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Queimada por Ele, Renascida como Estrela

Queimada por Ele, Renascida como Estrela

img Romance
img 340 Capítulo
img Thalia
5.0
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Sinopse

Enquanto eu sufocava com a fumaça no incêndio que consumia nossa cobertura em Nova York, meu marido estava ao vivo na TV nacional. Não para pedir socorro, mas protegendo sua "melhor amiga", Serena, dos flashes dos paparazzi em Los Angeles. Na ambulância, com a pele queimada e pulmões ardendo, vi Juliano abraçando-a na tela do monitor. O paramédico ligou para ele: caixa postal. Quando finalmente consegui falar com ele, Juliano mentiu. Disse que estava em uma reunião, mas ouvi a voz de Serena ao fundo reclamando do chuveiro do hotel. Ele me chamou de "descuidada" e disse para eu não ser dramática sobre o fogo que quase me matou. Ele acha que sou apenas uma esposa troféu inútil, uma órfã falida que deveria ser grata por cada centavo que ele gasta comigo. Ele acredita que tem o controle total porque assinei um acordo pré-nupcial que me deixaria sem nada. O que Juliano não sabe é que, durante três anos, usei meu silêncio para construir um império. Eu sou "O Arquiteto", a roteirista fantasma mais procurada e bem paga de Hollywood, com 24 milhões de dólares escondidos em uma conta nas Ilhas Cayman. Arranquei o acesso venoso do meu braço, ignorando o sangue e os protestos da enfermeira. Naquela noite, transferi 20 milhões para a conta dele com a observação: "Reembolso por 3 anos de hospedagem e alimentação. Estamos quites." Joguei a aliança de cinco quilates na tigela de chaves e saí pela porta. Ele queria uma esposa submissa; agora, ele vai conhecer a protagonista da sua ruína.

Capítulo 1

A primeira coisa que Evelyn registrou foi o cheiro. Ácido, químico, sufocante. Era o aroma de sua própria vida queimando.

Ela ofegou, seus pulmões se contraindo contra a invasão de oxigênio. Uma máscara de plástico estava pressionada com força contra seu rosto, a vedação de borracha cravando em suas maçãs do rosto. Seus olhos se abriram de supetão, mas o mundo era um borrão de luzes vermelhas piscando e o teto estéril e metálico de uma ambulância.

"Senhora? Consegue me ouvir?"

A voz era alta, próxima demais. Um rosto surgiu em seu campo de visão - um socorrista, jovem, com gotas de suor na testa. Ele estava checando as pupilas de Evelyn com uma lanterna que parecia uma agulha perfurando seu cérebro.

"Senhora, tente manter a calma. Você inalou muita fumaça. Estamos levando você para o Mount Sinai."

Evelyn tentou falar, fazer a pergunta que gritava em seu peito, mas sua garganta estava irritada, como se tivesse sido esfolada. Tudo o que saiu foi uma tosse seca e cortante com gosto de cinzas.

"Nome?", o socorrista perguntou, a caneta pairando sobre uma prancheta. "Precisamos de um nome e um contato de emergência."

Evelyn levantou uma mão trêmula. Sua pele parecia cinza sob as luzes fortes, manchada de fuligem. Ela apontou para a mesa lateral onde seu celular estava. Idealmente, ele deveria ter derretido, destruído como tudo o mais na cobertura. Mas lá estava ele, a tela coberta por uma teia de rachaduras, mas ainda brilhando com uma luz fraca e zombeteira.

O socorrista o pegou. "Este é seu marido? Julian?"

Evelyn assentiu uma vez. O movimento enviou uma pontada de dor por seu pescoço.

Ele apertou o botão de chamada. Evelyn observou seu rosto. Contou os segundos no ritmo de seu próprio batimento cardíaco errático. Um. Dois. Três.

O socorrista afastou o celular da orelha, franzindo a testa. "Caixa postal."

Ele tentou de novo. "Aqui é dos Serviços de Emergência, ligando para Evelyn Vance", disse ele na gravação, com a voz urgente. "Por favor, retorne a ligação imediatamente."

