-Bem, a putinha de ontem à noite, onde a encontrei a trabalhar como uma santa imaculada que não parte um único prato em casa, mas o que ninguém sabe é que tu ficas com a coisa toda, não é?
-Olha, meu velho, em primeiro lugar, tu respeitas-me porque eu não sou uma puta, já te disse isso claramente e também to provei naquela noite com o meu... com o meu tesouro vermelho com que manchaste o lençol. -Em segundo lugar, pára de me procurar para foder a minha vida, entendes? Sou uma mulher muito ocupada e não posso dar-me ao luxo de perder o meu precioso tempo a atender-te.
-Não que fosses tão interessante para mim, para dizer que ando à tua procura até te encontrar", disse o homem, fazendo uma careta com a boca. -disse o homem, fazendo uma careta com a boca.
-Ah, é mesmo assim? -perguntou ela com ironia. -Então, o que é que o traz aqui, o cavalheiro extravagante e coxo? -Mas ele não é coxo quando se trata de sexo.
-A quem é que está a chamar coxo? -perguntou o homem, sentindo o sangue a ferver e a fúria reflectida na cara e no corpo, prestes a levantar-se, mesmo que não conseguisse, e a dar-lhe uma valente sova para que aprendesse a lição e começasse a tratar bem as pessoas com deficiência, e principalmente a ele, que é o dono disto tudo e de muitos outros negócios. Mas como ela ainda não o sabe, age assim.
Estou-te a dizer, quem mais poderia ser, estou a ver que somos só nós os dois neste escritório? -respondeu ela, referindo-se à sua deficiência.
-Deixa-me esclarecer-te, mulherzinha, eu tenho uma paralisia, não sou um coxo como tu dizes.
-É a mesma coisa com palavras diferentes, mas o significado é o mesmo.
-Claro que dizes que eu não pareço doente na cama, isso significa que te lembras de tudo o que aconteceu nessa noite, certo, sua puta de merda!
-Não senhor, são apenas vagas recordações que me vêm à cabeça de vez em quando, acredite que me estou a esforçar para me lembrar um pouco e para saber quem foi a pessoa que me levou lá, embora já tenha uma pista.
És uma mentirosa, ofereceste-te para passar a noite comigo, ficaste com o dinheiro e agora queres culpar outra pessoa. -O homem acusou-a como sempre fez desde que a conheceu.
-Olha, velho atrevido, é melhor dizeres-me o que tens para oferecer. E despacha-te porque não tenho tempo a perder com um homem tão arrogante e ignorante como tu.
-Gostaria de saber há quanto tempo trabalha aqui, menina; se bem que nem sequer tenho o nome de menina, mas por respeito chamar-lhe-ei assim.
-E porque é que quer saber há quanto tempo trabalho aqui? É algo que não lhe interessa.
Claro que me interessa, porque não permito que trabalhem nas minhas empresas pessoas inoperantes e antiquadas, pessoas que não têm respeito pelos clientes ou pelos seus próprios subordinados responsáveis.
-Não me interessa se fazes ou desfazes o que queres na tua empresa, quem manda aqui sou eu. Além disso, duvido que consiga gerir qualquer tipo de negócio sem o levar à falência uns dias depois.
-Senhora, diz isso porque não me compreende.
-Eu também não me importo de o entender, senhor. Por favor, diga-me porque é que está aqui e vá-se embora o mais depressa possível.
-Eu sou o dono desta loja de telemóveis! -disse o homem, sorrindo ao ver a cara de surpresa da rapariga.
-Como?", perguntou ela, espantada, quando ele lhe mostrou um cartão com o qual confirmava que era o dono, porque aí aparecia o nome do homem que esperavam hoje e por quem todos os empregados estão nervosos porque absolutamente ninguém o conhece.
-Tenho medo de vos dar esta má notícia, mas estão despedidos. -Com um ar sério, dá-lhe a notícia.