Helena sempre acreditou que tinha controle sobre a própria vida - até cruzar o caminho de Dante.
Frio, poderoso e cercado por segredos, Dante é um homem que não deveria fazer parte do mundo dela. Amigo de seu pai e marcado por um passado sombrio, ele representa tudo o que Helena sabe que deve evitar... e tudo o que seu corpo insiste em desejar.
Tentando escapar dessa atração proibida, Helena se envolve em um relacionamento que promete ser seguro. Mas a traição vem de onde ela menos espera, destruindo sua confiança e deixando-a vulnerável justamente quando Dante se torna sua única proteção.
Entre jogos de poder, obsessão e um desejo cada vez mais incontrolável, Helena é puxada para um mundo onde limites não existem - e onde resistir a Dante pode ser tão perigoso quanto se entregar completamente a ele.
Porque, uma vez sob o domínio de Dante... não há volta...
Mas cada escolha tem um preço. Ao se aproximar de Dante, Helena percebe que não está apenas entregando seu coração, mas também sua liberdade. Em um jogo onde amor e perigo caminham lado a lado, ela precisará decidir: fugir enquanto ainda pode... ou se perder de vez no homem que pode destruí-la.
Capitulo 01
Helena
Caminhei pela estrada sob a chuva, sem pressa, deixando a água escorrer pelo meu corpo como se pudesse lavar tudo o que eu estava sentindo. Cada passo parecia pesado, mas ao mesmo tempo libertador. Era estranho... aquela sensação da chuva tocando minha pele despertava algo que eu nunca havia sentido antes - algo que meu ex-namorado nunca conseguiu provocar.
Ele tinha terminado comigo naquela mesma noite.
As palavras dele ainda ecoavam na minha cabeça, afiadas e cruéis. Disse que eu era fria, distante... que nunca reagia aos toques dele como "deveria". Que eu não me entregava. Que parecia... vazia.
Talvez o que mais tivesse doído não fosse o término em si, mas a forma como ele falou do meu corpo, como se houvesse algo errado comigo.
Uma semana antes, eu tinha cedido. Deixei que ele avançasse mais do que o normal. E o que recebi em troca? Um comentário seco, impaciente, dizendo que eu não estava pronta... que aquilo só iria doer.
E agora, no fim, ele ainda teve a audácia de sugerir que eu deveria simplesmente desistir. Que talvez eu fosse feita para nunca desejar ninguém.
Soltei um riso baixo, sem humor.
- Que se dane ele... - murmurei, parando diante do portão de casa.
A propriedade estava mergulhada na escuridão. Nenhuma luz acesa. Estranho... minha mãe costumava estar em casa àquela hora. Pensei que talvez tivesse se atrasado por causa da chuva e, sem dar muita importância, entrei.
Desde que meu pai morreu, quando eu ainda era criança, nossa vida tinha sido instável... até que, de repente, tudo mudou. Aquela casa enorme, confortável... tudo graças a um "amigo" dele que nunca conheci. Um benfeitor invisível que, segundo minha mãe, nos ajudava por respeito à memória do meu pai.
Nunca vi seu rosto. Nem ouvi sua voz.
Até agora.
Assim que entrei na sala, senti.
Uma presença.
Meu olhar se ajustou à penumbra e então o vi.
Um homem sentado no sofá, completamente à vontade, como se aquele lugar fosse dele. Estava sem camisa, o corpo exposto sob a luz suave de uma única lâmpada. A toalha presa à cintura era a única coisa que o cobria.
Meu primeiro instinto deveria ter sido gritar. Fugir. Perguntar quem ele era.
Mas nada disso aconteceu.
Fiquei parada.
Observando.
Os contornos do corpo dele eram impossíveis de ignorar - músculos definidos, pele levemente bronzeada, cada detalhe parecendo... calculado. Quando seus olhos se ergueram e encontraram os meus, senti algo diferente. Um impacto direto, como se aquele olhar atravessasse qualquer defesa que eu tivesse.
Meu coração disparou.
Não era medo.
Ele era ainda mais impressionante.
A expressão séria, quase fria... e então seus olhos se ergueram e encontraram os meus.
Azuis.
Intensos.
