Natalin está na cruz em cima da igreja perdida em seus pensamentos.
Passo as noites aqui em cima dessa cruz da igreja, vejo as pessoas lá embaixo bem pequenas, consigo sentir o que elas sentem pelo cheiro do seu sangue.
Umas passam alegres, outras apesar do sorriso no rosto estão tristes, algumas angustiadas e outras cheia de raiva com sede de vingança.
Elas nem sabem que eu existo, não porque a Madre Margareth e o Bispo Bento me mantém em cativeiro, mas é que tive minha primeira vítima aos 8 anos.
Eu frequentava a escola católica como toda criança da cidade , só que uma criança se cortou perto de mim, como era criança não tive controle ( e ainda não tenho ) tomei todo seu sangue e a criança morreu, Bispo Bento ficou desesperado o que falar para os Pais.
Enfim tive que ser mantida longe de todos para a segurança deles e a minha também.
Se passaram 8 anos e hoje de manhã a Madre Margareth disse que tinha muita coisa que iria mudar.
O que ela quis dizer com isso! não faço ideia, só sei que todos me olham diferente até parece que alguns tem medo de mim !!!
Não me classifico em nenhuma dessas, não sou anjo mas sou filha de um, não sou demônio mas sou filha de um e carrego comigo sua maldição.
Sou a Salvação ou a Destruição? O poder está em minhas mãos, criada pela igreja creio em Deus, pois minha mãe o serviu até cair em tentação.
Meu pai era amaldiçoado a viver as noites frias e escuras, na completa solidão, essa maldição veio a mim também.
Essa é minha historia, começou séculos atrás entorno da queda de Constantinopla , meu pai ainda jovem era um soldado romano e veio adoecer, na época não existia medicina avançada como hoje. Era um belo moço morrendo de uma doença inexplicável, chegou na grécia uma caravana com umas pessoas estranhas dentre eles um homem bem vestido. Ele ficou sabendo do meu pai e foi vê-lo e lhe perguntou se "queria viver para sempre? ", meu pai a beira da morte disse que sim e o homem lhe mordeu e o fez seu servo vampiro.
Meu pai matou muitos em nome desse homem, ele se tornou um conde muito poderoso e um demônio muito temido.
Minha mãe era um anjo da falange de Gabriel, era novata e muito sensitiva, gabriel percebendo a sua pureza, resolveu mandá-la para terra e viver como os humanos, sentir, o amor e ódio, felicidade e tristeza etc... para poder entender e ajudar os anjos a compreender melhor essa criação e assim poderem tornar o mundo bem melhor.
Por ironia do destino vou assim dizer o caminho deles se cruzaram, se apaixonaram perdidamente, quando deram conta da verdade já era tarde demais , já estavam envolvidos.
Deus não se zangou mas tirou sua graça ( poderes ) de minha mãe, já Lúcifer não gostou da ideia dos dois apaixonados e muito menos por gerarem um ser híbrido. Eles foram caçados por todo tipo de demônio existente, sem proteção de anjo meu pai deu sua vida para proteger minha mãe e ela se sacrificou para me proteger, Deus permitiu que Gabriel estivesse presente em meu nascimento se ele sentisse a presença forte do mal em mim era para me matar, bom ele me salvou e me entrou a Madre Margareth e ao Bispo bento.
Minha história ou melhor minha vida é um mistério um quebra cabeça a ser montado e nem faço ideia por onde começar.
Hoje mais cedo a Madre Margareth me chamou para conversar eu estava no pátio sentada olhando para o nada e vendo as Irmãs correndo com os preparativos das novatas que chegaram.
-Madre Margareth: Filha, venha aqui um instante.
-Natalin: Sim Madre
Então ela entrou na sua sala, ah como eu não tinha lembranças boas daquela sala, sempre entrava lá pelas confusões que eu aprontava, sempre uma nova bronca, senti um frio no estômago como se fosse vomitar achei estranho esse sentimento porém fiz questão de não prestar muita atenção nisso.
-Madre Margareth: Você sabe que hoje é um dia que mudará tudo na sua vida - disso com a voz baixa e doce
-Natalin: Como assim? - a indaguei
-Madre Margareth: Você sabe que é meio anjo e meio vampiro!
-Natalin: Sim sei - falei com a voz engasgada.
