Mas estava para acontecer, pois assim que Sheila guardara o celular uma Miranda muito eufórica trazia pela mão uma Leticia muito constrangida – por que essas caras?- perguntara.
-O que a senhora vê de diferente em Leticia? -questionou Miranda ao empurrar Leticia á frente para ser observada como um rato de laboratório. Fora o fato dela ser uma vampira agora? E muito constrangida por sinal.
-Sim.
-Normal, não?
Miranda suspirou.
-A senhora acha normal uma vampira recém-criada sair á luz do sol sem isso – e virou Leticia de costas para Sheila e afastar-lhe o cabelo da nuca.
-Menina, onde está sua partícula de ouro? -perguntou Sheila boquiaberta ao tocar-lhe a nuca –e como veio até mim sem se queimar?
-Eu não tenho nada de ouro –disse ao virar-se e arrancar seus cabelos das mãos de Miranda com indignação - e vim até a senhora puxada como um cavalo – olhou feio para Miranda que cruzou os braços.
Sheila riu.
-Ao que vejo, Leticia tornou-se imune ao sol.
-Mas como? - perguntou Miranda cheia de curiosidade.
-Eu acho que conheço alguém que pode nos dar respostas á respeito disso- concluiu ao pegar novamente o celular, discar alguns números, levá-lo a sua orelha e esperar alguém atender. Malvina mal havia guardado seu celular no bolso de sua jaqueta
após uma conversa com Soraia e Katrina quando ele tocara novamente.
-Alô?
Ah, Dona Sheila a mãe de Augusto, quem diria?
Uma pausa longa enquanto Sheila lhe relatava algo.
-Claro que posso ajudar, basta que me envie uma amostra do sangue dessa menina, pois eu sei de alguém que entende muito de sangue licantropo e vampiríco.
-Me agradeça depois de tiver suas respostas. Até logo.
Duas garotas curiosas e preocupadas pelo que ouviram, encaravam Sheila que guardava o celular.
-E? -questionou Miranda tensa.
-Malvina para a nossa sorte conhece alguém que parece entender bastante de tudo relacionado a sangue humano e sobrenatural. Basta que eu envie uma amostra do sangue de Leticia.
-E a senhora tem como fazer isso?
Sheila sorriu satisfeita e vendo sua expressão,
Miranda também sorriu e deu uma debochadinha.
-Vai ser só uma picadinha.
Leticia fez um biquinho e estreitou os olhos para Miranda que riu, pois era o que os médicos diziam as crianças para acalma-las.
Desde que mordera Joss, sem intenção, refugiara-se na torre do relógio e ali permaneceu, olhando a cidade com olhos perdidos. Pois Joss era a única visão permanente em sua cabeça. E ele culpava as malditas lembranças que há muito tempo haviam morrido em sua vida e justo agora tinham de voltar para atormenta- lo e fazê-lo machucar a única pessoa que não queria que isso acontecesse. Seu celular no bolso da calça tocou e ao olhar viu que era Joss – depois de 20 ligações e muitas mensagens, ambas sem retorno, ela continuava insistindo.
-Por que você deixou isso acontecer? - perguntou á lua linda no céu.
Raina e Malvina conversavam pelo celular, só que ao contrário de Raína que havia saído para jantar com o marido e já voltaram.
Malvina continuava na delegacia á espera do resultado dos exames de sangue de Leticia, que Sheila havia enviado mais cedo.
-Minha intuição me diz que Lacrimal city vai reviver a época dos massacres, minha irmã, e ao centro de tudo vai estar Soraia – disse Raina falando da cozinha a beber um copo de água com cubos de gelo e sangue obviamente.
-Parece que desde que Soraia envolveu-se com Julio Cesar tudo está girando em torno dela. E se esses massacres vierem a acontecer, é ela quem vai ser a peça chave- concluiu Malvina no corredor bem movimentado até, levando em conta do horário.
- Ainda bem que Augusto parece disposto a dar a vida por Soraia.
-Eu já percebi isso também e, se Deus permitir, isso vai perdurar por anos.Então ambas se despediram com beijos e guardaram os celulares. Investigadora, eu já tenho as respostas que pediu – informou a Doutora Elena ao sair á porta e chamar-lhe.
-Então quer dizer que as partículas de ouro estão concentradas na corrente sanguínea da Letícia e, quando um humano que fora batizado com a água da cachoeira, o vampiro também torna-se imune ao sol –afirmou Malvina com os exames em mãos a lê-los.
-Não há melhores palavras para descrevê-los –elogiou Elena. Malvina suspirou.
-Agora entendo a preocupação de Raína –murmurou.
