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Vampirinha Anjo ou Demônio?

Vampirinha Anjo ou Demônio?

Autor: Vanessa Mariano
Gênero: Fantasia
Criada em isolamento dentro de um convento, Natalin sempre soube que era diferente. Após perder a única família que conheceu, ela é levada para um centro de treinamento onde conhecerá pessoas que mudarão sua vida para sempre. Enquanto tenta descobrir a verdade sobre sua origem, percebe que cada resposta revela um novo segredo. Em meio a mentiras, perigos e escolhas difíceis, Natalin precisará decidir em quem confiar... antes que a verdade mude seu destino.
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Capítulo 1 Prefásio

Passo as noites aqui em cima dessa cruz, vendo as pessoas lá embaixo.

Elas parecem pequenas e totalmente indefesas, consigo sentir o que elas estão sentindo pelo cheiro do seu sangue.

Vejo aquela senhora, sua expressão é de cansaço, mas seu sangue transmite satisfação pelo dia finalizado, já aquela jovem que talvez tenha uns 20 e poucos anos está sorrindo com os amigos, mas seu sangue transmite uma tristeza profunda, um vazio que parece que nunca será preenchido.

Aquele rapaz que parece ter por volta de 30 anos com a moça em seus braços a beija intensamente, mas seu sangue transmite repulsa pelo ato.

Essas pessoas nem sabem que eu existo, não porque a Madre Margareth e o Bispo Bento me mantêm em segredo, mas porque aos meus oito anos tive um trágico acidente e causei a morte de uma criança da mesma idade que a minha.

Frequentava a escola católica como toda criança dessa vila. Tinha uma criança, que era muito próxima a mim: Alice. Nesse dia ela estava brincando perto do escorregador, acidentalmente ela se cortou em uma pedra pontiaguda quando apoiou as pequenas mãos no chão para se levantar.

Foi a primeira vez que o sangue mudou de cheiro pra mim, em vez de sentir sua dor, senti desejo de provar aquele sangue que tinha o aroma adocicado, quando percebi, já estava com meus dentes cravados no pescoço de Alice, ela não soltou um grito de dor, soltou um gemido baixinho de incômodo, o gosto de seu sangue era viciante para mim, não consegui me controlar e senti sua vida se esvaindo em meus braços.

Cada segundo que sentia sua vida indo, eu sentia uma forte sensação de satisfação e ao mesmo tempo angústia. Os adultos estavam tentando me afastar dela, as crianças gritavam e choravam, seu sentimento era de terror; só consegui parar quando não restava mais vida em seu corpo. Bispo Bento entrou em desespero ao saber o que aconteceu, o que dizer aos pais sem revelar que ele protegia na sua congregação um monstro como eu.

Tiveram que me manter longe de todos para a segurança deles e, de certa forma, a minha também.

Já se passaram oito anos, e nesta manhã a Madre Margareth conversou comigo dizendo que muita coisa iria acontecer e não poderia ser evitada, e esses acontecimentos poderiam mudar toda a minha vida.

O que a Madre quis dizer com isso? Não faço ideia, só sei que todos me olham diferente, sinto pelo cheiro do sangue deles que me temem.

Capítulo 2 Anjo ou Demônio

Não me classifico em nenhuma dessas, não sou anjo, mas sou filha de um, não sou demônio, mas sou filha de um. E carrego comigo sua maldição.

Sou a Salvação ou a Destruição? O poder está em minhas mãos. Criada pela igreja, creio em Deus, pois minha mãe o serviu até cair em tentação.

Meu pai era amaldiçoado a viver as noites frias e escuras, na completa solidão. Essa maldição veio a mim também.

Essa é minha história. Começou séculos atrás, em torno da queda de Constantinopla. Meu pai ainda jovem era um soldado e veio adoecer, na época não existia medicina avançada como hoje. Era um belo moço morrendo de uma doença inexplicável, chegou na Grécia uma caravana com umas pessoas estranhas dentre eles um homem bem vestido. Ele ficou sabendo do meu pai e foi vê-lo e lhe perguntou se "queria viver para sempre?", meu pai à beira da morte disse que sim. E o homem lhe mordeu e o fez seu servo vampiro.

Meu pai matou muitos em nome desse homem. Ele se tornou um conde muito poderoso e um demônio muito temido.

Minha mãe era um anjo da falange de Gabriel, era novata e muito sensitiva, Gabriel, percebendo a sua pureza, resolveu mandá-la para Terra e viver como os humanos, sentir amor e ódio, felicidade e tristeza. Para poder entender e ajudar os anjos a compreender melhor essa criação e assim poderem tornar o mundo bem melhor.

Por ironia do destino, vou assim dizer, os caminhos deles se cruzaram, se apaixonaram perdidamente, quando deram conta da verdade, já era tarde demais, já estavam envolvidos.

Deus não se zangou, mas tirou sua graça (poderes) de minha mãe. Já Lúcifer não gostou da ideia dos dois apaixonados e muito menos por gerarem um ser híbrido.