-Pois bem minha filha, você é caçada como seus pais foram e agora mais que nunca você tem que aprender a lidar com sua transformação - disse a Madre seria.
-Não madre!, Não quero ! não quero me transformar ! - disse aflita
-Madre Margareth: Filha me entenda, você tem 16 anos e quando completar 18 você ou vai ficar apenas um anjo ou apenas um vampiro, ou será os dois e será um ser mais forte e poderosa que você pode imaginar, por isso muitos te querem morta.
- Madre não tenho poder nenhum de anjo, as únicas coisas que peguei de minha mãe foi poder andar sobre a luz do sol sem me afetar e não ter reação a prata , água benta e crucifixo, nada que mata um vampiro me mata.
- Sim filha sei disso! - A madre parou por uns instantes e elevou suas mãos até o rosto e me tornou a dizer - Quando completar 18 anos tudo vai aflorar.
Olhei para ela, ela estava preocupada e muito aflita, seu olhar ia para o quadro de Gabriel na parede ai ela me olhou e disse:
Madre Margareth: Você sabe menina que o Gabriel lhe trouxe até aqui, ele me entregou nos meus braços e eu prometi a ele que iria lhe educar até quando ele achasse que você estivesse pronta. Pois chegou o dia.
- Madre pronta pra que ? a indaguei de novo
- Tudo ao seu tempo filha - me disse com a voz serena e com um sorriso nos lábios.
Foi estranha nossa conversa , mas sabia que tinha que ficar preparada. Mesmo sem saber para o que. Olhando essas pessoas , gostaria de ser que nem elas. Eu não durmo, não tenho sentimento, acho que até meu coração não bate.
Enquanto Natalin está perdida em seus pensamentos fora do convento no meio da florestas sombras escuras iam se aproximando muito rapidamente, imperceptível ao olho nu
O convento ele tem uma construção meio que barroca, tem um ar sombrio, corredores longos com passagens para todos os lados, a Madre Margareth saiu de sua sala como sempre faz antes do horário de refeição noturno e foi ao seu aposento para poder se arrumar para mais tarde , quando ela adentra em seu quarto ela sente um frio e percebe que a janela está aberta, mas ela sentia a sensação de que está sendo observada, caminha até a janela e fecha, e assim começou a se arrumar para a refeição, quando ela sente passar por ela um vulto preto e seu coração parecia que ia sair pela boca de tão acelerado que estava, ao olhar para o lado na direção da janela as cortinas estavam balançando como se tivessem recebido uma brisa de vento, porém a janela estava fechada se aproximou novamente da janela e quando deu por si ele estava atrás dela, um homem alto não era possível ver seu rosto pois estava sujo como se tivesse a vários dias sem banho, todo de roupas escuras e rasgadas, ela com o susto deu uns passos para trás e então começou a conversar com o estranho
Madre Margareth: Quem é você?
Homem: isso vai lhe fazer alguma diferença? você sabe quem sou e o que quero, sua humana desprezível!
Madre Margareth: não faço ideia do que está falando rapaz! - a madre pegou em seu crucifixo e apertou com a mão
- Deixe de ser burra mulher, não brinque comigo, matarei você e todas as Freiras deste convento, todas as crianças daquele orfanato até encontrar a criança.
-Não sei que criança que você está se referindo. Não temos nada aqui pra você
Então o homem se aproximou dela com suas mãos pegou no pescoço da madre e a ergueu do chão mais ou menos uns 30 cm, a madre com suas pequenas mão tentou pegar no braço dele e se soltar, mas ele era muito forte.
- Vamos sua tola, me diga o que quero saber, se não irei lhe matar
- Já disse não sei do que você está falando - respondeu a madre com dificuldades de respirar.
- Sua tola, prefere morrer do que me entregar a criança, essa criança vale tanto assim? mas que sua vida? que a vidas dessas pessoas que se encontram neste convento? - o homem estava ficando cada vez mais irritado e com isso apertava mais o pescoço dela
- Não tem como eu dizer para você o que quer se eu definitivamente não sei. - disse a Madre com muita dificuldade
- Já que é assim. Irei achar a criança por mim mesmo.
Então o homem quebrou o pescoço da madre como se tivesse quebrando um graveto, e a soltou, o corpo da madre caiu no chão perto da janela, e o homem saiu pela porta, nesse instante uma Irmã estava andando pelo corredor e viu um vulto saindo do quarto da madre, correu até lá, e ao ver a madre estendida no chão deu um grito.
