Série Legados Eternos
Lobisomem O Sucessor
Copyright by Alexa Valentina
2023
Prólogo
Clãs malditos
O adeus dos heróis
Pelo sangue..
Prisioneiros
A luz da Guardiã
A lua cheia chama vingança
A primeira bala de prata a gente nunca esquece
Quando o passado ameaça voltar
O despertar da Guardiã
A menina dos olhos brancos
A verdade por trás das mentiras
Pelo bem de uma filha...
Se luta...
Se sangra...
O filho do crepúsculo
O amor fala mais alto
Pelo sangue de meus inimigos
Quem sai aos seus, degenera?
Vivo por ela...salvem ela!
União entre demônios
Revelações
Que caiam as máscaras
Sangue, suor e lágrimas
O primeiro herdeiro Ankara
A vingança ainda corre em suas veias
O despertar da híbrida
A vingança das Grandes
Parte 1 Velaska
Parte 2 Isca
Quem te guarda
Desaparecidos
Os Anciões vampiros
Não desistindo, sempre lutando, algumas vezes caindo, mas
sempre levantando.
''Somente por isso, na morte desafogo a ira que se acumula em meu coração.
Ele separa tanto nossas vidas que não conseguimos ouvir o que um diz ao outro.''
Alfred, Lord Tennyson
Prólogo
Paris, França Arco do Triunfo
O acelerar das motos confundia-se com as batidas de um heavy metal acima dos barulhos corriqueiros da cidade, sendo que já passava das 22:00 horas de uma noite estrelada.
As rampas curvadas já se encontravam posicionadas de um prédio ao outro , afinal a competição de motos era no tradicional Arco do Triunfo, e a cada ano, mais e mais pessoas se amontoavam no térreo e nas passarelas montadas em aço ao redor dos prédios em busca do melhor ângulo, bem como os helicópteros para a transmissão ao vivo. Mas quem quer ver pela televisão ou outros meios de comunicação quando se pode estar lá, não é mesmo.
Falando em estar lá, os acompanhantes dos competidores, sendo estes homens ou mulheres, estavam apostos em uma fileira de mais ou menos vinte motoqueiros acelerando com os olhos atentos sob o capacete ao outro prédio. Dentre eles, encontrava-se Gabriel com seu macacão apropriado, na cor preto com o logotipo da empresa patrocinadora do evento, bem como seu companheiro já que cada equipe tem uma dupla, caso algum seja desclassificado ou ocorra algum acidente. E cada dupla veste um macacão de cor diferente, dentre eles preto, branco, vermelho, azul marinho e verde oliva com o logotipo do patrocinador, número da moto, algumas marcas de outros produtos e o nome em destaque do motoqueiro.
Os olhos castanhos tão claros que parecem até amarelos de Gabriel, com machas negras a lhe cair sob os mesmos, estão atentos não só na rampa que o levará de um prédio a outro como na loira de olhos verdes dentre a multidão a lhe sorrir; seu sorriso lhe enviando toda a força e fé que precisa. É por ela. É por Sofia.
-Competidores, ás suas marcas – anuncia a voz masculina vinda dos telões suspensos junto as passarelas, então fazse o acelerar estridente a cuspir fogo das motos – correr! -ordena, então a imagem dos telões foca nos motoqueiros acelerando em direção a rampa; dupla atrás de dupla a voar ao destino. O outro prédio.
Os motoqueiros derrapam e fazem manobras radicais e até perigosas no ar antes de aterrissar na outra rampa –dentre elas: soltar-se da moto, dar piruetas com ou sem a moto, trocar de moto com o parceiro – e ao chegar na rampa, usar um dos pés para derrapar, virar-se no conhecido zerinho e voltar a toda velocidade para a rampa.
A multidão está em êxtase, aplaude e ovaciona, e para muitos como Sofia, ficam boquiabertos e de olhos brilhantes. Junto ao solo de guitarra, os competidores, agora uma dupla por vez, sepreparam para fazer sua – como dizem - apresentação surpresa, com a respiração e o coração a servir de bateria para acompanhar a guitarra.
A primeira dupla se posiciona, sendo esta, Gabriel e seu parceiro chamado Jonas, estes que prometeram ao público na coletiva de imprensa antes da competição um espetáculo ousado, tão ousado que ninguém havia feito ainda. E para aumentar o suspense, não haviam contado nem para as suas namoradas e nem mesmo para os juízes e patrocinadores.
Sofia insistira e como, mas mesmo assim, Gabriel manteve-se calado. Então esta lhe avisara de que se ele morresse, ela o traria de volta só para poder matá-lo, claro, ambos riram , se beijaram e ele prometera voltar vivo e inteiro para ela.
A hora é chegada – competidores, acelerar! - nas telas Gabriel e Jonas entraram em foco, juntaram suas mãos e um auxiliar surgira, a pedido destes, para amarrar suas mãos com uma fita especial, caso houvesse a necessidade de se desamarrarem com facilidade.
Sim, isso mesmo, ambos tiveram suas mãos atadas uma a outra.
A multidão está em polvorosa e curiosa, bem como Sofia e a namorada de Jonas, uma ruiva de olhos verdes tão claros que até pareciam azuis, chamada Vicktória, estão lado a lado na arquibancada do térreo bem próximas aos juízes.
Toda a área de um prédio ao outro está iluminada por refletores azuis e verdes neon lançados do chão ao céu enquanto a bateria e guitarra retumbam ensurdecedoras.
-Vocês estão prontos?!
A multidão grita, as motos rugem fogo e os competidores pisam fundo quando todos gritam – corram!!!
No momento tudo pareceu rodar em câmera lenta, olhos arregalados, corações batendo alto, respirações aceleradas e o rugir nervoso das motos quando Gabriel e Jonas se entreolharam, e com uma das mãos já que a outra encontrava-se amarrada a do companheiro, aceleraram as motos em direção a rampa, e quando a rampa estava ali, ao alcance de seus pés, câmeras e olhos fixos neles, então...eles voaram.
Sofia sentiu o mundo tremer sob os seus pés quando Gabriel e Jonas voaram no ar com suas mãos amarradas, boquiaberta assim como Vicktória ao ver o que fizeram a seguir.
Gabriel e Jonas mal tiveram tempo para treinar aquela manobra, afinal Gabriel estivera tão envolvido com Sofia e tudo o que envolvia a vida dela e os acontecimentos em Lacrimal city, que só conseguira vir a Paris umas cinco ou seis vezes, mas se Deus permitisse tudo sairia bem.
Uma troca de olhares e um assentir bastou para que ambos se compreendessem, então ficaram de cócoras sob o banco de suas motos, mãos unidas firmemente enquanto seus olhos procuravam por suas namoradas, e quando as encontraram sentadas, lado a lado, com braços e mãos unidas. Então, chutaram a moto para a frente, fazendo com que todos esquecessem de respirar e/ou piscar para não perderem um milímetro de movimento, e deram um mortal sincronizado no ar e, com um impulso dos pés
desceram de encontro as motos que caiam em queda livre assim como eles sobre as mesmas, sorrindo vitoriosos e levando a plateia á loucura.
Sofia e Vicktória soltaram a respiração enfim, aliviadas e mesmo que não admitissem, orgulhosas daqueles dois doidos.
Os flashs das câmeras drones explodiram sobre eles e as duas garotas, Sofia e Vicktória que já estavam abraçadas a eles junto aos patrocinadores e juízes que os parabenizavam pelas manobras. As demais duplas se apresentaram, mas é claro, que a enorme taça de ouro em forma de um motoqueiro com adornos em joias preciosas, junto com uma medalha de ouro foram entregues a Gael
e Jonas juntamente com uma chuva de champanhe e papeis coloridos picados.
01.Clãs malditos
Lacrimal city Acampamento cigano 2067
Os irmãos Augusto Palacius Ankara e Leonel Palacius Ankara com 15 e 14 anos, respectivamente, e para alívio deles já passaram pela sua primeira transformação lupina aos 12 anos, e agora como todo bom macho, segundo opinião geral sejam estes humanos ou não, a única coisa que lhes interessava no momento eram as lobas do acampamento.
A Augusto, por direito de nascimento, já lhes é reservado e ensinado por seus pais o dever lupino , ou seja, o direito a ser o próximo Alfa do acampamento. Mas embora as lobas do local sejam lindas e charmosas e lutem por sua atenção, o destino já tratou de lhe reservar uma bela vampira de olhos negros chamada Soraia. Ambos os seus destinos entrelaçados pela espada de sangue dos lobos e vampiros.
Já a Leonel, no momento, seu único direito e dever é conquistar uma bela loba loira dos olhos de esmeralda que, por coincidência, se chama Esmeralda e chegara recentemente ao acampamento. Infelizmente, seu ego lupino já se encontra abalado, pois a loba em questão dedica seus olhares a seu irmão que finge – segundo ele - não se importar e não ter interesse algum nela, pois seu coração pertence a uma tal Soraia que nem loba é. Se isso é realmente verdade, por que ele está de conversa com a sua Esmeralda?
