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Meu Primeiro Amor, Minha Última Vingança
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Capítulo 5

Júlia Brandão POV:

Por dois anos, vivi em um sonho ensolarado. Heitor e eu construímos uma vida naquele pequeno apartamento, uma bolha silenciosa de paz e felicidade. Eu tinha dezoito anos agora, não era mais uma criança, e nosso relacionamento havia se aprofundado em algo terno e apaixonado. Ele foi meu primeiro tudo, e eu acreditava que seria o último.

Então ele teve que ir para o exterior para uma viagem de negócios de um mês.

"Eu volto antes que você perceba, Limão", ele prometeu, me beijando no aeroporto. "Não sinta muito a minha falta."

Mas eu senti. O apartamento parecia vazio sem ele. Uma semana depois que ele partiu, comecei a me sentir mal. Uma náusea persistente pela manhã, uma fadiga profunda e exaustiva que eu não conseguia afastar.

Fui a uma clínica. A médica, uma mulher gentil de cabelos grisalhos, me fez uma série de perguntas e depois alguns exames. Quando ela voltou para a sala, sua expressão era suave.

"Júlia", disse ela. "Você está grávida."

A palavra pairou no ar, elétrica e aterrorizante. Grávida. Um bebê. O bebê de Heitor.

Uma onda de emoções me atingiu. Medo, alegria, pânico. Uma criança. Um pedaço dele, um pedaço de mim. Uma família. Algo que eu nunca tive de verdade.

"Se você está considerando... uma interrupção", a médica disse suavemente, "é melhor fazer isso mais cedo ou mais tarde."

"Preciso pensar", eu disse, minha mão instintivamente indo para minha barriga lisa. "Preciso falar com... meu namorado."

"Claro. Mas não espere muito. Quanto mais avançada a gravidez, mais difícil é para o seu corpo."

Corri para casa, meu coração um tambor frenético contra minhas costelas. Eu tinha que contar para Heitor. Disquei seu número internacional, minhas mãos tremendo. Chamou, chamou, sem resposta. Tentei de novo. E de novo.

Na quarta tentativa, alguém atendeu. Não era ele.

"Alô?", uma voz de mulher, sonolenta e irritada.

Meu sangue gelou. "Quem é?", perguntei. "Estou procurando por Heitor Ferraz."

"Ele está no banho", disse a mulher com um bocejo. "Quem está ligando?"

No banho. Uma mulher atendeu o celular dele enquanto ele estava no banho. O chão pareceu inclinar sob meus pés.

"Sou... sou a irmã dele", menti, as palavras com gosto de ácido.

"Ele nunca me disse que tinha uma irmã", disse a mulher, mas ela chamou: "Heitor! Querido! Sua irmã está no telefone!"

Ouvi sons abafados, depois a voz dele, carregada de irritação. "Eu não tenho irmã."

Um soluço estrangulado escapou dos meus lábios. A linha ficou muda. Ele tinha desligado na minha cara.

Eu esperei. Por um dia. Por uma noite. Fiquei olhando para o telefone silencioso, rezando para que tocasse, rezando para que houvesse algum tipo de explicação. Um erro. Um mal-entendido.

Nunca tocou.

Entorpecida por uma dor tão profunda que parecia um vazio, peguei um ônibus de volta para a mansão Ferraz. Não sei o que estava procurando. Uma explicação? Uma confrontação? Encontrei Cátia no jardim, podando suas rosas.

Ela me viu e um sorriso presunçoso e triunfante se espalhou por seu rosto. "Júlia. Eu estava prestes a te procurar."

Ela me chamou. "Tenho algo para te mostrar."

Ela estendeu o celular. Era uma foto de uma coluna social. Heitor, sorrindo, com o braço firmemente em volta de uma mulher linda e sofisticada. Eles estavam em alguma gala, parecendo perfeitamente combinados, um casal de ouro.

"Quem é ela?", sussurrei, minha voz trêmula.