Eles foram caçados por todo tipo de demônio existente. Sem proteção de anjo, meu pai deu sua vida para proteger minha mãe, e ela se sacrificou para me proteger. Deus permitiu que Gabriel estivesse presente em meu nascimento, se ele sentisse a presença forte do mal em mim, era para me matar. Bom, ele me salvou e me entregou à Madre Margareth e ao Bispo Bento.

Minha história, ou melhor, minha vida é um mistério, um quebra-cabeça a ser montado e nem faço ideia por onde começar.

Hoje mais cedo a Madre Margareth me chamou para conversar. Eu estava no pátio sentada olhando para o nada e vendo as Irmãs correndo com os preparativos das novatas que chegaram.

-Madre Margareth: Filha, venha aqui um instante.

-Natalin: Sim, Madre.

A Madre se encontra de pé na porta, então ela entrou na sua sala. Ah, como eu não tinha lembranças boas daquela sala, sempre entrava lá pelas confusões que eu aprontava, sempre uma nova bronca. Senti um frio no estômago como se fosse vomitar, achei estranho esse sentimento, porém, fiz questão de não prestar muita atenção nisso.

-Madre Margareth: Você sabe que hoje é um dia que mudará tudo na sua vida - disse com a voz baixa e doce

-Natalin: Como assim? - indaguei

-Madre Margareth: Você sabe que é meio anjo e meio vampiro!

-Natalin: Sim, sei - falei com a voz engasgada.

-Pois bem, minha filha, você é caçada como seus pais foram, e agora mais que nunca você tem que aprender a lidar com sua transformação - disse a Madre séria.

-Não, Madre! Não quero! Não quero me transformar! - disse aflita

-Madre Margareth: Filha, me entenda, você tem 16 anos e quando completar 18 você ou vai ficar apenas um anjo ou apenas um vampiro, ou será os dois. Você será mais forte e poderosa do que você pode imaginar, por isso muitos te querem morta.

- Madre, não tenho poder nenhum de anjo, as únicas coisas que peguei de minha mãe foram poder andar sobre a luz do sol sem me afetar, água benta não me queima, nem o crucifixo, nada que mata um vampiro me mata.

- Sim, filha, sei disso! - A Madre parou por uns instantes e elevou suas mãos até o rosto e tornou a dizer - Quando completar 18 anos tudo vai aflorar.

Olhei para ela, ela estava preocupada e muito aflita. Seu olhar ia para o quadro de Gabriel que estava na parede, aí ela me olhou e disse:

Madre Margareth: Você sabe, menina, que o Gabriel lhe trouxe até aqui, ele me entregou você, te peguei em meus braços e eu prometi a ele que iria lhe educar até quando ele achasse que você estivesse pronta. Pois chegou o dia.

- Madre, pronta pra quê? - perguntei de novo

- Tudo ao seu tempo, filha - me disse com a voz serena e com um sorriso nos lábios.

Foi estranha nossa conversa, mas sabia que tinha que ficar preparada. Mesmo sem saber para o que. Olhando essas pessoas, gostaria de ser que nem elas. Eu não durmo, não tenho sentimento, acho que até meu coração não bate.

Enquanto Natalin está perdida em seus pensamentos, fora do convento, no meio da floresta, sombras escuras iam se aproximando muito rapidamente, imperceptível ao olho nu.

O convento tem uma construção meio que barroca, tem um ar sombrio, corredores longos com passagens para todos os lados, a Madre Margareth saiu de sua sala como sempre faz antes do horário de refeição noturno e foi ao seu aposento para poder se arrumar para mais tarde.

Quando ela adentra em seu quarto, ela sente um frio e percebe que a janela está aberta, mas ela sente que está sendo observada, caminha até a janela e fecha, e assim começa a se arrumar para a refeição.

Quando ela sente passar por ela um vulto preto e seu coração parecia que ia sair pela boca de tão acelerado que estava, ao olhar para o lado, na direção da janela, as cortinas estavam balançando como se tivessem recebido uma brisa de vento, porém, a janela estava fechada.

Se aproximou novamente da janela para verificar se não ficou nenhuma fresta, percebeu que a janela estava fechada por completo. Não teria como aquelas cortinas se movimentarem. Ela mexeu nas cortinas e quando deu por si ele estava atrás dela.

Um homem alto. Não era possível ver seu rosto, pois estava sujo como se estivesse há vários dias sem banho, todo de roupas escuras e rasgadas. Ela, com o susto, deu uns passos para trás e então começou a conversar com o estranho

-Madre Margareth: Quem é você?

-Homem: Isso vai lhe fazer alguma diferença? Você sabe quem sou e o que quero, sua humana desprezível!

-Madre Margareth: Não faço ideia do que está falando, rapaz! - A Madre pegou em seu crucifixo e apertou com a mão

- Deixe de ser burra, mulher, não brinque comigo, matarei você e todas as Freiras deste convento, todas as crianças daquele orfanato até encontrar a criança.

-Não sei que criança que você está se referindo. Não temos nada aqui pra você

Então o homem se aproximou dela com suas mãos, pegou no pescoço da Madre e a ergueu do chão mais ou menos uns trinta centímetros. A Madre, com suas pequenas mãos, tentou pegar no braço dele e se soltar, mas ele era muito forte.

- Vamos, sua tola, me diga o que quero saber, se não irei lhe matar

- Já disse, não sei do que você está falando - respondeu a Madre com dificuldades de respirar.