Leonel cerrou os dentes, abafando um rosnado ciumento ao ver Esmeralda desmanchar-se em sorrisos para com Augusto fingindo que dava um passo para trás a cada uma dela para frente, ao seu encontro.
Já havia algum tempo que Esmeralda lhe abordara para uma conversa sobre o acampamento e suas regras, embora ele duvidasse que o que ela queria mesmo era beijá-lodevido ao modo como ela vinha de encontro a seu corpo. Mas o pior é que Augusto já havia percebido que o irmão está a fim de Esmeralda, e no momento este está vindo cheio de fúria a seu encontro.
-Interrompo algo especial? - perguntou irônico ao fuzilar Augusto que conteve-se para não expor o alívio que sentira pelo irmão ter chegado, pois assim poderia deixá-lo á sós com Esmeralda que nem sequer olhou para Leonel.
-Claro que não - dissera - até porque nossa mãe pode estar precisando de ajuda – desculpou-se e saiu de fininho.
-Qual é o problema, Leonel? -ela estreitou os olhos, franziu o cenho e cruzou os braços brava - você não viu que eu estava conversando com o seu irmão?
Leonel humilhou-se e praticamente implorou ao dizer –converse comigo – mas Esmeralda apenas dera de ombros e fora até um grupo de garotas que conversavam.
Como Augusto pensara, Leonel o culpou pelo desdenhar de Esmeralda, e desde esse dia em diante os irmãos começaram a se evitar e se estranharem. Mas o estopim foi numa madrugada quando saíram para caçar animais na floresta, não que precisassem , mas por diversão e relaxamento.
Deveria ser mais ou menos 3:30 horas da manhã, chovia muito, mas o céu estava limpo de qualquer nuvem ou estrela, mas isso nunca foi empecilho para um lobo sair com sua matilha para se divertir fosse qual fosse a maneira de fazê-lo.
Augusto e Leonel já não se falavam,, e Sheila mãe dos rapazes sabia bem que o motivo tinha um nome: Esmeralda, e isso ela dissera a Leonel que a acusara de cúmplice e ajudante do irmão, após isso, sumira por horas.
Depois, de cabeça fria, voltara um pouco antes da caça e pedira desculpas a mãe que apenas pedira aos meninos que não deixassem que uma garota fosse o pivô da briga de dois irmãos.
Esmeralda já havia percebido que era o alvo da rixa entre os dois irmãos e estava adorando isso, pois sempre gostara de ser o centro das atenções em disputas entre irmãos, ainda mais se estes fossem filhos do Alfa. E de propósito, resolvera pôr mais lenha na fogueira...
Lobos e lobas estavam reunidos á entrada do acampamento, Augusto até estava ao lado do irmão, mas não trocavam uma palavra ou olhar, e tudo piorou com a chegada de Esmeralda a eles.
-Olá, rapazes? - cumprimentou-os com sua voz melosa e provocativa, cheia de sorrisos a Leonel que lhe deu um largo e satisfeito sorriso paradiminuir a atenção para com Augusto, mas este nem a olhara direito.
Esmeralda não gostou nenhum pouco do modo como Augusto lhe cumprimentou, mas iria dar o troco. E seria agora.
-Augusto, será que eu posso caçar com você?
Leonel cerrou os punhos, trincou os dentes e sentiu seu olhar de fogo ferver junto ao seu sangue, e com muito esforço controlou-se.
-Me desculpa, Esmeralda – ela estreitou os olhos; Leonel ficou atento – mas é melhor não.
-E por que não?! - esbravejou com raiva, o que chamou a atenção de todos, inclusive e, principalmente, o de Sheila que estava a caminho.
Augusto não gostava de mentiras, fosse ele a contar ou lhe contarem, mas para a sua paz de espirito e alívio do irmão, foi melhor fazê-lo.
-Esmeralda, eu costumo ser muito agressivo em minhas caçadas - Leonel o olhou intrigado e curioso, afinal já caçara com o irmão diversas vezes, e se tinha uma coisa que o irmão não sabia ser era agressivo - então eu evito companhias, principalmente, femininas.
Esmeralda assentiu então.
-Está bem- o alívio o inundou por dentro – mas eu irei te observar para constatar a agressividade – e passara a ponta da língua pelos lábios de forma sensual ao se afastar.
Augusto olhou para a mãe que lhe assentiu em concordância e apoio a sua atitude,afinal ela mais do que ninguém ensinara os filhos a jamais mentir ou apoiar mentiras, mas há sempre ocasiões. No momento a ocasião se chamava Esmeralda.
A mãe era uma prostituta, não por escolha, mas por vir-se obrigada já que fora atacada por um lobisomem, e seus pais por desconhecerem as origens da 'doença' que ela começou a manifestar, a expulsaram de casa.
Sozinha, encontrara abrigo em uma casa de strippers, e por conta própria aprendera a se controlar de sua 'doença', e foi lá mesmo que Esmeralda nascera e crescera até a mãe ser assassinada pelo mesmo lobisomem que a violentara, e sua filha só não fora morta porque antes a mãe a mandara fugir para a floresta onde encontrara Magnus que a salvara.
Magnus matara o tal lobisomem que perseguira a menina, e depois a levara consigo para o acampamento onde aprendera a
controlar sua loba interna.
A hora da caçada chegou e com a benção da lua cheia e do casal Alfa, Magnus e Sheila, seus filhos, sendo todos os lobos, partiram para a floresta. E como prometido, Esmeralda e mais quatro lobas seguiram Augusto, e com isso, Leonel as seguira, e o que aconteceria a seguir seria a primeira troca de patadas e mordidas violentas por uma loba entre os irmãos Ankara.
Augusto havia conseguido despistar Esmeralda e as outras lobas, ou assim pensara ao entrar nas partes mais densas e escuras da floresta já que sendo um lobo negro com capacidade de mascarar seu cheiro com maestria assim como o irmão.
Pata por pata e com olhos em fogo, o lobo negro aproximou-se de um pequeno lago, abaixou-se e bebericou da água banhada pelos fechos de prata da lua, quando suas orelhas captaram o movimento de algo a aproximar-se, mas fingiu não notar e esperou...
O lobo negro ainda bebia água, mas seus olhos já estavam a postos aos passos contidos ás suas costas, então...
Leonel quase perdera o cheiro do irmão, quase, mas não seria o filho do Alfa Drakus se isso tivesse acontecido, pois assim como Augusto, ambos eram bons na arte do silêncio, principalmente por serem filhos do Alfa Magnus. E agora, o lobo com pelagem de leão vinha correndo, sendo banhado pela luz da lua por entre as árvores no rastro do irmão e de Esmeralda e...
Um lobo de pelos cinzas com manchas variando entre o cinza escuro e o claro saltou sobre o lobo negro que no último instante conseguiu se esquivar, e quando o outro tentou pular sobre este novamente, o mesmo saltou sobre ele e o prensou no chão, mas não contava com uma coisa.
-Você ficou louca, garota?!
Esmeralda transformou-se e riu ao ver o lobo negro já transformado, só de calça jeans surrada, sob seu corpo de short e top justos.
-Eu podia ter te matado – resmungou saindo de cima do seu corpo, enquanto ela ria descaradamente.
-Respondendo a sua pergunta – ergueu-se nos cotovelos – eu sou louca sim. Louca de amor por você - admitiu levantando-se e indo em direção a Augusto com a clara intenção de beijá-lo.
Leonel não podia acreditar que depois de tudo o que falara para o irmão sobre seu amor por Esmeralda, este agora estava em cima dela á beira do lago.
Augusto levou as mãos nos ombros de Esmeralda para afastá-la, mas esta pegou-lhe as mãos e as pôs em sua cintura, mas Augusto foi rápido em tirá-las dali.
-Vai embora, Esmeralda – pediu.
Esmeralda meneou a cabeça em negativa.
Num momento de descuido do lobo, a boca de Esmeralda chegara perigosamente perto da sua, e só não a alcançara porque Leonel surgira do nada e lançou Augusto para trás e Esmeralda para dentro do lago, respingando água para todos os lados.
-Eu te disse para ficar longe dela – rosnou Leonel que embora estivesse na forma humana agora, seus olhos
flamejando ao apontar o dedo para o irmão que levantouse do chão rosnando, mas ainda assim sem a intenção de atacar o irmão.
-E por que você não diz para ela ficar longe de mim –rebateu ao apontar para Esmeralda que já havia saído da água, furiosa, e respondeu por ele:
-Porque ele não manda em mim!
-Então você não vai se afastar do meu irmão?
Esmeralda cruzou os braços em frente ao peito e lhe deu um sonoro não.
-Sendo assim – encarou o irmão e conforme transformava-se por completo – eu irei afastá-la de você -e atacou Augusto que viu-se obrigado, ainda que sem querer, e se defender da fúria do irmão.
Os dois irmãos atacaram-se ferozmente, o que encheu os olhos e o ego de Esmeralda de furor ao ver dois irmãos, filhos do grande Alfa Magnus brigando por ela.
Sheila estava com o coração apertado, e ela sabia se tratar de algo com seus filhos. Algo estava acontecendo com ou entre eles e o motivo só podia ser Esmeralda.
