*TESSA*
"Nunca mais vou me apaixonar." Murmurei, tomando um gole de vodka que queimou a garganta.
Não devia estar bebendo. Sabia muito bem. Nunca fui de aguentar álcool, mas naquela noite, só queria anestesiar a facada no peito.
Três anos. Três anos juntos, e Marcus me jogou na cara que eu não era mais gentil, nem interessante, nem sexy. Como pode? Ele que sempre me idolatrou. Onde foi que errei?
E, poucas horas atrás. eu vi fotos dele na internet. Ele já estava em Londres, com outra. Uma mulher chique, sofisticada.
A gente terminou faz uns três dias e ele já está com outra.
Isso me deixou curiosa para saber quando ele conheceu ela.
Foi antes de terminarmos.
Ele estava me traindo.
Eu realmente tinha me tornado tão insuportável?
A dor era física, como se esfaqueassem meu coração. Como foi tão fácil para ele jogar tudo fora?
Enchi o copo de novo e virei tudo de uma vez.
Alguém sentou ao meu lado e eu imediatamente me senti desconfortável.
Eu não queria que ninguém me visse no meu pior momento.
Tentei descer do banco, mas me virei antes.
E então, eu o vi.
Um silêncio pesado caiu sobre nós. Contra minha vontade, ergui o olhar.
E me deparei com ele. Um anjo caído das trevas. Olhos que mesclavam verde e ouro sob cílios escuros, maçãs altas, lábios. lábios perfeitos. Um desejo absurdo e urgente me invadiu: beijá-lo, sentir o toque da sua pele.
Tudo isso em um nanosegundo.
"Ei, linda," ele disse.
Um calor inesperado tomou conta do meu estômago, um zumbido percorreu minhas veias. Fiquei sem ar, tonta, ainda presa ao banco.
Se controla, Tessa.
Me levantei, trêmula.
"Ah, por favor, não vá por minha causa."
"Eu. eu já estava indo embora."
"Que pena. Não aceitaria um drink comigo?"
Eu devia recusar, mas a voz dele - quente e profunda - derrubou todas as minhas defesas.
Me sentei de novo, dominada por uma onda de calor que incendiou cada veia do meu corpo. Quando ele sorriu, leve e perigosamente, o ambiente pareceu girar.
"Eu.", foi tudo o que consegui soltar, inútil e patética.
Ele tirou o paletó, e a camisa de seda revelou o corpo que a roupa apenas sugeria: ombros largos, um torso definido. Meu Deus.
É o término. É a bebida. Pensei, tentando me convencer.
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O som do chuveiro me arrancou do sono.
Pisquei, a cabeça latejando. Meus olhos se ajustaram e o pânico veio: não estava no meu quarto.
Era um lugar luxuoso. A luz do dia entrava pelas cortinas abertas. Roupas espalhadas no chão.
Deitei de novo, tremendo, puxando o edredom. Meu Deus, estou nua!
A confirmação veio quando eu levantei o lençol. Um choque. E uma sensibilidade estranha, íntima. entre as pernas.
Então, como um filme, os flashes da noite voltaram. A bebedeira, aquele homem, uma conversa truncada, e depois. um quarto de hotel.
Meu rosto queimou. Lembrei dele sobre mim, o movimento, o toque. Ele foi. tão bom.
Ah, não. Não era hora de pensar nisso. Acabei de transar com um estranho! Nunca fiz isso. Como encará-lo? O que dizer?
Tenho que fugir. Agora.
Saí da cama às pressas, me vesti em segundos. Bolsa na mão, rumei à porta.
Foi quando a porta do banheiro se abriu.
E ele surgiu.
Quase parei de respirar. Ele era. impressionante. Gotas d'água escorriam por ombros largos, um torso esculpido, coxas fortes. Marcus não chegava nem perto desse homem.
As memórias da noite me invadiram de novo – seus beijos, seus braços, a forma como nos movíamos – trazendo uma onda de calor insuportável.
Sacudi a cabeça, tentando me controlar. Enquanto eu estava um caco de nervos, ele parecia absurdamente tranquilo, sereno.
E seu olhar. frio. Ele me olhava como se examinasse um objeto.
Com a sobrancelha levemente arqueada, pegou a carteira da mesa de cabeceira. Estava cheia de notas.
Meus olhos se arregalaram. Ele acha que sou uma prostituta?
A indignação feriu fundo.
Pensa rápido, Tessa.
Tirei duzentos dólares da minha bolsa e joguei na cama antes que ele pudesse me oferecer qualquer coisa, com um ar de quem fazia aquilo todo dia.
Cruzei os braços, firme, e encarei seus olhos agora cintilantes de raiva.
"Até que você é bonito," disse, a voz gelada. "Mas na cama. é tão medíocre que só vale isso aqui mesmo."
O objetivo era um só: humilhá-lo antes que ele me humilhasse.
"O que foi que você disse?" A voz dele era um rosnado perigoso.
Ignorando o constrangimento interno, dei um passo à frente e bati de leve em seu ombro, num gesto falsamente conselheiro.
"Olha, tenta cobrar menos no começo. Depois que aprender a satisfazer uma mulher de verdade, aí aumenta o preço."
Virei as costas e escapei do quarto como se tivesse demônios na cola, enquanto sua voz ecoava furiosa pelo corredor:
"VAI SE FERRAR!"
Pois é. Eu tinha realmente acabado de irritar aquele homem.