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Esposa Abandonada, Vingança Bilionária

Esposa Abandonada, Vingança Bilionária

img Romance
img 470 Capítulo
img Yi Ye
5.0
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Sinopse

Eu estava sozinha no altar da Catedral de St. Patrick, com trezentas pessoas encarando minhas costas, quando meu celular vibrou na minha mão. Era uma mensagem do meu noivo, Breno: "Eu não consigo. A Mônica precisa de mim. Sinto muito." O mundo parou. Mônica era minha madrinha e melhor amiga. A mãe de Breno, em vez de me consolar, cravou as unhas no meu braço e sussurrou que a culpa era da minha "carreirazinha" que o sufocava. A humilhação queimou o medo. Arranquei o véu de dois mil dólares da cabeça, peguei o microfone e fiz minha voz ecoar pela igreja: "O casamento está cancelado. O noivo está, neste momento, consolando a madrinha. As bebidas são por conta do covarde." Fugi para a Quinta Avenida, tropeçando no meu vestido arruinado, e caí literalmente aos pés de um homem em uma cadeira de rodas. Era Juliano Silveira, o "Filho Amaldiçoado" da elite, um pária deserdado e paralisado. Ele me olhou sem pena, apenas com uma frieza calculista. "Dia difícil?", ele perguntou. "Meu noivo está dormindo com minha melhor amiga", respondi, limpando o rímel borrado. Ele revelou que precisava de uma esposa para evitar que a família o internasse e tomasse o pouco que lhe restava. Eu precisava salvar minha dignidade e esfregar na cara de Breno que eu não estava derrotada. Ali, na calçada suja, olhei nos olhos cinzentos dele e fiz a proposta insana: "Você é solteiro?" Uma hora depois, saímos do cartório com alianças de vinte dólares. Breno riu, dizendo que me casei com um aleijado falido para provocá-lo. O que ele não sabe é que Juliano não é apenas um rejeitado; ele é o dono secreto do império que Breno sonha em trabalhar, e juntos, vamos destruir todos eles.

Capítulo 1

O silêncio na St. Patrick's Cathedral não era pacífico. Era pesado. Era um peso físico, pressionando os ombros de Stella, mais pesado que os nove quilos de seda e renda que se arrastavam de sua cintura.

Ela estava sozinha no altar.

Trezentas pessoas observavam suas costas. Ela podia sentir os olhares deles como pequenas alfinetadas, coçando em sua pele. O celebrante, um senhor gentil de sobrancelhas grossas, pigarreou. O som ecoou pelos tetos abobadados, um estalo agudo que fez Stella se encolher.

Bzzz.

O celular, agarrado em sua mão de nós brancos, vibrou. Era a terceira vez em dois minutos.

Stella não queria olhar. Ela sabia. Em algum lugar no fundo de suas entranhas, naquela parte primitiva que processava o medo antes que seu cérebro pudesse acompanhar, ela sabia. Mas seu polegar se moveu mesmo assim, deslizando para desbloquear a tela.

Bryce: Eu não consigo fazer isso. Monica precisa de mim. Sinto muito.

O mundo não parou. Não girou. Ele apenas... ficou mais nítido.

O cheiro dos lírios no altar de repente se tornou enjoativo, com aroma de funerária. O piso de mármore sob seus saltos parecia gelo. Uma onda de náusea revirou seu estômago, quente e ácida.

Monica. Sua madrinha de honra. A mulher que tinha fechado o zíper deste vestido três horas atrás e dito que ela estava linda.

Stella?

A voz veio do primeiro banco. Sra. Dalton. A mãe de Bryce.

Stella se virou. Seus movimentos eram rígidos, mecânicos, como os de uma boneca com articulações enferrujadas. A Sra. Dalton corria em sua direção, o rosto arrumado em uma máscara de preocupação performática, mas seus olhos... seus olhos eram frios. Duros.

- Oh, querida - sussurrou a Sra. Dalton, alto o suficiente para as primeiras cinco fileiras ouvirem. Ela estendeu a mão, suas garras bem-feitas cravando-se no braço nu de Stella. - Ele me ligou. Disse que se sentia... sufocado. Talvez se você não estivesse tão focada nessa sua carreirinha...

As palavras atingiram Stella como um tapa.

Sufocado?

Ela tinha trabalhado em dois empregos para pagar o depósito do apartamento deles. Ela tinha montado o portfólio dele. Ela tinha passado as camisas dele esta manhã enquanto ele supostamente estava "se arrumando com os caras".

