TRAFICADA
"Esta obra é a continuação do "Leiloada - Contrato de Casamento". Venham conhecer a história dos descendentes dos protagonistas da parte 1."
Nota da Autora: Não precisa de ler o livro 1 para perceber este que vai ler agora. São histórias completamente independentes e diferentes.
Esta história é apenas e unicamente da minha autoria.
PLÁGIO É CRIME. PDF TAMBÉM.
DARK ROMANCE
‼️‼️‼️ADVERTÊNCIAS ‼️‼️ ‼️
ATENÇÃO : ESTA OBRA CONTÉM GATILHOS!
LEILÃO
TRÁFICO HUMANO
CENAS FORTES
CENAS DE SEXO EXPLÍCITO.
PALAVRAS OBSCENAS.
+18 🔞
‼️Este livro aborda temas como tráfico humano, sexo explicito, uso de linguagem vulgar e obscena, violência física e psicológica, uso de intorpecentes, álcool e drogas.
Aviso, que não concordo com as práticas que ocorrem ao longo da história, e que para alguns leitores/as de alguma maneira seja acionado certos gatilhos.‼️
SE POR ACASO SE SENTIR INCOMODADO COM ALGUMA COISA, POR FAVOR NÃO LEIA.
ESTÁ BEM EXPLICADO O QUE VAI ENCONTRAR NO DECORRER DA OBRA.
CAPÍTULO 1
NOVA GERAÇÃO
O INÍCIO DO TERROR
Dinamarca, Odense
"Você só vence amanhã, se não desistir hoje"
- POR FAVOR, NÃO FAÇAS ISTO! - ela implora. Mas agora já é tarde.
Sorrio para ela.
- Já está feito. Agora vai e diverte-te. Colabora, não será tão difícil assim.
Faço sinal com a mão para a levarem.
O Homem que a comprou a puxa pelo braço com força.
- POR FAVOR, EU IMPLORO, NÃO DEIXES QUE ME LEVEM, ELES VÃO ME MATAR.
Ela grita desesperada.
- Ninguém te vai matar, apenas vão gozar muito em ti. - falo desbocado.
O Homem dá uma gargalhada e diz.
- Vamos mesmo, - cheira o cabelo dela - tão cheirosa, tão gostosa. Vai ser um banquete só.
Rimos juntos e ele a leva dali para fora à força.
Ouço os gritos e o choro desesperado dela cada vez mais longe, até que finalmente a deixo de ouvir.
Um excelente leilão, o primeiro leilão de muitos, desta ingrata
Sorrio.
Sou mesmo um ótimo negociador.
💲💲💲
Dois anos depois da Clare nascer, a filha da April com o Liam, nasceram os gémeos, Christian e Samuel, os filhos também da April com o Gael.
(April, Liam e Gael são um casal trisal.
Clare é filha da April e do Liam, Christian e o Samuel são os gémeos da April com o Gael)
A sua melhor amiga, Anna e o Cassio depois que iniciaram as suas carreiras de Astrônomos, não pensavam sequer em ter filhos, mas, acabaram por ter uma filha, a Agnes, que nasceu no mesmo ano que os gémeos, Christian e Samuel.
A vida deles inevitavelmente estava interligada.
Mas isso seria um problema ou uma bênção?
NÃO GOSTAS DE MIM
Narrado por Samuel
"Você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você"
- Eu não sei porque raio tu não gostas de mim!
Agnes revira os olhos aborrecida.
- Por Deus, Samuel, pára de ser paranoico! Não tem nada a ver com gostar ou não, apenas não estou a fim de ter contigo o que tu queres comigo, é só isso!
- Tu gostas do meu Irmão, é isso não é?
- Samuel, nós temos 16 anos, pára com esses ciúmes bobos, até pareces um marido traído, santo Deus.
Ela diz aquilo mas já andando, se afastando de mim.
Garota doida.
Um dia ela ainda vai ser minha, ela vai só ver.
Ela é toda derretida com o meu irmão Christian, até me enerva, mas a verdade é que ele também lhe dá confiança para tal.
Eu e o Christian somos gêmeos, mas não somos iguais, temos olhos cinzentos, praticamente a mesma altura, 1,80cm, mas enquanto o Christian tem os cabelos castanhos claros, eu tenho cabelos castanhos mas mais escuros.
Olho para eles, juntos, aqui no jardim de casa e aquilo me irrita na hora.
