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Grávida e Divorciada: Escondi o Herdeiro Dele

Grávida e Divorciada: Escondi o Herdeiro Dele

img Romance
img 150 Capítulo
img Xi Jin Qian Hua
5.0
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Sinopse

Fui ao consultório médico rezando por um milagre que salvasse meu casamento frio, e consegui: estava grávida. Mas ao chegar em casa, antes que eu pudesse contar a novidade, Orvalho jogou um envelope na mesa de mármore. "O contrato acabou. Busca voltou." Eram papéis de divórcio. Ele estava me descartando para ficar com a ex-namorada que acabara de retornar. Tentei processar o choque, mas meus olhos caíram na Cláusula 14B: qualquer gravidez resultante da união deveria ser interrompida ou a criança seria tomada e enviada para um internato no exterior. Ele queria apagar qualquer vestígio meu de sua linhagem perfeita. Engoli o choro e o segredo. Nos dias seguintes, o inferno começou. Ele me obrigou a organizar a festa de boas-vindas da amante na empresa onde eu trabalhava. Vi Orvalho comer pratos apimentados para agradar Busca, o mesmo homem que jogava minha comida no lixo se tivesse um grão de pimenta. Vi ele guardar com carinho um disco velho que ela deu, enquanto o meu presente, idêntico e novo, estava no lixo. Quando o enjoo matinal me atingiu no meio de uma reunião, Orvalho me encurralou no banheiro, desconfiado. "Você está grávida?" O medo me paralisou. Se ele soubesse, meu bebê estaria condenado. Tirei do bolso um frasco de vitaminas onde eu havia colado um rótulo falso. "É uma úlcera", menti, engolindo a pílula a seco. "Causada pelo estresse." Ele acreditou, aliviado, e voltou para os braços dela. Naquela noite, embalei minhas coisas em uma única caixa. Deixei minha carta de demissão e o anel sobre a mesa. Toquei minha barriga, prometendo que ele nunca saberia da existência dessa criança, e desapareci na noite.

Capítulo 1 1

O silêncio na sala de consulta privada no Upper East Side não trazia paz. Era pesado, pressurizado, como o ar antes de uma tempestade que se recusa a desabar. Vigor sentou-se na beira da maca de exame, os nós dos dedos brancos enquanto apertava a alça de couro de sua bolsa Hermès. O papel sob ela amassava a cada respiração curta que ela dava.

O Dr. Bigorna entrou na sala. Ele não sorriu. Era um homem que havia trazido ao mundo metade dos herdeiros da elite de Manhattan, e sabia quando uma situação exigia celebração e quando exigia cautela. Ele segurava uma pasta parda nas mãos, e a maneira como a abriu, lenta e deliberadamente, fez o estômago de Vigor revirar.

Vigor observou os olhos dele percorrerem o relatório do ultrassom. Ele franziu a testa. Foi um movimento pequeno, um leve aperto na pele entre as sobrancelhas, mas para Vigor, pareceu um grito.

- A senhora está grávida, Sra. Argênteo - disse o Dr. Bigorna.

O ar saiu dos pulmões de Vigor de uma só vez. Sua mão moveu-se instintivamente para a barriga lisa, cobrindo a seda de sua blusa. Ela imaginara esse momento mil vezes. Em sua mente, ele sempre vinha acompanhado de lágrimas de alegria, da mão de Orvalho sobre a dela, da promessa de um futuro que não fosse tão frio. Mas Orvalho não estava ali. Orvalho estava em Londres, ou pelo menos era o que dizia a agenda dele.

- Mas - continuou o Dr. Bigorna, baixando o tom de voz. - Precisamos discutir a viabilidade.

Vigor congelou. A alegria que faiscara por uma fração de segundo foi instantaneamente sufocada por uma onda gelada de medo.

- A parede do seu útero é excepcionalmente fina, Vigor. Combinado com seu histórico de anemia e os marcadores de estresse em seus exames de sangue, isso é classificado como uma gravidez de alto risco. Risco extremamente alto.

O termo pairou no ar entre eles. Alto risco. Soava como um negócio, como uma opção de ações, não como uma criança.

Vigor assentiu. Tentou falar, mas sua garganta parecia cheia de areia. Lágrimas brotaram em seus olhos, quentes e ardentes, mas ela se recusou a deixá-las cair. Ela era uma Argênteo por casamento. Os Argênteo não choravam na frente dos funcionários, nem mesmo da equipe médica.

- O estresse afeta isso? - ela sussurrou. Sua voz soou estranha aos seus ouvidos, fina e frágil.

O Dr. Bigorna tirou os óculos e olhou para ela com uma piedade que ela detestava.

- O estresse é o inimigo agora, Vigor. Não posso enfatizar isso o suficiente. Você precisa de repouso absoluto. Precisa de calma. Qualquer choque emocional ou físico significativo pode desencadear um aborto espontâneo.

Vigor escorregou da mesa. Suas pernas pareciam instáveis, como se estivesse andando no convés de um navio em águas turbulentas. Ela pegou a receita das vitaminas pré-natais e dos suplementos de progesterona.

- Pagarei em dinheiro hoje - disse Vigor de repente, com a voz firme. - E quero este arquivo selado. Sem acionamento de seguro. Sem atualizações digitais no portal da família. Pode fazer isso?