Cambaleante e com a mão no peito, saíra da tenda e fora atrás de seu marido que não participara da caça como os demais velhos, dizendo-lhes que esta era a noite dos jovens.
Magnus estava sentado sobre uma rocha, conversando com outros lobos, mas quando vira sua mulher vir em sua direção cambaleante, este não pensara duas vezes em ir até ela.
-Sheila, meu amor, o que houve? - perguntou ao segurar seu queixo e encarar seus olhos.
-Pelo amor de Deus, Magnus, vai atrás de nossos filhos –implorou ao segurar-lhe os ombros.
-Por quê? O que houve?
-Porque sinto que algo está acontecendo com eles.
Magnus assentiu, beijou-lhe a testa e prometeu:
-Vou buscá-los para você - e foi o que ele fez ao reunir outros lobos para ajudá-lo.
Leonel subiu em uma árvore, e dela jogou-se sobre o irmão que tentou deter o impacto do mesmo ao cravar as garras na terra, mas Leonel aproveitou-se disso e conseguiu lançar Augusto contra uma árvore que quebrou-se e foi ao chão com ele.
Já Leonel aterrissava com graça no chão e podia-se dizer que sua bocarra emitia um sorriso, mas ao olhar para Esmeralda que sorria de divertimento com a situação que o fez ver que ela fez a fera tornar-se uma besta selvagem, no sentido literal, sem perdão.
Magnus, um belo lobo cinza escuro com manchas negras e seus companheiros corriam, pois já haviam farejado no ar o cheiro dos procurados e um fêmea. O cheiro de sangue. De raiva. De violência.
Os lobos continuaram se atacando, o sangue seco e a terra já era visível nos pelos de ambos.
Esmeralda continuava ali, em pé, extasiada e sorridente com a brutal cena entre os irmãos.
Leonel conseguiu saltar sobre Augusto e imobilizá-lo no chão, e como este não tinha a menor intenção de atacar o irmão, deixou-se abater com um ganido, e quando Leonel levou a pata ao seu coração e começou a esmagalo, o seu ganido de dor perdeu-se no ar.
Sheila que estava com um cesto de ervas em mãos sentiu um aperto no coração, deixando-o cair e ouviu no ar o choro de adeus e dor do filho.
-Magnus, depressa – murmurou chorosa.
Magnus já vira seus filhos, e quando o choro de seu primogênito chegara com dor aos seus ouvidos, não pensara duas vezes ao ordenar aos seus que separassem seus filhos, fosse a forma que fosse.
Um lobo jogou-se sobre Leonel que ganiu ao ser lançado ao chão, e quando tentou levantar-se surgiu outro lobo e ambos o seguraram no chão.
Augusto voltara a forma humana e gemeu de dor ao tentar levantar-se, pois estava com algumas costelas quebradas e o coração espremido por elas pela força da pata do irmão sobre si.
Esmeralda bem que tentou se disfarçar e sair dali, mas dois lobos surgiram á sua frente e uma voz ás suas costas a fez arrepiar-se.
-Vai a algum lugar, Esmeralda?
Ela riu e virou-se para encarar a expressão furiosa de Magnus que estava ao lado do filho que resfolegava e gritava de dor enquanto dois lobos colocavam suas costelas no lugar.
-Não.
-Ótimo - Magnus lhe dera um sorriso irônico - escoltemna até a tenda de Sheila e que fique lá - ordenou e os dois lobos trataram logo de fazer cumprir as ordens, mesmo com a cara emburrada e raivosa de Esmeralda.
-E então, meu filho, melhor? - perguntou a Augusto que assentiu e já se levantava sozinho.
Magnus lhe dera um afago no ombro e foi até Leonel que ainda rosnava na forma de lobo.
-Leonel – Magnus o chamara, mas foi ignorado – Leonel.Transforme-se – os dois lobos se afastaram – agora! - e com isto ele obedeceu.
Os dois irmãos, agora de pé, se encararam, mas não se moveram um milímetro que fosse.
Magnus suspirara e dera de ombros – eu quero os dois lado a lado comigo, e sem dar um pio - e seguiu na frente, e mesmo contrariados, Augusto e Leonel fizeram o que lhe fora ordenado e os demais lobos os seguiram, fazendo a escolta.
-E então, quem vai falar primeiro? - inquiriu Magnus ao cruzar os braços diante do peito poderoso e olhar de um filho ao outro e para Esmeralda. Mas por enquanto, ninguém se manifestara. Por enquanto.
-Ninguém vai me dizer nada, não é mesmo – os três se entreolharam, mas o olhar parou em Esmeralda, o que atraiu o olhar de Magnus e Sheila também.
Como suspeitado, os dois olharam de canto de olho para Esmeralda novamente, e dessa vez, ela os fulminara.
-Agora, estamos começando a nos entender, não é mesmo, Esmeralda? - retificou Magnus olhando-a diretamente.
Esmeralda engoliu em seco, mas se recusara a baixar a cabeça.
-Vocês dois pra fora – mandou e rapidamente Augusto e Leonel se dirigiram, mas não saíram sem ouvir um – mas não pensem que vão escapar de uma bronca.
Agora foi a vez de Sheila se manifestar, e quando uma mãe protetora se manifesta pelo filho jamais é para defender aquele que se faz de vítima, como era o caso de Esmeralda.
-O que você tem para nos dizer, menina?
Então, na cara dura e sem falsa modéstia, Esmeralda disse;
-Seus filhos me amam, mas, infelizmente, um deles não aceita que eu corresponda aos sentimentos do outro.
-E a qual deles você corresponde?
-A Leonel – mentiu sem nem sentir, pois de um jeito ou de outro iria fazer Augusto pagar pela desforra.
-Saia – ordenou então Magnus friamente, estava começando a ficar nervoso pela situação, o que raramente acontecia. E ela saiu sorridente, pois sabia que havia balançado as estruturas deles bem como as dos filhos.
-O que você acha, meu amor?
Sheila suspirou em desalento e o olhou.
-Infelizmente, eu acho que essa menina quer desunir nossos filhos, e pelo que percebi já está conseguindo –afirmou convicta.
-Eu irei abrir os olhos de Augusto e Leonel – prometeu ao abraça-la e beijar-lhe o topo da cabeça antes de sair da tenda.
Sentados na grama perto do lago ao fundo do acampamento, Augusto, Leonel e Magnus conversavam, e por via das dúvidas, o pai estava entre os dois irmãos.
-Meus filhos, eu irei fazer somente uma pergunta a vocês e dependendo da resposta, essa conversa se encerra antes mesmo de começar - ambos assentiram e Magnus perguntou então:
-Vocês estão apaixonados por Esmeralda?
-Sim.
-Não.
Responderam Leonel e Augusto respectivamente, e foi ai que Magnus dera total razão ao que a sua mulher dissera sobre as intenções de Esmeralda.
-Estranho somente um de vocês me dizer que a ama – e por quê? - Augusto franziu a tez, mas com o que Magnus
dissera a seguir os dois ficaram surpresos.
-Porque ela afirma que os dois a amam.
-Ledo engano dela, principalmente com relação aos meus sentimentos – afirmou Augusto.
-Bom saber, mas e quanto a você, Leonel? -Magnus olhou de um filho ao outro, fixando seus olhos nos de Leonel obviamente.
Leonel suspirou e passou a mão pelos cabelos.
-Pai, eu vou ser bem sincero – ele assentiu – amor é um sentimento muito forte para expressar o que sinto por Esmeralda, mas gostar, sim, eu gosto muito dela- afirmou.
-Bem, segundo ela própria me disse, é aos seus sentimentos que ela corresponde.
O rosto de Leonel animou-se de imediato.
-É sério?!
-Sim – reafirmou – mas eu quero pedir uma coisa aos dois – Magnus pôs uma mão em cada ombro dos filhos; estes assentiram - não deixem que Esmeralda destrua o respeito e a amizade entre vocês dois.
A noite desceu, e com ela um denso nevoeiro com garoa, e por falta de opções, todos se recolheram mai8s cedo ás tendas.
Augusto estava em sua tenda – lobos quando se transformam pela primeira vez e aprendem a se controlar, isso por volta dos 14, 15 anos ganham o direito a ter a sua própria tenda, mas continuam sob supervisão e cuidados dos pais até a maioridade de 20 anos – na cama, deitado de costas, só de calça de moletom, com um braço por trás de sua cabeça e o outro a descansar sobre sua barriga tanquinho, e olhando para o teto pensativo, quando um alguém muito insistente e escandalosamente vestida em uma camisola de rendas vermelha e uma micro calcinha, se postara á seu lado em pé.
-O que você está fazendo aqui, sua louca?!
Esmeralda sorriu.
-Jura que você nem imagina? - perguntou sugestiva ao pegar as alças fininhas de sua camisola e começar a abaixálas, só que não
pois Augusto levantou-se rápido, segurou suas mãos e disse categórico:
-Pelo amor de Deus, sai da minha tenda.
-Eu não quero sair daqui – retirou suas mãos das de Augusto e levou-as ao peito quente dele – eu quero você - e desceu-as até a cintura da calça.