- Sua tola, prefere morrer do que me entregar a criança, essa criança vale tanto assim? Mas que sua vida? Que as vidas dessas pessoas que se encontram neste convento? - o homem estava ficando cada vez mais irritado e com isso apertava mais o pescoço dela

- Não tem como eu dizer para você o que quer, se eu definitivamente não sei. - disse a Madre com muita dificuldade

- Já que é assim. Irei achar a criança por mim mesmo.

Madre Margareth sentia que o ar ia lhe faltando, ela pensou em Natalin, ele não poderia achá-la, então o homem quebrou o pescoço da Madre como se quebrasse um graveto, e a soltou, o corpo da Madre caiu no chão perto da janela. O homem saiu pela porta, nesse instante, uma Irmã estava andando pelo corredor e viu um vulto saindo do quarto da Madre, correu até lá, e ao ver a Madre estendida no chão deu um grito.

Que sensação estranha é essa que estou sentindo? A presença de algo maligno, diabólico.

Um grito ecoa pela noite e tira a Natalin dos seus pensamentos confusos.

- É do quarto da Madre! - gritei.

Corri até lá. Ao entrar, vi a Madre estendida no chão e a Irmã a chorar.

- Irmã, o que aconteceu? - perguntei

- Mataram a Madre, pequena - disse a irmã em prantos

- Quem a matou? - indaguei com a voz alterada

- Não sei, pequena, apenas vi um vulto preto saindo do quarto da Madre! - disse inconsolada a irmã com a Madre nos braços.

Comecei a sentir uma sensação crescendo dentro de mim, uma ira, algo que me fazia sentir vontade de matar. Isso foi tomando conta de mim e quando menos percebi estava transformada.

A sensação que senti antes aumentou, percebi que sentia a presença dos assassinos, minha visão ficou tão clara que consegui enxergar a quilômetros de distância, como uma visão de uma águia, minha audição ficou tão nítida quanto a de um morcego, e meu olfato tão aguçado quanto de um lobo.

Ao sair do quarto da Madre fui correndo nos corredores do convento, encontrei o primeiro na cozinha, alguns no refeitório, outros no corredor indo para a sala de orações, conforme os encontrava os matava, então cheguei até o assassino da Madre que estava com a irmã Cleo na sala de orações.

Onde está a criança? - perguntou ele

- Não sei do que está falando - a irmã respondeu quando ela me viu, ficou aflita e disse - Não temos nada aqui do que procura.

- Quero a criança, sua tola - disse ele com a voz grave - matei a Madre por protegê-la. Matarei você também.

- Não sei da menina que você procura - disse a irmã aflita

- Então é uma menina! - disse ele - Onde ela está?

- Estou aqui - respondi.

Quando ele se virou eu já estava em seu pescoço e o mordi e tomei seu sangue cada gota, ele não teve tempo de nenhuma reação. Eu estava transtornada quando o Bispo Bento chegou e na hora que me viu ele gritou.

Pare menina! - Disse Bispo Bento

Mas mesmo assim continuei, não conseguia me controlar era mais forte que eu, tinha sede daquilo, estava me consumindo por dentro. Neste instante Gabriel apareceu e conseguiu domar o demônio dentro de mim, aos poucos a ira que me consumia foi passando e então eu voltei ao normal. Eu matei todos os vampiros que estavam dentro do convento e eles mataram algumas Irmãs dentre elas a Madre.

Cai de joelhos no chão, olhei para minhas mãos e elas estavam encharcadas de sangue, minha boca ainda tinha o gosto adocicado do sangue do assassino, comecei a chorar. Pedi perdão por ter matado novamente. Nesse dia eu vi como sou cruel e mortífera.

Os dois se entreolharam sem entender o que estava acontecendo, como poderia eu chorar, pois até aquele dia nunca tinha demonstrado um sentimento qualquer. Olhei para o Gabriel e sumi da sua frente em um piscar de olhos, Gabriel, ao ver que eu sumi, pensou como eu era rápida, seus olhos não conseguiram acompanhar, eles me procuraram por todos os lados do convento até que chegaram no quarto da Madre. Ali estava eu no chão com o corpo da Madre em meus braços. Ela era morena com os olhos negros e cabelos pretos com alguns fios brancos.

Olhando para ela, seu rosto estava pálido, seu corpo estava gelado, mesmo assim seu rosto estava com o semblante tranquilo como se estivesse em paz.

Olhei para Gabriel e perguntei

- Por quê? Por que a Madre? - perguntei em prantos

- Era o destino, pequena, é o destino - disse ele

- Destino? Como assim? Ela não tinha que morrer, não por minha causa. O que farei sem ela? E o que é isso que sinto? Um vazio e uma dor sem fim? - perguntei aos berros

- É um sentimento de perda, pequena. Esse vazio que você sente, e a dor, é algo que passa e ficará como saudade com o passar dos anos que também é outro sentimento. Ela prometeu dar a vida para te salvar, ela sabia que esse dia chegaria. Agora, levante e venha, temos que tirá-la daqui - disse me estendendo a mão.

Eu olhei para Madre e pela última vez acariciei seu rosto, levantei ela em meus braços e a coloquei na cama.

