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Capítulo 4 Damiano

Dois dias antes

O fedor de mofo misturado a desinfetante rançoso invadiu minhas narinas antes mesmo de eu abrir os olhos. Onze anos na mesma cela imunda do Stateville Correctional Center: paredes de concreto úmido salpicadas de rachaduras, grades enferrujadas que rangiam ao vento úmido de Illinois, e um catre de metal fino que gemia sob meu peso a cada movimento. Acordei com o primeiro raio de luz cinzenta filtrando pela janela gradeada, o ar pesado e quente do verão carregado de um calor iminente. Meu corpo, endurecido por anos de pesos improvisados e brigas no pátio, tensionou-se por instinto.

Hoje era o dia.

Não houve sinos nem fanfarra. Apenas o eco de chaves tilintando no corredor às 5h47 da manhã. O guarda - um rato magro com cicatriz no queixo, Frederic - parou na minha porta. Sua voz saiu baixa e respeitosa, bem diferente do tom que usava com os outros.

- Sr. Rossi. Papéis assinados. Você sai em uma hora.

Ele não me encarou nos olhos. Nenhum deles encarava. Aqui dentro, todos sabiam quem eu era: Damiano Rossi, Underboss da Outfit de Chicago.

Cheguei como novato aos 19, condenado por "homicídio" público em um bar - encobrindo o segredo do meu líder, que jurei proteger com sangue. Conquistei respeito na marra: três brigas no pátio nos primeiros dias, pelo menos cinco enviados a enfermaria inconscientes no primeiro mês, lâminas improvisadas de dentes de metal contra líderes das gangues mexicanas e arianas. Sangue no concreto rachado, costelas quebradas, propinas aos guardas para virar as câmeras na direção certa. Depois disso, silêncio.

Os presos me chamavam de "O Corvo" nos sussurros do refeitório - um apelido sem graça, referência a mau agouro. Latinos me traziam cigarros, negros dividiam rações extras, até o chefe dos Hell's Angels (a maior gangue de motoqueiros da cidade) me dava passagem no banho e, graças a Deus, privacidade.

A propina para os guardas fluía mensalmente via Silas: cigarros, dinheiro limpo, favores para famílias. Onze anos sem rivais. Respeito comprado e sangrado.

Olhei para Frederic ainda deitado, sem responder. Nunca respondia. Levantei-me devagar, os músculos das costas protestando contra a rigidez acumulada. Peguei a sacola que ele me oferecia e conferi: terno azul-escuro, camisa branca, sapatos sociais pretos. Vesti a camisa e as calças, finalizei com o terno e calcei os sapatos.

Fui até a pia, lavei o rosto e molhei os cabelos - alguns fios caindo sobre o rosto, água pingando da barba. Sequei-me com uma toalha puída vermelha e encarei meu reflexo no espelho rachado acima da pia enferrujada: um homem de 30 anos que o tempo não quebrou. Olhos castanho-escuros fundos como poços sem fundo, barba crescida por descuido, cabelos negros longos penteados para trás. Cicatrizes finas no maxilar e antebraço - lembranças de lâminas e lealdade.

Eu não era o mesmo. E a Outfit me esperava.

Às 6h55, as portas se abriram. Caminhei pelo corredor infinito de celas, os ecos dos meus passos no concreto gasto abafados por murmúrios de aprovação.

No corredor, cabeças se ergueram das celas. Um latino tatuado murmurou "Vai com Deus, meu Rei" em sua língua. Blake Dicman, o negro alto e único que considerei amigo aqui dentro, acenou com punho cerrado no peito - respeito de guerreiro. O guarda me escoltou sem algemas, ombros tensos, enquanto ao nosso redor todos começavam a bater em suas celas em respeito e consideração a minha saída.

Segui meu caminho, todos aqui me conheciam o suficiente para saber que não sou dado a bajulações.

Estratégia primeiro: roupas civis e mais confortáveis, um banho, um celular ao sair e me inteirar de tudo lá fora. Por mais que eu tivesse mantido o cargo de underboss durante esses anos, algumas informações não chegavam até mim ali dentro para a proteção da Organização.

No portão principal, o ar livre bateu como um soco: sol escaldante de Chicago, céu azul sobre o estacionamento vazio de asfalto rachado, cercado por arames farpados que zumbiam com eletricidade.