Que sensação estranha é essa estou sentindo, a presença de algo maligno, diabólico.
Um grito ecoa pela noite e tira a Natalin dos seus pensamentos confusos.
- É do quarto da Madre - Gritei.
Corri até lá ao entrar vi a madre estendida no chão e a Irmã a chorar
- Irmã o que aconteceu? Perguntei
- Mataram a Madre pequena - disse a irmã em prantos
-Quem a matou? indaguei com a voz alterada
- Não sei pequena, apenas vi um vulto preto saindo do quarto da Madre! - disse inconsolada a irmã com a madre nos braços.
Comecei a sentir uma sensação crescendo dentro de mim, uma irá, algo que me fazia sentir vontade de matar, isso foi tomando conta de mim e quando menos percebi estava transformada.
A sensação que senti antes aumentou, percebi que sentia a presença dos assassinos, minha visão ficou tão clara que consegui enxergar a quilômetros de distância, como uma visão de uma águia, minha audição ficou tão nítida quanto a de um morcego, e meu olfato tão aguçado quanto de um lobo.
Ao sair do quadro da madre e fui correndo nos corredores do convento, encontrei o primeiro na cozinha , alguns no refeitório, outros no corredor indo para sala de orações , conforme os encontrava os matava, então cheguei até o assassino da madre que estava com a irmã Cleo na sala de orações.
- Onde está a criança - Perguntou ele
- Não sei do que está falando - a irmã respondeu quando ela me viu, ficou aflita e disse - Não temos nada aqui do que procura.
- Quero a criança sua tola - disse ele com a voz grave - matei a Madre por protegê-la matarei você também.
- Não sei da menina que você procura - disse a irmã aflita
- Então é uma menina! - disse ele - Onde ela está?
- Estou aqui - respondi
Quando ele se virou eu já estava em seu pescoço e o mordi e tomei seu sangue cada gota, ele não teve tempo de nenhuma reação. Eu estava transtornada quando o Bispo Bento chegou e na hora que me viu ele Gritou
- Pare menina! - Disse Bispo Bento
Mas mesmo assim continuei, não conseguia me controlar era mais forte que eu, tinha sede daquilo, está me consumindo por dentro. Neste instante Gabriel apareceu e conseguiu domar o demônio dentro de mim, ao poucos a ira que me consumia foi passando e então eu voltei ao normal. Eu matei todos os vampiros que estavam dentro do convento e eles mataram algumas Irmãs dentre elas a Madre.
Cai de joelhos no chão, olhei para minhas mãos e elas estavam encharcadas de sangue , minha boca ainda tinha o gosto adocicado do sangue do assassino, comecei a chorar pedi perdão por ter matado novamente. Nesse dia eu vi como sou cruel e mortífera.
Os dois se entreolharam sem entender o que estava acontecendo , como poderia eu chorar, pois até aquele dia nunca tinha demonstrado um sentimento qualquer. Olhei para o gabriel e sumi da sua frente em um piscar de olhos, eles me procuraram por todos os lados do convento até que chegaram no quarto da madre. Ali estava eu no chão com o corpo da madre em meus braços, Ela é morena com os olhos negros e cabelos pretos com alguns fios brancos.
Olhando para ela seu rosto estava pálido, seu corpo estava gelado, mesmo assim seu rosto estava com o semblante tranquilo como se estivesse em paz.
Olhei para Gabriel e perguntei
- Porque? Porque a Madre? estava em prantos
- Era o destino pequena, é o destino - Disse ele
- Destino como assim? Ela não tinha que morrer, não por minha causa. O que farei sem ela? E o que é isso que sinto um vazio e uma dor sem fim? - Perguntei aos Berros
- É um sentimento de perda pequena, esse vazio que você sente e a dor, é algo que passa e ficará como saudade com o passar dos anos que também é outro sentimento. Ela prometeu dar a vida para te salvar, ela sabia que esse dia chegaria. Agora levante e venha temos que tirá -la daqui - Disse me estendendo a mão.
Eu olhei para Madre e pela última vez acariciei seu rosto, levantei ela em meus braços e a coloquei na cama.