Augusto pegou seus braços de forma brusca e começou a arrastá-la até a saída da tenda com ela a perguntar exigente – o que você está fazendo?
-Te tirando daqui – ele jamais fora grosseiro com alguém, muito menos com uma mulher, mas estava com tanto asco das ações de Esmeralda, principalmente, por ela ser a causadora de suas brigas com o irmão, então não culpouse em empurrá-la para fora de vez.
-Esmeralda, vai pra sua tenda dormir, por favor.
-Será que você não entende que eu quero você, seu idiota!
-E você, não entende, que eu não te quero!
Então seguiu-se uma discussão ali, mas por respeito a privacidade, ninguém saíra da sua tenda para interromper, nem mesmo Magnus ou Sheila.
-E então, não quer me chamar de volta pra dentro?
Esmeralda tinha a certeza de que Augusto tinha mudado de ideia, que finalmente iria ceder e possuí-la do jeito que ela vinha querendo a algum tempo, mas...
-Não - disse, e Esmeralda estreitou os olhos de raiva – mas eu tenho certeza de que Leonel vai adorar passar a noite com você - finalizou.
-Idiota, eu amo é você - declarou gesticulando com as mãos.
-E eu amo Soraia – afirmou, embora nem a conhece, mas por tudo o que a mãe já lhe dissera dela e de tudo o que vão passar juntos lhe bastava para ama-la.
-Uma vadia que você nem sabe se existe – desdenhou sem nem se dar de conta de que havia chamado a própria mãe de Augusto de mentirosa, o que provocou a raiva do lobo.
-A única vadia que mente aqui é você! - acusou.
Esmeralda rosnou e tentou dar um tapa em Augusto, mas ele deteve sua mão.
O que eles não sabiam é que Leonel estava escondido detrás de um arbusto em cóleras, e devido a sua capacidade de mascarar seu cheiro eles não o perceberam.
E estava ali desde o momento em que vira o irmão empurrar Esmeralda para fora da tenda naquela camisola de renda vermelha que pouco deixava para a imaginação, e que a vestira para Augusto. Mas e quanto ao que seu pai dissera?
A resposta viria a seguir...
-Meu pai nos disse que você havia dito que correspondia aos sentimentos de Leonel.
Sorridente, ela admitiu- eu menti.
-E por quê?
-Só para ter o prazer de ouvir a sua mãe dizer que eu iria separar vocês dois.
Augusto meneou a cabeça, já era difícil entender uma mulher por si só, mas Esmeralda era incompreensível além.
-O que você ganha com isso?
Ela apontou-lhe o dedo - você.
Augusto riu para não chorar.
-Você não me conquistou com as boas ações, acha mesmo que vai me conquistar com as más?
-Eu posso te persuadir – falou provocativa.
-Você não vai conseguir – afirmou.
Esmeralda avançou toda sensual, levou as mãos ao rosto de Augusto – posso tentar – ele pegou as mãos dela e as afastou juntamente com a dona.
Leonel rosnou e acendeu seus olhos de lobo dentre as folhas do arbusto com raiva tanto de Augusto quanto deEsmeralda, e
prometeu a si mesmo que iria embora dali, e mesmo sofrendo por abandonar os pais amados, não voltaria jamais. A primeira parte tratou de cumprir ao dar de ombros e sumir nas sombras da noite.
-Nãããooo!!!
O grito de uma mãe desesperada correu por todo o acampamento e reverberou pelo ar. O grito de uma mãe ao acordar e ir a tenda do filho e só encontrar um bilhete sobre a cama que dizia- mãe, pai, me perdoem pelo que eu fiz e pelo que eu irei fazer, mas não posso ficar aqui e ver a loba que eu amo correr atrás do meu...irmão. Estou indo embora para não voltar.Leonel
Alguns dias depois
-Tem certeza, Esmeralda? - essa era a segunda vez que Magnus refazia a sua pergunta para ela.
-Esmeralda, um lobo sem matilha é como um lobo sem família - dissera Sheila que sentia alívio, embora não deixasse transparecer com a decisão de Esmeralda, pois de certa forma ela tivera culpa na fuga de Leonel e se fosse para Augusto permanecer com os pais no acampamento que ela fosse embora.
-Vamos ser sinceras – Magnus e Sheila se entreolharam -vocês podem até querer, por dever de proteger um lobo, mas como pais estão felizes que eu irei embora.
-Não fale assim menina – Magnus é claro, sentia-se feliz por Esmeralda, uma loba que conseguiu separar seus filhos ir embora. E que deixara sua mulher triste com suas atitudes e palavras, mas como Alfa sentia-se mal internamente, é dever de um Alfa proteger e abrigar qualquer lobo.
-Ela tem razão, Magnus, não devemos ser hipócritas, não é mesmo, Esmeralda? - disparou Sheila ao encarar a loba que lhe deu um sorriso irônico e disse:
-Está ai algo que sempre gostei na senhora, sua sinceridade.
Sheila respirou profundamente para não ceder a vontade de esbofetear aquela menina insolente.
Magnus sentia a energia palpável da raiva e do deboche circular no ar, e antes que ambos perdessem a elegância, ele manifestou-se:
-Sendo assim, lhe desejo sorte menina, e que consigas encontrar uma nova família.
Esmeralda assentiu em agradecimento, pegou suas duas bolsas em couro vermelho envernizada que estava ao seu lado, dera de ombros sem quaisquer outras palavras e foi embora.
Mais tarde, Magnus e Sheila encontravam-se nus na cama, provavelmente tenham feito amor á julgar pelos lençóis enrolados ao redor de seus corpos e as expressões saciadas e felizes em seus rostos.
-Só agora eu percebo o erro que cometi ao trazer essa menina para cá - comentou Magnus ao acarinhar os cabelos de Sheila cujo o rosto estava em peito musculoso.
-Nosso erro não foi esse Magnus – Sheila levantou o rosto para encará-lo – nosso erro foi quando percebemos que os nossos filhos estavam brigando por causa dela, e nada fizemos.
Magnus estava destruído por dentro, por causa da saída de seu filho da matilha, mas não se permitiu chorar, mas havia uma coisa que ele podia e ia fazer. E agora.
-Sheila, meu amor, eu irei atrás de nosso filho – falou erguendo-se devagar já que a esposa ainda estava recostada a seu corpo, e sair da cama nu.
-Você está querendo dizer agora? Agora? - perguntou ao segurar o lençol contra os seios, pois não tinha a desinibição do marido para mostrar todos os seus 'dotes masculinos' na tenda.
-Sim – vestiu a primeira calça que achou – e só volto com ele – e dera um beijo rápido nos lábios da esposa que desejou-lhe sorte, e saiu vestindo um moletom de capuz pelo caminho.
Três dias depois
As mulheres e crianças estavam reunidas com alguns homens que Magnus deixara para proteção das mesmas, enquanto ele, Augusto e os demais lobos saíram á procura de Leonel a três dias atrás e agora...
Sheila sentia no ar o cheiro do marido e do filho se aproximando bem como os demais. E sorrir ao vê-los adentrar o acampamento, embora o semblante fosse de tristeza, todos voltaram sãs e salvos e foram abraçados calorosamente.
-Vocês não o encontraram, não é mesmo? - e isso não era uma pergunta e sim uma afirmação do coração apertado de uma mãe que conhecia tão bem os filhos como a si própria.
-Leonel sempre foi bom em apagar os seus rastros e, dessa vez, o fez com maestria – disse Augusto sem coragem para encarar a dor da saudade nos olhos da mãe.
-Oh, meu filho – Sheila levou as mãos ao rosto do filho e o virou para si e viu que ele também sofria a falta do irmão apesar de tudo – a culpa não foi sua – e um sorriso tímido surgira em seu rosto.
Magnus por sua vez caíra de joelhos em frente a esposa e pediu perdão, sem se importar com os olhares que recebeu, pois esse não era Magnus o Alfa e sim Magnus o pai, agora triste.
-Magnus- Sheila tentou levantá-lo do chão, mas ele não se permitiu, bem como Augusto ao tentar ajudar a mãe a levantá-lo, mas ele só pedia perdão.
-Não há o que perdoar, meu amor, você fez o que podia – dissera ao lhe acariciar o rosto com olhos lacrimejantes.
-Eu te prometi que só voltaria com nossos filhos, e não consegui cumprir – ele chorou sem vergonha , e com esse gesto só ganhara ainda mais o respeito e a admiração de sua matilha. Afinal, não é todo homem, muito menos um que além de ser um lobo é o Alfa que se permite chorar sem temer a rejeição e sarro dos demais.
-Nosso filho assim o quis Magnus, e talvez, mesmo que você o encontrasse, ele não quisesse voltar – murmurou Sheila ao abraçar os ombros e a cabeça do marido que permanecia de joelhos, abraçado a sua cintura.
Augusto não encontrava palavras, fossem elas certas ou erradas, não sabia nem o que sentia direito dentro de si, então abraçou a mãe pela lateral de seu corpo, e ela com a mão lhe acariciou o rosto.