-Em relação a quê? - perguntou Elena curiosa ao servir-se de um copo de café e oferecer outro a Malvina que agradeceu.
-Por acaso você já leu a respeito de massacres entre clãs em Lacrimal city há muitas décadas atrás?-perguntou-lhe
-Já li a respeito, mas somente a pouco tempo descobri que se tratavam de lutas violentas entre clãs de lobos e vampiros por poder.
-Exatamente – Malvina dera um gole em seu café -minha irmã Raína é intuitiva demais com relação a pressentimentos ruins, e pelo que ela me contou, talvez Lacrimal city venha a se tornar um campo de guerra dos clãs novamente. - finalizou.
Elena suspirou.
-Então os livros de história no futuro terão suas páginas escritas com sangue – concluiu ao bebericar seu café, bem como Malvina e trocaram olhares apreensivos.
O dia estava próximo do amanhecer e a primeira coisa que aconteceu foi o ataque do bando de Lucas e Lucian á nova instalação da delegacia mais uma vez.
O sol estava recém enviando seus primeiros raios sobre a cidade, mas ainda todos sentiam o friozinho gostoso da madrugada.
O novo departamento era cercado por telas de alta tensão farpadas, câmeras e seguranças bem armados contra vampiros, já contra lobos...ainda não. Só que eles não esperavam que os lobos viriam por todos os lados, rasgando as telas com suas garras como estas fossem papel e os seguranças mal tiveram tempo para atirar pois foram decepados antes que erguessem suas armas. Os três lobos
presos e sob vigilância constante já estavam apreensivos, pois podiam sentir o cheiro dos companheiros.
- Está acontecendo alguma coisa –murmurou um policial que cuidava das câmeras para o companheiro ao ver os três lobos...gargalhando.
Nesse momento a porta da sala fora arremessada contra a parede, deixando os policiais de olhos arregalados, então um garoto – um lobisomem á julgar pelos olhos amarelos – apareceu á porta e disse - vocês estão absolutamente certo senão surgiu ás suas costas três lobos negros salivando, adentrando a sala, os policias começaram a atirar, mas foram estraçalhados, bem como os outros ali.
O prédio estava ás escuras, somente o brilho dos tiros e os olhos dos lobos é que surgiam junto a gritos, rosnados e os arranhados das garras nas paredes.
Em um dos corredores o brilho de quatro pares de olhos amarelos surgira e pararam em frente a cela dos três lobos ansiosos para saírem. E no justo momento que um dos lobos destruiu as barras da cela, vários alarmes começaram a disparar e jogar no ar o pó de prata. Vários lobos começaram a correr e uivar desesperados enquanto outros eram consumidos pelo mesmo. Lucas e Lucian –
privilegiados –voltaram a forma humana e, após transformaram-se novamente, afinal a situação exigiu. Era hora da matança, uma a qual eles adoraram terminaram, pois quanto mais policiais vinham, mais eles matavam, mais adoravam.
Com a matança completa o silêncio reinou, só o que não se esperava é que uma policial havia se escondido num dos banheiros –e com ajuda divina –conseguiu manter-se viva. Agora caminhava cambaleante, machucada e nauseada por entre o que sobrar dos seus companheiros. Com lágrimas lhe nublando os olhos e trêmula, conseguiu discar o número do celular do delegado Sergio que o mandou voltar para o banheiro e ficar lá até que os outros policiais chegassem, e ele já estava á caminho.
A cidade acordou com o barulho das sirenes dos carros da polícia e de várias ambulâncias e não demorou muito para a notícia virar destaque na tv, imprensa local e internacional, internet e todas as demais fontes de informação.
Sergio e Malvina já estavam na delegacia a algum tempo e já haviam caminhado por vários corredores e a única coisa que seus olhos - não muito chocados por tudo o que já haviam vistos –eram vidas espedaçadas, literalmente, por todos os lados e sangue pintando paredes, tetos, chão, móveis e monitores.
-Minha irmã está coberta de razão-murmurou Malvina agachada ao lado de um dos muitos corpos a verificar o pouco da garganta que sobrara.
-Á respeito de quê? - perguntou Sergio ao estender um lenço a Malvina para que limpasse os dedos sujos com sangue.
-Uma guerra está vindo para Lacrimal city –
levantou-se e jogou um lenço na cesta de lixo – e o princípio dela já está se manifestando.
Sergio suspirou exasperadamente ao passar as mãos nervosas por seu rosto-Malvina, se isso vier a acontecer, nós vamos precisar estar prontos, em todos os sentidos. Mas não temos nem sequer armas para matar lobisomens!
