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Traição e Dor Infindável

Traição e Dor Infindável

Autor:: Swing
Gênero: História
O barulho do carnaval abafava a bolha de ansiedade que crescia em mim, pois Clara, minha filha, ainda não havia voltado para casa. Minha cunhada, Sofia, prometeu devolvê-la antes de anoitecer, mas o sol já havia se posto e o silêncio do celular dela me mergulhou em pânico e milhares de cenários terríveis. Quando finalmente atendeu, a voz de Sofia era estranhamente calma, alegando que se empolgaram e foram para a casa de praia, onde as crianças já dormiam como anjinhos. Mal sabia eu que essa calma era o prenúncio de uma traição que viria à tona quando João, meu marido, chegou, defendendo cegamente Sofia, chamando-me de neurótica, e devorando doces feitos por ela. A negação dele, o carinho incomum pela cunhada e minhas próprias memórias de suas "reuniões de trabalho" revelaram uma verdade chocante: ele estava com ela, enquanto minha filha estava sabe-se lá onde. Não, eu não dormiria. O sol nem havia nascido quando peguei as chaves do carro, decidida a ir buscar minha filha, custasse o que custasse. Mas João me barrou, os olhos inchados de raiva, acusando-me de loucura: "Você está insultando a memória do meu irmão com essa sua desconfiança doentia!". A raiva dele, a defesa cega da mulher com quem ele me traía, atiçaram meu desespero: "A sua família sou eu! E a Clara!". No entanto, o pior ainda estava por vir: o som abafado de intimidade vindo do telefone de João, ao ligarmos um para o outro, revelou a cruel verdade – ele estava com Sofia naquela maldita casa de praia. A dor da traição me rasgou, mas o terror pela minha filha, usada como peão no jogo doentio deles, me impulsionou: "Polícia, quero reportar o desaparecimento da minha filha!". O atendente disse que eu era apenas uma "esposa neurótica". João, então, teve a audácia de me ligar, avisando-me que soube da queixa e a retirou, dizendo ser seu "direito de pai" e que não o envergonhasse. "Você vai se arrepender disso, João. Eu juro que você vai." A polícia e meu marido haviam me abandonado, mas um fato se impôs em mim: eu faria isso sozinha. Corri para o apartamento de Sofia, a raiva fervendo, mas não encontrei Clara, apenas a visão sórdida da minha cunhada em um roupão de seda e de João sem camisa: "Eu quero o divórcio!". Ele me empurrou, me jogou para fora do apartamento, e me deixou ouvir, do lado de fora, Sofia rindo e a voz dele murmurando para ela: "Onde a gente parou?". Foi quando meu celular tocou, e uma voz grave e oficial do outro lado mudou para sempre minha vida: "Sargento Almeida. A criança que bate com a descrição da sua filha... foi vítima de um acidente de trânsito. Ela não resistiu." Eu me recusei a acreditar que minha Clara estava morta, mesmo com a confirmação no IML. Mas quando a mãe de Sofia, em um interrogatório, confessou com um sorriso doentio que atropelara minha filha, para "tirar do caminho" e depois contara a Sofia que misturara as cinzas de Clara nas cocadas que João comia com prazer, o mundo ruiu. Meu marido vomitando a filha que ele, sem saber, devorara com tanto prazer. A justiça, no entanto, parecia ser uma piada de mau gosto, pois a mãe de Sofia foi considerada insana e Sofia sumiu do mapa. Eu peguei todos os remédios para dormir. Foi então que descobri que Pedro, o filho de Sofia, era também filho de João, e que Sofia não havia fugido sozinha com ele, mas sim com um amante adolescente chamado Lin, deixando Pedro para trás. Usei o conhecimento que João me dera contra ele e o forcei a me levar até a fábrica abandonada onde os dois se escondiam. A polícia entrou e os prendeu. Meses depois, João se entregou à polícia por ter matado o irmão de Sofia, que a ajudava a forjar documentos. No memorial de Clara, eu, Maria, decidi que, embora a dor fosse imensa, não me deixaria consumir. Eu seguiria em frente, viveria por nós duas, carregando a memória de Clara no coração e a dor como uma companheira silenciosa.