Evelyn fechou os olhos. Sabia que ele não atenderia números desconhecidos e raramente checava a caixa postal, a menos que fossem sinalizados por seu assistente.

"Olhe para a TV", gritou o motorista da frente.

Evelyn virou a cabeça. Montado na parede da ambulância havia um pequeno monitor, sintonizado no noticiário local. A faixa na parte inferior era de um vermelho vivo: URGENTE: INCÊNDIO NA COBERTURA DA VANCE TOWER.

A câmera passeou sobre a fumaça que saía em nuvens do topo do prédio - seu lar, sua prisão - antes de cortar para uma transmissão ao vivo da Hollywood Boulevard.

O coração de Evelyn parou. O monitor apitou de forma errática, um aviso agudo que fez o socorrista olhá-la com preocupação.

Na tela, a milhares de quilômetros de distância, em Los Angeles, estava Julian.

Ele não estava desesperado. Não estava checando o celular. Estava protegendo uma mulher dos paparazzi, com o braço envolvendo protetoramente os ombros dela, o rosto contorcido em uma carranca para um fotógrafo que chegou perto demais.

Serena Holloway.

Ela parecia frágil, com os olhos arregalados e lacrimejantes, agarrando as lapelas do paletó de Julian. A manchete mudou: Julian Vance Consola Serena Holloway Após Ataque de Pânico na Estreia.

Evelyn encarou a mão dele. Aquela mão grande e capaz que ela segurara durante seus votos de casamento, a mão que assinara o acordo pré-nupcial com um floreio, agora estava acariciando o cabelo de Serena, aninhando o rosto dela em seu peito para escondê-la dos flashes das câmeras.

Ele a estava protegendo das luzes.

Enquanto Evelyn estava queimando na casa dele.

Uma lágrima escorreu do canto de seu olho, abrindo um caminho limpo pela fuligem em sua bochecha. Era quente, ácida.

"Precisamos sedá-la", disse o socorrista com urgência. "Frequência cardíaca em cento e oitenta. Ela está entrando em choque."

Evelyn sentiu a picada de uma agulha em seu braço não queimado. A onda fria do sedativo subiu por suas veias, congelando o fogo em seus pulmões. Enquanto a escuridão se aproximava das bordas de sua visão, a imagem de Julian abraçando Serena se gravou no fundo de suas pálpebras.

Três anos, ela pensou, as palavras flutuando no vazio escuro. Eu te dei três anos de silêncio. Três anos sendo a esposa perfeita e invisível. E você me deixou queimar.

Quando Evelyn acordou, o silêncio era mais alto que as sirenes.

Ela estava em um quarto particular. As paredes eram de um bege pálido e ofensivo. Do lado de fora da janela, o horizonte de New York se desfazia em um amanhecer cinzento. Ela estava sozinha.

Sem flores. Sem marido andando de um lado para o outro no quarto. Apenas o gotejar rítmico da bolsa de soro.

Uma enfermeira entrou apressada, checando um prontuário. Ela parou quando viu que os olhos de Evelyn estavam abertos. Havia um lampejo de pena em seu olhar - aquela pena específica e condescendente reservada para mulheres cujos maridos as estão humilhando publicamente.

"Sra. Vance", disse ela suavemente. "Você acordou. Tratamos as queimaduras em seu pescoço, braço e perna. São de segundo grau, mas devem cicatrizar com o mínimo de marcas se você tomar cuidado."

"Meu marido?", a voz de Evelyn era um sussurro, soando como lixa sendo arrastada sobre concreto.

A enfermeira hesitou. Olhou para a TV montada na parede, que estava desligada, e depois de volta para Evelyn. "Nós... nós ainda não conseguimos falar diretamente com ele. Parece que ele ainda está lidando com a imprensa em Los Angeles. O noticiário disse..." Ela deixou a frase no ar, não querendo dizê-la.

O noticiário disse que ele está com ela.