- Seu semblante está de alguém que dorme - Disse ao Gabriel
- Ela está em paz . Está com Deus agora - me respondeu
Olhei para o Gabriel e para o Bispo Bento meus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, as lágrimas não paravam de rolar.
- Um dia eu estarei com ele também? perguntei aflita
- Só você pode dizer isso! só você - respondeu o Bispo Bento
- Eu sou um monstro Bispo, eu sou um monstro!! - disse olhando a madre - como posso sentir esses sentimentos se até ontem eu não sentia nada.
- Minha pequena - falou o Bispo se aproximando de mim - você não é um monstro, o que está em você não lhe faz mal, faz parte de você, você tem um coração bom, se não Gabriel não teria lhe salvado, e você está quase completando 18 anos você tem 2 anos para aflorar seus dons e melhorar eles.
- Mas Bispo Bento a Madre disse que posso ser um ou outro! - disse segurando o choro
- Sim, mas a probabilidade de você ser os dois também é grande, lembre se que a Madre lhe amou como filha, lute por ela, e se controle e aprenda a lidar com isso - disse o bispo
- Eu posso controlar isso? Perguntei olhando para o Gabriel
- Sim, só você pode controlar- se - Respondeu
Olhei para madre na cama sem vida, como gostaria dela ali para me aconselhar, pois estava assustada e confusa com o que estava acontecendo, a cobri com o lençol e beijei sua face. Olhei para o Bispo e então com um olhar ele se despediu de mim
- Gabriel preciso levar alguma coisa? - perguntei
- Não! Só venha até mim - disse ele
Olhando para ele como é um belo anjo suas asas eram tão radiantes quanto sua aura, me aproximei e cada vez que eu chegava perto dele mais admirada eu ficava, com sua beleza e sua luz. Suas asas tocaram meu corpo e sua mão a minha testa então apaguei.
Quando voltei a mim e ao abrir os olhos estava em um quarto estranho, ainda meio zonza tentei olhar ao redor e me achar, a parede era rosa bebê, tinha uns quadros de boy band na parede, algumas flores, borboletas, tentei sentar na cama e acabei caindo sentada no chão, e aí fui ver a cama , tudo rosa também mas um rosa mais escuro, e o tapete era pink então quando dei por mim...
-Que horror!!! gritei indignada - Esse quarto é todo rosa, que mal gosto é esse quem me pôs aqui? e fui logo olhar minha roupa, ainda bem estava de preto
-A Princesa acordou? ouvi alguém me responder quando notei a presença de alguém na porta.
Era um senhor já com uns 50 anos, cabelos castanhos e compridos, barba malfeita olhos azuis feito céu, alto e corpo atlético.
-Quem é você? disse quase caindo novamente, pois ainda estava entorpecida.
-Sou Leon. Gabriel lhe trouxe a minha casa para treiná-la e lhe ensinar a lidar com o que está lhe acontecendo.
-Sei! - disse olhando ao redor - E não me diga que esse horror aqui é meu quarto?
-Não o seu estão aprontando - Disse rindo - venha conhecer o restante e as pessoas que aqui vivem. Ah mais uma coisa - ele me olhou meio que por cima de seu ombro - Não fale para ninguém quem você é ou o que você é tudo bem?
Ele falou tão sério e com um tom de voz de dar medo que só balancei a cabeça que sim e nem me atrevi a perguntar o " Porque?".
Ao sair do quarto me deparei com um lugar muito iluminado, era tanta luz que me deixava desnorteada e quase cega, reparei que as paredes eram todas brancas não existiam janelas apenas entrada de ar condicionado. Ele percebeu que eu levei a mão um pouco acima dos olhos para me proteger e ver melhor
- Logo você se acostuma com a claridade - me disse - Aqui é um centro de treinamento fica escondido no subsolo de Londres.
- Alguns instantes atrás eu estava na Alemanha como vim parar em Londres? - pensei.
- Gabriel lhe trouxe ele viaja na velocidade da luz - uma voz respondeu dentro da minha mente - olhei para Leon e ele de costas para mim completou - Posso ler seus pensamentos e também lhe responder através deles .