- Seu semblante está de alguém que dorme - Disse ao Gabriel

- Ela está em paz. Está com Deus agora - me respondeu.

Olhei para o Gabriel e para o Bispo Bento, meus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, as lágrimas não paravam de rolar.

- Um dia eu estarei com ele também? - perguntei aflita.

- Só você pode dizer isso! Só você - respondeu o Bispo Bento.

- Só você pode dizer isso! Só você - respondeu o Bispo Bento

- Eu sou um monstro, Bispo, eu sou um monstro!! - disse olhando para Madre - como posso sentir esses sentimentos se até ontem eu não sentia nada?

- Minha pequena - falou o Bispo, se aproximando de mim - você não é um monstro, o que está em você não lhe faz mal, faz parte de você, você tem um coração bom, se não Gabriel não teria lhe salvado, e você está quase completando 18 anos você tem 2 anos para aflorar seus dons e melhorar eles.

- Mas, Bispo Bento, a Madre disse que posso ser um ou outro! - disse segurando o choro

- Sim, mas a probabilidade de você ser os dois também é grande. Lembre-se de que a Madre lhe amou como filha, lute por ela e se controle e aprenda a lidar com isso - disse o Bispo

- Eu posso controlar isso? - dentro de mim cresceu uma sensação de calor no coração - perguntei olhando para o Gabriel

- Sim, só você pode controlar-se - respondeu Gabriel.

Olhei para Madre na cama sem vida, como gostaria dela ali para me aconselhar, pois estava assustada e confusa com o que estava acontecendo, a cobri com o lençol e beijei sua face. Olhei para o Bispo e então, com um olhar, ele se despediu de mim.

- Gabriel, preciso levar alguma coisa? - perguntei

- Não! Só venha até mim - disse ele

Olhando para ele, como é um belo anjo, suas asas eram tão radiantes quanto sua aura,

me aproximei e cada vez que eu chegava perto dele mais admirada eu ficava, com sua beleza e sua luz. Suas asas tocaram meu corpo e sua mão a minha testa, então apaguei.

Capítulo 3 Centro de treinamento

Quando voltei a mim e ao abrir os olhos, estava em um quarto estranho, ainda meio zonza, tentei olhar ao redor e me achar, a parede era rosa bebê, tinha uns quadros de boy band na parede, algumas flores, borboletas, tentei sentar na cama e acabei caindo sentada no chão, e aí fui ver a cama, tudo rosa também, mas um rosa mais escuro, e o tapete era pink então quando dei por mim...

-Natalin: Que horror!!! Gritei indignada - Esse quarto é todo rosa, que mau gosto é esse? Quem me pôs aqui? - e fui logo olhar minha roupa. Ainda bem estava de preto.

-Leon: A Princesa acordou? - ouvi alguém me chamar, quando notei a presença de alguém na porta.

Era um senhor já com uns cinquenta anos, cabelos castanhos e compridos até o ombro, barba malfeita, olhos azuis feito céu, alto devia ter uns um metro e noventa centímetros, de altura e corpo atlético.

-Natalin: Quem é você? disse quase caindo novamente, pois ainda estava entorpecida.

-Leon: Sou Leon. Gabriel lhe trouxe a minha casa para treiná-la e lhe ensinar a lidar com o que está lhe acontecendo.

-Natalin: Sei! - disse olhando ao redor - E não me diga que esse horror aqui é meu quarto?

-Leon: Não o seu estão aprontando - Disse rindo - venha conhecer o restante e as pessoas que aqui vivem. Ah mais uma coisa - ele me olhou meio que por cima de seu ombro, pois estava de costas já pronto para sair do quarto - Não fale para ninguém quem você é ou o que você é tudo bem?

Ele falou tão sério e com um tom de voz de dar medo que só balancei a cabeça que sim e nem me atrevi a perguntar o " Por quê?".

Ao sair do quarto me deparei com um lugar muito iluminado, era tanta luz que me deixava desnorteada e quase cega, reparei que as paredes eram todas brancas. Não existiam janelas apenas entrada de ar condicionado. Ele percebeu que eu levei a mão um pouco acima dos olhos para me proteger e ver melhor.

-Leon: Logo você se acostuma com a claridade - me disse - Aqui é um centro de treinamento. Fica escondido no subsolo de Londres.

-Natalin: Alguns instantes atrás eu estava na Alemanha como vim parar em Londres? - pensei.

-Leon: Gabriel lhe trouxe. Ele viaja na velocidade da luz - uma voz respondeu dentro da minha mente. Olhei para Leon e ele, de costas para mim, completou - Posso ler seus pensamentos e também lhe responder através deles.

Acho que na hora meus olhos não se importaram com a claridade porque eu os arregalei, que se pudesse saiam do meu rosto. Estava achando estranho tudo mais do nunca, além de não perguntar também não podia pensar, pois ele iria saber do mesmo jeito.

Entramos numa sala gigantesca. Tinha vários computadores , uma tela tipo de cinema na parede, várias pessoas olhando os computadores com uns aparelhos no ouvido que tinha uma ligação com microfone e tinha um rapaz que olhava atentamente a tela na parede.