"Essa", disse Cátia com prazer, "é Amelia Vasconcelos. A namorada dele. Eles estão juntos há anos. A família dela é tão rica quanto os Ferraz. Não é uma combinação perfeita?"

"Perfeita", ecoei, minha garganta se fechando.

"Veja bem, Júlia", disse ela, sua voz pingando falsa simpatia, "um homem como Heitor... ele pode brincar com uma garota como você por um tempo. É uma diversão. Mas ele nunca ia levar a sério. Você tem que saber o seu lugar."

Ela deu um tapinha no meu braço. "Você ainda é jovem. Não desperdice sua vida suspirando por alguém que só estava te usando para se divertir."

Suas palavras eram cruéis, projetadas para me quebrar, e estavam funcionando. Eu sabia que ela me odiava. Sabia que ela não suportava que Heitor tivesse me escolhido, mesmo que temporariamente, em vez de sua própria filha. Ela queria me ver cair, e estava aproveitando cada segundo.

Tentei falar, me defender, mas ela me cortou.

"Na verdade", disse ela, seus olhos brilhando de malícia, "vamos esclarecer isso agora mesmo."

Ela discou um número. Heitor atendeu no primeiro toque.

"Heitor, querido, é a Cátia", ela cantou. "Estou com a Júlia aqui. Ela parece estar com algumas... ideias erradas sobre o relacionamento de vocês. Você poderia talvez esclarecer para ela?"

Ela colocou o telefone no viva-voz. Eu podia ouvir os sons de uma festa ao fundo.

"Ah, isso", disse Heitor, sua voz leve e desdenhosa, tingida de diversão. "Nossa, ela ainda está nessa? Diz pra ela que foi só pra curtir. Uma brincadeira. Ela não devia levar tão a sério."

Só pra curtir.

As palavras me atingiram com a força de um golpe físico. O mundo ficou em silêncio. O sonho ensolarado se estilhaçou, e eu fui deixada nos destroços frios e duros. Era tudo mentira. Os dois anos de felicidade, a ternura, o novo nome, o futuro que eu ousei imaginar... era tudo um jogo para ele.

Cátia desligou, seu sorriso mais largo do que nunca.

Respirei fundo, e a garota que chorava, a garota que implorava, a garota que amava, morreu naquele momento. Uma nova pessoa, fria e afiada como vidro, tomou seu lugar.

"Você está certa", eu disse, minha voz firme e clara, surpreendendo até a mim mesma. "Preciso seguir em frente. Pode me emprestar um dinheiro, Cátia? Quero sair da cidade, arrumar um emprego."

Olhei-a diretamente nos olhos. "Eu te pago de volta. Todo mês. Com juros."

Ela ficou tão chocada com minha súbita compostura, e tão encantada com a perspectiva de se livrar de mim para sempre, que concordou prontamente.

"Claro, querida", disse ela, praticamente radiante. "Qualquer coisa para te ajudar a se reerguer." Ela me deu um cheque generoso, uma grana para garantir que eu nunca mais voltasse.

"Você não vai me ver de novo", prometi a ela.

Era uma promessa que eu pretendia manter. Eu sempre soube que ela me odiava, sempre soube que minha existência em sua vida era uma caminhada na corda bamba. É por isso que eu tinha me esforçado tanto para ser perfeita, para ser invisível. Agora, eu não precisava mais tentar.

Peguei o dinheiro dela. Saí daquele jardim sem olhar para trás.

Fui direto para a clínica. Assinei os papéis. Deitei na mesa fria. E deixei que tirassem o último pedaço de Heitor Ferraz do meu corpo.

Uma semana depois, com minhas feridas ainda frescas, por dentro e por fora, comprei uma passagem de ônibus só de ida para uma cidade que eu só tinha visto em um mapa. Quando o ônibus saiu da rodoviária, não olhei para trás. Júlia Brandão estava morta. Eu mesma a tinha matado.

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