Acho que na hora meus olhos não se importaram com a claridade porque eu os arregalei, que se pudesse saiam do meu rosto. Estava achando estranho tudo mais do nunca , além de não pergunta também não podia pensar, pois ele iria ler do mesmo jeito. Entramos numa sala gigantesca tinha vários computadores , uma tela tipo de cinema na parede, várias pessoas olhando os computadores com uns aparelhos no ouvido que tinha uma ligação com microfone e tinha um rapaz que olhava atentamente a tela na parede.
Ele era alto tinha o corpo atlético a pele branca, cabelos loiros e baixinhos e olhos verdes que nem as águas do mar, fiquei anestesiada com sua beleza. Ele olhou para Leon e com o semblante de preocupação disse:
-Para que temos que procurar essa garota? disse indignado
- Tudo ao seu tempo! já lhe disse isso - falou Leon e completou - chame o resto da equipe para o salão principal - olhou para mim e disse - venha!
Nem olhei para o rapaz apenas segui Leon, o salão principal era grande mas não com a imensidão da sala anterior , se esse salão aqui coubesse 100 a 300 pessoas , a anterior caberia 1000 a 3000 pessoas, para se ter uma ideia da imensidão que falo. No centro do salão tem uma mesa retangular feita de madeira maciça e escura meio que imitando uma estrutura medieval, as cadeiras eram de ferro com couro branco, ele se sentou na primeira e pediu para que eu me sentasse na do lado dele.
O Silêncio na sala me fez lembrar daquela manhã que a Madre me chamou até a sua sala, então bateu aquela dor novamente e sem que eu quisesse começou a rolar gotas de lágrimas no meu rosto.
O Mesmo rapaz voltou com mais quatro 3 rapazes e 1 moça, Leon se levantou e fez sinal com a mão para que eu ficasse de pé também , eles ficaram ali parados, então Leon apresentou Ligia, Fred, Addan e Juan, o rapaz que já tinha visto alguns minutos atrás era Allan e para terminar disse.
- Essa é a nova integrante da equipe de vocês, Natalin!
A reação foi diversa Ligia Gritou
- Legal eu tenho companhia agora!
-Mais um! - disse Fred
- Prazer - disse Addan meio que vamos acabar logo com isso.
Allan nem olhou para mim, então após as apresentações todos se sentaram na mesa e Leon começou a falar
- Fred você fez a análise que eu lhe pedi da amostra?
- Sim - Fred falou levando as mão ao rosto - A amostra não é pura então fica difícil de traçar alguma característica.
- Certo! - disse Leon e então olhou para o Juan - E você o que tem para mim?
- Bom - disse Juan olhando para o Allan e novamente para o Leon - de acordo com as plantas de movimentação do mundo e submundo, os demônios de todas as piores espécies estão caçando 2 pessoas, sabemos que uma tem praticamente 16 ou 17 anos e a outra apenas 11 ou 12 anos e o que me deixa mais curioso é que o plano superior ( céu) também se agitou nesses últimos dias temos mais vindas de anjos na terra e com mais frequência do que a dos demônios.
Leon olhou para mim e eu abaixei a cabeça sem querer olhar para ele pois me sentia envergonhada, sabia que estavam falando de mim em uma parte , mas não podia falar nada para eles que era eu.
- E você Lígia o que tem para mim? disse Leon
- Fui à biblioteca fazer pesquisas nos livros angelicais, quanto nos das bruxas e fadas na verdade em todos , só encontrei uma lenda em comum A dos anjos e dos vampiros, diz a lenda que existe uma ou um híbrido, ou seja meio vampiro e meio anjo, que é o equilíbrio entre o mal e o bem e que tem uma criança que nasceu depois que tem o dom de dominar o " demônio " , vou assim dizer desse híbrido, os anjos não temem a criança, mas já os demônios a querem morta ou morto, isso é ordem direto de Lúcifer.
Leon olhou para o Allan que logo foi falando
- Eu encontrei manchetes principalmente na Alemanha que um convento teve nove freiras mortas e uma madre, nas notícias que rolam no submundo mataram 100 vampiros nesse convento sem explicação O bispo falou que as irmãs e a Madre tiveram uma doença rara que veio a descobrir já na hora da morte, e encobriu os corpos dos vampiros para não assustar os cidadãos, com esse ataque já foram 10 conventos
- Como assim 10 ataque? eu perguntei meio que num tom agressivo, todos se entre olharam menos o Allan que continuou cabisbaixo e olharam para Leon e ele me olhou também
- Responda a pergunta! - ele disse
- Foram conventos de cidades próximas, só que a única diferença é que nos outros nenhum vampiro morreu e a morte de freiras foram total e junto de 3 a 5 adolescentes órfãos que moram no orfanato do convento em torno de 16 a 17 anos tanto menino quanto menina.