NOVE ANOS DEPOIS
POLICIA FEDERAL
Narrado por Christian
"Nunca desista daquilo que você não passa um dia sem pensar"
Chego ao edifício da polícia federal aqui de Odense. Sou um respeitado policial da secção de tráfico humano.
Desde sempre, que sei bem a história da minha família, e sempre mexeu muito comigo a história da minha avó, Alyson, que foi leiloada com 18 anos pelo seu próprio pai, que afinal não era pai, enfim, o certo é que a minha avó acabou por ter sorte, porque nesse processo, acabou por conhecer o Kevin Macwire, depois disso os meus queridos e saudosos bisavós, Pierce e Bri e o meu avô, Brian.
Mas o saber que alguém leiloa pessoas, sempre me deixou bastante desconfortável e então me interessei e sempre estudei bastante para ajudar as pessoas que são vítimas desses sequestros, dessas situações bizarras que fazem as pobres pessoas passar.
Tem que se ter muito sangue frio para tratar desses assuntos, porque ao contrário da minha avó Alyson, a maior parte das pessoas são mesmo muito maltratadas, passam o impensável, sofrem no corpo e na alma toda a maldade que infligem nelas.
É horrível, por isso, tudo faço para ajudar essas pessoas. Mas a maior parte das vezes, são situações irreversíveis, poucas são as de sucesso, em que conseguimos resgatar e ajudar.
- Bom dia, chefe.
- Bom dia, Katrina, tudo calmo por aqui?
Falo me sentando na minha mesa.
- Chegou esta situação.
Ela mostra então as fichas.
Começo a folhear.
- Foram transportadas para onde, todas estas mulheres?
- Desconfiamos que foram transportadas em contentores para a Turquia, mas sem certezas. Na alfândega ninguém diz nada que preste, ninguém viu nada, ninguém ouviu nada.
- O costume! - bufo frustrado - Cada vez mais estas situações acontecem e cada vez mais se torna mais difícil resgatar estas pobres pessoas. Esses delinquentes cada vez estão mais espertos.
- Pois é, é realmente frustrante, e na maior parte das vezes nem os próprios países ajudam.
É uma grande verdade, pedimos ajuda aos países para onde as pessoas são levadas, mas a maior parte não lhes interessa ajudar. Tudo isto é uma grande máfia, isso sim.
Passo o dia a falar com os familiares destas vítimas, mas em nada ajudam. Muitos não sabem de nada, outros estão desesperados, outros nem tanto e ainda há os que tenho a certeza que são culpados mas não tenho provas disso, então nada posso fazer.
Por volta da hora do almoço, recebemos uma denúncia, onde foi visto a encher uma carrinha com pessoas, homens e mulheres, praticamente atirados lá para dentro.
- Vamos. - falo para a minha equipa, já me levantando e pegando as chaves do carro onde vou com a Katrina, que é a minha parceira.
Todos se preparam e saímos.
Temos todas as informações.
Vamos apanhar esses filhos da puta de traficantes.
Chegamos ao local e vemos aqueles desgraçados a mudar as pessoas de veículo. Trocando de veículo, vão se disfarçando e assim conseguem o que querem, traficar as pessoas para fora do país. Homens, mulheres e até crianças.
O meu sangue ferve de raiva.
Faço sinal para a minha equipa avançar.
Aqueles traficantes de merda, são apanhados de surpresa. Alguns tentam fugir, e outros colocam as mãos no ar e ficam parados parecendo umas estátuas.
Este foi um resgate de sucesso, conseguimos levar os traficantes para serem julgados e resgatamos todas as pessoas.
CAPÍTULO 2
A VIDA TODA PELA FRENTE
Narrado por Agnes
"Até pra ser bom você precisa de um limite. Senão você vira besta"
Entro no restaurante já atrasada.
Raios, detesto me atrasar.
- Pensei que tinhas desistido de vir à prova do bolo! - ele diz brincalhão mal chego perto dele.
Dou-lhe um beijo nos lábios.
- Desculpa, tive um contratempo com um doente.
- Mas está tudo bem? - pergunta preocupado.
- Tudo ótimo. Vamos lá então provar esse bolo que está com um aspeto fantástico.
A senhora coloca uma fatia em cada prato e nós provamos.
- Hum, - falo deliciada - que bom.
Olho para o Christian e vejo que ele também aprova o bolo.
Um gostoso bolo de recheio com ganache de chocolate, doce de leite e nozes.
- Bom mesmo. - Ele confirma.
Fica então escolhido o nosso bolo de casamento.
