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Tarde demais para me reconquistar!

Tarde demais para me reconquistar!

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Sinopse

Desde que Ryan a acolheu, Nicole tentou ser sensata e obediente, adaptando-se ao humor dele. Embora Ryan a tivesse criado, ela nunca o viu como família, convencida de que acabariam se casando. No dia em que ela fez vinte anos, pronta para confessar seus sentimentos novamente, a mulher que ele amava voltou. "Nicole é apenas uma criança para mim. A única pessoa que amo é Olivia." Ao ouvir isso, Nicole decidiu abrir mão e ir embora. Mais tarde, no casamento dela, Ryan implorou: "Eu me arrependo, Nicole. Por favor, não se case com ele!" Nicole manteve a calma. "Pode me soltar? Meu noivo não vai gostar disso."

Capítulo 1 Nunca a vi de outra forma

Para o aniversário de Ryan Owen, Nicole Evans escolhera um presente cuidadoso.

Ao se aproximar da sala privativa onde ele estava com os amigos, vozes chegaram até ela.

"Agora que Olivia voltou, vocês dois podem finalmente ficar juntos, Ryan. Mas a Nicole é teimosa que só. E se ela causar problemas?"

Através do vidro, a penumbra dificultava enxergar o rosto de Ryan, mas seu tom era inconfundivelmente frio. "Ela é só uma criança. O que diz não importa."

"A Nicole pode ser jovem, mas todo mundo vê que ela gosta de você. Quer dizer que nunca pensou nela assim?"

A pergunta incisiva de Vernon Clayton acelerou o coração de Nicole.

Ela se concentrava para capturar cada palavra, desesperada para saber se Ryan alguma vez nutrira por ela algum sentimento romântico.

Reclinado no centro do sofá, Ryan transparecia uma confiança inabalável, serena e autossuficiente.

Após uma pausa calculada, respondeu, a voz gelada e inflexível: "Pessoal, não alimentem esse tipo de conversa. A Nicole é jovem e impulsiva. Para mim, ela é minha sobrinha. Nunca a vi de outra forma."

As palavras a atingiram como uma lâmina, cortando-lhe o peito.

Alheio à sua presença do lado de fora, Vernon continuou com a provocação: "Tá bom, tá bom, já entendemos. A Olivia é a única que importa pra você. A Nicole nunca ocuparia o lugar dela."

Ryan acenou levemente. "Só tomem cuidado para não mencionar a Nicole perto da Olivia. Não quero confusão."

"Precisamos mesmo falar dela?" Vernon soltou um suspiro pesado, o tom carregado. "Com a personalidade que tem, a Nicole não vai ficar de braços cruzados vendo você acabar com outra."

"Pois é", outro homem acrescentou, rindo, claramente se divertindo. "Ela tem o quê, vinte anos agora? Por que não fica com as duas? A Nicole não tem para onde ir e vive pendurada em você. Provavelmente aceitaria sem hesitar."

Os olhos de Ryan afiaram-se como gelo, e o olhar que lançou foi suficiente para silenciar a sala. "Que tipo de sujeira é essa que estão falando? A única razão pela qual pedi ao meu irmão para adotá-la foi por pena. Meu coração sempre pertenceu à Olivia. Não digam coisas que me dão arrepio."

Os dedos de Nicole se cerraram na maçaneta com tanta força que doeram. Por um instante, mal conseguiu respirar.

Era isso, então. Era assim que ele via seus sentimentos. Algo repulsivo.

Ela chegara pronta para entrar, talvez até para se defender, mas a força a abandonou de repente.

Sem dizer uma palavra, baixou os olhos, engoliu o nó na garganta e se afastou.

Lá fora, a rua estava silenciosa e vazia, estendendo-se interminavelmente à sua frente.

A exclusividade do clube à beira-rio fazia com que nem um único táxi esperasse.

Com o presente apertado contra o peito, Nicole caminhou apressada pela calçada deserta.

A conversa de Ryan com os amigos ecoava em sua mente.

Depois de tantos anos, a que exatamente ela estivera se agarrando?

Um riso amargo escapou-lhe dos lábios enquanto sussurrava para si mesma: "Nicole, você foi mesmo tão tola?"

Lágrimas silenciosas rolaram por seu rosto. Ela nem se deu ao trabalho de enxugá-las.

No cruzamento seguinte, um feixe de faróis a ofuscou, a claridade ferindo seus olhos já doloridos. Naquele momento, sua mão se abriu.

O presente - um par de abotoaduras caras, comprado com seu próprio bônus - caiu no chão com um baque surdo e definitivo. Agora, não significavam mais nada para ela.

Respirando fundo, Nicole pegou o celular e fez uma ligação.

"Kyson, decidi. Aceito sua proposta. Vamos nos casar."

Kyson Blake era cinco anos mais velho, um vizinho de infância do círculo da família Owen. Após o ensino médio, fora para o exterior e só recentemente retornara a Aslesália.

Na última vez que se viram, Kyson falara abertamente sobre as pressões que enfrentava - expectativas, casamentos arranjados, os negócios da família. Sua proposta fora pragmática, mas também acolhedora.

"Nicole, você sabe como funciona. Você e eu estamos destinados a casamentos que servem às nossas famílias, não a nós mesmos. Se vamos ser empurrados para algo, por que não escolher um ao outro - alguém que entende? Que tal a gente simplesmente casar?"