- Obrigada - voltei a baixar a minha cabeça não sabia desses ataques até agora.
Leon olhou para o Allan que estava de cabeça baixa com as mãos em cima da mesa e os dedos entrelaçados.
- Você não tem nada a me falar Allan? perguntou Leon
- Não sei... - disse balançando a cabeça - porque estamos a procura dessa menina de 12 anos, deveríamos achar o híbrido e matar, não é o que eles querem? , então acabaríamos com essa guerra e com morte de pessoas inocentes.
- Não é assim - respondeu Leon - não podemos matá- la ela é o equilíbrio entre a vida e a morte.
- Ela!!!! Indagou Ligia - então é mulher?
- Não sei - disse Leon - só apenas estou falando ela como pessoa , porque pessoa não tem feminino ou masculino. Agora vão aos seus afazeres pois tenho que conversar com Natalin um pouco.
Todos se levantaram e saíram tão rápido quanto entraram, continuei de cabeça baixa, pois o que eu acabei de ouvir era algo que me deixou intrigada e também pensativa, afinal muitas pessoas morreram por minha causa e eu nem estava sabendo. Leon olhando para mim me perguntou
- Você entendeu o que foi dito aqui?
- Sim- respondi olhando para minhas mãos que estavam sobre a mesa - sei que Lúcifer mandou todo tipo de demônio atrás de mim, mas não sabia dessa garota e nem desses outros ataques.
- Bem - disse Leon - quando você estava completando 4 a 5 anos ela nasceu, ela é filha de uma mortal com um bruxo.
- Bruxo?!?! - disse com ar de dúvida - existem bruxos , fadas gnomos e duendes?
- Existem bruxos, fadas - falou Leon - agora gnomos e duendes não sei lhe dizer , pois não encontrei nenhum até hoje. Esse bruxo conhecia sua mãe e ajudou a fazer seu parto, dizem que você nasceu com o seu lado mal mais aflorado que o bom e como ele sabia que Gabriel lhe mataria , ele usou magia que fez com que seu lado bom ficasse mais evidente, pois ele era muito sábio e sabia que você era a esperança da humanidade - eu escutava atentamente , ele percebendo isso continuou a falar - Ele se casou com uma mortal, antes dele morrer ele transferiu todo seu saber e conhecimento para a filha que ainda estava sendo gerada na barriga de sua esposa, os vampiros o encontraram e a única coisa que conseguiram arrancar dele era que você foi levada para um convento.
A menina é poderosa com certeza soube se esconder bem esses anos , a mãe dela deu a luz num orfanato e logo morreu, agora ela deve saber que você já sabe dela e que está a sua procura, então ela irá se deixar visível para que a achemos mais também ela corre o risco de que eles a cachem primeiro.
- Então ela pode me domar? perguntei
- Não - ele riu - ela vai lhe ajudar a domar esse instinto assassino que você tem e não te domar.
- Ah tá! - falei aliviada Porque eles não podem saber de mim? E porque o Allan acha que tenho que morrer ? Olha que em muitos momentos concordo com ele !
- Bom para lhe falar a verdade - eu o olhei , Leon estava com o olhar vago - não desconfio deles, é que não sei se é seguro alguém saber de você agora, pois pode colocar a operação em risco e eu não conseguirei lhe treinar e não sabemos como seria a reação deles, depois de saberem a verdade. Bom venha já está tarde lhe levarei ao seu quarto.
- Mas eu não durmo - disse meio que triste
- Eu sei mas ninguém pode saber sobre isso - ele novamente olhou sobre os ombros - você ficará no quarto a noite inteira por enquanto.
me levantei e o acompanhei pelos corredores, fui percebendo que apenas tinha portas e não tinha janelas e eu nem entendia como se entrava lá. Paramos em frente a uma porta levei a mão na maçaneta estava com um medo, quando abri a porta e olhei o quarto foi um alívio que pensei " ainda bem ".