Pois é, eu e o Christian estamos de casamento marcado, falta apenas um mês para finalmente subirmos ao altar.
Estou empolgada e muito feliz, mas ao mesmo tempo muito nervosa.
Conheço o Christian desde sempre e sempre tive um fraquinho por ele, por isso, quando ele me pediu em namoro há três anos atrás, me senti nas nuvens por finalmente ele ter dado o passo que eu esperava que ele desse desde a nossa adolescência, quando comecei a perceber que gostava dele mais do que devia.
- Que pensativa. - a voz dele me tira dos meus pensamentos.
Sorrio para ele.
- Estava aqui a pensar na nossa história. Quem diria que nós um dia iríamos casar.
- Verdade. - Ele diz colocando a sua mão em cima da minha e dando um carinho nela - Sempre te amei, mas sempre tive medo de arriscar. Mas quando finalmente arrisquei, percebi que o deveria ter feito mais cedo.
- Não faz mal meu amor, temos a vida toda pela frente. - eu digo feliz.
SOMBRIO
Narrado por Clare
"Se ame ao ponto de dizer "eu mereço mais"
- Deixas de ser estúpido? Tu estavas de viagem, o telemóvel sempre fora de área, nunca ligavas. Como querias que te avisassem? Por sinais de fumo?
Samuel continua aqui na minha frente com cara de poucos amigos.
- E se eu não viesse agora?? Nem sabia que o meu irmão iria casar. Quando chegasse eles já estavam casados e tudo. - ele fala bastante desagradado.
Samuel é tradutor e intérprete, e por isso passa a vida a viajar pelo mundo.
Por vezes está meses fora, porque acaba por gostar de onde está e fica mais do que deveria. Conhece o mundo todo e conhece muita gente.
- Deixa de complicar o que não é complicado, mano. Por favor, o Christian e a Agnes não cabem neles de tão felizes que estão. Já cá estás, e isso é o que importa, ainda falta um mês para o casamento. Por isso vieste muito a tempo.
Ele encolhe os ombros e levanta-se do pequeno sofá de um só lugar que está aqui na minha sala.
- Já visitaste os pais, desde que chegaste? - pergunto.
- Ainda não, passo lá na casa deles mais tarde.
Ele se despede e sai da minha casa.
Por vezes acho o meu irmão Samuel muito sombrio, diferente do Christian, que é muito alegre e sociável.
São uns gémeos mesmo muito diferentes. Amo os dois, mas por vezes o Samuel me deixa muito intrigada.
Mas tenho que me deixar de devaneios, até porque tenho que me despachar.
Hoje vou conhecer a mãe do James, estou nervosa, mas com certeza vai correr bem.
Eu e o James nos conhecemos na universidade há dois anos atrás, e tivemos logo uma grande empatia um pelo outro.
Eu sou professora na "University of Copenhagen", sou professora de inglês e o James foi ocupar a vaga para professor de biologia e geologia.
Foi um passo curto, até começarmos a namorar.
E hoje, finalmente vou conhecer a sua mãe, o pai faleceu há uns quatro anos atrás com um um ataque cardíaco.
Tomo o meu banho e visto uma roupa discreta, nada muito extravagante, até porque gosto de andar bem simples.
Um vestido por baixo dos joelhos com um decote comportado e uns sapatos de salto alto, mas não muito alto.
James manda uma mensagem para o meu telemóvel, bem na hora que eu acabava de me preparar, a avisar que já estava na porta do meu prédio.
Pego na minha bolsa e desço, sorridente, com toda a certeza do mundo que vai ser uma noite excelente.
📚📚📚
A MANSÃO
Narrado por Clare
"No tempo certo a gente entende alguns porquês!"
A mãe do James mora no bairro Sanderum, é um bairro charmoso localizado na parte sudeste de Odense. É conhecida por suas ruas pitorescas, ladeadas por belas árvores e casas bem cuidadas. A área oferece uma mistura de opções de moradia, incluindo casas unifamiliares, sobrados e apartamentos. Sanderum também abriga vários parques e espaços verdes, tornando-se uma escolha popular para os amantes da natureza.
James é de uma família de muitas posses, mas não gosta de viver como tal.
É um homem simples, com gostos também simples. O apartamento dele é do mais prático possível, com poucas coisas, mesmo apartamento de homem.
Ele pára o carro no jardim em frente à casa onde a sua mãe mora.
A mansão parece saída de um conto de fadas, é grande e muito bonita por fora.
