O teste fora exigido pela família Woods no momento em que Clydie ressurgiu, uma confirmação final e brutal para cortar os laços que Giselle tentara desesperadamente atar. O texto em vermelho na parte inferior borrou-se enquanto os olhos de Giselle se enchiam de lágrimas que ela se recusava a derramar. Ela estava parada no centro do escritório com painéis de mogno, sentindo-se pequena. Insignificante.
As pesadas portas de carvalho atrás dela se abriram. O clique-claque agudo de saltos agulha no mármore ecoou antes mesmo que a mulher entrasse. Buna Villarreal. Sua sogra.
Ela não andava; ela marchava. Uma falange de advogados a seguia como aves de rapina esperando por uma carcaça. Ela jogou uma pasta sobre a mesa. Aterrissou com um baque surdo que fez Giselle se encolher.
"Você é uma figura e tanto, Giselle", cuspiu Buna, sua voz escorrendo satisfação venenosa. "Uma falsa herdeira. Uma fraude. A família Woods já emitiu uma declaração. Eles cortaram relações com você. Você não é nada. Você não é ninguém."
"Eu não sabia", sussurrou Giselle. Sua garganta parecia estar cheia de algodão. "Buna, por favor, eu não sabia."
"Não se atreva a me chamar assim", ela retrucou. "Você humilhou esta família pela última vez. Você é um descarte, Giselle. Um parasita que finalmente estamos removendo."
Um dos advogados deu um passo à frente, seu rosto inexpressivo, profissional. Ele destampou uma caneta-tinteiro e a estendeu para ela. A ponta de ouro brilhou sob a luz do lustre. Ele apontou para a linha pontilhada nos papéis do divórcio espalhados sobre a mesa.
Giselle não pegou a caneta. Seus olhos estavam fixos na porta. Ela estava esperando. Ela estava rezando.
Joseph.
Ele tinha que vir. Ele tinha que ouvir. Três anos. Eles estavam casados há três anos. Houve momentos - pequenos, silenciosos momentos - em que ela pensou que ele a via. Não a fusão, não o acordo comercial, mas ela.
O ar na sala mudou. Ficou mais frio, mais cortante.
Joseph Villarreal entrou.
Ele usava um terno preto feito sob medida que se ajustava perfeitamente aos seus ombros largos. Parecia imaculado, intocado pelo caos da tempestade lá fora ou pela destruição da vida de Giselle aqui dentro. Ele não olhou para sua mãe. Ele não olhou para os advogados.
Seus olhos escuros pousaram em Giselle.
Ela os vasculhou em busca de raiva. De tristeza. De qualquer coisa. Mas não havia nada. Era como olhar para um vazio. Ele a olhava com a mesma indiferença que demonstrava a um gráfico de ações flutuante.
Giselle deu um passo em sua direção, a mão se estendendo instintivamente. "Joseph..."
Ele se desviou dela. Suavemente. Sem esforço. Como se ela fosse contagiosa.
Ele contornou a mesa maciça e sentou-se em sua cadeira de couro. Pegou um cortador de charutos, o clique metálico soando alto no silêncio. Acendeu o charuto, deu uma tragada e exalou uma nuvem de fumaça cinzenta que se espalhou entre eles como uma parede.
"Assine", disse ele.
Sua voz era baixa, barítona e totalmente desprovida de emoção.
O peito de Giselle se contraiu. Doía fisicamente para respirar. "É só isso?", ela perguntou, com a voz trêmula. "Três anos, Joseph. Não significa nada para você?"
Ele bateu a cinza em um cinzeiro de cristal. Nem sequer levantou o olhar. "Este casamento foi uma transação comercial, Giselle. E o produto que comprei era fraudulento. A família Woods mentiu. Você não é quem disse que era."
"Eu não menti!", ela gritou. "Eu sou a mesma pessoa que fazia seu café todas as manhãs. Eu sou a mesma pessoa que-"
"Você é um passivo", interrompeu Buna, com um sorriso cruel. "E Joseph merece coisa melhor. Ele merece Clydie. A filha verdadeira. A que tem pedigree."
Clydie. O nome era uma faca se revirando nas entranhas de Giselle. A mulher que pairava nas bordas de seu círculo social, sempre sorrindo, sempre observando.
Giselle olhou de volta para Joseph. Ele estava lendo um arquivo em sua mesa, ignorando totalmente a conversa. Ele estava entediado. Para ele, tinha acabado.
A constatação a atingiu com a força de um golpe físico. Ele nunca a amou. Ele nem sequer a odiava. Para ele, ela era apenas um ativo que se desvalorizou a zero. A esperança que a sustentara por três anos evaporou, deixando para trás uma clareza fria e entorpecente. Não havia misericórdia aqui. Apenas cálculo.
Giselle estendeu a mão e pegou a caneta do advogado. O corpo de metal estava gelado contra sua pele.
Ela se inclinou sobre a mesa. Sua mão tremia, mas ela a forçou a se firmar. Pressionou a ponta no papel. A tinta fluiu, escura e permanente.
Giselle.
Ela assinou seu nome. Assinou abrindo mão de sua casa. Assinou abrindo mão de seu coração.
Joseph observou a caneta se mover. Por um segundo - apenas uma fração de segundo - sua testa se franziu. Uma microexpressão de desconforto. Mas então ele piscou, e ela desapareceu.
O advogado arrancou os papéis no momento em que ela levantou a caneta.
"Tirem as coisas dela daqui", ordenou Buna aos funcionários. "Agora."
Giselle endireitou a coluna. Exigiu cada grama de força que lhe restava. Ela olhou para Joseph uma última vez. O desespero se fora, substituído por um vazio oco onde antes havia seu amor.
"Espero", disse ela, com a voz baixa, mas firme, nascida da ruína absoluta, "que você nunca se arrependa do que fez hoje."
Joseph soltou uma risada curta e seca. Ele acenou com a mão em direção à porta, um gesto de dispensa. "Vá."
Giselle se virou. Suas pernas pareciam de chumbo. Ela passou pelos advogados, pelo sorriso triunfante de Buna. Caminhou em direção às pesadas portas duplas.
Ela podia sentir o cheiro de sua colônia - sândalo e chuva. Costumava ser o aroma de sua segurança. Agora, era o aroma de sua ruína.
Ela empurrou as portas para abri-las. O trovão rugiu, dando-lhe as boas-vindas à escuridão.