-Acalme-se – Malvina pegou-lhe os ombros e o encarou firme – mantenha a compostura delegado Sergio, se você se desesperar, o que será daqueles que tem fé em você?
A tensão pairava no ar junto ao cheiro de morte, mas Sergio fechou os olhos e respirou fundo, mesmo inalando aquele cheiro horrível.
-Você tem razão - abriu os olhos já calmos e determinados – me desculpe.
Malvina sorriu-lhe e assentiu em concordância. -E quanto a armas, eu sugiro que não se preocupe, eu sei a quem recorrer – dissera.
-Graças a Deus, nós já estamos quase em casa –celebrou Amy tentando iniciar uma conversa, afinal depois que saíram da caverna todos pareciam estranhos compartilhando uma caminhada e nada mais.
-Que droga, dá pra vocês calarem a boca! - gritou Amy em desespero infantil, tentando chamar a atenção de todos e para seu alívio eles a olharam, embora a vissem como uma louca.
- Está bem, não precisa deixarem explícito que me acham louca- defendeu-se–sem muita vontade-e viu-os esconderem os risos.
-Sério?-debochou Augusto erguendo a sobrancelha.
-É que esse silêncio me deixa nervosa – gesticulou com as mãos- afinal, estamos indo para casa e não para um velório.
-Amy tem toda razão -apoiou Katrina com um braço dando apoio a Soraia que sorriu a amiga.
Com certeza a gatinha nervosa tem razão - dissera uma voz estranha bem próxima a eles, pois estiveram tão atentos a Amy que por um segundo esqueceram-se da vigia.
Agora todos se encaravam, e a julgar pelo cheiro que sentiam dos visitantes tratavam-se de lobos, mas com um quê a mais em seu sangue.
O líder estava á frente – o dono da voz – um 'armário' em altura e músculos e pura arrogância em sua postura quanto no olhar azul celeste. Amy dirigiu-se até Marcus que a protegeu com seu corpo, bem como Soraia e Katrina foram protegidas por Augusto, enquanto Ezequiel e os protetores ficavam ao redor.
-Pelo visto ela não é a única gata –dissera outro um pouco mais baixo, mas não menos arrogante em seu olhar fixo e lascivo em direção a Soraia.
Augusto rangeu os dentes de ciúme, a tensão percorrera seu corpo bem como a vontade de brigar, e tudo isso Soraia sentia emanar dos músculos flexionados e pulsos cerrados de seu lobo.
-Se você pensar em chegar perto dela – rosnou ao transformar suas unhas em garras de aço- eu te rasgo inteiro.
-Poderia te dizer a mesma coisa, mas no momento a única coisa que quero rasgar é as roupas de gata ai - e louco para avançar em Soraia, ele foi com tudo, mas Augusto transformou-se em lobisomem, fazendo-o fazer o mesmo e se atacaram.
Com isso, Soraia, Katrina e Amy se afastaram enquanto os protetores e Marcus se engalfinhavam com os lobos. Lavínia fora encurralada por dois lobos –ainda na forma humana que iam se aproximando, e ela se afastando com o seu cajado de ouro branco trabalhado em mãos
. -E então, gata, o que vai ser? - perguntou um deles.
-Já vou te dizer – e os atacou com o cajado.
O primeiro tentou arranca-lo de sua mão, mas ela lhe dera um golpe na barriga e quando abaixou-se, recebeu outro no queixo que o fez bambear. Então o outro lobo a pegou pelo pescoço ferido e a jogou contra uma árvore.
Lavínia levou a mão ao pescoço machucado pelas garras do lobo, e rosnou furiosa ao ver seu sangue em sua mão - isso não vai ficar assim – murmurou ao dar uma sacudida no cabelo, levantar-se e esperar pelo ataque do lobo novamente. Ela não
era uma protetora iniciante, e isso ele iria descobrir.
Bem como ela esperou, o lobo a atacou, mas mais dois vieram atrás, então ela teve de improvisar um segundo plano.
-Quanta covardia- murmurou, eles salivaram, e quando se jogaram sobre ela...
Lavínia apertou um botãozinho escondido em seu cajado, transformando-o num belíssimo e afiado sabre e, com golpes espetaculares cortou a mão de um lobo que caiu de joelhos ao chão, urrando de dor e raiva ao ver sua mão decepada, então ela lhe
dera seu golpe de misericórdia.
Do outro ela arrancou a cabeça, e o terceiro teve o peito fatiado e o coração arrancado entre gritos estridentes e jorros de sangue.
-Vocês mexeram com a gata errada- vangloriou-se e ao sentir o sangue escorrer por seu pescoço em certa quantidade, a fraqueza a fez tombar ao chão.