Lacrimal city, virada de ano (2059-2060)
O acampamento estava coberto por um nevoeiro denso, a única luz na escuridão dos arvoredos era da pira de fogo onde trazia um corpo em chamas. Para Augusto e sua mãe era a pior, e mais cruel virada de ano até então, mesmo com os fogos de artifício a abençoar a cidade com um novo ano.
Leonel por motivo de força maior, estava presente, mas distante emocionalmente.
Todos os lobos estavam ao redor de uma pira de fogo cuja as chamas consumiam o pouco que restara do corpo do grande Alfa Magnus...
Madrugada passada
Tudo estava tranquilo (só que não) pois o Conde Vlad Tepes III ordenara e liderara um ataque brutal com os seus mais de 600 homens – melhor dizendo, vampiros – a matilha de seu rival Magnus.
A guerra entre lobisomens e vampiros estava no seu auge como fora esperado, pois do nada os vampiros comandados por Vlad, ou assim este se intitulava, pois o verdadeiro Conde morrera a muitos anos e seu filho que poderia ter tomado o seu lugar sumira no mundo após cometer um massacre doentio em um mosteiro. Esse tal 'Conde Vlad'de agora também era bom em cometer
atrocidades e até agora nenhum ser viria seu rosto a não ser seus cruéis olhos vampirescos (o conhecido rubi em águas negras) que seu capacete que cobria todo o resto deixara á mostra, bem como seu longo casacão que só mostrava seu pescoço branco como leite.
Os lobisomens como sempre atentos a qualquer movimento e cheiro diferente dos seus já haviam mandado as mulheres e crianças para mais longe do acampamento, enquanto estes cuidavam dos intrusos.
Não havia lua, nem um resquício de estrelas, nem vento até parecia que o vento havia feito uma pausa para dormir e nem o uivar de dor e raiva dos lobos e/ou o esganiçar estridente dos vampiros junto ao barulho dos sabres e espadas poderiam acordá-lo. Há alguns vampiros que se utilizavam de sabres de prata para matar os lobisomens, os mais vis preferem o método tradicional: decapitação, com as próprias mãos e, por fim, para o deleite destes, a empalação (ato abominável de enfiar uma estaca pela boca
e/ou ânus e fazer sair pelos mesmos).
O acampamento se tornara um campo de guerra violento, havia vários corpos mutilados e ensanguentados por todos os lados, outros ainda agonizando e alguns poucos sãs protegendo os que se recuperavam – caso dos lobos.
Um exemplo claro era Magnus que estava com os pelos cobertos de sangue e com os olhos em chamas de raiva estava em pé ao lado do filho um pouco ferido á frente de dois lobos que estavam com as pernas quebradas e deslocadas, e dito momento, outros dois recolocavam seus ossos no lugar.
-É louvável vocês quererem proteger aqueles que já estão mortos – falou Vlad em romeno (coincidência?) ao surgir entre alguns vampiros cobertos de sangue a alguma distância segura de Magnus e os do seu lado com as bocarras arreganhadas e salivando.
Magnus respondeu a altura e em romeno ao voltar a sua forma humana.
-Nós, lobos somos assim, mas no momento estou tentado a matar um vivo para fazê-lo morto, se é que isto é possível
já que você está morto a muito tempo.
Claro que o Conde não gostara nada da indireta, no caso, bem direta. E ele próprio fora atacar Magnus e assim, novamente a carnificina iniciou-se, mas a atenção estava voltada para os dois líderes.
O primeiro a dar o golpe fora Magnus que assim que Vlad entrou em sua linha imaginária de ataque e defesa colocou toda a sua fúria lupina em sua garra que arrancou com um único golpe arrancara a máscara de Vlad e levou junto dela seu olho esquerdo , e assim todos viram sua face demoníaca.
Magnus e até os próprios vampiros arregalaram os olhos diante de toda a coisa horrenda que era aquele rosto, se é que poderia se chamar aquilo de rosto. E agora sem um olho só piorou a grotesca imagem.
Vlad sentiu o sangue escorrer em seu rosto já todo rasgado e queimado; cicatrizes se encontravam até mesmo por sua cabeça raspada - não era de admirar que usasse aquela máscara. Para Magnus, aquele homem só poderia ser um dos turco otomanos que certa vez fizeram o verdadeiro Vlad prisioneiro , e que de alguma forma ele tenha feito uma troca pela liberdade de Vlad pelos poderes até então desconhecidos a este.
Vlad rosnou correndo de encontro a Magnus com unhas letais, dentes como navalhas e a força dos golpes que iam e vinham como choque entre espadas. Ora Magnus o atingia com patadas e mordidas violentas ora Vlad o fazia com suas unhas e como sabia que um lobo com quebraduras precisaria de outro, dependendo do lugar a ser 'concertado', resolvera atingir Magnus diretamente no meio de suas costas Vlad sorriu com o uivo da dor do inimigo ao ouvir os ossos das costas do mesmo se quebrando contra seus
órgãos enquanto ia ao chão se retorcendo.
Afastada do acampamento, dentre árvores Sheila sentiu um aperto no peito e olhou com expressão atormentada pelo caminho que levava de volta ao acampamento e sussurrou para si o nome de seu marido.
Augusto que arrancava a cabeça de um vampiro cujo o sangue espirrava em seu rosto e peito ouviu o barulho inconfundível de ossos se quebrando e o uivo da dor de um lobo e quando viu-se tratar de seu pai não pensara duas vezes em ir ao seu encontro.
Magnus não esperava por um ataque traiçoeiro, mas aa culpa fora sua, ainda não aprendera de que um vampiro pode se esperar tudo, principalmente, ataques á traiçoeira.
Quando se dera de conta seus ossos já estavam sendo quebrados e muitos de seus órgãos perfurados. E por instinto, pensara na mulher e em seus filhos enquanto caia ao chão sufocado, provavelmente algum osso adentrara seu coração ou pulmão.
Vlad não esperava atingir e tão pouco derrubar esse lobo, pois a fúria que corria em suas veias era mais intensa do que a trocada entre ele e o verdadeiro Conde, então não poderia perder tempo pois conforme fora tratado entre ele e o Conde – mate todo e qualquer Alfa com mais brutalidade do que mataria qualquer outro lobo. E queime-o –palavras do próprio antes de escapar das masmorras do castelo com a ajuda de seu substituto. Seu escravo.
Sendo assim, desde o momento em que saíra das Cavernas do Norte junto com os seus vampiros já tratava de preparar um sabre banhado em óleo de baleia que ao menor resquício de fogo queima tudo. Mas no dito momento em que empunhava o sabre em direção a Magnus que agonizava ao voltar a forma humana com gritos sufocados, um lobo negro surgira acertando-o pela lateral do corpo lançando-o para longe, mas não soltara o sabre.
O lobo negro posicionou-se á frente de Magnus e o desafiara com os olhos a ataca-lo. Se ousasse...
Vlad rosnou, não seria aquele lobo que o deteria, pois custe o que custasse, hoje o Alfa morreria.
-Afastem o lobo negro do Alfa – ordenou; o lobo negro rosnou em fúria, e tudo acontecera rápido e letal com um golpe de flecha com a dor que sentira ao ver o pai ser queimado.
Não se sabe como, mas vários vampiros surgiram de todos os lados cercando e atacando Augusto que matara vários, mas já era tarde. Vlad correra até Magnus que todo quebrado nem conseguira se defender, em fúria enfiou o sabre em seu peito – e seu último olhar fora dirigido ao filho - então as chamas surgiram e o consumiram.
-Não!!! - gritou Augusto desesperado, já tinha se livrado dos vampiros mas já nada podia fazer pelo pai.
Vlad riu em deleite – agora é sua vez, garoto – e foi ao seu encontro enquanto um vampiro lhe entregava outro sabre.
As narinas de Augusto inflaram com a raiva que estava a sentir, mas então aconteceu algo que nem os vampiros ou lobos esperavam; as lobas da matilha de Magnus surgiram de todos os lados por entre as árvores já matando vampiros pelo caminho.
Sheila nunca fora de desrespeitar as regras da matilha, principalmente os pedidos de seu marido a ela, mas ele sempre, e bem sabia que se necessário fosse, ela infligiria toda e qualquer regra para proteger os seus.
Augusto não esperava que a sua mãe iria ir contra um pedido do pai e tão pouco que esta iria surgir com as lobas e empunhando dois sabres em mãos, os cruzaria como uma tesoura e separaria o pescoço do corpo de Vlad que só teve tempo para arregalar os olhos.
Os vampiros ainda vivos depois que viram o seu líder ser decapitado, e o pior, por uma mulher acabaram fugindo.
-Jamais mexam com a família do grande Magnus.
Sheila já havia visto um corpo destroçado pelas chamas, mas ainda não havia reconhecido que era o do marido até olhar para o filho, caído ao lado do que sobrara do corpo e chorar.
-Meu Deus, não - murmurou ela com lágrimas rolando por seu rosto.
Dia presente
Lágrimas rolaram pelo rosto de Augusto ao ver Soraia chorar sobre o túmulo do pai. Soraia dissera que ele não precisava lhe acompanhar, mas como sempre lá estava ele, a uma certa distância para o que ela precisasse.