Evelyn olhou para seu reflexo na janela escura. Seu cabelo estava emaranhado com fuligem. Havia um curativo em seu pescoço. Ela parecia um fantasma. Ou talvez um cadáver que se esqueceu de morrer.

"Entendo", disse Evelyn.

A enfermeira ajeitou o cobertor de Evelyn. "Você precisa descansar. O médico disse que você deve ficar em observação por pelo menos vinte e quatro horas."

Evelyn olhou para o acesso intravenoso em sua mão. Era uma amarra. Uma coleira. Assim como o anel em seu dedo.

"Não", disse Evelyn.

Ela estendeu a mão e arrancou o esparadrapo.

"Sra. Vance! O que está fazendo?" A enfermeira correu em sua direção, as mãos agitando-se no ar.

Evelyn puxou a agulha. Uma gota de sangue vermelho vivo brotou, deslizando por sua pele. Ela não sentiu. Não sentia mais nada físico. O fogo havia cauterizado as terminações nervosas de seu coração.

"Estou indo embora", disse Evelyn. Ela balançou as pernas para o lado da cama. Sua camisola de hospital era fina, e o chão estava gelado contra seus pés descalços.

"Você não pode", protestou a enfermeira. "Você inalou fumaça. Você precisa..."

"Eu preciso de muitas coisas", interrompeu Evelyn, levantando-se. O quarto girou por um segundo, depois se estabilizou. "Mas nenhuma delas está neste hospital."

Ela caminhou até o pequeno armário onde haviam guardado seus pertences - as poucas coisas que sobreviveram com ela. Suas roupas arruinadas, seu celular rachado.

Evelyn vestiu o jeans duro e com cheiro de fumaça e a camiseta que tinha um buraco de queimado perto da gola. Ela não se importava.

Ela pegou seu celular. Uma notificação brilhou na tela.

Daily Mail: "Meu Anjo da Guarda", diz Serena Holloway sobre Julian Vance. "Ele é o único que consegue acalmar minhas tempestades."

Evelyn riu. Foi um som seco e quebrado.

Ela abriu um aplicativo seguro em seu celular, um escondido no fundo de uma pasta chamada "Receitas". Exigia uma impressão digital e uma senha de vinte caracteres.

A tela carregou. Bank of the Cayman Islands.

Titular da Conta: The Architect.

Saldo: $24.500.000,00.

Evelyn encarou o número. Por três anos, ela deixou a família Vance tratá-la como uma miserável, uma interesseira que deveria ser grata pelas migalhas de sua mesa. Ela deixou Julian pagar por suas roupas, sua comida, jogando isso na cara dela como uma dívida que ela nunca poderia pagar.

Mas Evelyn era The Architect. A escritora fantasma mais procurada de Hollywood. A mulher que havia escrito três roteiros vencedores do Oscar sob um pseudônimo porque a família Vance não permitia que suas esposas "trabalhassem".

Ela bloqueou o celular.

"Sra. Vance, por favor, deixe-me ligar para o seu motorista", implorou a enfermeira, seguindo-a pelo corredor. "Ou para o assistente do Sr. Vance?"

Evelyn parou no elevador. Virou-se para ela, com os olhos secos e duros.

"Não ligue para ninguém", disse ela. "Evelyn Vance morreu naquele incêndio."

Ela saiu pelas portas do hospital para o frio cortante da manhã. Não procurou pelo carro preto que geralmente a transportava como um camburão de prisioneiros.

Ela levantou a mão e acenou para um táxi amarelo.

O motorista, um homem corpulento com um rosto gentil, olhou para Evelyn pelo espelho retrovisor. Ela devia parecer uma louca - manchada de fuligem, cheirando a fumaça, sangrando um pouco na mão.

"Para onde, senhora?"

Evelyn olhou para o anel de diamante em sua mão esquerda. Cinco quilates. Clareza impecável. Frio como gelo. Ela deu dois toques no botão lateral de seu celular para abrir sua carteira digital. Ainda funcionava.

"Midtown", disse Evelyn, sua voz ganhando força. "Para o escritório de advocacia Sterling & Hale."

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