O Dr. Bigorna olhou para ela, surpreso, mas assentiu lentamente.

- Claro, Vigor. A confidencialidade do paciente é primordial.

- Obrigada - disse ela.

Ela saiu da clínica e parou em uma pequena farmácia independente a três quarteirões dali. Não queria que o farmacêutico da família Argênteo visse a receita. Comprou as vitaminas e um frasco de antiácidos genéricos. Na privacidade do banheiro da farmácia, despejou os antiácidos no lixo e colocou as vitaminas pré-natais no frasco de aparência inocente. Removeu o rótulo da prescrição, deixando apenas as instruções genéricas.

Caminhou até a Quinta Avenida. O vento era cortante, atravessando seu casaco, atingindo seu rosto com uma grosseria que parecia pessoal. Ela parou na calçada, cercada pelo barulho dos táxis e pela pressa dos turistas, e pela primeira vez na vida, sentiu uma onda de algo primitivo.

Olhou para a barriga. Não havia nada para ver, nenhuma saliência, nenhum sinal de vida, mas ela sabia. Havia algo ali. Algo que era dela.

Ela precisava contar a Orvalho.

O pensamento veio com a força de uma revelação. O casamento deles estava frio ultimamente. Congelado, na verdade. Ele estava distante, distraído, sempre no telefone, sempre viajando. Mas um bebê mudava as coisas. Um bebê era uma ponte. Um bebê era um novo começo. Se ele soubesse, mudaria. Ele tinha que mudar. Ele era um Argênteo. Família significava tudo para eles.

Tirou o telefone da bolsa e ligou para o motorista da família.

- Para o JFK - disse ela, com a voz tremendo levemente. - Chegadas Internacionais, por favor.

Verificou o aplicativo de rastreamento de voos enquanto entrava na parte de trás do sedã preto. O jato particular de Orvalho estava programado para pousar em quarenta e cinco minutos. Ele estava voltando para casa um dia antes. Ela não deveria saber, mas rastreava os voos dele. Era a única maneira de saber onde o marido estava metade do tempo.

O trânsito na via expressa era um pesadelo. Luzes traseiras vermelhas se estendiam como um rio de sangue. Vigor verificou seu reflexo no espelho compacto. Estava pálida. Beliscou as bochechas, tentando forçar alguma cor em seu rosto. Praticou o sorriso. Parecia quebradiço, aterrorizado.

Quando o carro finalmente parou no terminal privado VIP, Vigor sentiu uma onda de náusea. Disse a si mesma que era a gravidez. Disse a si mesma que não era pavor.

Ficou parada perto do portão, ignorando a corrente de ar frio que passava pelas portas automáticas. Era a única esposa esperando. Geralmente, assistentes ou motoristas esperavam ali. Esposas esperavam em casa. Mas Vigor queria que isso fosse especial. Queria ver o rosto dele quando contasse.

Os passageiros do voo começaram a sair. Alguns empresários que ela reconhecia acenaram educadamente. Uma atriz famosa passou, cercada por assessores.

Vigor examinou a multidão, o coração martelando contra as costelas. Procurou pela altura dele, pelo corte afiado de seu maxilar, pela maneira como ele andava como se fosse dono do chão sob seus pés.

A multidão diminuiu. Então se dispersou.

Orvalho não estava lá.

Vigor verificou o aplicativo novamente. Chegou.

Ligou para o celular pessoal dele. Tocou uma vez. Então foi direto para a caixa postal. A voz mecânica da operadora pareceu um tapa.

Ligou para Pedra-Mestra, o chefe de gabinete dele. Tocou e tocou até desconectar.

Vigor ficou parada ali. O terminal estava vazio agora, exceto por um zelador empurrando um balde de esfregão. O silêncio era ensurdecedor. Sentiu um calafrio que nada tinha a ver com o ar condicionado. Percebeu que estava parada ali há duas horas.

Seu telefone vibrou.

Era um alerta de notícias. Um Alerta do Google que ela havia configurado para Orvalho Argênteo.

Ela abriu. Era uma foto de uma agência de paparazzi. O horário era de vinte minutos atrás.

A foto estava granulada, mas clara o suficiente. Mostrava Orvalho entrando em um SUV preto na saída privada - a saída usada por celebridades de altíssimo perfil para evitar o terminal VIP principal onde ela estava. Ele não estava sozinho.

Uma mulher estava entrando antes dele. Tudo o que Vigor conseguia ver era uma silhueta, pernas longas e uma massa de cabelos loiros.

Vigor olhou para a tela. O mundo pareceu inclinar em seu eixo. Ele havia evitado a saída principal. Havia evitado o carro da família. Havia pegado um veículo separado, provavelmente arranjado por sua equipe de segurança para garantir privacidade.

O motorista, que estava esperando perto do sedã da família, caminhou até ela. Olhou para o telefone dela, depois para o rosto dela. Ele havia tentado ligar para a equipe de segurança de Orvalho, mas eles haviam ficado em silêncio absoluto no rádio. Sua expressão suavizou-se em algo que parecia pena. Vigor odiou aquilo.

- Sra. Argênteo? - disse o motorista suavemente. - Vamos para casa?

Vigor baixou a cabeça. Sua mão moveu-se para a barriga novamente, um escudo protetor sobre o segredo que de repente parecia muito pesado.

- Sim - sussurrou ela. - Me leve para casa.

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