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Capítulo 2: Setor Errado
"O que faço agora?" Pensou Agnes frustrada com sua primeira má impressão do lugar.
Agnes tentou manter a compostura, unindo as palmas das mãos para não demonstrar sua irritação. "Na verdade, não sou camareira; sou estagiária no setor de recreação, na nova equipe de artes..."
Cristina desviou o olhar para um hóspede que passava, quase ignorando Agnes como se ela fosse uma sombra. "Ah, entendi. Recreação! Que emocionante! Enquanto estamos nisso, seria melhor verificar se o 'grande artista' trouxe seus materiais, ou talvez uma peruca e um paletó para se destacar no próximo show." O riso dela ecoou entre as pessoas que aguardavam na fila.
Agnes decidiu respirar fundo e improvisar. Seria apenas o primeiro dia, e ela não permitiria que aquela recepcionista a desanimasse. A vida no hotel seria cheia de desafios, sim. Mas cada desafio seria também uma chance de mostrar seu valor. O meio sorriso de sua mãe ecoava em sua mente, como um mantra de coragem e um lembrete de que essa seria sua última chance de provar o seu valor a ela. "Que a autoestima fale mais alto!"
Mas a sensação de insegurança acompanhava Agnes enquanto se dirigia para o setor das camareiras. Através dos corredores sussurrantes do hotel, ela se perguntava se havia algo que poderia fazer para lidar com pessoas como Cristina. "Talvez ela esteja apenas tendo um dia difícil", pensou, enquanto ao mesmo tempo encontrava paradoxo em sua própria determinação.
Uma vez que alcançou a área de serviço, Agnes ficou espantada. Viu um grupo de camareiras em conversa animada, mas, em vez de um ambiente acolhedor, percebeu que as funcionárias pareciam se transformar em colegas de dança de um concurso de defesa.
"Oi, pessoal, eu sou a nova estagiária", disse Agnes, tentando estabelecer uma conexão. O que não esperava foi que todas a olhassem com uma expressão confusa, como se estivesse abordando um grande grupo de ninjas em plenos treinos.
"Oi", respondeu uma delas, de maneira cautelosa, enquanto as outras voltavam rapidamente à atividade de fora.
Agnes sentiu o calor das bochechas arder. "Eu não sou camareira! Por que todas estão tão assustadas? Meu Deus."
Certa de que acabara de cometer um erro colossal, Agnes decidiu se levantar e seguir adiante. Ela explicou sua situação e foi recebida por suspiros de desaprovação seguidos por instruções de onde ir.
"Ok! Pela sua cara de assustada devo adivinhar que é a novata, não?" Um homem de cabelos encaracolados e olhos brilhantes apareceu em sua frente.
"Está tão na cara assim?" Ela já estaria desconfortável sob a própria pele se não fosse a feição animada e a energia receptiva do rapaz.
"Na verdade, sim! Eu consegui ler um socorro escrito em capslock na sua testa." Eles riram e parecia que a jovem havia retornado a respirar pela primeira vez desde que chegou ali.
"Acho que é a primeira pessoa normal que conheci até agora..." Ele fez uma expressão fortemente teatral de surpresa. "Mesmo?" Recebeu um balançar de cabeça como resposta.
"Essa é a coisa mais gentil que já me disseram antes." Abanou o rosto em tentativa de secar lágrimas inexistentes, mas rapidamente desistiu de seu show de drama e optou por prosseguir as apresentações. "Me chame de George, irei lhe apresentar os lugares mais legais daqui. Me acompanhe por ali!" Ao abrir a boca, já foi cortada. "Sim, sim! Você é Agnes! Sei quem é você muito antes de chegar, fofa!" Por estar andando à frente, o homem não viu seus olhos dobrarem de tamanho pelo breve momento. "Não se assuste, querida! Minha avó era bruxa." Virou apenas a cabeça em sua direção e deu de ombros, deixando-a para trás em um instante.