Meu coração disparou de um jeito que eu nunca tinha sentido antes.
- Vai ficar aí parada? - ele perguntou.
A voz dele...
Grave. Profunda. Masculina de um jeito que fez meu corpo reagir imediatamente. Minhas coxas se pressionaram sozinhas, e uma sensação estranha me atravessou.
Aquilo não era normal.
- Venha até mim. Não gosto de esperar - ele disse, no mesmo tom firme.
Eu tentei pensar.
Quem era ele?
O que estava fazendo ali?
Por que estava me dando ordens?
Mas eu não conseguia organizar meus pensamentos.
Era como se meu corpo estivesse reagindo antes da minha mente.
E eu obedeci.
Caminhei até ele, sentindo minhas pernas se tocarem a cada passo, o calor aumentando de forma desconcertante.
- Então é isso que eu tenho hoje? - ele murmurou, me analisando. - Ajoelhe-se.
Aquilo soou como uma ordem direta.
E, contra tudo o que fazia sentido... eu me ajoelhei.
Senti o calor crescer dentro de mim, pulsante, insistente.
Ele levou a mão até a toalha e a soltou, deixando o tecido cair.
Prendi a respiração.
O que vi fez meu corpo reagir ainda mais forte. Era maior do que eu imaginava... e ainda assim parecia apenas parcialmente rígido.
Minha mente gritava que aquilo era errado.
Mas meu corpo... queria.
- Use as mãos - ele disse, olhando diretamente para mim.
E, naquele instante, senti meu corpo responder de forma intensa, um calor úmido que não tinha nada a ver com a chuva.
Aquilo vinha de mim.
De dentro.
Confusa, mas incapaz de resistir, estendi as mãos e o toquei.
Era quente, firme... diferente de qualquer coisa que eu já tinha sentido.
Engoli seco.
Eu queria aquilo.
E perceber isso me deixou ainda mais perdida.
Meu vestido encharcado colava no meu corpo, revelando minha excitação sem que eu pudesse esconder.
Minhas mãos se ajustaram, envolvendo-o com dificuldade.
- Hm... melhor do que parece - ele murmurou.
Aquilo soou como um elogio.
E eu reagi.
Minhas mãos começaram a se mover, ainda inseguras no começo, mas guiadas por algo instintivo. Foi quando percebi que ele também reagia ao meu toque.
- Não fique parada. Use essa boca linda que você tem - disse ele, a voz mais baixa, carregada.
Aquilo me fez estremecer.
Aproximei o rosto, sentindo o calor dele, o cheiro... tudo parecia intensificar aquela sensação dentro de mim.
Eu já tinha visto aquilo antes, em vídeos... mas nunca imaginei que faria algo assim, muito menos com um estranho.
E ainda assim...
Eu estava ali.
Fazendo exatamente isso.
Fora de controle.
Confusa.
Mas, ao mesmo tempo...
Sentindo algo que nunca tinha sentido antes.
Capitulo 02
Helena
Cuspi mais um pouco sobre ele, tentando imitar o que já tinha visto antes, e voltei a mover minhas mãos com mais firmeza.
Dessa vez foi mais fácil... mais natural. Pela reação dele, eu sabia que estava funcionando.
Um som grave escapou de seus lábios.
- Use a boca de uma vez.
Antes que eu pudesse reagir, sua mão se enroscou no meu cabelo e puxou minha cabeça para mais perto.
Se eu ainda estivesse pensando com clareza, teria protestado. Mas minha mente parecia distante... lenta... enquanto meu corpo respondia por mim.
Meus lábios se abriram, hesitantes no início, tentando se adaptar àquela sensação nova, intensa. Era desconfortável... mas, ao mesmo tempo, havia algo ali que fazia meu corpo reagir de forma completamente oposta.
Um calor crescente.
Uma necessidade que eu não entendia.
- Tão apertada... - ele murmurou, a voz carregada, enquanto me guiava com firmeza.
Eu ainda estava tentando me acostumar, sem saber até onde conseguia ir. Cada movimento era novo, incerto... mas também estranhamente envolvente.
- Vai... assim... - ele insistiu, puxando levemente meu cabelo de novo, fazendo meu corpo estremecer.
Aquilo provocava algo em mim.