A raiva, súbita e incandescente, substituiu a náusea.

Stella olhou para a mão que agarrava seu braço. Olhou para a multidão - os sussurros estavam começando agora, um zumbido baixo de fofoca que estaria por todo o Upper East Side até a hora do jantar.

- Me solte - disse Stella. Sua voz estava baixa, irreconhecível para seus próprios ouvidos.

- Não faça uma cena, Stella - sibilou a Sra. Dalton, seu sorriso se contraindo. - Nós cuidaremos da imprensa. Você só precisa...

Stella puxou o braço com força. O atrito queimou sua pele.

Ela ergueu a mão e agarrou o intrincado véu de renda preso em seu cabelo. Tinha custado dois mil dólares. Foram necessárias três provas para ajustá-lo. Ela o arrancou. Grampos arranharam seu couro cabeludo, fazendo brotar uma pequena gota de sangue, mas ela não sentiu a dor. Sentiu apenas a necessidade de respirar.

Ela jogou o véu no chão de mármore imaculado. Ele caiu em um monte de tule branco, parecendo um fantasma morto.

Ela pegou o microfone do pedestal do celebrante atônito. A microfonia fez os convidados cobrirem os ouvidos.

- O casamento está cancelado - disse Stella. Sua voz retumbou, ecoando pelos vitrais. - O noivo está neste momento consolando a madrinha de honra. As bebidas na recepção são por conta do covarde que fugiu. Aproveitem.

Ela largou o microfone. Ele bateu no chão com um baque que soou como a batida de um martelo de juiz.

Stella se virou e marchou pelo corredor.

Cabeça erguida. Queixo para cima. Não pisque. Se você piscar, as lágrimas vão cair, e você não vai lhes dar esse gosto. Você não vai lhes dar uma única gota de água salgada.

Seu coração martelava contra suas costelas, um pássaro frenético tentando escapar de uma gaiola. Tum. Tum. Tum.

Ela irrompeu pelas pesadas portas de bronze da catedral e saiu na Fifth Avenue.

O ar frio de outubro atingiu seu rosto afogueado. O barulho da cidade - táxis buzinando, turistas conversando, o ronco de um ônibus - a envolveu. Era caótico. Era indiferente. Era perfeito.

Ela deu um passo para descer as escadas de concreto e tropeçou.

A barra de seu vestido, a cauda que ela havia escolhido com tanto carinho, prendeu-se sob seu calcanhar. A gravidade assumiu o controle. Ela se inclinou para a frente, preparando as mãos para o impacto com o concreto, para o raspar da pele contra a pedra.

- Cuidado onde pisa.

A voz era grave. Barítono. Cascalho e gelo.

Stella se segurou no corrimão, distendendo o ombro. Ela olhou para baixo.

Sentado à sombra de um pilar de pedra, longe do fluxo de turistas, havia um homem em uma cadeira de rodas.

Ele era impressionante. Essa foi a primeira coisa que seu cérebro registrou. Maçãs do rosto altas, uma mandíbula que parecia ter sido esculpida em granito e cabelos da cor da meia-noite. Mas foram seus olhos que lhe tiraram o fôlego. Eram cinzentos. Cinzentos como nuvens de tempestade. E a observavam com uma avaliação distante e clínica.

Ele usava um smoking. Gravata borboleta preta. Estava vestido para um casamento, mas estava sentado do lado de fora como um exilado.

Ela o reconheceu. Vagamente. Das colunas de fofoca que fingia não ler. Julian Sterling. O "Filho Amaldiçoado". O pária da família Sterling que ficara paralisado em um acidente misterioso cinco anos atrás e, subsequentemente, fora escondido como um segredo sujo.

Ele olhou para o vestido dela. Depois para o rosto dela. Não ofereceu pena. Não ofereceu um lenço.

- Dia difícil? - ele perguntou.

Stella soltou um som que era metade risada, metade soluço. Ela limpou um borrão de rímel debaixo do olho com as costas da mão. - Pode-se dizer que sim. Meu noivo está atualmente dormindo com a minha melhor amiga.

A expressão de Julian não mudou. Ele ajeitou o punho do paletó. - Eficiente da parte dele.

Stella o encarou. A pura insensibilidade do comentário deveria tê-la ofendido. Em vez disso, a trouxe de volta à realidade. Ele não a estava olhando como uma vítima. Estava olhando para ela como uma variável em uma equação.