Ele era alto tinha um metro e oitenta centímetros, corpo atlético a pele branca, cabelos loiros e baixinhos, olhos verdes que nem as águas do mar, senti dentro de mim um calor, algo que me fazia querer olhar ele por mais tempo, não sei identificar isso, nunca tinha sentido. Ele olhou para Leon e com o semblante de preocupação disse:

-Allan: Para que temos que procurar essa garota? disse indignado.

-Leon: Tudo ao seu tempo! Já lhe disse isso. Chame o resto da equipe para o salão principal - olhou para mim e disse - venha!

Nem olhei para o rapaz apenas segui o Leon, o salão principal era grande mas não com a imensidão da sala anterior , se esse salão aqui coubesse cem a trezentas pessoas , a anterior caberia mil a três mil pessoas, para se ter uma ideia da imensidão que falo.

No centro do salão tem uma mesa retangular feita de madeira maciça, pintada de um verniz escuro meio que imitando uma estrutura medieval, as cadeiras eram de ferro com couro branco, ele se sentou na primeira e pediu para que eu me sentasse na do lado dele.

O Silêncio na sala me fez lembrar daquela manhã que a Madre me chamou até a sua sala, então bateu aquela dor novamente e sem que eu quisesse começou a rolar gotas de lágrimas no meu rosto. Leon que estava próximo percebeu que eu chorava e pela expressão dele se surpreendeu, ele ia me perguntar algo mas alguém abriu a porta da sala.

O Mesmo rapaz voltou com mais quatro três rapazes e uma moça, Leon se levantou e fez sinal com a mão para que eu ficasse de pé também , eles ficaram ali parados, então Leon apresentou Lígia, Fred, Addan e Juan, o rapaz que já tinha visto alguns minutos atrás era Allan e para terminar disse.

-Leon: Essa é a nova integrante da equipe de vocês, Natalin!

A reação foi diversa.

-Lígia: Legal eu tenho companhia agora! - gritou.

-Mais um! - disse Fred franzindo a testa, claramente demonstrando que a equipe já estava completa.

-Prazer - disse Addan meio que vamos acabar logo com isso.

Allan nem olhou para mim, isso me fez lembrar do convento novamente, algumas pessoas não gostavam da minha presença, agiam como se eu não existisse, isso fez com que aquela dor da morte da Madre viesse e junto uma sensação estranha e desagradável que eu não sei explicar.

Então após as apresentações todos se sentaram na mesa e Leon começou a falar.

-Fred, você fez a análise que eu lhe pedi daquela amostra?

-Sim - Fred respondeu levando as mãos ao rosto - A amostra não é pura então fica difícil de traçar alguma característica.

Amostra? Pensei... Que tipo de amostra que ele está falando?

-Certo! - disse Leon e então olhou para o Juan - E você o que tem para mim?

-Bom - disse Juan olhando para o Allan e novamente para o Leon - de acordo com as plantas de movimentação do mundo e submundo, os demônios de todas as piores espécies estão caçando duas pessoas.

Eu permaneci de cabeça baixa ouvindo tudo que estava sendo dito, mas não deixei de pensar como assim duas pessoas?

-Juan: Sabemos que uma tem praticamente dezesseis ou dezessete anos e a outra apenas onze ou doze anos.

Dezesseis anos, ele está falando de mim? Tentei não demonstrar nenhuma expressão. Enquanto eu pensava Leon me observava e logicamente ele estava lendo meus pensamentos.

-Juan: E o que me deixa mais curioso é que o plano superior (céu) também se agitou nesses últimos dias temos mais vindas de anjos na terra e com mais frequência do que a dos demônios.

Será que ele está falando do Gabriel? Não ele disse que tem muito mais vindas de anjos. Deve ter mais com certeza.

Leon olhou para mim, senti uma sensação estranha que me fazia querer sair daquele lugar às pressas, abaixei a cabeça sem querer olhar para ele, isso me fez pensar o porquê instintivamente fiz isso.

Sabia que estavam falando de mim em uma parte, mas não podia falar nada para eles que era eu, porém a informação da outra pessoa me intrigou, quem era e porque estavam a caçando também?

Leon pela expressão do seu rosto leu meus pensamentos.

Desde que cheguei percebo que ele me observa muito, só de lembrar que ele lia meus pensamentos senti que precisava tomar mais cuidado.

Ele despertava uma sensação estranha, não me sentia confortável em saber que ele estava na minha cabeça.

-E você Lígia o que tem para mim? disse Leon voltando sua atenção para a equipe.

-Fui à biblioteca fazer pesquisas nos livros angelicais, nos das bruxas, na verdade em todos.

Aqui tem livros de todos os planos? Deve ter alguma informação sobre meus Pais.

-Lígia: Só encontrei uma lenda em comum na dos anjos e dos vampiros, diz a lenda que existe uma ou um híbrido, ou seja meio vampiro e meio anjo.

Eles não sabem que é uma garota então, deve ser por isso que aquele homem perguntava onde está a criança, ele não sabia que era uma garota.

-Lígia: E que tem uma criança que nasceu depois que tem o dom de dominar o " demônio " desse híbrido.

Então essa garota pode me dominar? Isso me deixou muito mais pensativa.