-Lavínia! - gritou Lucius ao enfiar seu sabre no estômago de um lobo, atravessando-o para o outro lado, só para puxa-lo de volta e lhe decepar a cabeça. Então começou a vir ao encontro de Lavínia e no caminho arrancou a cabeça de mais dois lobos. E ao chegar a companheira, esta amparada por Amy e Katrina.
Soraia no momento estava ocupada com um lobisomem que havia se jogado sobre si, e ele era tão pesado que ela mal conseguia se mexer, mas pelo menos conseguia manter sua bocarra furiosa longe de seu rosto. Mas como ainda estava um pouco fraca, não conseguia usar o poder de seus olhos.
Augusto tentara ir salva-la, mas o lobo que ele havia acabado de lhe cortar a garganta, conseguira reforços de dois lobos. Um deles conseguira imobiliza-lo por trás, enquanto o outro lhe rasgava a barriga e o peito.
Mas que droga, eu sou o Alfa! - pensou indignado ao fazer seus olhos pegarem fogo. Então Augusto rasgou a lateral da barriga do lobo que o imobilizara e arrancar-lhes os órgãos internos seguido pelo grito de agonia do rival. O outro o olhou espantado e
tentou lhe dar um golpe, mas Augusto lhe agarrou os braços e os arrancou.
O uivo de intensa dor reverberou pela floresta, enquanto todos os olhares se voltavam para a cena. Augusto sem pressa, pegou a cabeça do lobo e, com frieza a arrancou, espirrando sangue para o seu pelo e ao chão.
O lobo negro uivou em sinal de ordem e seu olhar de fogo concentrou-se em Soraia, que ainda estava embaixo do lobo com o focinho ferido por suas unhas, bem como os ombros, braços e cintura de Soraia pelas garras do lobo.
Augusto foi se aproximando dos dois como um leão furioso fixo em sua presa, rondando em silêncio mortal.
Soraia sentia a fúria emanar de Augusto, assim como a do lobo em cima de seu corpo que rosnava e salivava, mas não tinha coragem o suficiente para encarar o olhar de Augusto.
Num momento tudo congelou e noutro Augusto saltou sobre o lobo que uivou e rosnou quando Augusto abocanhou seu pescoço com sua bocarra e o arremessou para o meio dos outros que se afastaram.
-Eu mandei você sair de cima dela- rosnou no momento que voltava a forma humana e limpou o sangue dos lábios com a mão que limpara na calça para poder estendê-la a Soraia que a pegou e levantou-se. Seus companheiros já estavam ás suas costas prontos para mais uma 'rodada' e o lobo humilhado parecia querer revanche. Ele levantou-se, passou as garras no pescoço ferido e
após lambeu o sangue das mesmas.
Enfurecido uivou e junto com alguns outros correram em direção a Augusto, principalmente. Mas Soraia tomou a frente e os lobos colidiram com uma muralha de energia do seu olhar e, com um leve meneou de sua cabeça os arremessou ao chão.
Ganidos e rosnados se misturaram no ar junto ao cheiro de sangue e fúria pela nova humilhação sofrida.
- Você - isto ao 'armário' que os atacara no princípio, voltou a forma humana e apontou o dedo para Soraia - é a vadia que matou Julio Cesar, então - ele ouvira muito falarem da tal garota que matou o Conde arrancando o coração dele e, ainda, ganhou o apoio e respeito de muitos lobos, vampiros e até humanos.
Augusto chegara a dar um passo á frente para ensinar ao lobo como respeitar uma mulher, principalmente, a sua mulher. Mas Soraia o deteve com um toque em seu braço e quando o encarou teve seu olhar -não vale a pena.
-Se sabe quem eu sou, sabe também que eu posso fazer bem mais – advertiu ao estender sua mão, e só com este gesto muitos recuaram, mas o 'armário' sorriu e não se moveu.
-Nós só queremos ir pra casa –disse Amy depois de ter usado bem mais energia do que supusera precisar nos ferimentos tanto de Vandressa quanto nos de Lavínia e Caio.
Em outra ocasião, eu os faria lutar até a morte –declarou, e isso deixou todos tensos e de olhos estreitos –mas só por ela – apontou para Soraia novamente – e o fato de ter matado aquele desgraçado, vocês tem passagem livre – e abriu caminho com a mão.
- Cautelosos, mas prontos para se defenderem se preciso fosse, Soraia, Katrina e Augusto foram os primeiros seguidos por Amy, Marcus e os demais de olhos atentos.
Isso não termina aqui –pensou Augusto e muitos outros ali.