Não era só físico.
Era mais profundo.
Eu me apoiei nele, usando as mãos para acompanhar o ritmo, tentando entender o que fazia ele reagir daquela forma.
Aos poucos, comecei a perceber... a sentir.
E, quando deixei minha língua explorar, mesmo que timidamente, a resposta veio imediata.
- Isso... - ele soltou um som rouco. - Exatamente assim.
Meu corpo respondeu ao tom da voz dele, ao controle que ele exercia... ao jeito como cada reação dele parecia me guiar.
Era como se eu estivesse aprendendo ali, naquele momento.
E gostando disso.
Uma sensação estranha crescia dentro de mim, insistente... quase desesperada. Meu corpo inteiro estava sensível, cada detalhe amplificado.
- Você está gostando disso, não está? - ele disse, em um tom baixo, quase provocador.
Eu não respondi.
Mas ele não precisava de resposta.
Ele já sabia.
Suas mãos guiaram as minhas novamente, e eu obedeci sem questionar. Agora meus movimentos eram mais firmes, mais confiantes... como se algo dentro de mim tivesse despertado de vez.
Eu não era indiferente.
Nunca fui.
Eu só... nunca tinha sentido isso antes.
De repente, ele se levantou.
A diferença de altura ficou ainda mais evidente. Ele parecia maior, mais imponente... como se dominasse completamente o espaço ao redor.
Meu olhar subiu lentamente, ainda atordoado.
- Olhe para você... - ele disse, analisando minha expressão, meu corpo. - Finalmente reagindo.
Minhas pernas ainda tremiam levemente.
Eu não sabia o que dizer.
Nem se queria dizer algo.
- Diga - ele exigiu, se aproximando um pouco mais. - Você quer continuar?
Minhas palavras ficaram presas na garganta.
Mas o silêncio... disse tudo.
Ele soltou um riso baixo, satisfeito.
- Então peça.
Meu coração disparou.
Havia algo naquele pedido... naquela exigência... que me fazia perder completamente o controle.
- Eu... - tentei falar, mas hesitei.
Ele se inclinou um pouco mais, diminuindo a distância.
- Peça.
Engoli em seco.
E então, sem pensar direito, as palavras escaparam:
- Por favor...
Ele fechou os olhos por um segundo, como se apreciasse aquilo.
- Melhor.
Havia algo naquele jogo de poder... naquela dinâmica... que fazia meu corpo responder ainda mais forte.
E, naquele momento, eu percebi.
Era isso.
Era isso que me faltava antes.
Não era incapacidade.
Era falta de conexão.
De intensidade.
De alguém que despertasse aquilo em mim.
De repente, o som da porta se abrindo ecoou pela casa.
Eu me afastei imediatamente, o coração disparando, enquanto ele rapidamente pegava a toalha e a envolvia novamente na cintura.
- Depois continuamos - ele disse, baixo, antes de se afastar um pouco.
Endireitei meu corpo, tentando parecer normal, mesmo sentindo meu rosto quente e a respiração descompassada.
- Helena? - a voz da minha mãe veio do corredor, seguida pelo clique das luzes se acendendo.
- Mãe... - respondi, tentando parecer natural.
- Helena? - o homem repetiu, virando-se para mim com surpresa. Eu congelei. - Você é a Helena?
Não respondi.
Mas minha mãe respondeu por mim.
- Sim, Sr. Riviera. Essa é minha filha. Vejo que vocês já se conheceram.
Meu estômago virou.
- Tem algum problema? - minha mãe perguntou, olhando entre nós dois.
Ele passou a mão pelo rosto, soltando um suspiro curto.
- Não... nenhum problema.
- Que bom - ela sorriu. - Helena, esse é o Sr. Riviera. Amigo do seu pai.
Ele tem nos ajudado todos esses anos.
Minhas pernas ficaram fracas.
Meu olhar voltou lentamente para ele.
O homem.
O estranho.
Aquele que tinha despertado algo em mim que eu nem sabia que existia...
Era o mesmo homem que sustentava nossa vida.
- Droga... - ele murmurou, baixo.
E naquele instante, uma única pergunta ecoou na minha mente:
O que foi que eu acabei de fazer?