-Lígia: Vou assim dizer pois não compreendi muito bem, preciso de mais tempo, pois, a tradução não está perfeita, os anjos não temem a criança, mas já os demônios a querem morta ou morto, isso é ordem direto de Lúcifer.

Leon olhou para o Addan que logo foi falando.

-Eu encontrei manchetes principalmente na Alemanha que um convento teve nove freiras mortas e uma madre, nas notícias que rolam no submundo mataram cem vampiros nesse convento sem explicação.

Ele está falando do meu convento. Novamente veio o aperto no peito.

-Addan: O bispo falou que as irmãs e a Madre tiveram uma doença rara que veio a descobrir já na hora da morte. E encobriu os corpos dos vampiros para não assustar os cidadãos, com esse ataque já foram 10 conventos.

Nesse momento não consegui me conter.

-Natalin: Como assim 10 ataques? - Eu perguntei meio que num tom agressivo.

Todos se entreolharam menos o Addan que continuou olhando para a mesa e os papéis que segurava, ignorando totalmente a minha pergunta, pelo cheiro do seu sangue percebi que ele se irritou.

-Responda a pergunta! - disse Leon.

-Addan: Foram conventos de cidades próximas, só que a única diferença é que nos outros nenhum vampiro morreu e a morte das freiras foi no total e junto de três a cinco adolescentes órfãos que moram no orfanato do convento em torno de dezesseis a dezessete anos tanto menino quanto menina. - ele respondeu contrariado.

-Natalin: Obrigada - voltei a baixar a minha cabeça não sabia desses ataques até agora, isso fez com que a cena da Madre naquele chão viesse novamente em minha mente, e aquela dor e a sensação de vazio preenchia meu peito, novamente senti que algumas lágrimas saiam dos meus olhos.

Leon olhou para o Allan, que estava de cabeça baixa com as mãos em cima da mesa e os dedos entrelaçados.

-Você não tem nada a me falar, Allan? perguntou Leon

-Não sei... - disse Allan balançando a cabeça - porque estamos a procura dessa menina de doze anos? Deveríamos achar o híbrido e matar, não é o que eles querem? Então acabaríamos com essa guerra e com morte de pessoas inocentes.

O cheiro do sangue do Allan transbordava irritação e indignação.

-Não é assim - respondeu Leon - não podemos matá-la ela é o equilíbrio entre a vida e a morte.

-Ela!!!! Indagou Lígia - então é mulher?

-Não sei - disse Leon - só estou falando ela como pessoa, porque pessoa não tem feminino ou masculino. Agora vão aos seus afazeres, pois tenho que conversar com Natalin um pouco.

Todos se levantaram e saíram tão rápido quanto entraram, continuei de cabeça baixa, pois o que eu acabei de ouvir era algo que me deixou intrigada e também pensativa, afinal muitas pessoas morreram por minha causa e eu nem estava sabendo.

Leon olhando para mim, me observando por alguns instantes, pois, percebeu que era muita informação para que eu absorvesse de uma vez.

-Você entendeu o que foi dito aqui? - perguntou Leon me olhando atentamente.

-Natalin: Sim - respondi olhando para minhas mãos que estavam sobre a mesa - sei que Lúcifer mandou todo tipo de demônio atrás de mim, mas não sabia dessa garota e nem desses outros ataques.

-Bem - disse Leon - quando você estava completando quatro a cinco anos ela nasceu, ela é filha de uma mortal com um bruxo.

-Bruxo?!?! - disse com ar de dúvida - existem bruxos?

-Existem bruxos, sim - falou Leon - esse bruxo conhecia sua mãe, ajudou a fazer seu parto - eu escutava atentamente, ele percebendo isso continuou a falar - Ele se casou com uma mortal, antes dele morrer ele transferiu todo seu saber e conhecimento para a filha que ainda estava sendo gerada.

Então existem Bruxos - pensei olhei para o Leon ele não parecia estar mentindo.

-Os vampiros o encontraram e a única coisa que conseguiram arrancar dele era que você foi levada para um convento. - Leon terminou de contar me observando.

Mais uma pessoa morreu por minha causa, novamente aquele sentimento estranho que senti depois da morte da Alice me veio à tona.

Algo que apertava meu peito, não sabia explicar. Continuei de cabeça baixa, prestando muita atenção no que Leon falava.

-A menina é poderosa, com certeza soube se esconder bem esses anos , a mãe dela quando deu a luz, em um orfanato e logo morreu. - disse Leon observando cada reação minha.

-Agora ela deve saber que você já sabe dela e que está a sua procura. Então ela irá deixar que fique visível para que a achemos, mas também ela corre o risco de que eles a achem primeiro. - dessa vez olhei para ele e sua expressão era de preocupação.

-Natalin: Então ela pode me domar? perguntei pensativa.

-Não - Leon riu - ela vai lhe ajudar a controlar esse instinto assassino que você tem e não te domar.

-Natalin: Ah tá! - falei sentindo me mais leve - Porque eles não podem saber sobre mim? E porque o Allan acha que tenho que morrer? E olha que em muitos momentos concordo com ele.