O tour foi longo, mas à medida que o tempo passava, lugares como a cozinha, o saguão B, a academia e a sala de descanso dos recreadores, ou como eram chamados pelos outros do lugar, palhaços dançarinos, foram apresentados à jovem deslumbrada. O tempo começou a passar lentamente e, enquanto se esforçava para entender as diretrizes da equipe, todas as palavras pareciam girar em um turbilhão de confusões. Noutra superfície, a mente de Agnes estava agitada e dividida entre o desejo de deixar uma impressão duradoura e a realidade de sua inexperiência.
Finalmente, chegou a suas acomodações e foi deixada sozinha. No dia seguinte, a jovem levantou-se encontrando sua colega de quarto ainda dormindo coberta até a cabeça. Com sua ansiedade já no topo e sem conseguir ficar parada, Agnes decidiu que precisava explorar um pouco mais o hotel. Com o coração acelerado ao se perder em meio a corredores repletos de arte praiana, ela se deparou com a piscina de borda infinita que parecia ter sido extraída de um comercial de perfume de luxo.
Foi ali, sob o sol quente e o reflexo da água, que ela o avistou pela primeira vez de perto. Sorrindo enquanto conversava com um grupo de hóspedes, sua presença quase parecia brilhar. O olhar encantador, a pele reluzente e o sorriso provocante dele a atraíram de maneira quase hipnótica. Ela era uma mariposa atraída para a armadilha elétrica, brilhante, envolvente e mortal.
Um impulso interno fez com que ela avançasse um passo, mas logo foi acordada pela realidade ao lembrar-se imediatamente da recepcionista. "Foco, Agnes, foco", murmurou para si mesma.
Doce como um truque de magia, a vida de Agnes estava apenas no começo e, enquanto as batalhas do primeiro dia se desenrolavam, ela estava mais perto de descobrir onde realmente se meteu. O Lótus Supreme guardava segredos aos quais ela ainda não tinha acesso. Mas, com certeza, sua jornada estava apenas começando e, a cada novo amanhecer, Agnes estaria disposta a brilhar.
Por agora, a primeira prova não era apenas alcançar seu sonho, mas descobrir como navegar por uma vida onde cada esquina poderia revelar um drama, uma reviravolta ou uma comédia que a aguardava em cena. E que cena!
"Agnes! Você está atrasada! Eles estão esperando por você!" Jorge, seu novo amigo, apareceu como um super-herói e a acordou de seus devaneios. Com os cabelos encaracolados bagunçados e um pedaço de bolo de chocolate na mão, ele correu até ela como se tivesse sido enviado do futuro para salvar sua animação.
"Mas eu estou... eu estava..." gaguejou Agnes, mas Jorge não deu ouvidos.
"Vem cá! Você não pode começar no distraída assim, a não ser que você também planeje ter o contrato encerrado no primeiro dia!" Ele piscou.
"É, eu sei..." recordou-se sem graça. "Não estava nos meus planos ir parar lá."
"Então, por que estava em primeiro lugar?" Enquanto a guiava calmamente em direção a uma porta em um canto afastado do hotel.
"Eu... Eu não sei. Foi estranho, só senti como se uma força me atraísse para lá." Brincando com as mãos e evitando seu olhar.
"Gatinha, eu realmente espero que a sua tal força não seja o Deus africano à beira da piscina! Porque ele é problema." Olhou-a como um filhote que ele não pôde ajudar.
"O quê?! Se refere ao salva-vidas?" Ela bufou um "puff" desacreditada e continuou duas oitavas acima. "Eu não 'tava..."
Agnes rapidamente surgiu alavancada em uma sala vibrante, coberta com pôsteres de produções passadas do hotel e espelhos que refletiam uma luz muito mais gentil do que a do corredor. Era a área destinada aos artistas do hotel, um espaço onde a magia das artes criativas prosperava em meio à confusão do frenético hotel.