Não imaginei o quanto a mãe dele era rica.
Ao entrar fico literalmente de boca aberta.
O hall de entrada é majestoso e imponente. Ao passar pela imensa porta de madeira entalhada, vejo um amplo espaço repleto de luxo e sofisticação.
As paredes são revestidas com painéis de madeira escura, que dão um toque de elegância ao ambiente. A iluminação é suave, vindo de lustres de cristal deslumbrantes, que pendem do teto alto e decorado com afrescos delicados.
Ao entrar, os meus pés pisam num piso de mármore polido, cujo padrão intrincado faz com que pareça uma verdadeira obra de arte. No centro do hall, há um lustre monumental pendurado em um candelabro de bronze maciço, que brilha intensamente e espalha uma luz quente por todo o ambiente.
A mobília é arrebatadora e chama a atenção pela sua opulência. Um grande espelho adornado com detalhes dourados está pendurado em uma das paredes, refletindo o ambiente e dando a sensação de ainda mais amplitude. Atrás do espelho, há uma elegante mesa de console, onde repousam esculturas finamente trabalhadas e um elegante vaso de flores frescas.
À direita, há uma imponente escadaria de madeira entalhada, conduzindo ao andar superior da mansão. O corrimão é adornado com detalhes ornamentados, e um tapete luxuoso se estende pelo piso de madeira, trazendo um toque de cor.
À esquerda, há uma série de portas grandes e detalhadas, que dão acesso às diversas salas de estar e de jantar da mansão.
No final do hall, há uma grande janela com cortinas de seda, oferecendo uma bela vista para os jardins bem cuidados. Através dessa janela, é possível vislumbrar uma paisagem exuberante e uma fonte ornamentada que complementa a grandiosidade da mansão.
Estou chocada com tamanha riqueza.
James disse que vinha de uma família rica, mas nunca sequer imaginei que fosse assim tão rico.
CAPÍTULO 3
O JANTAR
Narrado por Clare
"Você está onde você se coloca"
- Menino James! - uma voz super simpática me faz olhar na direção do corredor.
- Beth, que saudades!
Eles dão um abraço carinhoso.
-Tem saudades porque nunca aqui vem! - ela diz triste.
- Mas que exagero, Beth. - Ele ri - Venho quando posso, a vida de um professor é muito difícil.
Ela olha para mim e me presenteia com um sorriso bonito.
- A menina deve ser a Clare.
- Sou eu sim, muito prazer em conhecê-la.
Ela vem ter comigo e me dá um abraço também, me deixando surpresa, mas gostei dela, muito mesmo.
Ela nos encaminha para a "sala de chá ", foi mesmo esse nome que ela disse.
Parecia até que estava na casa da rainha de Inglaterra, kkk.
Nos colocou à vontade e disse que a senhora descia já.
Supus que a senhora, será a mãe do James.
Mas tanta pompa nesta casa.
A Beth sai da "sala de chá " nos deixando à vontade.
- Nunca imaginei que tivesses nascido e crescido num berço carregado de ouro! - brinco com o James.
Ele encolhe os ombros.
- Sabes que não dou muita importância a isso. Sou uma pessoa simples por natureza. A minha mãe é que sempre gostou desta vida, não fazer nada é o seu passatempo preferido. - Ele sorri e abaixa a voz - Ela detesta que eu seja professor, preferia que eu fosse um advogado ou um CEO de qualquer besteira.
Eu não tenho tempo de responder, porque a porta da "sala de chá " é aberta.
Na porta está uma mulher muito bonita, tem a volta de 50 anos, mas eu não lhe daria mais de 40 anos, mas percebo perfeitamente que é a mãe do James, a cor dos olhos são iguais, verdes escuros e têm traços muito parecidos.
Ela sorri.
- Muito boa noite, meus queridos.
James levanta-se e vai abraçar a mãe e dar-lhe um beijo.
A seguir nos apresenta.
- Mas que bonita que a Clare é. - ela me elogia.
- A senhora é muito simpática. - Digo apenas envergonhada.
O jantar corre bem, a senhora Camile é muito simpática durante todo o jantar e me deixa super à vontade.
- Vou ver se a Beth precisa de ajuda lá dentro.
A mãe faz um ar de aborrecida.
- Ai, James, tu e a tua mania de ajudar a criadagem.
Ele encolhe os ombros e diz.
- Deixo as mulheres a falar a sós um pouco. - diz visivelmente feliz - Não assustes a minha namorada, mãe.