-Bom para lhe falar a verdade - eu o olhei, Leon estava com o olhar vago - não desconfio deles, é que não sei se é seguro alguém saber de você agora, pois, pode colocar a operação em risco e eu não conseguiria lhe treinar.

Suas palavras soavam de uma forma dolorida em meus ouvidos, mas uma sensação estranha que estava sentindo.

Não sabemos como seria a reação deles, depois de saberem a verdade. Bom venha já está tarde lhe levarei ao seu quarto. - disse Leon se levantando.

-Natalin: Mas eu não durmo - disse com a voz mais baixa do que o costume, como queria poder fechar os olhos, minha mente desligar por alguns instantes.

-Eu sei mas ninguém pode saber sobre isso - disse Leon, já de pé indo sentido a porta, novamente olhou sobre os ombros - você ficará no quarto a noite inteira por enquanto.

Me levantei e o acompanhei pelos corredores, fui percebendo que apenas tinha portas e não tinha janelas e eu nem entendia como se entrava lá.

Paramos em frente a uma porta. Levei a mão na maçaneta, lembrei do quarto que acordei e isso me fez com que as pernas perdessem as forças e não quisesse entrar. Quando abri a porta e olhei o quarto senti uma leveza no peito, que pensei " ainda bem ".

-O que foi? achou que seria como o seu quarto? - perguntou Leon.

Eu o olhei e ele não estava com a expressão seria, ele tinha um leve sorriso no canto de boca, fiquei sem entender.

-Natalin: Achei que seria rosa - respondi fazendo careta - que nem o que eu acorde, mas me parece o quarto lá do convento. - me remeteu a um calor no peito e ao mesmo tempo um vazio.

-Sim - respondeu Leon rindo - quisermos que você se sentisse em casa por isso montamos igual o de lá. Agora entre e tranque a porta.

Entrei e fiz o que ele me pediu e sentei na cama e então fiquei pensando na reunião que eu participei em tudo que foi dito, então concordei com o que o Leon falou de ninguém saber de mim por enquanto.

Deitei a cabeça no travesseiro e pensando como fazer as horas passarem e aí lembrei da Madre como eu queria ela ali, me senti perdida sem ela.

Então me lembrei de quando tinha nove anos, e estava na janela da sala do orfanato olhando lá fora, era um dia chuvoso, as crianças junto com as Irmãs estavam organizando e enfeitando a árvore de natal, como eu não queria fazer mal a alguém eu fiquei recolhida no canto, a chuva que caía lá fora era fina, foi quando a Madre se aproximou.

-Está observando a natureza pequena? - perguntou a Madre carinhosamente.

-Natalin: Sim - responde sem olhar para ela - acho interessante como essa água cai do fininha do céu. Como cai água do céu, Madre? perguntei

-A água que está na superfície da terra, ao ser aquecida pelo calor do sol, evapora e se mistura com o ar. No alto da atmosfera o ar é muito frio. Nessa região o vapor d'água se condensa, formando pequenas gotinhas de água ou minúsculos cristaizinhos de gelo que flutuam no ar, dando origem às nuvens. - enquanto a Madre me contava eu ia imaginando a cena.

-Com o tempo mais e mais água pode se condensar, aumentando o tamanho das gotinhas. Quando o peso não permite mais que fiquem suspensas, as gotas caem de volta para a superfície da Terra. São as gotas de chuva! - a Madre me explicou com um sorriso nos lábios.

-Madre, porque meu nome é Natalin? - perguntei com um tom mais baixo que o natural e senti um aperto no coração.

-Madre Margareth: Bem - disse ela acariciando meus cabelos - Quando Gabriel lhe trouxe ainda recém nascida era um dia antes do natal, então eu e o Bispo Bento resolvemos colocar seu nome em homenagem ao natal. - ela fez uma pausa e com suas mãos em nós meus braços me trouxe próximo ao seu peito - senti um calor dentro de mim e uma leveza no coração, não queria sair daquele abraço e ela continuou falando.

-Madre Margareth: Sabe o dia que você chegou aqui era um dia como esse chuvoso. Você era tão pequena, chorava tanto - riu - mas logo que eu te peguei em meus braços, você ficou tão calma e começou a sorrir.

Coloquei minha cabeça no colo dela e fiquei curtindo o carinho que ela fazia, e pensando e imaginando como era a chuva....

-Natalin: Ah como sinto sua falta Madre - disse com os olhos se enchendo de lágrimas.

Como queria saber mais sobre minha história. Saber sobre meus pais, preciso achar aquela garota, ela pode ser a chave de todo o mistério que me ronda.

Então me levantei e fui até o espelho, me olhei, a Madre falava que eu era linda. Eu fico a pensar se sou mesmo?

Não sou muito alta tenho um metro e cinquenta centímetros, pele branca a Madre falava que era da cor da neve, olhos castanhos escuros, cabelos compridos e ondulados pretos, sou um pouco gordinha.

Será que puxei quem ao meu pai ou a minha mãe?

Fui até o guarda roupa abri e vi minhas roupas, sempre escuras, pretas, azul escuro, marrom, não usava roupas claras.

Apesar que a Madre sempre falava pra eu usar, também não usava saias, já vestidos usava raramente. Nunca levei jeito pra isso.