-Pai, que falta o senhor faz – murmurou chorosa ao passar a mão pela fato do pai na lápide de granito adornada com esmeraldas, e como sempre, o tempo chorou com ela.
-Perdão - pediu ao olhar o sorriso do pai na foto e desejar que ele ainda estivesse ali. Então uma mão forte e morena pousou sobre a sua, um calor lhe envolveu as costas e a outra mão lhe rodeou a cintura e uma voz murmurou – a culpa não foi sua – e beijou-lhe a lateral da cabeça.
-Mas se eu não tivesse me envolvido com Julio Cesar –tentou achar uma desculpa pela morte do pai, mas Augusto a interrompeu.
-Seu pai iria atrás de qualquer um humano ou não para te salvar. E além do mais, você fez justiça em nome dele ao matar seu assassino.
-E eu me tornei uma assassina – disse ao secar as lágrimas com as pontas dos dedos – mas não consigo me arrepender.
-E nem deve, pois Julio Cesar fez coisas tão brutais que não se pode nem nomear. Você fez um favor ao mundo livrando-o dele.
-Obrigado por você estar ao meu lado.
-Obrigado por você me deixar ficar ao seu lado - então trocaram um sorriso e se abraçaram fortemente.
-Minha filha já sofre tanto, Malvina. Tanto que eu temo que ela se transforme em uma muralha de gelo –desabafou Katrina sentada no braço do sofá com o telefone na orelha e um braço dobrado amparado pelo outro.
-Eu não temo – disse Malvina cheia de convicção, encostada a sua mesa, mas a irmã lhe dera um sermão.
Malvina suspirou.
-Katrina, você se esquece de quem Soraia é. Se esquece de quem está ao lado dela e, principalmente, do sangue que corre nas veias dela.
Katrina suspirou do outro lado da linha, ela sabia que a irmã tinha razão, mas não conseguia evitar temer pela filha, afinal esse era o carma de toda mãe, mas dera outro sermão a sua irmã.
-Quando você tiver um filho, ai você vai me entender.
Malvina riu, mas antes que pudesse falar algo mais, uma voz á porta lhe chamou. Era a Doutora Elena a qual
Malvina com a mão lhe chamou a sala.
-Agora eu tenho que desligar, minha irmã, mas qualquer outra bronca que você queira me dar, basta me ligar – e assim as duas despediram entre risos.
-E então, Doutora Elena – Malvina guardou o celular no bolso da sua blusa – o que trazes para mim? - gracejou e ambas riram.
-Vários ovos com muitas surpresas – sorriu a menção da antiga canção do coelhinho da páscoa, mas o assunto era sério pois bastou um nome para o riso murchar – se trata do sangue da Soraia.
-Você já estudou o sangue dela? - Elena assentiu – e quais surpresas ele guarda?
Elena dirigiu-se a porta – venha comigo – e sem perda de tempo, Malvina a seguiu e só pararam ao chegarem ao microscópio ultramoderno na longa mesa do laboratório onde havia vários papeis, canetas e lâminas com amostras de líquidos espalhados aqui e ali ao longo do mesmo.
-Dê uma olhada – disse Elena ao apontar o microscópio a Malvina que mesmo com uma expressão de temor, mas curiosidade o fez e mal acreditou no que viu.
Malvina ficara boquiaberta.
-Me diz que você tem uma explicação.
Elena respirou profundamente e preparou-se física e emocionalmente para tentar explicar o fenômeno que Malvina vira no sangue de Soraia, sem piorar sua confusão.
-O sangue de Soraia é tão instável que é impossível de se dizer se este é negativo ou positivo.
-Isso explica as inúmeras vezes em que Soraia fez exames de sangue e os médicos jamais conseguiram identificar seu tipo – Elena assentiu – mas como isso é possível?
-Chame isso de MGC- MGC? - mutação genética constante.
Malvina franzia a tez cada vez mais confusa.
-Eu posso estudar o sangue de Soraia agora e lhe falar uma coisa, e daqui a um minuto estudá-lo novamente e lhe dar um diagnóstico completamente diferente.
Malvina uniu as mãos em prece em frente ao rosto e dera um giro de 360 graus no corpo para clarear a mente.
-Pelo que eu já estudei de sangue humano e mutante, no caso, lobos e vampiros, somente o de Soraia apresentou esse tópico.
-Eu estou sem palavras.
-Imagine eu, com doutorado em pesquisa genética com mais de vinte anos de profissão, receber esses resultados?
É um privilégio estudar um sangue desse tipo.
Malvina sorriu.
-Eu imagino que seja uma raridade da genética.
-Antes de surgirem os lobos e vampiros eu seria chamada de louca se apresentasse esse tipo de resultados ao conselho, mas hoje em dia, talvez até eu ganhe um prêmio da academia internacional.
-E eu ficaria muito orgulhosa da minha amiga – falou Malvina já orgulhosa das descobertas da amiga que sorria.
O celular de Malvina tocara novamente mas, dessa vez, era Sergio e quando atendera, já tivera de sair ás pressas da sala, mas não sem antes pedir a Doutora Elena sigilo, por ora, sobre as descobertas do sangue de Soraia.
Malvina saiu apressada do laboratório e como estava sempre armada dirigiu-se, imediatamente, para o seu carro recrutando pelo caminho alguns policiais, pois segundo a ligação de Sergio ele precisava de reforços, e antes de entrar no carro já lia na tela do celular o endereço e fora para lá.
Sergio estava no meio de um tiroteio com policiais - só que estes vampiros – sim, ao que parece estão se reinventando a cada dia. Antes eram vampiros comuns que só matavam para sobreviver, sem chamar muito a atenção; hoje em dia o que eles mais querem é chamar a atenção de todos para que o mundo saiba do que são capazes. Até o momento o próprio Sergio já levara um tiro
de bala de prata – afinal até os vampiros são precavidos a incidentes com lobisomens, e embora prata não os matem ao menos dará tempo aos vampiros para fazê-los- e em um humano uma bala de prata dói muito mais do que as balas comuns e foi por pouco que Sergio não foi atacado e, provavelmente, morto por um vampiro pois conseguira meter uma bala direto em seu coração que estourou, literalmente, a sua frente.
Sergio lhe assentiu em agradecimento, mas iria poder dar o agradecimento na mesma moeda, pois todo vampiro vinha se aproximando por trás de seu colega. Sergio gritara – abaixa! - e quando este o fez, fora a vez de Sergio atirarem e o mesmo acontecer.
-Delegado, eles são muitos- gritara outro ao atirar a torto e a direita para um amontoado de vampiros que se aproximavam.
-Eu já chamei reforços -disse Sergio ao rasgar uma tira da barra de sua camisa e amarrar por debaixo da axila e dar duas voltas sobre o ombro, que ainda com a bala alojada ali, rapidamente empapou o pano com seu sangue rubro. E mesmo assim juntou-se aos demais e seguiram atirando.
O que eles não esperavam era o tipo de reforço que chegara, afinal Sergio chamara Malvina e os policiais, mas junto a ela adentraram cinco vampiros, sendo quatro rapazes e uma garota cujo o rosto lhe era familiar. Se não estava enganado, ela era uma das amigas de Soraia.
-Delegado, eles são os nossos reforços? - perguntara um policial, mas antes que Sergio pudesse responder outra pessoa o fez.
-Não - disse Malvina – eles são os meus reforços - e mais policiais adentraram de armas em punho.
Os vampiros ficaram ainda mais furiosos pois fora o fato da interrupção, cinco fedelhos pensam que podem se meter em briga de adultos. Se estes soubessem o quantoeles podem...
A luta começou novamente e os primeiros a atacar, claro, foram os vampiros indo logo para cima das mulheres, pensando que essas seriam frágeis, mas se deram mal – e muito...
Um vampiro voou de dentes e garras expostas para atacar Malvina que sacou o punhal da morte da cinta de sua calça - um presentinho que Soraia lhe dera – e com uma passada da lâmina fininha no pescoço do vampiro, ele simplesmente explodiu em um amontoado de cinzas e alguns ossos a seus pés.
Malvina olhou com admiração para o punhal, mas foi nesse descuido que um vampiro lhe atacou á retaguarda –Sergio tentou atirar, mas com o ferimento no ombro ele estava sem forças para, sequer, erguer a arma; e sentiu os caninos afundarem em seu pescoço.
Ela gritou.
-Malvina?! - gritou Sergio encostado a uma parede com dois policiais a lhe servir de escudo e amparo.
O vampiro em questão teve o prazer, por poucos segundos, pois Malvina reuniu forças e cravou o punhal na barriga dele que soltou o pescoço abocanhado, então esta virou-se e o correu até o coração do vampiro, por debaixo da pele entre veias, ossos e cartilagens, e explodiu.
Tão desacostumada a ser mordida por um vampiro ou lobo, pois já acontecera algumas vezes claro, e mesmo tendo sangue de vampiro a correr em suas veias, ela não resistira a ceder sob os joelhos com a mão a limpar o sangue em seu pescoço.