Uma ideia caótica e insana se formou em sua mente. Nasceu do despeito. Nasceu da adrenalina que inundava suas veias. Nasceu do fato de que ela tinha acabado de perder seu apartamento, suas economias e sua dignidade no espaço de dez minutos.

Ela se agachou, o tule de seu vestido se acumulando ao seu redor nos degraus sujos. Ela o olhou nos olhos.

- Você é solteiro? - ela perguntou.

Julian fez uma pausa. Sua mão, pousada na roda de sua cadeira, ficou imóvel. Ele olhou para ela - olhou de verdade para ela - pela primeira vez. Viu a maquiagem borrada. Viu o tremor de seu lábio inferior que ela lutava para controlar. Mas, acima de tudo, ele viu o fogo.

Ele sinalizou levemente com a mão esquerda - um movimento minúsculo, quase imperceptível. Um homem corpulento de terno, a uns três metros de distância, parou de se aproximar.

- Sou - disse Julian lentamente. - E, por acaso, estou precisando de uma esposa. Minha família está ameaçando invocar uma cláusula de competência. Eles querem me internar. A menos que eu possa provar que tenho uma vida doméstica estável.

Era mentira. Uma mentira suave e calculada. Ele não corria o risco de ser internado; ele era dono de metade do horizonte que ela estava olhando. Mas ele precisava de um escudo. Precisava de uma distração para manter os espiões de seu tio afastados enquanto finalizava sua aquisição. E esta mulher - este belo, despedaçado e furioso destroço de mulher - era perfeita.

- Eu preciso de um marido - disse Stella, com a voz trêmula. - Preciso salvar minha dignidade. Preciso mostrar a eles que eu não perdi.

- Um casamento de conveniência - ponderou Julian. - Transacional. Frio. Gosto disso.

- Estou falando sério - disse Stella.

- Eu também. - Julian apontou uma mão enluvada em direção à rua. - O cartório municipal fica em Lower Manhattan. Fecha em uma hora. Vamos precisar de um táxi.

Stella se levantou. Olhou para a catedral atrás dela, onde sua vida tinha acabado de implodir. Então, olhou para o estranho na cadeira de rodas.

Ela se abaixou, agarrou o tecido pesado de sua cauda e rasgou. A seda cara se rasgou com um som satisfatório de rasgo. Ela amontoou o tecido, liberando suas pernas.

Ela caminhou para trás da cadeira de rodas dele e segurou as manoplas. O metal estava frio.

- Vamos - disse ela.

Ela o empurrou até o meio-fio e chamou um táxi com a ferocidade de uma nova-iorquina nativa.

A viagem até a Worth Street foi um borrão de movimento e silêncio. Stella olhava fixamente pela janela, vendo a cidade passar rapidamente, seu coração ainda acelerado. Julian sentava-se estoicamente, verificando o relógio, calculando o trânsito.

Eles chegaram ao City Clerk's office no exato momento em que o segurança estava trancando as portas. Stella praticamente se jogou contra o vidro, implorando com os olhos até que ele os deixasse entrar.

O cartório cheirava a cera de assoalho e tédio. A funcionária, uma mulher de óculos gatinho, ergueu os olhos de suas palavras cruzadas. Olhou para o vestido de grife rasgado de Stella. Olhou para o smoking de Julian.

- Licença? - ela perguntou, estourando uma bola de chiclete.

Eles preencheram a papelada em silêncio. A caneta parecia escorregadia na mão suada de Stella.

Nome: Stella Quinn.

Nome: Julian Sterling.

Quando chegou a hora de assinar, a mão de Julian estava firme. Ele assinou com um floreio, uma assinatura nítida e angular que comandava espaço na página.

Eles trocaram anéis comprados no balcão por vinte dólares cada. Alianças baratas folheadas a ouro que deixariam seus dedos verdes em uma semana.

- Pelo poder investido em mim pelo Estado de New York - a funcionária entoou -, eu os declaro marido e mulher.

Sem beijo. Apenas um aceno de cabeça.

Eles saíram - andando e rolando - do prédio para o crepúsculo. As luzes da cidade estavam começando a piscar.

Stella parou na calçada. A adrenalina estava diminuindo, substituída por uma exaustão profunda. Ela olhou para o homem a quem acabara de se ligar legalmente.

- Então - disse ela, sua voz soando muito pequena na cidade grande. - Onde nós moramos?

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