Ele diz aquilo a brincar e sai da sala nos deixando sozinhas.
O olhar que a mãe dele me deita, não é nada igual de quando o James estava presente e fico de imediato desconfortável.
O sorriso desapareceu e deu lugar a uma cara de chateada.
- Quais as tuas verdadeiras intenções para com o meu filho? - Ela pergunta com uma superioridade incrível.
- As minhas intenções? Desculpe, senhora Camile, mas não sei se estou a entender bem a sua pergunta! Eu namoro com o James e as minhas intenções é ser feliz e o fazer feliz.
Ela ergue uma sobrancelha.
- Feliz?? - Ela diz desdenhosa - Não pode haver felicidade se não existir amor.
- Mas eu amo o seu filho, muito mesmo.
- Amas o meu filho, ou amas o que ele te pode proporcionar?? Sim, porque uma vida ao lado do meu filho seria uma vida de luxo. - Olha ao seu redor, como a lembrar-me da enorme riqueza que a família tem - E eu não quero uma oportunista na vida do meu menino.
- Para começo de conversa, eu nem sabia que o James era assim tão rico.
- Ohh, mas sabias que ele tinha dinheiro, certo? Só por si já seria uma coisa boa. - Ela sorri maldosa.
Mas que merda de conversa e de mudança drástica da sua personalidade?? Será bipolar o raio da mulher?
Era só o que me faltava, uma sogra louca.
- E outra coisa, - ela continua - não me agrada nada o tipo de família que tu tens!
Fico bem admirada com o que ela acaba de falar.
- Tipo de família que eu tenho? Como assim? Não entendo o que a senhora está a querer insinuar!
- Ora menina, deixa de se fazer de anta. É completamente imoral ter uma família como a tua. Dois pais e uma mãe?? Que indecente.
Eu fico de queixo caído, porque nesta altura do campeonato já se vê montes de casais assim, fora dos parâmetros ditos normais.
- A senhora só pode estar de brincadeira! O tipo de relacionamento que os meus pais têm, já não é nada de novo, vê-se muitos casais assim, por isso não entendo qual o seu choque!
- O meu choque é que aos olhos de Deus, isso é um dos maiores pecados do universo. Uma porcaria, e eu não quero o meu menino junto com essa gente.
Olha para ela cada vez mais incrédula.
- O seu menino é um homem feito, e sabe pensar pela sua própria cabeça.
-Não, não sabe, ele nunca fez escolhas de jeito, basta olhar para a escolha de ser professor universitário! É horrível, ele tem um enorme património, podia ser tudo o que quisesse, mas foi escolher uma profissão sem jeito nenhum. - ela fdala aquilo com nojo.
Eu não posso acreditar no que os meus ouvidos ouvem.
Ouvimos o James a falar no corredor. Com certeza está quase aqui a entrar na sala.
Ela baixa a voz e olha para mim ameaçadoramente.
- Espero que esta conversa fique apenas entre nós. Acho que no mínimo não deves aborrecer o James com coisas fúteis.
Ele entra na sala seguido da Beth, com um sorriso enorme.
- Então, as duas mulheres mais importantes da minha vida já conversaram tudo!
O semblante da mãe dele volta a mudar e a ficar como estava de início, cheia de sorrisos e super simpática comigo e com a vida.
Eu tento ao máximo disfarçar o quanto eu estou incomodada e louca para fugir desta casa a sete pés, mas me contive.
Mas dez minutos depois já não aguentava mais, estava prestes a vomitar o jantar para cima da hipócrita da mãe dele.
- James, eu preciso de ir, tenho ainda umas provas para ir corrigir, para entregar amanhã aos meus alunos.
- Oh, claro. - diz já a levantar-se - Mãe, vamos ter que ir então.
- Claro meu amor, vão lá então, mas prometem que voltam brevemente para um chá. Quem sabe no próximo fim de semana, vai estar bom tempo, até podem desfrutar da piscina, se quiserem.
James olha para mim como a espera da minha resposta. Ele sorri, feliz por ver que a mãe dele gosta de mim. Eu olho para ela e ela me dá um sorriso de filha da puta de cínica.
- Depois logo vejo, amor, os meus pais disseram qualquer coisa sobre este fim de semana, mas não tomei atenção, deixa-me perguntar melhor. - olho para ela para a provocar - Talvez eles queiram que vamos lá almoçar.
Vejo ela fodida da vida.
Paciência, ela não quer guerra! Então vamos ver como esta guerra vai acabar.