A Madre era linda apesar que ela não podia se maquiar ou se arrumar, mas a Madre sempre estava linda e arrumada, com a túnicas sempre limpinhas e passadas.

Sempre dando dicas pras meninas do orfanato de como se portar e vestir.

Voltei para a cama e comecei a imaginar como era minha mãe? o que ela fazia? e meu pai, bom nunca falaram coisas boas dele, mas eu queria pelo menos saber o nome deles, para poder procurar mais histórias ou registro.

Como será que é o céu? Como será que é o submundo? Todos os anjos são iguais ao Gabriel? Todos os vampiros são iguais ao que eu matei?

Será que se eu morrer realmente acabaria a guerra? As pessoas parariam de morrer? Essa menina é tão boa como falaram? Ela realmente existe? São tantas dúvidas e tantos porquês que pairam em minha mente.

Será que vou conseguir vencer isso dentro de mim? tanta coisa pra saber e nem sei por onde começar, nem onde procurar.

Cada dia que passa minha vida fica cada vez mais complexa e misteriosa.

Queria poder dormir e acordar e pensar que tudo isso não passa de um pesadelo e que a Madre vai estar lá de novo.

Passei a noite toda perdida em meus pensamentos.

Na manhã seguinte ainda continuei deitada na minha cama, sem nenhuma vontade de levantar e sair lá para fora.

Escuto alguém bater na porta.

-Natalin. Posso entrar? - era Leon.

Me levantei e caminhei até a porta, a destranquei e abri para que ele entrasse, não estava com um pingo de vontade de falar, só olhei para ele e voltei a me deitar na cama.

Leon percebeu que eu não me encontrava bem.

-O que aconteceu que você não quis sair do quarto ainda? - perguntou o Leon sentando numa cadeira ao lado da cama.

-Natalin: Eu não sei explicar. Me sinto cansada, desanimada. - dei uma pausa e continuei - estou sentindo algumas coisas estranhas depois da morte da Madre que não sei explicar - meus olhos se encheram de água e começou a escorrer gotas de lágrimas no meu rosto.

-O que você sente? - perguntou Leon.

-Natalin: Como explicar, quando penso no convento, na Madre sinto meu peito direto e um vazio enorme, com isso sempre rolam essas lágrimas, nunca aconteceu isso antes.

-Você está sentindo tristeza e saudades - falou Leon me observando atentamente.

-Natalin: Isso não é sentimentos? Eu nunca tive sentimentos antes.

-Gabriel me falou que você podia identificar os sentimentos das pessoas. Como nunca sentiu? - perguntou Leon desacreditado.

-Natalin: Aprendi a entender a expressão das pessoas a Madre me ensinou isso. Eu sinto na verdade o cheiro desses sentimentos no sangue das pessoas.

-No sangue? - questionou Leon.

-Natalin: -Sim. Sinto cheiro no sangue das pessoas, mas o estranho que quando alguém se corta o cheiro que me vem não é de dor da pessoa, mas sim do adocicado do sangue.

-Pelo jeito vou ter que te ensinar muitas coisas. - falou Leon - Gabriel nunca conversou com você sobre isso?

-Natalin: Nunca contei a ele, só a Madre sabia, mas não falei a ela como era que eu sabia.

-Natalin, você não sente as emoções das pessoas pelo cheiro do sangue. - Leon começou a me explicar - você sente as emoções que estiverem mais evidente na pessoa. Isso é um dom de Anjo.

Nesse momento parei de olhar para o teto, olhei para o Leon ele estava com a expressão séria, percebi que ele sabia muita coisa sobre esse assunto. Então me levantei e sentei na cama de frente para ele.

Percebendo que conseguiu chamar a minha atenção Leon continuou falando.

-Leon: Natalin, você nunca prestou atenção de como seu corpo reage quando você sente o sentimento das pessoas? Você nomeia eles pela expressão, mas você sente com o corpo.

-Natalin: Mas como isso é possível? - eu não estava acreditando no que eu estava ouvindo.

-Natalin, você é híbrida, e além disso possui alma, seria normal você sentir os sentimentos seus e das pessoas. - Leon falou isso numa naturalidade, que para mim era algo surreal.

-Natalin: Sério!? - ainda estava desacreditada.

-Sim. - Leon olhou para mim com um sorriso no rosto. - quando você sentir o sentimento de alguma pessoa preste bem atenção em você, como você está reagindo, assim você irá aprender a identificar o que sente.

Fiquei alguns minutos ainda o olhando desacreditada em tudo que eu ouvi.

-Natalin, você está passando por um sentimento de luto pelo que aconteceu com a Madre, isso não irá passar rápido - Leon me olhou nos olhos - mas com o tempo irá doer menos, você passou por muita coisa nesses últimos dias, hoje irei deixar você aqui no quarto como é sua vontade.

Mas amanhã você está lá fora se misturando com as pessoas e com a equipe. - disse se levantando e indo em direção a porta.

Assim que Leon fechou a porta, eu deitei novamente, agora com informações que eu nunca tive, eu sempre tive sentimentos, sempre os senti, mas nunca os percebi.

Tinha algo para ficar pensando até amanhã. E amanhã será um grande desafio para mim, lidar com pessoas.

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