Introdução

O barulho do carnaval abafava a bolha de ansiedade que crescia em mim, pois Clara, minha filha, ainda não havia voltado para casa.

Minha cunhada, Sofia, prometeu devolvê-la antes de anoitecer, mas o sol já havia se posto e o silêncio do celular dela me mergulhou em pânico e milhares de cenários terríveis.

Quando finalmente atendeu, a voz de Sofia era estranhamente calma, alegando que se empolgaram e foram para a casa de praia, onde as crianças já dormiam como anjinhos.

Mal sabia eu que essa calma era o prenúncio de uma traição que viria à tona quando João, meu marido, chegou, defendendo cegamente Sofia, chamando-me de neurótica, e devorando doces feitos por ela.

A negação dele, o carinho incomum pela cunhada e minhas próprias memórias de suas "reuniões de trabalho" revelaram uma verdade chocante: ele estava com ela, enquanto minha filha estava sabe-se lá onde.

Não, eu não dormiria.

O sol nem havia nascido quando peguei as chaves do carro, decidida a ir buscar minha filha, custasse o que custasse.

Mas João me barrou, os olhos inchados de raiva, acusando-me de loucura: "Você está insultando a memória do meu irmão com essa sua desconfiança doentia!".

A raiva dele, a defesa cega da mulher com quem ele me traía, atiçaram meu desespero: "A sua família sou eu! E a Clara!".

No entanto, o pior ainda estava por vir: o som abafado de intimidade vindo do telefone de João, ao ligarmos um para o outro, revelou a cruel verdade – ele estava com Sofia naquela maldita casa de praia.

A dor da traição me rasgou, mas o terror pela minha filha, usada como peão no jogo doentio deles, me impulsionou: "Polícia, quero reportar o desaparecimento da minha filha!".

O atendente disse que eu era apenas uma "esposa neurótica".

João, então, teve a audácia de me ligar, avisando-me que soube da queixa e a retirou, dizendo ser seu "direito de pai" e que não o envergonhasse.

"Você vai se arrepender disso, João. Eu juro que você vai."

A polícia e meu marido haviam me abandonado, mas um fato se impôs em mim: eu faria isso sozinha.

Corri para o apartamento de Sofia, a raiva fervendo, mas não encontrei Clara, apenas a visão sórdida da minha cunhada em um roupão de seda e de João sem camisa: "Eu quero o divórcio!".

Ele me empurrou, me jogou para fora do apartamento, e me deixou ouvir, do lado de fora, Sofia rindo e a voz dele murmurando para ela: "Onde a gente parou?".

Foi quando meu celular tocou, e uma voz grave e oficial do outro lado mudou para sempre minha vida: "Sargento Almeida. A criança que bate com a descrição da sua filha... foi vítima de um acidente de trânsito. Ela não resistiu."

Eu me recusei a acreditar que minha Clara estava morta, mesmo com a confirmação no IML.

Mas quando a mãe de Sofia, em um interrogatório, confessou com um sorriso doentio que atropelara minha filha, para "tirar do caminho" e depois contara a Sofia que misturara as cinzas de Clara nas cocadas que João comia com prazer, o mundo ruiu.

Meu marido vomitando a filha que ele, sem saber, devorara com tanto prazer.

A justiça, no entanto, parecia ser uma piada de mau gosto, pois a mãe de Sofia foi considerada insana e Sofia sumiu do mapa.

Eu peguei todos os remédios para dormir.

Foi então que descobri que Pedro, o filho de Sofia, era também filho de João, e que Sofia não havia fugido sozinha com ele, mas sim com um amante adolescente chamado Lin, deixando Pedro para trás.

Usei o conhecimento que João me dera contra ele e o forcei a me levar até a fábrica abandonada onde os dois se escondiam.

A polícia entrou e os prendeu.

Meses depois, João se entregou à polícia por ter matado o irmão de Sofia, que a ajudava a forjar documentos.