- O que foi? achou que seria como o seu quarto? - ele perguntou em tom de sarcasmo
- Achei que seria rosa - respondi fazendo careta - que nem o que eu acorde, mas me parece o quarto lá do convento.
- Sim - ele respondeu rindo - quisermos que você se sentisse em casa por isso montamos igual o de lá. Agora vá e tranque a porta.
Entrei e fiz o que ele me pediu e sentei na cama e então fiquei pensando na reunião que eu participei em tudo que foi dito, então concordei com o que o Leon falou de ninguém saber de mim por enquanto.
Deite a cabeça no travesseiro e pensando como fazer as horas passarem e aí lembrei da Madre como eu sentia falta dela.
Então me lembrei de quando tinha 9 anos e estava na janela da sala do orfanato olhando lá fora que chovia, as crianças junto com as Irmãs estavam organizando e enfeitando a árvore de natal, como eu tinha medo de fazer mal a alguém eu fiquei recolhida no canto, a chuva que caía lá fora era fina, aí a madre se aproximou.
- Está observando a natureza pequena - disse a madre carinhosamente
- Sim - responde sem olhar para ela - acho interessante como essa água cai do fininha do céu. Como cai água do céu madre? perguntei
- A água que está na superfície da terra, ao ser aquecida pelo calor do sol, evapora e se mistura com o ar. No alto da atmosfera o ar é muito frio. Nessa região o vapor d'água se condensa, formando pequenas gotinhas de água ou minúsculos cristaizinhos de gelo que flutuam no ar, dando origem às nuvens. Com o tempo mais e mais água pode se condensar, aumentando o tamanho das gotinhas. Quando o peso não lhes permitem mais que fiquem suspensas, as gostosas caem de volta para a superfície da Terra. São as gotas de chuva! - a madre me explicou com um sorriso nos lábios
- Madre porque meu nome é Natalin?
- Bem - disse ela acariciando meus cabelos - Quando Gabriel lhe trouxe ainda recém nascida era um dia antes do natal, então eu e o Bispo Bento resolvemos colocar seu nome em homenagem ao natal. Sabe o dia que você chegou aqui era um dia como esse chuvoso. Você era tão pequena, chorava tanto - riu - mas logo que eu peguei em meus braços você ficou tão calma e adormeceu.
Coloquei minha cabeça no colo dela e fiquei curtindo o carinho que ela fazia, e pensando e imaginando como era a chuva....
- Ah que saudades tenho da senhora Madre - disse com os olhos se enchendo de lágrimas.
Como queria saber mais sobre minha história, saber sobre meus pais, preciso achar aquela agora ela pode ser a chave de todo o mistério que me ronda.
Então me levantei e fui até o espelho e me olhei, a madre falava que eu era linda e eu fico a pensar se sou mesmo. Não sou muito alta tenho 1.50 , pele branca a madre falava que era da cor da neve, olhos castanhos escuros, cabelos compridos e ondulados pretos, sou um pouco gordinha. Será que puxei quem ao meu pai ou a minha mãe?
fui até o guarda roupa abri e vi minhas roupas, sempre escuras, pretas, azul escuro, marrom, não usava roupas claras apesar que a madre sempre falava pra eu usar, também não usava saias e nem vestidos, nunca levei jeito pra isso.
A madre era linda apesar que ela não podia se maquiar e arrumar, mas a madre sempre está linda e arrumada, sempre dando dicas pras meninas do orfanato de como se portar e vestir.
Voltei para a cama e comecei a imaginar como era minha mãe, o que ela fazia, e meu pai, bom nunca falaram coisas boas dele, mas eu queria pelo menos saber o nome deles, para poder procurar mais histórias e registro. Como será que é o céu? Como será que é o inferno? Todos os anjos são iguais ao Gabriel? Todos os vampiros são iguais ao que eu matei?
Será que se eu morrer realmente acabaria a guerra? As pessoas parariam de morrer? Essa menina é tão boa como falaram, ela realmente existe? São tantas dúvidas e tantos porquês que pairam em minha mente. Será que vou conseguir vencer isso dentro de mim? tanta coisa pra saber e nem sei por onde começar, nem onde procurar.
Cada dia que passa minha vida fica cada vez mais complexa e misteriosa.
Queria poder dormir e acordar e pensar que tudo isso não passa de um pesadelo e que a Madre vai estar lá de novo.