Quando Kyson fizera a sugestão pela primeira vez, Nicole apenas rira, sem levar a sério. Mas naquela noite, a ideia não parecia nada absurda.

Ela olhou por cima do ombro para o clube, suas luzes de neon pulsando em explosões ousadas e coloridas - cada lampejo um eco dos resquícios de sua afeição por Ryan.

"Nos conhecemos desde criança. É bem melhor do que casar com um estranho. Se você ainda estiver disposto e sua família estiver com pressa, podemos oficializar isso logo", disse ao telefone.

Kyson ficou pasmo com a rapidez de sua decisão. Houve uma pausa, então ele respondeu: "É só dar o sinal, e eu vou te buscar. Quando estará pronta?"

Seu olhar desviou-se para a sacola de presente esquecida na calçada. "Deixe-me resolver os arranjos do meu estágio primeiro."

Se fosse se casar com Kyson, não havia motivo para permanecer em Jucrídio.

Desligou e caminhou por um tempo que pareceu uma eternidade até finalmente conseguir um táxi de volta para a Propriedade Pôr do Sol.

A propriedade ficava no coração da cidade, um local privilegiado a apenas cinco quilômetros da casa onde nascera - antes de tudo desmoronar.

Aos nove anos, a vida de Nicole despedaçou-se quando a empresa da família faliu. Oprimidos pelas dívidas crescentes e pelo assédio incessante dos credores, seus pais perderam as esperanças e a deixaram completamente sozinha. Até a casa deles fora destruída, restando apenas cinzas.

Os credores não tiveram piedade, e por um tempo, pareceu que nem a pequena Nicole estava a salvo de suas garras.

Ryan interveio quando ninguém mais o fez.

Ele tinha apenas dezessete anos na época, mas manteve-se firme diante de seu irmão mais velho, Sawyer Owen. "Não posso ser o tutor legal dela sem uma esposa. Você a adota no papel - eu cuido de todo o resto."

Ryan manteve essa promessa. Deu a Nicole o melhor de tudo, protegendo-a e mimando-a à medida que os anos passavam.

Mas, para ela, ele nunca foi verdadeiramente um tio, por mais que usasse o título.

Nicole cresceu acreditando que ela e Ryan eram feitos um para o outro.

No seu décimo oitavo aniversário, disse-lhe que gostava dele.

Ryan a cortou, chamando-a de jovem demais, dizendo que havia distância demais entre eles, insistindo que só poderia tratá-la como sobrinha.

Contudo, mesmo erguendo esse muro, nunca permitiu que outro homem se aproximasse dela.

Nicole confundiu seu protecionismo com algo mais, convencendo-se de que era ciúme - de que ele apenas esperava que ela ficasse mais velha.

Ela acreditava sinceramente que um dia, se esperasse o suficiente, tudo se encaixaria para eles.

Enquanto a cidade desfilava numa névoa de luzes e sombras pela janela, Nicole ficou ali, perdida em pensamentos. Lágrimas marejaram seus olhos por razões que não conseguia nomear.

Percebeu que envelhecer não amenizara a dor, e desprender-se do amor era uma tristeza à parte.

Naquele momento, fez a si mesma a promessa silenciosa de finalmente libertar Ryan de seu coração.

Pouco depois, Nicole finalmente chegou em casa. Enxugou as últimas lágrimas, reprimiu todos os sentimentos e subiu as escadas sem uma palavra. Um banho quente acalmou seus nervos, e logo ela se deixou levar pela escuridão da cama.

Estava certa de que o sono a evitaria, mas, em vez disso, dormiu mais profundamente do que esperava. Na manhã seguinte, acordou com barulhos altos ecoando pela casa, como se alguém estivesse reorganizando a cozinha inteira.

Depois de se vestir, Nicole seguiu o ruído até o andar de baixo, onde ele ficava ainda mais agudo e persistente.

Ainda sonolenta, bocejou e dirigiu-se à cozinha, supondo que a empregada já estivesse a postos. "Você acordou bem cedo..."

A voz sumiu no instante em que viu a pessoa parada ali.

Uma mulher movia-se entre o fogão e a bancada, vestida de branco, um avental creme amarrado com precisão na cintura. Os cabelos longos estavam presos com uma pinça elegante, e tudo nela parecia cuidadosamente arrumado.

Nicole parou, diante do primeiro amor de Ryan, da mulher que ele nunca conseguira verdadeiramente esquecer. Olivia Marsh.

Olivia virou-se com um sorriso radiante, como se pertencesse àquele lugar. "Nicole, você acordou! Eu ia terminar o café e depois te chamar. Não achei que fosse acordar tão cedo."

Nicole reprimiu um riso amargo. Com aquele barulho todo, teria que ser surda para continuar dormindo.

Respirou fundo para se recompor e forçou um sorriso fraco. "O que a traz aqui tão cedo?"

Olivia tocou os lábios, fingindo modéstia. "O Ryan exagerou na bebida ontem. Trouxe ele para casa, ajudei a limpá-lo e, já que você estava sozinha, pensei em fazer o café para nós."

Então... os dois haviam passado a noite juntos.

Qualquer vestígio de polidez no rosto de Nicole esvaiu-se, e a voz esfriou. "Por acaso eu pedi isso?"

Nesse momento, uma voz aguda veio de trás dela. "Nicole, foi essa a atitude que aprendeu comigo? Peça desculpas!"

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