No memorial de Clara, eu, Maria, decidi que, embora a dor fosse imensa, não me deixaria consumir.

Eu seguiria em frente, viveria por nós duas, carregando a memória de Clara no coração e a dor como uma companheira silenciosa.

Capítulo 1

O barulho do carnaval lá fora era uma batida distante, um som oco que não conseguia penetrar a bolha de ansiedade que crescia dentro de mim. O cheiro de festa, de fritura e de cerveja, entrava pela janela aberta, mas para mim, só trazia uma sensação de mal-estar.

Minha filha, Clara, deveria ter voltado para casa há horas.

Sofia, minha cunhada, a levou para pular carnaval com o filho dela, Pedro. A promessa era simples: "Fica tranquila, Maria. Devolvo ela antes de anoitecer".

O sol já tinha se posto, e a rua, antes cheia de luz, agora era um breu cortado pelas luzes coloridas dos trios elétricos que passavam ao longe.

Peguei o celular pela vigésima vez. O nome de Sofia na tela parecia zombar de mim. Respirei fundo e liguei. Chamou, chamou e caiu na caixa postal.

Uma pontada de pânico me atingiu. Tentei de novo. E de novo.

Nada.

Meu coração começou a acelerar. Andei de um lado para o outro na sala, o piso frio sob meus pés descalços não me acalmava. Onde elas estavam? Por que Sofia não atendia? Um acidente? Um sequestro? Milhares de cenários terríveis passaram pela minha cabeça em segundos.

Finalmente, depois de quase uma hora de tortura, meu celular tocou. Era ela. Atendi no primeiro toque, a voz saindo trêmula.

"Sofia? Onde vocês estão? Aconteceu alguma coisa? Cadê a Clara?"

Do outro lado, a voz de Sofia era calma, quase sonolenta. Um contraste assustador com o meu desespero.

"Calma, Maria, que estresse. Tá tudo bem."

"Tudo bem? Onde vocês estão? Já é noite, Sofia!"

"Ah, a gente se empolgou na festa e viemos direto pra minha casa de praia. As crianças estavam exaustas, já até dormiram. O Pedro não queria se separar da Clara."

Meu corpo inteiro gelou. Casa de praia? Sem me avisar?

"Como assim, casa de praia? Você devia ter me ligado, Sofia! Eu fiquei desesperada aqui!"

"Ah, desculpa, cunhada. Meu celular ficou sem bateria, só carregou agora. Mas fica tranquila, amanhã de manhã eu levo ela. Elas estão ótimas, dormindo como anjinhos."

Ela falava com uma leveza que me irritava profundamente. Não parecia se importar com a minha aflição.

Antes que eu pudesse protestar mais, a porta da frente se abriu. João, meu marido, entrou. Ele cheirava a álcool e seu rosto estava vermelho. Ele me viu ao telefone, com a cara de pânico, e franziu a testa.

"O que foi agora, Maria da Luz?"

Desliguei o telefone com Sofia, a raiva borbulhando junto com o alívio de saber que Clara estava, supostamente, segura.

"A Sofia levou a Clara pra casa de praia dela. Sem me avisar. Eu passei a noite inteira ligando, desesperada."

João deu de ombros, jogando as chaves na mesinha de centro. Ele abriu um pote de plástico que estava sobre a mesa, um que eu não tinha notado antes.

"E qual o problema? A Sofia cuida bem dela. Você sabe disso. Para de ser neurótica."

Aquelas palavras me atingiram como um soco. Neurótica. Ele sempre usava essa palavra quando eu expressava qualquer preocupação que não se alinhasse com a vontade dele.

Ele pegou um dos doces de coco do pote e colocou na boca, mastigando com satisfação.

"Nossa, essa cocada da Sofia é a melhor do mundo. Você devia experimentar."

"Eu não quero, João. Eu só quero a minha filha em casa."

Ele revirou os olhos, pegando outro doce.

"Maria, a Sofia é minha única família agora, depois que meu irmão morreu. Ela é a mãe do meu sobrinho. Você tem que confiar nela. Ela jamais faria mal à Clara. Para de desconfiar de todo mundo."