Cambaleante, e com os policiais a lhe dar cobertura, Sergio fora até Malvina - você está bem? - ela assentiu e foi ai que percebera o sangue a escorrer do braço do delegado.
-Seu ombro.
-Vai passar – disse, embora a dor estivesse queimante e nauseante, e então alguém gritara cuidado a eles, e algo ainda não visto
aconteceu...
Leticia não era dada a violência, mas já que concordara em ajudar Malvina quando esta lhe abordou junto com o irmão e os amigos na calçada, não poderia e nem queria agir como uma mocinha educada.
Então enfiara a mão diretamente no peito do vampiro que ousou lhe esbofetear, então trouxe o seu coração em sua mão só para jogálo fora enquanto o vampira explodia. Mas ela fora rápida ao esconder-se atrás de uma mesa para não se queimar.
-Que droga – murmurou já de pé, olhando para a sua mão ensanguentada e as unhas verde limão que pintara ontem e vê-las
sujas. Mas então outro movimento a sua esquerda lhe chamou a atenção...
Um vampiro acabava de sugar até a última gotícula de sangue do pescoço de um policial que gritava em últimos resquícios de forças vida enquanto atirava por reflexo para todos os lados, e o jogou seco no chão. Então a oportunidade de atacar o delegado e a investigadora surgiu ao vê-los juntos, ao chão e feridos. Sem perder tempo, correrá para eles, sendo atraído, principalmente pelo sangue que escorria no braço de Sergio, mas...
-Sergio, cuidado! - e entre essa frase e o virar da cabeça do delegado, uma garota ruiva surgira do nada e posicionou-se á sua frente e o que aconteceu ninguém soube ou saberia explicar, pois o vampiro a encarou fixamente, pegou uma arma do chão, mirou em seu próprio coração e...atirou.
Os que presenciaram aquela cena, incluindo os vampiros, com exceção de um Gael, ficaram boquiabertos com o que aquela garota
havia feito, ou melhor, ao que parece ela fez o próprio vampiro fazer consigo mesmo.
-Menina, o que você fez? - perguntou Malvina pasma ao ajudar Sergio que agradeceu a ambas pela ajuda, a levantar-se.
-Minha irmã tem o dom da hipnose – respondeu Gael por ela que perguntou se algum deles havia se ferido mais, mas negaram.
-Eu sugiro que vocês partam – aconselhou Caleb ao acabar de arrancar a cabeça de um vampiro que caiu aos seus pés e virou cinzas de uma forma mais calma claro, só que não explodiu – o que acontece quando se mata um vampiro sem arrancar o
seu coração - explicou e olhou para os vampiros ainda vivos – e vocês, querem seguir seu líder?
-E então, o que vai ser? - perguntou Vinicius entrando na conversa com dois braços de um vampiro em mãos, ensanguentados a pingar sangue, batendo um no outro como se fosse dois pedaços de madeira, o que chamou a atenção de todos.
Pouco a pouco, trocando olhares, os vampiros foram se retirando por portas e janelas até restarem apenas Sergio amparado por Malvina; Gael abraçado a Leticia junto de Vinicius, Caleb e alguns poucos, porém, bravos e vivos policiais.
Leticia encarou Vinicius que nem percebera que todos o olhavam espantados.
-O que foi?- perguntara, e Leticia lhe um olhar bemsignificativo aos braços que ele segurava, ai ele se dera de conta – ah –murmurou sem graça e os lançou para longe e gracejou:
-Foi só para me dar mais coragem.
Sorrisos e risos escondidos.
-Que tal você, agora, mocinha – Sergio continuava apertando o ombro cujo o pano Malvina já trocara, mas este já estava se tornando vermelho de sangue – explicar, faz favor, o seu dom de hipnose?
-Se eu soubesse como – admitiu.
-Você está querendo dizer que foi um acaso? - perguntou Malvina e ela apenas assentiu.
Sergio suspirou.
-Algum de vocês quatro – olhou para os rapazes – tem algum dom parecido?
Os quatro se entreolharam e negaram, e Sergio até sentira certo alívio.
-Seu poder funciona em todos? - perguntou Malvina e Leticia mordeu os lábios sem saber como responder, mas cedeu a verdade dos fatos.
-Essa é apenas a segunda vez que o faço.
Todos arregalaram os seus olhos e, provavelmente, pensara que foi pura sorte.
-Quem foi o primeiro que você...hipnotizou?
-Meu irmão - respondeu ao olhar para Gael que dissera que em vampiros estava comprovado que a hipnose da irmã funcionava.
-E se tentarmos com um lobo e um humano – sugeriu Malvina já com as 'vítimas' em mente.
-E, se por acaso, não funcionar? - preocupou-se Leticia afinal a última coisa que queria era ferir-se ou pior ferir um inocente. E se fosse em meio a uma guerra e terminasse em mortes.
-Não se preocupe, Leticia – Malvina lhe afagou o braço -no caso do lobo nós podemos pedir um emprestado – fez aspas no ar – a Augusto – tranquilizou-se com um sorriso travesso, pois quem diria que um dia lobos, vampiros e humanos conviveriam tão bem. Pelo menos boa parte deles.
-E quanto ao humano? Será você?
Malvina riu.
-Sou tia da Soraia, nem que eu quisesse poderia ser pois não sou cem por cento humana. Mas – estalou a língua -tenho alguém perfeito – e olhou direto para Sergio que deu-se de conta de ser o alvo de todos os olhares.
-Por que eu? Não veem que estou ferido?
-Para o teste não é necessário mover-se – lembrou Leticia para infelicidade de Sergio.
-E você é o delegado, tem de dar o exemplo – ele franziu o cenho, mas com aquele sorriso que Malvina lhe deu, aceitou na hora, embora pudesse se arrepender mais tarde.
-Está bem – disse meneando a cabeça desgostoso – mas não me faça passar vergonha, menina.
Leticia sorriu e encarou Sergio que sentiu-se atraído por aquelas íris violetas que realmente pareciam flores rodando, rodando com pétalas voando até Sergio se sentir em transe. Primeiro sentiu-se tonto, bêbado por aqueles olhos que pareciam adentrar os seus, uma voz tão sutil embalada pelo vento calmo lhe adentrou na mente...
Todos estavam pasmos e atentos aos movimentos de Sergio, que realmente parecia hipnotizado, e se não fosse por seu coração a bater calmo como sua respiração, todos o julgariam morto, de olhos abertos e paralisados.
A voz doce e melodiosa de Leticia chegara ao subconsciente de Sergio, adormecido, cujo o corpo seguia o comando daquela voz que ordenou – pegue sua arma com a mão esquerda e a entregue para Malvina – e todos ficaram boquiabertos quando o delegado levou a mão esquerda, pois Leticia tomara o cuidado de ordenara assim para que não fizesse movimentos com o braço ferido, á
cintura da calça, pegou a arma e a estendeu a Malvina, isto sem nem mover a cabeça ou corpo, somente o braço.
-É - disse – funciona com humanos também - comentou Bruno de braços cruzados a olhar os movimentos que o delegado fazia.
Sergio voltara a si e piscou os olhos confuso, sem entender nada, e quando Malvina lhe estendeu a arma que ele tinha certeza de ter posto na cintura da calça; soube que a hipnose de Leticia havia funcionado.
Lucas e Lucian adentraram a casa de Maya rindo sabese lá de quê, quando a voz de Maya lhes chamou a atenção.
-Olá rapazes, já viram meu bebê?
Maya já estava em plena forma, num longo vestido cheio de tiras nos ombros e peito, e numa manta azul escura aninhada em seus braços estava o seu bebê.
-Digam oi para Trevor, o primogênito de Julio Cesar – e devagar eles se aproximaram do bebê que tinha os olhos do pai.
-É uma bela novidade com certeza, mas a que temos é ainda melhor – comentou Lucas ao dirigir-se até a mesinha das bebidas ao lado do sofá e serviu-se de uma dose de uísque com sangue por duas vezes.
-E o que seria?
-A tal da Miranda também dera a luz, só que ao contrário de você, ela morreu – Maya dera uma risada curta, mas o que Lucian disse a seguir a deixou irritadiça.
-Só que com isso, Soraia se tornara mais poderosa não?
Ah se olhar matasse – sem trocadilhos.
-E quanto ao tal do Thiago?
-Pôs fogo na casa onde morava com Miranda e sumiu com a filha – respondeu Lucas ao sentar-se no braço do sofá com outro copo em mãos.
-Mais alguma coisa?
Maya não os encarou e para controlar a raiva que começava a sufocar o seu coração, começou a ninar seu bebê que com a pequenina mão agarrou duas tiras de seu vestido e apertou firme.
-Na verdade, tem sim – e imediatamente Maya encarou Lucian ainda em pé - vampiros e lobos se dividiram.
-Como assim, se dividiram? E por quê?
-Um ataque de Isca ao acampamento os fez tomarem essa decisão - que ótimo - os lobos de Augusto foram para o tal castelo de Drakus e os vampiros da Soraia foram para o castelo Kaxal.
-Isso sim que é novidade boa.