Um Lincoln Navigator preto blindado esperava, vidros escuros, motor ronronando baixo. Silas Leone saiu do banco do motorista - meu braço direito desde os 19 anos. Alto como eu, corpo atlético moldado por academia e rua, terno preto sob medida, barba aparada, olhos cinzentos afiados como lâminas. Leal até a morte. O único que me visitava mensalmente.

- Underboss - disse ele, voz grave e sem floreios, estendendo a mão. - É muito bom tê-lo de volta.

Apertei firme, sentindo os calos familiares nas palmas dele.

- Deixe as formalidades de lado, meu amigo.

Ele assentiu uma vez e seguimos para o carro lado a lado.

- Relatório?

Silas abriu a porta traseira. Entrei; o couro dos bancos cheirava a luxo e limpeza - contraste brutal com o fedor da prisão. Ele ligou o ar-condicionado assim que entrou, aliviando o calor quase de imediato. Percebi que tinha me esquecido de como era sentir o vento gelado na pele. Nas celas, era impossível não suar rios quando o sol decidia nos cozinhar vivos.

O carro deslizou pela I-55, Chicago se erguendo ao longe como uma selva de aço e neon sob o céu ensolarado.

- A Outfit segura as ruas do sul. Famílias rivais testaram duas vezes o território no último ano: os Gallos no porto, os irlandeses nos cassinos. Limpei pessoalmente a área. Don Domenico expandiu para Gary, Indiana. Lucro em 40%. E você, meu chefe, foi quase esquecido publicamente, mas os homens esperam suas ordens.

Analisei cada palavra, traçando mapas mentais: portos vulneráveis no Calumet, cassinos no River North precisando de reforço...

- Perdas?

- Mínimas. Três soldados. Nada que não resolvêssemos.

Assenti em silêncio. Bom. Eficiência. Nada menos do que esperava de Silas, que dirigia com precisão militar, desviando de carros, evitando trânsitos, sem chamar atenção.

Meu penthouse no Gold Coast esperava - comprado anos atrás com dinheiro limpo e mantido por Silas. Ao expirar fundo, constatei que precisava urgentemente de um banho, comida decente e planejamento. Trabalho primeiro. Minha filha depois. Gostaria de dedicar a ela um tempo limpo, com o mínimo de preocupações.

Chegamos em 47 minutos. O prédio era uma fortaleza de vidro e aço: lobby de mármore preto polido, lustres minimalistas jogando luz fria nas paredes espelhadas, porteiro discreto que nos deixou passar com um aceno. O elevador privativo subiu silencioso até o 32º andar. Minha porta - aço reforçado com biometria - abriu com meu polegar.

O penthouse ainda era como eu deixara: minimalista e funcional. Paredes brancas absorvendo a vista panorâmica do Lake Michigan através de janelas do chão ao teto, sol refletindo no vidro como pontos de luz vibrantes. Móveis escuros: sofá de couro preto, mesa de nogueira com um objeto preto de mármore descomunal (Sofia insistira que era arte no dia da compra), cozinha de aço inoxidável impecável graças a Silas. Ar-condicionado zumbia baixo, cheiro de limão e couro novo.

Meu mundo.

Joguei a sacola no chão, tirei o terno e o apoiei numa cadeira, abrindo os primeiros botões da camisa branca. A temperatura ambiente tocou minha pele, aliviando o calor.

Silas foi direto à mesa e abriu um laptop criptografado.

- Café?

- Preto. Tomo quando voltar do banho.

Ele murmurou em concordância.

Entrei no quarto, empurrando a porta de madeira escura. O espaço me engoliu como um velho lobo faminto. Tanto tempo longe - agora, ele me recebia com cheiro forte de couro novo e charuto cubano (talvez só memória olfativa). A cama king-size dominava o centro, colchão firme de látex e molas reforçadas, lençóis pretos de algodão egípcio grosso. Paredes de mogno escuro absorviam a luz dos spots LED, projetando sombras que lembravam noites de bebedeira e negócios sujos.

No canto, o bar de carvalho maciço exibia garrafas de Macallan 25 anos e Hennessy Paradis, alinhadas como soldados. O closet era uma caverna de grifes: ternos Tom Ford cinza e preto, botas de couro italiano polidas, prateleira de facas de caça e revólveres cromados expostos sem pudor. O chão de ardósia preta rangia levemente, frio e sólido, ar-condicionado mantendo 20 graus secos.

Respirei fundo o cheiro familiar de casa. O poder pulsava nas veias.

Continua...

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