Ele falava de Sofia com um carinho, uma defesa, que ele nunca usava para mim. Meu estômago se revirou. Lembrei de uma vez, meses atrás, quando João chegou tarde de uma "reunião de trabalho". No dia seguinte, encontrei um recibo de um restaurante caro no bolso da calça dele, um lugar que ele dizia ser muito caro para nós. Na mesma semana, Sofia postou uma foto usando um vestido novo, com a legenda "noite especial". Eu confrontei João, mostrei o recibo. Ele explodiu. Disse que eu estava louca, que era uma coincidência, que eu estava tentando destruir a relação dele com a única família que lhe restava. Eu me encolhi, pedi desculpas e nunca mais toquei no assunto. A paz em casa tinha um preço: meu silêncio.

Agora, olhando para ele devorando aqueles doces, a mesma sensação de impotência me invadiu. Eu queria gritar, queria dizer que o instinto de uma mãe não mente, que havia algo errado naquela calmaria toda da Sofia, naquela viagem repentina.

Mas eu não disse nada. Apenas me virei e fui para o nosso quarto.

Tentei ligar para a casa de praia de Sofia. O telefone chamou incessantemente, mas ninguém atendeu. Como podiam estar dormindo tão profundamente? Sofia não disse que tinha acabado de carregar o celular? Por que não atendia o telefone fixo?

Sentei na beira da cama, meu corpo tremendo. João entrou no quarto, ainda mastigando.

"Você não vai ligar pra lá de novo, vai? Deixa elas em paz, Maria. Amanhã a Clara tá aqui."

Ele se aproximou, tentou me abraçar, mas o cheiro de coco vindo do hálito dele me deu náuseas. Eu o empurrei.

"Não toca em mim."

Ele suspirou, um som de irritação.

"Você é impossível."

Ele se virou e saiu do quarto, provavelmente para pegar mais daquela cocada maldita. Eu fiquei sozinha no escuro, o som distante da festa de carnaval agora parecendo uma marcha fúnebre. Um pressentimento terrível se instalou no meu peito, pesado e frio. Eu não conseguia nomeá-lo, mas sabia, com cada fibra do meu ser, que algo estava muito, muito errado. E a indiferença de João, sua defesa cega de Sofia, só tornava tudo pior. Eu estava sozinha naquela agonia.

Capítulo 2

Eu não dormi. Cada vez que eu fechava os olhos, a imagem do rosto sorridente de Clara piscava na escuridão. Eu a ouvia me chamando. "Mamãe!" A voz dela ecoava na minha cabeça, mas parecia distante, como se viesse de um lugar muito longe.

Às vezes, eu pensava ouvir a voz de João no corredor, falando baixo ao telefone. Eu me levantava, ia até a porta, mas só encontrava o silêncio. Era minha mente me pregando peças? Ou ele estava realmente escondendo algo?

O nome de Sofia era como um veneno na minha língua. A calma dela, a desculpa esfarrapada da bateria. Não fazia sentido.

O sol mal tinha nascido quando eu levantei. Não aguentava mais esperar. Vesti a primeira roupa que encontrei e peguei as chaves do carro. Eu ia até aquela casa de praia. Eu precisava ver minha filha com meus próprios olhos.

Quando passei pela sala, vi João dormindo no sofá, a boca entreaberta, o pote de cocada vazio ao lado dele. Uma onda de repulsa me percorreu. Ele dormia tranquilamente enquanto eu era consumida pela angústia.

Antes de sair, decidi tentar ligar para Sofia mais uma vez. Talvez ela estivesse acordada agora. Peguei meu celular e disquei.

Desta vez, ela atendeu no segundo toque.

"Alô?"

"Sofia, sou eu. Estou indo para aí buscar a Clara."

Houve uma pequena pausa do outro lado. Curta demais para ser notada por alguém que não estivesse prestando atenção, mas para mim, foi um alarme.

"Vindo pra cá? Por quê? Eu disse que levaria ela de manhã. Não precisa se incomodar, cunhada."