-Não comemora garota – e por quê? - porque Augusto e Soraia continuam aqui, e agora contam com o irmão de Augusto, Leonel e a fêmea dele com toda a matilha.
-Droga, nos livramos de uns e surgem outros.
Lucas assentiu em concordância ao dar um último gole em sua bebida, enquanto Lucian enchia seu primeiro copo.
Evolam city Hospital municipal 3 coroas
Um Porshe azul metálico acabara de estacionar no espaço reservado a carros ao lado do hospital. Dele, desceram Raína e Ivan, e estes deram as mãos, respiraram fundo e adentraram o hospital em busca de respostas. Em busca de sua filha.
Veneza, Itália
Sob uma ponte está uma garota de costas, seu longo cabelo negro ondulado balança levemente junto ao sobretudo vermelho. Seus braços estão apoiados na grade de apoio enquanto seu olhar azul tão claro quanto o céu, sem um resquício de nuvem, observa as gôndolas e os pequenos barcos se moverem de lá para cá, e outros simplesmente balançando nas ondas do Grande Canal que atravessa Veneza que aos olhos de qualquer um a cidade parece mergulhar na água tão límpida.
A primeira vez que colocara os pés em Veneza com as belas residências e palácios seculares, não imaginara que seria para morar. Havia poucos meses que seu pai havia morrido em decorrência de um câncer no fígado - uma doença que até agora com toda a tecnologia e avanço científico permanece incurável - então sua mãe resolvera se distanciar, e para bem longe de Evolam city, em
Cardelhas.
Pouco a pouco fora aprendendo italiano, embora preferisse sua língua materna, mas falava e se movia a pé ou em gôndolas como qualquer um. Embora vez ou outra sentia uma saudade inexplicável de voltar a Evolam city como se algo a chamasse, mas quando falava sobre isso com a mãe, ela se irritava lhe dizendo que para lá não iria nem a passeio. Isso fora antes, pois agora com 18 anos já tomava suas decisões e uma delas – a principal - é que no seu aniversário de 19 anos que aconteceria no dia vinte e cinco de dezembro ela iria a Evolam city com ou sem a mãe. Com ou sem o consentimento dela.
A garota então vira-se, seu rosto de expressões suaves com lábios rosados e expressivos olhos azuis claros bem marcados com maquiagem escura em contraste com o cabelo ondulado a balançar conforme, se move por entre a multidão até desaparecer.
Já deveria de fazer mais ou menos vinte minutos que Raína e Ivan estavam a esperar naquela sala fantasmagórica bem como os corredores pelos quais passaram até chegarem a secretária que os trouxera aquela sala.
Passos se ouviram no corredor, uma conversa entre duas mulheres, passos seguiram pelo corredor novamente e outro se adentraram a sala arejada cuja uma porta rangera e...
Raína reconhecera a diretora da maternidade de imediato, e precisou buscar apoio no aperto da mão do marido que pela expressão também havia reconhecido a mulher.
-Dezenove anos se passaram - começou ela, antes uma mulher de cabelos loiros escuros que agora davam lugar a alguns fios brancos e a pele antes jovial agora concentrava linhas de expressão acentuadas – e vocês quase não mudaram – sentou-se a mesa em frente a Raína e Ivan que estão imóveis - em que posso lhes ser útil?
-Viemos lhe pedir uma informação - começou Ivan segurando firmemente a mão gélida da esposa; ela assentiu – queremos o endereço da enfermeira Rita Honora.
A Diretora Leda Ramires, segundo dizia no seu crachá preso ao bolso de seu jaleco, franziu o cenho ao dizer:
-A enfermeira Rita Honora não trabalha conosco a dezenove anos e ...- e antes que ela terminasse a frase,
Raína exaltou-se – e você sabe o por quê?
-Calma, Raína -pediu Ivan ao perceber como Raína se exaltara física e emocionalmente, levantando-se de supetão da cadeira e encarando com olhos raivosos a diretora que arregalou os olhos.
-Não me peça para ter calma, Ivan – rosnou ao olhar da mulher para o marido e voltar a ela – ela pediu demissão a dezenove anos, não é mesmo?
Leda estava tão assustada que podia jurar que havia visto algo vermelho brilhar no olhar daquela mulher, e nem soube como conseguira assentir á sua pergunta.
-E você sabe por quê? - ela negou com a cabeça - porque a dezenove anos ela fizera meu parto e levara consigo a minha bebê! - esbravejou chorosa e viu-se abraçada pelos braços calorosos do marido.
-Senhora – a diretora respirou profundamente – isso é uma acusação muito grave – cruzara as mãos sobre a mesa um pouco mais calma – por acaso vocês tem provas?
-Temos duas testemunhas e o médico que trabalhara com ela no parto de minha esposa, o Doutor Montesã -declarou Ivan acarinhando as costas de Raína.
Leda suspirou.
-Dezenove anos é muito tempo, e Rita nem trabalha mais conosco – Ivan assentiu – eu sinto muito, mas não há muito o que eu possa fazer, porém, prometo que levarei o caso até o conselho geral, e tenho certeza de que com o testemunho de vocês e das demais pessoas – um sorriso surgira no rosto de Raína e Ivan – podemos colocar Rita Honora na cadeia.
-Obrigado – agradeceram em uníssono.
-Irei tratar disso agora mesmo – informou ao pegar o telefone sob a mesa e ligar para a sua secretária, solicitando uma reunião urgente com o conselho geral, e não tardara para que ela pedisse licença aos dois ao sair da sala deixando-os a sós por algum tempo.
2 horas depois
Assim que chegaram em Evolam city, Raína e Ivan primeiro foram ao hotel para deixarem as malas pois assim que decidiram ir para lá optaram por solicitar quartos sem data definida, após procuraram as tais testemunhas e foram para o hospital, e agora de vota ao hotel com a suíte bem espaçosa.
O telefone então tocara e Raína atendera de imediato por estar na poltrona giratória oval verde clara ao lado da mesinha do telefone.
-Pois não?
-É Raína quem fala?
Raína então olhou para Ivan que percebeu a agitação sanguínea da mulher e viera para o seu lado.
-O que tem para nos contar Diretora Leda?
Em poucas palavras como já sabiam, por não trabalhar mais no hospital e por ela nem morar mais em Evolam city – fato novo a eles- não se podia fazer muito, mas o conselho geral abrira um processo administrativo contra Rita Honora e, se preciso fosse, ela teria de voltar a cidade em breve.
-Obrigado por nos informar a decisão do conselho, Diretora – a diretora desculpou-se por não poder fazer mais, e pelo que não fizera antes com respeito a Rita e, se caso Raína precisasse de algo mais, bastaria procurá-la, e desligou.
Por ser vampiro Ivan ouviu toda a conversa claramente e concluiu – Rita pode não estar agora em Evolam city, mas quando o processo começar, ela terá de voltar e, se nossa filha estar com ela vira junto – e a abraçou e beijou o topo da cabeça.
-Uau!!!
Essa era a única palavra que saia dos lábios de Leonel conforme ele passeava pelo castelo que nem parecia o
mesmo, seguido por Joss e Sheila que sorriam.
-O castelo era um pouco decrépito quando estive aqui pela última vez – lembrou-se enquanto seguia em frente pelo corredor em vermelho bem como todas as paredes do castelo, só mudando os tons, e as longas cortinas de musselina vermelho sangue com rendas brancas a dançar pelo vento.
-Decrépita era a sua vó, que Deus a tenha e me perdoe –pediu ao olhar para cima como se fosse o céu.
-O castelo é medieval, minha mãe, o que a senhora espera? - perguntou embora o castelo fosse medieval, tudo dentro
dele era o mais moderno possível. Desde os belos e caros tapetes, objetos de decoração, louças, quadros e demais detalhes, sendo que muitas coisas eram de ouro branco, principalmente, os lustres.
-O castelo era e, é medieval, mas sua vó o fez parecer da pré-história.
Joss riu, mas desculpou-se em seguida, embora o próprio Leonel tenha achado graça do comentário rude da mãe.
-Não se preocupe, Joss, não tem porquê, apenas agradeçam que vocês dois – olhou para Joss e Leonel –nasceram num tempo mais moderno.
-Ai minha mãe, como a senhora é maldosa com minha avó- queixou-se Leonel só para irritar sua mãe que sentiuse desafiada a contradizê-lo.
Sheila suspirou, cruzou os braços e franziu a tez ao dirigir-se até uma das altas janelas – para você desmanchar esse bico – encarou o filho – e parar de dizer que estou sendo maldosa com sua falecida avó, o jardim – olhou para fora – foi conservado do jeitinho que ela o fez.
Joss e Leonel foram para outra janela, afastaram as cortinas e olharam para o amplo jardim com grama rala bem verdinha, escadas de mármore que levam até o campo aberto repleto de árvores, arbustos e clareiras.
A bela calçada de vidro de acesso ao castelo – vidro fumê com pontos brancos como um céu noturno estrelado – e o início desta começa pelo longo corredor que leva até a porta principal cuja a área é adornada por grandes vasos de cerâmica branca com flores e folhagens a perfumar o ambiente.