A voz dela era suave, controlada. Perfeita demais.

"Eu não me incomodo. Já estou saindo. Me passa o endereço de novo, só pra confirmar."

"Claro. É na Praia do Sol, condomínio Mar Azul, casa 14. Mas, Maria... tem certeza? A Clara acabou de acordar, está tomando café com o Pedro. Eles estão tão felizes juntos, seria uma pena separá-los agora."

Cada palavra dela parecia ensaiada. Cada resposta era rápida demais, fluida demais.

"Eu tenho certeza, Sofia. Estou a caminho."

Desliguei antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa. Eu precisava sair dali antes que João acordasse e tentasse me impedir.

Mas era tarde demais.

Quando me virei para a porta, ele estava parado lá, os olhos inchados de sono e raiva.

"Onde você pensa que vai?"

"Vou buscar a minha filha."

A raiva no rosto dele se intensificou. Ele andou na minha direção, o corpo bloqueando a passagem.

"Eu não acredito nisso, Maria! Você vai mesmo até lá criar um problema por nada? Eu já te falei, a Sofia é de confiança! Você está insultando a memória do meu irmão com essa sua desconfiança doentia!"

A voz dele se elevou, enchendo a pequena sala.

"Doentia? Eu sou a mãe dela, João! Eu tenho o direito de me preocupar! Ela nunca dormiu fora de casa sem falar comigo antes! Você acha isso normal?"

"O que não é normal é essa sua paranoia! Você quer o quê? Que a Sofia se afaste de nós? Que o Pedro nunca mais brinque com a Clara? É isso que você quer? Destruir a única família que me resta?"

Ele gesticulava, o rosto contorcido. Eu não o reconhecia. Aquele não era o homem com quem eu me casei. Era um estranho, um defensor fanático de outra mulher.

"A sua família sou eu! E a Clara! Mas parece que você se esqueceu disso! Você se importa mais com os sentimentos da Sofia do que com a angústia da sua esposa!"

As palavras saíram rasgando minha garganta, carregadas de toda a dor e frustração dos últimos anos.

Ele riu, um som amargo e cruel.

"Angústia? Você cria sua própria angústia, Maria. Você vive num drama sem fim. A Sofia é uma santa por te aguentar. Ela perdeu o marido, cria um filho sozinha e ainda tem que lidar com as suas loucuras."

Ele pegou o celular do bolso.

"Você não vai a lugar nenhum. Eu vou ligar pra ela e dizer que você teve uma das suas crises e pra ela não se preocupar."

Um desespero gelado tomou conta de mim. Ele ia me sabotar. Ele ia me impedir de chegar até a minha filha.

Num impulso, arranquei as chaves da mão dele e corri para a porta. Ele tentou me segurar, mas eu o empurrei com uma força que eu não sabia que tinha e saí, batendo a porta com força.

Corri para o carro, as mãos tremendo tanto que mal consegui colocar a chave na ignição. Enquanto dava a partida, vi pelo retrovisor João parado na porta, o telefone na orelha. Ele estava ligando para ela. Avisando que eu estava a caminho.

Pisei no acelerador, o carro cantando pneu no asfalto. Eu não sabia o que ia encontrar naquela casa de praia, mas uma certeza se formava no meu peito: eu estava correndo contra o tempo. E estava completamente sozinha. Decidi fazer uma última tentativa. Peguei o celular e disquei o número do telefone fixo da casa de praia de novo. Se Clara estava lá, talvez ela atendesse.

O telefone chamou. Uma, duas, três vezes.

No quarto toque, a chamada foi atendida. Mas não houve um "alô". Apenas o som de um telefone sendo tirado do gancho e colocado sobre uma mesa. E então, silêncio.

"Alô? Clara? Filha, é a mamãe!" gritei no viva-voz, enquanto dirigia.

Nenhuma resposta. Apenas o som mudo de uma linha aberta.

"Sofia? Pedro? Tem alguém aí?"

Nada. A linha continuou aberta por mais alguns segundos e depois foi desligada. Um clique seco. O desespero se transformou em terror puro.

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